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As doze badaladas.

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Eram doze badaladas dos sinos do tempo.

Primeira.
Acordaram todos felizes e cheios de vontade. Prontos para mais um ano e prontos a cumprir as promessas feitas há apenas um dia. TAM! Os sinos anunciaram o tempo malogrado, um homem sibilou que deviam continuar que aquilo era só o início. Verteram-se solitariamente, riam e emanavam coragem. Estavam prontos.

Segunda.
Acordaram todos, felizes, mas não tão cheios de vontade. A rotina voltara e algumas promessas foram esquecidas. A maioria tentava não ouvir os sinos, tinha tempo, este não podia ser esquecido. Não dessa vez, estavam no início da ''nova jornada'', olhavam com esgar quem dissesse o contrário. Não tinham o que temer, aparentemente não.

Terceira.
Acordaram todos felizes e a vontade subitamente emanou. Uma data festiva mascarava a realidade que já tentavam levianamente negar.Alentadora e inocente a data os fez felizes por alguns dias. Os dias antes, o dia propriamente dito e um ou dois dias depois. Mas é claro, logo de…

Inquietações

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Essas inquietações tomam conta do meu ser. Minha mente e meu corpo não descansam e eu procuro distrações para não enlouquecer ou quem sabe perecer.
   As lágrimas não vertem, não permito, é no mais profundo âmago amargo que as liberto. De outra forma, é claro. Meu cognome é dor seguido de frustração. Sou uma obra apócrifa que logo será ainda mais esquecida.
   Batem os sinos da agonia e eu ouço as badaladas da desgraça. Minha estultice revela a imprudência nos caminhos que foram e serão traçados.
   Queria eu debelar a mim mesma e quem sabe anuir essa hipocrisia, obsequiosamente chamo a ''indesejada das gentes'' e suspiro ao perceber que ela me escutou.

"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente em meus umbrais,
''Uma visita'', eu me disse, ''está batendo a meus umbrais''.
É só isto, e nada mais.
(…

Um poema qualquer II

Eu sou a dor da perda
Sou o deflagro da doença
Sou o verme do alimento
Eu não alcanço o sustento

Sou a falha do Universo
Eu sou o erro perverso
Sou a castanha carcomida
Sou uma planta sem vida

Sou tudo de ruim que já brotou
Sou a dor do amargor
Eu sou o corpo do morto vivo
Sou o que restou de um mosquito

Eu sou tudo menos o bastante
Sou a adaga do coração palpitante
Eu sou o mal, a semente da árvore
Eu sou o mal, aquele que te causa entrave.

Aleatórios II

Esse é outro poema que eu fiz com a Rafaela.

“Olhos que choram, a desgraça dos bons;
olhos que veem o declínio dos sãos.
Olhos egoístas que contentam em olhar;
olhos condenados, a só observar.
[…] digo o mesmo das feridas.
Feridas que latejam as consequências do corte;
feridas que doem na carne sem sorte.
Feridas que ardem o buraco do peito;
feridas que lembram cada anseio.
[…] e digo o mesmo das vozes.
Voz que grita a dor do silêncio;
voz que canta a canção do inocente.
A voz que ecoa o trecho da morte
vozes que esperam que nos conforte.
E mais uma vez cantamos…mudos
Não adianta estão todos surdos
Gritamos ao céu uma resposta
Ele rebate, sua voz é estrondosa
Raios e trovões mancham de branco
As trevas cheiram o nosso pranto
Quanta lamúria foi enterrada
No chão sujo de uma palavra mal tratada
Na sua mente ecoa o silêncio do cessar vida
Enclausurou-se sozinha no coração que batia
Em teu peito o anseio do descanso gritou
Socorro! Estou caindo… vamos você falhou.”






Discurso de Formatura

Esse é o discurso que eu fiz para a colação de grau da minha sala, minha amiga quem leu.
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É isso aí. Chegou o grande dia. E não estou falando de ENEM e outros vestibulares. Mas sim o dia do Adeus. Oras, mas qual deles? O Adeus de turma. É  aquele que até entre os fortes causa uma angústia. Nem todos choram, mas todos admitem certo pesar. Logo não seremos mais terceiro ano, seremos formandos e cada um com a sua vida. Com o tempo talvez, vão se apagando as lembranças de nossos tempos escolares, dos colegas ou dos acontecimentos.  As fotos talvez sejam a única lembrança, salvo  aquelas enraizadas na mente. Mas  as amizades verdadeiras feitas naquele âmbito mágico, de fato perdurarão eternamente. Nós brigamos e nós rimos, nos revoltamos e manifestamos. Nós estudamos e brincamos, nós enfim, Vivemos.
E no final das contas, é isso que se resume ser aluno ou estudante. Percorrer um longo caminho aliado de ótimos amigos. Em meio …

Um poema qualquer.

