27 de novembro de 2012

Prólogo II



Imagine-se em um quarto branco fechado. Você abre os olhos e vê o teto manchado. Manchado de olhares que passaram por ele, não uma ou duas, mas várias vezes. Em seguida você vira seu pescoço para o lado, com muito esforço é claro, e vê sua mãe sentada em uma cadeira desconfortável, e não pode ver o rosto dela, pois ela o apoia nas mãos enquanto chora silenciosamente para não te acordar. Você retorna a posição de dormência e fecha os olhos, não por estar com sono, mas por estar cansado de mantê-los abertos. Teme que os feche e nunca mais os abra, contudo fica indeciso entre ser algo bom ou ruim. As dores, todas elas terão um fim, mas a agonia e desespero daqueles que o amam e o acompanharam até o presente momento terão o seu auge assim que der seu ultimo suspiro. Não, você não diz adeus, pelo menos não naquela hora. Você respira sim com dificuldade, mas com muita força solta um gemido para mostrar que ainda estar vivo. Sua mãe se levanta e enxuga as lagrimas, olha para você e diz: Que bom que você acordou.



( Prólogo de um futuro livro: O dia em que meu pai chorou. )
Leia Mais ►

23 de novembro de 2012

Time, time...




       
   Quanto de teu tempo jogaste fora, pequeno ser? Oras, não conhece a palavra gestão? Julga leviana e erroneamente, uma vez que não pratica os mesmos atos, mas usa dos mesmos motivos, dentre eles o alívio da frustração.
     Não tem pouco tempo, tem pouquíssima força. Entretanto, cansou-se de existir. Teu teto de vidro está trincado e os cacos ferem-te os olhos. Estais cego, o mundo morreu. Ou serias tu? Morreste, pequeno ser? Cansaste de arrepender-te e esta necessidade de provação e aprovação crava-te na cabeça os resquícios de tua iminente depravação e desgraça.
    Já pensaste mais de uma vez, e sabes disso, pequeno ser? E agora, o que irás tu fazer? 
Leia Mais ►

22 de novembro de 2012

Gelo




E escondeu-se na sombra de seu arrependimento. Estava escuro aquele quarto de paredes escarlates.
     De repente uma fina luz brilhou, um feixe luminoso começou a sair da janela de cristal. Pensou ser sua esperança, mas não. Era o sol morrendo, deu seu último suspiro frente a ela. Rastejou até a janela, a penumbra falecia inconscientemente e sua vida carcomida por suas lágrimas de desespero formaram um lago no quarto.
      E ela juntou forças para nadar, no entanto, uma vez submersa, sem capacidade para emergir, não afogou, não morreu. Parou no tempo.Congelou na sua crueldade fria.

''I don't want to change the world
I just want to leave it colder''
                       Breaking Benjamin - I Will Not Bow
Leia Mais ►

15 de novembro de 2012

Soul



''Estou perambulando até o fim da existência''                                                  Zombie - The Pretty Reckless

  Bom, na verdade ela não sabia por onde tinha andado. Suas buscas há muito deixaram de fazer sentido. Quero dizer, havia razão ? Tanto conhecimento sendo empurrado cabeça a dentro, tanta informação vinda de fora, tanta coisa sendo absorvida, coisas que ela julgou necessárias para sua vida corrupta, simplória e sem perspectivas.
   Oras, encontrara um espelho quebrado no chão manchado de lágrimas vermelhas. Oh sim, escarlate como sangue. O sangue dela.
  Quantos sonhos foram sonhados ? E quantos destes foram baseados naquelas razões ? As quais ela buscaram em tanta informação ? Erroneamente julgadas como corretas e precisas. Quantos dizeres saíram de sua boca suja, ditos em alto e bom som a todos que quissesem ouvir uma palavra acalentadora. Sim, ela fazia. E sim ela queria, ela acreditou. No fim de nada adiantou, como sempre, como todos.
   Fitara o espelho, seu reflexo a assustou. Como viera a torna-se aquele monstro ? Era como no livro '' O Retrato de Dorian Gray'', por fora um ser bom, mas a alma velha, suja, monstruosa e corrupta, maldosa e sem motivos.


''E o que o trastornava era a morte em vida de sua própria alma.'' 
                                                    O Retrato de Dorian Gray, página 235
Leia Mais ►

11 de novembro de 2012

Autopsicografia

 

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.


