3 de novembro de 2018

Evoluir dói

não sei ao certo como começar esse texto. espero que um dia acorde como eu. é doloroso, parece que seus olhos vão se afogar nas próprias lágrimas. e junto deles morre seu coração. você quer sentir, mas algo impede. ele bate. tum tum tum. mas não sente. é como se você absorvesse a dor do outro por completo e a guardasse em si mesmo. suas dores as confortam. mas então um belo dia você explode. e se encontra na cama às seis da manhã chorando, aparentemente, sem motivo. rostos surgem na sua mente de Nárnia. você derrama mais lágrimas. mas olha de olhos fechados para o céu e pede uma libertação, um sim, um seja feliz, um é agora, um alívio.  e enquanto seus olhos fazem cachoeira seus lábios formam um sorriso. respira fundo e solta pela boca um refúgio. o som do fundo parece fazer harmonia.
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Namastê


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29 de outubro de 2018

Resistência

Foi nos tirado o direito de ir e vir
e agora, para onde vamos fugir?
O fascismo ganha força
mas meu santo é forte
nos desejem sorte!
eu vou lutar
nós somos resistência
lutaremos por nossa existência
Não existirá oposição
mas vamos fazer uma revolução!
Se quiserem nos calar,
terão de nos matar.
"Ditadura nunca mais"
e você que elegeu o monstro
que chore ao ouvir de seus amigos
seus mais dolorosos ais
Existir é resistir
E meu "luto é verbo"
Essa dor e esse medo vão passar
Só não passa meu desgosto e decepção
por aquele que ao votar
escolher a mim e meus amigos
matar...


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15 de outubro de 2018

A Pianista (e a) Sereia - Parte II

Camni estava em sua casa antes abandonada e malcuidada, pois a maioria dos moradores do bairro não ousaram entrar na casa após a saída dos antigos moradores.

Era uma manhã fria e Camni se encolhia no sofá junto de seu café quente e um livro de bolso. O vento lá fora fez com que um dos galhos caísse e atingisse sua janela, mas a mesma não quebrou apenas fez com que Camni olhasse furtivamente, pois temeu ser algum curioso tentando infiltrar um olhar dentro de sua casa.

Os resquícios do jovem de olhos azuis ainda poderiam ser vistos pelos olhares mais atentos. Algumas poucas gotas de sangue próximas do piano de cauda que dava vida à monótona e sem vitalidade sala da casa até então esquecida e abandonada.

Mas não mais que poucas gotas, pois até mesmo as roupas que ele estava usando tiveram um fim bastante conhecido pelas casas de cremação. No fundo de sua casa Camni tratou de construir o que até então, supostamente, deveria ser espaço próprio para churrasco. Uma casinha toda de tijolos com espaço para fogo e carvão no fundo. Todavia, ela jamais queimou carne de algum animal ali... a menos que estejamos falando do animal homem. Claro que ela sempre preferiu suas vítimas ainda com as veias e órgãos pulsando, portanto, a suposta churrasqueira tinha mais utilidades para as roupas e sapatos daqueles que tinham a má sorte de ouvir sua música.

Exatamente. Era com as notas chorosas e melancólicas que ela atraía suas vítimas. Camni era uma espécie de feiticeira... não há muitas delas no mundo, portanto, pouco se sabe sobre tais criaturas. O que nos importa no momento é que mais um garoto foi vítima dela. Ela se mudava de tempos em tempos quando achava que poderia começar a levantar suspeitas. Afinal, uma jovem de beleza descomunal e voz e talento ainda mais incomuns que se muda para qualquer cidade e de repente jovens até então saudáveis e com a vida toda pela frente começam a morrer. é algo que muitas pessoas poderiam achar, de fato, estranho.

***

Conforme os dias se passaram as pessoas continuavam a comentar a morte do garoto. Quer dizer, desaparecimento, já que corpo algum fora encontrado. Camni era ainda menos vista. Não se importou em levantar suspeitas, pois sabia que iria embora antes que qualquer tipo de investigação pudesse ser feita. Ela só precisava de mais duas vítimas.

Os dias se passaram e ao que pareceu ninguém deu realmente parte do desaparecimento do garoto, logo, Camni ficou mais tranquila a respeito de sua futura mudança e isso lhe deu mais tempo para trabalhar em outra música que pudesse encantar algum jovem perdido às proximidades de sua casa.

Naquela tarde de quinta-feira, Camni entoava tons menores, melancólicos como somente Chopin sabia fazer... sua favorita, Notucturno em D menor. Seu corpo se permia embalar, seus olhos fechados, sua mente em qualquer outro lugar que não fosse a Alemanha.

