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Mostrando postagens de 2013

Morte ao Natal

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Um banco no meio do campo.
Uma menina.
E sentada no banco ela sorria.

(I found myself in pieces )

E o banco era branco
O mato balançava verde
O vento insistia
E ela sorria

( I found myself dead )

E de repente, alguém do nada surgiu
E ela no seu íntimo
Depois de fechar os olhos pediu

( pediu que fosse aquele alguém )

Mas em uma noite fria e silenciosa a Lua brilha sozinha. As estrelas a abandonam no céu negro. Não conseguimos enxergar nada, pois nossos olhos estão cegos de falsidade. Na Véspera é tudo alegria,vestidos  bonitos e ternos, comida e abraços, mas logo tudo é esquecido. As dores voltam e a rotina é normal. As contestações farão parte novamente e as promessas são mais que esquecidas. São enterradas em um baú em baixo da Terra que um dia glorificamos. Nós olhávamos para ela e costumávamos dizer que ela era boa para plantar e dar de comer...Mas hoje ela é feita de concreto e o baú está mais que enterrado, ele está soterrado em cimento frio.
Mas a menina lutou contra  a força mal…

Sobre a ausência

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O que encontro é Ausência. Perdida e desconsolada. Uma ausência de mim mesma. Pouco compreendo a seu respeito, mas ... Respeito. Admiro. A ausência não é falta, mas sim presença. Um paradoxo perfeito, visto que ela se perde em mim, mas é nela que me encontro. Ao saber que algo falta busco-o incessantemente. Mesmo sem de fato encontrar... satisfaço-me, pois... sei que busquei e, por algum momento minha deplorável pessoa teve uma razão...Motivo.
Entristeço-me ao saber, porém, que perdi algo... Os algos que costumo perder em geral voltam...Em pensamentos dolorosos de martírio. Infelizmente é somente dessa forma que voltam.
A ausência de meu ser é o algo mais angustiado que cheguei a perder. O espelho é uma arma mortal. O tempo é uma arma fatal. Eu tento ininterruptamente entender a razão de como cheguei aqui, sem saber quem sou nem porque sou. Uma vez que permito meu descanso,sorrio, mas é em vão. A ausência mostra-se presente novamente. Por fim, depreendo que é essa bucólica razão que…

Ode I

Não quero estar aqui nem lá, pois onde quer que eu vá essa dor e  pensamentos irão me acompanhar. Tento em vão, não chorar, mas todas as vezes que eu impedi as lágrimas de caírem , por fim decidiram se voltar contra mim...todas de uma vez. Cada coisa que faço perde o sentido quando as lembranças fazem-se presentes e meu ser morre novamente quando penso nos erros...tantos erros. O que mais machuca é pensar que jamais poderei redimi-los e esse jamais tem seu sentido mais amplo e maior, concreto e duro, triste e amargo. É doloroso. Meu único pedido: tire essa dor de mim! Mas você não pode, ninguém pode e isso me mata. Esse simples fato acaba com qualquer esperança que um dia eu vislumbrei de ficar realmente bem. Eu quero arrancar de meu peito esse coração, não porque ele sente, mas porque ele mantém esse meu corpo corrupto e vergonhoso vivo. Através da escrita tento matar essas angústias, passar os pensamentos para um papel qualquer...Mas não dá, não dá! Que coisa horrível é essa. Deve …

Sobre os escombros

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Rastejo-me pelos escombros de mim mesma. O que restou de algo que um dia viveu.
Caminho através das lápides que foram formadas em minha mente, suja e sem ideias, minha mão que nada constrói roça cada uma delas, são frias como mármore, são frias como eu.
E meu corpo, sujo e sem esforço que eu incito a levantar; a rastejar através do que restou do mundo.
E eu, solitária ergo a mão clamando por ajuda, imploro por perdão,mas o que recebo são pedras; prontas para se infiltrarem em meu corpo frágil, machucado pelo tempo.
Em meu estômago algo se revira e não são borboletas, são escaravelhos negros, cujos olhos emitem a luz da Morte. Eu regurgito tudo o que ousa me ferir, mas é em vão, pois o que me fere tem nome.Coisas nomeadas são mais difíceis de destruir, pois sabem que tem valor e querem lutar.
E os nomes que insistem em perguntar. Esperam que eu cuspa as nomenclaturas do destino, mas eu não posso, pois minha boca está seca de algo amargo; jogaram sal na minha ferida e agora eu grito a …

Volta súbita e reflexões de rede

De fato, a escrita é algo intrínseco a mim. Não importa o quanto eu me questione a respeito da mesma, nunca a abandonarei.

