Prólogo II



Imagine-se em um quarto branco fechado. Você abre os olhos e vê o teto manchado. Manchado de olhares que passaram por ele, não uma ou duas, mas várias vezes. Em seguida você vira seu pescoço para o lado, com muito esforço é claro, e vê sua mãe sentada em uma cadeira desconfortável, e não pode ver o rosto dela, pois ela o apoia nas mãos enquanto chora silenciosamente para não te acordar. Você retorna a posição de dormência e fecha os olhos, não por estar com sono, mas por estar cansado de mantê-los abertos. Teme que os feche e nunca mais os abra, contudo fica indeciso entre ser algo bom ou ruim. As dores, todas elas terão um fim, mas a agonia e desespero daqueles que o amam e o acompanharam até o presente momento terão o seu auge assim que der seu ultimo suspiro. Não, você não diz adeus, pelo menos não naquela hora. Você respira sim com dificuldade, mas com muita força solta um gemido para mostrar que ainda estar vivo. Sua mãe se levanta e enxuga as lagrimas, olha para você e diz: Que bom que você acordou.



( Prólogo de um futuro livro: O dia em que meu pai chorou. )

Time, time...




       
   Quanto de teu tempo jogaste fora, pequeno ser? Oras, não conhece a palavra gestão? Julga leviana e erroneamente, uma vez que não pratica os mesmos atos, mas usa dos mesmos motivos, dentre eles o alívio da frustração.
     Não tem pouco tempo, tem pouquíssima força. Entretanto, cansou-se de existir. Teu teto de vidro está trincado e os cacos ferem-te os olhos. Estais cego, o mundo morreu. Ou serias tu? Morreste, pequeno ser? Cansaste de arrepender-te e esta necessidade de provação e aprovação crava-te na cabeça os resquícios de tua iminente depravação e desgraça.
    Já pensaste mais de uma vez, e sabes disso, pequeno ser? E agora, o que irás tu fazer? 

Bienal do Livro de Minas Gerais 14-23 de Novembro

Ei, gente ! Ontem foi meu último dia na Bienal e como prometido eu trago a vocês os relatos de minha experiência com a primeira Bienal que fui na vida ! Vou começar a conta tudinho na ordem, desde o meu primeiro dia ( 16.11 ) até os outros dois (21 e 22 ).

No dia 16 de novembro eu fui à Bienal na esperança de conhecer duas grandes escritoras que eu adoro desde sempre e admiro muito: Margaret Stohl e Thalita Rebouças. As duas foram umas fofas, lindas, amores de pessoa. Super simpáticas com todos e na entrevista mega engraçadas.
Margaret é autora da Saga Dezesseis Luas ( Beautiful Creatures ) em parceria com Kami Garcia, e na Bienal ela falou de dois livros que acaba de lançar:  Sirena e o Ícones. Apesar da minha senha ter sido a 71 eu fiquei lá esperando, claro, e valeu a pena. Ela autografou meu livro e tirou foto ( claro, ela fez isso com todos ) mas é a sensação, sabe ? De estar de frente com um ídolo, com alguém que você admira que te inspira e que você gosta. Eu estava nervosa e achei que não fosse conseguir falar nem um : Hello ou Nice to meet you ! Mas se eu tive coragem de levantar na frente de todos enquanto todos olhavam pra mim pra fazer uma pergunta pra ela isso, né rs Ah, e de quebra ainda conheci uma menina super gente boa na fila da senha e a gente ficou amiga mesmo descobrindo o nome uma da outra trinta anos de conversa depois rs A Lívia agora é parceria na discussão de livros e filmes haha

É isso. Margaret Stohl foi incrível !

Algumas horas depois fiquei na fila para a senha da Thalita Rebouças. Aaah, gente! Ela é fofa demais. Eu já sabia da animação do carisma da fofurisse e todo o jeito dela, mas presenciar isso ao vivo, e depois poder abraçá-la e vê-la carimbar meu livro ( ela estava com o braço quebrado, mas é tão genial e linda que fez um carimbo lindão pra gente ), tirar foto e conversar é outra coisa, né ? A história dela com a literatura é inspiradora, o modo como ela correu atrás das Editoras e o modo como fazia pra chamar a atenção do público no início da carreira é algo que sempre chamou minha atenção. Adorei conhecê-la e mesmo sabendo que ela não lembra de todos um por um, ela já respondeu meu email então sei que quando eu precisar conversar mesmo que demore ela , sendo fofa, responderá e isso é algo muito legal da parte dos escritores/celebridades .

