26 de julho de 2013

A menininha

                Havia algo de triste na chuva. Ela não lavava apenas as ruas como sempre fez, mas simplória e silenciosa desviava seu curso natural e pairava nas casas quietas. Casas que estavam preenchidas pelas vidas inócuas de pessoas sem vontade. A chuva descansava de sua viagem do céu nos telhados, nas janelas, nos jardins... Nos vidros.
    Havia algo de triste no cair das gotas, como se não bastasse molhar os vários guarda-chuvas abertos, ela queria mantê-los junto dela, de modo que não caia com rudez, mas era leve como uma pluma.O céu estava triste e a chuva desejava pintar as calçadas imundas com novas cores, cores das lágrimas dele.
   
No entanto, uma garotinha sorria atrás do vidro da janela de sua casa velha. O nariz encostado na vitrine gelada, as mãos pousadas na mesma e os dentes - alguns para nascer - coloriam a vista de quem olhava do lado de fora. Ela não queria deixar seu lugar no sofá bege, um pouco desgastado, mas ainda confortável. De pé no lugar de sempre, ela ficaria ali até que o último pingar escorresse diante dela mesma, no vidro tão gelado quanto os dias nebulosos. Dias estes em que a neve branca mescla-se ao asfalto negro, formando massas cinzentas e finas na cidade perdida em que ela morava, porém, para seu coração quente e sua mais nova descoberta desde que veio ao mundo, o frio não era tão medonho. Não a afetava como a seus familiares e o restante das pessoas daquela simples cidade.
   
Mas a chuva não cessou tão cedo,de modo que ela adormeceu e quando acordou o dia estava nublado, cinza e ... Triste, pois seu sorriso fora embora da janela. Fora embora cedo demais.

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25 de julho de 2013

25 de Julho - Dia do Escritor

  "Quando os escritores morrem, eles se transformam nos seus livros. O que, pensando bem, não deixa de ser uma forma interessante de reencarnação." Jorge Luis Borges  

           "As palavras são na minha humilde opinião nossa maior fonte de magia" J.K Rowling

     Não é a primeira vez que cito essa frase que a Rainha disse por meio de nosso amado Dumbledore, mas pensei que mais uma vez ela seria totalmente adequada. Hoje, dia 25 de Julho é o Dia do Escritor e qual a melhor maneira para uma pessoa como eu ( aspirante escritora) prestar homenagem a todos os Escritores senão escrevendo ? Então, vamos lá!

"Não se é escritor por ter escolhido dizer certas coisas, mas sim pela forma como as dizemos." Jean-Paul Sartre

     Meu querido e sábio Sartre mais uma vez disse as palavras certas. Quantas e quantas vezes perdi-me nos livros, nas palavras de outras pessoas e em mundos criados por outros ? Quantas  vezes ao ler determinado trecho chorei, ri, cantei e aventurei-me ? Quantos poemas já não expressaram exatamente aquilo que eu sentia ou mesmo queria dizer, mas no momento não pude ou mesmo não consegui demonstrar em palavras ? Quantos livros encaminharam-me para um universo totalmente diferente e novo, um universo mágico do qual eu jamais quis sair ? Perde-se a conta, de fato. Os escritores nos apresentam outra realidade, nos ajudam a fugir da nossa. 

    Porém, falar dos escritores e dos livros para mim é como uma mãe fala do filho. Poderia ficar dias elogiando sempre com um sorriso no rosto. Os livros para mim são mais que preciosos, tão mais que não encontro palavras para descrever o sentimento que tenho por eles.  A arte de escrever é ... é mais que mágica. Saber juntar as palavras de modo que... de modo que o leitor ao passar os olhos fique vislumbrado é...Nossa, é incrível. A arte de criar um personagem o qual criamos afeto ou qualquer sentimento seja bom ou ruim é admirável. Transformar-se em outra pessoa é fenomenal.  Os escritores são os profissionais mais brilhantes do mundo, pois podem ser o que quiserem e quando quiserem. Cada escritor tem seu estilo e é exatamente esse estilo único que os fazem ser...Singulares. 

