Rape me

O seu silêncio me estupra
sua voz não me escuta
o seu toque me machuca
pois ele não existe
e eu sigo na luta

os meus esforços são em vão
por quem bate seu coração?

estou jogada no chão
sem roupa e sem atenção
enquanto você sorri 
conseguiu, afinal, meu fim

[...]


Quem sabe um dia eu termino esse

Ao poeta

" Somebody said you've got a new friend"


Como uma estrela cadente você caiu; eu era apenas o céu sem luz aguardando você me iluminar. E durante sua passagem, que foi lenta, eu me preenchi de energia. 
Eu tentei me vestir de anjo e tentar lhe tocar, mas quando o fiz você se afastou como se pudesse sentir minha escuridão, meu medo, minha dor. 
Eu tentei entrar em  seu mundo, mas fui expulsa como o diabo foi do céu. 
Mas não tive ao meu lado demônios. 
Estava sozinha; tentando encontrar meus motivos sempre errôneos.
Foi então que meu amigo chegou e você, de certa forma, se apaixonou. 
Não questionei, segui.
Não hesitei, parti.
Ao menos, tentei.
Mas você era a onda que me puxava da areia simplória e me arrastava e me afogava no seu próprio mar.
Assim aprendi a ressuscitar. Como todo ser das trevas eu voltava, na instintiva tentativa de adentrar, no mundo da luz. 
No seu mundo, é claro.
Mas jamais haveria de conseguir, de fato.

Ao poeta resta palavras, não amor.
Ao escritor resta papeis, não cartas.
Ao poeta não resta sorriso, só dor.
Ao escritor não resta verdade, apenas falácias.

A mim, não resta nada. 






Heavy


seus dedos dedilhavam as cordas com maestria
mas melhor ainda era o dedilhado que fazia
em meu corpo nu à noite

o seu corpo desprovido de roupa, mas cheio de essência
se encaixa no meu perfeitamente e sua voz, dotada de eloquência
é a música que me embala o sono, mas também me tira o juízo
e olhar pra você é apenas o que preciso

nossos cabelos mesclados e bagunçados na cama
a respiração entrecortada, o coração bate forte, e a Chama
que sai de mim e passa pra ti e então sentimos a Brisa
que entra calma pela janela e estremeço, uma vez que
estou nua
mas envolvida no seu corpo quente, me aqueço
como se estivesse em uma Duna

Os registros de nossos momentos serão eternos
nem o tempo nem espaço
são capazes de apagar esse aconchego e calma serenos
e diante do teu sorriso me calo

não há destino, mas sabemos onde vamos estar
e longe, distante ou do seu lado
a conexão não há de se perder
há uma escrita a se fazer
e sonhos para viver

de outras vidas que te conheci
agradeço sim
a Odin
por me presentear com sua presença
a jovialidade imensa
que é poder contar contigo

o metal nos uniu
e nem fogo escaldante há de separar
e seja aqui ou lá
a música que embala nossas vidas
sempre irá tocar

e ainda falarão sobre nós dois
como tudo foi e depois
sentaremos juntos para um café
para lembrar, sorrir e refletir
sobre o que a vida realmente é


Para ele ... Obrigada




Banished

Do submundo eu vim
cheguei ao céus enfim
mas se até do inferno
me baniram
pra onde foge o demônio aflito?

Valhala

A destreza de suas mãos que marcam meu corpo
Eu me entrego, claro, sem esforço
Seu corpo desenhado e marcado
Não hesito em tocar
E lhe permito entrar
A respiração quase para
O sorriso marca
Suas mãos caminham
E nossos laços não findam
Em Valhala ainda nos encontraremos
e junto dos deuses beberemos
Nossa marca aqui há de ficar
como em nossos corpos
uma vez mesclados
extasiados
E assim me despeço
mas antes lhe peço
não esqueças de mim, guerreiro
a eterna valquíria você cativou
com seu machado certeiro

o coração bate morto
mas Odin há de abençoar
um reencontro na sua mesa
e quem sabe mais uma vez juntos
iremos de ficar


Blut - Parte II



Você pode ler a parte I AQUI

***

Kira voltava para casa depois de sua aula à noite como de costume. Sozinho. Atravessou um dos becos que dava acesso à rua de sua casa de forma mais rápida, mas ele caminhava lentamente. Àquela hora da noite, naquele lugar era de se esperar que qualquer ser humano são se fosse obrigado a atravessar aquele beco por vezes cenário de crime, andaria bem mais depressa que os passos lentos e vagarosos de Kira.

