Knock Knock








Stop losing your time
Lies, take a glass of wine
You'd be better blind

Knock, knock , someone is knocking at the door
It's the reality saying you don't have to cry anymore

Why ? she asked to the lonely True
Because the hell, with your soul is full

And this is a reason to smile ?
Yes, now you'll pay , and everything will be fine.

27.08.13

Folhas amarelas

 





    O ar fica diferente sabe ? E parece que o sol mudou de lugar ou de resistência. . As folhas das árvores caem uma a uma lentamente, amareladas fazendo um contraste enorme com as verdes ainda firmes no topo da árvore. Você inspira e sabe que voltou, e de repente lembranças da infância mais remota voltam à sua mente é...Incrível. E um filme...Ah um simples filme intensifica essa sensação.
    O cheiro do café. Nossa, como ele traz memórias. Se bem que, já foi comprovado que o olfato é o sentido que mais ativa a memória. Por um instante eu não desejei voltar. Mas era preciso.
    Os livros da estante ainda estavam do mesmo modo como havia deixado. O quarto estava intocado. A noite foi tranquila ainda que tenha se levantado de  madrugada e como de costume parou em frente ao quintal e olhou para o céu estrelado. Como sentiu falta das estrelas. Parece que tinha voltado não para casa, mas para um tempo diferente. Um tempo passado, vivido há anos. Mas tudo bem, a nova vida não era ruim...Era só diferente e acelerada.
    O frio. Sentia frio de forma diferente. O sol aqui esquentava seu corpo  ao contrário do que acontecia lá. Podia sair na rua e senti-lo penetrar no rosto. O vento roçar as bochechas. Um, dois, três suspiros.
E foi assim que se sentiu bem, não que estivesse ruim, mas é outra coisa sabe ? É bom voltar às vezes. Isso nos lembra de onde viemos e porque saímos.




"You tossed a blanket from the bed
You lay upon your back, and waited
You dozed, and watched the night revealing
The thousand sordid images"

-T.S Eliot


Ontem - Paráfrase

Parafraseando Carlos Drummond de Andrade - Ontem

Até hoje perplexa
ante o que morreu
e não era a alma

De como este espelho
não manteve minha forma
apenas minha falácia

Nem este corpo
caminha e age
como antes fazia

Tudo foi efêmero
e esquecido
Mas  está gravado

Não no ar, em mim
que por minha vez
escrevo, mas não respiro.

Foi o que disseram

     Me disseram que seria diferente. Que teria de ser. Mas até agora a única diferença é que estou mais sozinha, no meu mundo distante de onde ele costumava ficar. As mesmas frustrações voltaram. No entanto, de forma brusca e maior. O mar tem muito mais peixes agora. Há tubarões brancos e baleias azuis. Há cobras d'água e peixes com 50 anos de idade e experiência na caça. O mar agora é outro.
     Tudo o que faço é sorrir para eles, não para os peixes de agora. Para os do meu antigo mar. Sorrio como se tudo estivesse bem, e de fato está não é ? Venci não venci ? Defina...Vencer por favor.
Quando é que se vence nesse jogo ? O mar tem muito mais peixes agora. Peixes perigosos que estão no jogo há muito mais tempo que eu. O céu já não tem tantas estrelas. Esqueço-me da última vez que realmente olhei para elas. Sinto falta disso. Acordar no meio da noite e poder encarar o céu estrelado. Meu céu agora é feito de luzes artificiais. Meu mar está agitado e soturno. Os peixes querem me tirar daqui.
     Mas continuam a me julgar não é ? Pelas mesmas ações passadas. Pelas mesmas ações passadas.
Os infortúnios continuam, as dificuldades se fazem presente como sempre, no entanto dessa vez eram mais cruéis de forma estranha.
  Eu queria ir embora. Eu queria morar no planeta da solidão. Pois lá, eu não machucaria ninguém a não ser eu mesma.
  Eu morri como autor. O poeta da dor se foi. Pois toda a sua dor foi consumida pelo seu corpo pútrido. Se feriu e matou a dor, matou talvez não. Enterrou nos pulsos, nas mãos, no peito. Chorou aos céu de luzes artificiais. Chorou ao chão de vidro. Chorou por si. E pelos outros que não tinham coragem, Estava morta. Mas estava de pé.

Everyday

     





Everyday I wake up

Everyday I wake up alone

Everyday I wake up
Everyday I wake up alone
Kill Me - The Pretty Reckless




     Guarda roupas vazio, estantes vazias, tudo limpo e arrumado. O resto organizado. Em um compartimento grande e mais outro um pouco menor. Era uma mudança de casa, a diferença que seu núcleo familiar não irá junto com você. É como um casamento, a diferença é que está casando com uma instituição e não com uma pessoa. E é assim, pois você assumiu um compromisso. Está até saindo de casa por isso.
       Há uns dias atrás meu tio perguntou: Está chorando agora  ? E eu disse: Não, por quê ? E meu tio riu e disse: É quem fica que chora não é ? E eu disse: Ah, quem vai também chora, só que depois. Mas ele retorquiu: Não, quem vai tem novidade, então quase não chora. Eu apenas dei uma risada leve, mas pensando: Não, quem vai também chora, mas ninguém vê. Pois aos olhos do mundo temos de sorrir e com os olhos e o sorriso dizer: Vamos nessa, estou louco para começar essa nova vida. Mas não é bem assim. Nem sempre isso acontece, claro que negar a empolgação é mentira, mas dizer que ela apaga a tristeza do ''abandono'' também é.
      E todos falam e dão conselhos. Faça isso, não faça aquilo. Olhe para isso, pense bem naquilo. Todos te olham com orgulho ainda que antes não acreditassem. Agora são obrigados a isso e até mostram-se felizes e querem que estejamos também. Querem que eu esteja. Estou. Estou sim. Mas em parte  a garganta tem apertado e o travesseiro tem ficado molhado, mas ninguém viu, ninguém percebeu, ninguém deu a mínima.  
     Exceto talvez uma pessoa.
     Tudo está para mudar de uma forma brusca. Oficialmente adulta, sozinha, e quase que deixada em um lugar desconhecido pelos sentidos. Chega de : Me ajuda com isso, olha isso aqui, está certo ? E agora ? Acabou. Sou eu e eu, e quem sabe mais um eu que eu encontrar por ai. Apronte-se, está na hora.
Limpe o rosto garota! Não chore, é proibido chorar lembra-se ? É claro que me lembro...Era proibido chorar...por tais motivos.
     Mas logo estará de volta oras! Pois é, logo estará de volta.