   Ser Escritor é mais que sentar em frente ao computador ou com um caderno na mão e escrever qualquer coisa, qualquer palavra ou qualquer frase. Ser escritor é ter a  necessidade mais que súbita e mais que natural de pintar palavras  no papel aquilo que não pode-se deixar a boca cantar. Ser escritor é conseguir vez por outra colorir a vida daqueles que ousam entrar em seus mundos impressos, em seus mundos imaginados e uma vez sonhados transportados para a folha. E porque não admitir que muitas vezes os Escritores desafiam-nos quando colocam em palavras aquilo que temos medo ou vergonha de dizer ? Os escritores não têm medo, pois foram agraciados com a arte de matar qualquer temor, eles possuem a a arma mais poderosa, capaz de calar até o mais indômito Homem-Ditador : a escrita, a palavra.

    A todos os escritores que já passaram pela minha vida um mais que sincero Obrigada. À J.K Rowling em especial, é claro. Uma vez que ela não  é somente  uma inspiração de vida e continuará sendo para mim, mas também obrigada por me salvar tantas vezes na infância e na adolescência. 



  
  
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15 de julho de 2013

15 de julho - Dois Anos Sem Harry Potter

Hoje dia 15 de julho de 2013 fazem exatos dois anos desde que Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte II foi lançado nos cinemas. Fazem dois anos que os corações dos Potterheads choram a dor de não poder esperar mais nenhum filme, mesmo sabendo que não haverá mais nenhum livro sobre o nosso bruxo  desde 2007. No dia 21 de julho  de 2007 Harry Potter e as Relíquias da Morte - livro - estaria sendo lançado, logo em 2013 fazem seis anos desde que o menino que sobreviveu cumpriu sua missão, de fato.

Lembro-me exatamente do dia em que enxerguei o exemplar de Harry Potter e a Pedra Filosofal na estante da minha tia em Belo Horizonte. Eu estava passando férias lá - tinha 10 anos-, e estava à procura de algo para ler e passando o dedo pequeno pelos livros grandes eu vi o livro que eu ganharia de presente dela. Eu já conhecia o filme, mas como morava em uma cidade pequena adquirir qualquer livro era um pouco mais complicado que hoje onde a internet faz seu papel. Naquela época viajar para cidades maiores em busca de livrarias exigia um pouco mais que apenas vontade. De qualquer forma eu puxei o livro. Manuseei com cuidado. Abri. Sorrindo a todo momento. Li a dedicatória da autora que viria a se tornar a minha mais admirada e querida escritora no mundo. Apaixonei logo nas primeiras páginas em que passeis os olhos grandes e pude ver Harry Potter nelas. Eu queria lê-lo ali, naquele quarto pequeno em que eu dormia. Queria adentrar no mundo que eu só conhecia pelas telas da televisão, mas eu também queria que o livro fosse meu. Apenas meu. Portanto, inocente comentei com minha tia, ela sabia um pouco da minha paixão por Harry Potter - pelos filmes, inicialmente- , mas ela não hesitou em pegar a caneta e fazer uma dedicatória no livro para mim.