Mas ele não tinha o que temer.

Isto é.... a única criatura que ele poderia temer era exatamente a que ele desejava encontrar.

Alessa.

Uma vampira sanguinária e cruel, mas que por alguma razão absurdamente desconhecida se afeiçoara por Kira e decidiu não mata-lo, pelo menos, não imediatamente. Quando o relógio no pulso dele marcou meia-noite, Alessa surgiu do breu que escondia o final do beco, sorridente e com a boca levemente vermelha, mas não de batom. Foi em direção a Kira que estava sorrindo também, e de braços abertos para receber sua amante.

Alessa apertou Kira. Depois de se aconchegar entre seus braços fortes e maiores que os dela, mas não tão cheios da força sobrenatural que um vampiro possui, no entanto, Alessa não precisou utilizar da mesma. 

- Olá. - disse ela depois de beijar Kira tão apaixonada e vorazmente que poderia se dizer que ela estava mesmo apaixonada por ele, mas é claro que isso jamais poderia acontecer. Uma vampira tão maléfica quanto Alessa nunca se comprometeria amorosamente com qualquer criatura que dirá um mero mortal, um simples humano.

- Estava com saudade. - respondeu Kira, sorrindo e passando o braço na cintura de Alessa.
- Não faz mais que seis horas. - disse Alessa colocando o cabelo para trás da orelha esquerda.
- Estava mesmo assim. Dormiu bem durante o dia?
- Não exatamente. Tive que lidar com alguns problemas na Mansão.
- Que tipo de problemas?
- Digamos que estão tentando criar problemas comigo.
- Achei que você fosse uma espécie de rainha lá.
- Ainda não, mas serei.

A Mansão era o local de moradia e também reunião dos vampiros da região Leste dos Estados Unidos. Era, de certa forma, comandada por um vampiro milenar chamado Pio ( lê-se paio ) cujas ordens eram jamais questionadas e o simples timbre de sua voz levemente mais alto era suficiente para fazer o mais corajoso vampiro tremer. Todos na casa o temiam, o respeitavam e alguns o amavam, de fato, as mulheres se incluíam nessa última categoria, afinal, a beleza de Pio era inegável.

Desceram do porshe de Alessa, mas ela pediu que Kira esperasse ali fora, de preferência perto do carro.

- Espere aqui. Preciso verificar quem está no Grande Salão e se Pio está presente. Se ele estiver fará perguntas sobre você as quais não estou no clima para responder.
- Está bem. - concordou Kira e a puxou pela cintura para dar-lhe um beijo com verocidade. Alessa não hesitou e sorriu, mostrando os dentes brancos, mas que em seguida ficaram vermelhos, pois ela proferiu uma mordida, ainda que de leve, no pescoço de Kira.

Já acostumado com a dor e a sensação, dessa vez Kira nem se contorceu ou algo do tipo, pelo contrário, deleitou-se de prazer.  Junto de Alessa ele conseguiu sentir pela primeira vez a gloriosa sensação de ser mordido por um ser das trevas.

Alessa, com certo esforço, desvencilhou-se de Kira, abriu o grande portão que separava o Jardim Sereno da rua e da Mansão. Caminhou lentamente. O vento frio cortando sua bochechas brancas como mármore, seu coturno preto arrastando a terra vermelha que havia na curta estrada que dava caminho até a porta do Grande Salão. Uma vez de frente para a porta Alessa a empurrou, era grande grossa e adornada com várias artes, mas ela sendo forte não teve esforço algum. Assim que entrou dois vampiros a encararam. Outros três que estavam se alimentando de um humano qualquer ao fundo do Grande Salão pararam o que estavam fazendo. Limparam a boca com as costas da mão e sorriram para Alessa, mas foi um sorriso maligno, eles sabiam que ela poderia estar com problemas, uma vez que estava saindo demais da Mansão sem pedir autorização de Pio.

