A chuva

 

 A chuva havia começado e eu nem tinha percebido, o que é estranho, pois normalmente sinto cheiro da chuva antes mesmo de ela chegar. O som não estava tão alto dessa vez e minha atenção estava focada em outra coisa, talvez seja esse o motivo de minha não percepção da chuva.
      De qualquer forma, ela caia e caia, forte e majestosa. Limpava a rua e a mente das pessoas. Livrava-as de sua rotina, tinham que parar para apreciar a chuva. Majestosa chuva. O céu não estava escuro, estava azul um azul intenso e quase mágico, e se olhássemos para cima tudo o que víamos eram vários pingos surgirem aparentemente do nada e roçarem nosso rosto e depois o chão.
     Não havia vento e parecia que o calor do sol ainda estava presente na chuva. Em cada gota que ela derramava sobre os seres inferiores ao seu poder. O calor do sol estava nela. O vento deve ter ficado com medo, pois ela chegou de repente. Sem avisar despencou sobre a vida das pessoas inócuas de toda aquela cidade. E eu me perguntava para onde a chuva gostaria de ir a cada nova viagem.
   Majestosa chuva, caía lá fora enquanto eu na proteção de minha casa suspirava em temê-la, bem como toda a natureza. 

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