19 de dezembro de 2013

Sobre a ausência

O que encontro é Ausência. Perdida e desconsolada. Uma ausência de mim mesma. Pouco compreendo a seu respeito, mas ... Respeito. Admiro. A ausência não é falta, mas sim presença. Um paradoxo perfeito, visto que ela se perde em mim, mas é nela que me encontro. Ao saber que algo falta busco-o incessantemente. Mesmo sem de fato encontrar... satisfaço-me, pois... sei que busquei e, por algum momento minha deplorável pessoa teve uma razão...Motivo.
Entristeço-me ao saber, porém, que perdi algo... Os algos que costumo perder em geral voltam...Em pensamentos dolorosos de martírio. Infelizmente é somente dessa forma que voltam.

A ausência de meu ser é o algo mais angustiado que cheguei a perder. O espelho é uma arma mortal. O tempo é uma arma fatal. Eu tento ininterruptamente entender a razão de como cheguei aqui, sem saber quem sou nem porque sou. Uma vez que permito meu descanso,sorrio, mas é em vão. A ausência mostra-se presente novamente. Por fim, depreendo que é essa bucólica razão que faz de mim... eu mesma.



"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
- Carlos Drummond de Andrade

Não lastimo a ausência, até mesmo porque não haveria lastimas suficientes. Por isso, acolho-a nesse momento mórbido e sorrio junto dela. Ausência. Fazes parte de mim e por ter-te como minha que consigo resistir. A que não sei, contra quem desconheço.Sendo eu herege recuso-me a admitir que um dia fez-me chorar. Um dia que tem por sinônimos ontem e hoje. E ausência ? Lembre-se, "ninguém a rouba mais de mim " eu te cravei na minha pele, no escarro do meu coração, te pintei na minha própria razão. Ausência ?
Ausência ? Aonde você foi ?

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13 de dezembro de 2013

Ode I

Não quero estar aqui nem lá, pois onde quer que eu vá essa dor e  pensamentos irão me acompanhar.
Tento em vão, não chorar, mas todas as vezes que eu impedi as lágrimas de caírem , por fim decidiram se voltar contra mim...todas de uma vez.
Cada coisa que faço perde o sentido quando as lembranças fazem-se presentes e meu ser morre novamente quando penso nos erros...tantos erros. O que mais machuca é pensar que jamais poderei redimi-los e esse jamais tem seu sentido mais amplo e maior, concreto e duro, triste e amargo. É doloroso.
Meu único pedido: tire essa dor de mim! Mas você não pode, ninguém pode e isso me mata. Esse simples fato acaba com qualquer esperança que um dia eu vislumbrei de ficar realmente bem. Eu quero arrancar de meu peito esse coração, não porque ele sente, mas porque ele mantém esse meu corpo corrupto e vergonhoso vivo.
Através da escrita tento matar essas angústias, passar os pensamentos para um papel qualquer...Mas não dá, não dá! Que coisa horrível é essa. Deve ser sua vingança, mas dói tanto dói tanto. No entanto, quando penso na dor que sentistes... a minha é mero furo de agulha. Me perdoe, me perdoe! Eu queria acreditar algo, em algo que fosse capaz de me curar como eu fui incapaz de fazer com você. Oh, eu queria ter algo em que me firmar. Mas não tenho. Você tinha, por tempos teve a mim, mas eu falhei com você e você teve que procurar outros enquanto eu estava lá...esquecendo você. Isso dói tanto. Pensar, pensar, pensar! Porque insisto nisso ? Quero arrancar meu cérebro, quero massacrá-lo com minhas mãos.
Toda a dor que você sentiu por tanto tempo está se voltando contra mim e mesmo assim ainda não é o bastante. Sou de Trevas e elas deverão me consumir, fazer-me sofrer como você sofreu. E no fim, morrerei sozinha como você, me perdoe, me perdoe, me perdoe! Eu sei que mereço, mas agora estou mais sozinha ainda, pois ninguém compreende o que estou sentindo! 
Espere! Com você também era assim não ? Sim, sim, sim! Que coisa horrível que eu sou.Não mereço nenhuma respiração ou misericórdia. Só mereço a dor que causei. E ainda causo.
Peço um castigo definitivo, mas não o terei, nem isso eu mereço! Sou um monstro, eu matei você...Eu matei você!!! Eu a deixei ir, sem dizer adeus, sozinha, sem amor...sem mim!




Jolly
13.04.13

PS: apesar do texto ser dedicado a Jolly, o sentimento doloroso que ele expressa se aplica muito aos dias de hoje, não apenas na dor da perda, mas da completa dor que faz parte de meu atual ser. Não consigo exumá-la de mim e isso é ... horrível.
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26 de novembro de 2013

Volta súbita e reflexões de rede

De fato, a escrita é algo intrínseco a mim. Não importa o quanto eu me questione a respeito da mesma, nunca a abandonarei.

Não devem se contabilizar trinta dias desde o dia da ''desativação'' do blog. Percebi nesse pouco tempo que ler e escrever são duas ações as quais não consigo viver sem. Mesmo sem o blog eu escrevia em papeis soltos, em cadernos esquecidos, escrevia na minha mente solitária que vagava em mundos distantes.



E entre provas e trabalhos da faculdade eu encontrava um tempinho para ler livros que não me eram pedidos, para estudar coisas que não eram obrigatórias, digo obrigatórias no sentido - grade curricular - ,pois não vejo a faculdade como uma obrigação, mas sim como um lugar incrível onde tenho a oportunidade de aprender muito de variadas formas.

Enfim,decidi que com ou seu blog eu sempre irei escrever. De fato, dediquei algumas horas à formatação de meu livro -coisa que vez por outra não encontra tempo-, bem como ao acréscimo de outras palavras e trechos ao mesmo.

A diferença entre desativar ou não o blog é que poucos ou nenhum iriam ler o que escrevi. Como gosto de ouvir a opinião das pessoas a respeito do que coloco no papel cheguei à conclusão que desativar não era exatamente a solução, eu precisava apenas aceitar a mim mesma como escritora, aprender a gostar do que escrevo independente da opinião alheia, aceitar que existem diferentes estilos de escrita e escritores. Muito já me foi dito a respeito dessa reflexão, acontece que escritor, poeta, artista é cheio disso, concorda ? Crises e crises...

                                                                                  X

As redes sociais hoje podem ser vistas através de dois ângulos bem óbvios: um primeiro, ruim, péssimo, faz os jovens e crianças ficarem mais idiotas, uma vez que esquecem da vida e dos estudos entre tantos outros motivos que as pessoas sensatas encontram para criticar as redes. E um segundo, bom, ótimo o qual especialmente nós artistas ( no meu caso, escritora ) podemos divulgar nosso trabalho de uma forma que há vinte anos seria impossível. Nós podemos ter contato direto com o leito e saber de sua opinião, adquirimos experiência e conhecimento através disso.

Um dos motivos da desativação do blog, tumblr, twitter e facebook foi uma tentativa de desintoxicação das redes. Na verdade, essa ideia pairava em minha cabeça há um certo tempo, de modo que eu precisava tomar uma atitude e a quase exclusão de tudo foi a solução prévia que encontrei. No entanto, cheguei mais uma vez à conclusão que eu não preciso me desintoxicar de nada, não preciso ser igual a ninguém seja real ou fictício. Preciso ser eu apenas, do meu jeito. Sim, às vezes sinto que perco tempo demais na internet, porém, é algo que mudou e espero que continue assim.


Enfim, enfim e mais enfim. Falei sobre isso e aquilo e resumindo é: o blog está de volta, o face também, o twitter também e o tumblr também. O email nunca saiu, acho que vou criar um instagram e tenho whatsapp no pc, mas na minha cabeça isso não faz de mim uma ''pessoa das redes'' desde que eu não resuma minha vida a elas. E no final das contas o que tem que contar é minha visão, opinião de mim mesma e não a dos outros a respeito de mim! Demorei, mas finalmente aceitei esse fato!
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31 de outubro de 2013

Outuvembro

"Outubro 
como sangue
rubro
Outubro
como eu
obscuro"

"Que venha Novembro
e que seja lento
como o mar
pois o rio corre
o mar não sobe
ele escorre
Que venha Novembro
e que seja denso
como eu
sereno
Novembro
precede o tempo
final 
e doloroso
Novembro
que seja lento"

-Neil Harris Lockbant



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28 de outubro de 2013

Sobre a felicidade




É bem mais fácil ser triste. Tentar ser feliz o tempo exige muito esforço de nós. 

Deixar a tristeza te domar é tão mais prático, uma vez que ela chega silenciosa e toma conta do seu corpo e mente de uma forma tão simples. Ao contrário da felicidade que insiste em se esconder de nós, nos força a correr atrás dela. E quando a encontramos ela parece não querer parar na nossa mão, fica oscilando entre ir e ficar. Ela nos poda, nos cansa ao invés de nos extasiar. Felicidade que de feliz nada tem. 