Não devem se contabilizar trinta dias desde o dia da ''desativação'' do blog. Percebi nesse pouco tempo que ler e escrever são duas ações as quais não consigo viver sem. Mesmo sem o blog eu escrevia em papeis soltos, em cadernos esquecidos, escrevia na minha mente solitária que vagava em mundos distantes.



E entre provas e trabalhos da faculdade eu encontrava um tempinho para ler livros que não me eram pedidos, para estudar coisas que não eram obrigatórias, digo obrigatórias no sentido - grade curricular - ,pois não vejo a faculdade como uma obrigação, mas sim como um lugar incrível onde tenho a oportunidade de aprender muito de variadas formas.

Enfim,decidi que com ou seu blog eu sempre irei escrever. De fato, dediquei algumas horas à formatação de meu livro -coisa que vez por outra não encontra tempo-, bem como ao acréscimo de outras palavras e…

Desativando o Blog

O Blog estará desativado por um tempo. Não acho que tenha essa opção no Blogger, digo, seleção de sumir com a página como a gente pode fazer com perfis de twitter e facebook, por exemplo. Então é apenas um aviso de que não haverá postagens novas tão cedo.

Outuvembro

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"Outubro  como sangue rubro Outubro como eu obscuro"
"Que venha Novembro e que seja lento como o mar pois o rio corre o mar não sobe ele escorre Que venha Novembro e que seja denso como eu sereno Novembro precede o tempo final  e doloroso Novembro que seja lento"
-Neil Harris Lockbant


Sobre a felicidade

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É bem mais fácil ser triste. Tentar ser feliz o tempo exige muito esforço de nós. 
Deixar a tristeza te domar é tão mais prático, uma vez que ela chega silenciosa e toma conta do seu corpo e mente de uma forma tão simples. Ao contrário da felicidade que insiste em se esconder de nós, nos força a correr atrás dela. E quando a encontramos ela parece não querer parar na nossa mão, fica oscilando entre ir e ficar. Ela nos poda, nos cansa ao invés de nos extasiar. Felicidade que de feliz nada tem. 
O curioso é : justamente a Felicidade que é muitas vezes o motivo de tantos desprazes na vida do ser humano. A sociedade criou os parâmetros da felicidade e os humanos ingênuos insistem em segui-los. Logo, era de se esperar que cedo ou tarde tantas angústias seriam o final de antes começos inocentes em busca da vangloriada felicidade. 
E não adianta tentar ser o melhor dizendo que é feliz de verdade. Acredito que ninguém é, de fato.  E eu não compreendo como conseguimos dar continuidade a tudo…

Desaniversário*

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Comemoração! Balões! Vivas e Alegrias! Mas quem disse que há jovialidades ?  O Bolo é gorduroso, os livros não bastam, a pele está se deteriorando e os órgãos estão cansados. Lembram-se apenas em um dia, porém, isso não importa. O que queria é o Nunca.  Queria  a sua Terra. Os Presentes não param (n)o tempo, tão pouco o retardam, os ensejos estão tão distantes, uma vez que também não satisfazem. Não são tantos para saciar sua sede de Eterna.
Um Dia Como Outro Qualquer!
Não fosse certa contagem. Quantos números ainda restam ? O Imortal, somente o papel de ferro que ei de encontrar. Tinta permanente! Mas sai com o tempo. Tudo sai, tudo morre, tudo pode ser lavado pela água da vida, pelo cristal do tempo. O cravar com cera quente, no entanto...quem sabe, poderia ser a solução e nada mais, nada mais.
Um Dia Como Outro Qualquer!
Mas não é, tão assustador é, porém, que chega a sentir o coração acelerar no momento, impetuoso instante, que o relógio Se marca em sua metade de Doze. Os olhos a…

Morte Serena

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"Pensei grande Falei pequeno Sonhei gigante Morri sereno" Poeta da Dor




Poética
"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando."

                    -Vinicius de Moraes

Moça

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Moça, de corpo esculpido
De mente aberta e feliz
Moça, bonita e perfeita
não faz nenhuma desfeita
E sorri
A moça que eu vi
mais bonita não há

Com longas madeixas
negras, como as inscrições
no seu corpo branco
Moça, de olhos verdes
e boca pequena

A mão move lenta
a página do livro
faz virar, o que  faz viver
Moça, tão linda e perfeita
que eu nunca quis ser.


