As doze badaladas.




Eram doze badaladas dos sinos do tempo.

Primeira.
Acordaram todos felizes e
cheios de vontade. Prontos para mais um ano e prontos a cumprir as promessas feitas há apenas um dia. TAM! Os sinos anunciaram o tempo malogrado, um homem sibilou que deviam continuar que aquilo era só o início. Verteram-se solitariamente, riam e emanavam coragem. Estavam prontos.

Segunda.
Acordaram todos, felizes, mas não tão cheios de vontade. A rotina voltara e algumas promessas foram esquecidas. A maioria tentava não ouvir os sinos, tinha tempo, este não podia ser esquecido. Não dessa vez, estavam no início da ''nova jornada'', olhavam com esgar quem dissesse o contrário. Não tinham o que temer, aparentemente não.

Terceira.
Acordaram todos felizes e a vontade subitamente emanou. Uma data festiva mascarava a realidade que já tentavam levianamente negar. Alentadora e inocente a data os fez felizes por alguns dias. Os dias antes, o dia propriamente dito e um ou dois dias depois. Mas é claro, logo depois a digressão nos atos de cada um se faria presente. É algo a consumar entende? São apenas distrações.

Quarta.
Acordaram todos
felizes e quase cheios de vontade. Tempos quaisquer estes, tempos quaisquer. Nada de novo a não ser mais promessas que foram esquecidas, uma ou outra fez-se presente, no entanto, ninguém se esforçou de verdade, ninguém nunca o faz. A cardeal luta de cada ser sempre foi nada mais que aguardar, sabe-se lá o que, mas aguarda... O fim, uma data, um presente. Cada dia é comum, sempre esperando Um outro que não  seja.

Quinta.
Acordaram todos felizes e o torpor da negação realística
volta. Mais distrações, talvez algumas que como no tempo anterior estavam aguardando sem saber ao certo. Desfeou o objetivo, m mais datas. Isso, meus caros, é o que todos gostam. De distrações.

Sexta
Acordaram todos;
infelizes. O grande tempo estava quase acabando. Oras, como? Não está, não. Muitos diziam a si mesmo e aos outros. Tateando uma nova busca naquele tempo, tinham dores a curar e tinham pouco tempo de fato. Criaram muros nos primeiros tempos e agora? E agora? Para onde correr, perguntavam-se.

Sétima.
Acordaram todos
neste tempo particular... estavam felizes. Podiam descansar. Algo que ensejaram logo no terceiro tempo. Quanta hipocrisia, não? As promessas? Para onde foram? O tempo augusto chegou e as prioridades são deixadas em uma caixa preta lacrada por alguns dias. Inescrutáveis mentes, jamais entenderei.

Oitava.
Acordaram todos
 infelizes. O tempo augusto chegou ao fim mais rápido que um estalar de todos. E agora todos pigarreavam reclamações, o grande tempo estava chegando ao fim de fato... Novamente. Oras, mas assim? Tão rápido? Ao menos esse foi diferente e valeu à pena, concordam? Afirmou a maioria. Não foi diferente, o grande tempo nunca é.

Nona.
Acordaram todos
infelizes e sem vontade dessa vez. Um tempo apócrifo aquele primeiro. Lembram-se dele? É claro que não, ninguém lembra. Foi-se há tempos e tempos. Tudo o que disseram naquele tempo já se foi de sua mente, as promessas, ó sim, as promessas. E a consecução é simples e cruel, aguarda o próximo grande tempo para dizê-las novamente na esperança de que dessa vez as cumpra. É trivial.

Décima.
Acordaram todos...
alguns não. Preferiram ficar na cama, o grande tempo estava mais próximo ainda de... acabar, finalizar...cair no esquecimento. E o medo fez-se presente no dia a dia deles. Medo não de um fim catastrófico, há muito aprenderam a negar isso e essa negação lhes permitiu continuar destruindo. De qualquer forma estavam perto, de novamente comemorar algo que supostamente deveria lhes trazer... pesar.

Décima primeira.
Acordaram todos infelizes, sem vontade e com medo. Menos de um tempo e tudo seria deixado para trás. Anacrônicos talvez, tentavam neste grande tempo especial, seja o motivo quem sabe, fazer diferente. Temiam um dia em especial, alguns não admitiam, mas sim temiam algo. Sentiam algo, ou que de repente alguma coisa pudesse mesmo acontecer. E o grande medo fez-se presente.

Décima segunda.
Os sinos anunciaram o tempo malogrado... neste caso, o tempo ressurgido.Estava tão longe não? E agora, estavam todos o encarando, temendo e mentalmente dizendo: oras e agora? Chegou, novamente. Sentimentos inefáveis. Menos de alguns dias apenas. E eu pergunto, onde estão as promessas? O grande tempo nunca deveria ser motivo para mudança, especialmente o primeiro tempo do grande tempo. Isso porque, a cada novo grande tempo que vem, os sinos anunciam menos tempo, sim, cada novo grande tempo são menos dias para cada um. E deixamos para afirmar mudanças de todo tipo apenas na passagem para o novo tempo. É errado.

Os sinos do tempo badalaram em seus ouvidos. Os motivos e as atitudes deveriam estar presentes todos os dias de todos os tempos de todo o grande tempo. Lembrar-se deles a cada novo dia, não apenas no dia de passagem.
Se entendeu a metáfora, então entendeu a mensagem. Não temos tempo a perder, não temos, não podemos. Paremos de procurar datas e outras distrações, sejamos a mudança.
Se querem uma dica, leiam Sobre a Brevidade da Vida, de Sêneca. É um livro pequeno e simples, que dita tudo o que hoje a maioria vivencia, detalhe algo escrito milênios atrás.


Inquietações




   Essas inquietações tomam conta do meu ser. Minha mente e meu corpo não descansam e eu procuro distrações para não enlouquecer ou quem sabe perecer.
   As lágrimas não vertem, não permito, é no mais profundo âmago amargo que as liberto. De outra forma, é claro. Meu cognome é dor seguido de frustração. Sou uma obra apócrifa que logo será ainda mais esquecida.
   Batem os sinos da agonia e eu ouço as badaladas da desgraça. Minha estultice revela a imprudência nos caminhos que foram e serão traçados.
   Queria eu debelar a mim mesma e quem sabe anuir essa hipocrisia, obsequiosamente chamo a ''indesejada das gentes'' e suspiro ao perceber que ela me escutou.

"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente em meus umbrais,
''Uma visita'', eu me disse, ''está batendo a meus umbrais''.
É só isto, e nada mais.
(...)
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

__Edgar Allan Poe

Um poema qualquer II

Eu sou a dor da perda
Sou o deflagro da doença
Sou o verme do alimento
Eu não alcanço o sustento

Sou a falha do Universo
Eu sou o erro perverso
Sou a castanha carcomida
Sou uma planta sem vida

Sou tudo de ruim que já brotou
Sou a dor do amargor
Eu sou o corpo do morto vivo
Sou o que restou de um mosquito

Eu sou tudo menos o bastante
Sou a adaga do coração palpitante
Eu sou o mal, a semente da árvore
Eu sou o mal, aquele que te causa entrave.

Aleatórios II

Esse é outro poema que eu fiz com a Rafaela.

