As doze badaladas.




Eram doze badaladas dos sinos do tempo.

Primeira.
Acordaram todos felizes e
cheios de vontade. Prontos para mais um ano e prontos a cumprir as promessas feitas há apenas um dia. TAM! Os sinos anunciaram o tempo malogrado, um homem sibilou que deviam continuar que aquilo era só o início. Verteram-se solitariamente, riam e emanavam coragem. Estavam prontos.

Segunda.
Acordaram todos, felizes, mas não tão cheios de vontade. A rotina voltara e algumas promessas foram esquecidas. A maioria tentava não ouvir os sinos, tinha tempo, este não podia ser esquecido. Não dessa vez, estavam no início da ''nova jornada'', olhavam com esgar quem dissesse o contrário. Não tinham o que temer, aparentemente não.

Terceira.
Acordaram todos felizes e a vontade subitamente emanou. Uma data festiva mascarava a realidade que já tentavam levianamente negar. Alentadora e inocente a data os fez felizes por alguns dias. Os dias antes, o dia propriamente dito e um ou dois dias depois. Mas é claro, logo depois a digressão nos atos de cada um se faria presente. É algo a consumar entende? São apenas distrações.

Quarta.
Acordaram todos
felizes e quase cheios de vontade. Tempos quaisquer estes, tempos quaisquer. Nada de novo a não ser mais promessas que foram esquecidas, uma ou outra fez-se presente, no entanto, ninguém se esforçou de verdade, ninguém nunca o faz. A cardeal luta de cada ser sempre foi nada mais que aguardar, sabe-se lá o que, mas aguarda... O fim, uma data, um presente. Cada dia é comum, sempre esperando Um outro que não  seja.

Quinta.
Acordaram todos felizes e o torpor da negação realística
volta. Mais distrações, talvez algumas que como no tempo anterior estavam aguardando sem saber ao certo. Desfeou o objetivo, m mais datas. Isso, meus caros, é o que todos gostam. De distrações.

Sexta
Acordaram todos;
infelizes. O grande tempo estava quase acabando. Oras, como? Não está, não. Muitos diziam a si mesmo e aos outros. Tateando uma nova busca naquele tempo, tinham dores a curar e tinham pouco tempo de fato. Criaram muros nos primeiros tempos e agora? E agora? Para onde correr, perguntavam-se.

Sétima.
Acordaram todos
neste tempo particular... estavam felizes. Podiam descansar. Algo que ensejaram logo no terceiro tempo. Quanta hipocrisia, não? As promessas? Para onde foram? O tempo augusto chegou e as prioridades são deixadas em uma caixa preta lacrada por alguns dias. Inescrutáveis mentes, jamais entenderei.

Oitava.
Acordaram todos
 infelizes. O tempo augusto chegou ao fim mais rápido que um estalar de todos. E agora todos pigarreavam reclamações, o grande tempo estava chegando ao fim de fato... Novamente. Oras, mas assim? Tão rápido? Ao menos esse foi diferente e valeu à pena, concordam? Afirmou a maioria. Não foi diferente, o grande tempo nunca é.

Nona.
Acordaram todos
infelizes e sem vontade dessa vez. Um tempo apócrifo aquele primeiro. Lembram-se dele? É claro que não, ninguém lembra. Foi-se há tempos e tempos. Tudo o que disseram naquele tempo já se foi de sua mente, as promessas, ó sim, as promessas. E a consecução é simples e cruel, aguarda o próximo grande tempo para dizê-las novamente na esperança de que dessa vez as cumpra. É trivial.

Décima.
Acordaram todos...
alguns não. Preferiram ficar na cama, o grande tempo estava mais próximo ainda de... acabar, finalizar...cair no esquecimento. E o medo fez-se presente no dia a dia deles. Medo não de um fim catastrófico, há muito aprenderam a negar isso e essa negação lhes permitiu continuar destruindo. De qualquer forma estavam perto, de novamente comemorar algo que supostamente deveria lhes trazer... pesar.

Décima primeira.
Acordaram todos infelizes, sem vontade e com medo. Menos de um tempo e tudo seria deixado para trás. Anacrônicos talvez, tentavam neste grande tempo especial, seja o motivo quem sabe, fazer diferente. Temiam um dia em especial, alguns não admitiam, mas sim temiam algo. Sentiam algo, ou que de repente alguma coisa pudesse mesmo acontecer. E o grande medo fez-se presente.

Décima segunda.
Os sinos anunciaram o tempo malogrado... neste caso, o tempo ressurgido.Estava tão longe não? E agora, estavam todos o encarando, temendo e mentalmente dizendo: oras e agora? Chegou, novamente. Sentimentos inefáveis. Menos de alguns dias apenas. E eu pergunto, onde estão as promessas? O grande tempo nunca deveria ser motivo para mudança, especialmente o primeiro tempo do grande tempo. Isso porque, a cada novo grande tempo que vem, os sinos anunciam menos tempo, sim, cada novo grande tempo são menos dias para cada um. E deixamos para afirmar mudanças de todo tipo apenas na passagem para o novo tempo. É errado.