Finalmente, entregou-me o livro e eu fui para a sala de estar cujo sofá confortável serviria-me de assento pelos próximos dois dias em que eu continuaria a conhecer minha paixão através das palavras de J.K Rowling. Sentei-me e lá fiquei  o restante da tarde. Lembro-me também que uma amiga dela havia a visitado naquela tarde e mesmo que a pessoa fosse minha amiga também eu não soltei o livro para ficar conversando. Ao final da tarde eu estava somando os pontos das casas para a Copa das Casas e orgulhei-me ao ver que Grifinória havia ganhado com 482 pontos. Eu queria a Câmara Secreta. Por sorte minha tia na época era do tipo que faria meus caprichoso se ela pudesse. E de fato fez. Fomos ao Shopping no dia seguinte e eu sai de lá com meu exemplar de Harry Potter e a Câmara Secreta nas mãos. Foi um dos melhores dias da minha infância. No dia seguinte eu havia terminado de lê-lo. Com o tempo essa mesma tia foi comprando os outros livros. Alguns eu ganhei em ocasiões tristes as quais eu não acho valer a pena contar aqui. Conto apenas que nesses momentos tristes e dolorosos de minha vida a aventura de Harry Potter  no torneio Tribuxo foi o que me salvou da depressão e quem sabe da loucura. A tristeza de perder Sirius foi minha tristeza e quando eu vi Dumbledore morrer diante de meus olhos, ali , assassinado por Snape - fato que me faria o odiar por algum tempo -, eu chorei. Chorei com Harry, Hermione, Rony e todos os estudantes e professores de Hogwarts.

O que estou tentando dizer hoje é que ainda 16 anos depois e no meu caso 10 em que estou com Harry Potter eu não esqueci e nunca farei isso. A história que nossa Rainha criou é mais que apenas varinha e feitiços. É amor, é coragem, é misericórdia e bondade. É Amizade. Harry Potter não conquistou apenas números - e números grandes -, mas também corações, mentes, vidas. Ainda hoje eu releio os livros e os abraço como a um amigo. Eu vejo os filmes não como eu via as primeiras vezes ou seja, não com a alegria de poder esperar mais um. Hoje, muitas vezes ao ver os primeiros filmes sinto vontade de chorar quieta no quarto, pois sei que acabou...Em partes. Como já disseram ''Cada potterhead é uma horcruxe e isso faz com que Harry Potter viva em cada um de nós de modo que ele jamais morrerá'' , mas não posso negar que às vezes sinto um pesar por saber que não mais teremos Harry Potter retornando à Hogwarts. Retornando como eu tanto pedi que acontecesse comigo. Sei que nossas cartas de Hogwarts são na verdade nossos primeiros exemplares de Harry Potter e a Pedra Filosofal, mas eu pedi muito para minha carta chegar e sei que muitos também o fizeram.

Harry Potter sempre será parte de minha vida. Eu sempre amarei e J.K Rowling sempre será minha escritora preferida. A história dela é inspiração para mim que quero ser escritora também. Muitas foram as vezes em que recorri à história dessa pessoa incrível para me inspirar em momentos que pensei em desistir de seguir esse sonho.

É isso por hoje. Aos Potterheads minhas palavras de consolo, pois saibam que Harry Potter não acabou no dia 15 de julho tão pouco no 21 de julho. Harry Potter estará conosco até o fim dos tempos e mesmo depois disso ele continuará a viver. Nós somos a Geração Harry Potter e é com orgulho que digo isso.Ao contrário da legenda no poster, Tudo Não Acaba Aqui. Isso só serviu para mostrar o quanto Harry Potter é grande e sua legião de fãs e amigos maior ainda. Harry Potter é eterno. À nossa Rainha J.K Rowling um sincero muitíssimo obrigada por ter sido minha infância, adolescência e fase adulta e ainda o que será minha velhice.





