Gueixa


Outro conto de caráter romântico rs É, mais um. Levei dias e dias pra terminar esse. Dias mesmo e ele nem ficou tão grande, acontece que ele nunca ficava do jeito que eu queria e em certos dias eu não encontrava as palavras certas. Inspirei em uma cena da série Teen Wolf. Era a mãe de Kira e seu grande amor numa época turbulenta. Quis escrever a história de uma japonesa, simples assim. Ainda não sei se escrevi o final da exata forma como eu queria que ficasse, e como o primeiro conto - O pessoal da Escola - , pode ser que eu mude algo nesse também depois de reler  pela milésima vez rs.   

O lago brilhava com a luz da lua cheia e o restante do sangue que ainda escorria da grama até a água tornava–se preto à medida que a iluminação o penetrava. Ao longe era possível enxergar as árvores balançando–se, e onde a japonesa encontrava–se sentia o vento responsável por tal ação. Estava escuro de modo que suas lágrimas eram invisíveis... O brilho da lua mais uma vez fez sua parte, no entanto, não era suficiente para acordar qualquer pessoa no Templo. Ela estava sozinha.
***
Na manhã daquele dia Yoko não acordou, pois não dormira à noite. Viu o sol nascer. Mais uma vez. Lavou o rosto e tomou seu chá forte para manter–se de pé o restante da manhã e quem sabe o dia todo. Pegou na penteadeira de mogno branco e espelho entalhado em marfim seu pente de dente de baleia. Penteou os longos cabelos lisos e negros como a noite desprovida de luar.
Fez o tradicional coque japonês e em seguida começou a se maquiar. Não que sua pele impecável precisasse de algum corretivo, mas Yoko gostava de se pintar e naquele dia precisou cobrir as olheiras que se acentuaram um pouco mais. O pó compacto deixou a pele de seu rosto um tanto mais pálido. Delineou os olhos com o lápis preto e coloriu as pálpebras com sombra escura, não muito forte, era apenas para dar um tom mais sombrio ao seus olhos negros e belos.
A sua boca levemente polpuda ficou vermelha–sangue com o batom. De quimono preto com detalhes brancos e dourados, calçou os sapatos de madeira, colocou seu anel de brilhante no dedo anelar da mão direita e foi em direção à cozinha para o desjejum junto de seu pai – O Imperador.
À medida que se aproximava do local Yoko sentia um mal estar esquisito, mas não incomum.  Era a raiva que emanava de seu corpo, pois já imaginava o que aconteceria. Discussão. Brigas. Um choro guardado. Parou para respirar fundo a um passo do grande salão onde seu pai sozinho estava à espera. Por fim chegou ao estabelecimento e assim que entrou os criados a cumprimentaram encurvando-se como é costume no país. Seu pai já estava sentado na cabeceira da mesa, e ao longe, era possível ver que em seu prato nada havia bem como no copo ao lado do mesmo.

– Bom dia, papai. – disse, fazendo a reverência costumeira e em seguida puxando a cadeira.
– Bom ? Não vejo nada de bom no dia de hoje, Yoko. – disse com o tom grave de sua voz.
– Por que diz isso, papai? – disse Yoko aproximando–se da cadeira que ficava do lado direito a do pai, onde já havia outro prato e copo, ambos vazios.
– Deixe–me explicar melhor... Acabei de receber a notícia que aquele bastardo a pediu em casamento ontem à noite. E que a senhorita disse sim.
***

Haiati treinava atrás do grande Templo do Imperador na noite anterior. Empunhava sua espada com graça como nenhum outro guerreiro no Grande Reino, nem mesmo os maiores guerreiros treinados desde a infância pela guarda militar pessoal do Imperador seriam capazes de manusear a espada como Haiati fazia. Ao longe era possível ouvir sua voz, de modo que Yoko não tardou a segui-la. 