Fernando Pessoa
Leia Mais ►

10 de novembro de 2012

Manifesto


Eu acho que estão tentando me controlar. Tentando fazer um tipo de lavagem cerebral. Através de medicamentos e das comidas. Eu sempre desconfiei disso. E tem um sentido até, quero dizer, como podemos ter certeza que o comprimido que estamos tomando é para aquele problema mesmo?Nós estávamos lá quando o manipularam? Nós vimos as substâncias que colocaram na cápsula? Pelo que sei, pode muito bem ser um tipo de droga especializada em confusão mental. Parece coisa de louco, mas acho que foi a forma como coloquei. Pense dessa maneira: droga especializada na reestrutura da mente. Faz mais sentido para quem nunca pensou nisso.

 Vez por outra eu acordo com a cabeça doendo, mas não uma dor de cabeça comum, e sim uma diferente, eu ainda estou dormindo quando ela vêm, e é como se algo tentasse fazer meu cérebro sair, não tem como explicar. Pode ser radiação do celular mesmo eu deixando o meu na mesa, o que é outra coisa que penso também ser uma forma de manipulação. Pensem bem, eles nos passam essa ideia maravilhosa dos celulares e todas outras tecnologias, quando na verdade cada segundo que passamos com essas coisas ao nosso lado, é mais um pouco de radiação para o nosso corpo. Logo, a sociedade manipulada estará morrendo de câncer e outras doenças, e teremos de pagá-los para viver. É bem isso que eles devem estar pensando. E nossa comida, quem garante que não há outras drogas, venenos de efeito menos prejudicial que os clássicos mortais, mas efeitos de longo prazo. Quando estivermos morrendo de ‘’intoxicação alimentar’’, vamos culpar a idade e tal, quando na verdade foi planejado.

É tudo planejado, a elite há muito no poder pensou em tudo. E como nós, seres insignificantes perto do poder que eles têm, não somos nada. Não podemos fazer nada. E essas constantes mudanças no meu humor, acho que é efeito deles. Eles devem estar me vendo agora, sei lá. É bem possível. Todos conhecem o poder da CIA e FBI e essas coisas. E não adianta falar que eles nem sabem da minha existência, pois devem saber. Eles sabem de tudo. Sem falar que as sociedades secretas têm contato no mundo todo. Podem ter um filho da mãe bem na minha rua, observando cada passo meu e cada falha. Cada comida e cada medicamento, cada mudança de humor e cada... Eu só tenho medo de me capturarem e me manipularem na mesa de cirurgia. Se fizerem isso eu não vou me lembrar de nada, e não poderei contestar como faço agora. Então serei parte deles, mas não da forma como gostaria, ou seja, ao lado dos poderosos, farei parte deles mas serei a marionete deles. E eu não quero isso. Acho que... Sei lá, eu queria poder agir.


Leia Mais ►

3 de novembro de 2012

Cismar sozinha à noite





O Céu conversou comigo um dia antes daquele dia. Ele acendia e apagava, e de repente gritava. Forte e alto para todos ouvirem, mas senti que se direcionava a mim tanta fúria. Estava escuro como trevas e quando eu menos esperava ele brilhava estrondosamente, e gritava em meus ouvidos coisas que só pude compreender quando o Vento traduziu para mim. Acho que foi um aviso. Um aviso de que o tão aguardado dia seria terrível e cheio de falhas. E sim a profecia fora cumprida, como não percebi antes é um mistério que desconheço. Agora, ''em cismar sozinha à noite'', cá estou eu novamente, sem ter para onde ir nem o que pensar, sem forças para levantar ou querer lutar. Extraíram meu Ser até a última gota, e eu desejei meu fim, minha paz. Mas, não tenho coragem para isso. De que valeram todas as horas frente aqueles ditos conhecimentos ? De que valeram se não se atrelaram à minha mente improficiente ? Diga-me você que agora julga-se tão capaz. Eu desejo-te toda a minha dor, quem sabe tu serás hábil em guardá-la cuidadosamente em uma caixa preta, tão negra quanto minha alma.
Leia Mais ►

Evoluir dói

não sei ao certo como começar esse texto. espero que um dia acorde como eu. é doloroso, parece que seus olhos vão se afogar nas próprias lá...