O curioso é : justamente a Felicidade que é muitas vezes o motivo de tantos desprazes na vida do ser humano. A sociedade criou os parâmetros da felicidade e os humanos ingênuos insistem em segui-los. Logo, era de se esperar que cedo ou tarde tantas angústias seriam o final de antes começos inocentes em busca da vangloriada felicidade. 

E não adianta tentar ser o melhor dizendo que é feliz de verdade. Acredito que ninguém é, de fato. 
E eu não compreendo como conseguimos dar continuidade a tudo dessa forma. Nos enganando, nos iludindo. A desculpa que usam é a de que a felicidade é relativa e defini-la é complicado demais e talvez até impossível. Besteira. O fato é, não querem encarar a verdade de que essa tal de felicidade foi inventada para que as tristezas da vida pudessem ser amenizadas, digo, mascaradas.

É bem mais fácil ser triste. Muitas vezes... bem mais bonito. Gente feliz não é bonito. Ao menos, não para quem olha de fora. A tristeza pode não ser bela em sua essência, mas de alguma forma ela é... curiosa, ela é ... instigante, sabe ? A tristeza te força a querer saber o motivo dela. Ao menos, para quem está de fora. 

Entende o que estou querendo dizer ? A incoerência que há entre esses dois opostos simples ? Feliz é aquele que sabe a hora de ser triste. Logo, a todo momento. Não acho certo procurarmos formas de colorir o mundo quando ele nasceu cinza e cresceu preto.

A felicidade é tão egoísta e mesquinha. Ela não se permite doar, ela não aceita ser dos outros. E é tão arrogante e autosuficiente, além de ser egocêntrica ao se achar tão importante e tão mais que os outros que não se deixa fazer parte da vida de ninguém, pois nos julga inferiores. 

A tristeza não. A tristeza é simples, solidária e amarga, mas se deixa provar. Ela é doável, se permite fazer parte de nossas vidas sem contestar nada. Sem hesitar ela gosta de entrar. A tristeza não se diz superior a nada, de modo que ela aceita qualquer um. Ela não é autosuficiente, pois precisa de nós. A tristeza não é arrogante, acolhe a todos sem parcialidade.

Ou seja, a tristeza é simples demais para competir com a felicidade, a felicidade é complicada demais para se deixar domar. Logo, ser feliz é cansativo.








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27 de outubro de 2013

Desaniversário*


Comemoração! Balões! Vivas e Alegrias! Mas quem disse que há jovialidades ? 
O Bolo é gorduroso, os livros não bastam, a pele está se deteriorando e os órgãos estão cansados. Lembram-se apenas em um dia, porém, isso não importa. O que queria é o Nunca. 
Queria  a sua Terra.
Os Presentes não param (n)o tempo, tão pouco o retardam, os ensejos estão tão distantes, uma vez que também não satisfazem. Não são tantos para saciar sua sede de Eterna.

Um Dia Como Outro Qualquer!

Não fosse certa contagem. Quantos números ainda restam ? O Imortal, somente o papel de ferro que ei de encontrar. Tinta permanente! Mas sai com o tempo. Tudo sai, tudo morre, tudo pode ser lavado pela água da vida, pelo cristal do tempo. O cravar com cera quente, no entanto...quem sabe, poderia ser a solução e nada mais, nada mais.

Um Dia Como Outro Qualquer!

Mas não é, tão assustador é, porém, que chega a sentir o coração acelerar no momento, impetuoso instante, que o relógio Se marca em sua metade de Doze.
Os olhos abrem-se, mas não têm para onde olhar, não querem se encarar. Negam-se a ver o rosto que morre, o corpo que não levanta. 

Um Dia Como Outro Qualquer!

Medo e desespero, quantos números ainda restam ? E quantos (des)aniversários valerão à pena  ?  Alguém que queria sorrir. Espere, no entanto, eternamente por ele... Ou não.

Um Dia Como Outro Qualquer!

* Esse neologismo foi por Lewis Carroll em seu romance Alice no País das Maravilhas. O Desaniversário é algo comemorado em qualquer dia do ano que não seja o dia do seu aniversário. Obviamente não fiz o uso correto, mas eu não vejo porque comemorar aniversários, o desaniversário é bem melhor e faz muito mais sentido quando o comemorar não tem um marco de idade ou passagem do tempo como tema, então quis adotar como título, tema e inspiração para o texto.
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19 de outubro de 2013

Morte Serena


"Pensei grande
Falei pequeno
Sonhei gigante
Morri sereno"
Poeta da Dor





Poética

"De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
– Meu tempo é quando."

                    -Vinicius de Moraes

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14 de agosto de 2013

Matamos o Amor

O amor não morreu, não
Eu o matei, ranquei-o do meu coração

As rosas murcharam, ficaram feias
Injetei veneno em minhas veias

As folhas de outono caem com velocidade
E assim eu recusei a saudade

As notas na pauta não mais pintam os quartos
A clave de sol morreu, libertou-se dos fatos



As cordas do violão foram arrebentadas
Enterradas, no meu túmulo, contra mim estão amarradas

As páginas estão amarelas, velhas e mortas
Eu, esquecida e abandonada, como as rosas

A chuva fere e maltrata, insólita cai
Faz chorar, mas não permite nenhum ai

A fênix desfaleceu, mas não renasceu da cinza
Não queria, não tinha força, sentiu que estava fria

( O mundo parou de girar
E eu cansei de tentar )

O problema do Sol era querer muito brilhar
O problema da Lua era não saber amar

As estrelas imorredouras do espetáculo
Perderam o valor, e com elas perdida eu parto.


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11 de agosto de 2013

Estandarte



Ela rasga teu corpo devagar
Pode não matar
Mas sabe machucar

Seus olhos ficam negros de dor
Não espanta o amargor
Tão pouco tira o rancor

Seu corpo pede outro corpo
Mas recebe um tiro tosco
Está feito, vê! Esse é seu fosso

Mas que coisa é essa que faz estafar seu peito
Coisa que tem nome, mas esconde-se sob o seio

Conhecê-la aumenta a injúria da verdade
Essa coisa saudade, que faz-me erguer o estandarte

A bandeira da clemência que eu peço à saudade
Por favor, deixe a dor passar, por favor , pare!

06.08.13
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8 de agosto de 2013

Sem cor

                 

Arte ingrata! E conquanto, em desalento,
A órbita elipsoidal dos olhos lhe arda,
Busca exteriorizar o pensamento,
Que em suas fronteiras células guarda!

Tarda-lhe a Idéia! A inspiração lhe tarda!
E ei-lo a tremer, rasga o papel, violento
Como o soldado que rasgou a farda
No desespero do último momento
                         (...)
                 [ANJOS, Augusto dos. O martírio do Artista ]

                    Perco o número de vezes em que recorri aos livros, aos autores e seus escritos. Perco a conta de quando as palavras de outros fizeram-se minhas diante da minha incapacidade em escolher as melhores palavras.
                    A arte de escrever, de pintar o papel de negro quando a dor é presente e quem sabe um pouco de amarelo, pinceladas de amarelo quando um pouco de alegria surge, porém pincela-se no papel vermelho, vermelho do sangue escorrido da rosa.
                    A rosa que foi despedaçada, rasgada pelos escritos da minha mão tosca que eu forço a colorir minha inútil vida através do papel pardo e do lápis usado.
                    O lápis gasto que encontro no fundo oco de meu 'pseudocoração', minha mente perturbada, no entanto, recusa-se a pensar, mas eu a forço novamente a me deixar sonhar.
                   Mais uma vez, porém, o espelho quebra diante de minha imagem corrupta, mas eu me desenho da melhor forma através dos escritos...através dos escritos.
                   Mas  forma alguma , alguém enxerga.
                   Sou invisível a todos os olhos, os bons e os ruins. O que veem eu não vejo e o que vejo não entendem. Não tenho cor ou espírito, sou um nada pintado de branco, sou um nada pintado de branco, mas ei de ser treva e eles verão minha escuridão. Eu os farei ver.
                   Ainda clamarão e lastimarão, o estandarte caiu, mas eu o ergui novamente, o fiz bandeira da minha cova, mas ela é sua também.
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1 de agosto de 2013

31 de Julho - Feliz Aniversário J.K e Harry !

Queria eu poder encontrar uma fênix e pedir a ela que chorasse em meu coração e dessa forma curasse a dor que ainda sinto por saber que não mais terei livros do Harry Potter. Não ouso dizer que choro porque acabou, pois bem sabemos nós que nunca acabará, cada Potterhead é uma horcruxex e enquanto houver potterheads HARRY POTTER estará vivo. Mas choramos pelo tempo que passamos juntos e sabemos que nunca voltará. Choramos por ter a certeza de que nosso amado Harry cumpriu a missão e pode seguir com sua vida, mas nós ficamos à merce do sofrimento e da angústia de não poder seguir com ele.

