Lupus - Parte IV

Você pode ler as Partes I, II e III e AQUI, AQUI e AQUI

Depois de se recuperar do soco bem levado no lado esquerdo da face, Henry ajeitou as roupas, limpou-as e parou para sentir o cheiro de Jonas.  Nada. Tentou sentir o cheiro de um dos lobisomens da Grande Matilha. Nada. Tentou sentir o cheiro de Nina.
Nada.
Droga!
 O único lugar para onde Jonas poderia ter levado Nina era para sua casa. Melhor dizendo, sua mansão. Não ficava muito longe de onde Henry estava, mas ir andando mesmo na condição de lobo seria cansativo demais e ele precisaria de toda a força possível na hora de enfrentar os capangas do Alfa e o Caça, novamente. Procurou pelo chão da casa as chaves do carro que Nina deixara cair quando Jonas a atacou.
Não demorou muito a achar. Do estofamento do sofá tirou duas armas. Uma pistola pequena e um fuzil de assalto. No fuzil colocou balas de prata. Estavam escondidas dentro de um livro que ele guardava na prateleira da sala, perto da televisão. Na pistola colocou balas comuns. Jogou tudo no banco do carona de seu carro e depois de ligar o motor saiu cantando pneu pelas ruas de Massachusetts
Depois de quinze minutos em alta velocidade, uma vez que pegou a estrada ao invés de cortar a cidade, Henry começou a avistar o local. A mansão de Jonas era cercada por grandes muros que impediam a visão da casa propriamente dita se você estivesse muito longe. Antes de entrar na propriedade, de fato, ainda havia muita coisa. Era quase como se ele tivesse a própria floresta, projetada especialmente para ele se transformar quando bem quisesse. Mas o grande portão estava aberto.
Jonas sabia que Henry iria atrás dele.
O cara não brinca mesmo, hein. Pensou Henry. Saiu do carro. Pegou as duas armas e passou pelo portão.
Entrou na propriedade dando tiros para o alto com a pistola e as balas comuns.
- JONAS! Apareça, seu desgraçado!
Não obteve resposta.
- JOOOOONAS!
Henry estava furioso. Tão furioso que poderia se transformar ali mesmo, rapidamente, e ainda teria forças para brigar com Caça e Jonas ao mesmo tempo. Mas esperou. Quando estava de frente para a porta gigantesca da Mansão, Jonas saiu:
- Ora, mas que barulheira é essa, Henry?
- Cadê ela, Jonas?
- Quem?
- Não banque o idiota comigo, desgraçado! – e atirou em direção ao Alfa, mas errou de propósito e Jonas sabia disso, tanto que nem se mexeu.
Alguns lobisomens começaram a sair de dentro da Mansão e quando Henry menos esperou um deles saiu com Nina nos braços. A garota amordaçada e com lágrimas nos olhos. Seus lindos olhos verdes marejados de dor, mas uma dor não pertencente a ela. Nina temia por Henry.
- Deixa-a ir, Jonas. Sua briga é comigo, cara!!!
- Tudo bem. Vou deixa-la ir. Se parar com as gracinhas e voltar para a Matilha.
- Qual o seu problema? Você tem dinheiro suficiente para três vidas. Não precisa mais de mim.
Jonas deu sinal para os outros lobisomens irem, inclusive o que segurava Nina. Henry ficou ainda mais furioso e fez menção de ir atrás dele, mas Jonas apenas levantou a mão em sinal para que ele ficasse onde estava. Obedeceu.
- O lance é o seguinte, Henry. – começou Jonas, caminhando em direção a Henry agora mais próximo da porta, mas ainda fora de casa. – Que se você sair assim, depois de tudo que eu lhe dei os meus caras vão começar a pensar que bastam entrar na Matilha, conseguir uns trocados e pronto! Eles podem sair também.
- Claro que não vão pensar assim!
- Vão sim. Inclusive, nosso coleguinha Charlie já está querendo fazer o mesmo e você sabe que não posso libera-lo, né.
- O que aquele cabeça de alga do Charlie lhe disse?
- Nada. Só que como você estava saindo ele também iria. Simples, Henry. Você é o nosso melhor. Se você sai a credibilidade cai e eu não posso fazer isso.
- Por que se importa tanto com dinheiro?
- A questão não é mais o dinheiro, Henry e sim o poder.
- Típico. Mas enfim. Cadê a Nina?
- Acho que você ainda não sacou, Henry. Não tem Nina se não tiver Henry na Matilha.
- Que droga, Jonas!
Em seguida, Henry pegou o fuzil que estava estrategicamente guardado nas suas costas, escondido pela jaqueta de couro e mirou em Jonas. O Alfa riu, mas não se moveu.
- O que vai fazer, Henry? Vai matar seu Alfa? Vai reclamar o direito de ser o novo líder?
- Se isso me trazer Nina de volta eu mato o bando todo!
E atirou. Acertou Jonas que não acreditou que Henry seria capaz de matar seu criador na licantropia. Jonas caiu. Henry se transformou. Nina, dentro da casa, gritou. A batalha iria começar.

