Olhares

"Tenho em mim, todas as dores do mundo." *


    Pelos campos verdes caminhava sozinha. De vez em quando esbarrava em uma flor. Roçava a mão no chão de grama e inspirava o ar calmamente. Os olhares a olhavam, mas ela não era vista. Jamais.
    A cada respiração, uma perdição. Foi-se o tempo. Foi-se a vida. Foi-se o mundo. Não havia solução, mas continuavam a caminhada como se houvesse alguma esperança. Mas não havia.
    A incapacidade. O desprezo. O remorso. A frustração. Formavam a poção mais poderosa do mundo. Capaz de derrubar até mesmo ela, que um dia se julgou forte.
    De que valiam tantos sorrisos no rosto se sozinha - e sempre procurava ficar não por martírio, não por drama, mas pelo prazer da companhia, sua garganta doía e sua mente não a permitia prosseguir? De que valiam?
    De todas as dores do mundo, a que mais feria era a única que nem os ''anjos'' - se fossem reais - seriam capazes de curar.
    E procurava razões e tentações. Motivos e certezas, para alcançar aquilo que nunca teria. O orgulho de si. Sempre haveria outros. E outros. E outros mais.
    Os mortos cantavam para seus ouvidos. A canção do abandono. Ela abandonara a si mesma no abismo vermelho de seu mundo negro. O chão estava frio, pois seus restos mortais jaziam ali há certo tempo.
    E foi assim que se compreendeu e admitiu que jamais teria o que todos querem. E o que ela queria era ter. Um motivo. Simples assim. Tão simples quanto provar uma verdade absoluta.


* Referência ao trecho de Fernando Pessoa


2 comentários:

  1. Ele é o cara.... Adorei =)

    http://nossoblogsecreto.blogspot.com.br/

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  2. Sim ele é rs ou foi o.O , aliás sempre será rs rs

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