O pessoal da escola - parte I

Ele é do tipo badboy
é do tipo pegador
diz que sente atração
e que não sabe o que é amor!


De corpo definido
e de barba bem feita
ele não perde tempo
e não faz desfeita!
    

***
   

    Eu estava parada.Sentada no banco da praça. Sozinha. Um pessoal da escola estava conversando em um canto da praça,e o outro pessoal da escola estava conversando em outro canto. Mais ou menos perto de mim estavam algumas pessoas da nossa sala, mas ninguém com quem eu falava. Logo, eu estava sozinha mesmo. Tinha na mão o livro de biologia e depois de tentar entender DNA e suas características, desisti.    
     Durante um tempo fiquei observando o pessoal. Às vezes, alguns meninos olhavam pra mim, mas logo voltavam sua atenção pra um grupo de meninas que conversava isolado no canto direito da praça, perto da grande árvore que havia lá. Depois outras meninas olhavam pra mim, algumas riam, mas dependendo do grupo só olhavam mesmo, sem rir ou nada. Só olhavam. Por que a professora estava demorando tanto ? Achei que ela só havia ido buscar a caixa de lupas na escola que nem era tão longe assim. Era só subir o morro da direita e virar a primeira esquina da esquerda. Ela havia saído fazia mais de vinte minutos.  No mínimo, encontrou colegas de trabalho milenares e ficou conversando. Enquanto isso, eu era obrigada a ficar encarando pessoas chatas e feias. Porém, eu nunca poderia imaginar o que estava para acontecer, no entanto.
  Já era inverno, de modo que todos estávamos bem agasalhados. Eu, com uma meia-calça preta e uma espécie de coturno preto com tachinhas. Um vestido que ia até o joelho, preto e com detalhes de renda em formato de flor. Um cachecol branco. O vento cortou frio meu rosto naquele instante surreal. Virei-me para trás que era de onde eu supus vir o vento e foi quando eu o vi.
   Até então eu só havia admitido que alguns rapazes da nossa escola ou mesmo da nossa pequena cidade eram bonitinhos. Legaizinhos, mas nada que valesse minha atenção e dedicação. E não era só porque até então só dois haviam falado comigo assuntos diferentes de: você fez o dever de matemática? Esses dois demonstraram interesse de verdade, logo, concluo que eu não era tão feia e horrível assim. Mas quando Rick apareceu lá trás, eu simplesmente não consegui parar de olhar. Meu coração palpitava de leve, mas eu temi que ele pudesse ouvir de tão forte que era a batida dentro de mim. Inspirei fundo, mas ainda não conseguia tirar os olhos dele.Ele era tão lindo e tão perfeito.
   Estava encostado na parede de uma casa. Com uma das pernas apoiada na parede. Estava com uma camiseta daquelas bem justas e por cima usava uma jaqueta de couro pesada. Fumava um cigarro. E esse seu ato de destruição do próprio corpo fazia com que ele ficasse ainda mais sexy. Incrível. Ele já havia se formado na nossa escola e não procurou fazer nada depois, digo, fazer coisas como ir pra uma faculdade ou arrumar um emprego decente pra um cara de vinte anos, diferente de ficar dentro de capôs de carros tentando consertá-los. Ele continuava a fumar seu cigarro. Não estava olhando pra mim, digo, pra gente. Para o pessoal da escola. Ainda bem,porque acho que em algum momento minha expressão de admiração passou de normal para retarda. Me recompus. Ele não valia a pena. Que isso! Um cara mais que errado assim ? Não, não. Mas ele era tão...tão, assim, sabe ? Provavelmente não. Ele era único.
  Mas... o que ? Ele começou a se mover. Saiu da parede, deu uma última tragada, pisou no cigarro e começou a andar na nossa direção. Digo, na direção do pessoal da escola. Ai, ai. Fica certa, Mariah. Ele passou por mim. Nem me notou. Ainda bem, né ? Eu acho que aquela meia-calça já estava ficando velha. Ele foi falar com as meninas idiotas que haviam rido de mim antes. Típico. Eu já devia esperar mesmo. Continuei a ler meu livro.
  Que coisa! Não conseguia me concentrar. Tentei escrever. Abri o caderno em um lugar qualquer e comecei uma poesia, mas minha cabeça contra minha vontade tentava se levantar para olhar pra ele e descobrir o que ele estava fazendo ou falando com as meninas . Eu me forçava a ficar abaixada. Não vou olhar, não vou olhar. O que ? Ele está olhando pra cá ? Olhei pra trás dis-far-ça-da-mente para ver se tinha mais alguém. Mentira, eu olhei que nem um ladrão procurando a polícia. Que droga! Aposto como ele percebeu. Forcei-me a escrever. Escreve, Mariah. Escreve.
- E aí ? - nossa, como aquela voz divina chegou tão perto em tão pouco tempo ? Eu olhei pra cima, porque, né, ele era muito alto.
- É. Oi. – gaguejei.
- O que você tanto escreve ? - ele sentou do meu lado. Uau ! Meu coração ia sair pela boca e dar um soco na cara dele. Ele não podia fazer essas coisas. Junto com a simples ação de se aproximar de mim veio o cheiro do perfume dele. Tão bom. Era forte, e ficou mais forte do que quando ele passou perto de mim àquela hora. Ele estava relativamente perto. Devia haver uma distância de três palmos entre nós. O cabelo loiro dele caía de leve nos seus olhos pretos. Pretos tão negros quanto a noite sem lua. Eles brilhavam estranhamente enquanto olhavam pra mim. E ele perguntou de uma forma tão serena que achei esquisito, já que ele parecia ser do tipo rude. Ao menos eu esperava que seu tom de voz comigo ou qualquer pessoa fosse mais bruto.
- Como assim o que eu tanto escrevo ? Não escrevo nada.
- Isso é mentira. Você tá sempre escrevendo. - ele sorriu. Nossa, como assim ?Que sorriso era aquele ? Eu devo ter encarado por uns três segundos. Aposto como ele pensou que eu era maluca.
- Até parece.
- É sim, garota. Sempre que essa sua professora doida traz vocês pra cá você fica isolada escrevendo ou lendo.Então. Abre o jogo. O que você tanto escreve ?
- É... nada, não... é. São só poemas e textos bobos. - olhava para o lado. Passando a mão no caderno.
- Ah, qual é... Deixa eu ver. - ele tentou pegar. Mas eu fui rápida e puxei para o outro lado. Ele se aproximou muito de mim quando tentou pegar meu caderno. Mas voltou rapidamente à posição anterior. Droga!
- O que ? Que ver o que, menino. Nem pensar. - afastei-me um pouco. Mas não queria. Queria ficar mais perto.
- Ih, menina brava, aí. Tudo bem. Mas vem cá. Por que você tá sempre sozinha ?
Qual era a dele, hein ? Do nada com essas perguntas. E como assim sempre que a gente vinha pra cá ele me via ? É sério que ele fica me olhando ? Alguma coisa deve tá errada.
- É só que...sei lá. Eu não me encaixo.
- Percebi, não é ? - ele sorriu mais. Seus olhos estavam fixos nos meus, até eu abaixar a cabeça pra esconder um sorriso.
- Por que você abaixa tanto a cabeça ? Me falaram que quem faz isso é pessoa insegura.
- O quê ? Garoto, você é doido. Chega com essas perguntas e agora isso. Qual é ? - exclamei. De onde saiu coragem pra falar isso pra ele ?
- Ih, já vi que deixei a mocinha irritada. 'Vô' nessa, então. - ele se levantou. O que ? Não, fica. Implorei mentalmente.
-Não, espera. É que... desculpa,tá. - como havia se levantado ele se sentou de novo. Dessa vez mais perto de mim. Há apenas dois palmos.
- Tudo bem ser diferente, sabe. - ele disse, e passou o braço atrás de mim. Não atrás de mim como nos filmes de romance. Só no banco da praça mesmo. E voltou a cruzar a perna. Passou a mão na calça como se tirasse uma sujeira, mas sua calça jeans rasgada no joelho não estava suja. As correntes que haviam do lado destacam o preto da calça.
- Será ?
- É sim. Já pensou se eu fosse ligar para o que o pessoal fala de mim ? Eu tava morto de tédio. - Ele descruzou as pernas e ficou apoiado nelas, como quando a gente tá cansado de ficar encostado e aí decide apoiar os braços nas pernas. Ele ficou olhando pra frente, o que fez todo mundo parar de olhar subitamente. Com certeza ele fora conhecido na nossa escola. Ok, ele era conhecido na cidade toda.
-Entendi.
Percebi que a grande maioria das pessoas olhava pra gente. Digo, depois que ele parou de olhar. A professora estava chegando. Que droga! Agora que ele tá aqui essa tonta resolve voltar ? Ela ia expulsá-lo da praça, mesmo que tecnicamente ela não possa fazer isso, já que a praça é pública.
- Quer ser mais diferente ? - ele virou pra mim. Sorrindo. Eu diria um sorriso malicioso, mas a beleza e encanto dele me diziam que isso não era possível.
- O quê ? Como assim ?
- Sua professora tá chegando. Vem comigo. - se levantou, ajeitou as calças e a jaqueta. Seus braços eram grossos, eu devia imaginar que um cara como ele ou fazia academia ou levantava muito peso no seu trabalho. Vi que no bolso de trás o maço de cigarros ainda estava lá,e que no cós da calça, na parte da frente havia uma chave grande pendurada.
- Ir- ir ? Com você ? Pra onde,menino ? - gaguejei. Não fazia sentido.
- Quero te levar em um lugar legal. - ele disse, mas deve ter percebido minha surpresa com o convite, pois ele continuou em um tom mais ameno. - Qual é, Mariah! Não sou o cara mau. - espera. Rick Goldmin sabe meu nome ? Desde quando ?

