26 de março de 2014

Ode aos Anjos

[mais um, eu acho... ]

Logo abaixo dessa tosca caixa torácica
pulsa um simplório e sórdido miocárdio
como e porque bate não sei, operário
E essa forma insólita, sem cor e ácida

através dessa casca velha que é o corpo
não sei como o mantenho sem beber do poço
esse envoltório sombrio transporta meus fluidos
mas não há razão, pois há muito foi esquecido

o mastigar que meus pútridos dentes fazem
de nada valem, pois a comida é serragem
o vinho que lava minha ressecada artéria
não tem gosto, pois como eu é sem matéria

vês ? sou filha do carbono também
mas sou uma sombra sem ninguém
meu corpo subsiste, mas sem energia está
o operário está famélico, e não irei lhe negar

jazo agora sem esperança, feto desgraçado
sou uma má formação da natureza
fui na época de rutilância, a certeza
de que o mal existia e eu era o fim consagrado.

[ Augusto dos Anjos, poeta parnasiano, mas considerado pré-modernista também devido aos poemas que criticavam a sociedade. Suas poesias em geral abordavam temáticas ligadas à morte e à podridão. Nada além de matéria. Enfim, gênio.]

6 comentários:

  1. Thays que perfeição, juro que este poema se tornou meu novo preferido. Que show de conhecimento e poesia, lindos simbolismos enfim amei.

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    1. Aaaawn *-* obrigada, Rafaela, realmente significa muito. Também gostei muito dessa, estou em dúvida em relação ao Livramento, digo, se esse agora é minhan nova obra prima rs rs Mas acho que isso é bom, né ? hahaha

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  2. Outra coisa.
    Tu estás com a verificação de palavras nos comentários, o captcha.
    Se quiser tirar e não sabe como, visite meu blogue(link acima) e clique no banner "Campanha No Captcha". É um tutorial que mostra como tira.
    Eu sugiro que tires, pois dificilmente alguém gosta desta verificação e muitos deixam de postar comentários por causa dela.

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