Eu sou a ''pedra no meio do caminho''
Eu sou a blusa rasgada, transformada em linho
A dor do tiro no peito
Sou um buraco, cavado em  meio estreito
O gole insípido da bebida mortal
Sou o teu destino, mirado austral
Aquele que você evita,
Não sei, quero que me diga
Eu sou a dor, que me mata e me acorda
Sou uma árvore morta
Inação.
Fui destruído, augúrios foram feitos
Truculência.
Suscitou, o monstro acordou.
Eu sou o remanso, sou o chão em que pisa
Bifurca-me, sim, assim o faz assim o dita
Eu sou a dor, que me mata e me acorda
Esquálida e indolor, é apenas uma corda
Eu sou a dor, eu sou o monstro, eu sou o gole
O gole da morte.

Aleatórios

Este é um poema que eu fiz com uma amiga, a Rafaela Silva.

Sou a folha que cai no outono,
o fruto abortado de uma árvore
inconsequente e inebriante.
Filho bastardo do alvorecer.
Sou um verme terreno,
de falso relento,
rejeitado sem pudor.
De súbito consolo, uma poesia inerte.
Em suma melodia perdida
da falsa demência
como louco, avesso fosse.


Sou a folha que cai no outono
Sou um ser que já morreu
Em meu peito bate algo que faleceu
Sou um verme terreno
Rastejante como uma víbora
Mas ao contrário, minha vida nada explica
De súbito consolo, uma poesia inerte
Escrever ou rabiscar, um ato que se repete
Demente seria eu ? Demente seria o mundo ?
Tento entender, mas fico mudo
Sou um verme terreno
E isso explica minha natureza repugnante
Meu corpo, a adaga de aço tange
São ferimentos; tentaram me fazer sucumbir
Oh, mas esqueceram, eu, há muito já caí
Abrace este verme, ou mate-o de uma vez por todas.


Thays Martins de Paiva e Exorcist-a

Prólogo II

Imagine-se em um quarto branco fechado. Você abre os olhos e vê o teto manchado. Manchado de olhares que passaram por ele, não uma ou duas, mas várias vezes. Em seguida você vira seu pescoço para o lado, com muito esforço é claro, e vê sua mãe sentada em uma cadeira desconfortável, e não pode ver o rosto dela, pois ela o apoia nas mãos enquanto chora silenciosamente para não te acordar. Você retorna a posição de dormência e fecha os olhos, não por estar com sono, mas por estar cansado de mantê-los abertos. Teme que os feche e nunca mais os abra, contudo fica indeciso entre ser algo bom ou ruim. As dores, todas elas terão um fim, mas a agonia e desespero daqueles que o amam e o acompanharam até o presente momento terão o seu auge assim que der seu ultimo suspiro. Não, você não diz adeus, pelo menos não naquela hora. Você respira sim com dificuldade, mas com muita força solta um gemido para mostrar que ainda estar vivo. Sua mãe se levanta e enxuga as lagrimas, olha para você e diz: Que …

Time, time...

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Quanto de teu tempo jogaste fora, pequeno ser? Oras, não conhece a palavra gestão? Julga leviana e erroneamente, uma vez que não pratica os mesmos atos, mas usa dos mesmos motivos, dentre eles o alívio da frustração.      Não tem pouco tempo, tem pouquíssima força. Entretanto, cansou-se de existir. Teu teto de vidro está trincado e os cacos ferem-te os olhos. Estais cego, o mundo morreu. Ou serias tu? Morreste, pequeno ser? Cansaste de arrepender-te e esta necessidade de provação e aprovação crava-te na cabeça os resquícios de tua iminente depravação e desgraça.     Já pensaste mais de uma vez, e sabes disso, pequeno ser? E agora, o que irás tu fazer?

Bienal do Livro de Minas Gerais 14-23 de Novembro

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Ei, gente ! Ontem foi meu último dia na Bienal e como prometido eu trago a vocês os relatos de minha experiência com a primeira Bienal que fui na vida ! Vou começar a conta tudinho na ordem, desde o meu primeiro dia ( 16.11 ) até os outros dois (21 e 22 ).

