Cinnamon

E quando ele me beija

(...)

e quando ele fala
sinto cheiro da bala

quando ele se aproxima
eu mal me contenho
pois seu corpo é tremendo
e eu nem ao menos tento

esse rolê tá muito pesado
chega mais perto, gato
com esse seu corpo tatuado

não faz isso, não
não sorri pra mim assim
eu fico sem chão
e sem ter pra onde ir

o modo como você anda
o seu jeito de me olhar
assim você me desmonta
sem nem ao menos tentar

seu hálito de canela
me quebra
e seu toque sem igual
pega na minha cintura
é sensacional
e abala minha estrutura

(...)

mas foi apenas um sonho


#4

Enquanto a chuva caía la fora meu mundo desabava dentro de mim. Nem todas as suas gotas seriam o suficiente para encher meu oceano de tristeza. O céu mais que negro em nada se comparava à minha soturnez.

O que sei é o que brilho do sol nem se aproxima do seu maravilhoso sorriso. O mais belo pássaro com o mais belo canto é uma simples nota sem toma se comparado ao tom da sua voz, no entanto, antes eu estivesse surda, pois sem tua voz todos os sons restantes são inúteis. Antes eu fosse cega, pois sem teu sorriso de nada me vale a visão. Antes eu não pudesse sentir, pois sem teu toque de nada me valem as mãos.


Texto feito em algum momento de 2015 e achado entre os escombros que são meus textos escondidos nos cadernos.

Vago

A minha vida é um fardo a qual sou obrigado a levar.
É uma coleção de erros.
A minha vida é um desconexo na linha do tempo. Perdida sem rumo, sem nexo.
O que um dia foi há muito deixei de ser, parada no tênue rabisco que é ser e não crer.
Os passos são lentos, vagarosos, mas não pela cautela e sim pelo cansaço. A cada dia que passa um novo fracasso.
Os rumos que tomei foram dados ao léo. Sem pensamento e sem crítica. Aqueles que um dia chegaram a serem balanceados mostraram-se tão ineficazes quanto àqueles que não pensados. Não há escapatória.
Eu sou o erro na matriz do Universo.
O buraco que fere o buraco negro.
A rachadura no buraco de minhoca que impede o conhecimento de chegar até minha mente.
Minha cabeça. Ela está  roída por dentro. Meu cerébro está derretendo.
Meu corpo, envoltório sem vida, desprovido de vontade ou capacidade é um cofre oco usado pelos outros para aprecio próprio de uma não existente beleza e mais maligna, ainda que despercebida, presença.
Meus olhos não captam a luz, pois atrás deles se escondem as Trevas.
Minhas mãos trêmulas diante de escolhas simples, mas catastróficas, uma vez que as tenho feito.
A decreptude de minha boca sedenta por um beijo que jamais terei, daquele que jamais irá me querer é o bastante para manter-me calado, frente ao espelho rachado, frente ao espírito maltrado.
Não há para correr, fugir, andar. Ficar parado é o que há. À espera de uma salvação que nunca virá.

Blut - Parte I

Alessa caminhava à noite, de madrugada. O brilho da lua cheia refletido nos seus olhos negros. Vestia preto como de costume, um batom vermelho na boca carnuda e lápis preto, claro. Seus passos eram tão silenciosos, as botas de salto fino tocavam o chão como se fossem apenas nuvens.  Nem mesmo o mais astuto animal notaria sua presença, até mesmo porque sangue quente não corria em seu corpo... gélido.

No beco da rua ela parou de súbito, pois de longe ouviu um singelo ruído. Muito baixo, mas seus instintos e audição aguçados não a deixavam na mão, jamais. Encostou na parede e ouviu:

- Kira, você não devia estar aqui. ( sussurou a menina ) - Alessa caminhou mais um pouco para ver quem eram.
- Eu sei,  mas eu precisava saber se você estava bem. ( sussurrou ainda mais baixo o rapaz )

Nesse momento, Alessa estava próxima o bastante para fitar o casal, claro que sua visão ajudava, uma pessoa normal jamais enxergaria qualquer coisa àquela distância.