Mesmo que toda essa dor faça parte de mim dia após dia, estou aqui para homenagear duas importantes pessoas: J.K Rowling - mãe fora dos livros de Harry Potter -, e o próprio Harry.

Completam hoje (31.07.13) 47 e 33 anos e quem diria que o tempo passava tão rápido. Sei que como ela disse, sempre poderei retornar à Hogwarts e que essa estará a minha espera, mas ainda sinto um pesar por saber que os livros chegaram ao seu último escrito. No entanto, agradeço a Jo por ter criado esse universo, por ter me dado a chance de conhecê-lo e fazer parte da sua vida. Fazer parte da  vida dela.

Joanne apesar de todas as dificuldades que teve ao longo de sua vida nunca desistiu do sonho de ser escritora e uma vez alcançado nunca deixou de ser a pessoa incrível que ela sempre foi: humilde, honesta e caridosa. Ela é uma inspiração para mim em tudo.


Harry Potter.
Toda vez que ouço esse nome lembranças e mais lembranças dançam na minha mente e eu sorrio internamente por saber que faço parte da sua Geração . É como se ele estivesse gravado na minha pele, por dentro e por fora. Como se eu sentisse que fossemos conhecidos de longas eras. Cheguei a memorizar todos os feitiços e ingredientes de poções e suas respectivas propriedades. Eu sabia todos os Animais Fantásticos e todos os nomes de todos os professores e lugares de Hogwarts. Eu vivi com ele e seus amigos. Eu chorei, eu ri eu cantei. É isso que faz de Jo uma escritora incrível. Capaz de nos fazer sonhar acordados toda vez que lemos Harry Potter ou o vemos na TV. Ela foi e é capaz de nos fazer crer em algo mágico.

Enfim, essa minha homenagem ainda não está como eu gostaria que estivesse, tanto que estou postando à meia-noite e quarenta dois, pois à tarde não tive a inspiração certa. Mas é isso. Jo ,Harry, Parabéns. E obrigada por fazer da minha vida algo diferente.

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26 de julho de 2013

A menininha

                Havia algo de triste na chuva. Ela não lavava apenas as ruas como sempre fez, mas simplória e silenciosa desviava seu curso natural e pairava nas casas quietas. Casas que estavam preenchidas pelas vidas inócuas de pessoas sem vontade. A chuva descansava de sua viagem do céu nos telhados, nas janelas, nos jardins... Nos vidros.
    Havia algo de triste no cair das gotas, como se não bastasse molhar os vários guarda-chuvas abertos, ela queria mantê-los junto dela, de modo que não caia com rudez, mas era leve como uma pluma.O céu estava triste e a chuva desejava pintar as calçadas imundas com novas cores, cores das lágrimas dele.
   
No entanto, uma garotinha sorria atrás do vidro da janela de sua casa velha. O nariz encostado na vitrine gelada, as mãos pousadas na mesma e os dentes - alguns para nascer - coloriam a vista de quem olhava do lado de fora. Ela não queria deixar seu lugar no sofá bege, um pouco desgastado, mas ainda confortável. De pé no lugar de sempre, ela ficaria ali até que o último pingar escorresse diante dela mesma, no vidro tão gelado quanto os dias nebulosos. Dias estes em que a neve branca mescla-se ao asfalto negro, formando massas cinzentas e finas na cidade perdida em que ela morava, porém, para seu coração quente e sua mais nova descoberta desde que veio ao mundo, o frio não era tão medonho. Não a afetava como a seus familiares e o restante das pessoas daquela simples cidade.
   
Mas a chuva não cessou tão cedo,de modo que ela adormeceu e quando acordou o dia estava nublado, cinza e ... Triste, pois seu sorriso fora embora da janela. Fora embora cedo demais.

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25 de julho de 2013

25 de Julho - Dia do Escritor

  "Quando os escritores morrem, eles se transformam nos seus livros. O que, pensando bem, não deixa de ser uma forma interessante de reencarnação." Jorge Luis Borges  

           "As palavras são na minha humilde opinião nossa maior fonte de magia" J.K Rowling

     Não é a primeira vez que cito essa frase que a Rainha disse por meio de nosso amado Dumbledore, mas pensei que mais uma vez ela seria totalmente adequada. Hoje, dia 25 de Julho é o Dia do Escritor e qual a melhor maneira para uma pessoa como eu ( aspirante escritora) prestar homenagem a todos os Escritores senão escrevendo ? Então, vamos lá!

"Não se é escritor por ter escolhido dizer certas coisas, mas sim pela forma como as dizemos." Jean-Paul Sartre

     Meu querido e sábio Sartre mais uma vez disse as palavras certas. Quantas e quantas vezes perdi-me nos livros, nas palavras de outras pessoas e em mundos criados por outros ? Quantas  vezes ao ler determinado trecho chorei, ri, cantei e aventurei-me ? Quantos poemas já não expressaram exatamente aquilo que eu sentia ou mesmo queria dizer, mas no momento não pude ou mesmo não consegui demonstrar em palavras ? Quantos livros encaminharam-me para um universo totalmente diferente e novo, um universo mágico do qual eu jamais quis sair ? Perde-se a conta, de fato. Os escritores nos apresentam outra realidade, nos ajudam a fugir da nossa. 

    Porém, falar dos escritores e dos livros para mim é como uma mãe fala do filho. Poderia ficar dias elogiando sempre com um sorriso no rosto. Os livros para mim são mais que preciosos, tão mais que não encontro palavras para descrever o sentimento que tenho por eles.  A arte de escrever é ... é mais que mágica. Saber juntar as palavras de modo que... de modo que o leitor ao passar os olhos fique vislumbrado é...Nossa, é incrível. A arte de criar um personagem o qual criamos afeto ou qualquer sentimento seja bom ou ruim é admirável. Transformar-se em outra pessoa é fenomenal.  Os escritores são os profissionais mais brilhantes do mundo, pois podem ser o que quiserem e quando quiserem. Cada escritor tem seu estilo e é exatamente esse estilo único que os fazem ser...Singulares. 

   Ser Escritor é mais que sentar em frente ao computador ou com um caderno na mão e escrever qualquer coisa, qualquer palavra ou qualquer frase. Ser escritor é ter a  necessidade mais que súbita e mais que natural de pintar palavras  no papel aquilo que não pode-se deixar a boca cantar. Ser escritor é conseguir vez por outra colorir a vida daqueles que ousam entrar em seus mundos impressos, em seus mundos imaginados e uma vez sonhados transportados para a folha. E porque não admitir que muitas vezes os Escritores desafiam-nos quando colocam em palavras aquilo que temos medo ou vergonha de dizer ? Os escritores não têm medo, pois foram agraciados com a arte de matar qualquer temor, eles possuem a a arma mais poderosa, capaz de calar até o mais indômito Homem-Ditador : a escrita, a palavra.

    A todos os escritores que já passaram pela minha vida um mais que sincero Obrigada. À J.K Rowling em especial, é claro. Uma vez que ela não  é somente  uma inspiração de vida e continuará sendo para mim, mas também obrigada por me salvar tantas vezes na infância e na adolescência. 



  
  
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15 de julho de 2013

15 de julho - Dois Anos Sem Harry Potter

Hoje dia 15 de julho de 2013 fazem exatos dois anos desde que Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II foi lançado nos cinemas. Fazem dois anos que os corações dos Potterheads choram a dor de não poder esperar mais nenhum filme, mesmo sabendo que não haverá mais nenhum livro sobre o nosso bruxo  desde 2007. No dia 21 de julho  de 2007 Harry Potter e as Relíquias da Morte - livro - estaria sendo lançado, logo em 2013 fazem seis anos desde que o menino que sobreviveu cumpriu sua missão, de fato.

Lembro-me exatamente do dia em que enxerguei o exemplar de Harry Potter e a Pedra Filosofal na estante da minha tia em Belo Horizonte. Eu estava passando férias lá - tinha 10 anos-, e estava à procura de algo para ler e passando o dedo pequeno pelos livros grandes eu vi o livro que eu ganharia de presente dela. Eu já conhecia o filme, mas como morava em uma cidade pequena adquirir qualquer livro era um pouco mais complicado que hoje onde a internet faz seu papel. Naquela época viajar para cidades maiores em busca de livrarias exigia um pouco mais que apenas vontade. De qualquer forma eu puxei o livro. Manuseei com cuidado. Abri. Sorrindo a todo momento. Li a dedicatória da autora que viria a se tornar a minha mais admirada e querida escritora no mundo. Apaixonei logo nas primeiras páginas em que passeis os olhos grandes e pude ver Harry Potter nelas. Eu queria lê-lo ali, naquele quarto pequeno em que eu dormia. Queria adentrar no mundo que eu só conhecia pelas telas da televisão, mas eu também queria que o livro fosse meu. Apenas meu. Portanto, inocente comentei com minha tia, ela sabia um pouco da minha paixão por Harry Potter - pelos filmes, inicialmente- , mas ela não hesitou em pegar a caneta e fazer uma dedicatória no livro para mim.