“Olhos que choram, a desgraça dos bons;
olhos que veem o declínio dos sãos.
Olhos egoístas que contentam em olhar;
olhos condenados, a só observar.
[…] digo o mesmo das feridas.
Feridas que latejam as consequências do corte;
feridas que doem na carne sem sorte.
Feridas que ardem o buraco do peito;
feridas que lembram cada anseio.
[…] e digo o mesmo das vozes.
Voz que grita a dor do silêncio;
voz que canta a canção do inocente.
A voz que ecoa o trecho da morte
vozes que esperam que nos conforte.
E mais uma vez cantamos…mudos
Não adianta estão todos surdos
Gritamos ao céu uma resposta
Ele rebate, sua voz é estrondosa
Raios e trovões mancham de branco
As trevas cheiram o nosso pranto
Quanta lamúria foi enterrada
No chão sujo de uma palavra mal tratada
Na sua mente ecoa o silêncio do cessar vida
Enclausurou-se sozinha no coração que batia
Em teu peito o anseio do descanso gritou
Socorro! Estou caindo… vamos você falhou.”






Discurso de Formatura

Esse é o discurso que eu fiz para a colação de grau da minha sala, minha amiga quem leu.
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É isso aí. Chegou o grande dia. E não estou falando de ENEM e outros vestibulares. Mas sim o dia do Adeus. Oras, mas qual deles? O Adeus de turma. É  aquele que até entre os fortes causa uma angústia. Nem todos choram, mas todos admitem certo pesar. Logo não seremos mais terceiro ano, seremos formandos e cada um com a sua vida. Com o tempo talvez, vão se apagando as lembranças de nossos tempos escolares, dos colegas ou dos acontecimentos.  As fotos talvez sejam a única lembrança, salvo  aquelas enraizadas na mente. Mas  as amizades verdadeiras feitas naquele âmbito mágico, de fato perdurarão eternamente. Nós brigamos e nós rimos, nos revoltamos e manifestamos. Nós estudamos e brincamos, nós enfim, Vivemos.

E no final das contas, é isso que se resume ser aluno ou estudante. Percorrer um longo caminho aliado de ótimos amigos. Em meio a tantos livros e obrigações encontramos espaço para sentir a vida. Quando olharmos para trás futuramente, sorriremos de verdade por ter tido essa oportunidade. Risadas serão ouvidas pelas ruas ao reencontrar seus amigos, lágrimas cairão dos olhos ao dizer adeus uma vez mais.

 No entanto, agora é o momento de decisões sérias e é prudente pensarmos nisso.  Devemos parar de basear as escolhas nas opiniões de pais, professores e amigos, sabemos que se importam conosco, conselhos são bem-vindos,  porém a decisão do nosso futuro deve ser feita por ninguém menos que nós mesmos. Faça o que você quiser, pois no final você  é quem acaba por escolher
.
A entrega do diploma significa nada menos que um fim de uma etapa, apenas mais uma de várias outras. Como chegamos aqui ? Cabe a cada um responder silenciosamente na própria cabeça. Ninguém aqui sabe da vida do próximo, não sabemos o que você passa em casa, o que você presencia, enfim como é a sua vida fora dos portões da escola. Entretanto, se tem algo que aprendemos como irmãos de classe, é que aqui dentro somos iguais.

Procuraremos a partir de agora, a busca por novas escolhas, novos horizontes, novos caminhos, algo que faremos por nós e por ninguém mais. Se você quer estudar música ou direito faça isso, se quer medicina, corra atrás não importa quantas noites de sono venha a perder. Se quer  filosofia, faça isso. Todos sabemos a pressão que é ser bombardeado de perguntas tais como, já decidiu qual vestibular vai fazer? Ou e agora, o que você vai estudar? Vai para a faculdade? Qual curso? Já pararam para pensar que nem todos querem fazer faculdade? Tem gente aqui que já tem parte da vida planejada e essa não inclui faculdade, e o mais importante essas pessoas estão felizes. É isso que tem ser nossa prioridade. A felicidade, não importa como ela seja. Logo, quebre paredes, derrube os padrões e seja você mesmo. Ousemos uma vez mais, encaremos nosso futuro, ele bate à nossa porta agora e quer entrar, quer nos fazer crer, quer uma chance de mostrar-nos onde podemos chegar. Deixaremos? Sim? Não? A escolha é sua.

Aos professores gostaríamos de dar nossos mais sinceros agradecimentos, afinal de contas, onde estaríamos nós sem a atuação deles? Fizeram-nos estudar, e fizeram-nos rir, e quem sabe às vezes também chorar. Participaram de nossas brincadeiras, atenderam aos nossos pedidos de descanso, mas também nos ensinaram algo valioso, a busca por uma educação melhor. Se tem algo que essa  escola nos passou, foi que há esperança. Basta querermos encontrá-la. E fazê-la crescer no espaço em que vivemos.

Nós, alunos do terceiro ano, gostaríamos de agradecer a presença de todos e principalmente àqueles que nos acompanharam na nossa busca desde o início, por terem nos acompanhando todos esses anos, desde nossos professores, pais e amigos até os diretores, supervisores e vices. Estes com certeza tiveram papel importante na nossa formação, visto que nos proporcionaram a chance de continuar aqui até o fim, e isso sempre da melhor forma possível.
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Um poema qualquer.

Eu sou a ''pedra no meio do caminho''
Eu sou a blusa rasgada, transformada em linho
A dor do tiro no peito
Sou um buraco, cavado em  meio estreito
O gole insípido da bebida mortal
Sou o teu destino, mirado austral
Aquele que você evita,
Não sei, quero que me diga
Eu sou a dor, que me mata e me acorda
Sou uma árvore morta
Inação.
Fui destruído, augúrios foram feitos
Truculência.
Suscitou, o monstro acordou.
Eu sou o remanso, sou o chão em que pisa
Bifurca-me, sim, assim o faz assim o dita
Eu sou a dor, que me mata e me acorda
Esquálida e indolor, é apenas uma corda
Eu sou a dor, eu sou o monstro, eu sou o gole
O gole da morte.

Aleatórios

Este é um poema que eu fiz com uma amiga, a Rafaela Silva.

Sou a folha que cai no outono,
o fruto abortado de uma árvore
inconsequente e inebriante.
Filho bastardo do alvorecer.
Sou um verme terreno,
de falso relento,
rejeitado sem pudor.
De súbito consolo, uma poesia inerte.
Em suma melodia perdida
da falsa demência
como louco, avesso fosse.


Sou a folha que cai no outono
Sou um ser que já morreu
Em meu peito bate algo que faleceu
Sou um verme terreno
Rastejante como uma víbora
Mas ao contrário, minha vida nada explica
De súbito consolo, uma poesia inerte
Escrever ou rabiscar, um ato que se repete
Demente seria eu ? Demente seria o mundo ?
Tento entender, mas fico mudo
Sou um verme terreno
E isso explica minha natureza repugnante
Meu corpo, a adaga de aço tange
São ferimentos; tentaram me fazer sucumbir
Oh, mas esqueceram, eu, há muito já caí
Abrace este verme, ou mate-o de uma vez por todas.