 [http://viergacht.deviantart.com/art/Werewolf-Fight-452052423]

Rebels - Parte I


Dave entrou no seu Porshe 911 preto e depois de ligar o carro aumentou o volume do rádio a um nível quase ensurdecedor, em especial, se você não aprecia o estilo de música heavy metal pesado. Pisou na embreagem e colocou a primeira. Saiu do lugar e passou a segunda. Sorrindo maliciosamente já estava na terceira. As ruas de Seattle estavam vazias àquela hora da noite. Mal iluminadas pela Lua Cheia e parcialmente pelas luminárias, mas Dave não prestava atenção em nada. Seu pé no acelerador pressionando cada vez mais forte era tudo o que importava. A bateria da música soava forte. A guitarra gritava enquanto o jovem dançava sob as rodas do carro. Um sinal vermelho. Não havia ninguém a cruzar a rua. Ele não parou. Passou a quarta marcha. Estava correndo demais. Mas era exatamente aquilo que ele queria. Seu cabelo liso mal podia captar a luz, permaneceu tão preto quanto o era naturalmente. Jogado com força para trás pelo vento. Seus olhos azuis fitavam o nada à frente. Ele não via nada a não ser velocidade.  Seu sorriso branco à mostra deixavam transparecer o prazer que sentia em correr. Minutos depois já estava fora dos limites da cidade. Rodeado de árvores que pareciam meros pedaços de madeira presos ao chão diante da velocidade que ele estava. Não poderiam acompanha-lo nem se quisessem. Foi então que passou a quinta marcha. O barulho do motor ainda que inaudível devido à música podia ser sentido. Ele sentia o poder que aquele carro lhe proporcionava. Ele adorava aquela sensação. Não iria parar por nada. Não iria parar tão cedo. Até que ...
Ela surgiu do nada. Simplesmente assim. Embrenhando-se na estrada depois de simplesmente sair do meio dos pinheiros do lado esquerdo da estrada. Tinha nas costas uma bolsa grande, no formato de um violão. Na mão uma bolsa de lado que ia até a cintura. Preta assim como o restante das roupas o que dificultou a visão de Dave. Não que roupas coloridas e brilhantes fariam diferença, uma vez que o garoto parecia um piloto de corrida querendo vencer a todo custo. Mas o estrago não fora pequeno.
A garota ficou bem. Foi esperta o bastante para desviar do Porshe, mas caiu em cima do violão e esse sim sofreu um estrago grande. Partiu-se ao meio. Dave pisou no freio ao mesmo tempo que tentava fazer uma curva. Não deu muito certo. O carro capotou de uma forma que qualquer um o teria condenado na mesma hora. Foram duas viradas dignas de filme de Hollywood e o carro só parou depois de dois metros, bem próximo a uma árvore. A garota depois  de se levantar e limpar as roupas foi correndo em direção a ele. Assustada, tremendo, mas firme na decisão de ajudar o rapaz abaixou-se para olhar dentro do carro que estava virado, de ponta cabeça e Dave lá dentro, todo torto e com algumas manchas de sangue na blusa, um leve corte da cabeça... Mas vivo. Respirando.
A garota conseguiu puxar a porta e removeu o cinto dele. Puxou-o para fora do carro.
- Cara! Como você tá? – perguntou enquanto o ajeitava em seu colo. Ela estava sentada em cima das próprias pernas, de joelhos no chão. Colocou a cabeça de Dave nas coxas e tirou o cabelo do rosto dele. Em nenhum momento ouviu-se a voz dele. Tudo o que ele fez foi gemer, sem abrir os olhos. – Cara! Acorda. Preciso saber se você tá bem.
- Eer – Dave murmurou. – Es-estou bem. Acho que não quebrei nada.
- Ah isso é bom.
- Também acho.
- Não! É bom que não tenha quebrado nada, pois agora eu posso quebrar pra você, seu maluco idiota!
E levantou deixando Dave caído no lugar onde antes estava sentada. A garota estava furiosa. Qualquer um que visse seu estado de espírito naquele momento seria incapaz de dizer que ela estava toda preocupada minutos antes, inclusive, ajudou Dave a sair do carro e até o acolheu no colo.
- Como assim, garota? Você tá louca? – perguntou Dave à medida que se esforçava para levantar e em seguida ajeitar as roupas, agora mais que rasgadas e sujas.
- CARA! Você quase me matou. Pra que correr assim? Não olha por onde passa? E meu violão! MEU VIOLÃO! Ele já era.
- Você toca?
- Não. Toco não. Eu fico furiosa quando um lunático quebra meu violão que eu por acaso estava levando no meio da noite, mas eu não toco, tá?
- Tudo bem. Saquei o sarcasmo.
- Você vai sacar a minha mão na tua cara. – e avançou alguns passou, mas parou antes de chegar próxima o bastante para acertar Dave. Forçou-se a respirar fundo.
- Olha, me desculpa, tá? Vou te levar pra casa e arranjar um novo violão.
- Ah que ótimo! E como vai fazer isso, espertinho? Seu carro virou farofa caso não tenha notado.
- Só torcer para meu celular ter sobrevivido. Vou ligar para meu pai.
