A estrada.







            De longe o fim da estrada parecia tenebroso. Dava um medo começar a caminhada. Mas ela respirou fundo, apertou  o livro que segurava contra o peito e lentamente começou andar. Olhava para os lados e não havia ninguém. Estava sozinha. Sozinha naquela caminhada sem destino aparente, sozinha nas decisões iminentes e sozinha...Sozinha consigo mesma. De repente ouviu-se um ruído, era como algo se emaranhando pelos arbustos que acompanhavam a rua, ela parou receosa do que poderia sair de lá. O coração palpitava e aos poucos acelerava-se...Ainda mais. E quando  menos esperou um gato. Um gato preto surgiu dos arbustos e galhos quebrados e ela se acalmou. Enfim, ao menos uma companhia pensou a jovem. Se aproximou do animal para afagar-lhe os pelos, mas ele correu. E estava correndo em direção ao fim da estrada.
           Medo. Sozinha novamente ela sentiu medo. De continuar. Temia falhar. E ali, no exato espaço que dividia a rua em metades ela parou. Sentou-se e abraçou o livro. Sua companhia durante os tempos de solidão. Sua companhia durante...todo o tempo. O vento cantava nos seus ouvidos, vento frio e que ao roçar suas bochechas dava a impressão de querer dizer que devia continuar. Era preciso, o final da estrada a aguardava e ela podia não saber o que a esperava, mas ele estava lá, esperando por ela...
           Levantou-se. Pestanejou e continuou, continuou a caminhada que não sabia quando teria fim, mas continuou. Era preciso. Era preciso.



    Afinal não é isso que se resume a vida ? Caminhamos em direção ao fim da estrada que esconde coisas, que nos atemoriza, que nos dá esperança, conversamos sozinhos nessa caminhada, mas no fim temos de continuar caso contrário não há sentido nenhum na vida.

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