Inquietações




   Essas inquietações tomam conta do meu ser. Minha mente e meu corpo não descansam e eu procuro distrações para não enlouquecer ou quem sabe perecer.
   As lágrimas não vertem, não permito, é no mais profundo âmago amargo que as liberto. De outra forma, é claro. Meu cognome é dor seguido de frustração. Sou uma obra apócrifa que logo será ainda mais esquecida.
   Batem os sinos da agonia e eu ouço as badaladas da desgraça. Minha estultice revela a imprudência nos caminhos que foram e serão traçados.
   Queria eu debelar a mim mesma e quem sabe anuir essa hipocrisia, obsequiosamente chamo a ''indesejada das gentes'' e suspiro ao perceber que ela me escutou.

"Numa meia-noite agreste, quando eu lia, lento e triste,
Vagos, curiosos tomos de ciências ancestrais,
E já quase adormecia, ouvi o que parecia
O som de alguém que batia levemente em meus umbrais,
''Uma visita'', eu me disse, ''está batendo a meus umbrais''.
É só isto, e nada mais.
(...)
"Que esse grito nos aparte, ave ou diabo!", eu disse. "Parte!
Torna á noite e à tempestade! Torna às trevas infernais!
Não deixes pena que ateste a mentira que disseste!
Minha solidão me reste! Tira-te de meus umbrais!
Tira o vulto de meu peito e a sombra de meus umbrais!"

__Edgar Allan Poe

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