- Eu sei, mas eu estou bem e você precisa ir embora. Não devia ter me chamado. ( disse a garota um tom mais  alto )

- Eu ainda me preocupo.

- Mas você não deve... Terminamos há um mês. Você precisa seguir em frente.

- Eu não quero seguir em frente.

- Mas você deve. ( ela gritou )

Ele ficou em silêncio, olhando para baixo. Alessa sorria. Ele era bonito demais para estar correndo atrás de qualquer mulher. E se estava fazendo isso era porque se importava. A vítima perfeita na sua opinião.

Kira não disse nada. Apenas olhou uma última vez nos olhos castanhos de sua ex namorada, Sam e virou as costas. Não permitiu que a lágrima presa em seu olho esquerdo caisse. Foi firme. Sam voltou para casa, em frente, e fechou a porta sem hesitar. Alessa sabia o que tinha que fazer.

***

Kira ia embora quando ouviu algo. Era Alessa, mas é claro que ele não sabia disso. Ele se virou para tentar descobrir de onde o som atrás de si podia ter vindo e nada viu, mas quando piscou por breves segundos uma mulher, morena de longos cabelos negros como a noite sem lua, olhos pretos como o rio que não reflete nada, e em sua boca levemente carnuda e colorida de vermelho. Ela sorriu e foi o sorriso mais belo que ele havia visto em toda a sua vida. Seu coração bateu um pouco mais rápido, mas ele tentou não demonstrar nada. Alessa estava com os braços cruzados e apoiava a perna direita na parede.

-- Olá, Kira. - disse ela com a voz mais sensual que um ser não humano poderia ter.

- Como sabe meu nome?
Alessa caminhou devagar na direção de Kira e depois de descruzar os braços disse:

- Por acaso ouvi o final da conversa entre você e a ruiva do lado.

- E posso saber por qual motivo estava ouvindo conversa alheia?

- Foi um deslize. - ela disse, aproximando-se mais - não pude evitar depois de olhar você. Precisava saber... - virou-se para esconder um sorriso.
- Saber o que? - disse Kira, agora mais calmo e curioso.
- Se ainda estavam juntos.
- Como sabia que havíamos ficado juntos?
- Eu sei de muita coisa, Kira.
- Como o que?
- Como que você não a ama, e que sua corrida até aqui atrás dela, foi apenas um momento de fraqueza. Sei também que está à procura de um novo alguém na sua vida. Você sabia que ela estava bem, mas precisava dizer um adeus verdadeiro.
- Ok, agora estou assustado. Você está me espionando?
- Não. Li sua mente, apenas.
- Hahaha , tudo bem. Acredito.
- Pois devia. Caso contrário, como saberia que pensou nesse exato momento que gostaria de me beijar?

Kira não respondeu. O sorriso sumiu de seus lábios de súbito. Ele olhou para Alessa que também estava séria. Ele mal teve tempo de raciocinar. Alessa o prendeu contra a parede. Uma mão no pescoço e a outra prendendo uma das mãos. A outra estava livre, mas Kira não se atreveu a move-la. Quando fitou os olhos escuros, mas sem vida de Alessa ele soube o que ela de verdade, porém, percebeu foi tarde demais.

Segundos depois de ela o olhar também nos olhos e sorrir cravou-lhe os dentes no pescoço livre que apesar de exalar um perfume tão intrigante que por átimos de segundo ela hesitou em seu movimento, não foi o bastante para impedi-la. Ele gritou, baixo, mas gritou. No entanto, a dor era mais prazer que agonia, logo, ele permitiu que a nem tão jovem vampira continuasse. Seu oescoço marcado por desenhos, bem como grande parte de seu corpo foram mais que atrativos para Alessa. Seu corpo desenhado e trabalhado deram a ela mais que motivos. Deram razões certeiras para que ela o tivesse.

