11 de maio de 2013

Verme




Um verme pisoteado por pés descalços
Eu era um verme castigado
Nada representava, era feito de pisos falsos
Eu era o corvo maltratado

A alma sombria que vagava sozinha
Eu era o monstro esquecido
Nada dizia, era a dor que te definha
Eu era o anjo perdido e caído

Às mãos incisivas e sangrentas
Eu era o corvo a crocitar
O som zumbia, matava as crenças
Eu era o morto a levantar

Tudo que o homem teme e abomina
Eu era um verme da carnificina

Nada significava, nada poderia contestar
Eu era a adaga, estava pronta para me sacrificar.

E era assim que acaba minha vida
Não com um suspiro, mas com um grito.*





* Referência ao poema Homens Ocos de T.S Eliot





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10 de maio de 2013

Serragem

             

 A comida parecia serragem em sua boca. A água era um veneno. Descia, mas queimava. Vai ver, era veneno. Ele desejou que fosse.
   Negou-se a qualquer prazer. Qualquer distração. O martírio era sua única solução.Facas, navalhas, lâminas. Outras soluções mais satisfatórias.
   Seu olfato não despertaria desejo por alimento tão cedo. Era uma promessa. A audição permitiria apenas a músicas do seu próprio circo de horror. E seu peito...Um tiro de 38 transpassaria. Ao menos assim, ele desejaria.
   A sua boca maldita, seu corpo ferido e mal-amado por si, suas mãos destruidoras de esperanças. Asas da rendição. Não as veria. Não existiam. Asas da morte. O anjo negro o visitaria. Ao menos assim, ele desejaria.
  Caminhava pelo cemitério - onde as terras dos mortos levantavam a poeira do remorso - os mortos choravam por ele. Pois nem ali era bem-vindo. Os mortos o expulsaram. Nem o Inferno iria o querer. Isso é claro, se existisse algum Inferno maior que sua própria vida desprovida de essência.
              A comida parecia serragem em sua boca. O chá cáustico. Perdido em sua desgraça ele se rendeu. Lâminas. Sonhou que uma delas transpassava seu pescoço, o sangue é que rasgava sua pele. Logo aquilo se tornaria sua realidade. Ao menos assim, ele desejaria.
   Um, dois, três. Bebeu de uma vez. O veneno. Seu sangue. Tornou-se um canibal. Um autocanibal.
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Evoluir dói

não sei ao certo como começar esse texto. espero que um dia acorde como eu. é doloroso, parece que seus olhos vão se afogar nas próprias lá...