Abriu os grandes olhos azuis quando ouviu alguém se aproximar de sua casa. Era um  jovem muito bem aparentado, como a grande maioria, os cabelos loiros caíam sob os olhos da cor do céu limpo. Os braços eram fortes, visto que pareciam querer saltar à camisa. Ele tinha nas mãos alguns panfletos, mas da distância de Camni era impossível ver sobre o que se tratavam. O rapaz chamou novamente e Camni pareceu sair do transe ao qual se encontrava, visto que não se mexia enquanto o rapaz pairava em frente sua bela casa.

Assim que voltou a si, Camni rumou para a porta e em então para o portão onde o jovem se encontrava. Ela trajava não mais que uma camisola nada adequada para a situação, todavia, nada explítcito... era tão perfeita a situação que poderíamos pensar que fora tudo combinado. Mas não. Por mais incrível que pareça esse evento Camni não pode prever, e foi então que ao aproximar-se o suficiente para sentir o cheiro do perfume do jovem alto e forte que a esperava no seu portão que ela soube que o impossível... finalmente aconteceu.

Fitou-lhe os olhos uma única vez. Seu coração pela primeira vez ficou quente. E então, a Sereia se apaixonou.


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12 de outubro de 2018

falha

Falha eterna em minha vida
seccionada e contínua
pois continua aqui
mas (mais) partida
distribuída
mal doída
(...)
Foi-se completa demais em um mundo que veio pela metade

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Odin - Parte II

- Como assim filho de Odin, voz maluca? Primeiro que se deuses existissem todo mundo sabe que os nórdicos não tinham fihos com humanos.

- Não discuta. Apenas aceite seu destino.

- Não tem essa de destino. Meu pai abandonou minha mãe e eu quando eu era criança. Ela nos criou sozinha.

- Essa é a história que lhe foi contada, Ethan Crawford, mas você de fato é um semideus nórdico, filho do grande Deus Odin e está destinado a colocar um fim à vida de Skuld e assim impedindo que seu objetivo maligno de exterminação da raça humana se concretize.

- Eu já disse que não vou matar ninguém. Ainda mais uma entidade que deve ser mega poderosa.

- Mas você também é, meu caro.

- Olha, eu faço isso ou aquilo. Me viro. Dou meu jeito. Mas não possuo poder algum.

- Ethan, não tenho mais tempo para qualquer explicação. A missão foi dada e você será chamado cedo ou tarde para cumpri-la. Você não tem escolha. Agora, adeus.

- Some, sua voz doida! - esbravejou Ethan com raiva.





***

No dia seguinte Ethan acordou cansado, como se tivesse treinado muito ou trabalhado demais, mas não havia feito nenhuma das duas coisas. Fez alguns alongamentos, tomou seu café sem açúcar e partiu para correr como fazia todos os dias às sete da manhã. Com seus fones de ouvido e celular no bolso, quando corria não pensava em mais nada. Mas dessa vez ele tinha algo muito fora do comum para pensar. Se ele fosse mesmo filho de Odin quais outras obrigações teria além da suposta missão dada por uma voz que parecia vir do submundo das trevas? Seus pensamentos voaram longe nessa questão.

De qualquer forma, seus pensamentos foram forçados a se voltarem para os meninos que moravam com ele. Não vira nenhum nem outro na noite passada. Não se importou. No momento tinha coisas mais importantes para se preocupar, como por exemplo, ser supostamente filho do maior deus nórdico, Odin.

Era estranho, pois nunca se soube de filhos dos deuses nórdicos com humanos. Havia uma lei que impedia isso, de acordo com a mitologia nórdica. Mas se a suposta voz estivesse, de fato, certa então Ethan seria um poderoso semi-deus com uma missão quase impossível: matar uma espécie de semideusa, Skuld - a descendente da primeira Valkíria.


Ethan admitia que coisas estranhas aconteciam com ele, em sua vida. Ele supostamente era mais forte do que deveria, até mesmo para um jovem de 24 anos amante de academia. Várias foram as vezes que sua força foi posta à prova. Além disso, Ethan trabalha como garçom porque queria, pois era inteligente demais para não focar em uma faculdade, quer dizer, mais de uma. Sim, ele possuía duas graduações antes dos 25. Segundo ele, gostava de ouvir os desabafos das pessoas e como garçom ele tinha passe livre para qualquer bebida. E isso era motivo o bastante para mantê-lo no emprego.


A noite chegara e com ela o expediente de Ethan no bar Chateu. Às oito da noite ele já trajava seu uniforme e estava limpando algumas mesas. Aos poucos, as pessoas começaram a chegar e se sentar. Outras ficavam em pé no balcão, e poucas dançando na pista. A música hora mais agitada hora mais lenta. Ethan serviu dois casais e um grupo de amigos, e então não tendo mais a quem atender recostou-se no balcão e pediu uma dose de Whisky a seu parcero de trabalho John que sorriu, mas sabia da competência de Ethan e logo entregou-lhe um copo com a bebida.


