Gueixa


Outro conto de caráter romântico rs É, mais um. Levei dias e dias pra terminar esse. Dias mesmo e ele nem ficou tão grande, acontece que ele nunca ficava do jeito que eu queria e em certos dias eu não encontrava as palavras certas. Inspirei em uma cena da série Teen Wolf. Era a mãe de Kira e seu grande amor numa época turbulenta. Quis escrever a história de uma japonesa, simples assim. Ainda não sei se escrevi o final da exata forma como eu queria que ficasse, e como o primeiro conto - O pessoal da Escola - , pode ser que eu mude algo nesse também depois de reler  pela milésima vez rs.   

O lago brilhava com a luz da lua cheia e o restante do sangue que ainda escorria da grama até a água tornava–se preto à medida que a iluminação o penetrava. Ao longe era possível enxergar as árvores balançando–se, e onde a japonesa encontrava–se sentia o vento responsável por tal ação. Estava escuro de modo que suas lágrimas eram invisíveis... O  brilho da lua mais uma vez fez sua parte, no entanto, não era suficiente para acordar qualquer pessoa no Templo. Ela estava sozinha.
X
Na manhã daquele dia Yoko não acordou, pois não dormira à noite. Viu o sol nascer. Mais uma vez. Lavou o rosto e tomou seu chá forte para manter–se de pé o restante da manhã e quem sabe o dia todo. Pegou na penteadeira de mogno branco e espelho entalhado em marfim seu pente de dente de baleia. Penteou os longos cabelos lisos e negros como a noite desprovida de luar. Fez o tradicional coque japonês e em seguida começou a se maquiar. Não que sua pele impecável precisasse de algum corretivo, mas Yoko gostava de se pintar e naquele dia precisou cobrir as olheiras que se acentuaram um pouco mais. O pó compacto deixou a pele de seu rosto um tanto mais pálida. Delineou os olhos com o lápis preto e coloriu as pálpebras com sombra escura, não muito forte, era apenas para dar um tom mais sombrio ao seus olhos negros e belos. A sua boca levemente polpuda ficou vermelha–sangue com o batom. De quimono preto com detalhes brancos e dourados, calçou os sapatos de madeira, colocou seu anel de brilhante no dedo anelar da mão direita e foi em direção à cozinha para o desjejum junto de seu pai – O Imperador.

À medida que se aproximava do local Yoko sentia um mal estar esquisito, mas não incomum.  Era a raiva que emanava de seu corpo, pois já imaginava o que aconteceria. Discussão. Brigas. Um choro guardado. Parou para respirar fundo a um passo do grande salão onde seu pai sozinho estava à espera. Por fim chegou ao estabelecimento e assim que entrou os criados a cumprimentaram encurvando-se como é costume no país. Seu pai já estava sentado na cabeceira da mesa, e ao longe, era possível ver que em seu prato nada havia bem como no copo ao lado do mesmo.

– Bom dia, papai. – disse, fazendo a reverência costumeira e em seguida puxando a cadeira.
– Bom ? Não vejo nada de bom no dia de hoje, Yoko. – disse com o tom grave de sua voz.
– Por que diz isso, papai ? – disse Yoko aproximando–se da cadeira que ficava do lado direito a do pai, onde já havia outro prato e copo, ambos vazios.
– Deixe–me explicar melhor... Acabei de receber a notícia que aquele bastardo a pediu em casamento ontem à noite. E que a senhorita disse sim.                                                                   X
Haiati treinava atrás do grande Templo do Imperador na noite anterior. Empunhava sua espada com graça como nenhum outro guerreiro no Grande Reino, nem mesmo os grandes guerreiros treinados desde a infância pela guarda militar pessoal do Imperador seriam capazes de manusear a espada como Haiati fazia. Ao longe era possível ouvir sua voz, de modo que Yoko não tardou a segui–la. 

A espada de Haiati foi certeira ao bloquear o ataque e ambos sorriram um para o outro. Continuaram a luta. Amantes que se atacavam. Era sublime olhar, pois era possível enxergar fúria nos olhos deles, mas ao mesmo tempo amor e a capacidade de discernimento de ambos. Sabiam até onde poderiam atacar. Vez por outra a expressão séria de Yoko e Haiati era trocada por belos sorrisos, demonstrações da felicidade que fazia parte daquele momento. Um momento pertencente somente a eles dois.