Finalmente, entregou-me o livro e eu fui para a sala de estar cujo sofá confortável serviria-me de assento pelos próximos dois dias em que eu continuaria a conhecer minha paixão através das palavras de J.K Rowling. Sentei-me e lá fiquei  o restante da tarde. Lembro-me também que uma amiga dela havia a visitado naquela tarde e mesmo que a pessoa fosse minha amiga também eu não soltei o livro para ficar conversando. Ao final da tarde eu estava somando os pontos das casas para a Copa das Casas e orgulhei-me ao ver que Grifinória havia ganhado com 482 pontos. Eu queria a Câmara Secreta. Por sorte minha tia na época era do tipo que faria meus caprichoso se ela pudesse. E de fato fez. Fomos ao Shopping no dia seguinte e eu sai de lá com meu exemplar de Harry Potter e a Câmara Secreta nas mãos. Foi um dos melhores dias da minha infância. No dia seguinte eu havia terminado de lê-lo. Com o tempo essa mesma tia foi comprando os outros livros. Alguns eu ganhei em ocasiões tristes as quais eu não acho valer a pena contar aqui. Conto apenas que nesses momentos tristes e dolorosos de minha vida a aventura de Harry Potter  no torneio Tribuxo foi o que me salvou da depressão e quem sabe da loucura. A tristeza de perder Sirius foi minha tristeza e quando eu vi Dumbledore morrer diante de meus olhos, ali , assassinado por Snape - fato que me faria o odiar por algum tempo -, eu chorei. Chorei com Harry, Hermione, Rony e todos os estudantes e professores de Hogwarts.

O que estou tentando dizer hoje é que ainda 16 anos depois e no meu caso 10 em que estou com Harry Potter eu não esqueci e nunca farei isso. A história que nossa Rainha criou é mais que apenas varinha e feitiços. É amor, é coragem, é misericórdia e bondade. É Amizade. Harry Potter não conquistou apenas números - e números grandes -, mas também corações, mentes, vidas. Ainda hoje eu releio os livros e os abraço como a um amigo. Eu vejo os filmes não como eu via as primeiras vezes ou seja, não com a alegria de poder esperar mais um. Hoje, muitas vezes ao ver os primeiros filmes sinto vontade de chorar quieta no quarto, pois sei que acabou...Em partes. Como já disseram ''Cada potterhead é uma horcruxe e isso faz com que Harry Potter viva em cada um de nós de modo que ele jamais morrerá'' , mas não posso negar que às vezes sinto um pesar por saber que não mais teremos Harry Potter retornando à Hogwarts. Retornando como eu tanto pedi que acontecesse comigo. Sei que nossas cartas de Hogwarts são na verdade nossos primeiros exemplares de Harry Potter e a Pedra Filosofal, mas eu pedi muito para minha carta chegar e sei que muitos também o fizeram.

Harry Potter sempre será parte de minha vida. Eu sempre amarei e J.K Rowling sempre será minha escritora preferida. A história dela é inspiração para mim que quero ser escritora também. Muitas foram as vezes em que recorri à história dessa pessoa incrível para me inspirar em momentos que pensei em desistir de seguir esse sonho.

É isso por hoje. Aos Potterheads minhas palavras de consolo, pois saibam que Harry Potter não acabou no dia 15 de julho tão pouco no 21 de julho. Harry Potter estará conosco até o fim dos tempos e mesmo depois disso ele continuará a viver. Nós somos a Geração Harry Potter e é com orgulho que digo isso.Ao contrário da legenda no poster, Tudo Não Acaba Aqui. Isso só serviu para mostrar o quanto Harry Potter é grande e sua legião de fãs e amigos maior ainda. Harry Potter é eterno. À nossa Rainha J.K Rowling um sincero muitíssimo obrigada por ter sido minha infância, adolescência e fase adulta e ainda o que será minha velhice.





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9 de julho de 2013

Obsoleta



Havia uma idosa sentada na varanda de sua velha casa. Uma casa pintada há anos, com cores já tão esquecidas quanto o homem que as pintara. O branco das paredes há muito tornara-se um amarelo quase marrom, um marrom podre e sem vida.
Ela balançava em sua cadeira. A velha cadeira forjada pelas mãos de seu filho, hoje morto em guerra, mas morto antes em sua mente, que tão pouco se lembrava daquela fisionomia desde sua partida para cumprir um seu suposto dever patriota. Para frente e para trás ela balançava na esperança de que o próximo embalo a levasse para outro mundo. Desconhecido e novo. Um mundo de sonhos.
O corpo cansado e fastio pela idade não colaboravam, e ela passava todo o seu tempo imóvel, e o passaria até o último instante de sua vida. Vivia nesse marasmo, como se não houvesse outro ofício que não o balançar estático de sua cadeira, metáfora suja de sua vida.
Levantou-se de súbito. Caminhou em direção ao quarto, o último cômodo da casa, ao lado da porta que saía para o quintal. Um quintal pintado com as folhas secas dos outonos passados. E quantos outonos...
Deitou a cabeça no travesseiro sem fronha, que ela tirara há tempos. Não queria que lhe cobrissem as lágrimas, não gostava de representar as cicatrizes da monotonia de sua vida triste. Uma vez deitada, de bruços na cama decrépita, não permitiu mais às lágrimas que vertessem, forçando o rosto contra o travesseiro. Não que ainda tivesse tantas forças, mas em sua mente as coisas pesavam e ajudavam-na a não mais erguer sua cabeça grisalha.
Sua visão turva tardaria a ter outra luz. Não que a desejasse profundamente, seu espírito, no entanto, desmazelado haveria de ver uma coisa somente antes de permitir que sua respiração chiada e seus estertores, de uma vez para sempre, cessassem.
A morte não seria surpresa nenhuma para ela, poderia vir em qualquer lugar, a qualquer momento, de qualquer jeito. Em sua idade, perdera o privilégio de teme-la; ela, que era das visitas a mais esperada.
Seus olhos cansados percorreram o quarto vazio e tropeçaram nas lembranças presas em fotografias que jaziam nas paredes, de pessoas que jaziam em covas rasas, cuja jovialidade jazia longe, longe da eternidade que prometia. Ainda que o gosto por elas deixado fosse doce, a solidão que hoje a envolvia o fazia amargo e triste. O desprazer de ser a vivente derradeira era visível em cada ruga de seu rosto pequeno e murcho.
Sua existência era hoje os objetos frios, as cartas amarelecidas, os calendários de décadas passadas, os relógios parados e as outras bugigangas lacônicas que guardava em caixas pretas prontas para o esquecimento. De insônia não sofria, embora o sono da morte nunca lhe quisesse fechar as pálpebras. Comia pouco, e já nem se lembrava de tomar seus remédios.
Contudo, uma única paixão ainda vivia: as flores. Felicidade remanescente que ainda podia tocar; pequenos prazeres que brotavam nas janelas. Alegrava-a sua visão, e lamentava-se se morriam. Mas não gostava tampouco da atitude egoísta de prendê-las para si, de condená-las sob os telhados.
A cada dia um minuto a menos. A vida a fazia ver mortes. Não deixava saudades em ninguém, pois ela mesma nunca se fora. Ergueu-se lentamente de onde pensara ser seu último leito, e com dificuldade arrastou-se para a sala, quando se lembrou de que era preciso regar as plantas.
Ao contrário dela, as flores precisavam de alguém. Passou pelo quarto e pelo corredor esquivando-se dos móveis apodrecidos. Ao chegar na sala, uma dor no peito a fez sucumbir ao chão. Não gritava, pois desaprendera a falar ou mesmo grunhir há anos, por mais insuportável que lhe fosse o rombo no peito. Lembrando-se de seu convite soturno, não deixou de imaginar uma penumbra de manto negro encarando-a pela janela, sob as flores. Em seu último delírio, a palavra “entre” formou-se em sua boca gélida, sem lábios. Calmamente a força e a dor foram abandonando seu corpo inerte. E então tudo arrefeceu em um eterno silêncio.
Meses depois, a família ausente encontrou o cadáver com um sorriso sereno no rosto. Suas coisas adormeciam em caixas de papelão, como deixara. As mobílias comidas pelas traças e os colchões sem lençóis. Não havia testamento, havia somente o dinheiro para o seu funeral, sobre o criado mudo.