- Torce pra ele não te matar também. Tem que ser muito burro pra estragar um Porshe lindo desses. – e caminhou para mais perto do carro. Arregaçou as mangas e colocou o cabelo para trás. Fez um rabo de cavalo. Limpou um pouco de suor na testa e ficou encarando Dave.
Dave não falou nada. Estava admirado com aquela garota toda nervosa e revoltada. Que tocava violão e entendia de carros. Usava roupa preta e maquiagem pesada ao estilo heavy metal. Que o enfrentou. Provavelmente não sabia quem ele era. Ele estava fascinado.
- Pai? Então... Tô com problema. É que bem... – Dave respirou fundo. – Eu bati o carro e tem uma menina... – foi interrompido. – Calma, pai. Ninguém se feriu. Eu só preciso voltar pra casa. Dá pra mandar alguém? – esperou. – A gente tá na estrada, aquela que dá saída da cidade. É, aquela mesmo. Tá bem. Tchau.
Dave olhou para a garota que brincava de chutar um cascalho qualquer. Quando notou que ele parou de falar ao telefone foi em direção a ele.
- E aí, ligou pro papaizinho vir buscar a gente?
- Eeeh, qual é, garota?
- Eu já saquei seu tipo, garoto. E quero meu violão, tá bem? Não é como se você não tivesse dinheiro, então ... Enfim quando ele chega? Já estava atrasada. Agora então.
- Atrasada para que posso saber?
- Pra tocar, oras.
- Então você tem uma banda? – interessou-se Dave. Se ela tocasse bem até que  poderia se juntar aos Rebels of the Night , afinal, seria a única menina da banda e uma menina bonita. Seria fácil chamar a atenção.
- Não. Não tenho banda. Mas pratico, e esse – disse apontando para o relógio preto de pulseira com pinos – é o meu horário de prática.
- Huum, garota dedicada. Eu tenho uma banda, sabe. – disse Dave com olhar baixo para ela.
- Interessante. – disse, sem demonstrar interesse de verdade. Voltou a chutar cascalhos.
- Você não tem a menor ideia de quem eu sou, né?
Ela olhou para ele com seus olhos grandes e verdes. Colocou uma mexa do cabelo ruivo e longo para trás da orelha. Sorriu somente com os lábios, aquele sorriso forçado e disse:
- Além de que você é um lunático filhinho de papai que se acha no direito de quase atropelar as pessoas... Não faço a menor ideia.
- Eu não acho que posso atropelar ninguém. Você só estava no caminho.
- Aham, claro. – disse ela revirando os olhos.
- Tá. Me desculpa.
- Ok.
- É sério. Até quando vai manter essa pose?
- Que pose, garoto?
- Essa de que não tá nem um pouco interessada em como vou fazer com o Porshe ou mesmo de saber se tenho outros carros semelhantes. – disse Dave sorrindo de leve e ajeitando os cabelos lisos e negros. Foi se aproximando devagar da garota, pois sabia que não poderia abusar da sorte, uma vez que quando ele falou do Porshe ela olhou para ele com mais interesse.
- E você tem?
- Chega aqui. – disse Dave abrindo o aplicativo de fotos no celular. Mostrou as várias fotos dos diversos carros que o pai guardava na garagem da Mansão em que viviam em um bairro isolado de Seattle. A cada nova foto a garota sorria e vez por outra fazia um comentário a respeito do modelo do carro. Coisas simples como “acho demais esse Dogde” ou “ esse Nissan, hein “ . Por fim, ela cedeu e passou a tratar Dave com menos brutalidade. Estavam mais próximos um do outro, e ela até removeu, com tapinhas de leve, um resquício de poeira que ficara na jaqueta de couro dele. Estavam se entendendo finalmente, em especial, depois que ele mencionou a banda novamente e como tudo começou. Até então nomes não haviam sido trocados.
- Mas então. Qual seu nome? – perguntou Dave quando se cansaram e resolveram se sentar no limite da estrada e a floresta.
- É Katherine. Mas pode me chamar de Kat. Katherine é muito grande.
- Kat. Ok. Gostei.
E ficaram ali. Apenas esperando. O tempo começou a fechar e ambos temeram a chuva, que não veio, mas deu lugar ao vento frio e gélido.  Dave notou que Katherine se encolheu um pouco mais e nem se deu ao trabalho de perguntar se ela queria sua jaqueta. Foi logo tirando e colocando por cima dela.
- Obrigada.
- Que isso. Te devo muito mais. Lembra? Quase te matei.
- Ah é. Vou cobrar.
Riram. Estavam próximos. Próximos demais. O frio os aproximara. Ela sorriu quando ele contou que fizeram um grande show num bar no último sábado. Colocou uma música para tocar ela adorou o ritmo pesado, a letra apelativa e as batidas fortes. Quando a música cessou eles estavam se encarando. Ele encantado com o sorriso dela que demorou a aparecer,  mas uma vez que ali estava ele notou que era, de fato, maravilhoso. Ela abismada com o olhar cafajeste dele, mas ao mesmo tempo carinhoso. Aquele olhar penetrante que consegue conversar com você. Por trás dos olhos azuis do rebelde sem causa ela viu que havia mais nele. Que sua vontade de transformar o mundo através da música era mais forte que sua vontade de desafia o pai.
Eles estavam a um passo de um beijo. Separados pela respiração um do outro. Pelo vento. Por um telefonema.
- Droga!
- Quem é?
- Minha namorada.