Borboletas

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Antes fôssemos como as flores
Que apenas crescem e morrem
Antes fôssemos assim, simples
Como as águas que apenas correm

Tão complicados somos nós
Que mal consigo (des)escrever
Tão tristes seres somos
Que nem consigo mais viver

Porque não como as borboletas livres
Que voam e findam em um dia
Porque não como os pássaros
Que não decidem quem vai quem ia

Como a grama verde que marrom fica
E não questiona, apenas abandona-se
Como o vento que canta e faz sorrir
As árvores sorriem, sem querer cair

Porque haveríamos nós de ser assim
Tão tristes, tão complicados, tão cheios de si
Porque somos amaldiçoados, ó ser humano ruim
Somos o sentir e isso nos destrói, destrói sim.

Perco-me entre tantos questionamentos da raça
Não sei porque tão pouco para que ser
Sei que somos, mais que isso não, apenas falácia

E agora;
Acaricio a grama morta
Beijo borboleta marrom
E canto com pássaro que não foi.
13.08.13






Matamos o Amor

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O amor não morreu, não
Eu o matei, ranquei-o do meu coração

As rosas murcharam, ficaram feias
Injetei veneno em minhas veias

As folhas de outono caem com velocidade
E assim eu recusei a saudade

As notas na pauta não mais pintam os quartos
A clave de sol morreu, libertou-se dos fatos



As cordas do violão foram arrebentadas
Enterradas, no meu túmulo, contra mim estão amarradas

As páginas estão amarelas, velhas e mortas
Eu, esquecida e abandonada, como as rosas

A chuva fere e maltrata, insólita cai
Faz chorar, mas não permite nenhum ai

A fênix desfaleceu, mas não renasceu da cinza
Não queria, não tinha força, sentiu que estava fria

( O mundo parou de girar
E eu cansei de tentar )

O problema do Sol era querer muito brilhar
O problema da Lua era não saber amar

As estrelas imorredouras do espetáculo
Perderam o valor, e com elas perdida eu parto.


Estandarte

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Ela rasga teu corpo devagar
Pode não matar
Mas sabe machucar

Seus olhos ficam negros de dor
Não espanta o amargor
Tão pouco tira o rancor

Seu corpo pede outro corpo
Mas recebe um tiro tosco
Está feito, vê! Esse é seu fosso

Mas que coisa é essa que faz estafar seu peito
Coisa que tem nome, mas esconde-se sob o seio

Conhecê-la aumenta a injúria da verdade
Essa coisa saudade, que faz-me erguer o estandarte

A bandeira da clemência que eu peço à saudade
Por favor, deixe a dor passar, por favor , pare!

06.08.13

Sem cor

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Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento,
Que em suas fronteiras células guarda!

Tarda-lhe a Idéia! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento
                         (...)
                 [ANJOS, Augusto dos. O martírio do Artista ]

                    Perco o número de vezes em que recorri aos livros, aos autores e seus escritos. Perco a conta de quando as palavras de outros fizeram-se minhas diante da minha incapacidade em escolher as melhores palavras.
                    A arte de escrever, de pintar o papel de negro quando a dor é presente e quem sabe um pouco de amarelo, pinceladas de amarelo quando um pouco de alegria surge, porém pincela-se no papel vermelho, vermelho do sangue escorrido da rosa.
                    A rosa que foi despedaçada, rasgada pelos escritos da minha mão tosca que eu forço a colorir minha inútil vida …

31 de Julho - Feliz Aniversário J.K e Harry !

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Queria eu poder encontrar uma fênix e pedir a ela que chorasse em meu coração e dessa forma curasse a dor que ainda sinto por saber que não mais terei livros do Harry Potter. Não ouso dizer que choro porque acabou, pois bem sabemos nós que nunca acabará, cada Potterhead é uma horcruxex e enquanto houver potterheads HARRY POTTER estará vivo. Mas choramos pelo tempo que passamos juntos e sabemos que nunca voltará. Choramos por ter a certeza de que nosso amado Harry cumpriu a missão e pode seguir com sua vida, mas nós ficamos à merce do sofrimento e da angústia de não poder seguir com ele.