Thays Martins de Paiva e Exorcist-a

Prólogo II



Imagine-se em um quarto branco fechado. Você abre os olhos e vê o teto manchado. Manchado de olhares que passaram por ele, não uma ou duas, mas várias vezes. Em seguida você vira seu pescoço para o lado, com muito esforço é claro, e vê sua mãe sentada em uma cadeira desconfortável, e não pode ver o rosto dela, pois ela o apoia nas mãos enquanto chora silenciosamente para não te acordar. Você retorna a posição de dormência e fecha os olhos, não por estar com sono, mas por estar cansado de mantê-los abertos. Teme que os feche e nunca mais os abra, contudo fica indeciso entre ser algo bom ou ruim. As dores, todas elas terão um fim, mas a agonia e desespero daqueles que o amam e o acompanharam até o presente momento terão o seu auge assim que der seu ultimo suspiro. Não, você não diz adeus, pelo menos não naquela hora. Você respira sim com dificuldade, mas com muita força solta um gemido para mostrar que ainda estar vivo. Sua mãe se levanta e enxuga as lagrimas, olha para você e diz: Que bom que você acordou.



( Prólogo de um futuro livro: O dia em que meu pai chorou. )

Time, time...




       
   Quanto de teu tempo jogaste fora, pequeno ser? Oras, não conhece a palavra gestão? Julga leviana e erroneamente, uma vez que não pratica os mesmos atos, mas usa dos mesmos motivos, dentre eles o alívio da frustração.
     Não tem pouco tempo, tem pouquíssima força. Entretanto, cansou-se de existir. Teu teto de vidro está trincado e os cacos ferem-te os olhos. Estais cego, o mundo morreu. Ou serias tu? Morreste, pequeno ser? Cansaste de arrepender-te e esta necessidade de provação e aprovação crava-te na cabeça os resquícios de tua iminente depravação e desgraça.
    Já pensaste mais de uma vez, e sabes disso, pequeno ser? E agora, o que irás tu fazer? 

Bienal do Livro de Minas Gerais 14-23 de Novembro

Ei, gente ! Ontem foi meu último dia na Bienal e como prometido eu trago a vocês os relatos de minha experiência com a primeira Bienal que fui na vida ! Vou começar a conta tudinho na ordem, desde o meu primeiro dia ( 16.11 ) até os outros dois (21 e 22 ).

No dia 16 de novembro eu fui à Bienal na esperança de conhecer duas grandes escritoras que eu adoro desde sempre e admiro muito: Margaret Stohl e Thalita Rebouças. As duas foram umas fofas, lindas, amores de pessoa. Super simpáticas com todos e na entrevista mega engraçadas.
Margaret é autora da Saga Dezesseis Luas ( Beautiful Creatures ) em parceria com Kami Garcia, e na Bienal ela falou de dois livros que acaba de lançar:  Sirena e o Ícones. Apesar da minha senha ter sido a 71 eu fiquei lá esperando, claro, e valeu a pena. Ela autografou meu livro e tirou foto ( claro, ela fez isso com todos ) mas é a sensação, sabe ? De estar de frente com um ídolo, com alguém que você admira que te inspira e que você gosta. Eu estava nervosa e achei que não fosse conseguir falar nem um : Hello ou Nice to meet you ! Mas se eu tive coragem de levantar na frente de todos enquanto todos olhavam pra mim pra fazer uma pergunta pra ela isso, né rs Ah, e de quebra ainda conheci uma menina super gente boa na fila da senha e a gente ficou amiga mesmo descobrindo o nome uma da outra trinta anos de conversa depois rs A Lívia agora é parceria na discussão de livros e filmes haha

É isso. Margaret Stohl foi incrível !

Algumas horas depois fiquei na fila para a senha da Thalita Rebouças. Aaah, gente! Ela é fofa demais. Eu já sabia da animação do carisma da fofurisse e todo o jeito dela, mas presenciar isso ao vivo, e depois poder abraçá-la e vê-la carimbar meu livro ( ela estava com o braço quebrado, mas é tão genial e linda que fez um carimbo lindão pra gente ), tirar foto e conversar é outra coisa, né ? A história dela com a literatura é inspiradora, o modo como ela correu atrás das Editoras e o modo como fazia pra chamar a atenção do público no início da carreira é algo que sempre chamou minha atenção. Adorei conhecê-la e mesmo sabendo que ela não lembra de todos um por um, ela já respondeu meu email então sei que quando eu precisar conversar mesmo que demore ela , sendo fofa, responderá e isso é algo muito legal da parte dos escritores/celebridades .

Adorei. Adorei. Adorei e adorei !

Na sexta-feira dia 21 foi o dia de conhecer ele : Raphael Montes que pra quem não sabe é um jovem que tá prometendo a literatura brasileira. Vencedor do prêmio Benvirá e finalista do Prêmio de Literatura de São Paulo, seu primeiro romance policial, Suicidas, me conquistou em três dias rs Isso aí, fazia tempo que eu não lia um livro de 400 páginas tão rápido assim. No Café Literário da Bienal, como eram muito menos pessoas eu fiquei bem pertinho e pude ouvir e acompanhar tudo com muito mais clareza, mas mesmo que não tivesse, após o evento ele e Marçal Aquino ( o outro escritor convidado ) foram para  a mesa do lado de fora autografar os livros e tirar fotos. E bom, confirmei o que já sabia: Raphael além de incrível e talentoso escritor é uma simpatia em pessoa, legal e gentil. Autografou meu livro e não se importou de tirar outra foto já que a primeira tentativa não deu certo na minha câmera que decidiu ser uma legal e não funcionar, e ele ainda disse depois : Vê se deu certo e se não deu a gente tira outra ! Viu, gente ? Isso é que é carisma, ele podia ter sido um chato e me mandando andar logo pra não atrasar a fila, mas não foi. Conversou com os leitores na fila sobre seus livros e disse que pretende escrever mais. Adorei conhecê-lo pessoalmente, pois já tínhamos conversado um pouco pelo facebook, mas ao vivo é outra coisa, né além disso, ele deu ótimos conselhos!

Finalmente, dia 22 no sábado foi o dia mais doido da Bienal. As senhas para o Conexão Jovem com a Bruna Vieira começaram a ser distribuídas às 10 da manhã e eu sabendo que o pessoal é doido com ela cheguei antes das nove. Acordei às 7:40 e peguei o ônibus às oito e pouco. Tudo bem que meu objetivo nesse dia era conhecer Raphael Draccon e Carolina Munhóz autores de Dragões de Éter e A Fada, por exemplo, mas já que eu ia eu falei: vamos conhecer Bruna Vieira. Ok, cheguei e tal já tinha gente na fila. Fiquei conversando uns dez minutos com uma menina que conheci e quando olhamos pra trás PÁ : meio quilômetro de pessoas havia surgido em uma fila gigante e logo pensamos: o plano é correr muito !!! Ok, meio segundo depois de passar na roleta corremos, a mulher na escada disse : sem correr na escada . Nós descemos dois degraus andando e depois corremos. Chegamos na porta e os seguranças : sem correr, gente. Andamos dois passos e em seguida corremos de novo. Agora, pensa na minha pessoa correndo pelos corredores da Bienal ! Com certeza minha expressão estava uma lindeza, né. Mas beleza! Peguei a senha pra Bruna Vieira e depois fiquei mais uma hora esperando as senhas para o Raphael e Carolina serem liberadas, Depois de pegar a senha, Lívia e eu ( lembra da pessoa que eu conheci no domingo ? É , a gente se encontrou hehe ) ficamos andando pela Bienal, babando nos livros rs De quebra, encontramos Luiza Trigo, autora de Meus Quinze anos e tiramos foto com ela e ela autografou nossos jornais já que a gente não estava com o livro lá. Pottermaníaca também e dona de um cabelo lindo, foi fofa e simpática com a gente ! Adorei ela !!!

