O garotinho.

          Havia um menininho.Bem pequenino.E ele tinha todas as dores do mundo dentro de seus olhos. Eu vi. Eu enxerguei as dores naqueles olhos pretos e grandes. Tão pretos quanto à escuridão nas noites sem lua. E ele olhou para mim como alguém que secretamente pede ajuda. E eu vi não somente o seu pedido, mas o de todos os escolhidos. 
    E no final todos éramos escolhidos, pois todos vivíamos em um mundo de trevas. Ele olhou para mim; eu internamente assustei-me. E ele olhou de novo, mas pestanejou em seguida, depois virou-se para o encontro de seu pai.
    E seu pai, os olhos azuis destacavam-se no rosto cansado do trabalho, um rosto moreno e velho. Ele chamara o menininho, este fora ao encontro sem contestar, é claro. Correu e antes de ir embora de uma vez por todas, voltou o corpo em um giro completo e olhou nos meus olhos uma última vez. E eu pude ver ainda mais claramente, não apenas a sua dor, mas todas as dores do mundo dentro de seus olhos.

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