A espada de Haiati foi certeira ao bloquear o ataque e ambos sorriram um para o outro. Continuaram a luta. Amantes que se atacavam. Era sublime olhar, pois era possível enxergar fúria nos olhos deles, mas ao mesmo tempo amor e a capacidade de discernimento de ambos. Sabiam até onde poderiam atacar. Vez por outra a expressão séria de Yoko e Haiati era trocada por belos sorrisos, demonstrações da felicidade que fazia parte daquele momento. Um momento pertencente somente a eles dois.

De repente, porém, Haiati parou de lutar. Simplesmente guardou sua espada depois de um golpe quase fatal contra Yoko. Ela estava agachada, apoiando–se nos joelhos. A espada estava bem ao seu lado, mas ela estava impossibilitada de ser mexer para pegá–la, pois a arma de Haiati estava rente ao seu pescoço, tão próximo que o simples movimento do virar de Haiati seria capaz de cortar–lhe a garganta, uma vez que o instrumento era também muito afiado. Depois de guardar a katana na bainha, Haiati estendeu a mão para Yoko e depois a abraçou. Deu–lhe um leve beijo na boca e sorriu novamente. Puxou–a pela mão até a saída do campo. Caminharam em silêncio, de mãos dadas.  Felizes.

Estavam próximos do grande Templo. Yoko nada perguntou. Haiati nada disse. Uma vez dentro do Templo, depois de fazerem as reverências adequadas e de tirarem os sapatos, Haiati disse:
– Bom, novamente você perdeu na luta. Mas tenho um desafio antes de deixar que vá para casa. – delicadamente puxou o queixo dela para junto do seu rosto e lhe deu um beijo.
– Novamente, por quê? Eu sempre ganho. – ela retribuiu o beijo e sorriu. – Vamos, qual é o desafio? – continuou, dando passos aleatórios em torno de Haiati e roçando de leve as costas dele com a parte de trás da mão.

– Sempre? – ele sorriu – Discordo. – disse, sorrindo ainda mais. Puxou–a para mais perto de si, mas não a beijou. Encostou a testa na dela e continuou. – Agora preste bem a atenção. Esse Templo é muito sagrado para nós dois, sim? – Virou–se para a estátua do antigo Imperador – o avô de Yoko, mais conhecido como um dos melhores governantes daquela Era. –  Nós teremos uma luta aqui. Essa é a sua chance de provar que é boa com a espada como diz ser. – ele dizia sorrindo, pois sabia que ela era uma das melhores espadachins do Grande Reino mesmo sendo uma quase gueixa – quase, pois sendo filha do Imperador não poderia levar a vida glamourosa de gueixa, mas era tão protegida e tão cheia de cuidados e mimos que se poderia dizer que ela era de fato uma.  Haiati gostava de provocar.

– Tudo bem, então. Vamos! –  e tirou da bainha sua espada, em seguida posicionou–se.
Uma nova luta começou, porém, foi muito rápida. Yoko mal teve tempo de recompor–se depois do primeiro ataque. Mas Haiati não pretendia ganhar a luta, então ele fez um movimento nunca visto por ela. De fato, cresceram juntos e treinaram juntos. Foram iniciados na arte com espada ao mesmo tempo e mesmo que tenham passado a infância se odiando, aos dezessete anos descobriram o amor e desde então têm praticado juntos. Mas aquele movimento. Aquele movimento ela nunca tinha visto. Em ninguém, que dirá feito por Haiati. Ele deu um salto, mas girou no ar, parecia que ele ia guardar a espada de volta à bainha no meio do movimento, pois a mão que segurava o instrumento pareceu estar dentro do bolso.
De volta ao chão, Haiati empunhou a espada não em direção ao pescoço de Yoko, mas sim até sua mão. E quando ela colocou os olhos na ponta da espada lá estava... O anel mais bonito que ela já vira em toda a sua vida. Nem todos os brilhantes que seu pai lhe dera ou todas as joias que ganhara de possíveis pretendentes conseguiriam ser mais belas que aquele pequeno anel. O círculo de prata com um pequeno diamante trabalhado em cima. Ela estava sem palavras. Queria tocar, mas tinha medo de deixar cair e perder o pequeno, porém, magnífico objeto. Somente a lua iluminava o salão do Templo, logo, seu medo era compreensível. Mas Haiati se pronunciou, tirou o anel da espada, abaixou–se e olhou nos olhos de Yoko. Pegou em sua mão e disse:
– Então, aceita se casar comigo? – disse sorrindo. Um sorriso que mostrava verdadeira alegria.
Yoko ia dizer sim, mas o sorriso surgiu primeiro, seguido de muitas lágrimas e finalmente depois de respirar fundo conseguiu dizer:
– Sim. Sim. Sim. Claro que sim!. – O abraçou e o beijou. Minutos depois o Grande Sino tocou. Era hora de ir para casa.
***

