Sobre a efemeridade

Era uma vez ...


O tempo zomba de minha sórdida pessoa diante dessa passagem mal feita. Ele sabe que não resistirei, ou qualquer um de nós, logo, seu sorriso é escarlate e seus olhos estão completamente negros como um demônio à espreita na madrugada.

Há uma penumbra na janela de meu quarto, o sol faz menção de entrar no ambiente, mas incrivelmente de uma forma estranha e maluca a sombra se faz maior e o impede de iluminar minha casa, portanto, mantenho-me presa à cama.

Fitando o teto branco manchado de meus antigos olhares  marejados pela dor que eu mesma causei, pergunto-me quanto tempo resta-me agora. Há tantos papeis jogados no chão de meu quarto com escritos tão antigos que nem sei por onde começar a citar. Lembro-me exatamente do dia em que aqui cheguei e de como, inocente, pensei que algo mudaria de fato. Desde então tanta coisa aconteceu, mas a única mudança que vi foram os dias... se passando.

A verdadeira metamorfose é o espelho. Insisto em encará-lo todos os dias com um sorriso mal formado no rosto na esperança de que esse objeto mágico faça-me diferente quando eu, incapaz, não consigo. O ser humano se consola todos os dias em que falha alegando que sempre terá o amanhã para fazer diferente, e confesso que nos últimos dias esse consolo foi meu mantra. No entanto, não consigo lhe dizer um dia sequer em que eu tenha feito algo diferente. E não podemos negar que logo o consolo do dia seguinte não mais será possível, visto que o mesmo pode não mais chegar...

O travesseiro tem sido minha casa. E se me perguntar o motivo de tanta melancolia minha resposta será simplória... eu não sei. E de fato desconheço a razão de tal angústia estar  presa a meu ser agora. Fazia tanto tempo que eu não encarava a dor dessa forma que já havia me esquecido como é se sentir solitária, triste e abandonada. Mas então você se pergunta ... como é que ela pode dizer isso quando tanto aconteceu ? Pois eu me faço essa mesma pergunta, caro leitor.

Tudo será esquecido, e apagado da memória dos sobreviventes. Mesmo que risque centenas de papeis não há garantias de que alguém os lerá e se o fizer quem garante que os entenderá ? Sua dor só pode ser sentida por você. Não importa quantas rosas despedace a fim de mostrar que os espinhos não te ferem mais, o sangue já está no chão.

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