A criatura







         Pelo buraco da fechadura ele olhava o quarto escuro. Não enxergava nada, mas sabia que havia algo lá dentro. Forçou o olho mais uma vez quando de repente um feixe de luz saiu da janela do lado direito, aquela que vinha da rua, e uma pequena iluminação no restante do quarto pode ser feita. Ele agora via que de fato não havia ninguém lá dentro, no entanto, ele sentia uma presença sombria.
    O feixe de luz não fez nada a não ser iluminar, enquanto ele continuava a espiar. Todavia, subitamente algo se materializou dentro do quarto. Tinha asas negras enormes que quase tocavam o teto, estava de costas para a luz da rua, de modo que ver seu rosto era impossível. Tinha o corpo brilhante, um brilhante branco. As roupas eram brancas mescladas de preto e os sapatos eram cinzas. Espreguiçou-se; ao menos foi isso que o garoto pensou que estava fazendo. O ser de asas negras levantava os braços para o alto e ajeitava as asas, gemendo como se algo estivesse ferido, até que o garoto olhou para um corte na parte da frente da asa esquerda...Estava sangrando.
    O ser caminhou até a cama vazia, coberta por um lençol de seda vermelho e sentou-se. Nesse momento pelo buraco da fechadura o garoto pode olhar o rosto da criatura, era a coisa mais bela que já vira na vida, e poderia dizer isso apenas com doze anos. Os olhos do ser eram pretos como pérolas negras e a boca era delineada angelicalmente com um leve tom vermelho, mas não de batom, e sim um vermelho natural. A pele era impecável como de pêssego, as orelhas de tamanho médio tinham algumas perfurações as quais se encontravam objetos de metal. Os cabelos pretos e lisos caiam sob os ombros, e o restante do corpo era forte. Os cílios eram grandes de modo que quando fechava os olhos eram bem visíveis. Ele falava sozinho em um idioma que o garoto não reconheceu.
    O menino estava tão fascinado que não percebeu que ao se mexer para ajeitar a posição fez um barulho ínfimo aos ouvidos humanos, mas não para a criatura. Ela olhou diretamente para a porta, enfurecida e levantou-se no exato momento. O garoto afastou-se de súbito, e aterrorizado, arrastando-se para trás caiu, e quando a porta do quarto abriu a criatura estava em pé, totalmente visível graças à luz da rua. A criatura era sombria, soturna e estava com raiva. Deu dois passos à frente e parou. Abriu um sorriso malicioso e o garoto não sabia o que fazer.
    As asas da criatura se abriram e poderiam ter cinco metros de ponta a ponta. Os braços abriram-se também, mas não para um abraço, e sim para um assassinato. Ele iria matar o garoto, se este não estive feito o sinal. Sim, o sinal. Ele abaixou-se de forma fetal, porém, de frente para a criatura, como uma referência e a criatura entendeu que o menino estava disposto a lhe servir. Fechou as asas e os braços e murmurou algo. 
O garoto estava vivo, por enquanto

Você pode ler a parte II aqui

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