Sobre os escombros

Rastejo-me pelos escombros de mim mesma. O que restou de algo que um dia viveu.

Caminho através das lápides que foram formadas em minha mente, suja e sem ideias, minha mão que nada constrói roça cada uma delas, são frias como mármore, são frias como eu.

E meu corpo, sujo e sem esforço que eu incito a levantar; a rastejar através do que restou do mundo.

E eu, solitária ergo a mão clamando por ajuda, imploro por perdão,mas o que recebo são pedras; prontas para se infiltrarem em meu corpo frágil, machucado pelo tempo.

Em meu estômago algo se revira e não são borboletas, são escaravelhos negros, cujos olhos emitem a luz da Morte. Eu regurgito tudo o que ousa me ferir, mas é em vão, pois o que me fere tem nome.Coisas nomeadas são mais difíceis de destruir, pois sabem que tem valor e querem lutar.

E os nomes que insistem em perguntar. Esperam que eu cuspa as nomenclaturas do destino, mas eu não posso, pois minha boca está seca de algo amargo; jogaram sal na minha ferida e agora eu grito a minha dor.
A minha face está coberta por um cabelo que não é meu, foi um dia, mas hoje está molhado com meu sangue, o sangue eu forcei a sair do meu corpo, pois nem ele suportava o lugar. 

A chuva que cai é ácida e não me lava, nem queima, ela derrete-se sob a minha pessoa, mas não porque sou forte e sim porque ela tem consciência da ruindade que faz parte de meu ser, logo ela se rende e prefere morrer em mim.

Como todos , como eu, como os solitários juncos onde pisei. E as flores do mal que eu cultivei estão na minha varanda esperando para serem regadas, com minhas lágrimas... com minhas lágrimas.


Por fim olho-me no espelho trincado na esperança de que sua deformação me faça mais bela e por um momento eu enxergo algo bom, mas ele não resiste e termina por acabar em pedaços. Como eu.



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