Aleatórios III

Mil e seiscentos anos. Eu tinha. Eu tive antes de perecer. Mil e seiscentos anos. Eu matei. Eu mato cada dia da minha vida. Eu nasci com seiscentos e passou-se o milênio sem nada a fazer. Deitei sozinha contra meu reflexo no espelho inquebrável. Os escritos nada dizem, não fazem sentido. Mil e seiscentos anos de destruição de caminhos incertos. Não me permitiam sair do buraco. Rasguei meu corpo e no pintei de novo, o refiz pela milésima vez na esperança de fazê-lo melhor e compatível, mas em vão. Em vão.
                                                                              19.3.13



A terra estava suja e molhada. Suja de corpos e molhada de lágrimas. Naquele espaço o homem velho não conseguia andar, seus pés estavam presos à lama que ficou vermelha com seu sangue. E ele caiu, rastejou até sua amada. Sua amada mortal que caminhava na direção oposta a dele, com uma faca pingando sangue em uma das mãos e na outra segurava o seu coração.
                                                                                 26.3.13


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