Ode I

Não quero estar aqui nem lá, pois onde quer que eu vá essa dor e  pensamentos irão me acompanhar.
Tento em vão, não chorar, mas todas as vezes que eu impedi as lágrimas de caírem , por fim decidiram se voltar contra mim...todas de uma vez.
Cada coisa que faço perde o sentido quando as lembranças fazem-se presentes e meu ser morre novamente quando penso nos erros...tantos erros. O que mais machuca é pensar que jamais poderei redimi-los e esse jamais tem seu sentido mais amplo e maior, concreto e duro, triste e amargo. É doloroso.
Meu único pedido: tire essa dor de mim! Mas você não pode, ninguém pode e isso me mata. Esse simples fato acaba com qualquer esperança que um dia eu vislumbrei de ficar realmente bem. Eu quero arrancar de meu peito esse coração, não porque ele sente, mas porque ele mantém esse meu corpo corrupto e vergonhoso vivo.
Através da escrita tento matar essas angústias, passar os pensamentos para um papel qualquer...Mas não dá, não dá! Que coisa horrível é essa. Deve ser sua vingança, mas dói tanto dói tanto. No entanto, quando penso na dor que sentistes... a minha é mero furo de agulha. Me perdoe, me perdoe! Eu queria acreditar algo, em algo que fosse capaz de me curar como eu fui incapaz de fazer com você. Oh, eu queria ter algo em que me firmar. Mas não tenho. Você tinha, por tempos teve a mim, mas eu falhei com você e você teve que procurar outros enquanto eu estava lá...esquecendo você. Isso dói tanto. Pensar, pensar, pensar! Porque insisto nisso ? Quero arrancar meu cérebro, quero massacrá-lo com minhas mãos.
Toda a dor que você sentiu por tanto tempo está se voltando contra mim e mesmo assim ainda não é o bastante. Sou de Trevas e elas deverão me consumir, fazer-me sofrer como você sofreu. E no fim, morrerei sozinha como você, me perdoe, me perdoe, me perdoe! Eu sei que mereço, mas agora estou mais sozinha ainda, pois ninguém compreende o que estou sentindo! 
Espere! Com você também era assim não ? Sim, sim, sim! Que coisa horrível que eu sou.Não mereço nenhuma respiração ou misericórdia. Só mereço a dor que causei. E ainda causo.
Peço um castigo definitivo, mas não o terei, nem isso eu mereço! Sou um monstro, eu matei você...Eu matei você!!! Eu a deixei ir, sem dizer adeus, sozinha, sem amor...sem mim!




Jolly
13.04.13

PS: apesar do texto ser dedicado a Jolly, o sentimento doloroso que ele expressa se aplica muito aos dias de hoje, não apenas na dor da perda, mas da completa dor que faz parte de meu atual ser. Não consigo exumá-la de mim e isso é ... horrível.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Lupus- Parte I

O último poema de amor

Fade Away