Na hora do Conexão Jovem com os dois fofos a gente riu bastante e se admirou com a história deles, principalmente do Raphael. Em seguida, fomos para a outra sala pegar autógrafos e tirar fotos. Ganhei um HP forever da Carol *-* e ela adorou minha camiseta de Hogwarts - Always , nem fiquei boba, né rs O Raphael também foi super simpático e gentil perguntou como conheci o livro e tal. Eu amei cada segundo com eles. Depois parti para o Conexão Jovem com a Bruna, fiquei lá trás porque já estava mega cheio, né, mas eu tinha a pulseira da alegria haha então foi tranquilo. Ela é super animada, legal, gentil, simpática e fofa. Tiramos foto e ela marcou meu livro. Adorei conhecê-la, pois com certeza mudou minha visão dela. É uma inspiração também. 20 anos e já conquistou tanta coisa!

Gente,é isso. Mesmo que nesse dia eu tenha chegado em casa e cinco minutos depois saído para dar duas horas de aula, valeu cada segundo, cada noite mal dormida de ansiedade, cada corrida e cada espera. Conheci mais pessoas famosas nessas semana do que irei conhecer minha vida toda e cada um deles é uma inspiração pra mim que quero ser escritora também ! Todos mega simpáticos e fofos que dá vontade de trazer pra casa rs Adorei cada momento e ainda estou aqui, namorando minha coleção de autógrafos e namorando os outros livros que comprei haha Ainda sonho com os bate-papos e com a minha pessoa pertinho de cada um.

De fato, é muito bom conhecer essas pessoas que a gente admira e tal, porque isso nos inspira, nos anima e nos alegra. Nos dá vontade de seguir nossos sonhos porque eles, de certa forma, acreditam em nós como nós acreditamos neles. E sei que a descrição de tudo está meio pobre, mas é que ainda estou emocionada com tudo e quando fico assim não consigo diferenciar muito e encontrar palavras melhores/certas pra descrever, mas saibam que amei cada momento e adorei poder ter tudo isso gravado na minha memória pra sempre !

Deixo agora as fotos de minha pessoa boba-alegre-risonha e esses mestres literários haha

[ Margaret Stolh já sendo legal desde sempre, né ]


[ As fotos oficialmente da Thalita ainda não saíram, então fiquem com essa do meu celular ]


[ Raphael Montes. No Café Literário a gente podia tirar fotos com as nossas câmeras então pedi a uma menina ]


[Luiza Trigo. Muito amor, né, gente ? Adorei ]


[ Sim, essa sou eu babando na Carol e me achando por ela gostar da minha camiseta e me dar um HP forever rs rs ]


[ Olha o cabelo dela, gente ! Adoro ! ]


[ Ignorem minha expressão de pamonha. Eu contando como conheci os livros pra ele e a moça batendo foto, pensa ! ]


[ Demais, né ? Sem palavras ! ]





[ Olha que fofa, gente! E eu tive a honra de conhecer !!!]

Gelo




E escondeu-se na sombra de seu arrependimento. Estava escuro aquele quarto de paredes escarlates.
     De repente uma fina luz brilhou, um feixe luminoso começou a sair da janela de cristal. Pensou ser sua esperança, mas não. Era o sol morrendo, deu seu último suspiro frente a ela. Rastejou até a janela, a penumbra falecia inconscientemente e sua vida carcomida por suas lágrimas de desespero formaram um lago no quarto.
      E ela juntou forças para nadar, no entanto, uma vez submersa, sem capacidade para emergir, não afogou, não morreu. Parou no tempo.Congelou na sua crueldade fria.

''I don't want to change the world
I just want to leave it colder''
                       Breaking Benjamin - I Will Not Bow

Soul



''Estou perambulando até o fim da existência''                                                  Zombie - The Pretty Reckless

  Bom, na verdade ela não sabia por onde tinha andado. Suas buscas há muito deixaram de fazer sentido. Quero dizer, havia razão ? Tanto conhecimento sendo empurrado cabeça a dentro, tanta informação vinda de fora, tanta coisa sendo absorvida, coisas que ela julgou necessárias para sua vida corrupta, simplória e sem perspectivas.
   Oras, encontrara um espelho quebrado no chão manchado de lágrimas vermelhas. Oh sim, escarlate como sangue. O sangue dela.
  Quantos sonhos foram sonhados ? E quantos destes foram baseados naquelas razões ? As quais ela buscaram em tanta informação ? Erroneamente julgadas como corretas e precisas. Quantos dizeres saíram de sua boca suja, ditos em alto e bom som a todos que quissesem ouvir uma palavra acalentadora. Sim, ela fazia. E sim ela queria, ela acreditou. No fim de nada adiantou, como sempre, como todos.
   Fitara o espelho, seu reflexo a assustou. Como viera a torna-se aquele monstro ? Era como no livro '' O Retrato de Dorian Gray'', por fora um ser bom, mas a alma velha, suja, monstruosa e corrupta, maldosa e sem motivos.


''E o que o trastornava era a morte em vida de sua própria alma.'' 
                                                    O Retrato de Dorian Gray, página 235

Autopsicografia

 

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa

Manifesto


Eu acho que estão tentando me controlar. Tentando fazer um tipo de lavagem cerebral. Através de medicamentos e das comidas. Eu sempre desconfiei disso. E tem um sentido até, quero dizer, como podemos ter certeza que o comprimido que estamos tomando é para aquele problema mesmo?Nós estávamos lá quando o manipularam? Nós vimos as substâncias que colocaram na cápsula? Pelo que sei, pode muito bem ser um tipo de droga especializada em confusão mental. Parece coisa de louco, mas acho que foi a forma como coloquei. Pense dessa maneira: droga especializada na reestrutura da mente. Faz mais sentido para quem nunca pensou nisso.

 Vez por outra eu acordo com a cabeça doendo, mas não uma dor de cabeça comum, e sim uma diferente, eu ainda estou dormindo quando ela vêm, e é como se algo tentasse fazer meu cérebro sair, não tem como explicar. Pode ser radiação do celular mesmo eu deixando o meu na mesa, o que é outra coisa que penso também ser uma forma de manipulação. Pensem bem, eles nos passam essa ideia maravilhosa dos celulares e todas outras tecnologias, quando na verdade cada segundo que passamos com essas coisas ao nosso lado, é mais um pouco de radiação para o nosso corpo. Logo, a sociedade manipulada estará morrendo de câncer e outras doenças, e teremos de pagá-los para viver. É bem isso que eles devem estar pensando. E nossa comida, quem garante que não há outras drogas, venenos de efeito menos prejudicial que os clássicos mortais, mas efeitos de longo prazo. Quando estivermos morrendo de ‘’intoxicação alimentar’’, vamos culpar a idade e tal, quando na verdade foi planejado.

É tudo planejado, a elite há muito no poder pensou em tudo. E como nós, seres insignificantes perto do poder que eles têm, não somos nada. Não podemos fazer nada. E essas constantes mudanças no meu humor, acho que é efeito deles. Eles devem estar me vendo agora, sei lá. É bem possível. Todos conhecem o poder da CIA e FBI e essas coisas. E não adianta falar que eles nem sabem da minha existência, pois devem saber. Eles sabem de tudo. Sem falar que as sociedades secretas têm contato no mundo todo. Podem ter um filho da mãe bem na minha rua, observando cada passo meu e cada falha. Cada comida e cada medicamento, cada mudança de humor e cada... Eu só tenho medo de me capturarem e me manipularem na mesa de cirurgia. Se fizerem isso eu não vou me lembrar de nada, e não poderei contestar como faço agora. Então serei parte deles, mas não da forma como gostaria, ou seja, ao lado dos poderosos, farei parte deles mas serei a marionete deles. E eu não quero isso. Acho que... Sei lá, eu queria poder agir.


