Marcas

São como impressões digitais. Os livros. Quero dizer, são como aquelas almofadinhas de tinta preta onde colocamos nosso dedo antes de imprimi-lo em algum papel. Os livros são as almofadinhas, pois sempre que os leio deixo um pouco de mim dentro deles e retiro deles um pouco, marcando-me.

E mais que impressões digitais são como tatuagens, pois é irremovível o que sugo deles para dentro do meu corpo por completo, não apenas para minha mente. E eles são tão poderosos que até seu cheiro fica impregnado . São como fotografias que exalam lembranças, basta sentir seu odor e memórias me veem à cabeça. Sei exatamente onde estava quando os li pela primeira vez, com quem estava, o que fazia antes de me entregar a eles, antes de me permitir viajar através de seu mundo.

Tocá-los transmite o mesmo sentimento que uma mãe sente ao segurar o filho pela primeira vez. Fica sorrindo bobamente para a pequena criatura em seus braços, e o mesmo se sucede com meus vários filhos. Estou sempre adotando novas crianças e cuidando para que quando, no futuro, eu as tocar novamente elas retribuam o cuidado por me permitir viajar novamente. Retribuem por me permitir sentir seu cheiro único, sua espessura diferenciada e mais importante, me permitem ler suas maravilhosas palavras.

Os livros são assim. Objetos sem vida, porém, tão viventes quanto nós. A meu ver, são tão importantes quanto nosso oxigênio, uma vez que os livros é que muitas vezes me dão vida.

Meus pequenos objetos imprimíveis. Minhas agulhas que marcam com tinta.