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9 de julho de 2013

Obsoleta



Havia uma idosa sentada na varanda de sua velha casa. Uma casa pintada há anos, com cores já tão esquecidas quanto o homem que as pintara. O branco das paredes há muito tornara-se um amarelo quase marrom, um marrom podre e sem vida.
Ela balançava em sua cadeira. A velha cadeira forjada pelas mãos de seu filho, hoje morto em guerra, mas morto antes em sua mente, que tão pouco se lembrava daquela fisionomia desde sua partida para cumprir um seu suposto dever patriota. Para frente e para trás ela balançava na esperança de que o próximo embalo a levasse para outro mundo. Desconhecido e novo. Um mundo de sonhos.
O corpo cansado e fastio pela idade não colaboravam, e ela passava todo o seu tempo imóvel, e o passaria até o último instante de sua vida. Vivia nesse marasmo, como se não houvesse outro ofício que não o balançar estático de sua cadeira, metáfora suja de sua vida.
Levantou-se de súbito. Caminhou em direção ao quarto, o último cômodo da casa, ao lado da porta que saía para o quintal. Um quintal pintado com as folhas secas dos outonos passados. E quantos outonos...
Deitou a cabeça no travesseiro sem fronha, que ela tirara há tempos. Não queria que lhe cobrissem as lágrimas, não gostava de representar as cicatrizes da monotonia de sua vida triste. Uma vez deitada, de bruços na cama decrépita, não permitiu mais às lágrimas que vertessem, forçando o rosto contra o travesseiro. Não que ainda tivesse tantas forças, mas em sua mente as coisas pesavam e ajudavam-na a não mais erguer sua cabeça grisalha.
Sua visão turva tardaria a ter outra luz. Não que a desejasse profundamente, seu espírito, no entanto, desmazelado haveria de ver uma coisa somente antes de permitir que sua respiração chiada e seus estertores, de uma vez para sempre, cessassem.
A morte não seria surpresa nenhuma para ela, poderia vir em qualquer lugar, a qualquer momento, de qualquer jeito. Em sua idade, perdera o privilégio de teme-la; ela, que era das visitas a mais esperada.
Seus olhos cansados percorreram o quarto vazio e tropeçaram nas lembranças presas em fotografias que jaziam nas paredes, de pessoas que jaziam em covas rasas, cuja jovialidade jazia longe, longe da eternidade que prometia. Ainda que o gosto por elas deixado fosse doce, a solidão que hoje a envolvia o fazia amargo e triste. O desprazer de ser a vivente derradeira era visível em cada ruga de seu rosto pequeno e murcho.
Sua existência era hoje os objetos frios, as cartas amarelecidas, os calendários de décadas passadas, os relógios parados e as outras bugigangas lacônicas que guardava em caixas pretas prontas para o esquecimento. De insônia não sofria, embora o sono da morte nunca lhe quisesse fechar as pálpebras. Comia pouco, e já nem se lembrava de tomar seus remédios.
Contudo, uma única paixão ainda vivia: as flores. Felicidade remanescente que ainda podia tocar; pequenos prazeres que brotavam nas janelas. Alegrava-a sua visão, e lamentava-se se morriam. Mas não gostava tampouco da atitude egoísta de prendê-las para si, de condená-las sob os telhados.
A cada dia um minuto a menos. A vida a fazia ver mortes. Não deixava saudades em ninguém, pois ela mesma nunca se fora. Ergueu-se lentamente de onde pensara ser seu último leito, e com dificuldade arrastou-se para a sala, quando se lembrou de que era preciso regar as plantas.
Ao contrário dela, as flores precisavam de alguém. Passou pelo quarto e pelo corredor esquivando-se dos móveis apodrecidos. Ao chegar na sala, uma dor no peito a fez sucumbir ao chão. Não gritava, pois desaprendera a falar ou mesmo grunhir há anos, por mais insuportável que lhe fosse o rombo no peito. Lembrando-se de seu convite soturno, não deixou de imaginar uma penumbra de manto negro encarando-a pela janela, sob as flores. Em seu último delírio, a palavra “entre” formou-se em sua boca gélida, sem lábios. Calmamente a força e a dor foram abandonando seu corpo inerte. E então tudo arrefeceu em um eterno silêncio.
Meses depois, a família ausente encontrou o cadáver com um sorriso sereno no rosto. Suas coisas adormeciam em caixas de papelão, como deixara. As mobílias comidas pelas traças e os colchões sem lençóis. Não havia testamento, havia somente o dinheiro para o seu funeral, sobre o criado mudo.

Ninguém se importou em regar as flores.

Texto feito em Parceria com Exorcist-a
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Evoluir dói

não sei ao certo como começar esse texto. espero que um dia acorde como eu. é doloroso, parece que seus olhos vão se afogar nas próprias lá...