Borboletas

Antes fôssemos como as flores
Que apenas crescem e morrem
Antes fôssemos assim, simples
Como as águas que apenas correm

Tão complicados somos nós
Que mal consigo (des)escrever
Tão tristes seres somos
Que nem consigo mais viver

Porque não como as borboletas livres
Que voam e findam em um dia
Porque não como os pássaros
Que não decidem quem vai quem ia

Como a grama verde que marrom fica
E não questiona, apenas abandona-se
Como o vento que canta e faz sorrir
As árvores sorriem, sem querer cair

Porque haveríamos nós de ser assim
Tão tristes, tão complicados, tão cheios de si
Porque somos amaldiçoados, ó ser humano ruim
Somos o sentir e isso nos destrói, destrói sim.

Perco-me entre tantos questionamentos da raça
Não sei porque tão pouco para que ser
Sei que somos, mais que isso não, apenas falácia

E agora;
Acaricio a grama morta
Beijo borboleta marrom
E canto com pássaro que não foi.
13.08.13






Comentários

  1. Que lindo, trágico. Tua escrita já me é inconfundível, são tantos questionamentos, tantos aforismos que cabem justos a seus poemas. Como sempre né, parabens.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. *-----* Obrigada, Rafaela, a gente já se conhece pela escrita agora , né rs

      Excluir
  2. É fascinante pensar que a maior parte dos grandes questionamentos da humanidade só surgiram porque nós, por algum motivo, decidimos nos ver como algo maior que o resto das coisas com as quais nós dividimos o planeta, não? Visto com um olhar cínico, chega a ser engraçado, já que se nós tivéssemos ficado nas árvores, nada disso teria acontecido. Ainda assim, teria graça viver sem esses questionamentos? É o enredo de uma tragédia, se for parar pra pensar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Pois é, Raphael, questionamentos são ao mesmo tempo coisas boas e ruins, uma vez que ao questionar nossa visão de mundo tende a mudar e normalmente a tristeza começa a fazer parte, visto que o mundo hoje é triste. O ser humano tem essa coisa com superioridade, é horrível ter que aceitar que a maioria se acha superior a qualquer outro ser, isso só causa destruição. No poema, porém, eu quis chamar a atenção para o sentir mesmo, o ser humano sente e isso muitas vezes faz dele um ser ruim. Mas viver sem questionar ? Terei de ressussitar Sócrates para responder corretamente essa pergunta rs Não vejo como seria possível viver assim.

      Excluir
    2. Percebi seu foco no sentir e também achei ótimo, mas foi o verso "sei que somos, mais que isso não, apenas falácia". Essa é uma observação perfeita e me levou a fazer o comentário.

      Mas, olha, acho que, mesmo que revivessem Sócrates - ou qualquer outro de sua competência -, ele não teria a resposta exata pra aquela pergunta. Talvez nem tenha resposta. Afinal, é aquele círculo, só parece impossível viver sem questionar porque você questiona, se não questionasse, talvez não o fosse, mas a vida perderia seu valor...Mas eu estou viajando demais, tudo que eu queria dizer é que o poema é excelente.

      Excluir
    3. Entendi, entendi. Pois é, questionar o que seria viver sem questionar rs rs Mas enfim, obrigada ^^

      Excluir

Postar um comentário

Fale comigo, estranho!

Postagens mais visitadas deste blog

Nômade

Lupus- Parte I