mar

Se você flor
floresça em mim
e se eu for
ficarei em ti

se você poema
poeme-se aqui
e se eu escrever
poemando estarei assim

e se (contigo) eu rio
você (poe)mar
e nós juntos
(no) oceano amar

e quando a chuva cai
no aconchego do sofá
você fica e nunca se vai
nos beijamos aqui e lá


O baile

o caminho sem volta
a dor sem glória
o fracasso sem lógica
eu era uma lembrança
- jamais nostálgica -

"ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver "

nem ao verme dedico
pois ele merece mais
que meu desgastado corpo
preenchido de tantos ais

o latido do cão sem dono
a soturnez no olhar de abandono
a delirância do louco que jaz na cama
eu sou aquele que ninguém quis e nem ama

a ferida aberta cheia de sal
o corte pela adaga do mal
o pulso esquartejado
eu sou o demônio encarnado

o solitário caminhar do isolado
o desatino do que foi calado
a máfia do destino encapuzado
eu sou o homem bestializado

a cicatriz no pescoço da corda presa
a chama da vela vermelha jamais acesa
o baile nunca dançado
eu sou aquele que nunca foi amado

eu sou o que não vai
eu sou aquele que não vive
eu sou tudo o que cai
eu sou aquele jamais passível
de ser livre










Sehnsucht

enquanto dormia eu lhe observava
e ouvia, em silêncio, sua respiração
e por um momento quis chorar
pensando nas dores de seu "coração"

mas então lembrei-me de mais cedo
que eu antes precisava de acalento
mas enquanto você sorria e falava
com sua presença
o meu espírito finalmente se cala

[ele se aquece com seu corpo
e então eu quero te ver sorrir]

como o piano que se embala sozinho, pois no fim
os dedos do singelo do pianista  lhe fazem sentir
a melodia que durante a vida toda lhe foi negada
e então noto que não sou piano,
mas uma música inacabada

ela não pode ser finalizada
pois ela se refaz a cada novo dia
que passo ao seu lado, parece magia

"espalho balas de canhão, é inútil, pois existe um grão vizir"


eu não preciso de esforço
basta-me uma palavra sua
e regenero a energia que assim atua
nesse flagelo de corpo estralhado e sem motivo
arrastado e ignorado, mas que eu insisto

[o que Odin criou ao redor de sua aura
desconheço
o deus nórdico lhe enviou a mim
e agora mesmo que ficais longe
mesmo que se manteis distante]

o que você tocou foi minha alma
e apesar de não saber qual sua missão
compreendo o que pôde fazer
por esse ser impassível de compreensão

o que antes era deteriorado
hoje restaurado
minha alma negra que nada conduz
agora é passível de absorsorção da luz

nossas energias foram traçadas em outras vidas
e ainda se encontrarão por outras idas e vindas

e se eu puder ver um sorriso em seu belo rosto
mesmo que eu não desfrute de seu majestoso corpo
ou que eu não possa estar na sua não divina,
mas semideusa presença
mesmo que eu não possa lhe ouvir
ou palavras de carinho a você proferir
estareis feliz, pois tive ao meu lado o Demônio Anjo
e assim finalizo enfim esse simples arranjo










I need some help*


* Música de Eels - I Need Some Help


" you just gotta let it go"


Eu provei dos teus lábios
e do teu corpo
eu me afoguei no mar
de um sorriso maroto

[ I was used
maybe abused
and the worse
I was lucid
I knew it
I knew it ]

And I did not care
how many times did you asked
are you fine?
no, but it is ok
for now, you are mine


are you there?
Because I'm still here
And I feel somewhere
That you're still near

Há uma diferença entre essa e aquela dor
o que eu estava pensando?
que juntos estaríamos andando?
Mas demônios não sentem amor

Pelas portas do inferno passei
mas era ao seu lado que eu estava
logo, acreditei. Óh, aqui ficarei
mas não, uma voz em meu ouvido cantava

Você provou dos meus lábios e do meu corpo
pequenas amostras, mas é só isso, corvo
o pássaro negro a este lugar não pertence
e eu nunca quis você, ó ser demente

Então, como foi capaz de me cativar?
Acontece que essa classe de demônios
é muito fácil de enganar
mesmo que não tenha sido minha intenção
sei que penetrei, também, em seu coração

Deixe-me tocar para ti uma música
não é preciso, corvo
deixe-me, uma última vez,
tocar seu corpo

[Agora é tarde, demônio
Fui-me para longe deste património]

"Você tá sempre indo e vindo" *

Eu fico em posição fetal
chorando lágrimas que não tenho
por um medo bobo e desfenho
por um sonho mais que banal

Você é a minha droga perfeita
trabalhada com minha própria desfeita
eu a aplico devagar, bem devagar
para que assim ela possa me acalentar
Por que faz isso, corvo demente?
Você é minha queda, demônio ardente

Eu sou o nada absorto entre dois mundos
nunca vou e nunca fico
jamais sei sabendo isso e aquilo
eu me julgava forte
mas mal sabia que contava com a sorte

