Nada de novo

Inútil a cova solitária que meu próprio corpo é
tento exumar deste monte de órgãos podres e ossos ocos
a dor que acomete esse sujo poço
e assim compreender a razão da vida
o motivo de uma ida ou mesmo de uma nunca partida

 -Mas é em vão. Como tudo o que essas deterioradas mãos fazem
tudo o que peço é que essas depravadas bocas se calem -

Deleito-me na sepultura de minha matéria
pois é isso que sou, fui e serei
nada mais que matéria morta tentando desencavar as ações que errei
Não sei, não quero saber, ou talvez queira,mas a coragem me falta
como todo o resto junto de minha alma 

-O sono é prescindível, uma vez que sem descanso procede
para um ser deplorável que nada merece, nada consegue -

O verme arrasta a carne apodrecida para sua casa
mas em seguida a coloca para fora
expele carne morta, pois é vil e mesmo sem vida mata sem demora
vês ? nem aos vermes pertenço que dirá a esse mundo complexo
que dirá a essa vida sem nexo

- essa enfermidade tomou conta de tudo ao meu redor
não sei de onde surgiu, apenas sei que não há angústia maior - 

De volta à minha cova deito em meu berço negro
cujo teto de madeira e formato côncavo faz-me estremecer
não temo, mas  receio o que ainda pode acontecer
às minhas memórias tristemente registradas em papeis errantes
aos meus escritos, recusados por todos, e sempre gritantes

- a antiga psicose que me fazia tremer, hoje uma vez mais 
não me permite esquecer da escuridão rubra que me causava
tantos ais - 

Não suplico, mas deixo para os fracos
o sublime perdão que nunca tive
de outros, de mim
Deixo para você
a decisão de meu solitário fim.



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