Adorei. Adorei. Adorei e adorei !

Na sexta-feira dia 21 foi o dia de conhecer ele : Raphael Montes que pra quem não sabe é um jovem que tá prometendo a literatura brasileira. Vencedor do prêmio Benvirá e finalista do Prêmio de Literatura de São Paulo, seu primeiro romance policial, Suicidas, me conquistou em três dias rs Isso aí, fazia tempo que eu não lia um livro de 400 páginas tão rápido assim. No Café Literário da Bienal, como eram muito menos pessoas eu fiquei bem pertinho e pude ouvir e acompanhar tudo com muito mais clareza, mas mesmo que não tivesse, após o evento ele e Marçal Aquino ( o outro escritor convidado ) foram para  a mesa do lado de fora autografar os livros e tirar fotos. E bom, confirmei o que já sabia: Raphael além de incrível e talentoso escritor é uma simpatia em pessoa, legal e gentil. Autografou meu livro e não se importou de tirar outra foto já que a primeira tentativa não deu certo na minha câmera que decidiu ser uma legal e não funcionar, e ele ainda disse depois : Vê se deu certo e se não deu a gente tira outra ! Viu, gente ? Isso é que é carisma, ele podia ter sido um chato e me mandando andar logo pra não atrasar a fila, mas não foi. Conversou com os leitores na fila sobre seus livros e disse que pretende escrever mais. Adorei conhecê-lo pessoalmente, pois já tínhamos conversado um pouco pelo facebook, mas ao vivo é outra coisa, né além disso, ele deu ótimos conselhos!

Finalmente, dia 22 no sábado foi o dia mais doido da Bienal. As senhas para o Conexão Jovem com a Bruna Vieira começaram a ser distribuídas às 10 da manhã e eu sabendo que o pessoal é doido com ela cheguei antes das nove. Acordei às 7:40 e peguei o ônibus às oito e pouco. Tudo bem que meu objetivo nesse dia era conhecer Raphael Draccon e Carolina Munhóz autores de Dragões de Éter e A Fada, por exemplo, mas já que eu ia eu falei: vamos conhecer Bruna Vieira. Ok, cheguei e tal já tinha gente na fila. Fiquei conversando uns dez minutos com uma menina que conheci e quando olhamos pra trás PÁ : meio quilômetro de pessoas havia surgido em uma fila gigante e logo pensamos: o plano é correr muito !!! Ok, meio segundo depois de passar na roleta corremos, a mulher na escada disse : sem correr na escada . Nós descemos dois degraus andando e depois corremos. Chegamos na porta e os seguranças : sem correr, gente. Andamos dois passos e em seguida corremos de novo. Agora, pensa na minha pessoa correndo pelos corredores da Bienal ! Com certeza minha expressão estava uma lindeza, né. Mas beleza! Peguei a senha pra Bruna Vieira e depois fiquei mais uma hora esperando as senhas para o Raphael e Carolina serem liberadas, Depois de pegar a senha, Lívia e eu ( lembra da pessoa que eu conheci no domingo ? É , a gente se encontrou hehe ) ficamos andando pela Bienal, babando nos livros rs De quebra, encontramos Luiza Trigo, autora de Meus Quinze anos e tiramos foto com ela e ela autografou nossos jornais já que a gente não estava com o livro lá. Pottermaníaca também e dona de um cabelo lindo, foi fofa e simpática com a gente ! Adorei ela !!!

Na hora do Conexão Jovem com os dois fofos a gente riu bastante e se admirou com a história deles, principalmente do Raphael. Em seguida, fomos para a outra sala pegar autógrafos e tirar fotos. Ganhei um HP forever da Carol *-* e ela adorou minha camiseta de Hogwarts - Always , nem fiquei boba, né rs O Raphael também foi super simpático e gentil perguntou como conheci o livro e tal. Eu amei cada segundo com eles. Depois parti para o Conexão Jovem com a Bruna, fiquei lá trás porque já estava mega cheio, né, mas eu tinha a pulseira da alegria haha então foi tranquilo. Ela é super animada, legal, gentil, simpática e fofa. Tiramos foto e ela marcou meu livro. Adorei conhecê-la, pois com certeza mudou minha visão dela. É uma inspiração também. 20 anos e já conquistou tanta coisa!