Eu lhe peço perdão, rei dos infernos
pode um demônio perdoar o outro?
Você é meu anjo louro
e eu
sou o que restou do ogro



[ ainda ei de terminar esse ]















King in the Hell

Eu fico ouvindo o piano e me imagino tocando
você está sentado ao meu lado,  observando

movo meu pescoço conforme a melodia
e você sorri, pois nota minha paixão

mas mal sabe você que toco para ti
por quem bate meu simplório coração

***
Eu vi o pai de todos os demônios
e eu adormeci ao seu lado
tive os melhores sonhos
e cheguei a crer, por acaso
na verdade, eu cheguei a me imaginar
indo ao seu encontro
correndo pra te abraçar

Nunca haveria eu de imaginar
que demônios poderiam amar
- e de fato não podem -


[Cicatrizes na pele podem se curar
mas as deixadas na alma
parecem jamais sarar]


Acontece que eu não aguento mais esses acontecimentos
a cada dia que passa são novos sofrimentos
cada decisão tem uma consequência
mas parece que minha vida é regada a falência

Nem os Anjos caídos conseguem me reerguer
a cada nova queda 
estou mais ao fundo do antes poderia crer

O Rei dos Infernos cantou-me uma canção
sussurrou em meu ouvido 
as mais doces palavras
e acariciou meu cabelo
com suas mãos marcadas

[Mas quando eu lhe disse a verdade
ele sorriu
e partiu]






Meu LIVRO - Confissões de um Suicida

Ai gente, meu bebê finalmente saiu. Confissões de um Suicida é meu primeiro livro solo. São 65 páginas de poesia, naquele estilo que vocês conhecem, né.

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Sobre a escrita

Eu vivo fazendo empréstimos.

Sempre que começo uma nova leitura pego os olhos do autor emprestado e sua voz também. É através dele que me refaço naquele novo amotoado de papel. Reservados para os olhos não cansados, os livros me fazem seguir de uma forma que a maioria das pessoas não consegue. Cada palavra que adentra meu cerébro constrói aqui dentro uma infinidade de histórias, no entanto, não sendo merecedora da dádiva que tais autores possuem, eu falho em colocá-las em um pedaço de papel qualquer. Pelo menos, à primeira vista.

Depois de algum tempo, as palavras parecem se reogarnizar de forma solitária e íngreme na minha cabeça que matuta coisas sem sentido o tempo todo. E então, sem nem ao menos perceber estou rabiscando em um dos meus vários caderninhos algo. Algo que, a príncipio, pode não fazer sentido para você. Ou para mim. Mas, uma vez que tenho lapidado o texto noto que, de fato, posso fazer alguma mágica com as palavras.

Todavia, o maior feitio mágico que sou capaz de contar através de escritos malfeitos é exatamente o que acontece comigo mesma. Ao transpassar para papeis manchados de lágrimas que não foram derramas por meus olhos cansados da vida, marejados da dor que escondo todos os dias... É ali que a magia acontece, pois nesse ato transpasso não apenas ideias e palavras, mas toda a angústia que se havia formado em meu âmago. E então, como alguém que ficou em baixo d'gua por tempo demasiado, eu respiro. 

E então, fito meu reflexo distorcido no espelho sujo. Não me reconheço, porém, vejo além. Vejo escritos se formando acima de minha cabeça. Como uma aureola de palavras. Elas são negras, obviamente. E concluo que posso não ser um Anjo e ser um demônio, mas um demônio das palavras. 





Le Piano

" A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas a angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música. "

The Last Song


Eu já devia saber 
mas não queria entender
que eu era as teclas pretas do nosso piano
enquanto você era as brancas, o maior encanto

Você beija o sol
enquanto sou chuva
você me conquista
enquanto nem mesmo luta

A delicadeza de seu toque
revela o real sentimento
e sozinha em meu quarto escuro
entendo

[com os fones de ouvido
ouço nossas músicas
que sempre foram suas]

e de alguma forma você as entregou a mim
mas nunca significaram nada
assim como eu
sozinha
no eterno breu

eu era como aqueles livros velhos e acabados
nos sebos e livrarias
que todos olham, mas ninguém levaria

como o dia nublado
mas você como o sol ilumina
e quero encontrar seu sorriso
em cada esquina

e quando encontro
meu corpo se alegra
o som do violino é feliz
a orquestra bate em meu peito
e a seu lado me deito

mas então vai embora
e me abandona à sorte
que não vejo e não encontro
e então choro

***

[eu sou o piano quebrado
molhado no mar 
eu não possuo som
pois minha voz se esgotou de tanto gritar]

são gritos inaudíveis
são gemidos silenciosos
são os escritos brancos
as profecias não críveis 

eu sou tudo e nada
a desgraça e a serenata
depende de quem vê e ouve
e você está cego e surdo
e finge que não sabe o que sempre soube




[ um dia, terminemos]