19 de dezembro de 2013

Sobre a ausência

O que encontro é Ausência. Perdida e desconsolada. Uma ausência de mim mesma. Pouco compreendo a seu respeito, mas ... Respeito. Admiro. A ausência não é falta, mas sim presença. Um paradoxo perfeito, visto que ela se perde em mim, mas é nela que me encontro. Ao saber que algo falta busco-o incessantemente. Mesmo sem de fato encontrar... satisfaço-me, pois... sei que busquei e, por algum momento minha deplorável pessoa teve uma razão...Motivo.
Entristeço-me ao saber, porém, que perdi algo... Os algos que costumo perder em geral voltam...Em pensamentos dolorosos de martírio. Infelizmente é somente dessa forma que voltam.

A ausência de meu ser é o algo mais angustiado que cheguei a perder. O espelho é uma arma mortal. O tempo é uma arma fatal. Eu tento ininterruptamente entender a razão de como cheguei aqui, sem saber quem sou nem porque sou. Uma vez que permito meu descanso,sorrio, mas é em vão. A ausência mostra-se presente novamente. Por fim, depreendo que é essa bucólica razão que faz de mim... eu mesma.



"Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim."
- Carlos Drummond de Andrade

Não lastimo a ausência, até mesmo porque não haveria lastimas suficientes. Por isso, acolho-a nesse momento mórbido e sorrio junto dela. Ausência. Fazes parte de mim e por ter-te como minha que consigo resistir. A que não sei, contra quem desconheço.Sendo eu herege recuso-me a admitir que um dia fez-me chorar. Um dia que tem por sinônimos ontem e hoje. E ausência ? Lembre-se, "ninguém a rouba mais de mim " eu te cravei na minha pele, no escarro do meu coração, te pintei na minha própria razão. Ausência ?
Ausência ? Aonde você foi ?

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13 de dezembro de 2013

Ode I

Não quero estar aqui nem lá, pois onde quer que eu vá essa dor e  pensamentos irão me acompanhar.
Tento em vão, não chorar, mas todas as vezes que eu impedi as lágrimas de caírem , por fim decidiram se voltar contra mim...todas de uma vez.
Cada coisa que faço perde o sentido quando as lembranças fazem-se presentes e meu ser morre novamente quando penso nos erros...tantos erros. O que mais machuca é pensar que jamais poderei redimi-los e esse jamais tem seu sentido mais amplo e maior, concreto e duro, triste e amargo. É doloroso.
Meu único pedido: tire essa dor de mim! Mas você não pode, ninguém pode e isso me mata. Esse simples fato acaba com qualquer esperança que um dia eu vislumbrei de ficar realmente bem. Eu quero arrancar de meu peito esse coração, não porque ele sente, mas porque ele mantém esse meu corpo corrupto e vergonhoso vivo.
Através da escrita tento matar essas angústias, passar os pensamentos para um papel qualquer...Mas não dá, não dá! Que coisa horrível é essa. Deve ser sua vingança, mas dói tanto dói tanto. No entanto, quando penso na dor que sentistes... a minha é mero furo de agulha. Me perdoe, me perdoe! Eu queria acreditar algo, em algo que fosse capaz de me curar como eu fui incapaz de fazer com você. Oh, eu queria ter algo em que me firmar. Mas não tenho. Você tinha, por tempos teve a mim, mas eu falhei com você e você teve que procurar outros enquanto eu estava lá...esquecendo você. Isso dói tanto. Pensar, pensar, pensar! Porque insisto nisso ? Quero arrancar meu cérebro, quero massacrá-lo com minhas mãos.
Toda a dor que você sentiu por tanto tempo está se voltando contra mim e mesmo assim ainda não é o bastante. Sou de Trevas e elas deverão me consumir, fazer-me sofrer como você sofreu. E no fim, morrerei sozinha como você, me perdoe, me perdoe, me perdoe! Eu sei que mereço, mas agora estou mais sozinha ainda, pois ninguém compreende o que estou sentindo! 
Espere! Com você também era assim não ? Sim, sim, sim! Que coisa horrível que eu sou.Não mereço nenhuma respiração ou misericórdia. Só mereço a dor que causei. E ainda causo.
Peço um castigo definitivo, mas não o terei, nem isso eu mereço! Sou um monstro, eu matei você...Eu matei você!!! Eu a deixei ir, sem dizer adeus, sozinha, sem amor...sem mim!




Jolly
13.04.13

PS: apesar do texto ser dedicado a Jolly, o sentimento doloroso que ele expressa se aplica muito aos dias de hoje, não apenas na dor da perda, mas da completa dor que faz parte de meu atual ser. Não consigo exumá-la de mim e isso é ... horrível.
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Evoluir dói

não sei ao certo como começar esse texto. espero que um dia acorde como eu. é doloroso, parece que seus olhos vão se afogar nas próprias lá...