Foi o que disseram

     Me disseram que seria diferente. Que teria de ser. Mas até agora a única diferença é que estou mais sozinha, no meu mundo distante de onde ele costumava ficar. As mesmas frustrações voltaram. No entanto, de forma brusca e maior. O mar tem muito mais peixes agora. Há tubarões brancos e baleias azuis. Há cobras d'água e peixes com 50 anos de idade e experiência na caça. O mar agora é outro.
     Tudo o que faço é sorrir para eles, não para os peixes de agora. Para os do meu antigo mar. Sorrio como se tudo estivesse bem, e de fato está não é ? Venci não venci ? Defina...Vencer por favor.
Quando é que se vence nesse jogo ? O mar tem muito mais peixes agora. Peixes perigosos que estão no jogo há muito mais tempo que eu. O céu já não tem tantas estrelas. Esqueço-me da última vez que realmente olhei para elas. Sinto falta disso. Acordar no meio da noite e poder encarar o céu estrelado. Meu céu agora é feito de luzes artificiais. Meu mar está agitado e soturno. Os peixes querem me tirar daqui.
     Mas continuam a me julgar não é ? Pelas mesmas ações passadas. Pelas mesmas ações passadas.
Os infortúnios continuam, as dificuldades se fazem presente como sempre, no entanto dessa vez eram mais cruéis de forma estranha.
  Eu queria ir embora. Eu queria morar no planeta da solidão. Pois lá, eu não machucaria ninguém a não ser eu mesma.
  Eu morri como autor. O poeta da dor se foi. Pois toda a sua dor foi consumida pelo seu corpo pútrido. Se feriu e matou a dor, matou talvez não. Enterrou nos pulsos, nas mãos, no peito. Chorou aos céu de luzes artificiais. Chorou ao chão de vidro. Chorou por si. E pelos outros que não tinham coragem, Estava morta. Mas estava de pé.

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