Gente,é isso. Mesmo que nesse dia eu tenha chegado em casa e cinco minutos depois saído para dar duas horas de aula, valeu cada segundo, cada noite mal dormida de ansiedade, cada corrida e cada espera. Conheci mais pessoas famosas nessas semana do que irei conhecer minha vida toda e cada um deles é uma inspiração pra mim que quero ser escritora também ! Todos mega simpáticos e fofos que dá vontade de trazer pra casa rs Adorei cada momento e ainda estou aqui, namorando minha coleção de autógrafos e namorando os outros livros que comprei haha Ainda sonho com os bate-papos e com a minha pessoa pertinho de cada um.

De fato, é muito bom conhecer essas pessoas que a gente admira e tal, porque isso nos inspira, nos anima e nos alegra. Nos dá vontade de seguir nossos sonhos porque eles, de certa forma, acreditam em nós como nós acreditamos neles. E sei que a descrição de tudo está meio pobre, mas é que ainda estou emocionada com tudo e quando fico assim não consigo diferenciar muito e encontrar palavras melhores/certas pra descrever, mas saibam que amei cada momento e adorei poder ter tudo isso gravado na minha memória pra sempre !

Deixo agora as fotos de minha pessoa boba-alegre-risonha e esses mestres literários haha

[ Margaret Stolh já sendo legal desde sempre, né ]


[ As fotos oficialmente da Thalita ainda não saíram, então fiquem com essa do meu celular ]


[ Raphael Montes. No Café Literário a gente podia tirar fotos com as nossas câmeras então pedi a uma menina ]


[Luiza Trigo. Muito amor, né, gente ? Adorei ]


[ Sim, essa sou eu babando na Carol e me achando por ela gostar da minha camiseta e me dar um HP forever rs rs ]


[ Olha o cabelo dela, gente ! Adoro ! ]


[ Ignorem minha expressão de pamonha. Eu contando como conheci os livros pra ele e a moça batendo foto, pensa ! ]


[ Demais, né ? Sem palavras ! ]





[ Olha que fofa, gente! E eu tive a honra de conhecer !!!]

Gelo




E escondeu-se na sombra de seu arrependimento. Estava escuro aquele quarto de paredes escarlates.
     De repente uma fina luz brilhou, um feixe luminoso começou a sair da janela de cristal. Pensou ser sua esperança, mas não. Era o sol morrendo, deu seu último suspiro frente a ela. Rastejou até a janela, a penumbra falecia inconscientemente e sua vida carcomida por suas lágrimas de desespero formaram um lago no quarto.
      E ela juntou forças para nadar, no entanto, uma vez submersa, sem capacidade para emergir, não afogou, não morreu. Parou no tempo.Congelou na sua crueldade fria.

''I don't want to change the world
I just want to leave it colder''
                       Breaking Benjamin - I Will Not Bow

Soul



''Estou perambulando até o fim da existência''                                                  Zombie - The Pretty Reckless

  Bom, na verdade ela não sabia por onde tinha andado. Suas buscas há muito deixaram de fazer sentido. Quero dizer, havia razão ? Tanto conhecimento sendo empurrado cabeça a dentro, tanta informação vinda de fora, tanta coisa sendo absorvida, coisas que ela julgou necessárias para sua vida corrupta, simplória e sem perspectivas.
   Oras, encontrara um espelho quebrado no chão manchado de lágrimas vermelhas. Oh sim, escarlate como sangue. O sangue dela.
  Quantos sonhos foram sonhados ? E quantos destes foram baseados naquelas razões ? As quais ela buscaram em tanta informação ? Erroneamente julgadas como corretas e precisas. Quantos dizeres saíram de sua boca suja, ditos em alto e bom som a todos que quissesem ouvir uma palavra acalentadora. Sim, ela fazia. E sim ela queria, ela acreditou. No fim de nada adiantou, como sempre, como todos.
   Fitara o espelho, seu reflexo a assustou. Como viera a torna-se aquele monstro ? Era como no livro '' O Retrato de Dorian Gray'', por fora um ser bom, mas a alma velha, suja, monstruosa e corrupta, maldosa e sem motivos.


