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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

As doze badaladas.

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Eram doze badaladas dos sinos do tempo.

Primeira.
Acordaram todos felizes e cheios de vontade. Prontos para mais um ano e prontos a cumprir as promessas feitas há apenas um dia. TAM! Os sinos anunciaram o tempo malogrado, um homem sibilou que deviam continuar que aquilo era só o início. Verteram-se solitariamente, riam e emanavam coragem. Estavam prontos.

Segunda.
Acordaram todos, felizes, mas não tão cheios de vontade. A rotina voltara e algumas promessas foram esquecidas. A maioria tentava não ouvir os sinos, tinha tempo, este não podia ser esquecido. Não dessa vez, estavam no início da ''nova jornada'', olhavam com esgar quem dissesse o contrário. Não tinham o que temer, aparentemente não.

Terceira.
Acordaram todos felizes e a vontade subitamente emanou. Uma data festiva mascarava a realidade que já tentavam levianamente negar.Alentadora e inocente a data os fez felizes por alguns dias. Os dias antes, o dia propriamente dito e um ou dois dias depois. Mas é claro, logo de…

Inquietações

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Essas inquietações tomam conta do meu ser. Minha mente e meu corpo não descansam e eu procuro distrações para não enlouquecer ou quem sabe perecer.
   As lágrimas não vertem, não permito, é no mais profundo âmago amargo que as liberto. De outra forma, é claro. Meu cognome é dor seguido de frustração. Sou uma obra apócrifa que logo será ainda mais esquecida.
   Batem os sinos da agonia e eu ouço as badaladas da desgraça. Minha estultice revela a imprudência nos caminhos que foram e serão traçados.
   Queria eu debelar a mim mesma e quem sabe anuir essa hipocrisia, obsequiosamente chamo a ''indesejada das gentes'' e suspiro ao perceber que ela me escutou.

"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente em meus umbrais,
''Uma visita'', eu me disse, ''está batendo a meus umbrais''.
É só isto, e nada mais.
(…

Um poema qualquer II

Eu sou a dor da perda
Sou o deflagro da doença
Sou o verme do alimento
Eu não alcanço o sustento

Sou a falha do Universo
Eu sou o erro perverso
Sou a castanha carcomida
Sou uma planta sem vida

Sou tudo de ruim que já brotou
Sou a dor do amargor
Eu sou o corpo do morto vivo
Sou o que restou de um mosquito

Eu sou tudo menos o bastante
Sou a adaga do coração palpitante
Eu sou o mal, a semente da árvore
Eu sou o mal, aquele que te causa entrave.

Aleatórios II

Esse é outro poema que eu fiz com a Rafaela.

“Olhos que choram, a desgraça dos bons;
olhos que veem o declínio dos sãos.
Olhos egoístas que contentam em olhar;
olhos condenados, a só observar.
[…] digo o mesmo das feridas.
Feridas que latejam as consequências do corte;
feridas que doem na carne sem sorte.
Feridas que ardem o buraco do peito;
feridas que lembram cada anseio.
[…] e digo o mesmo das vozes.
Voz que grita a dor do silêncio;
voz que canta a canção do inocente.
A voz que ecoa o trecho da morte
vozes que esperam que nos conforte.
E mais uma vez cantamos…mudos
Não adianta estão todos surdos
Gritamos ao céu uma resposta
Ele rebate, sua voz é estrondosa
Raios e trovões mancham de branco
As trevas cheiram o nosso pranto
Quanta lamúria foi enterrada
No chão sujo de uma palavra mal tratada
Na sua mente ecoa o silêncio do cessar vida
Enclausurou-se sozinha no coração que batia
Em teu peito o anseio do descanso gritou
Socorro! Estou caindo… vamos você falhou.”






Discurso de Formatura

Esse é o discurso que eu fiz para a colação de grau da minha sala, minha amiga quem leu.
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É isso aí. Chegou o grande dia. E não estou falando de ENEM e outros vestibulares. Mas sim o dia do Adeus. Oras, mas qual deles? O Adeus de turma. É  aquele que até entre os fortes causa uma angústia. Nem todos choram, mas todos admitem certo pesar. Logo não seremos mais terceiro ano, seremos formandos e cada um com a sua vida. Com o tempo talvez, vão se apagando as lembranças de nossos tempos escolares, dos colegas ou dos acontecimentos.  As fotos talvez sejam a única lembrança, salvo  aquelas enraizadas na mente. Mas  as amizades verdadeiras feitas naquele âmbito mágico, de fato perdurarão eternamente. Nós brigamos e nós rimos, nos revoltamos e manifestamos. Nós estudamos e brincamos, nós enfim, Vivemos.
E no final das contas, é isso que se resume ser aluno ou estudante. Percorrer um longo caminho aliado de ótimos amigos. Em meio …

Um poema qualquer.

Eu sou a ''pedra no meio do caminho''
Eu sou a blusa rasgada, transformada em linho
A dor do tiro no peito
Sou um buraco, cavado em  meio estreito
O gole insípido da bebida mortal
Sou o teu destino, mirado austral
Aquele que você evita,
Não sei, quero que me diga
Eu sou a dor, que me mata e me acorda
Sou uma árvore morta
Inação.
Fui destruído, augúrios foram feitos
Truculência.
Suscitou, o monstro acordou.
Eu sou o remanso, sou o chão em que pisa
Bifurca-me, sim, assim o faz assim o dita
Eu sou a dor, que me mata e me acorda
Esquálida e indolor, é apenas uma corda
Eu sou a dor, eu sou o monstro, eu sou o gole
O gole da morte.

Aleatórios

Este é um poema que eu fiz com uma amiga, a Rafaela Silva.

Sou a folha que cai no outono,
o fruto abortado de uma árvore
inconsequente e inebriante.
Filho bastardo do alvorecer.
Sou um verme terreno,
de falso relento,
rejeitado sem pudor.
De súbito consolo, uma poesia inerte.
Em suma melodia perdida
da falsa demência
como louco, avesso fosse.


Sou a folha que cai no outono
Sou um ser que já morreu
Em meu peito bate algo que faleceu
Sou um verme terreno
Rastejante como uma víbora
Mas ao contrário, minha vida nada explica
De súbito consolo, uma poesia inerte
Escrever ou rabiscar, um ato que se repete
Demente seria eu ? Demente seria o mundo ?
Tento entender, mas fico mudo
Sou um verme terreno
E isso explica minha natureza repugnante
Meu corpo, a adaga de aço tange
São ferimentos; tentaram me fazer sucumbir
Oh, mas esqueceram, eu, há muito já caí
Abrace este verme, ou mate-o de uma vez por todas.


Thays Martins de Paiva e Exorcist-a