Ser Maldito

Ela se transformara em um ser maldito, de fato. Algo sem explicação. Ela era uma contradição. Não se definia. Não tinha identidade. Creio que nunca tivera. Viera a se tornar algo sem vida, e quando aparentava ter, era na verdade uma máscara.
   Talvez esses sejam os motivos de tanto ódio. Ela sempre encontrava razões inúteis para odiar, alguém, um fato, uma coisa. Enfim, o mundo. Não era maligno, era maldito, era cruel, era irreal. Não entendia,  não se entendia. Ela não sabia.
  O que era então? Ser humano amargo, o preço por sua incapacidade sempre fora o sofrimento alheio. E ignorância que regia seu âmbito mórbido não a permitia evoluir. Tanto conhecimento adquirido em vão. Não se pode mudar a natureza mental.
  Sua mente atormentava o corpo indefeso. Sua mente. Mente. Como pode um monstro pensar? Nas histórias de terror, estes sempre buscavam matar, destruir, ferir. Exatamente por isso eram considerados inferiores, por não ter a capacidade de amar, de não machucar.

   E ela? Seria um monstro? Claro que sim, contudo, não como os das histórias. Como já dito em escritos anteriores, era um monstro disfarçado de ser humano. Um monstro sem consciência. Que não tem razão, não tem ''coração'', não tem vida. É um ser maldito. 

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