Ninguém se importou em regar as flores.

Texto feito em Parceria com Exorcist-a
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29 de junho de 2013

Narcóticos

     Um baile que dançava sozinho. O ralo do banheiro era a porta de saída de um ser desconhecido. Um ser que habitava minha mente solitária. Esse ser eu nunca cheguei a conhecer, pois o expulsava a cada novo banho. Era um ser que vivia somente na minha cabeça, mas ao chorar eu o mandava embora. E era um baile, pois dançava sozinha a música do meu furor. A música da minha armagura. Ociosamente eu cantava, tentava entender meus próprios pensamentos. Na música, pensava eu ser capaz de exumar a solidão que abarcava em um lugar dentro de mim de vez em quando.

         Mas não foi nos arranjos perfeitos de notas chorosas do piano que encontrei essa compreensão. Foi nas tintas mal pintadas, dos cadernos mal feitos de minha vida. Nos meus próprios rabiscos chamuscados de dor que encontrei a razão. Os papéis vez por outra eram encontrados jogados no chão limpo, mas sujo de palavras esquecidas de minha casa. Os papéis voavam. Fugiam de mim, pois eu os feria com minhas palavras.

       O narcótico. O cheiro do livro novo ou mesmo do arcaico encostado na minha estante. Minha velha estante de lembranças. Lembranças que eu recusava esconder no baú de madeira que um dia eu almejei. O baú de madeira ocre, com uma fechadura proporcional e digna de uma chave branca que eu haveria de pintar com minhas lágrimas salgadas e doces ao mesmo tempo. Doces, pois muitas delas eu impedi de cair.

         E eu haveria de viver assim. Escrevendo, marcando o tempo com palavras. Pois era isso que eu sabia fazer. Marcar o tempo. Não aceitava que ele passasse sem ser ferido. Se ele me feria, eu tinha o direito de feri-lo com meu lápis quase no fim, no meu caderno amarelo, na minha mente distorcida.
                                                                    

 
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24 de junho de 2013

Eremitar-se

Eremitar-se : do meu vocabulário: ato de isolar-se, abandonar o lugar de convívio, deixar para trás tudo o que um dia pensou que fazia sentido.

O melhor mesmo seria isso, não ? Abandonar esse mundo louco e cheio de pessoas insanas. Afinal, não faz sentido, ou faz ? Acho que não. Caminhas solitária de qualquer forma e quando encontra algo que supostamente deveria livrar-lhe do martírio, veja só... Ficas triste.

Eremitar.

Sozinha em uma ilha onde ninguém haveria de lhe soturnar. Deixaria para trás tudo o que viveu e construiu ? Oras, mas todos iremos. A morte leva tudo. Nos nadifica. Que diferença faria se permitíssemos nossa mente mesma fazê-lo ?

Eremitar

Quem sabe. Quem sabe. São tantos 'Ses'. Onde está seu livro agora ? Não seria onde está seu Deus ? Pois é o mesmo O meu livro a meu ver, nem ele foi capaz de salvar-me. Ao menos, contra essa eremitês ele parece-me incapaz. Onde está...Chega de perguntas. Vou retirar-me. Para onde tão pouco sei. Acho que por hora, retirar-me-ei de meus pensamentos. Meus lúgubres e mórbidos pensamentos.

Eremitar.


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18 de junho de 2013

Destruídos pelas bombas da própria nação



                                           

"De tanto ver triunfar a maldade,
De tanto ver crescer as injustiças,
De tanto ver agigantar-se o poder nas mãos dos homens,
O homem chega desanimar-se da virtude,
A rir-se da honra
e ter vergonha de ser honesto."
                               Rui Barbosa



Hoje milhares de pessoas estão nas ruas. Nas capitais do país estão protestando. Contra vinte centavos. Vinte centavos ? É sério ? Não ria desses vinte centavos. Há muito mais revolta por trás deles do que você pensa.

Estou aqui hoje para me revoltar. Não como os que estão lá fora brigando, gritando enfim, protestando nas ruas. Eu me revolto através das palavras, que como já disse minha Rainha J.K Rowling - "Palavras são, na minha não tão humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia."

Eu entendo a revolta da população. Entendo mesmo. Há uma inversão de prioridades ocorrendo. A alegria da Copa ser sediada no país verde e amarelo passa a dar lugar a uma cólera que tem como razão o uso do dinheiro público para ''melhorias'' em coisas que até então eram irrelevantes para os Supremos. Foi preciso um evento mundial para que decidissem tomar alguma atitude. Isso tira qualquer um do sério. No entanto, eu há muito perdi as esperanças.

Sou tachada como pessimista, mas na verdade sou apenas uma pessoa realista que não gosta que mascarem a realidade apenas porque ela lhes desagrada. Logo, eu não luto nas ruas e não coloco minha vida em risco por coisa que em pouco tempo será esquecida, mas há pessoas que ainda acreditam que o mundo, que as pessoas - que o nosso amado país tem salvação. Eu não vou julgar vocês. Dou razão e concordo com seus motivos, mas para mim, foram-se os tempos de glória. A corrupção ensinou o Brasil a andar, está intrínseca em nossa história bem sabemos nós. Logo, eu duvido muito que agora ela irá deixar o filho depois de centenas de anos cuidando dele.

Claro que, por trás desses meros vinte centavos há a revolta da educação, da saúde, do transporte, dos preços e dos impostos enfim, há a revolta contra o sistema do nosso maravilhoso país que só é bonito em épocas importantes e é claro, para os inocentes estrangeiros que de vez em quando passam por aqui. O Brasil deve ser o único lugar no mundo em que o povo que aqui vive é menosprezado por seus governantes. Quando é preciso que um evento de larga escala ocorra em território nacional para que as mudanças sociais aconteçam, fica claro a verdadeira preocupação dos nossos queridos políticos ou como gosto de chamá-los - os Supremos - é nada mais que fazer bonito para inglês entre outros ver, além é claro de deixar seus cofres nos bancos com uma conta um pouquinho mais alta.

Eu cansei de reclamar para as pessoas do país e do mundo. Cansei de dizer que a tendência é piorar e que logo, não vale a pena tanto desgaste.Cansei. Ninguém escuta, todos preferem continuar se enganando. Pensando que algo irá mesmo melhorar. Não vai. Para cada coisa boa que acontece, cada conquista há  dezenas de coisas ruins e atrocidades para tirar o sorriso do seu rosto. No ano oficial da Copa, tudo isso será esquecido. A Copa irá ocorrer, iremos torcer, iremos elogiar as melhorias e iremos nos fazer de bobos. Hipócritas. Como uma amiga me disse, porém, não basta chamá-los de hipócritas. Não irá resolver nada. Aliás, o que irá resolver ? Eu não sei, na verdade...até sei. Mas minha opinião ainda é descrita como ingênua. Uma grande bomba no mundo ainda não é bem vista pelas pessoas.

Vinte centavos. Se bastassem para mudar de fato. Mas não bastam. No final quem perde somos nós. Os policias são julgados por fazerem seu trabalho e os manifestantes são julgados como selvagens por simplesmente quererem a mudança. Enquanto os Supremos, em seus jatinhos particulares riem de vocês.

A maioria dos manifestantes é estudante, mas sabemos que há outras pessoas lá. Pessoas que acreditam em algo e que no momento dessa euforia se sentem motivadas a lutar pelo que acreditam. Há pessoas que necessitam do ônibus para trabalhar e precisam de uma boa educação para os filhos, há pessoas que precisam de um bom plano de saúde para cuidar dos parentes mais velhos. Essas pessoas também estão no meio dos estudantes.

Esse meu texto não é manifestante, tão pouco estou defendendo algo como poderiam pensar - a Globo ou qualquer partido político. Não. Não defendo nada. Não apoio nada. Nem um nem outro. Nem ''bom'' nem ''ruim''.

Estou aqui apenas para - como fazem lá fora - mostrar minha opinião. Se irão conseguir a redução do preço da passagem, a melhoria da educação e da saúde, um ajuste nos impostos...Não sei. Mas garanto que não tenho a fé que eles têm. O ser humano tem a essência ruim. Ele é mal e fadado ao fracasso. A ciência avança, mas o homem continua parado no tempo da desgraça.

Podemos, no entanto, pensar que mesmo que nada mude...Algumas pessoas mudam. Como na ditadura as coisas ficaram mais claras depois da manifestação, quem sabe depois de toda essa bagunça algo se clareie. Quem sabe os Supremos não brinquem tanto. Quem sabe, não ? Você acredita nisso não acredita ? Engraçado, nem nisso estou acreditando mais.