* A imagem é da série Victourious, personagens Jade e Beck. Inicialmente, Dave deveria ser Daniel Sharman, mas não consegui pensar em uma garota tão bad girl quanto ele e que poderia ser representada por outra pessoa. Então, ficou a Liz Gillies *-*

Nobody wins

De repente todas as decisões passadas não fazem sentido.
Todas as ações são socos no estômago.
Todas as atitudes são facadas no peito.
Todos os passos foram em direção ao escuro.

De repente tudo o que você fez está jogado no mais fundo abismo, um breu de solidão faz parte da sua visão. Nada faz sentido, pois você está perdido. Hoje. Amanhã. Bastou uma descoberta e seu mundo caiu. As migalhas que recebeu de si mesmo hoje alimentam sua casca morta. Seus planos foram esmagados pelo futuro, pela vida, pelos próprios planos. Você fez sua cama e apesar de não querer deitar nela é obrigado a fazer isso, no entanto, você não se levanta no dia seguinte. Fica ali. Caído, em uma posição fetal ridícula pedindo aos céus uma solução. 

De repente todas as decisões são socos no rosto.
Todas as atitudes são facadas na barriga.
Todos os passos foram em direção ao grande nada.

As coisas simplesmente não fazem sentido. Você não faz sentido. Não há perspectivas ou razão. Mais vale morrer e aguardar a próxima encarnação. A dor que sente agora não é nada comparada àquela que será obrigado a passar quando seus sonhos forem definitivamente estraçalhados. Dizem que o ser humano é movido por metas, mas o que move o homem é a angústia. Metas não tiram do sofá. Aquela agulha no seu olho, aquela dor singular no peito, a mente prestes a explodir. O estresse de pensar demais e não achar saída. Isso é o que te faz levantar.


E cair em seguida, é claro. Ninguém é tão forte que seja capaz de suportar o tiro da vida na própria cabeça. Em algum momento todos caem. Todos são forçados a ficarem no chão. E é nesse momento que a vida olha pra você e diz: eu venci. 


Nós não vencemos. A vida sempre ganha. Os outros sempre são os outros.
Melhores.


Resultado do Sorteio livro Cidades de Papel

O resultado do sorteio do livro Cidades de Papel do John Green é :


Juliana Malheiros!




Já entrei em contato com ela e ficarei no aguardo, por até dois dias, pela resposta. 

Beijos, galerinha. Até o próximo sorteio!!
Obrigada a todos que participaram e divulgaram o blog!!!

A nadificação da vida

O deterioramento do corpo, da casca que envolve a alma. A aproximação da nadificação da vida. O esquecimento do nome dado ao ser. O não para o último suspiro. O que foi e o que é, jamais será de novo.

A essência do ser que veio depois de sua existência está mais perto de se extinguir. Todas as palavras serão deixadas para trás e talvez nem seus escritos sejam capaz de salvar sua memória. O caminhar seco e vagaroso quando chegar na mais triste das idades deixará evidente o que o corpo é diante da vida sem nexo que somos obrigados a viver. Em busca da felicidade caminhamos, mas ela não é uma busca suficiente para nos manter vivos para sempre. Nem com um um estrondo nem com um suspiro, o mundo acaba em desilusão. 

Descobre-se homem quando encontra algo pelo qual vale a pena morrer, já dizia sábio Sartre, mas quando de fato a morte se aproxima descobrimos que mais teria valido a pena viver uma vida plena ao lado daquilo estimado ao contrário de morrer por determinada coisa. Um suspiro e nada mais, nem um sorriso de gratidão. São as lágrimas que preenchem teu caixão.

As mãos decrépitas não tocam mais o piano, não fazem rabiscos ou caligrafias no papel. Papeis manchados de lágrimas e coloridos pelas dores da vida. Os dentes estão amarelos, logo, nunca mais se viu um sorriso naquele rosto enrugado, naquele rosto pintado pelo tempo. Os olhos somem dentro da face marcada pela flacidez, os cílios caíram junto do espírito do ser que agora se encontra no chão.  A magreza antes tanto estimada agora é vista como uma praga, pois faz do envoltório da alma algo horrendo de se olhar. Tanto pelo que cai e tanto desagrado que se faz. 

A nadificação da vida. 

Ônix.

O tempo.

O dia.

É só mais um dia, afinal.


Happy Birthday, Thays!


Klaus - Parte IV

Você pode ler as partes I AQUI, II AQUI e III  AQUI  !


- Isso não é possível! - disse uma voz feminina que não pertencia a Phoebe. Margot caminhou alguns passos para frente, as mãos tremendo, mas ela se manteve firme. - Saia da frente, lobo. - disse para Norton que estava tão assustado quanto ela. - Preciso ver isso de perto. - Com os olhos arregalados e a mão estendida ela caminhou devagar até Klaus como quando tememos a mordida de um cão, porém, a beleza dele é chamativa demais, logo, nos aproximamos devagar para mostrar que ele não precisa temer nada.
Não era o caso de Klaus, é claro. Ele nunca temera nada na vida e não seria uma feiticeira a primeira a causar-lhe medo. Sabendo disso quando Margot aproximou-se o suficiente Klaus rosnou ainda mais alto e ela recuou. Olhou bem em seus olhos azuis e disse:
- Acho que por essa nem você esperava, Margot. Vou acabar com sua matilha de cães sarnentos e depois farei com você o que fiz com sua família. - e terminando essa frase Klaus fez uma investida. Saltou em direção à Margot, mas a bruxa foi mais rápida. Desviou rapidamente, mas não antes de erguer a mão direita e murmurar algo em latim. Um feitiço. E Klaus caiu para o lado.
Não foi forte o bastante para faze-lo permanecer no chão, mas foi o suficiente para Margot se esconder atrás de Norton.
- Acabe com ele, lobo.
- Como espera que eu acabe com um híbrido? - Norton estava claramente assustado. Toda a pose de durão que fizera há alguns minutos pareceu desaparecer diante de Klaus, um hibrido e o primeiro que ele vira na vida.
- Você tem um exército de lobisomens, Norton. Use-o.
- Esse exército de cães não será o suficiente, Margot. Acredite. - disse Klaus, calmo.
- Você não é o primeiro híbrido da história, Klaus. - ela retorquiu.
- Mas com certeza sou o melhor. - em seguida Klaus partiu para cima do lobo mais próximo. O lobisomem não teve nem chance de pensar no que fazer. Em segundos, seu pescoço estava sangrando consideravelmente. Ele urrava de dor, mas Klaus foi misericordioso e quebrou o pescoço do lobisomem. Limpou a boca com as costas da mão e olhou para o seguinte. Dois lobisomens se prontificaram a ataca-lo. Klaus sorriu.
Margot estava se preparando para correr. Mas Klaus percebeu seus movimentos ínfimos e desviou a atenção dos dois lobisomens. Com sua velocidade de vampiro ele seria rápido, mas o poder de ser um híbrido era muito maior e ele tirou proveito disso. Em instantes estava bem na frente de Margot. A mulher, uma poderosa feiticeira que nada temia nem nunca temeu, estava aterrorizada.
- O que vai fazer, Klaus?
- O que acha que vou fazer, Margot? Você tem feito da minha vida um inferno e agora se alia aos lobos para me destruir? O mínimo que posso fazer por você é dar-lhe uma morte rápida.
- Você não entende mesmo, não é?
- O que tem para entender? Você me odeia, eu te odeio. Eu matei sua família, você me perseguiu desde então. Mas está na hora de colocar um fim nisso.
- Você não entende que eu sempre te amei?!
***