De repente, porém, Haiati parou de lutar. Simplesmente guardou sua espada depois de um golpe quase fatal contra Yoko. Ela estava agachada, apoiando–se nos joelhos.A espada estava bem ao seu lado, mas ela estava impossibilitada de ser mexer para pegá–la, pois a arma de Haiati estava rente ao seu pescoço, tão próximo que o simples movimento do virar de Haiati seria capaz de cortar–lhe a garganta, uma vez que o instrumento era também muito afiado. Depois de guardar a katana na bainha, Haiati estendeu a mão para Yoko e depois a abraçou. Deu–lhe um leve beijo na boca e sorriu novamente. Puxou–a pela mão até a saída do campo. Caminharam em silêncio, de mãos dadas.  Felizes.

Estavam próximos do grande Templo. Yoko nada perguntou. Haiati nada disse. Uma vez dentro do Templo, depois de fazerem as reverências adequadas e de tirarem os sapatos, Haiati disse:
– Bom, novamente você perdeu na luta. Mas tenho um desafio antes de deixar que vá para casa. – delicadamente puxou o queixo dela para junto do seu rosto e lhe deu um beijo.
– Novamente, por quê ? Eu sempre ganho. – ela retribuiu o beijo e sorriu. – Vamos, qual é o desafio ? – continuou, dando passos aleatórios em torno de Haiati e roçando de leve as costas dele com a parte de trás da mão.

– Sempre ? – ele sorriu – Discordo. – disse, sorrindo ainda mais. Puxou–a para mais perto de si, mas não a beijou. Encostou a testa na dela e continuou. – Agora preste bem a atenção. Esse Templo é muito sagrado para nós dois, sim ? – Virou–se para a estátua do antigo Imperador – o avô de Yoko, mais conhecido como um dos melhores governantes daquela Era. –  Nós teremos uma luta aqui. Essa é a sua chance de provar que é boa com a espada como diz ser. – ele dizia sorrindo, pois sabia que ela era uma das melhores espadachins do Grande Reino mesmo sendo uma quase gueixa – quase, pois sendo filha do Imperador não poderia levar a vida glamourosa de gueixa, mas era tão protegida e tão cheia de cuidados e mimos que se poderia dizer que ela era gueixa.  Haiati gostava de provocar.

– Tudo bem, então. Vamos! –  e tirou da bainha sua espada, em seguida posicionou–se.
Uma nova luta começou, porém, foi muito rápida. Yoko mal teve tempo de recompor–se depois do primeiro ataque. Mas Haiati não pretendia ganhar a luta, então ele fez um movimento nunca visto por ela. De fato, cresceram juntos e treinaram juntos. Foram iniciados na arte com espada ao mesmo tempo e mesmo que tenham passado a infância se odiando, aos dezessete anos descobriram o amor e desde então têm praticado juntos. Mas aquele movimento. Aquele movimento ela nunca tinha visto. Em ninguém, que dirá feito por Haiati. Ele deu um salto, mas girou no ar, parecia que ele ia guardar a espada de volta à bainha no meio do movimento, pois a mão que segurava o instrumento pareceu estar dentro do bolso.
De volta ao chão, Haiati empunhou a espada não em direção ao pescoço de Yoko, mas sim até sua mão. E quando ela colocou os olhos na ponta da espada lá estava... O anel mais bonito que ela já vira em toda a sua vida. Nem todos os brilhantes que seu pai lhe dera ou todas as joias que ganhara de possíveis pretendentes conseguiriam ser mais belas que aquele pequeno anel. O círculo de prata com um pequeno diamante trabalhado em cima. Ela estava sem palavras. Queria tocar , mas tinha medo de deixar cair e perder o pequeno, porém, magnífico objeto. Somente a lua iluminava o salão do Templo, logo, seu medo era compreensível. Mas Haiati se pronunciou, tirou o anel da espada, abaixou–se e olhou nos olhos de Yoko. Pegou em sua mão e disse:
– Então, aceita se casar comigo ? – disse sorrindo. Um sorriso que mostrava verdadeira alegria.
Yoko ia dizer sim, mas o sorriso surgiu primeiro, seguido de muitas lágrimas e finalmente depois de respirar fundo conseguiu dizer:

– Sim. Sim. Sim. Claro que sim!. – O abraçou e o beijou. Minutos depois o Grande Sino tocou. Era hora de ir para casa. 


[ Tentei encontrar uma foto da mãe de Kira e o seu namorado, mas não consegui e como gostei dessa imagem resolvi deixá-la rs ]

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