Estações

" Meu coração é um almirante louco
que abandonou a profissão do mar
e que a vai relembrando pouco a pouco
em casa a passear, a passear ... "
- Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa


Nesses seus olhos marejados de amor
eu me perco e desliso em meio à dor
Por que martiriza a minha pessoa?
e em meu ouvido um adeus ecoa

Como pode o ócio acordar-me assim?
ele antes que embalava-me para dormir
não compreendo de onde provém a agitação
sei apenas que não posso permitir a negação

Ao marcar-me com a pena do sentimento
deixou mais que uma cicatriz
tirou-me de minha casca sem consentimento
mas confesso, que era o que sempre quis

Como a flor que desabrocha na primavera
eu sou a semente que um dia ela também era
e com suas lágrimas você me rega e me faz crescer
e ao final da estação eu sei que bela posso ser

Mas então chega o frio inverno
e eu morro com a escuridão
sem o seu calor, o forte sol é em vão

E ainda há uma sombra a me perseguir
sem ter para onde correr, estou presa a você
mas você foge e me deixa aqui, sem ter para onde ir

E transformo-me em uma fria pedra
com ossos de gelo e um coração de vidro
versos antigos novamente fazem sentido
E todos sabem que uma pedra não se rega

Mas ainda guardo a esperança de que ela;
a pedra que me acolhe permita uma flor a nascer
e que ela mesmo solitária consiga enfim viver
em meios aos obstáculos de deixar de ser semente
ela vai por fim me fazer contente.



    Fazia tempo que eu não fazia um poema assim, em minutos ... mas gostei.



2 comentários:

  1. Lindo, gostei, parabénsThays.(Mamasita)

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  2. Lindo, cada dia vc me surpreende mais. Mamasita

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