Os sinos do tempo badalaram em seus ouvidos. Os motivos e as atitudes deveriam estar presentes todos os dias de todos os tempos de todo o grande tempo. Lembrar-se deles a cada novo dia, não apenas no dia de passagem.
Se entendeu a metáfora, então entendeu a mensagem. Não temos tempo a perder, não temos, não podemos. Paremos de procurar datas e outras distrações, sejamos a mudança.
Se querem uma dica, leiam Sobre a Brevidade da Vida, de Sêneca. É um livro pequeno e simples, que dita tudo o que hoje a maioria vivencia, detalhe algo escrito milênios atrás.


Inquietações




   Essas inquietações tomam conta do meu ser. Minha mente e meu corpo não descansam e eu procuro distrações para não enlouquecer ou quem sabe perecer.
   As lágrimas não vertem, não permito, é no mais profundo âmago amargo que as liberto. De outra forma, é claro. Meu cognome é dor seguido de frustração. Sou uma obra apócrifa que logo será ainda mais esquecida.
   Batem os sinos da agonia e eu ouço as badaladas da desgraça. Minha estultice revela a imprudência nos caminhos que foram e serão traçados.
   Queria eu debelar a mim mesma e quem sabe anuir essa hipocrisia, obsequiosamente chamo a ''indesejada das gentes'' e suspiro ao perceber que ela me escutou.

"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente em meus umbrais,
''Uma visita'', eu me disse, ''está batendo a meus umbrais''.
É só isto, e nada mais.
(...)
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

__Edgar Allan Poe

Um poema qualquer II

Eu sou a dor da perda
Sou o deflagro da doença
Sou o verme do alimento
Eu não alcanço o sustento

Sou a falha do Universo
Eu sou o erro perverso
Sou a castanha carcomida
Sou uma planta sem vida

Sou tudo de ruim que já brotou
Sou a dor do amargor
Eu sou o corpo do morto vivo
Sou o que restou de um mosquito

Eu sou tudo menos o bastante
Sou a adaga do coração palpitante
Eu sou o mal, a semente da árvore
Eu sou o mal, aquele que te causa entrave.

Aleatórios II

Esse é outro poema que eu fiz com a Rafaela.

“Olhos que choram, a desgraça dos bons;
olhos que veem o declínio dos sãos.
Olhos egoístas que contentam em olhar;
olhos condenados, a só observar.
[…] digo o mesmo das feridas.
Feridas que latejam as consequências do corte;
feridas que doem na carne sem sorte.
Feridas que ardem o buraco do peito;
feridas que lembram cada anseio.
[…] e digo o mesmo das vozes.
Voz que grita a dor do silêncio;
voz que canta a canção do inocente.
A voz que ecoa o trecho da morte
vozes que esperam que nos conforte.
E mais uma vez cantamos…mudos
Não adianta estão todos surdos
Gritamos ao céu uma resposta
Ele rebate, sua voz é estrondosa
Raios e trovões mancham de branco
As trevas cheiram o nosso pranto
Quanta lamúria foi enterrada
No chão sujo de uma palavra mal tratada
Na sua mente ecoa o silêncio do cessar vida
Enclausurou-se sozinha no coração que batia
Em teu peito o anseio do descanso gritou
Socorro! Estou caindo… vamos você falhou.”






Discurso de Formatura

Esse é o discurso que eu fiz para a colação de grau da minha sala, minha amiga quem leu.
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É isso aí. Chegou o grande dia. E não estou falando de ENEM e outros vestibulares. Mas sim o dia do Adeus. Oras, mas qual deles? O Adeus de turma. É  aquele que até entre os fortes causa uma angústia. Nem todos choram, mas todos admitem certo pesar. Logo não seremos mais terceiro ano, seremos formandos e cada um com a sua vida. Com o tempo talvez, vão se apagando as lembranças de nossos tempos escolares, dos colegas ou dos acontecimentos.  As fotos talvez sejam a única lembrança, salvo  aquelas enraizadas na mente. Mas  as amizades verdadeiras feitas naquele âmbito mágico, de fato perdurarão eternamente. Nós brigamos e nós rimos, nos revoltamos e manifestamos. Nós estudamos e brincamos, nós enfim, Vivemos.

E no final das contas, é isso que se resume ser aluno ou estudante. Percorrer um longo caminho aliado de ótimos amigos. Em meio a tantos livros e obrigações encontramos espaço para sentir a vida. Quando olharmos para trás futuramente, sorriremos de verdade por ter tido essa oportunidade. Risadas serão ouvidas pelas ruas ao reencontrar seus amigos, lágrimas cairão dos olhos ao dizer adeus uma vez mais.

