Sobre os escombros

Rastejo-me pelos escombros de mim mesma. O que restou de algo que um dia viveu.

Caminho através das lápides que foram formadas em minha mente, suja e sem ideias, minha mão que nada constrói roça cada uma delas, são frias como mármore, são frias como eu.

E meu corpo, sujo e sem esforço que eu incito a levantar; a rastejar através do que restou do mundo.

E eu, solitária ergo a mão clamando por ajuda, imploro por perdão,mas o que recebo são pedras; prontas para se infiltrarem em meu corpo frágil, machucado pelo tempo.

Em meu estômago algo se revira e não são borboletas, são escaravelhos negros, cujos olhos emitem a luz da Morte. Eu regurgito tudo o que ousa me ferir, mas é em vão, pois o que me fere tem nome.Coisas nomeadas são mais difíceis de destruir, pois sabem que tem valor e querem lutar.

E os nomes que insistem em perguntar. Esperam que eu cuspa as nomenclaturas do destino, mas eu não posso, pois minha boca está seca de algo amargo; jogaram sal na minha ferida e agora eu grito a minha dor.
A minha face está coberta por um cabelo que não é meu, foi um dia, mas hoje está molhado com meu sangue, o sangue eu forcei a sair do meu corpo, pois nem ele suportava o lugar. 

A chuva que cai é ácida e não me lava, nem queima, ela derrete-se sob a minha pessoa, mas não porque sou forte e sim porque ela tem consciência da ruindade que faz parte de meu ser, logo ela se rende e prefere morrer em mim.

Como todos , como eu, como os solitários juncos onde pisei. E as flores do mal que eu cultivei estão na minha varanda esperando para serem regadas, com minhas lágrimas... com minhas lágrimas.


Por fim olho-me no espelho trincado na esperança de que sua deformação me faça mais bela e por um momento eu enxergo algo bom, mas ele não resiste e termina por acabar em pedaços. Como eu.



Volta súbita e reflexões de rede

De fato, a escrita é algo intrínseco a mim. Não importa o quanto eu me questione a respeito da mesma, nunca a abandonarei.

Não devem se contabilizar trinta dias desde o dia da ''desativação'' do blog. Percebi nesse pouco tempo que ler e escrever são duas ações as quais não consigo viver sem. Mesmo sem o blog eu escrevia em papeis soltos, em cadernos esquecidos, escrevia na minha mente solitária que vagava em mundos distantes.



E entre provas e trabalhos da faculdade eu encontrava um tempinho para ler livros que não me eram pedidos, para estudar coisas que não eram obrigatórias, digo obrigatórias no sentido - grade curricular - ,pois não vejo a faculdade como uma obrigação, mas sim como um lugar incrível onde tenho a oportunidade de aprender muito de variadas formas.

Enfim,decidi que com ou seu blog eu sempre irei escrever. De fato, dediquei algumas horas à formatação de meu livro -coisa que vez por outra não encontra tempo-, bem como ao acréscimo de outras palavras e trechos ao mesmo.

A diferença entre desativar ou não o blog é que poucos ou nenhum iriam ler o que escrevi. Como gosto de ouvir a opinião das pessoas a respeito do que coloco no papel cheguei à conclusão que desativar não era exatamente a solução, eu precisava apenas aceitar a mim mesma como escritora, aprender a gostar do que escrevo independente da opinião alheia, aceitar que existem diferentes estilos de escrita e escritores. Muito já me foi dito a respeito dessa reflexão, acontece que escritor, poeta, artista é cheio disso, concorda ? Crises e crises...

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As redes sociais hoje podem ser vistas através de dois ângulos bem óbvios: um primeiro, ruim, péssimo, faz os jovens e crianças ficarem mais idiotas, uma vez que esquecem da vida e dos estudos entre tantos outros motivos que as pessoas sensatas encontram para criticar as redes. E um segundo, bom, ótimo o qual especialmente nós artistas ( no meu caso, escritora ) podemos divulgar nosso trabalho de uma forma que há vinte anos seria impossível. Nós podemos ter contato direto com o leito e saber de sua opinião, adquirimos experiência e conhecimento através disso.

Um dos motivos da desativação do blog, tumblr, twitter e facebook foi uma tentativa de desintoxicação das redes. Na verdade, essa ideia pairava em minha cabeça há um certo tempo, de modo que eu precisava tomar uma atitude e a quase exclusão de tudo foi a solução prévia que encontrei. No entanto, cheguei mais uma vez à conclusão que eu não preciso me desintoxicar de nada, não preciso ser igual a ninguém seja real ou fictício. Preciso ser eu apenas, do meu jeito. Sim, às vezes sinto que perco tempo demais na internet, porém, é algo que mudou e espero que continue assim.


Enfim, enfim e mais enfim. Falei sobre isso e aquilo e resumindo é: o blog está de volta, o face também, o twitter também e o tumblr também. O email nunca saiu, acho que vou criar um instagram e tenho whatsapp no pc, mas na minha cabeça isso não faz de mim uma ''pessoa das redes'' desde que eu não resuma minha vida a elas. E no final das contas o que tem que contar é minha visão, opinião de mim mesma e não a dos outros a respeito de mim! Demorei, mas finalmente aceitei esse fato!

Desativando o Blog










                      O Blog estará desativado por um tempo. Não acho que tenha essa opção no Blogger, digo, seleção de sumir com a página como a gente pode fazer com perfis de twitter e facebook, por exemplo. Então é apenas um aviso de que não haverá postagens novas tão cedo.