Cismar sozinha à noite





O Céu conversou comigo um dia antes daquele dia. Ele acendia e apagava, e de repente gritava. Forte e alto para todos ouvirem, mas senti que se direcionava a mim tanta fúria. Estava escuro como trevas e quando eu menos esperava ele brilhava estrondosamente, e gritava em meus ouvidos coisas que só pude compreender quando o Vento traduziu para mim. Acho que foi um aviso. Um aviso de que o tão aguardado dia seria terrível e cheio de falhas. E sim a profecia fora cumprida, como não percebi antes é um mistério que desconheço. Agora, ''em cismar sozinha à noite'', cá estou eu novamente, sem ter para onde ir nem o que pensar, sem forças para levantar ou querer lutar. Extraíram meu Ser até a última gota, e eu desejei meu fim, minha paz. Mas, não tenho coragem para isso. De que valeram todas as horas frente aqueles ditos conhecimentos ? De que valeram se não se atrelaram à minha mente improficiente ? Diga-me você que agora julga-se tão capaz. Eu desejo-te toda a minha dor, quem sabe tu serás hábil em guardá-la cuidadosamente em uma caixa preta, tão negra quanto minha alma.

O sonho





   Ela estava dormindo, de repente acordou em um cemitério. Havia corvos nas árvores e ela caminhava sozinha. As árvores pareciam ter sido queimadas, mas não havia cheiro de fogo. Estavam pretas de trevas. O céu, no entanto, estava claro e belo. Ela continuou a caminhada até que parou assustada. Havia uma lápide com seu nome nela. De súbito a tumba se abriu, e um caixão preto agora estava em cima desta. Ele abriu-se sozinho e uma moça de vestido branco jazia morta ali. Era ela mesma, e isso a assustou ainda mais. 
    Mas ela fitou o corpo depois de acalmar-se, achou instigante observar-se morta. De repente, pombas surgiram e pássaros negros diferentes dos corvos passaram a se aproximar, ela os afugentou, não queria que devorassem seu corpo.
   
Fechou o caixão e coloco-o de volta na tumba. Enterrou a si mesma.

PS: Essa descrição foi um sonho que tive há algum tempo, foi interessante e achei ainda mais ter que registrá-lo, não é a primeira vez tão pouco será a última que sonho com a morte, seja ela de minha pessoa seja de outras.

Reflexão ou qualquer outra coisa.

    É sabido que somos seres faltantes. Ou seja, sempre buscaremos algo que nos faça feliz. E esse '' algo'' é sempre efêmero. Isso quer dizer que em determinada época que encontramos o algo, logo em seguida ele não nos satisfaz mais, e passamos a buscar outros 'algos'.
    Ainda assim, da mesma forma que somos seres faltantes somos seres angustiados, ou como diria o filósofo Sartre, nós somos a angústia. Acompanhada ou inerente à angústia está a tristeza. Quando de fato não conseguimos o algo que tanto batalhamos a tristeza torna-se maior. Na verdade, nem precisamos estar buscando alguma coisa, a melancolia está intrínseca ao que podemos chamar de natureza humana. Isso devido ao fato de os seres humanos vivenciarem a realidade tal qual ela é. Em suma, nossa vida é  agonia. É um pensamento ruim, mas real.

   O trabalho como forma de dignidade ou construção da vida do homem é tão antigo quanto a existência do mesmo.  O mundo hoje é capitalista, logo o trabalho está sob um pedestal. Se tens um trabalho és um ser digno, caso contrário és um ser deplorável. A questão no entanto, é que o trabalho paga as dividas e não as tristezas. Mas, dentro dessa mesma questão encontramos outra: Como pode um ser angustiado e tristemente   miserável trabalhar ? Vemos claramente hoje o que acontece. Depressão. O mundo está doente, as pessoas estão. Logo, há divergências quanto ao esforço físico para conseguir dinheiro. Para que você quer esse dinheiro ? Para encontrar o seu ''algo'' ? Para distrair ? Para fugir ? Enfim, qual o seu buscar ? O trabalho vem como solução de todas essas perguntas. Da mesma forma que responde à afirmação de tristezas não pagam dividas. Mas, as alegrias também não. Portanto, não importa o seu trabalho, por que trabalha, você está fadado a tristeza como todos. A tristeza de nenhuma das pessoas salvou-as de uma ''divida''. A não ser um escritor que escreve um poema ou texto sobre sua tristeza e esses vendem muito e assim ele paga as dividas. Mas, normalmente as pessoas se reergueram do momento mórbido e trabalhou. Logo depois voltou-se para a melancolia é claro. Ou seja, os seres humanos são condenados, cabe contudo, a cada um decidir como irá cumprir uma certa sentença. Nenhuma é reconfortante, mas podemos decidir quando sucumbir de certa forma às dividas geradas pelo sistema consumista e capitalista.



( Este texto foi um pedido de redação da aula de filosofia em cima do tema ''Tristezas não pagam dívidas, o trabalho paga'', eu sei que ficou bem filosófico ou não sei se fugiu do tema, mas foi o que escrevi.)

The Master Pain






    Imagine-se em um quarto branco e fechado. Você abre os olhos e vê o teto manchado. Manchado de olhares que passaram por ele, não uma ou duas, mas várias vezes. Em seguida você vira seu pescoço para o lado com muito esforço, é claro, e vê sua mãe sentada em uma cadeira desconfortável, e não pode ver o rosto dela, pois ela o apoia nas mãos enquanto chora silenciosamente para não te acordar.
   
Você retorna a posição de dormência e fecha os olhos, não por estar com sono, mas por estar cansado de mantê-los abertos. Teme que os feche e nunca mais os abra, contudo fica indeciso entre ser algo bom ou ruim. As dores, todas elas terão um fim, mas a agonia e desespero daqueles que o amam e o acompanharam até o presente momento terão o seu auge assim que der seu ultimo suspiro.
   
Não, você não diz adeus, pelo menos não naquela hora. Você respira, sim, com dificuldade, mas com muita força solta um gemido para mostrar que ainda está vivo. Sua mãe se levanta e enxuga as lágrimas, olha para você e diz: Que bom que você acordou.

Plenilúnio





      Eu estava olhando a lua cheia quando subitamente ela desapareceu. Como em um passe de mágica. E logo, eu pensei: Como ? Como isso aconteceu ? De repente, o céu por completo estava negro, sem estrelas, sem lua. Eu estava na sacada, e um frio descomunal tomou conta do ambiente, do mundo por completo. E finalmente compreendi, que a lua cheia não havia desaparecido, o céu é que havia entenebrecido. Foi então que me dei conta, de que o frio era a vida morrendo. A vida de todos ao meu redor, assim como a minha vida, minha alma havia se perdido nas trevas há tanto tempo. E sem ação, como sempre, eu contemplei o céu de trevas. E foi bom, pois pude depreender a razão de todo o resto.

Ensejos.





E lâminas, e dor, e lâminas e cortes.




