Identidade


Procuras em outros rostos o que não enxergas no teu
errôneo és, e por saberes disso insiste nesta busca
Procuras em outros corpos o que não é próprio do teu  'eu'
e por saberes disso, buscas, sem saber que isso te ofusca

Não tens uma identidade, portanto, queres a dos outros roubar
Mas nunca consegue, é claro, pois é algo intocável
No entanto, de espelhos sobrevives, e não aprende a se amar
E no final sabes o que resta, o que resta é lamentável

Todos os esforços são em vão, sim
Não adianta chorar ou gritar
Cavou uma sepultura, deu-se um fim

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Tenho dentro de mim um alheamento tolo
E bastaria uma única descida rumo aos juncos
Para fazer-me crer que eu nasci para um desgosto
E no final não é necessário, pois meus  abismos são mais fundos

Cria eu na falácia de minha pessoa futrica
cria em uma palavra de fúria
Tão soturna e escura quanto a noite
mal sabia que eu era a causa de meu açoite

E agora nem papéis me são úteis
procuro em outros o que não vejo em mim
e já cansei dessas assertivas, são todas fúteis


No final era uma tola oposição
cansada. mutilada. solitária e sem nada
destruída pelas bombas da própria nação


Não há uma definição certa, tão pouco correta
E nessa parvoíce me perco, sem nunca ter encontrado
uma única peça


Não entendes não é ? Não há meios para tal ato
o que sei é que nada é
quanto a mim, quanto ao que fui, de fato


As mãos que nada constroem
A boca que nada diz
e quando o faz se contradiz
um corpo que não é meu
uma mente que não me descansa
as pernas que não caminham
e um coração perdido na própria dança


O que digo é apenas uma afirmação
nada do que sou me pertence
nada do que fui é real, sou toda escuridão
o que vejo é uma música que nunca foi tocada
um sono que nunca foi embalado
um olhar esquecido, uma alma jamais amada


Todos esses nunca fazem parte de mim por completo
é a perfeita disparidade
um paradoxo maravilhoso
cheia de adversidade
sou oposto do meu próprio eu
nada valeria nem se apagasse todo esse breu
e por isso nada encontro
em mim
e nos outros
e nada é
faz sentido ou foi muito pouco
a identidade que nunca foi minha
mas não bastou ser do outro.





PS: Levei séculos para terminar esse poema, mas precisava terminar agora. Os primeiros versos foram fáceis de compor, mas os seguintes formavam-se na minha cabeça, mas na hora de escrever simplesmente não pareciam transmitir a mensagem que eu queria. Ainda não sei se o poema ficou como eu gostaria que ficasse, mas está aí rs















2 comentários:

  1. Incrível, Thays.

    Para ser muito sincera, acho a primeira parte dispensável, achei as frases um pouco.. "rígidas". A segunda parte começa com um tom completamente novo e, se posso dizer, com verdadeira essência de poesia. Eu diria que é um dos melhores textos que você já escreveu, e é muito você.
    Uma dica? Tire as aspas da poesia. Esse é o lugar para deixar tudo desentendido e não ter que se explicar. (:

    Outra vez: parabéns!

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    1. Haha então, no final eu digo que o começo saiu natural e foi mesmo, quando vi já tinha uma estrofe pronta, mas eu levei muito tempo pra terminar e à medida que escrevia não parecia dizer o que eu queria. Realmente, o poema começou a fazer sentido na minha cabeça na segunda parte. Foi algo que senti um dia desses e senti ainda mais que precisava colocar no papel, aliás como você disse... é muito eu haha e é mesmo.

      É, já percebi que uso muito as aspas rs E preciso aprender a não usar, pois concordo: não precisamos nos explicar nisso.

      Mas enfim, obrigada *-*

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