No dia 16 de novembro eu fui à Bienal na esperança de conhecer duas grandes escritoras que eu adoro desde sempre e admiro muito: Margaret Stohl e Thalita Rebouças. As duas foram umas fofas, lindas, amores de pessoa. Super simpáticas com todos e na entrevista mega engraçadas.
Margaret é autora da Saga Dezesseis Luas ( Beautiful Creatures ) em parceria com Kami Garcia, e na Bienal ela falou de dois livros que acaba de lançar:  Sirena e o Ícones. Apesar da minha senha ter sido a 71 eu fiquei lá esperando, claro, e valeu a pena. Ela autografou meu livro e tirou foto ( claro, ela fez isso com todos ) mas é a sensação, sabe ? De estar de frente com um ídolo, com alguém que você admira que te inspira e que você gosta. Eu estava nervosa e a…

Gelo

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E escondeu-se na sombra de seu arrependimento. Estava escuro aquele quarto de paredes escarlates.
     De repente uma fina luz brilhou, um feixe luminoso começou a sair da janela de cristal. Pensou ser sua esperança, mas não. Era o sol morrendo, deu seu último suspiro frente a ela. Rastejou até a janela, a penumbra falecia inconscientemente e sua vida carcomida por suas lágrimas de desespero formaram um lago no quarto.
      E ela juntou forças para nadar, no entanto, uma vez submersa, sem capacidade para emergir, não afogou, não morreu. Parou no tempo.Congelou na sua crueldade fria.

''I don't want to change the world
I just want to leave it colder''
                       Breaking Benjamin - I Will Not Bow

Soul

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''Estou perambulando até o fim da existência''Zombie - The Pretty Reckless

  Bom, na verdade ela não sabia por onde tinha andado. Suas buscas há muito deixaram de fazer sentido. Quero dizer, havia razão ? Tanto conhecimento sendo empurrado cabeça a dentro, tanta informação vinda de fora, tanta coisa sendo absorvida, coisas que ela julgou necessárias para sua vida corrupta, simplória e sem perspectivas.
   Oras, encontrara um espelho quebrado no chão manchado de lágrimas vermelhas. Oh sim, escarlate como sangue. O sangue dela.
  Quantos sonhos foram sonhados ? E quantos destes foram baseados naquelas razões ? As quais ela buscaram em tanta informação ? Erroneamente julgadas como corretas e precisas. Quantos dizeres saíram de sua boca suja, ditos em alto e bom som a todos que quissesem ouvir uma palavra acalentadora. Sim, ela fazia. E sim ela queria, ela acreditou. No fim de nada adiantou, como sempre, como todos.
   Fitara o espelho, seu reflexo a assustou. Como viera a to…

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa

Manifesto

Eu acho que estão tentando me controlar. Tentando fazer um tipo de lavagem cerebral. Através de medicamentos e das comidas. Eu sempre desconfiei disso. E tem um sentido até, quero dizer, como podemos ter certeza que o comprimido que estamos tomando é para aquele problema mesmo?Nós estávamos lá quando o manipularam? Nós vimos as substâncias que colocaram na cápsula? Pelo que sei, pode muito bem ser um tipo de droga especializada em confusão mental. Parece coisa de louco, mas acho que foi a forma como coloquei. Pense dessa maneira: droga especializada na reestrutura da mente. Faz mais sentido para quem nunca pensou nisso.
 Vez por outra eu acordo com a cabeça doendo, mas não uma dor de cabeça comum, e sim uma diferente, eu ainda estou dormindo quando ela vêm, e é como se algo tentasse fazer meu cérebro sair, não tem como explicar. Pode ser radiação do celular mesmo eu deixando o meu na mesa, o que é outra coisa que penso também ser uma forma de manipulação. Pensem bem, eles nos passam …

Cismar sozinha à noite

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O Céu conversou comigo um dia antes daquele dia. Ele acendia e apagava, e de repente gritava. Forte e alto para todos ouvirem, mas senti que se direcionava a mim tanta fúria. Estava escuro como trevas e quando eu menos esperava ele brilhava estrondosamente, e gritava em meus ouvidos coisas que só pude compreender quando o Vento traduziu para mim. Acho que foi um aviso. Um aviso de que o tão aguardado dia seria terrível e cheio de falhas. E sim a profecia fora cumprida, como não percebi antes é um mistério que desconheço. Agora, ''em cismar sozinha à noite'', cá estou eu novamente, sem ter para onde ir nem o que pensar, sem forças para levantar ou querer lutar. Extraíram meu Ser até a última gota, e eu desejei meu fim, minha paz. Mas, não tenho coragem para isso. De que valeram todas as horas frente aqueles ditos conhecimentos ? De que valeram se não se atrelaram à minha mente improficiente ? Diga-me você que agora julga-se tão capaz. Eu desejo-te toda a minha dor, que…

