A pureza



                            A pureza é a capacidade de contemplar a mácula. Simone Weil

         Ela era tão pura e tão bela. Tão centrada e tão moralmente correta. E todos a admiravam, e a amavam. Sim, ela só era o símbolo da perfeição. Ainda que em cada sorriso escondesse uma lágrima, ou que internamente quisesse fugir, ela era a melhor. Tão cativada, tão esperta, construiu para si um mundo paralelo, e fez deste seu castelo. Livros, música, filmes. Esses eram seus passatempos, ou melhor suas razões de vida.
        Ela era tão pura e tão bela. Tão centrada e tão moralmente correta. Cada passo seu era uma escrita nas calçadas, cada palavra sua era uma batida nas músicas da cidade. E cada respiração, um alivio para aquele mundo vil. O nosso mundo vil.
        Ela era tão pura e tão bela. Que era quase impossível descrever tamanha grandeza em um ser tão jovem. Era como se ela fosse a sementinha de uma rosa vermelha, esta fora plantada em um jardim secreto, havia uma cerca ao seu redor, para que ela não se misturasse com as outras flores e com o resto da grama. Ela havia de crescer naquele espaço. Contudo, quando ela cresceu demais, ela decidiu se mostrar para o mundo, mas a seu modo. Nunca foi de chamar atenção para si, ela só queria conhecer o mundo, não fazer parte dele. Então permaneceu na sua cerca, com seus livros, música e filmes.
       Ela era tão pura e tão bela. Tão centrada e tão moralmente correta. Sua alma não fora corrompida e nem haveria de ser, ela já tinha seus objetivos e desde pequena não se deixou levar.Só havia um problema...
Ela...não era Eu.

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