Levantar da sua cama é um ato simples. Abra os olhos. Boceje. Deixe o corpo se acostumar com o dia. E siga.
Mas não é tão simples assim.

Acordar é uma coisa bem diferente de sair da cama. De colocar os pés pra fora e forçar o corpo a uma caminhada pequena até o banheiro onde você lava o rosto e se prepara para um novo dia.

Sair da cama é bem mais complicado quando o motivo para tal ato não é forte o bastante para lhe prover as forças necessárias. Já se sentiu como um pequeno ser desprovido de qualquer capacidade mental ou física para um ato grande na vida? A maioria de nós em algum momento da vida se sente assim, mas e aquelas pessoas que se sentem dessa maneira praticamente todos os dias? Já tentou se colocar no lugar delas? Creio que não.

A questão é.
Não julgarás.

Você não sabe a luta diária daquela pessoa sorridente. Você não sabe quantas lágrimas ela derrama todas as noites. Quanta maquiagem ele ou ela usou para esconder as tenebrosas olheiras que surgiram após noites mal dormidas, pois sua mente não lhe permite descansar.

A vida é breve.
Mas mais breve é a capacidade do ser de se manter firme e forte diante das adversidades e das dores infligidas pela própria mente dele. Breve é a tolerância deles. Breve é o sorriso. Breve é a felicidade.


Pathos

A sede do sedento por água
vinho
sangue

A fome do faminto por alimento
comida
carne


Eu sou a dor do famigerado morto
eu sou a doença expurgada do corpo
eu sou a ferida semi-aberta


"Eu sou o desejoso de ferir"
aquele que faz a todos cair
eu sou a doença sem cura


Eu sou o doente que vive
que respira e insiste
Eu sou a cicatriz

O excomungado da vida
a enfermidade escolhida
Eu sou a lesão
sou aquele sem coração

O corte sem sangue
o desconforto constante
eu sou  a agonia ambulante

A patologia dos caídos
a infecção criada
o fio grosso nos fluídos
eu sou a história mal contada

O vício antes eterno
o errado antes certo
o doce incômodo
Eu sou o pesadelo antes sonho

I'm your pathos. 




Hoje eu abandonei toda a luz que havia em mim
eu deixei partir o anjo que morava aqui
mas dizem que no céu é o lugar de anjos
e demônios devem ser reclusos pelos cantos

***

Para todos os lados que olho
há uma saída
mas nenhuma me serve
pois estou perdida

São tantos olhos a me olharem
são tantas bocas que me falam
mas nenhum pode me ver
nenhuma pode me compreender

pergunto-me como foi que cheguei aqui
sem saída e sem rumo
sem saber para onde ir

Que irei eu fazer?
Ao abismo irei ceder?

***






Versus

Para que haja luz é necessária a escuridão.


Eu sou trevas, sou a dor e a ilusão.
Mas também sou o brilho que te guia
quando está soterrado no próprio caixão

***

De que me vale a luz se não há um sorriso para faze-la viver?
De que me vale a dor se não há para quem recorrer?

Hoje sorrio por outros motivos
Por outros sorrisos
e isso me basta
Basta não derramar lágrimas.

***


À noite eu ainda pertenço
Não há luz suficiente no mundo que seja capaz de me tirar desse abismo
Ela não me consome, pois fazemos parte uma da outra
Não há luz no mundo. Em alguém. Em nada. 
Eu sou a Treva que caminha sob a Escuridão da Terra.
Eu sou a dor. A ilusão.
Eu sou o meu próprio caixão.




E basta-me


" O que sei agora é o que deixei de saber
Abandonei nas lágrimas o antigo ser
Pois para crescer é preciso renascer
Como a eterna fênix
Aprendi a me reerguer. "

"A felicidade é um caminho e não um destino. São escolhas e não finais. Não há um sorriso eterno, mas não há uma lágrima que dure para sempre. A dor chega para mostrar que podemos escolher ser fortes. Escolha. Essa é a premissa da vida. Nós escolhemos o que queremos para nós. E eu escolho ser feliz.
Eu me basto e isso basta.

A alegria poderá não ser meu estado de espírito eterno, mas será minha meta, pois nada me garante a volta nesta vida, neste corpo, logo quero deixar minha marca. A marca de que fiz o que pude para fazer desta vida uma vida feliz. E nada mais."

As lágrimas da fênix

I am dead like the rise of the phoenix
but I am also alive like the bird that
can't fly
I have everything
and nothing
I am the forever losing
like the eclipse of the sun
I have no light
but I can bright

***

As lágrimas caíam e queimavam como lava. Cada gota rasgava uma parte do rosto, e levava uma parte da pele com ela. Os olhos vermelhos e esbugalhados procuravam algo belo para olhar,  mas nada viam, nada enxergavam. O espelho era cruel demais, e fazia os olhos verem o que a alma não lavada tentava esconder.

A eterna fênix que renascia todos os dias morreu para sempre dessa vez, pois sentiu que suas cinzas não mais valiam a pena ser reerguidas. Cansou-se de nascer novamente todos os dias. Cansou de morrer toda noite.

“Abraçou a morte como uma amiga.”


É difícil ser fênix. E mais difícil ainda é renascer das cinzas que não mais lhe pertencem, pois a vida que deixou não fazia mais parte de seu ser. As asas do pássaro vermelho que refletiam o brilho do sol deixaram de bater naquele instante amargo. Naquele momento sereno, mas soturno e desprovido da destreza que um sábio possui ao dar a notícia ruim. As penas negras que se sobrepunham às de cor do fogo aos poucos foram tornando-se grisalhas...





Quem sabe um dia eu termino esse...

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