O sonho

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Ela estava dormindo, de repente acordou em um cemitério. Havia corvos nas árvores e ela caminhava sozinha. As árvores pareciam ter sido queimadas, mas não havia cheiro de fogo. Estavam pretas de trevas. O céu, no entanto, estava claro e belo. Ela continuou a caminhada até que parou assustada. Havia uma lápide com seu nome nela. De súbito a tumba se abriu, e um caixão preto agora estava em cima desta. Ele abriu-se sozinho e uma moça de vestido branco jazia morta ali. Era ela mesma, e isso a assustou ainda mais. 
Mas ela fitou o corpo depois de acalmar-se, achou instigante observar-se morta. De repente, pombas surgiram e pássaros negros diferentes dos corvos passaram a se aproximar, ela os afugentou, não queria que devorassem seu corpo.
Fechou o caixão e coloco-o de volta na tumba. Enterrou a si mesma.

PS: Essa descrição foi um sonho que tive há algum tempo, foi interessante e achei ainda mais ter que registrá-lo, não é a primeira vez tão pouco será a última que sonho com a morte, seja ela…

Reflexão ou qualquer outra coisa.

É sabido que somos seres faltantes. Ou seja, sempre buscaremos algo que nos faça feliz. E esse '' algo'' é sempre efêmero. Isso quer dizer que em determinada época que encontramos o algo, logo em seguida ele não nos satisfaz mais, e passamos a buscar outros 'algos'.
    Ainda assim, da mesma forma que somos seres faltantes somos seres angustiados, ou como diria o filósofo Sartre, nós somos a angústia. Acompanhada ou inerente à angústia está a tristeza. Quando de fato não conseguimos o algo que tanto batalhamos a tristeza torna-se maior. Na verdade, nem precisamos estar buscando alguma coisa, a melancolia está intrínseca ao que podemos chamar de natureza humana. Isso devido ao fato de os seres humanos vivenciarem a realidade tal qual ela é. Em suma, nossa vida é  agonia. É um pensamento ruim, mas real.

   O trabalho como forma de dignidade ou construção da vida do homem é tão antigo quanto a existência do mesmo.  O mundo hoje é capitalista, logo o trabalho …

The Master Pain

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Imagine-se em um quarto branco e fechado. Você abre os olhos e vê o teto manchado. Manchado de olhares que passaram por ele, não uma ou duas, mas várias vezes. Em seguida você vira seu pescoço para o lado com muito esforço, é claro, e vê sua mãe sentada em uma cadeira desconfortável, e não pode ver o rosto dela, pois ela o apoia nas mãos enquanto chora silenciosamente para não te acordar.
Você retorna a posição de dormência e fecha os olhos, não por estar com sono, mas por estar cansado de mantê-los abertos. Teme que os feche e nunca mais os abra, contudo fica indeciso entre ser algo bom ou ruim. As dores, todas elas terão um fim, mas a agonia e desespero daqueles que o amam e o acompanharam até o presente momento terão o seu auge assim que der seu ultimo suspiro.
Não, você não diz adeus, pelo menos não naquela hora. Você respira, sim, com dificuldade, mas com muita força solta um gemido para mostrar que ainda está vivo. Sua mãe se levanta e enxuga as lágrimas, olha para você e diz: Q…

Plenilúnio

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Eu estava olhando a lua cheia quando subitamente ela desapareceu. Como em um passe de mágica. E logo, eu pensei: Como ? Como isso aconteceu ? De repente, o céu por completo estava negro, sem estrelas, sem lua. Eu estava na sacada, e um frio descomunal tomou conta do ambiente, do mundo por completo. E finalmente compreendi, que a lua cheia não havia desaparecido, o céu é que havia entenebrecido. Foi então que me dei conta, de que o frio era a vida morrendo. A vida de todos ao meu redor, assim como a minha vida, minha alma havia se perdido nas trevas há tanto tempo. E sem ação, como sempre, eu contemplei o céu de trevas. E foi bom, pois pude depreender a razão de todo o resto.

Ensejos.

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E lâminas, e dor, e lâminas e cortes.




E fui idiota ao pensar que haveria de ter passado aquele tempo. O qual eu silenciosamente aliviava minha angústia de outra forma que não fosse escrever.
   Não sabem que as palavras vociferadas machucam. Não sabem como penso nem o que quero. Mal sabem que eles me ferem. Todos. Todos vocês. Não que se importem, mas são poucos que irei revidar.
   Como gostaria eu, de ser boa e capaz. Como gostaria eu, de conseguir. E sonhar e crer e realizar. Mas não, não sou assim. Ninguém, contudo há aqueles que algo alcançam, pequeno mas sim alcançam.
   Foram-se os tempos de glória. Ensejo um leito para pousar minha cabeça e corpo pesado. Ensejo um leito, negro com forro roxo, de mármore e quente. Ensejo uma paz. De tudo, de todos, de mim.