Mesmo que toda essa dor faça parte de mim dia após dia, estou aqui para homenagear duas importantes pessoas: J.K Rowling - mãe fora dos livros de Harry Potter -, e o próprio Harry.

Completam hoje (31.07.13) 47 e 33 anos e quem diria que o tempo passava tão rápido. Sei que como ela disse, sempre poderei retornar à Hogwarts e que essa estará a minha espera, mas ainda sinto um pesar por saber que os livr…

A menininha

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Havia algo de triste na chuva. Ela não lavava apenas as ruas como sempre fez, mas simplória e silenciosa desviava seu curso natural e pairava nas casas quietas. Casas que estavam preenchidas pelas vidas inócuas de pessoas sem vontade. A chuva descansava de sua viagem do céu nos telhados, nas janelas, nos jardins...Nos vidros.
Havia algo de triste no cair das gotas, como se não bastasse molhar os vários guarda-chuvas abertos, ela queria mantê-los junto dela, de modo que não caia com rudez, mas era leve como uma pluma.O céu estava triste e a chuva desejava pintar as calçadas imundas com novas cores, cores das lágrimas dele.
No entanto, uma garotinha sorria atrás do vidro da janela de sua casa velha. O nariz encostado na vitrine gelada, as mãos pousadas na mesma e os dentes - alguns para nascer - coloriam a vista de quem olhava do lado de fora. Ela não queria deixar seu lugar no sofá bege, um pouco desgastado, mas ainda confortável. De pé no lugar de sempre, ela ficaria ali até que o ú…

25 de Julho - Dia do Escritor

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 "Quando os escritores morrem, eles se transformam nos seus livros. O que, pensando bem, não deixa de ser uma forma interessante de reencarnação." Jorge Luis Borges  
           "As palavras são na minha humilde opinião nossa maior fonte de magia" J.K Rowling

     Não é a primeira vez que cito essa frase que a Rainha disse por meio de nosso amado Dumbledore, mas pensei que mais uma vez ela seria totalmente adequada. Hoje, dia 25 de Julho é o Dia do Escritor e qual a melhor maneira para uma pessoa como eu ( aspirante escritora) prestar homenagem a todos os Escritores senão escrevendo ? Então, vamos lá!

"Não se é escritor por ter escolhido dizer certas coisas, mas sim pela forma como as dizemos." Jean-Paul Sartre
     Meu querido e sábio Sartre mais uma vez disse as palavras certas. Quantas e quantas vezes perdi-me nos livros, nas palavras de outras pessoas e em mundos criados por outros ? Quantas  vezes ao ler determinado trecho chorei, ri, cantei e avent…

Prólogo do livro - Joe Lowis e o chamado da meia-noite

Esse é o prólogo do meu livro mais precioso. Será uma quadrilogia e agora percebi que o primeiro livro está quase pronto. Pois é, fiquei tanto tempo focada no começo, meio e no clímax da história que nem me dei conta de que já posso finalizá-lo. Mas ainda tem muita coisa pra acontecer, dentro do livro e fora dele. Portanto, ainda que esteja quase pronto ele não está quase pronto. Complicado, mas acabei tendo outras ideias e com a faculdade voltando no segundo semestre terei pouco tempo para me dedicar , ao menos tanto quanto eu queria. Enfim, J.K Rowling levou 7 anos para escrever Harry Potter e a Pedra Filosofal, e J.R.R Tolkien 12 para escrever a obra completa SDA, logo tenho 4 anos a meu favor seguindo a Rainha ( Ao menos para o primeiro livro rs ) e 9 seguindo Tolkien ( para os outros quatro rs ) 

X

 "Era uma dor incapaz de ser sentida por humanos ou qualquer criatura que não fosse... Como ele. Era algo que subia e descia desde as costas até sua cabeça. Em seguida essa mesma d…

A criatura Parte III

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Texto feito em parceria com Exorcist-a. Você pode ler a Parte I e Parte II Aqui Aqui 

O anjo-demônio sorriu e abriu os braços. Abriu as asas enquanto a moça mantinha-se parada. A criatura caminhou lenta e graciosamente.Mas ela não se mexia. O que aconteceu com sua força? Talvez, a escuridão de trevas da noite não a tivesse permitido olhar de perto o deus que se encontrava ali. A compreensão de onde toda a beleza do mundo haveria de ter saído. Mas ela agora sabia que amor nenhum podia existir no peito daquela criatura. Tudo o que ele queria era simplesmente o corpo dela. Não promiscuamente, mas sim para o sacrifício. Uma vez que o anjo-demônio de sentimentos angelicais nada tinha, o sacrifício de um ser humano com uma descendência de necromante o faria ser um demônio completo não apenas um anjo caído, condenado ao inferno. Afinal de contas, nada como algo maligno para aumentar um pouco a adrenalina na mais nova vida da criatura. Ele gostava do proibido. Gostava de brincar com as pes…

A criatura - parte II

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Texto feito em parceria com Exorcist-a . Você pode ler a Parte I Aqui .