De qualquer forma, eu desiludi há muito tempo. O que antes na minha inocente infância eu admirava, hoje me causa repulsa e vergonha. Meu próprio país me causa vergonha. Infelizmente, nosso amigo Barbosa tem razão - nosso pais ri da honestidade e não tem honra. Eu não espero nada de pessoas que na maioria das vezes fazem tudo errado e quando lhes é oportuno decidem que é hora de lutar. Mas se você espera, vá lá e me mostre que há uma salvação.

"As verdadeiras conquistas, as únicas de que nunca nos arrependemos, são aquelas que fazemos contra a ignorância."                          Napoleão Bonaparte


Esse nosso outro amigo, Bonaparte, também tem razão. Essa luta é pra que ? Para o mundo ver ou ela de fato quer acabar com ignorância que rege nosso maravilhoso pais ? Deixo apenas uma questão que além de eu me recusar em procurar a resposta, faz menção aos vinte centavos tão falados: Até quando a ganância dos Supremos irá ser custeada pelo sofrimento do povo ? Até quando ?
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14 de junho de 2013

De que valeu ?

"Um vitória não apaga mil fracassos."



Escritos de outras eras, ainda refletem a dor e o  desespero, o fracasso e a frustração. Quem diria que depois de tanta luta, eu voltaria para o chão ? Sempre as mesmas palavras, não se cansa disso ? Hein ? Responda, ou já não pode mais ouvir  ?

Nunca irião entender. É uma lei essa afirmação. Vencemos ? Quem te disse isso ? Aqueles ? Os outros  ? Você mesmo ? Acredita nisso que diz ? Que há motivo e tudo mais ? É mentira, amigo. É mentira. Não há. Você perdeu, nós perdemos. Fomos estraçalhados. Jogados no mar de tubarões.

O seu lugar não é aqui, ainda não entende isso ? Tempo ? Quem disse que você tem tempo ? Está morrendo como todos os outros. A diferença é que você morre sem razões. Os outros. Ah, os outros. Sempre serão...Os outros.

Quando é que vai colocar na sua cabeça que não adianta se esforçar tanto, quando o que quer de verdade nunca poderá ser alcançado porque outros já fizeram isso ?
Pare de querer encontrar desculpas para seus infortúnios, pare de querer encontrar algo para culpar, alguém para blasfemar, e vários outros para destruir. Você é a destruição.A angústia de seu próprio ser. Você perdeu, de novo. Irônico, não ?

É uma existência incontrolável, apenas...Sobrevive. O tempo deixa sua boca amarga, a cada dia torna-te mais negra. Seu corpo, é sujo e vil, sua mente é desgraçada, ingênua e sem restrições. O que tenta é algo inútil para qualquer um e o que tentou, há muito deixou de valer.

Chore, pode chorar. Pode gritar e pode matar. Mate essa coisa que te destrói, que te força a levantar quando sabemos que não irá adiantar. Mate essa coisa. Mate...Você.



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6 de junho de 2013

Fui-me



Onde é o seu lugar ?
Pergunto-me se aqui devo ficar
Onde é o meu lugar ?
Pergunto-me se aqui devo morar

Tão pouco sei agora sobre tudo
Tão pouco eu sabia
Nunca soube
Nunca ia

E agora pergunto-me se tentaria
Se continuaria
Se eu iria

E agora eu deito a cabeça
Em um travesseiro morno
Da fumaça do fosso

E de tanto almejar
Acabei por não alcançar
O que queria
O que deveria

Não compreendo
Meu eu
Foi-se.
Fui-me.
Perdi-me.


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5 de junho de 2013

Olhares

"Tenho em mim, todas as dores do mundo." *


    Pelos campos verdes caminhava sozinha. De vez em quando esbarrava em uma flor. Roçava a mão no chão de grama e inspirava o ar calmamente. Os olhares a olhavam, mas ela não era vista. Jamais.
    A cada respiração, uma perdição. Foi-se o tempo. Foi-se a vida. Foi-se o mundo. Não havia solução, mas continuavam a caminhada como se houvesse alguma esperança. Mas não havia.
    A incapacidade. O desprezo. O remorso. A frustração. Formavam a poção mais poderosa do mundo. Capaz de derrubar até mesmo ela, que um dia se julgou forte.
    De que valiam tantos sorrisos no rosto se sozinha - e sempre procurava ficar não por martírio, não por drama, mas pelo prazer da companhia, sua garganta doía e sua mente não a permitia prosseguir? De que valiam?
    De todas as dores do mundo, a que mais feria era a única que nem os ''anjos'' - se fossem reais - seriam capazes de curar.
    E procurava razões e tentações. Motivos e certezas, para alcançar aquilo que nunca teria. O orgulho de si. Sempre haveria outros. E outros. E outros mais.
    Os mortos cantavam para seus ouvidos. A canção do abandono. Ela abandonara a si mesma no abismo vermelho de seu mundo negro. O chão estava frio, pois seus restos mortais jaziam ali há certo tempo.
    E foi assim que se compreendeu e admitiu que jamais teria o que todos querem. E o que ela queria era ter. Um motivo. Simples assim. Tão simples quanto provar uma verdade absoluta.


* Referência ao trecho de Fernando Pessoa


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11 de maio de 2013

Verme




Um verme pisoteado por pés descalços
Eu era um verme castigado
Nada representava, era feito de pisos falsos
Eu era o corvo maltratado

A alma sombria que vagava sozinha
Eu era o monstro esquecido
Nada dizia, era a dor que te definha
Eu era o anjo perdido e caído

Às mãos incisivas e sangrentas
Eu era o corvo a crocitar
O som zumbia, matava as crenças
Eu era o morto a levantar

Tudo que o homem teme e abomina
Eu era um verme da carnificina

Nada significava, nada poderia contestar
Eu era a adaga, estava pronta para me sacrificar.

E era assim que acaba minha vida
Não com um suspiro, mas com um grito.*





* Referência ao poema Homens Ocos de T.S Eliot





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10 de maio de 2013

Serragem

             

 A comida parecia serragem em sua boca. A água era um veneno. Descia, mas queimava. Vai ver, era veneno. Ele desejou que fosse.
   Negou-se a qualquer prazer. Qualquer distração. O martírio era sua única solução.Facas, navalhas, lâminas. Outras soluções mais satisfatórias.
   Seu olfato não despertaria desejo por alimento tão cedo. Era uma promessa. A audição permitiria apenas a músicas do seu próprio circo de horror. E seu peito...Um tiro de 38 transpassaria. Ao menos assim, ele desejaria.
   A sua boca maldita, seu corpo ferido e mal-amado por si, suas mãos destruidoras de esperanças. Asas da rendição. Não as veria. Não existiam. Asas da morte. O anjo negro o visitaria. Ao menos assim, ele desejaria.
  Caminhava pelo cemitério - onde as terras dos mortos levantavam a poeira do remorso - os mortos choravam por ele. Pois nem ali era bem-vindo. Os mortos o expulsaram. Nem o Inferno iria o querer. Isso é claro, se existisse algum Inferno maior que sua própria vida desprovida de essência.
              A comida parecia serragem em sua boca. O chá cáustico. Perdido em sua desgraça ele se rendeu. Lâminas. Sonhou que uma delas transpassava seu pescoço, o sangue é que rasgava sua pele. Logo aquilo se tornaria sua realidade. Ao menos assim, ele desejaria.
   Um, dois, três. Bebeu de uma vez. O veneno. Seu sangue. Tornou-se um canibal. Um autocanibal.
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15 de abril de 2013

Jolly ( 23.01.00 - 13.04.13 )


"Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas* que perde; mais falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo." ( Dom Casmurro - Machado de Assis )



Quando cheguei no último sábado (13.4.13) em casa à noite, pouco tempo depois fui ver minha cachorrinha que há tempos estava doente. Com a pouca iluminação do quintal, apenas a observei deitada em sua casinha, não fiz nada e fiquei olhando, com receio de fazer carinho e acordá-la. Quando, segundos depois,  minha mãe chegou e disse para eu não ir ali agora, e eu perguntei Por que Por que, minha mãe apenas balançava a cabeça em negativa pedindo-me para entrar. Foi quando caiu a ficha que minha cachorrinha
( Jolly ) havia morrido. E eu chorei como nunca havia chorado antes, sentada perto dela perguntando a meus pais por que não  disseram-me antes, eu gritava, eu chorava...Eu morria. Disseram que não havia motivos para dizer, que eu nada poderia fazer, que eu só iria entristecer-me mais cedo, e disseram-me que foi à tarde quando voltaram da rua ela já estava morta.

12 anos.

Ela tinha 13 anos e há 12 estava comigo. Há uma semana que ela mal nos reconhecia, mal comia, mal se mexia. No sábado, chorei ao ver que minha mãe tinha que dar comida na seringa para ela, e ela com muito esforço engolia e regurgitava um pouco. Quietinha na sua casinha, nos deixava tocá-la e pegá-la, coisa que antes não fazia por ser de natureza brava. E agora ela só dormia ou ao menos, tentava.