A pureza

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A pureza é a capacidade de contemplar a mácula. Simone Weil

         Ela era tão pura e tão bela. Tão centrada e tão moralmente correta. E todos a admiravam, e a amavam. Sim, ela só era o símbolo da perfeição. Ainda que em cada sorriso escondesse uma lágrima, ou que internamente quisesse fugir, ela era a melhor. Tão cativada, tão esperta, construiu para si um mundo paralelo, e fez deste seu castelo. Livros, música, filmes. Esses eram seus passatempos, ou melhor suas razões de vida.
        Ela era tão pura e tão bela. Tão centrada e tão moralmente correta. Cada passo seu era uma escrita nas calçadas, cada palavra sua era uma batida nas músicas da cidade. E cada respiração, um alivio para aquele mundo vil. O nosso mundo vil.
        Ela era tão pura e tão bela. Que era quase impossível descrever tamanha grandeza em um ser tão jovem. Era como se ela fosse a sementinha de uma rosa vermelha, esta fora plantada em um jardim secreto, havia uma cerca ao seu redor, para que ela não se mistura…

O Cão

E aquele pobre animal agonizara por três dias.
A barriga do pastor alemão inchara de uma hora para outra. O veterinário disse que era um tumor, ou câncer. No fim, não fez diferença. A moça, dona do cão, não suportou sequer olhar para o animal. A agonia deste a entenebrecia, deixava-a soturna como nunca antes chegara a ficar. Na área de sua casa, o cão ficou na posição em que o marido o deixou: deitado com a barriga para cima.
Colocaram um pote com leite ao lado, ele com dificuldade cheirou, mas não conseguiu beber. Deram carne moída, e era possível perceber que ele queria comer, mas era incapaz de tal feito. O que mais machucava a moça, era que um dia antes apenas foi como se o pastor alemão tentasse se despedir. Ficou o dia todo atrás dela, pedindo carinho, chorando. E ela amargamente o rejeitou. Não que ela não o amasse, mas tinha um filho pequeno e precisava dar atenção a este.
O cão vez por outra naquele dia foi em sua direção, e ela, jogou-lhe água e xingou. Mas ela se arrependeu.…

Meu Ser

A precípua parte de meu ser, nesse momento, como em tantos outros, sucumbiu à morte.
  Nunca havia eu de ter andado com tanta diligência. Contudo, não consigo enxergar onde foi o erro. Como, e mais importante por quê. Por quê sou assim ? Poderia mudar ? Transformar ?    Metamorfizar ? De fato, se  pudesse, já o teria feito.   Essa minha condição é inerente à minha dor. Não compreendo, não sei, tenho medo e falharei. São tantas palavras, tantos sermões. É muita pressão. Querem minha glória ? Não, não querem. Apenas fingem querer. Fingem. E isso me enoja. Acabrunhada eu me sento. Soturna eu caio. Inativa estou.       Tempos obsoletos. Sim, ensejaria eu vivê-los.   E agora o que irei fazer ? Mal sabem que não faço ideia. Decidi há um certo tempo o meu futuro, mas não compreendem que não sou capaz de alcançá-lo. Não por falta de vontade, mas sim, incapacidade. É como se eu estivesse morta por dentro, morta há um certo tempo.   Sempre que estou caminhando, sempre que creio enganosamente qu…

Canção da Angústia

Minha terra tem corruptos
Que só pensam em roubar
As pessoas que aqui vivem
Não querem mais lutar.

Nosso céu tem mais prédios
Nossas várzeas tem mais poluição
Nossos bosques não existem mais
Nossa vida é só destruição.

Em cismar, sozinha, à noite
Mais tristeza encontro cá
Minha terra tem corruptos
Que só pensam em roubar.

Minha terra traz-me dores
Que tais não sei como cessar
Em cismar, sozinha à noite
Mais tristeza encontro eu cá
Minha terra tem corruptos
Que só pensam em roubar.

Não permita povo que eu morra
Sem que eu consiga meios para vencer
Sem que eu desfrute de um país limpo
Onde com justiça possamos viver
Onde os corruptos hão de sucumbir
E de uma vez por todas parem de nos destruir.


O garotinho.