– Fala de Haiati ? Ele não é bastardo. – Enfurecia–se cada vez que o pai ousava chamar seu amado de bastardo.
– Como não? Isso pouco me interessa, Yoko. Sabe muito bem dos nossos planos de casar você com o filho do General do Exército Chinês.
– Mas eu não o amo, papai.
– Mas quem falou de amor? Os nossos interesses são negócios e poder. Esse casamento firmará uma aliança eterna se tudo der certo e eu serei lembrado como aquele que selou a paz entre nossos países. Ah sim! Serei lembrado. – concordava consigo mesmo, esfregando as mãos uma nas outras.
– Mas papai...
– Mas nada, Yoko. Não sei o que passou na sua cabeça oca em aceitar tal pedido. Agora, sinto muito, mas a única certeza é de que o bastardo filho do carpinteiro do Reino irá sofrer.
– Sofrer? O que está dizendo? – Yoko temeu sua pergunta.
– Oras! Ele tem que morrer. – O Imperador disse a frase com naturalidade, como se não significasse nada a morte de Haiati.

O coração de Yoko simplesmente parou. Não literalmente, mas ela sentiu algo perfurar–lhe o peito e rasgar–lhe o órgão, frágil...sensível.
– Mo–mor–rer ? Ma–mas por que, papai? – segurou as lágrimas com o pouco de força que lhe restava, sabia que seu pai odiava quando ela chorava,e não ousaria irritá–lo ainda mais.
– Yoko, sua tola! Sabe de nossas tradições! Você fez a idiotice de aceitar o pedido, logo, está comprometida e só há duas maneiras de acabar com isso: o rapaz morre ou você morre. E como acredito que os dois não consumaram o casamento antes da hora, logo, nenhum poderia cometer adultério agora. Mas não se preocupe, daremos a ele uma morte de guerreiro, afinal, ele se alistou não foi hahaha – O Imperador sorria demais à medida que fazia sinal para Yoko deixar a mesa, mas ela não conseguia se mexer.

Finalmente o criado mais velho, de cabeça branca e as costas levemente encurvadas puxou–a levemente pelo braço e mostrou a porta. Yoko se levantou e no momento que se virou em direção à saída as lágrimas verteram de seus olhos.
O senhor que a acompanhava não previu seu movimento: Yoko desvencilhou–se de seus braços fracos com facilidade, é claro, e em seguida correu passando veloz pelos guardas o que os impediu de segura–la.
Ela sempre fora rápida como uma raposa.
Correu com toda a sua força, pois precisava encontrar Haiati antes dos guardas de seu pai. Mais tarde, depois de se certificar que nenhum guarda conseguiu avista–la, Yoko bateu à porta do casebre onde morava Haiati. Era simples a casa dele, pequena, não tinha muitos móveis, mas era aconchegante, em especial a lareira que ele improvisou depois da primeira visita de Yoko em um inverno há dois anos. Ele demorou um pouco para abrir a porta o que deixou Yoko ainda mais apreensiva, pois ela sabia que logo os guardas do seu pai estariam ali. Eles sabiam onde Haiati morava.