Phoebe ficou enfurecida ao ouvir aquela declaração de Margot. Queria sair daquele arbusto e bater na feiticeira, porém, ela era apenas uma humana e sabia que os poderes de Margot precisavam ser levados em consideração. Phoebe socou o chão. Limpou-se como pode na água do lago, mas era noite e ela pouco enxergava. Socou o chão de novo.
- Droga! Droga, droga e droga! - disse, baixinho. Estava realmente com raiva, e quase gritou que Klaus era dela e não de Margot.
No entanto, o que foi baixo para Margot era alto suficiente para os lobos. E eles ouviram. E como.
Em instantes Norton estava ao lado de Phoebe. Olhando de cima. Sorrindo. Ela fez menção de correr. Afinal era o que Klaus lhe mandara fazer, mas ela não conseguiu, é claro. Nem que tivesse alguma vantagem, Norton era um lobisomem. Um lobisomem forte e poderoso. E um lobisomem que estava bem ao lado dela.
- Olha só o que eu achei. Esse bichinho estava escondido naquele arbusto!
- Me solta, seu cachorro pulguento! - disse Phoebe tentando sair do abraço rude de Norton.
- Parece que essa aqui passa tempo demais com o Klaus, Margot. - disse Norton depois de ouvir o xingamento normalmente usado por Klaus.
- Ora, ora, ora! - disse Margot, quando ouviu o Norton dissera e virou-se para ver Phoebe. - Finalmente posso conhecer você, minha jovem.
- Queria me conhecer? - perguntou Phoebe um pouco surpresa.
- Mas é claro! É uma honra poder estar na presença daquela que conseguiu fazer esse aqui - apontou para Klaus - mostrar algo que até então eu achei que não existia nele: o coração. - Ela cruzou as mãos e caminhou na direção de Phoebe.
Klaus colocou a mão no ombro de Margot tentando faze-la parar de andar, mas na mesma hora Margot levantou a mão e Norton soube o que ela quis dizer. O homem apertou os ombros de Phoebe que gritou de dor e Klaus entendeu o recado. Soltou Margot.
- Acalme-se, criança. Não vou matar você. Não agora, é claro. - Margot riu. - Está um pouco suja, não? Fez isso para disfarçar o cheiro na presença dos lobos?
 Phoebe apenas meneou a cabeça. Estava massageando um dos ombros.
- Muito inteligente, mas não foi o bastante. Como eles te descobriram?
- Eu a ouvi, Margot. Ela murmurou algo. Bem baixo, mas eu pude ouvir. - disse Norton, rapidamente.
- Ah, sim. Entendo. Ficou com raiva de alguma coisa, eu suponho?
- Ora, sua bruxa! Fica longe do Klaus! - esbravejou Phoebe. A dor em seu ombro era grande, Norton poderia tê-lo quebrado, mas a raiva pulsante em seu peito era maior.
- Mas é claro. O ciúme.
- Deixa-a em paz, bruxa! - Klaus aproximou-se.
- Calma, Klaus. Ela não é minha prioridade, você sabe. Mas podemos negociar.
- Diga-me o que quer.
- Tudo bem. - ela descruzou os braços e colocou as mãos na cintura. Olhou para Phoebe e depois para Klaus.
- Klaus! Não faça nenhuma loucura, eu lhe imploro.
- Nada de loucura, criança. Na verdade, o acordo é bem simples. - a mulher sorriu ainda mais. Aqueles sorrisos maldosos que os vilões costumam usar nos filmes.
- Klaus. Você vem conosco e a garota vive. É com você. - Margot cruzou os braços novamente e continuou sorrindo para ele.
Nesse momento Phoebe se descontrolou. Estava enfurecida, mas ao mesmo tempo seu corpo estava cheio de adrenalina. O medo de perder Klaus para sempre era grande demais. Deu um soco no rosto de Norton que desprevenido sentiu o punho dela e a soltou. Phoebe partiu para cima de Margot, mas a bruxa era esperta e rápida, desviou-se com elegância. Klaus bateu em uns dois lobisomens que estavam perto dele e correu para Phoebe. A abraçou e a levou para a árvore mais próxima. Em seguida, a acalmou. Disse algo baixinho no ouvido dela e então...
Seus dentes largos e grandes ele cravou no pescoço dela. Ela gritou, mas logo o som foi abafado pelos gritos de Margot que dizia "não e não", no entanto, ela foi mantida em seu lugar por Norton. Uma das mãos no pescoço de Klaus e a outra na cintura, ambas o arranhando com força, Phoebe estava sendo atacada pelo Demônio. O sangue escorria em seu pescoço. Ela se deleitava com a sensação já experimentada tantas vezes, porém, ela sabia que ele não iria parar até o momento que uma única gota de sangue restasse em seu corpo. Dessa forma ela morreria e poderia retornar como vampira.