Ele fechou os olhos e pressupos que agora e ali no beco da rua de sua antiga namorada ele morreria atacado por um ser das Trevas. Mas Alessa parou. Com a boca suja de sangue limpou-a com as costas da mão. Sorriu e mostrou os dentes veremelhos para Kira que cambaleou, mas ficou de pé. Ela segurou a outra mão dele contra a parede. A respiração entrecortada de Kira e seu coração disparado, não de medo, mas de desejo revelaram a Alessa o que ele, de fato, queria: ela. Mal sabia ele que ela queria mais que seu sangue, sua boca ou seu corpo...

Ela não se importou com o gosto que ele sentiria de sua boca e o beijou. E ali ficaram por várias horas. Até que os primeiros raios de sol iriam nascer e Alessa foi forçada a deixar Kira.

***

- Por que não me matou? - perguntou Kira após um longo tempo.
- Porque ainda não está na hora.
- Quer dizer que irei morrer?
- Provavalmente

Kira ficou em silêncio

- Algum problema, Kira?
- Não. Ser morto por você seria uma honra.




#3

Ele é o primeiro raio de sol e o último adeus da Lua.
Ele é a primeira estrela que surge, e faz querer-me ser sua.
Ele sorri e eu fico contente, ele é a agua que rega o que sou, semente.

Ele é meu o Sol da manhã e também as estrelas
e eu sou a Lua, da sua vida
ele é o antídoto de todas as minhas sequelas
e eu sou sua, sua menina

Somos os astros de todo o nosso Universo
somos o nó do laço reverso
somos aliados do contato eterno
nós somos...
e mais nada precisamos ser
pois assim
seguimos e saber viver

"não existe nada mais gracioso  que o timbre da sua voz
e não existe nada mais bonito que seu sorriso
e mesmo sem te-lo tocado, eu sinto o toque de sua mão
e seu abraço é quente, e faz pulsar meu singelo coração"


Histeria

Havia duas estradas.
A larga e a estreita
Havia duas escolhas
A melhor e a pior maneira

E ele fez questão de ir pela estrada errada
de escolher a opção da falácia
ele não hesitou e foi por aquele lado
me abandonou à sorte do condenado

dos monstros que me isolavam
a agonia de ve-lo partir
ao lado da besta era, deveras
uma dor sem fim

eu havia lhe dado tanto
eu havia lhe pedido pouco

os meus suspiros regados de lágrimas doces
não foram o bastante para faze-lo crer
até que ponto a maldade do ser humano pode crescer
e por fim, submeteu-me ao castigo eterno
cuja sentença era pior que a morte,
eu, sozinha, abandona à própria sorte
fiquei

ele escolheu
duas vezes
e por duas vezes, sofri
por duas vezes, morri

mas ressuscitei
da mais antiga morte que me foi dada
busquei do mais escuro âmago de meu ser
encontrei, a razão para viver
talvez

Quando tudo for caos, seja calmaria.. 
E quando tudo estiver calmo, seja motivo de histeria.




#2

O doce amargo que fica da boca
após provar um veneno
o sangue queima dentro da veia
e seu corpo treme ao extremo

o agridoce que é seu beijo
nada de sabor e sim de desejo
destrói a esperança do menino
ela sorri com seu desalento

com uma adaga faz um corte
na epiderme do envoltório sem sorte
dos olhos marejados de dor
caem lágrimas banhadas em fel e amor

rabisca na pele o que pensa crer
mas na verdade mal sabe o que vê
pois os globos oculares estão cansados
da vida manchada por tantos escárnios

duas vezes pensou ter encontrado a luz
mas de nada vale para o ser que agonia produz
duas vezes pensou ter visto a paz
mas de nada serve para o destruidor que nada faz

o seu sorriso é maléfico
não há brilho, não é bonito
o seu toque é frio
e seu andar é solene e esguio

suas unhas cravam a terra vermelha
 da sepultura que ela mesmo cavou
mas não se enterrou

estava morta há dias
mas caminhava entre os vivos
pois havia feito uma promessa
àqueles que pensou serem seus queridos