Finalmente a porta se abriu e assim que viu Yoko Haiati abriu seu sorriso sereno e branco e à vista de Yoko os mais acalentadores do mundo.
– Vamos! Temos de ser rápidos. – disse ela empurrando Haiati para dentro da casa, nem se importando com o abraço que ele tentou dar.
– Yoko, está tudo bem? – ele temia que tivesse desistido do casamento.
– Não, Haiati, não está tudo bem. Na verdade, nunca esteve tão ruim. – ela não conseguiu se segurar, sentou na cadeira perto da lareira e pôs–se a chorar. Com as mãos tampando o rosto fungava e limpava os olhos. A maquiagem sujava sua mão pequena.
– Ei, ei, ei. – Haiati puxou outra cadeira para perto dela e passou o braço envolta de suas costas. – Conte–me o que aconteceu. Você está com medo do seu pai, é? – ele afagava as costas dela, gostaria de poder desfazer aquele coque. Ele gostava tanto de ficar mexendo nos longos cabelos de Yoko.
– Medo? Medo? – ela tentou ser sarcástica na esperança de que as lágrimas parassem de cair. – Antes fosse medo, Haiati, a minha única preocupação. Medo por mim apenas. Mas não. O que acontece é muito pior.
–Então conte-me, Yoko.
– O meu pai... Ele vai matar você! – em seguida chorou como não fazia há anos, simplesmente não conseguia segurar as lágrimas. Elas vertiam contra sua vontade, e ela sentiu seu corpo enfraquecer. Haiati não falou nada. Abraçou–a com mais força. Enquanto ela chorava desesperadamente ele tentava encontrar uma solução.
Mas não havia nada a ser feito. Uma ordem do Imperador é algo incontestável. E o pai de Yoko era um homem ambicioso disposto a qualquer coisa para atingir seu objetivo.
– Haiati? – Yoko havia parado de chorar e percebeu que Haiati caminhava de um lado para o outro na casa. – Haiati, você está bem? Desculpe–me... eu – eu ...
–Não é sua culpa, Yoko. Só estou tentando encontrar uma solução.
– Mas o que poderia ser feito? Conhece papai, ele é ... é... um monstro. – e sentiu mais lágrimas. A essa altura deduziu que seu rosto não estava mais pintado.
Haiati caminhou um pouco na sala e depois volto para a cadeira ao lado de Yoko. Foi rápido.
– Tudo bem. Irei fugir.
– O quê? – Yoko arregalou os olhos para ele.
– Fugir. – ele confirmou. E passou a mão no cabelo dela. – Se eu ficar eu morro, e se nós fugirmos juntos ele colocará o Japão inteiro à nossa procura. Não posso correr o risco de machucar você. – sentou-se ao lado dela. Tirou o palito que prendia seu cabelo. Eles deslizaram pelas costas como água, lisos, serenos, negros e belos. Ele os afagava calmamente.
– Mas... E quanto a nós? Sabe que papai me fará casar com aquele comandante.
– Eu sei, Yoko, mas é questão de tempo. Seu pai tem que seguir os costumes, certo?
– Sim. Quero dizer, aparentemente sim, mas você o conhece. Se ... – foi interrompida.
–Pense comigo. Mesmo que você se case ele não pode negar um desafio. Se eu desafiar o comandante pela sua mão nenhum pode dizer não.
– Você fala como se não conhecesse papai, Haiati. Sabe que ele dará um jeito para que as coisas saiam como ele quer. – Yoko sabia o que seu pai faria. Ele faria de Haiati não um bastardo qualquer, mas um bastardo ladrão, o que significaria morte a qualquer custo.
– O que você sugere, então? Não podemos ficar sentados esperando a solução.
– Faça o que você disse que faria, fuja. Mas não volte. Nunca mais.
– Mas Yoko...
– Não, Haiati. Não vê que é a única solução para ambos ficarmos vivos ? Saiba que sempre amarei você não importa com quem papai me case. – e afundou o rosto no peito de Haiati. Ele a abraçou. Chorou também. Silencioso, mas chorou. Sabia que era a única coisa que poderia fazer. Fugir. Como um covarde, mas um covarde vivo. Um covarde vivo que um dia talvez ainda poderia olhar o sorriso de sua amada uma vez mais.
Ainda que a boca desse sorriso estivesse longe demais para que ele a beijasse.