    E fui idiota ao pensar que haveria de ter passado aquele tempo. O qual eu silenciosamente aliviava minha angústia de outra forma que não fosse escrever.
   Não sabem que as palavras vociferadas machucam. Não sabem como penso nem o que quero. Mal sabem que eles me ferem. Todos. Todos vocês. Não que se importem, mas são poucos que irei revidar.
   Como gostaria eu, de ser boa e capaz. Como gostaria eu, de conseguir. E sonhar e crer e realizar. Mas não, não sou assim. Ninguém, contudo há aqueles que algo alcançam, pequeno mas sim alcançam.
   Foram-se os tempos de glória. Ensejo um leito para pousar minha cabeça e corpo pesado. Ensejo um leito, negro com forro roxo, de mármore e quente. Ensejo uma paz. De tudo, de todos, de mim.

A pureza



                            A pureza é a capacidade de contemplar a mácula. Simone Weil

         Ela era tão pura e tão bela. Tão centrada e tão moralmente correta. E todos a admiravam, e a amavam. Sim, ela só era o símbolo da perfeição. Ainda que em cada sorriso escondesse uma lágrima, ou que internamente quisesse fugir, ela era a melhor. Tão cativada, tão esperta, construiu para si um mundo paralelo, e fez deste seu castelo. Livros, música, filmes. Esses eram seus passatempos, ou melhor suas razões de vida.
        Ela era tão pura e tão bela. Tão centrada e tão moralmente correta. Cada passo seu era uma escrita nas calçadas, cada palavra sua era uma batida nas músicas da cidade. E cada respiração, um alivio para aquele mundo vil. O nosso mundo vil.
        Ela era tão pura e tão bela. Que era quase impossível descrever tamanha grandeza em um ser tão jovem. Era como se ela fosse a sementinha de uma rosa vermelha, esta fora plantada em um jardim secreto, havia uma cerca ao seu redor, para que ela não se misturasse com as outras flores e com o resto da grama. Ela havia de crescer naquele espaço. Contudo, quando ela cresceu demais, ela decidiu se mostrar para o mundo, mas a seu modo. Nunca foi de chamar atenção para si, ela só queria conhecer o mundo, não fazer parte dele. Então permaneceu na sua cerca, com seus livros, música e filmes.
       Ela era tão pura e tão bela. Tão centrada e tão moralmente correta. Sua alma não fora corrompida e nem haveria de ser, ela já tinha seus objetivos e desde pequena não se deixou levar.Só havia um problema...
Ela...não era Eu.

O Cão


E aquele pobre animal agonizara por três dias.
   
A barriga do pastor alemão inchara de uma hora para outra. O veterinário disse que era um tumor, ou câncer. No fim, não fez diferença. A moça, dona do cão, não suportou sequer olhar para o animal. A agonia deste a entenebrecia, deixava-a soturna como nunca antes chegara a ficar. Na área de sua casa, o cão ficou na posição em que o marido o deixou: deitado com a barriga para cima.
   
Colocaram um pote com leite ao lado, ele com dificuldade cheirou, mas não conseguiu beber. Deram carne moída, e era possível perceber que ele queria comer, mas era incapaz de tal feito. O que mais machucava a moça, era que um dia antes apenas foi como se o pastor alemão tentasse se despedir. Ficou o dia todo atrás dela, pedindo carinho, chorando. E ela amargamente o rejeitou. Não que ela não o amasse, mas tinha um filho pequeno e precisava dar atenção a este.
   
O cão vez por outra naquele dia foi em sua direção, e ela, jogou-lhe água e xingou. Mas ela se arrependeu. O seu amigo, que estivera com ela por mais de seis anos, estava à beira da morte. Deitado na área de sua casa, sofrendo. E não havia nada que ela pudesse fazer. Não tinha dinheiro para cirurgia e já tinha gastado com remédios.
   
Então, ela se sentou ao seu lado, segurando com todas as forças as lágrimas no rosto. Pegou um livro e começou a ler para ele. Leu até que não suportou, e viu gotas molharem as páginas brancas de seu livro. Acariciou o pelo macio de seu cão, este olhou de volta, levantou levemente a cabeça, soltou um som bem baixinho e ela pode ver a vida lhe deixar o corpo. Pode ver nos olhos negros daquele seu amigo, o que ele tentou dizer, mas por natureza não conseguia. Dizer que a amava, e que fora muito bom os tempos que com ela passou. Por fim agradeceu, e morreu.

(Inspiração de um café da tarde- Homenagem a uma colega de trabalho- )

Meu Ser


A precípua parte de meu ser, nesse momento, como em tantos outros, sucumbiu à morte.

  Nunca havia eu de ter andado com tanta diligência. Contudo, não consigo enxergar onde foi o erro. Como, e mais importante por quê. Por quê sou assim ? Poderia mudar ? Transformar ?
   Metamorfizar ? De fato, se  pudesse, já o teria feito.
  Essa minha condição é inerente à minha dor. Não compreendo, não sei, tenho medo e falharei. São tantas palavras, tantos sermões. É muita pressão. Querem minha glória ? Não, não querem. Apenas fingem querer. Fingem. E isso me enoja. Acabrunhada eu me sento. Soturna eu caio. Inativa estou.
      Tempos obsoletos. Sim, ensejaria eu vivê-los.
  E agora o que irei fazer ? Mal sabem que não faço ideia. Decidi há um certo tempo o meu futuro, mas não compreendem que não sou capaz de alcançá-lo. Não por falta de vontade, mas sim, incapacidade. É como se eu estivesse morta por dentro, morta há um certo tempo.
  Sempre que estou caminhando, sempre que creio enganosamente que estou na estrada certa de alguma forma essa digressão corrupta me invade o espírito. Isso é claro, se eu tenho alma. E incessantemente eu me levanto, e tento uma, duas e três vezes ou mais. Sempre na crença de que um dia vencerei. Mas quando é que vou admitir, que perdedores e fracos não vencem ? Que sempre haverá, os fortes e os melhores. Usar de subterfúgios não adianta. Os moralmente corretos são por natureza complacentes e dessa forma não são devassos é claro e isso faz deles, os escolhidos.
  Meus escritos inauditos só me servem de refúgio desse mundo sem glória. Uma fuga das pessoas esquecidas da vida, de mim e delas próprias.


Canção da Angústia




Minha terra tem corruptos
Que só pensam em roubar
As pessoas que aqui vivem
Não querem mais lutar.

Nosso céu tem mais prédios
Nossas várzeas tem mais poluição
Nossos bosques não existem mais
Nossa vida é só destruição.

Em cismar, sozinha, à noite
Mais tristeza encontro cá
Minha terra tem corruptos
Que só pensam em roubar.

Minha terra traz-me dores
Que tais não sei como cessar
Em cismar, sozinha à noite
Mais tristeza encontro eu cá
Minha terra tem corruptos
Que só pensam em roubar.

Não permita povo que eu morra
Sem que eu consiga meios para vencer
Sem que eu desfrute de um país limpo
Onde com justiça possamos viver
Onde os corruptos hão de sucumbir
E de uma vez por todas parem de nos destruir.


O garotinho.

          Havia um menininho.Bem pequenino.E ele tinha todas as dores do mundo dentro de seus olhos. Eu vi. Eu enxerguei as dores naqueles olhos pretos e grandes. Tão pretos quanto à escuridão nas noites sem lua. E ele olhou para mim como alguém que secretamente pede ajuda. E eu vi não somente o seu pedido, mas o de todos os escolhidos. 
    E no final todos éramos escolhidos, pois todos vivíamos em um mundo de trevas. Ele olhou para mim; eu internamente assustei-me. E ele olhou de novo, mas pestanejou em seguida, depois virou-se para o encontro de seu pai.
    E seu pai, os olhos azuis destacavam-se no rosto cansado do trabalho, um rosto moreno e velho. Ele chamara o menininho, este fora ao encontro sem contestar, é claro. Correu e antes de ir embora de uma vez por todas, voltou o corpo em um giro completo e olhou nos meus olhos uma última vez. E eu pude ver ainda mais claramente, não apenas a sua dor, mas todas as dores do mundo dentro de seus olhos.