- O que é que os patetas estão olhando?
- Oras, Alessa. Você sabe que está encrencada. - disse uma vampira, loira com adornos verdes no cabelo enrolado que batia na sua cintura. Seus olhos negros estavam brilhando de satisfação pelo possível castigo que Alessa teria. Lore era o nome dela e ela parecia ter o mesmo objetivo de Alessa - tornar-se rainha, a diferença que Lore estava disposta a ser a amante número de Pio, enquanto Alessa nem sequer cogitou essa opção.
- Encrencada estará você se não sair da sala agora, Lore. Vamos vocês todos! - disse, rosnando e mostrando os dentes sujos do sangue de Kira.
- Você não manda aqui, Alessa.
- Quer ver quem é que manda, Lore? - e Alessa avançou, mas Lore foi rápida e era esperta  o bastante para não enfrente Alessa sozinha, que 100 anos mais velha que ela poderia facilmente destroçar seu corpo delineado e desenhado.
- Está bem. Vamos todos. - disse Lore, enfurecida, mas de cabeça baixa.

Em seguida, todos os presentes na sala saíram e foram para seus quartos. Alguns subiram a grande escada que dava acesso ao primeiro andar e outros pegaram o elevador. Alessa estava sozinha na sala. Mas correu velozmente para buscar Kira.  No entanto, chegando no porshe ele não estava lá.

- Droga, Kira. Mandei ficar aqui.  - pestanejou Alessa.

Mas em seguida, seu olfato sentiu cheiro de sangue fresco. O sangue de Kira. Seu coração disparou imediatamente e ela foi na direção do cheiro. Dentro das fortalezas da mansão, em uma pequena mesa de mármore que ficava não muito afastada da Grande Mansão, havia a mensagem:

 " ele me pertence agora "

Com o sangue de Kira, ela sentiu. Mas quem haveria deixado a mensagem Alessa não fazia ideia. Seu coração antes gelado agora batia fortemente, pois haviam sequestrado alguém que poderia ser o grande amor de sua vida, uma vida regada a assassinatos, furtos, tortura e dor. Uma vida que jamais conhecera o amor, pela primeira vez Alessa havia se permitido aproximar de alguém, mas Kira era apenas um humano e não poderia se defender

Restou a Alessa descobrir quem sequestrara Kira. De todas as suas qualidades, vingança sempre fora deveras a melhor dela.


"The Drug in me is you"


"you don't want me, no. Like I want you. "

***

Você se lembra de como nos conhecemos? Talvez não. Você conhece muitas pessoas. Todos os dias. E possivelmente naquele dia conheceu outras tantas. Mas eu sei exatamente como aconteceu. Como meus olhos fitaram você. De longe, te vi marcado. À medida que se aproximou de minha pessoa senti meu coração disparar, de leve, a princípio até que quando estava ao meu lado, impondo sua presença forte eu tive medo que pudesse ouvi-lo. Tente sorrir de uma forma não idiota, mas é claro que foi em vão. Por sorte, você pareceu não se importar e com sua gentileza me conduziu.

Mas esse não é um texto sobre começos. E sim finais. O nosso. Que apesar de em nossa magnitude, conexão e plenitude de diálogos, nunca tivemos uma história. Um algo. Jamais haveríamos de ter, afinal. E hoje sigo bem com relação a esse triste, porém, necessário fato. Meu ''coração'' foi curado por você, no início, confesso, mas da mesma forma você o quebrou, de uma maneira diferente, porém. 

Ele segue despedaçado sem nunca ter-lhe amado.

" you're my obsession, my fetish, my religion, my confusion, my confession, the one I want tonight. "

Essa abstinência que terei de você, certamente vai passar. Todos merecemos algo, e eu mereço também. Assim como você. E agora me despeço, de tudo que poderíamos ter, de todos os sorrisos que incosciente você me tirou, digo adeus ao perfume que uma ou duas vezes me embriagou, aceno de longe para as doces palavras que me consolaram e também me fizeram refletir. Digo adeus, ao sorriso mais bonito que já vi.  Ao olhar sereno que me acalmou mesmo a quilômetros de distância, me despeço do corpo que me aproximei o suficiente para tocar, mas nunca senti, em nenhuma instância.

Então, o único que realmente conheço como Anjo, que seja leve sua vida livre deste Demônio.