Ethan acenou com a cabeça um obrigado e bebericou seu Jack Daniel's até que seus olhos fitaram uma pessoa que havia acabado de adentrar o bar. Estava sozinha. Uma bela moça de cabelos negros e longos, alguns rabiscos no braços e pernas, e um olhar sério e um tanto sombrio no rosto levemente pintado de maquiagem. Vestia um curto vestido preto de couro que davam forma a seu corpo desenhado. Ela olhou o bar por poucos segundos até se dirigir ao balcão, cerca de 20 metros de Ethan.


Ele não conseguiu tirar os olhos dela, pois parecia ser a mulher mais linda que já vira na vida. E então, usando a desculpa de que precisava atendê-la, deixou seu copo no balcão e foi em direção à moça.


- Pois não, minha senhora.


- Por favor. Senhora?

- Quer dizer, moça.

- Melhor. - disse a mulher, sorrindo. - Por favor, uma dose da seu melhor whisky.

Ethan sorriu e disse:

- Raro encontrar uma mulher tão decidida a beber tal coisa.

- Eu sei, não é? Mas acho melhor começar por ela antes de partir para algo como martini ou algo assim.

- Como nunca te vi aqui?

- É a primeira vez que venho neste bar.

- Tá explicado. - disse Ethan. - Um estante e volto com sua bebida, moça.

- Qual o seu nome? - perguntou ela, antes que Ethan se virasse.

- É Ethan, e o seu?

- Kayla.

- Diferente. - disse Ethan sorrindo apenas com os lábios. - Já volto, Kayla.

Ethan voltou cerca de cinco minutos depois e viu Kayla guardar na bolsa o celular. Provavelmente deveria estar falando com alguém.


- Aqui está, Kayla. Seu Jack.


Kayla cheirou a bebida com os olhos fechados e sorriu quando os abriu pouco antes de bebericar um quase gole. Engoliu. Olhou para Ethan que sorria, apreciava a visão daquela maravilhosa jovem morena com os cabelos longos até a cintura, os lábios vermelhos e os olhos penetrantes... O álcool perpetuava em seu corpo, ela exalava paixão e desejo e quem sabe algo mais.

- Olha... eu saio em meia-hora. Gostaria de tomar outro whisky depois?


- Hum... Decidido ele. Mas sim. - respondeu Kayla.

- Então combinao, moça.





Passados os trinta minutos Ethan estava de volta trajando não mais o avental de garçom.

- Bem melhor, garçom. - disse Kayla.

- Concordo, moça. Então vamos? - disse ele mostrando na mão a garrafa de whisky da Dalmore.

- Esse nunca bebi.

- Pois não irá querer outro. Então, para onde vamos?

- Pra minha casa.- disse Kayla se levantando do pequeno banco, colocando a pequena bolsa de lado na cintura e puxando Ethan para acompanha-la com os braços entrelaçados. Caminharam em silêncio até chegar no carro de Kayla, um volvo preto que estava parado na rua seguinte. Ethan entrou sem falar nada até que Kayla começou a dirigir e Ethan disse:

- E onde a moça mora?

- Em Valhala, Ethan Crawford. - sussurrou, mas Ethan ouviu e quando fitou nos olhos de Kayla eles brilhavam de uma forma não humana, era como se ela tivesse fogo dentro deles e então Ethan soube em seu âmago que estava de frente com Skuld a descentende semideusa da primeira Valkíria.










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23 de agosto de 2018

passagem

" hoje
vi uma menina
que até tatuagem 
feminista tinha

e no cabelo
uma piranha
os dedos delicados
na mão estranha
[a case de Cheshire]
e será que no fone
tocava nossa música
infame?
me apaixonei 
pelas suas costas
e pelo seu levantar
será que volto a vê-la?
sem me apaixonar?"

- Ricardo Caeeiro


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25 de julho de 2018

Pianista (e a ) Sereia - Parte I

O relógio batia quase meia-noite e as ruas de Wuppertal, na Alemanha já estavam iluminadas pelos postes de luz. Os habitantes em suas casas... mais especificamente alguns complexos que poderíamos chamar de prédios, mas naquele estilo europeu antigo. Vários apartamentos juntinhos uns dos outros, mas com design impecável em suas janelas desenhadas e pintadas pelos melhores arquitetos e pintores da época.

Naquele bairro específico, as corujas saíam da floresta um pouco distante das casas e pousavam nas árvores que estavam distribuídas pelas ruas. Ali, entoavam seus sons e se comunicavam entre si, permitindo certo barulho à noite. Nada muito pertubador, é claro. Outros animais eram ouvidos uma noite ou outra, no entanto, há certo tempo que um som bastante diferente passou a ser ouvido por aqueles acometidos pelo mal da insônia.
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Evoluir dói

não sei ao certo como começar esse texto. espero que um dia acorde como eu. é doloroso, parece que seus olhos vão se afogar nas próprias lá...