Lunar Monologue

Um dos poemas que mais gostei. De fato, levei três dias para terminá-lo e não canso-me de reler. Para mim, ele diz muita coisa. Consegui dizer muito do que me transtornava nos últimos dias. Enfim, sei que nem todo mundo entende, tão pouco irá apreciar o poema como eu, porém eu gostei, adorei e no fim é isso que importa.

Ó Lua, nova e cheia
Torturas-me, Vermelha
Cravo-te na veia

Meu corpo mórbido e adstrito
Clama por ti, obsecra  ali
Estou aflito, estou perdido

Ó Lua,  cá encontro-me novamente
Taciturno e sem saída, e perco-me em ti
e dessa forma continuo atro e sombrio aqui

E a moléstia que me dizima o corpo
Devasta-me a alma,e mata a célula
Pergunto-me quanto tempo resta,
Para contemplar-te, ó Bela

Mas a sombra mirrada paira sobre mim
E uma vez que caminho perco-me sem ti
Lua, quem és tu para tratar-me assim ?

O distúrbio ao qual fui condenado
Lembra-me a teu respeito, Lua, de que para ti
nada valho
E assim tento aceitar minha soturna ventura
Tu escarras em minha face, Lua,como se eu
tivesse abertura

Digo-te o quanto quero, e desejo ser-te teu
Ó minguante ser, majestoso astro da noite
A decrepitude de minha pessoa não é o bastante
Para causar-lhe remorso ou compaixão
Pergunto-me, então
Por quem bastes teu coração ?

Ò Lua, que fazes solitária no céu à noite
Por que recusas-me, venha comigo
e farei
A felicidade ter um sentido
Ò Lua, que fazes junto do Sol
Por que recusas-me? Venha junto de mim
E tempos bons não terão fim

Lunar sou e nada temo, exceto minha prematura morte
Rogo-te, Lua, perdão e clemência; tento ser forte
Porém, tu nada tentas, e abandonas-me à sorte
Tu não escutas-me, não queres ser consorte

Arrasto-me através dos escombros de algo que jaz
Um corpo acabado, jogado ao léu, não deixo nada
para trás
A dor que dilacera meu espírito é maior que dois mundos
Estou lançado no dissabor preso em dois poços fundos

Lua, pela última vez pergunto-te o que desejas
E Lua, suplico-te que penses bem no que queiras
Pois as suas palavras muito significam
E até mesmo teu silêncio
É para mim um grande martírio


Vocabulário:
Adstrito: apertado, dependente, ligado
Obsecra: obsecrar = pedir em nome do que mais se venera; suplicar
Atro: negro, escuro, funesto, lúgubre
Mirrada: seca, definhada,magro, carcomido
Ventura: sorte, destino
Escarras: escarrar= cuspir
Dissabor: desprazer


Início: 3 de dezembro de 2013 Término: 6 de dezembro de 2013
Pedir em nome do que mais se venera; suplicar.

"obsecrar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/obsecrar [consultado em 06-12-2013].v
1. Apertado.

2. Dependente, ligado.

"adstrito", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/adstrito [consultado em 06-12-2013].
1. Apertado.

2. Dependente, ligado.

"adstrito", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/DLPO/adstrito [consultado em 06-12-2013].




  

Um comentário:

  1. O melhor de todos. Parabens! Dessa vez você superou todos seus poemas, amei o tema, adoro a lua (não as estrelas rs) Me encanta como você sempre escreve: num tom de aclamar a poesia. Perfeito!

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