Havia um menininho.Bem pequenino.E ele tinha todas as dores do mundo dentro de seus olhos. Eu vi. Eu enxerguei as dores naqueles olhos pretos e grandes. Tão pretos quanto à escuridão nas noites sem lua. E ele olhou para mim como alguém que secretamente pede ajuda. E eu vi não somente o seu pedido, mas o de todos os escolhidos. 
    E no final todos éramos escolhidos, pois todos vivíamos em um mundo de trevas. Ele olhou para mim; eu internamente assustei-me. E ele olhou de novo, mas pestanejou em seguida, depois virou-se para o encontro de seu pai.
    E seu pai, os olhos azuis destacavam-se no rosto cansado do trabalho, um rosto moreno e velho. Ele chamara o menininho, este fora ao encontro sem contestar, é claro. Correu e antes de ir embora de uma vez por todas, voltou o corpo em um giro completo e olhou nos meus olhos uma última vez. E eu pude ver ainda mais claramente, não apenas a sua dor, mas todas as dores do mundo dentro de seus olhos.

Refúgio.

São nestes versos que me refugio. Sabe-se lá do que. Das angústias que me perseguem, dessa força que me traz ao chão e que me prende não me deixando respirar. É no ato de escrever que minha dor cessa.

Súplica

E aquela dor voltara. Mas como ?  E de onde surgira ? Enganei-me ao pensar que a havia enterrado. Soterrado as lágrimas junto às mágoas. Mas não, ela está de volta e parece estar mais forte.
               Puxa-me para teu buraco negro, suga-me as poucas forças que me restam. E o que irei de fazer ? Lutarei ? Mas para quê afinal ? Não sei o meu rumo, o tomei sem reflexão.
               Não sei como ainda perduro aqui. Meu corpo, ele há muito desfaleceu. E minha mente, ó ela esta repleta de pensamentos malignos e vis. Minha mente não me deixa progredir, não sei o que há de errado.
               E como irei lutar contra algo que não posso ver ? Responda-me alguém, tem alguém aí ? Ah, mas é claro que não. Ninguém me escutaria afinal. Por quê se importariam.
              Tanto faz se alcanço objetivos ou se morro no fracasso. Mas...ó esse corpo pútrido internamente força-me a levantar todos os dias, por quê relutas tanto ?
               Seria muito mais fácil jazer em…

Insônia

''Não durmo,jazo, cadáver acordado, sentindo,

E o meu sentimento é um pensamento vazio.

Passam por mim, transtornadas coisas que me sucederam,

__Todas aquelas de que me arrependo e culpo;

Passam por mim, transtornadas,

coisas que me não sucederam

__Todas aquelas de que me arrependo e culpo;

Passam por mim, transtornadas ,coisas que não são nada,

E até dessas me arrependo,

me culpo, e não durmo.''
                                Álvaro de Campos ( heterônimo de Fernando Pessoa )

Why ?

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Por quê ? Eu me pergunto por quê e nada mais. Como eu fui me tornar isso ?
Isso ?
É, isso. Não sou um ser, sou apenas isso.
     Eu sou cruel e inútil. Eu deveria ter partido quando a Morte me visitava todos os dias naquele leito de hospital infernal. Mas eu quis lutar horas, pra quê hein ? Pra chegar hoje e ferir mais do que fui ferida. Como eu odeio essas mãos, essa boca que só diz o que não presta. E eu, ah, eu acabarei sozinha, da mesma forma que já me senti e estive por tanto tempo. A diferença é que vou estar sozinha por que ninguém vai querer estar comigo. O ódio perfura minha pele, rasga e estraçalha. A dor, ela transpassa meus ossos. A agonia, eu respiro como se...como se já estivesse morta. Eu não consigo, não consigo. Não sei, não sei. Eu não quero, pois sei que vou falhar com...Todos. E eu tenho medo de machucar de novo. Eu não consigo mais suportar esses sofrimentos. Sofrimentos que eu causo. Ninguém tem coragem de me dizer, mas a verdade é que todos desejam a minha part…

A estrada.

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De longe o fim da estrada parecia tenebroso. Dava um medo começar a caminhada. Mas ela respirou fundo, apertou  o livro que segurava contra o peito e lentamente começou andar. Olhava para os lados e não havia ninguém. Estava sozinha. Sozinha naquela caminhada sem destino aparente, sozinha nas decisões iminentes e sozinha...Sozinha consigo mesma. De repente ouviu-se um ruído, era como algo se emaranhando pelos arbustos que acompanhavam a rua, ela parou receosa do que poderia sair de lá. O coração palpitava e aos poucos acelerava-se...Ainda mais. E quando  menos esperou um gato. Um gato preto surgiu dos arbustos e galhos quebrados e ela se acalmou. Enfim, ao menos uma companhia pensou a jovem. Se aproximou do animal para afagar-lhe os pelos, mas ele correu. E estava correndo em direção ao fim da estrada.
           Medo. Sozinha novamente ela sentiu medo. De continuar. Temia falhar. E ali, no exato espaço que dividia a rua em metades ela parou. Sentou-se e abraçou o livro. …

Inner Vision: Inexistência

Inner Vision: Inexistência: Então você olha para trás e vê que nada construiu, nem uma lembrança. Você percebe que, em algum tempo, ninguém pensará em você, ningué...