 No entanto, agora é o momento de decisões sérias e é prudente pensarmos nisso.  Devemos parar de basear as escolhas nas opiniões de pais, professores e amigos, sabemos que se importam conosco, conselhos são bem-vindos,  porém a decisão do nosso futuro deve ser feita por ninguém menos que nós mesmos. Faça o que você quiser, pois no final você  é quem acaba por escolher
.
A entrega do diploma significa nada menos que um fim de uma etapa, apenas mais uma de várias outras. Como chegamos aqui ? Cabe a cada um responder silenciosamente na própria cabeça. Ninguém aqui sabe da vida do próximo, não sabemos o que você passa em casa, o que você presencia, enfim como é a sua vida fora dos portões da escola. Entretanto, se tem algo que aprendemos como irmãos de classe, é que aqui dentro somos iguais.

Procuraremos a partir de agora, a busca por novas escolhas, novos horizontes, novos caminhos, algo que faremos por nós e por ninguém mais. Se você quer estudar música ou direito faça isso, se quer medicina, corra atrás não importa quantas noites de sono venha a perder. Se quer  filosofia, faça isso. Todos sabemos a pressão que é ser bombardeado de perguntas tais como, já decidiu qual vestibular vai fazer? Ou e agora, o que você vai estudar? Vai para a faculdade? Qual curso? Já pararam para pensar que nem todos querem fazer faculdade? Tem gente aqui que já tem parte da vida planejada e essa não inclui faculdade, e o mais importante essas pessoas estão felizes. É isso que tem ser nossa prioridade. A felicidade, não importa como ela seja. Logo, quebre paredes, derrube os padrões e seja você mesmo. Ousemos uma vez mais, encaremos nosso futuro, ele bate à nossa porta agora e quer entrar, quer nos fazer crer, quer uma chance de mostrar-nos onde podemos chegar. Deixaremos? Sim? Não? A escolha é sua.

Aos professores gostaríamos de dar nossos mais sinceros agradecimentos, afinal de contas, onde estaríamos nós sem a atuação deles? Fizeram-nos estudar, e fizeram-nos rir, e quem sabe às vezes também chorar. Participaram de nossas brincadeiras, atenderam aos nossos pedidos de descanso, mas também nos ensinaram algo valioso, a busca por uma educação melhor. Se tem algo que essa  escola nos passou, foi que há esperança. Basta querermos encontrá-la. E fazê-la crescer no espaço em que vivemos.

Nós, alunos do terceiro ano, gostaríamos de agradecer a presença de todos e principalmente àqueles que nos acompanharam na nossa busca desde o início, por terem nos acompanhando todos esses anos, desde nossos professores, pais e amigos até os diretores, supervisores e vices. Estes com certeza tiveram papel importante na nossa formação, visto que nos proporcionaram a chance de continuar aqui até o fim, e isso sempre da melhor forma possível.
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Um poema qualquer.

Eu sou a ''pedra no meio do caminho''
Eu sou a blusa rasgada, transformada em linho
A dor do tiro no peito
Sou um buraco, cavado em  meio estreito
O gole insípido da bebida mortal
Sou o teu destino, mirado austral
Aquele que você evita,
Não sei, quero que me diga
Eu sou a dor, que me mata e me acorda
Sou uma árvore morta
Inação.
Fui destruído, augúrios foram feitos
Truculência.
Suscitou, o monstro acordou.
Eu sou o remanso, sou o chão em que pisa
Bifurca-me, sim, assim o faz assim o dita
Eu sou a dor, que me mata e me acorda
Esquálida e indolor, é apenas uma corda
Eu sou a dor, eu sou o monstro, eu sou o gole
O gole da morte.

Aleatórios

Este é um poema que eu fiz com uma amiga, a Rafaela Silva.

Sou a folha que cai no outono,
o fruto abortado de uma árvore
inconsequente e inebriante.
Filho bastardo do alvorecer.
Sou um verme terreno,
de falso relento,
rejeitado sem pudor.
De súbito consolo, uma poesia inerte.
Em suma melodia perdida
da falsa demência
como louco, avesso fosse.


Sou a folha que cai no outono
Sou um ser que já morreu
Em meu peito bate algo que faleceu
Sou um verme terreno
Rastejante como uma víbora
Mas ao contrário, minha vida nada explica
De súbito consolo, uma poesia inerte
Escrever ou rabiscar, um ato que se repete
Demente seria eu ? Demente seria o mundo ?
Tento entender, mas fico mudo
Sou um verme terreno
E isso explica minha natureza repugnante
Meu corpo, a adaga de aço tange
São ferimentos; tentaram me fazer sucumbir
Oh, mas esqueceram, eu, há muito já caí
Abrace este verme, ou mate-o de uma vez por todas.


Thays Martins de Paiva e Exorcist-a