Yoko voltou para casa à noite. Seu pai estava à sua espera no grande portão que dava entrada para o Templo. Ao lado dele, seus mais fiéis guardas estavam prostrados. Como estátuas de ferro. Estátuas de ferro que matariam depois de um único e simples sinal.
– Onde esteve, Yoko? – o tom de voz do Imperador estava ainda mais grosso, e de fato, furioso.
– Onde o senhor pensa, papai?
– Foi avisar aquele bastardo, não foi?
– Mas é claro que fui.
– Ótimo. De nada adiantará e você sabe.
– Por que não? – Yoko se encaminhava para dentro do Templo. Mas seu pai puxou seu braço. Encarou–a.
– Porque mesmo que ele fuja sabe que mandarei meus homens, ou você acha que irei arriscar que ele volte e atrapalhe tudo?
– O quê?
– É isso mesmo. Já mandei metade dos cavaleiros para o Sul e a outra metade para o Norte, caso ele tenha saído enquanto você vinha pra cá. O restante partirá essa noite para Leste e Oeste.
– M–as ... Por que faz isso, papai? Por que?
– Porque, Yoko, eu sou o grande Imperador do Japão e ninguém atrapalha meus planos! Amanhã o filho do General chegará para pedir sua mão. Trate de jogar fora essa bijuteria que o bastardo deu a você e se arrume bem.
– M–as... – por fim, Yoko não mais contestou. Não tinha forças para mais nada. Encaminhou–se para dentro de casa, iria chorar o restante da noite ou quem sabe...
***
Algumas poucas horas depois Yoko ouviu seu pai dar a última ordem de busca a Haiati. Ela sabia que eles dificilmente o encontrariam tão cedo, uma vez que ele havia fugido pela grande floresta que se iniciava atrás dos muros do Reino e iria até a grande Muralha da China ou mais longe ainda, no entanto, sabia que se não agisse rapidamente, ao amanhecer ele poderia estar morto. Logo, ela teria tempo para colocar seu plano trágico em ação. Não havia meios de se comunicar com Haiati, portanto ele nada saberia até que a notícia tivesse se espalhado por todo o país.
Yoko vestiu seu quimono branco e calçou seus sapatos. Pintou–se novamente. Estava decidido. Se papai pensa que matar Haiati é a única solução ele está muito enganado! Não vou deixar que ele mate a única pessoa realmente importante para mim e ainda conseguir tudo o que quer às minhas custas. Não mesmo! Dizia, baixinho, enquanto o lápis preto fazia o contorno de seus olhos grandes. Yoko sussurrava sozinha antes de sair pela janela de seu quarto. Como uma verdadeira ninja desceu até o chão de grama e como a lua não mais iluminava aquele lado do castelo passou despercebida pelo guarda. Ela caminhou solitária e silenciosa até o rio. Ninguém estava esperando que ela saísse do quarto, certo? De fato, nenhum guarda se preocupou em vigia–la.

Por fim, sentou–se na beira do rio e sentiu a água molhar seus pés e lembrou–se de quando costumava ficar do mesmo jeito com o Haiati ao seu lado. De quando nadaram juntos há alguns meses e de quando deram seu primeiro beijo dois anos atrás. As lágrimas começaram a cair e como queria estar bela ao final de tudo aquilo tratou de forçar a adaga contra a barriga. Minutos depois sua mão perdeu a força e a adaga fez o trabalho final. Yoko estava caída no chão, a adaga a seu lado e na outra mão um bilhete para seu pai. Nele dizia que de nada vale a morte de Haiati para ele agora, uma vez que ela também está, logo ele não teria o que queria.

 A lua brilhava no céu, brilhava vermelha. Era uma linda lua cheia e Yoko sorriu ao pensar na ironia da Lua para com ela. Sozinha, morreu com um sorriso. Sorria irônica. Sorria triste. Matou–se por amor, sim. E se era possível encontrar alguma felicidade neste ato triste... Yoko agora sabia.


[ Tentei encontrar uma foto da mãe de Kira e o seu namorado, mas não consegui e como gostei dessa imagem resolvi deixá-la rs ]

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