Somos feitos de que ?

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Somos feitos de Medo. Vivemos construindo fracassos. Andamos lamentando o passado. Somos feitos de dor. Vivemos angustiando o futuro. Não sabemos o que vale no presente. Somos feitos de insatisfações das quais não fazemos ideia de onde surgiram. Vivemos sem rumo numa direção errada. Andamos traçando caminhos banhados em desespero. Somos seres que não sabem o que é viver, morrer, existir, sobreviver e nem a diferença disso tudo.


11 months ago.

Contradição II

Eram tantas escolhas, que ela se perdeu em meio às perguntas, sem ter para onde correr nem alguém que pudesse responder, ela se perdeu em mundo que ela pensava ser seu.




Devaneios na aula de física.

Contradição

Havia uma concepção de destino que era incompreensível, mas até que fazia sentido. O verbo 'Existir' por tempos perdurou em seu frágil ser, contudo, no interior de sua complicada mente, subitamente emanou uma ideia de luta. Por fim, se reergueu, e imaginou em um futuro nem tão distante, um ser desconhecido proclamando as palavras: Ela Venceu !




Devaneios na aula de física.

Ser Maldito

Ela se transformara em um ser maldito, de fato. Algo sem explicação. Ela era uma contradição. Não se definia. Não tinha identidade. Creio que nunca tivera. Viera a se tornar algo sem vida, e quando aparentava ter, era na verdade uma máscara.    Talvez esses sejam os motivos de tanto ódio. Ela sempre encontrava razões inúteis para odiar, alguém, um fato, uma coisa. Enfim, o mundo. Não era maligno, era maldito, era cruel, era irreal. Não entendia,  não se entendia. Ela não sabia.   O que era então? Ser humano amargo, o preço por sua incapacidade sempre fora o sofrimento alheio. E ignorância que regia seu âmbito mórbido não a permitia evoluir. Tanto conhecimento adquirido em vão. Não se pode mudar a natureza mental.   Sua mente atormentava o corpo indefeso. Sua mente. Mente. Como pode um monstro pensar? Nas histórias de terror, estes sempre buscavam matar, destruir, ferir. Exatamente por isso eram considerados inferiores, por não ter a capacidade de amar, de não machucar.
   E ela? Seri…

Sono.

Os olhos estão cansados. A mente trabalha incessantemente contudo, sem resultados. O corpo pede um leito com lençóis brancos e um travesseiro fofo. Os olhos cansados pedem uma força para manterem-se abertos. E agora ? Ela perguntara a si mesma. Não sei horas, respondera. Vou dormir. Quem sabe, não mais acordarei.

Monster.

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Era uma vez...
  Um monstro. Não era horrendo como na  mitologia, tão pouco era belíssimo como nos contos de fada. Era um monstro incomum. Era um monstro, disfarçado de ser humano. Ao longo de sua vida simplória, cujo único objetivo era ferir seus ''semelhantes'', havia apreendido as artes do ódio e do sofrimento. Sempre conseguira a alguém machucar, matar silenciosamente ao poucos. Tirava-lhe a alegria apenas com o olhar e finalizava com palavras amargas e consciente de seu poderio maléfico, este monstro, imortalizado nestas palavras, viveria carregando consigo a dor daqueles que se entregavam à sua angústia, à sua reação de fracasso...Se entregavam ao seu desprezo e seu medo de falhar. Monstro, nunca antes conseguiria ser feliz ou ficar bem, com seu Eu e com os outros ao redor. Era sua natureza, e contrariando os Existencialistas, ele tinha a quem culpar. Não a si mesmo, mas sim, todos que o haviam matado primeiro. Em um passado não tão distante,  haviam tirado-lhe a …

Efêmero.

Há muito que não escrevo com verdade, ou pelo menos não consigo mais. O devaneio de uma força inexistente toma conta de meu ser. O que acontece com esse corpo morto ? O que antes era real e algo a ser idealizado, hoje não mais se enrijece. O que farei ? Estou tão perto da resposta como já estive de estar viva um dia. Se é que vivi. Pois hoje tão cedo e tão perto deixei de existir.

Pó.

