Jolly -

 





    Eu lembro exatamente do dia em que a fomos buscar. Tão pequenina, parecia caber na minha mão. Tão tímida  estava com medo eu acho. Imagino que não foi fácil para ela deixar seus irmãos. Mas lá estávamos nós, levando minha cachorrinha da raça Pintier para casa. Minha mãe, lembro-me, virou-se do banco da frente do carro e olhou para ela e disse seu nome é Jolly. E eu disse, com meus 7 anos: Jolly ? E minha mãe: É, é legal não é. E eu concordei. Ficava passando a mão no pelo dela e nas orelhinhas caidinhas.
   Chegamos em casa e nos primeiros dias ou meses ela dormia em uma almofadinha, dentro de casa. Lembro-me também, das vezes que eu ia para escola, minha mãe e pai trabalhar e quando voltávamos para casa, tínhamos de procurar Jolly, e depois de um tempo percebemos que ela sempre ia para a sapateira. Sabe aquelas de 3 prateleiras que fecha com um zíper ? Então, ela ficava lá, na última prateleira, encolhidinha, morrendo de medo sei lá do que e nós tínhamos que chamá-la várias vezes, agradá-la e convence-la de que não havia perigo. Lembro-me desses dias como se fosse há pouquíssimo tempo e não há  13 anos atrás. Lembro também de quando eu passava horas no quintal brincando com a bolinha dela e correndo e de vez em quando, Jolly com seus dentinhos pequeninos mordia meu calcanhar e lembro-me de reclamar para meu pai, mas ele sempre dizia: É só brincadeira dela. E eu compreendi. Certa vez ela me mordeu pra valer, mas eu mereci. Irritei-a com sua bolinha e não queria devolver. Rs, chorei, mas é claro ao final do dia eu estava brincando novamente com ela. Às vezes nós íamos a um barranco, um espaço na cidade, tipo um campo, e ela corria feliz. Corria e corria, disputando comigo.
    Mas hoje ela tem uma espécie de tumor perto da virilha, uma pelota agora grande e esquisita. Aparentemente não causa dor, caso contrário ela choraria. Tem tempos também que ela quase não pula, não corre, só fica deitada quietinha às vezes brincando muito lentamente com minha irmã. Percebo que às vezes ao caminhar seus braços e pernas tremem e ela tem certa dificuldade para se deitar devido o tumor. O veterinário disse que operar seria pior porque ela provavelmente não aguentaria a cirurgia e morreria. Nesse momento em que faço o texto estou chorando, de arrependimento e de medo. Arrependo-me das vezes que não fiquei com ela, claro que eu tinha outras coisas como estudar... Mas eu poderia ter tido um tempinho não é ? Parece que a gente deixa de ser criança e se esquece do que nos fazia feliz. E tenho medo de que logo ela se vá, sei que não viveria para sempre, mas todos sabem disso no entanto ninguém está preparado para isso.
     Ela deve estar meio surda e com a visão ruim, mas o que mais me machuca é que hoje é impossível eu pegá-la no colo. Ela rosna para mim e eu não sei se é porque o tumor a faz doer ou porque hoje ela me odeia ou qualquer coisa do tipo. De qualquer forma faço esse post para ela, mesmo que ela não venha nunca a ler, afinal de contas é uma cachorra. São 13 anos. TREZE. Isso é metade da minha vida. Eu tinha 6 anos quando ela chegou aqui. Seis. É tão ruim cair a ficha de que você não fez o bastante. É tão ruim saber que logo ela poderá...É tão ruim olhar para ela hoje e ver como está, triste, cansada...doente. E eu simplesmente não poder fazer nada sabe...Só espero que ela não pense que não a amo, pelo contrário ela me acolheu muito, em muitas vezes que eu não tinha ninguém e serei eternamente grata por isso.


As fotos de cima são atuais, a menina com a Jolly é minha irmã Lays. Tentarei scanear uma foto de quando Jolly chegou em casa.
PS: Não sei porque os olhos dela ficam assim nas fotos.

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