Refúgio.

São nestes versos que me refugio. Sabe-se lá do que. Das angústias que me perseguem, dessa força que me traz ao chão e que me prende não me deixando respirar. É no ato de escrever que minha dor cessa.

Súplica

       

                E aquela dor voltara. Mas como ?  E de onde surgira ? Enganei-me ao pensar que a havia enterrado. Soterrado as lágrimas junto às mágoas. Mas não, ela está de volta e parece estar mais forte.
               Puxa-me para teu buraco negro, suga-me as poucas forças que me restam. E o que irei de fazer ? Lutarei ? Mas para quê afinal ? Não sei o meu rumo, o tomei sem reflexão.
               Não sei como ainda perduro aqui. Meu corpo, ele há muito desfaleceu. E minha mente, ó ela esta repleta de pensamentos malignos e vis. Minha mente não me deixa progredir, não sei o que há de errado.
               E como irei lutar contra algo que não posso ver ? Responda-me alguém, tem alguém aí ? Ah, mas é claro que não. Ninguém me escutaria afinal. Por quê se importariam.
              Tanto faz se alcanço objetivos ou se morro no fracasso. Mas...ó esse corpo pútrido internamente força-me a levantar todos os dias, por quê relutas tanto ?
               Seria muito mais fácil jazer em um leito assim como já o fizera há tempos. Lembra-se disso não ? É claro que sim, não há como apagar esse passado.
               Aliás, todos os meus arrependimentos visitam-me ao longo das horas desses meus dias sem glória.

Insônia


''Não durmo,jazo, cadáver acordado, sentindo,

E o meu sentimento é um pensamento vazio.

Passam por mim, transtornadas coisas que me sucederam,

__Todas aquelas de que me arrependo e culpo;

Passam por mim, transtornadas,

coisas que me não sucederam

__Todas aquelas de que me arrependo e culpo;

Passam por mim, transtornadas ,coisas que não são nada,

E até dessas me arrependo,

me culpo, e não durmo.''

                                Álvaro de Campos ( heterônimo de Fernando Pessoa )

Why ?





Por quê ? Eu me pergunto por quê e nada mais. Como eu fui me tornar isso ?
Isso ?
É, isso. Não sou um ser, sou apenas isso.
     Eu sou cruel e inútil. Eu deveria ter partido quando a Morte me visitava todos os dias naquele leito de hospital infernal. Mas eu quis lutar horas, pra quê hein ? Pra chegar hoje e ferir mais do que fui ferida. Como eu odeio essas mãos, essa boca que só diz o que não presta. E eu, ah, eu acabarei sozinha, da mesma forma que já me senti e estive por tanto tempo. A diferença é que vou estar sozinha por que ninguém vai querer estar comigo. O ódio perfura minha pele, rasga e estraçalha. A dor, ela transpassa meus ossos. A agonia, eu respiro como se...como se já estivesse morta. Eu não consigo, não consigo. Não sei, não sei. Eu não quero, pois sei que vou falhar com...Todos. E eu tenho medo de machucar de novo. Eu não consigo mais suportar esses sofrimentos. Sofrimentos que eu causo. Ninguém tem coragem de me dizer, mas a verdade é que todos desejam a minha partida. E bem, eu posso ajudar, eu preciso apenas de um pouco de...



I can't remember the day i wrote this.

A estrada.







            De longe o fim da estrada parecia tenebroso. Dava um medo começar a caminhada. Mas ela respirou fundo, apertou  o livro que segurava contra o peito e lentamente começou andar. Olhava para os lados e não havia ninguém. Estava sozinha. Sozinha naquela caminhada sem destino aparente, sozinha nas decisões iminentes e sozinha...Sozinha consigo mesma. De repente ouviu-se um ruído, era como algo se emaranhando pelos arbustos que acompanhavam a rua, ela parou receosa do que poderia sair de lá. O coração palpitava e aos poucos acelerava-se...Ainda mais. E quando  menos esperou um gato. Um gato preto surgiu dos arbustos e galhos quebrados e ela se acalmou. Enfim, ao menos uma companhia pensou a jovem. Se aproximou do animal para afagar-lhe os pelos, mas ele correu. E estava correndo em direção ao fim da estrada.
           Medo. Sozinha novamente ela sentiu medo. De continuar. Temia falhar. E ali, no exato espaço que dividia a rua em metades ela parou. Sentou-se e abraçou o livro. Sua companhia durante os tempos de solidão. Sua companhia durante...todo o tempo. O vento cantava nos seus ouvidos, vento frio e que ao roçar suas bochechas dava a impressão de querer dizer que devia continuar. Era preciso, o final da estrada a aguardava e ela podia não saber o que a esperava, mas ele estava lá, esperando por ela...
           Levantou-se. Pestanejou e continuou, continuou a caminhada que não sabia quando teria fim, mas continuou. Era preciso. Era preciso.



    Afinal não é isso que se resume a vida ? Caminhamos em direção ao fim da estrada que esconde coisas, que nos atemoriza, que nos dá esperança, conversamos sozinhos nessa caminhada, mas no fim temos de continuar caso contrário não há sentido nenhum na vida.

Inner Vision: Inexistência

Inner Vision: Inexistência: Então você olha para trás e vê que nada construiu, nem uma lembrança. Você percebe que, em algum tempo, ninguém pensará em você, ningué...

Somos feitos de que ?



Somos feitos de Medo. Vivemos construindo fracassos. Andamos lamentando o passado. Somos feitos de dor. Vivemos angustiando o futuro. Não sabemos o que vale no presente. Somos feitos de insatisfações das quais não fazemos ideia de onde surgiram. Vivemos sem rumo numa direção errada. Andamos traçando caminhos banhados em desespero. Somos seres que não sabem o que é viver, morrer, existir, sobreviver e nem a diferença disso tudo.


11 months ago.

Contradição II

Eram tantas escolhas, que ela se perdeu em meio às perguntas, sem ter para onde correr nem alguém que pudesse responder, ela se perdeu em mundo que ela pensava ser seu.




Devaneios na aula de física.

Contradição

Havia uma concepção de destino que era incompreensível, mas até que fazia sentido. O verbo 'Existir' por tempos perdurou em seu frágil ser, contudo, no interior de sua complicada mente, subitamente emanou uma ideia de luta. Por fim, se reergueu, e imaginou em um futuro nem tão distante, um ser desconhecido proclamando as palavras: Ela Venceu !




Devaneios na aula de física.