A dor que eu senti e ainda sinto é indescritível .

 A amiga que me ouviu quando eu era criança e ainda adolescente não mais está aqui. A amiga que dividiu comigo momentos alegres e tristes, não mais está aqui. Ainda lembro-me de quando ela chegou em casa. Das nossas brincadeiras. Ainda lembro-me de seu latido ao ouvir estranhos na casa, dos saltos que dava sob o portão quando sentia cheiro de comida, de sua briga com a vassoura e de suas brincadeiras com papel e pano. Lembro-me de levá-la para passear e ela adorava. No 'barrancão', corria e corria, pulava e pulava, atrás de nós e conosco. Alegre, jovem, feliz. E de uns tempos para cá tornou-se tão triste, idosa e doente. E eu não pude fazer nada. Nada. A angústia que eu senti ao vê-la naquele estado só não é pior do que a que sinto agora que ela se foi. Ela estava tão doente que a morte talvez tenha sido um descanso e alívio para ela, mas não para mim. Não para mim.

O mundo ficou sem cor. O mundo ficou sem vida. O mundo ficou sem Jolly.

O que será agora, quando eu voltar para casa e ela não estiver mais lá ? As lembranças ão de vagar em minha mente para sempre. As boas e as recentes ruins.

Toda vez em que eu sorrir por algum motivo, ei de lembrar-me dela e sentir-me-ei triste por estar sorrindo quando fiz tão pouco por ela nos últimos tempos. Sentir-me-ei triste por ela ter ido embora, sozinha.. Eu não estava com ela em seu momento de agonia, no momento em que ela disse adeus. Sozinha.
 ELA ESTAVA SOZINHA!!!
E agora eu estou sozinha, nessa minha dor, nesse meu arrependimento, nessa minha angústia severa que insiste em martirizar-me.

No entanto, esforço-me para pensar nas palavras que uma amiga disse:

"Os animais são anjos que vêm à Terra para cuidar de nós, e quando eles morrem voltam para o céu para cuidar de nós lá de cima."

Mas, nada do que disser irá amenizar o que estou sentindo. Nada. É uma dor horrível que eu não desejaria ao meu inimigo.
O corpo dela frio e duro. Eu tive de enterrar. E o fiz. Em um lugar que ela gostava de ir e brincar. Um lugar bonito, com grama verde e terra fofa e levemente molhada.

Ah Jolly!  Já sentia sua falta e agora sinto ainda mais. Se antes eu nada podia fazer, o fato de que agora definitivamente não posso, é ainda mais horrível. Ainda mais doloroso e ... Não há palavras para descrever. Nem todas as lágrimas do mundo seriam o bastante. Nem toda a dor do mundo é o bastante. Mas estou próxima dela. As imagens de seu corpo frágil rente à realidade que a castigava agora castiga minha mente. Foi tão triste olhar para você naquele momento. E agora continua sendo minha amiga. Queria que pudesse me ouvir. Queria que pudesse estar aqui, bem de novo como no dia em que você chegou em minha vida. Mas você não está. Não mais. E isso é muito ruim de aceitar.

Prometo nunca esquecer de você minha velha amiga. Nunca.

Tudo morre. As árvores morrem, as plantas morrem, as pessoas morrem, os animais morrem. As únicas coisas que não morrem são a dor, o arrependimento e a tristeza.


"With a friend to call my own
I'll never be alone
And you, my friend will see
You've got a friend in me
(You've got a friend in me)"
__ Ben - Michael Jackson


 PS: Logo haverá um vídeo da música Goodbye tema do filme Sempre ao Seu Lado, irei gravar no piano e postarei aqui, em homenagem a Jolly .

* Machado diz pessoas, mas eu usei a frase com o sentido valendo para animais também. Sem Jolly algo me falta e faltando isso não sou eu mesma.

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7 de abril de 2013

Verões


Sentado ao pé do fogo eu penso
em tudo o que já vi
flores do prado e borboletas
verões que já vivi

__O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel , pág 295


E sentada ao pé da escada eu imagino
em tudo que não fiz
tempo esquecido e perdido
deixei-me e me perdi.

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5 de abril de 2013

Wonderland

" Está ouvindo a neve contra as vidraças, Kitty ? Soa tão agradável e suave! Como se alguém estivesse beijando a janela toda do lado de fora. Será que a neve ama as árvores e os campos que beija tão docemente ? Depois ela os agasalha sabe, com um manto branco; e talvez diga: 'Durmam, meus queridos, ate o verão voltar' . E quando eles despertam no verão, Kitty se vestem todos de verde, e dançam...onde quer que o vento sopre...oh, isso é muito lindo! (...) O que sei é que os bosques parecem sonolentos no outono, quando as folhas estão ficando castanhas."

Alice através do espelho, pág 162 
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2 de abril de 2013

Aleatórios III

Mil e seiscentos anos. Eu tinha. Eu tive antes de perecer. Mil e seiscentos anos. Eu matei. Eu mato cada dia da minha vida. Eu nasci com seiscentos e passou-se o milênio sem nada a fazer. Deitei sozinha contra meu reflexo no espelho inquebrável. Os escritos nada dizem, não fazem sentido. Mil e seiscentos anos de destruição de caminhos incertos. Não me permitiam sair do buraco. Rasguei meu corpo e no pintei de novo, o refiz pela milésima vez na esperança de fazê-lo melhor e compatível, mas em vão. Em vão.
                                                                              19.3.13



A terra estava suja e molhada. Suja de corpos e molhada de lágrimas. Naquele espaço o homem velho não conseguia andar, seus pés estavam presos à lama que ficou vermelha com seu sangue. E ele caiu, rastejou até sua amada. Sua amada mortal que caminhava na direção oposta a dele, com uma faca pingando sangue em uma das mãos e na outra segurava o seu coração.
                                                                                 26.3.13


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14 de março de 2013

Ontem - Paráfrase

Parafraseando Carlos Drummond de Andrade - Ontem

Até hoje perplexa
ante o que morreu
e não era a alma

De como este espelho
não manteve minha forma
apenas minha falácia

Nem este corpo
caminha e age
como antes fazia

Tudo foi efêmero
e esquecido
Mas  está gravado

Não no ar, em mim
que por minha vez
escrevo, mas não respiro.
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28 de fevereiro de 2013

Podridão

Como sempre mais um poema dizendo sobre as mesmas coisas.


Seu caminho foi traçado
Infortúnio e dor, foi falado
Sua moradia, o cemitério
Não teste, não há mistério

As tentativas foram em vão
Trilhas perdidas, caminho de escuridão
De sua boca o veneno escorre
Ele queima a todo que escolhe

Na sua cabeça só há podridão
Agora seu corpo é feito de escarificação

Sua vida é regida pelo fracasso
Não perca tempo, não vale mais um passo.
                                          27.2.13
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17 de fevereiro de 2013

Jolly -

 