''The other me is dead - Spliknot''

Realmente, o outro 'eu' está morto. Há quanto tempo não sei dizer. Sei apenas que não existe mais, isso que eu chamo de corpo , isso que você vê vagando sem razão, isso eu não sei dizer o que é. Tão pouco sei como esse ser sobreviveu e como chegou a esse ponto. É um zumbi, ou um 'corpo' oco, de alma morta. Sem vida e sem motivo. Deixado de lado, esquecido pela nação. A sua própria nação. Sua nação interna. Os sorrisos deste corpo são frustrações disfarçadas. As alegrias deste corpo, são agonias ultrapassadas. E esse corpo, meu caro, esse corpo é um monte de pó. Jogado ao vento. Jogado ao vento.

Um livro.

Um livro. Ela havia se tornado um livro. De páginas negras e palavras vermelhas. Ela havia se tornado um livro.

Mas como assim um livro ? Simplesmente um livro. De páginas negras e palavras vermelhas.

 Isso aconteceu devido a um fator: De tanto ler e buscar uma realidade paralela nos livros, ela percebeu que ela sempre fora um livro.Faltava apenas um pó mágico para dar-lhe a magia da transformação. E foi assim, lendo e lendo a cada novo dia um novo livro, outros nem tão novos, outros com páginas amareladas e desagastas, mas ainda assim mágicos e capazes de levá-la a mundos raramente visitados.

 Porém, ela sempre tivera uma alma sombria, pensamentos estranhos e por isso se transformara em um livro negro de palavras vermelhas, vermelhas de sangue. Sangue. Ela nunca havia derramado sangue, mas ela sentia-o na boca, pois sentia angústia, a angústia de viver solitariamente ainda que cercada de muitos.

E foi assim que aquela jovem viera a se tornar um livro, como os outros tanto que havia …

Personalidade.

Não consigo me definir. Sempre mudo. Estou em constante mudança. Não me aceito. Sempre vou me ferir. Pois, sim eu sou assim. Sou uma oposição. Um castelo destruído pelas bombas da minha própria nação. Não consigo me definir. Cada momento quero ser de um jeito. Pois não tenho identidade. Crise existencialista. Perdição. Âmbito mórbido. Sou um ser morto, e por isso busco rostos e personalidades melhores que meu corpo pútrido. Eu sei que são. Você não entende, pois você dentro de você mesmo encontra algo bom, eu...eu encontro mais escuridão. Ouço vozes. Vejo vultos. Ouço ruídos. Vejo mortes. Tenho medo. E faço temer. Não tenho forças, então as roubo dos frágeis seres que se deixam levar pelas minhas palavras amargas. Fui um monstro. Tornei-me um monstro. Sem alma, sem pudor, sou cheia de dor.

Escrever ?

Já me perguntaram porque eu escrevo sobre dor. E eu respondi:
Sobre o que mais escreveria ?

Questionamento.

Quando questionamos a nossa existência, na verdade estamos querendo entender o porquê dos sofrimentos, dores, medos e angústias; questionamos não o viver em si, mas a agonia de existir, sobreviver. O desconhecer do amanhã, a amargura do ontem e insegurança do presente momento. Tudo começa a perder seu sentido, não temos forças, e você questiona as mínimas coisas, os risos, as brincadeiras até as alegrias, por que você sabe que não vão durar.

Frase I

Não vivo, nem existo, apenas insisto em sobreviver

Reflexo Maldito.

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Quando olho no espelho não vejo o que costumava ver. Vejo um monstro, ou como a foto um anjo maligno. Não, anjo não. A palavra anjo denota algo bom, se bem que na cristandade Lúcifer era um anjo antes de se tornar o que podemos chamar de…Demônio. Bom, não sou demônio. Ainda não, mas vim a me tornar um monstro. Que desistiu de tentar, por não querer fracassar e dar gosto aos que me esperam cair. Vejo o reflexo de um monstro que fere aqueles que o rodeiam, que diz coisas que não precisavam ser ditas, que faz coisas que tem como consequência arrependimentos. Sou um monstro, disfarçado de pessoa. Aguardo meu caçador, espero que venha logo, pois ainda que eu seja um monstro sinto pena daqueles que estão confinados a viver com a minha escuridão

Mórbidez.

A respiração arfante diante das palavras lúgubres de minha boca, traz-me de volta a ideia de perdição num âmbito mórbido. Um tênue frêmito: é sua voz atrás de mim. É o que me conforta nessa hora mortiça. Sua sombra de repente torna-te insignia, e subitamente vejo-me soturna, pois ela se afasta sem se despedir. O abismo negro, sombrio e âmago mais uma vez chama meu nome, e dessa vez eu respondo. Não hesito em atender seu pedido, pois agora está tudo perdido.