Ser Maldito

Ela se transformara em um ser maldito, de fato. Algo sem explicação. Ela era uma contradição. Não se definia. Não tinha identidade. Creio que nunca tivera. Viera a se tornar algo sem vida, e quando aparentava ter, era na verdade uma máscara.
   Talvez esses sejam os motivos de tanto ódio. Ela sempre encontrava razões inúteis para odiar, alguém, um fato, uma coisa. Enfim, o mundo. Não era maligno, era maldito, era cruel, era irreal. Não entendia,  não se entendia. Ela não sabia.
  O que era então? Ser humano amargo, o preço por sua incapacidade sempre fora o sofrimento alheio. E ignorância que regia seu âmbito mórbido não a permitia evoluir. Tanto conhecimento adquirido em vão. Não se pode mudar a natureza mental.
  Sua mente atormentava o corpo indefeso. Sua mente. Mente. Como pode um monstro pensar? Nas histórias de terror, estes sempre buscavam matar, destruir, ferir. Exatamente por isso eram considerados inferiores, por não ter a capacidade de amar, de não machucar.

   E ela? Seria um monstro? Claro que sim, contudo, não como os das histórias. Como já dito em escritos anteriores, era um monstro disfarçado de ser humano. Um monstro sem consciência. Que não tem razão, não tem ''coração'', não tem vida. É um ser maldito. 

Sono.

Os olhos estão cansados. A mente trabalha incessantemente contudo, sem resultados. O corpo pede um leito com lençóis brancos e um travesseiro fofo. Os olhos cansados pedem uma força para manterem-se abertos. E agora ? Ela perguntara a si mesma. Não sei horas, respondera. Vou dormir. Quem sabe, não mais acordarei.

Monster.


Era uma vez...
  Um monstro. Não era horrendo como na  mitologia, tão pouco era belíssimo como nos contos de fada. Era um monstro incomum. Era um monstro, disfarçado de ser humano. Ao longo de sua vida simplória, cujo único objetivo era ferir seus ''semelhantes'', havia apreendido as artes do ódio e do sofrimento. Sempre conseguira a alguém machucar, matar silenciosamente ao poucos. Tirava-lhe a alegria apenas com o olhar e finalizava com palavras amargas e consciente de seu poderio maléfico, este monstro, imortalizado nestas palavras, viveria carregando consigo a dor daqueles que se entregavam à sua angústia, à sua reação de fracasso...Se entregavam ao seu desprezo e seu medo de falhar. Monstro, nunca antes conseguiria ser feliz ou ficar bem, com seu Eu e com os outros ao redor. Era sua natureza, e contrariando os Existencialistas, ele tinha a quem culpar. Não a si mesmo, mas sim, todos que o haviam matado primeiro. Em um passado não tão distante,  haviam tirado-lhe a vida e fizeram deste ser inocente um grande Monstro.

Efêmero.

Há muito que não escrevo com verdade, ou pelo menos não consigo mais. O devaneio de uma força inexistente toma conta de meu ser. O que acontece com esse corpo morto ? O que antes era real e algo a ser idealizado, hoje não mais se enrijece. O que farei ? Estou tão perto da resposta como já estive de estar viva um dia. Se é que vivi. Pois hoje tão cedo e tão perto deixei de existir.

Pó.



''The other me is dead - Spliknot''


Realmente, o outro 'eu' está morto. Há quanto tempo não sei dizer. Sei apenas que não existe mais, isso que eu chamo de corpo , isso que você vê vagando sem razão, isso eu não sei dizer o que é. Tão pouco sei como esse ser sobreviveu e como chegou a esse ponto. É um zumbi, ou um 'corpo' oco, de alma morta. Sem vida e sem motivo. Deixado de lado, esquecido pela nação. A sua própria nação. Sua nação interna. Os sorrisos deste corpo são frustrações disfarçadas. As alegrias deste corpo, são agonias ultrapassadas. E esse corpo, meu caro, esse corpo é um monte de pó. Jogado ao vento. Jogado ao vento.

Um livro.

Um livro. Ela havia se tornado um livro. De páginas negras e palavras vermelhas. Ela havia se tornado um livro.

Mas como assim um livro ? Simplesmente um livro. De páginas negras e palavras vermelhas.

 Isso aconteceu devido a um fator: De tanto ler e buscar uma realidade paralela nos livros, ela percebeu que ela sempre fora um livro.Faltava apenas um pó mágico para dar-lhe a magia da transformação. E foi assim, lendo e lendo a cada novo dia um novo livro, outros nem tão novos, outros com páginas amareladas e desagastas, mas ainda assim mágicos e capazes de levá-la a mundos raramente visitados.

 Porém, ela sempre tivera uma alma sombria, pensamentos estranhos e por isso se transformara em um livro negro de palavras vermelhas, vermelhas de sangue. Sangue. Ela nunca havia derramado sangue, mas ela sentia-o na boca, pois sentia angústia, a angústia de viver solitariamente ainda que cercada de muitos.

E foi assim que aquela jovem viera a se tornar um livro, como os outros tanto que havia lido, como os outros tantos que havia lido...

Personalidade.

Não consigo me definir. Sempre mudo. Estou em constante mudança. Não me aceito. Sempre vou me ferir. Pois, sim eu sou assim. Sou uma oposição. Um castelo destruído pelas bombas da minha própria nação. Não consigo me definir. Cada momento quero ser de um jeito. Pois não tenho identidade. Crise existencialista. Perdição. Âmbito mórbido. Sou um ser morto, e por isso busco rostos e personalidades melhores que meu corpo pútrido. Eu sei que são. Você não entende, pois você dentro de você mesmo encontra algo bom, eu...eu encontro mais escuridão. Ouço vozes. Vejo vultos. Ouço ruídos. Vejo mortes. Tenho medo. E faço temer. Não tenho forças, então as roubo dos frágeis seres que se deixam levar pelas minhas palavras amargas. Fui um monstro. Tornei-me um monstro. Sem alma, sem pudor, sou cheia de dor.

Escrever ?


Já me perguntaram porque eu escrevo sobre dor. E eu respondi:
Sobre o que mais escreveria ?

Questionamento.

Quando questionamos a nossa existência, na verdade estamos querendo entender o porquê dos sofrimentos, dores, medos e angústias; questionamos não o viver em si, mas a agonia de existir, sobreviver. O desconhecer do amanhã, a amargura do ontem e insegurança do presente momento. Tudo começa a perder seu sentido, não temos forças, e você questiona as mínimas coisas, os risos, as brincadeiras até as alegrias, por que você sabe que não vão durar.

Frase I

Não vivo, nem existo, apenas insisto em sobreviver

Reflexo Maldito.


Quando olho no espelho não vejo o que costumava ver. Vejo um monstro, ou como a foto um anjo maligno. Não, anjo não. A palavra anjo denota algo bom, se bem que na cristandade Lúcifer era um anjo antes de se tornar o que podemos chamar de…Demônio. Bom, não sou demônio. Ainda não, mas vim a me tornar um monstro. Que desistiu de tentar, por não querer fracassar e dar gosto aos que me esperam cair. Vejo o reflexo de um monstro que fere aqueles que o rodeiam, que diz coisas que não precisavam ser ditas, que faz coisas que tem como consequência arrependimentos. Sou um monstro, disfarçado de pessoa. Aguardo meu caçador, espero que venha logo, pois ainda que eu seja um monstro sinto pena daqueles que estão confinados a viver com a minha escuridão

Mórbidez.

A respiração arfante diante das palavras lúgubres de minha boca, traz-me de volta a ideia de perdição num âmbito mórbido. Um tênue frêmito: é sua voz atrás de mim. É o que me conforta nessa hora mortiça. Sua sombra de repente torna-te insignia, e subitamente vejo-me soturna, pois ela se afasta sem se despedir. O abismo negro, sombrio e âmago mais uma vez chama meu nome, e dessa vez eu respondo. Não hesito em atender seu pedido, pois agora está tudo perdido.