O garoto estava aterrorizado. Era possível enxergar o medo emanar de seus olhos grandes e castanhos. A criatura não disse nada até o momento em que o garoto saiu de sua posição e virou-se para o ser monstruoso, mas estonteantemente belo que se encontrava à frente.__Você. __ sussurrou o ser, abaixando as asas e se agachando para ficar na altura dos olhos do garoto agora ajoelhado.__S-sim. __ disse o garoto evitando contato visual. Por mais brilhantes que os olhos negros da criatura fossem, era horrível olhar para eles. Como se toda a sua dor explodisse dentro de si ao fixar-se naqueles olhos perolados.
__Preciso de sua lealdade.__ retorquiu a criatura. Levantou-se e puxou o garoto pelos cabelos. Arrastou-o e o jogou na cama. A seda vermelha se desmanchou. O garoto estava para sucumbir ao próprio medo. __C-c-claro. O que quer que eu faça?__ gaguejou mais uma vez. __Preciso de um sacrifício. E você irá encontrar a pes…

15 de julho - Dois Anos Sem Harry Potter

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Hoje dia 15 de julho de 2013 fazem exatos dois anos desde que Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II foi lançado nos cinemas. Fazem dois anos que os corações dos Potterheads choram a dor de não poder esperar mais nenhum filme, mesmo sabendo que não haverá mais nenhum livro sobre o nosso bruxo  desde 2007. No dia 21 de julho  de 2007 Harry Potter e as Relíquias da Morte - livro - estaria sendo lançado, logo em 2013 fazem seis anos desde que o menino que sobreviveu cumpriu sua missão, de fato.

Lembro-me exatamente do dia em que enxerguei o exemplar de Harry Potter e a Pedra Filosofal na estante da minha tia em Belo Horizonte. Eu estava passando férias lá - tinha 10 anos-, e estava à procura de algo para ler e passando o dedo pequeno pelos livros grandes eu vi o livro que eu ganharia de presente dela. Eu já conhecia o filme, mas como morava em uma cidade pequena adquirir qualquer livro era um pouco mais complicado que hoje onde a internet faz seu papel. Naquela época viajar para …

Obsoleta

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Havia uma idosa sentada na varanda de sua velha casa. Uma casa pintada há anos, com cores já tão esquecidas quanto o homem que as pintara. O branco das paredes há muito tornara-se um amarelo quase marrom, um marrom podre e sem vida. Ela balançava em sua cadeira. A velha cadeira forjada pelas mãos de seu filho, hoje morto em guerra, mas morto antes em sua mente, que tão pouco se lembrava daquela fisionomia desde sua partida para cumprir um seu suposto dever patriota. Para frente e para trás ela balançava na esperança de que o próximo embalo a levasse para outro mundo. Desconhecido e novo. Um mundo de sonhos. O corpo cansado e fastio pela idade não colaboravam, e ela passava todo o seu tempo imóvel, e o passaria até o último instante de sua vida. Vivia nesse marasmo, como se não houvesse outro ofício que não o balançar estático de sua cadeira, metáfora suja de sua vida. Levantou-se de súbito. Caminhou em direção ao quarto, o último cômodo da casa, ao lado da porta que saía para o quin…

Narcóticos

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Um baile que dançava sozinho. O ralo do banheiro era a porta de saída de um ser desconhecido. Um ser que habitava minha mente solitária. Esse ser eu nunca cheguei a conhecer, pois o expulsava a cada novo banho. Era um ser que vivia somente na minha cabeça, mas ao chorar eu o mandava embora. E era um baile, pois dançava sozinha a música do meu furor. A música da minha armagura. Ociosamente eu cantava, tentava entender meus próprios pensamentos. Na música, pensava eu ser capaz de exumar a solidão que abarcava em um lugar dentro de mim de vez em quando.

