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Mostrando postagens de Fevereiro, 2013

Podridão

Como sempre mais um poema dizendo sobre as mesmas coisas.


Seu caminho foi traçado
Infortúnio e dor, foi falado
Sua moradia, o cemitério
Não teste, não há mistério

As tentativas foram em vão
Trilhas perdidas, caminho de escuridão
De sua boca o veneno escorre
Ele queima a todo que escolhe

Na sua cabeça só há podridão
Agora seu corpo é feito de escarificação

Sua vida é regida pelo fracasso
Não perca tempo, não vale mais um passo.
                                          27.2.13

A criatura

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Pelo buraco da fechadura ele olhava o quarto escuro. Não enxergava nada, mas sabia que havia algo lá dentro. Forçou o olho mais uma vez quando de repente um feixe de luz saiu da janela do lado direito, aquela que vinha da rua,e uma pequena iluminação no restante do quarto pode ser feita. Ele agora via que de fato não havia ninguém lá dentro, no entanto,ele sentia uma presença sombria.
    O feixe de luz não fez nada a não ser iluminar, enquanto ele continuava a espiar. Todavia, subitamente algo se materializou dentro do quarto. Tinha asas negras enormes que quase tocavam o teto, estava de costas para a luz da rua, de modo que ver seu rosto era impossível. Tinha o corpo brilhante,um brilhante branco. As roupas eram brancas mescladas de preto e os sapatoseram cinzas. Espreguiçou-se;ao menos foi isso que o garoto pensou que estava fazendo. O ser de asas negras levantava os braços para o alto e ajeitava as asas, gemendo como se algo estivesse ferido, até que o garoto olhou paraum corte na…

Jolly -

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Eu lembro exatamente do dia em que a fomos buscar. Tão pequenina, parecia caber na minha mão. Tão tímida  estava com medo eu acho. Imagino que não foi fácil para ela deixar seus irmãos. Mas lá estávamos nós, levando minha cachorrinha da raça Pintier para casa. Minha mãe, lembro-me, virou-se do banco da frente do carro e olhou para ela e disse seu nome é Jolly. E eu disse, com meus 7 anos: Jolly ? E minha mãe: É, é legal não é. E eu concordei. Ficava passando a mão no pelo dela e nas orelhinhas caidinhas.
   Chegamos em casa e nos primeiros dias ou meses ela dormia em uma almofadinha, dentro de casa. Lembro-me também, das vezes que eu ia para escola, minha mãe e pai trabalhar e quando voltávamos para casa, tínhamos de procurar Jolly, e depois de um tempo percebemos que ela sempre ia para a sapateira. Sabe aquelas de 3 prateleiras que fecha com um zíper ? Então, ela ficava lá, na última prateleira, encolhidinha, morrendo de medo sei lá do que e nós tínhamos que chamá-la várias veze…

Palavras II

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E as palavras e frases ecoavam em sua mente de forma incessante. Era difícil desviar-se delas, era torturante, mas insistiam em ficar na sua mente.  Era um , eram dois, eram três tempos e nada de pensar em outra coisa. Parecia que gostava da dor, mas não, não gostava. A odiava com todas as forças, pois a feria em um lugar que a dor gosta de morar. Lá no fundo do peito, estava ferindo-a, estava machucando-a e estava matando-a. Por mais que se esforçasse não conseguia vencer, não conseguia fazer cessar toda a agonia que era...Pensar.
      E as palavras e frases ecoavam em sua mente de forma incessante, de forma agonizante. Era difícil desviar-se delas, era torturante , mas insistiam em fazê-la sofrer. E não via saída para aquele momento, para aquele acontecimento assim como não via saída para todos os outros. Todos os tempos só fez doer, só fez sofrer e odiava-se por não ser capaz de curar e odiava-se por não ser capaz de ... Fazer sorrir.



Caminhada

Gritaram horrores aos céus
Despiram-se da dor, tiraram os véus
Foram sozinhos para o caminho de repouso
Deitaram na terra fofa, enfim acabou o esforço

Mas um ser solitário mostrou prostração
Não conseguia, havia muitos cortes; presunção
Por todo o corpo, cicatrizes da vida eivada
Atirou pedras no mar negro desistiu da caminhada

Os outros não o ajudaram, ele era infausto
E todos eram maus, mas antes eram falsos
O ser bifurcado caiu e quebrou as costas
O deixaram lá, não iriam abrir as portas.
                                              11.2.12

Presos

Não sei bem porque fiz esse poema, tão pouco sei o que significa...Ao menos ao certo.





Jogaram contra nós, decisões
Sufocaram-nos diante do proscênio
Disseram para seguir os ''corações
Mas destruíram o nosso milênio

Jogaram contra nós, escolhas
Sufocaram-nos diante do escopo
Rabiscaram e mancharam as folhas
As nossas folhas, fizeram-nas esgoto

Perguntaram-nos o que desejamos
Responderam antes, gritaram ao céus
Jogaram-nos, presos agora estamos
Ficamos novamente, no banco dos réus

Esqueceram que temos dúvidas
E que se de fato perguntamos
Não queremos recebe-las em fúrias
Não sabemos e de longe as ditamos

O medo faz-se presente na respiração
Presos estamos, na criação do furor
Não caminhamos, não temos direção
Juntos sucumbimos, ao preço da dor.

Sobre a frustração

Eles não entendem. Não sabem o que é o fracasso. Bom, sabem...Mas não entendem que cada fracasso é único. Se eles falham, decidem que precisam se reerguer e continuar, mas se nós falhamos a história é outra.

Dizem que também temos que nos reerguer, no entanto dizem como se fosse fácil. Falam sobre tudo, como se tudo fosse simples. Não é. E uma vitoria não é o bastante para apagar tantos fracassos, tantos tempos depreciativos, tantas frustrações. A sensação de não ter o dever cumprido é horrível, e isso parece não entrar na cabeça deles. E daí que vencemos essa batalha, a guerra ainda é longa e metade do caminho foi traçado a base de sorte. O outro caminho o ''destino'' ainda não decidiu se te deixará jogar.

100 pontos em 100. 50 falhas em 40. Não percebe a incoerência ? É disso que estamos falando. De conseguir, de conseguir para si e não para o mundo ou para os outros que vivem nele. De nada vale o mundo todo bater palmas para você, se seu reflexo no espelho da alma …

Rosas

Havia uma rosa vermelha
Um presente da natureza
Tão pura quanto a seiva

De fragrância boa e inebriante
Visão bela e estonteante
Fez seu coração ser palpitante

A chuva morria diante de sua beleza
A rosa era divina, era vermelha
Que causava inveja até na abelha

As rosas amarradas em um buquê
Perguntavam-se somos feitas para quê
E o vento respondeu, de amor é o seu ser

Os poucos, raros e belos versos de amor
Que criou o magnífico  poeta da dor
Foi destinado àquele que livra do amargor