5 de junho de 2013

Olhares

"Tenho em mim, todas as dores do mundo." *


    Pelos campos verdes caminhava sozinha. De vez em quando esbarrava em uma flor. Roçava a mão no chão de grama e inspirava o ar calmamente. Os olhares a olhavam, mas ela não era vista. Jamais.
    A cada respiração, uma perdição. Foi-se o tempo. Foi-se a vida. Foi-se o mundo. Não havia solução, mas continuavam a caminhada como se houvesse alguma esperança. Mas não havia.
    A incapacidade. O desprezo. O remorso. A frustração. Formavam a poção mais poderosa do mundo. Capaz de derrubar até mesmo ela, que um dia se julgou forte.
    De que valiam tantos sorrisos no rosto se sozinha - e sempre procurava ficar não por martírio, não por drama, mas pelo prazer da companhia, sua garganta doía e sua mente não a permitia prosseguir? De que valiam?
    De todas as dores do mundo, a que mais feria era a única que nem os ''anjos'' - se fossem reais - seriam capazes de curar.
    E procurava razões e tentações. Motivos e certezas, para alcançar aquilo que nunca teria. O orgulho de si. Sempre haveria outros. E outros. E outros mais.
    Os mortos cantavam para seus ouvidos. A canção do abandono. Ela abandonara a si mesma no abismo vermelho de seu mundo negro. O chão estava frio, pois seus restos mortais jaziam ali há certo tempo.
    E foi assim que se compreendeu e admitiu que jamais teria o que todos querem. E o que ela queria era ter. Um motivo. Simples assim. Tão simples quanto provar uma verdade absoluta.


* Referência ao trecho de Fernando Pessoa


2 comentários:

  1. Ele é o cara.... Adorei =)

    http://nossoblogsecreto.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  2. Sim ele é rs ou foi o.O , aliás sempre será rs rs

    ResponderExcluir

Fale comigo, estranho!

Mutter

Queria eu ser capaz de encontrar palavras melhores que pudessem expressar meu amor sagaz Ainda com meu título de escritora carrego no...