Klaus olhava para todos a sua volta com seus olhos amarelos e brilhantes. Quando terminou de beber o sangue de sua amada a colocou gentilmente no chão. Sem que ninguém notasse colocou um tubo negro no bolso da calça de Phoebe. Cruzou os braços da moça na barriga dela. Ajeitou o cabelo e beijou sua testa.
Virou-se para a matilha e para a feiticeira.
- Vamos.
Margot sorriu e pegou na mão de Klaus. Norton de princípio não entendeu o que vira. Se Klaus a amava tanto por que a matou?
Naquele momento Klaus fez o que nunca pensou que faria: deu a sua vida pela vida de outra pessoa. Naquele momento, também, ele abandonou sua amada e foi embora com os lobisomens e com a bruxa mais poderosa que conhecera. Ele sabia o que lhe aguardava. Uma morte cruel e dolorosa.
Mas ele salvara Phoebe, certo? Logo, sua consciência estava em paz.




Feliz Aniversário, J.K Rowling e Harry Potter !


É claro que hoje teria post! O texto não será longo, prometo.

É que eu não poderia deixar de parabenizar, primeiramente, essa mulher incrível que é J.K Rowling. Tudo nela é motivo de inspiração pra mim, e eu só tenho a agradecer por ela ter criado o que criou. Harry Potter me salvou diversas formas, e continua fazendo isso hoje, pois sempre que ficou triste eu sei que tenho Hogwarts me esperando. Sempre que estou confusa e com medo do futuro e com receio da carreira - escritor - que tanto quero pra mim não dê certo eu olho para meus livros Harry Potter e penso em tudo o que J.K Rowling passou para chegar onde ela está hoje e me sinto revigorada e inspirada, novamente. Contudo, sempre que estou feliz sei que posso olhar para as fotos dela e para o mundo do Harry e sentir que de alguma forma ele faz parte dessa felicidade, uma vez que durante muito tempo eu só conseguia ser feliz ao lado dos livros e filmes Harry Potter.

Cólera

O miocárdio bate mais forte, pois a cólera percorre o casco que cobre a vida morta desse ser. Esse horror que o faz caminhar todos os dias não é o bastante para faze-lo cair no sono à noite. Cansado ele está, porém, não vê saída desse mundo.

Ele não compreende como conseguiu chegar onde está sendo rodeado de tanto ódio. Ele exala a morte, pois seu corpo tomou banho da cólera sangrenta que o faz sangrar. Seu foco está distorcido, seu âmago está manchado.

Ônix.

Klaus - Parte III


Você pode ler a Parte I AQUI e a Parte dois AQUI


- E por que eles não deveriam entrar?
- Porque essa porta está totalmente protegida. A pintei com tinta banhada em prata e troquei a maçaneta. Com certeza tiveram ajuda das bruxas. Droga! Vamos, Phoebe. Precisamos sair daqui.
- Mas como? A janela fica há mais dez metros do chão.
- Acho que se esqueceu de com quem está. - disse Klaus, sorrindo.
- Verdade. - ela concordou com um sorriso e se agarrou a ele, uma vez que os braços do vampiro estavam abertos mostrando que ela deveria abraçá-lo.

Enquanto a porta era esmurrada Klaus se preparava para saltar com Phoebe pela janela. Torcendo para não serem vistos pelos moradores e presentes no bar, é claro. Antes de saltar ele lhe deu um beijo longo e dois nas bochechas. Sorriu para ela com seus dentes perfeitamente alinhados e brancos. Ela sorriu de volta. Segurou firme em sua mão e quando ele fez o movimento do salto ela foi junto dele. Fechou os olhos não por temer a queda, mas para poder apreciar a ação de uma forma mais profunda. Sabia que enquanto Klaus estivesse ao seu lado nada poderia lhe acontecer. A batida dos pés do vampiro no chão foi firme e pareceu emitir algum som, porém, seria necessário ouvidos sobrenaturais para ouvir. Em seus braços, Phoebe sorria. Beijou-lhe novamente e desceu.
- Isso foi interessante.
- Concordo, mas mais interessante é darmos o fora daqui antes que aqueles cães sarnentos percebam que não estamos no quarto.
- Verdade.
Correram. Klaus teve de diminuir muito sua velocidade vampírica, pois Phoebe jamais seria capaz de acompanhar seu passo. Por mais forte que ele fosse, carrega-la poderia chamar ainda mais a atenção, pois ele sabia que nem sempre teria o caminho livre, logo, vez por outra seria necessário parar.  No entanto, eles conseguiram se afastar o suficiente do bar, de modo que pode dar um tempo a Phoebe. Para descansar.
- Sabe ... isso... seria bem... mais fácil... se eu já fosse uma vampira. - disse ela entre uma respiração profunda e outra.
- Eu sei, meu amor. Mas acho que devemos e podemos esperar. Acredite, não há outra coisa no mundo que eu não queira mais que tê-la ao meu lado por toda a eternidade.
- Eu entendo. Não estou reclamando. É só que com tudo o que acaba de acontecer, não é?
- Sim. Mas logo tudo melhora, está bem?
- Tudo bem.

