Verme




Um verme pisoteado por pés descalços
Eu era um verme castigado
Nada representava, era feito de pisos falsos
Eu era o corvo maltratado

A alma sombria que vagava sozinha
Eu era o monstro esquecido
Nada dizia, era a dor que te definha
Eu era o anjo perdido e caído

Às mãos incisivas e sangrentas
Eu era o corvo a crocitar
O som zumbia, matava as crenças
Eu era o morto a levantar

Tudo que o homem teme e abomina
Eu era um verme da carnificina

Nada significava, nada poderia contestar
Eu era a adaga, estava pronta para me sacrificar.

E era assim que acaba minha vida
Não com um suspiro, mas com um grito.*





* Referência ao poema Homens Ocos de T.S Eliot





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