         Mas não foi nos arranjos perfeitos de notas chorosas do piano que encontrei essa compreensão. Foi nas tintas mal pintadas, dos cadernos mal feitos de minha vida. Nos meus próprios rabiscos chamuscados de dor que encontrei a razão. Os papéis vez por outra eram encontrados jogados no chão limpo, mas sujo de palavras esquecidas de minha casa. Os papéis voavam. Fugiam de mim, pois eu os feria com minhas palavras.
       O narcótico. …

Eremitar-se

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Eremitar-se : do meu vocabulário: ato de isolar-se, abandonar o lugar de convívio, deixar para trás tudo o que um dia pensou que fazia sentido.

O melhor mesmo seria isso, não ? Abandonar esse mundo louco e cheio de pessoas insanas. Afinal, não faz sentido, ou faz ? Acho que não. Caminhas solitária de qualquer forma e quando encontra algo que supostamente deveria livrar-lhe do martírio, veja só... Ficas triste.

Eremitar.

Sozinha em uma ilha onde ninguém haveria de lhe soturnar. Deixaria para trás tudo o que viveu e construiu ? Oras, mas todos iremos. A morte leva tudo. Nos nadifica. Que diferença faria se permitíssemos nossa mente mesma fazê-lo ?

Eremitar

Quem sabe. Quem sabe. São tantos 'Ses'. Onde está seu livro agora ? Não seria onde está seu Deus ? Pois é o mesmo O meu livro a meu ver, nem ele foi capaz de salvar-me. Ao menos, contra essa eremitês ele parece-me incapaz. Onde está...Chega de perguntas. Vou retirar-me. Para onde tão pouco sei. Acho que por hora, retirar-me-ei…

Destruídos pelas bombas da própria nação

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"De tanto ver triunfar a maldade,
De tanto ver crescer as injustiças,
De tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos homens,
O homem chega desanimar-se da virtude,
A rir-se da honra
e ter vergonha de ser honesto."
                               Rui Barbosa



Hoje milhares de pessoas estão nas ruas. Nas capitais do país estão protestando. Contra vinte centavos. Vinte centavos ? É sério ? Não ria desses vinte centavos. Há muito mais revolta por trás deles do que você pensa.

Estou aqui hoje para me revoltar. Não como os que estão lá fora brigando, gritando enfim, protestando nas ruas. Eu me revolto através das palavras, que como já disse minha Rainha J.K Rowling - "Palavras são, na minha não tão humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia."

Eu entendo a revolta da população. Entendo mesmo. Há uma inversão de prioridades ocorrendo. A alegria da Copa ser sediada no país verde e amarelo passa a dar lugar a uma cólera que tem como razão o uso do dinheiro público para '…

De que valeu ?

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"Um vitória não apaga mil fracassos."



Escritos de outras eras, ainda refletem a dor e o desespero, o fracasso e a frustração. Quem diria que depois de tanta luta, eu voltaria para o chão ? Sempre as mesmas palavras, não se cansa disso ? Hein ? Responda, ou já não pode mais ouvir  ?

Nunca irião entender. É uma lei essa afirmação. Vencemos ? Quem te disse isso ? Aqueles ? Os outros  ? Você mesmo ? Acredita nisso que diz ? Que há motivo e tudo mais ? É mentira, amigo. É mentira. Não há. Você perdeu, nós perdemos. Fomos estraçalhados. Jogados no mar de tubarões.

O seu lugar não é aqui, ainda não entende isso ? Tempo ? Quem disse que você tem tempo ? Está morrendo como todos os outros. A diferença é que você morre sem razões. Os outros. Ah, os outros. Sempre serão...Os outros.

Quando é que vai colocar na sua cabeça que não adianta se esforçar tanto, quando o que quer de verdade nunca poderá ser alcançado porque outros já fizeram isso ?
Pare de querer encontrar desculpas para s…

Fui-me

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Onde é o seu lugar ?
Pergunto-me se aqui devo ficar
Onde é o meu lugar ?
Pergunto-me se aqui devo morar

Tão pouco sei agora sobre tudo
Tão pouco eu sabia
Nunca soube
Nunca ia

E agora pergunto-me se tentaria
Se continuaria
Se eu iria

E agora eu deito a cabeça
Em um travesseiro morno
Da fumaça do fosso

E de tanto almejar
Acabei por não alcançar
O que queria
O que deveria

Não compreendo
Meu eu
Foi-se.
Fui-me.
Perdi-me.