Minutos depois da fala de Phoebe um uivo alto, estridente, cortante e até maligno quebrou o silêncio entre eles. Porém, mais que o uivo o som das patas grandes batendo no chão em passos rápidos e certeiros fez Klaus abraçar Phoebe como nunca antes. Ele sentiu medo. Não por sua vida imortal, é claro, mas temeu não ser capaz de proteger Phoebe diante de tantos lobisomens. Escapar deles, lutar contra eles e até mesmo destruí-los era fácil quando sua única preocupação era sua própria vida, mas lutar por si mesmo e por mais alguém era algo que até então ele nunca teve de fazer. Sempre foi solitário.
- Escuta bem. - disse Klaus, segurando o rosto de Phoebe e encarando-a com seus olhos penetrantes. - Quando eu mandar você correr você irá correr, está bem?
- Está achando que vou deixar você?
- Estou sim, senhora. - ele riu. - Eu preciso que me deixe. Pelo menos até eu finalizar esses cães idiotas. E então, nos encontramos, está bem?
- Não sei, Klaus, eles eram muitos. E pelo que me disse... As bruxas, elas podem lhe fazer mal. Se aquela presença realmente me possuiu eu posso ajudar. Sei lá, fazer um acordo.
- Nunca, jamais pense nisso de novo, meu amor! Um acordo com as bruxas é um acordo com o próprio Diabo! Elas não tem palavra e lhe destruiriam na primeira oportunidade.
- Mas o que posso fazer para lhe ajudar?
- Apenas fique viva. - Klaus respirou fundo e pegou nas mãos de Phoebe que olhava-o com paixão. -  sem em você minha vida não faz sentido. Sem seu sorriso meus olhos não possuem razão para olhar. Sem seus lábios minha boca não encontra sentido para falar. Sem seu toque, minhas mãos frias não possuem motivo para tocar. Sem seu corpo, minha carcaça milenar é somente mais um amontoado de ossos em busca do próximo depositório de sangue capaz de me sustentar por mais um dia. Sem você, Phoebe, sem seu amor... Eu não sou nada.
- Está bem. Farei o que me pedir.
- Tudo bem. Escute. Quero que fique atrás daquela árvore e tente ficar o mais silenciosa possível. Se conseguir encontrar lama ou qualquer coisa para se sujar, ótimo, faça isso.
- Para disfarçar o cheiro?
- Sim. Eles irão atrás de você para me distrair, logo, enquanto não puder correr fique lá e disfarce seu cheiro como puder. Vá! - antes de soltá-la Klaus a beijou, profundamente. Promiscuamente. Phoebe correu e caiu. Coincidentemente um lago há alguns metros da árvore indicada estava lá, esperando por ela. Caiu e rapidamente tratou de juntar a lama do fundo e passar em seu corpo. Saiu do lago e escondeu-se. Moveu algumas folhas e observou Klaus.

- O que vocês querem? - disse Klaus para os cinco cães gigantescos e corcundas que se encontravam a sua frente. Alguns minutos depois da pergunta eles começaram a se transformar. De volta à condição simplória que era o ser humano. Depois de minutos de dor, grito e agonia um menino surgiu de trás deles com um grande saco nas costas. Abriu e jogou no chão o conteúdo. Roupas. Os homens antes lobos agora nus pegavam um a um uma peça de roupa se vestiam.  Sorrindo sarcasticamente para Klaus. Eles sabiam que o vampiro temia algo.
- Nós queremos muita coisa, Klaus. - disse o líder, limpando a sujeira dos ombros. Ele era alto, quase da mesma altura que Klaus, cabelos negros oe lisos, delineadamente cortados à máquina. Seus olhos eram muito pretos e os braços eram fortes, bem como o restante de seu corpo. A boca era levemente carnuda e os dentes brancos, as presas eram visíveis mesmo em sua forma humana. - Mas para começar que tal sua vida?
- Aham. Claro. - Klaus cruzou os braços e riu.
- Tudo bem. Vou facilitar pra você. Nós sabemos da sua namoradinha. Sua vida pela dela. - nesse momento Phoebe tapou a boca, pois seu coração disparou ao perceber que a troca seria plausível para Klaus.
- Vocês ainda acreditam naquela feiticeira?
- Se está falando de Margot, sim, acreditamos.
- Pois então são mais burros que eu pensava. Se acham mesmo que ela vai tirar a maldição de vocês por pura bondade do coração dela, são mesmo uns idiotas.
- É claro que não, seu vampiro tolo. Ela quer nossa lealdade.
- E os idiotas darão?
- Não. Assim que ela fizer o feitiço, ela morre.
- E você supõe ser muito fácil matar a feiticeira mais poderosa que já passou na Terra? Você acha mesmo que ela não pensou que faria isso, Norton? Acha mesmo que ela não tem um plano B ou C?
- Pode até ser. Mas nós somos espertos, fortes e rápidos.
- E burros.
- Seu idiota! - Norton avançou, mas um de seus companheiros o segurou. - O que você sabe sobre Margot?
- Muita coisa. Pra começar. Ela não é burra, tão pouco boba. Ela sabe que você irá tentar matá-la assim que a maldição for quebrada. Isso é, se for.
- É claro que vai.
- Ela lhe garantiu isso? Porque, Norton, acredite. Se há uma cura para a maldição da Lua Cheia dos lobisomens acredito que ela já deveria ter sido encontrada há milênios.
- Não é bem assim, Klaus. Margot não existia há milênios, tão pouco tinha os ingredientes necessários.
Phoebe sabia que um deles poderia ser o sangue de Klaus. Temia que ele aceitasse algum acordo com os Lobos. Mas permaneceu em seu lugar. Quieta. Camuflada. Entre as folhas observava Klaus conversar com um homem forte e alto. Ao redor dele havia outros homens tão alto e fortes quanto ele, cinco. Mais dois chegaram minutos depois. Era quase um exército se usar apenas a força de seus braços e convicção com que apoiavam o homem que falava com Klaus. Phoebe estava com medo.
- E quais seriam esses ingredientes? Eu? Tem certeza? Aquela mulher me odeia desde o primeiro momento que me viu, e me odeia ainda mais por eu ter matado toda a família dela. Tem certeza de que ela não está usando vocês para me matar?
  Norton não respondeu. Não sabia dessa história de Klaus e Margot. Pensou que poderia ser verdade.
- Por que matou a família dela?
- Porque ela sempre foi essa bruxa doida e nunca me deixou em paz. Eu estava com fome. A família dela estava no meu caminho. Simples assim.
- Mas ela nos disse que seu sangue era a única coisa que faltava para o ritual que deve ser feito na próxima Lua de Sangue.
- Claro, pois na Lua de Sangue eu fico mais fraco. Mas não precisa ficar feliz. Fraco para ela. Ainda acabo com vocês. – disse Klaus dando as costas para Norton.
- Com certeza! - disse Norton rindo. - Porém, o que você falou faz sentido. Ela ficou muito feliz ao saber que nós éramos inimigos. Claro que continuamos inimigos - disse, andando de um lado para o outro, com o indicador entre os lábios - Mas quem sabe...
- Não tem nada de quem sabe, Norton! Vocês me deixam em paz e eu acabo com a bruxa.
- Aham, e nós vivemos sob a maldição da Lua pra sempre!
- Isso é problema de vocês! - exclamou Klaus.
- Pode até ser, mas certo ou errado você não vai estragar nossa chance!