Nooooooooossa! Gente. Eu não podia acreditar numa coisa dessas. Tinha apenas alguns minutos até a professora voltar. Incrivelmente todos os alunos fingiram voltar a fazer seus deveres e pararam de olhar pra gente. Que se dane! Eu disse mentalmente, não vou perder isso.
- Ótimo! Vamos.
Ele sorriu ainda mais, se levantou ( pois havia se sentado quando percebeu minha insegurança ) e estendeu a mão pra mim. Peguei. Era macia e grande se comparada à minha. Juntei minhas coisas, quero dizer, minha bolsinha de lápis e o caderno. Joguei na mochila junto com os livros e o segui.
Ele não soltou minha mão.


Você pode ler a parte II AQUI 
[ A imagem é um desenho que encontrei no google. De Nora e Patch. Personagens da Saga Sussurro de Becca Fitzpatrick. Apesar de eles não terem tanta semelhança assim com os personagens do meu conto, foi a imagem que mais se aproximou que achei. ]

PS: Se você que for o dono do desenho ler, por favor, entre em contato para que eu coloque o crédito.

Comentários

  1. Thays, que lindo!

    Gostei bastante do seu texto, desperta a curiosidade de saber o que vai acontecer e já simpatizei com a Mariah e o Rick!

    http://meuoutroladoescritora.blogspot.com.br/

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  2. Haha, muito obrigada, Camila. Fico muito feliz em saber que gostou e que se interessou pelo final da história. Achei que conseguiria fazer a parte dois na semana seguinte ao término da primeira, mas não deu. Vou tentar essa semana de novo rs Enfim, obrigada !

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