''E o que o trastornava era a morte em vida de sua própria alma.'' 
                                                    O Retrato de Dorian Gray, página 235

Autopsicografia

 

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa

Manifesto


Eu acho que estão tentando me controlar. Tentando fazer um tipo de lavagem cerebral. Através de medicamentos e das comidas. Eu sempre desconfiei disso. E tem um sentido até, quero dizer, como podemos ter certeza que o comprimido que estamos tomando é para aquele problema mesmo?Nós estávamos lá quando o manipularam? Nós vimos as substâncias que colocaram na cápsula? Pelo que sei, pode muito bem ser um tipo de droga especializada em confusão mental. Parece coisa de louco, mas acho que foi a forma como coloquei. Pense dessa maneira: droga especializada na reestrutura da mente. Faz mais sentido para quem nunca pensou nisso.

 Vez por outra eu acordo com a cabeça doendo, mas não uma dor de cabeça comum, e sim uma diferente, eu ainda estou dormindo quando ela vêm, e é como se algo tentasse fazer meu cérebro sair, não tem como explicar. Pode ser radiação do celular mesmo eu deixando o meu na mesa, o que é outra coisa que penso também ser uma forma de manipulação. Pensem bem, eles nos passam essa ideia maravilhosa dos celulares e todas outras tecnologias, quando na verdade cada segundo que passamos com essas coisas ao nosso lado, é mais um pouco de radiação para o nosso corpo. Logo, a sociedade manipulada estará morrendo de câncer e outras doenças, e teremos de pagá-los para viver. É bem isso que eles devem estar pensando. E nossa comida, quem garante que não há outras drogas, venenos de efeito menos prejudicial que os clássicos mortais, mas efeitos de longo prazo. Quando estivermos morrendo de ‘’intoxicação alimentar’’, vamos culpar a idade e tal, quando na verdade foi planejado.

É tudo planejado, a elite há muito no poder pensou em tudo. E como nós, seres insignificantes perto do poder que eles têm, não somos nada. Não podemos fazer nada. E essas constantes mudanças no meu humor, acho que é efeito deles. Eles devem estar me vendo agora, sei lá. É bem possível. Todos conhecem o poder da CIA e FBI e essas coisas. E não adianta falar que eles nem sabem da minha existência, pois devem saber. Eles sabem de tudo. Sem falar que as sociedades secretas têm contato no mundo todo. Podem ter um filho da mãe bem na minha rua, observando cada passo meu e cada falha. Cada comida e cada medicamento, cada mudança de humor e cada... Eu só tenho medo de me capturarem e me manipularem na mesa de cirurgia. Se fizerem isso eu não vou me lembrar de nada, e não poderei contestar como faço agora. Então serei parte deles, mas não da forma como gostaria, ou seja, ao lado dos poderosos, farei parte deles mas serei a marionete deles. E eu não quero isso. Acho que... Sei lá, eu queria poder agir.


Cismar sozinha à noite





O Céu conversou comigo um dia antes daquele dia. Ele acendia e apagava, e de repente gritava. Forte e alto para todos ouvirem, mas senti que se direcionava a mim tanta fúria. Estava escuro como trevas e quando eu menos esperava ele brilhava estrondosamente, e gritava em meus ouvidos coisas que só pude compreender quando o Vento traduziu para mim. Acho que foi um aviso. Um aviso de que o tão aguardado dia seria terrível e cheio de falhas. E sim a profecia fora cumprida, como não percebi antes é um mistério que desconheço. Agora, ''em cismar sozinha à noite'', cá estou eu novamente, sem ter para onde ir nem o que pensar, sem forças para levantar ou querer lutar. Extraíram meu Ser até a última gota, e eu desejei meu fim, minha paz. Mas, não tenho coragem para isso. De que valeram todas as horas frente aqueles ditos conhecimentos ? De que valeram se não se atrelaram à minha mente improficiente ? Diga-me você que agora julga-se tão capaz. Eu desejo-te toda a minha dor, quem sabe tu serás hábil em guardá-la cuidadosamente em uma caixa preta, tão negra quanto minha alma.