    Eu lembro exatamente do dia em que a fomos buscar. Tão pequenina, parecia caber na minha mão. Tão tímida  estava com medo eu acho. Imagino que não foi fácil para ela deixar seus irmãos. Mas lá estávamos nós, levando minha cachorrinha da raça Pintier para casa. Minha mãe, lembro-me, virou-se do banco da frente do carro e olhou para ela e disse seu nome é Jolly. E eu disse, com meus 7 anos: Jolly ? E minha mãe: É, é legal não é. E eu concordei. Ficava passando a mão no pelo dela e nas orelhinhas caidinhas.
   Chegamos em casa e nos primeiros dias ou meses ela dormia em uma almofadinha, dentro de casa. Lembro-me também, das vezes que eu ia para escola, minha mãe e pai trabalhar e quando voltávamos para casa, tínhamos de procurar Jolly, e depois de um tempo percebemos que ela sempre ia para a sapateira. Sabe aquelas de 3 prateleiras que fecha com um zíper ? Então, ela ficava lá, na última prateleira, encolhidinha, morrendo de medo sei lá do que e nós tínhamos que chamá-la várias vezes, agradá-la e convence-la de que não havia perigo. Lembro-me desses dias como se fosse há pouquíssimo tempo e não há  13 anos atrás. Lembro também de quando eu passava horas no quintal brincando com a bolinha dela e correndo e de vez em quando, Jolly com seus dentinhos pequeninos mordia meu calcanhar e lembro-me de reclamar para meu pai, mas ele sempre dizia: É só brincadeira dela. E eu compreendi. Certa vez ela me mordeu pra valer, mas eu mereci. Irritei-a com sua bolinha e não queria devolver. Rs, chorei, mas é claro ao final do dia eu estava brincando novamente com ela. Às vezes nós íamos a um barranco, um espaço na cidade, tipo um campo, e ela corria feliz. Corria e corria, disputando comigo.
    Mas hoje ela tem uma espécie de tumor perto da virilha, uma pelota agora grande e esquisita. Aparentemente não causa dor, caso contrário ela choraria. Tem tempos também que ela quase não pula, não corre, só fica deitada quietinha às vezes brincando muito lentamente com minha irmã. Percebo que às vezes ao caminhar seus braços e pernas tremem e ela tem certa dificuldade para se deitar devido o tumor. O veterinário disse que operar seria pior porque ela provavelmente não aguentaria a cirurgia e morreria. Nesse momento em que faço o texto estou chorando, de arrependimento e de medo. Arrependo-me das vezes que não fiquei com ela, claro que eu tinha outras coisas como estudar... Mas eu poderia ter tido um tempinho não é ? Parece que a gente deixa de ser criança e se esquece do que nos fazia feliz. E tenho medo de que logo ela se vá, sei que não viveria para sempre, mas todos sabem disso no entanto ninguém está preparado para isso.
     Ela deve estar meio surda e com a visão ruim, mas o que mais me machuca é que hoje é impossível eu pegá-la no colo. Ela rosna para mim e eu não sei se é porque o tumor a faz doer ou porque hoje ela me odeia ou qualquer coisa do tipo. De qualquer forma faço esse post para ela, mesmo que ela não venha nunca a ler, afinal de contas é uma cachorra. São 13 anos. TREZE. Isso é metade da minha vida. Eu tinha 6 anos quando ela chegou aqui. Seis. É tão ruim cair a ficha de que você não fez o bastante. É tão ruim saber que logo ela poderá...É tão ruim olhar para ela hoje e ver como está, triste, cansada...doente. E eu simplesmente não poder fazer nada sabe...Só espero que ela não pense que não a amo, pelo contrário ela me acolheu muito, em muitas vezes que eu não tinha ninguém e serei eternamente grata por isso.


As fotos de cima são atuais, a menina com a Jolly é minha irmã Lays. Tentarei scanear uma foto de quando Jolly chegou em casa.
PS: Não sei porque os olhos dela ficam assim nas fotos.
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14 de fevereiro de 2013

Palavras II

     



      E as palavras e frases ecoavam em sua mente de forma incessante. Era difícil desviar-se delas, era torturante, mas insistiam em ficar na sua mente.  Era um , eram dois, eram três tempos e nada de pensar em outra coisa. Parecia que gostava da dor, mas não, não gostava. A odiava com todas as forças, pois a feria em um lugar que a dor gosta de morar. Lá no fundo do peito, estava ferindo-a, estava machucando-a e estava matando-a. Por mais que se esforçasse não conseguia vencer, não conseguia fazer cessar toda a agonia que era...Pensar.
      E as palavras e frases ecoavam em sua mente de forma incessante, de forma agonizante. Era difícil desviar-se delas, era torturante , mas insistiam em fazê-la sofrer. E não via saída para aquele momento, para aquele acontecimento assim como não via saída para todos os outros. Todos os tempos só fez doer, só fez sofrer e odiava-se por não ser capaz de curar e odiava-se por não ser capaz de ... Fazer sorrir.



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12 de fevereiro de 2013

Caminhada

Gritaram horrores aos céus
Despiram-se da dor, tiraram os véus
Foram sozinhos para o caminho de repouso
Deitaram na terra fofa, enfim acabou o esforço

Mas um ser solitário mostrou prostração
Não conseguia, havia muitos cortes; presunção
Por todo o corpo, cicatrizes da vida eivada
Atirou pedras no mar negro desistiu da caminhada

Os outros não o ajudaram, ele era infausto
E todos eram maus, mas antes eram falsos
O ser bifurcado caiu e quebrou as costas
O deixaram lá, não iriam abrir as portas.
                                              11.2.12
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8 de fevereiro de 2013

Presos

Não sei bem porque fiz esse poema, tão pouco sei o que significa...Ao menos ao certo.





Jogaram contra nós, decisões
Sufocaram-nos diante do proscênio
Disseram para seguir os ''corações
Mas destruíram o nosso milênio

Jogaram contra nós, escolhas
Sufocaram-nos diante do escopo
Rabiscaram e mancharam as folhas
As nossas folhas, fizeram-nas esgoto

Perguntaram-nos o que desejamos
Responderam antes, gritaram ao céus
Jogaram-nos, presos agora estamos
Ficamos novamente, no banco dos réus

Esqueceram que temos dúvidas
E que se de fato perguntamos
Não queremos recebe-las em fúrias
Não sabemos e de longe as ditamos

O medo faz-se presente na respiração
Presos estamos, na criação do furor
Não caminhamos, não temos direção
Juntos sucumbimos, ao preço da dor.
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6 de fevereiro de 2013

Sobre a frustração

Eles não entendem. Não sabem o que é o fracasso. Bom, sabem...Mas não entendem que cada fracasso é único. Se eles falham, decidem que precisam se reerguer e continuar, mas se nós falhamos a história é outra.

Dizem que também temos que nos reerguer, no entanto dizem como se fosse fácil. Falam sobre tudo, como se tudo fosse simples. Não é. E uma vitoria não é o bastante para apagar tantos fracassos, tantos tempos depreciativos, tantas frustrações. A sensação de não ter o dever cumprido é horrível, e isso parece não entrar na cabeça deles. E daí que vencemos essa batalha, a guerra ainda é longa e metade do caminho foi traçado a base de sorte. O outro caminho o ''destino'' ainda não decidiu se te deixará jogar.

100 pontos em 100. 50 falhas em 40. Não percebe a incoerência ? É disso que estamos falando. De conseguir, de conseguir para si e não para o mundo ou para os outros que vivem nele. De nada vale o mundo todo bater palmas para você, se seu reflexo no espelho da alma e na sua cabeça te dá nojo. O mundo não sabe de nada.

É triste acordar todas as manhãs com o pensamento de : Será diferente agora...Hoje. E no final do dia encostar a cabeça no travesseiro e murmurar a si mesmo que foi do mesmo jeito que ontem. O tempo meus caros, está passando e nós passando com ele. Ele não espera e gosta de nos frustrar. Mas eles continuam não entendendo que uma vitória não apaga mil fracassos.

E assim nós vamos...Nos enganando, nos reerguendo para uma luta que sabemos que iremos perder. Mas não colocamos deste lado a visão, porque somos covardes. Ao menos eles são. E não entendem. Não entendem.
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4 de fevereiro de 2013

Rosas





Havia uma rosa vermelha
Um presente da natureza
Tão pura quanto a seiva

De fragrância boa e inebriante
Visão bela e estonteante
Fez seu coração ser palpitante

A chuva morria diante de sua beleza
A rosa era divina, era vermelha
Que causava inveja até na abelha

As rosas amarradas em um buquê
Perguntavam-se somos feitas para quê
E o vento respondeu, de amor é o seu ser

Os poucos, raros e belos versos de amor
Que criou o magnífico  poeta da dor
Foi destinado àquele que livra do amargor





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30 de janeiro de 2013

Espelhos.





É o fogo que começa sem faísca
Faz queimar o quarto sem saída
Traduz as palavras do antigo ódio
Nas paredes de um solitário mundo sórdido

Respira e tenta engolir a culpa
Não consegue, sabe que não há desculpa
Atira amargor por trás dos livros
Não compreende, perdeu-se nos escritos

O corpo está cansado da luta invisível
Mas há uma guerra de derrota irreversível
Perdeu tantas batalhas contra si mesmo
Que não consegue olhar no espelho sem desprezo.


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28 de janeiro de 2013

Semente



E morre lentamente
De volta à condição de semente
De onde nunca deveria ter saído
Um, dois...Deu seu último suspiro.
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24 de janeiro de 2013

Canalização


Eu canalizei meus demônios
Em uma poça de sangue
Eu os canalizei no meu esplendor
Eu andei no inferno
O inferno que eu construí
E eu me deixei ferir
Na dor do meu próprio sentir
Eu andei nas chamas da dor
Do meu ardor e do meu rancor
Eu canalizei meus demônios
Em uma poça de sangue
O sangue que eu fiz jorrar
Das veias do meu corpo
Do meu solitário e insano corpo
Era o inferno que eu cacei
Eu tornei santa a palavra Forte
Eu era água da vida e da morte
Eles disseram-me a palavra mágica
Cortem-lhe a garganta e deixe escorrer
Oh, sim mataram-me mas esqueceram
Que eu já tinha começado a morrer.
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Evoluir dói

não sei ao certo como começar esse texto. espero que um dia acorde como eu. é doloroso, parece que seus olhos vão se afogar nas próprias lá...