Norton apontou o dedo para Klaus. Sorriu maldosamente e se virou para ir embora. Fez sinal para os companheiros o seguirem. Klaus pensou imediatamente no quão aliviado estava por não notarem a presença de Phoebe mesmo ela estando relativamente próxima a eles. Norton e seus companheiros sumiram no emaranhado de verde que era a floresta atrás deles. Klaus respirou fundo. Phoebe saiu em disparada a ele quando percebeu que os lobos haviam saído. O beijou mesmo suja de lama. E ele a abraçou com força. O que não esperava era uma investida de Norton por trás. Foi tudo muito rápido e Klaus mal teve tempo de soltar Phoebe, por pouco ela não foi mordida.
A mordida do lobisomem é mortal para os vampiros, logo, em brigas os vampiros tomam muito cuidado para não serem mordidos. Pior que a morte certeira é a agonia que tortura o corpo antes dela. O pescoço de Klaus sangrava, o lobo preto ao seu lado. Phoebe chorando à distância fazendo menção de caminhar até Klaus. Norton, o lobo gigante e preto caminhou para um arbusto e se transformou de volta. Klaus não entendeu como ele fez para dar a volta tão rápido. Margot. Foi seu único pensamento em meio aos urros que saiam de sua boca.
- Você já era, Klaus. Margot está a caminho. Quando ela chegar seu sangue ainda estará fresco para o Ritual.
Norton estava esperando. Seu desejo: A morte de Klaus. Phoebe temia que seu desejo se realizasse. Em um súbito segundo Klaus parou de respirar. Estirado no chão, de braços abertos e os olhos fitando o céu estrelado. Sem vida. O pescoço com a marca profunda dos dentes. O sangue por todo o lado. Para Phoebe seu amor, seu Demônio estava morto. Para Norton, seu maior inimigo fora derrotado.

***

O que não estavam esperando, definitivamente, era uma respiração aguda de Klaus tão súbita quanto o instante em que a vida deixara seu corpo. Seus olhos antes vermelhos pelo sangue recém-sugado, agora eram amarelos , dourados como o sol, mas penetrantes como a Lua Cheia. Suas presas sempre mais acentuadas segundos antes à mordida da próxima vítima agora estavam evidentemente maiores e mais fortes. Seu pescoço curado. Jugulares mais grossas. Ele se levantou. Olhou para Norton e urrou. As garras saindo de suas mãos brancas. Os olhos de Norton tão arregalados quanto os de Phoebe. E uma única voz:
- Klaus! Você é um híbrido![1] - era a voz de Margot.




[1] Mais uma vez a série The Vampire Diaries e The Originals de Julie Plec baseada na série de livros e L.J. Smith teve parte nesse conto. Não sei dizer se a criatura ‘’híbrido’’ já havia sido mencionada em outra história antes, porém, a mistura vampiro e lobisomem que usei aqui foi baseada na criatura de The Vampire Diaries Klaus Mikaelson. 







* Para quem não sabe híbridos são seres sobrenaturais com duas naturezas. Em geral, vampiro e lobisomem. Na maioria das vezes, a pessoa nasce de um jeito e é necessário que sua outra natureza seja ativada. Nesse caso, Klaus precisou ser mordido por um lobisomem para que sua natureza de lobo pudesse ser chamada.