30 de dezembro de 2015

Lupus - Parte IV

Você pode ler as Partes I, II e III e AQUI, AQUI e AQUI

Depois de se recuperar do soco bem levado no lado esquerdo da face, Henry ajeitou as roupas, limpou-as e parou para sentir o cheiro de Jonas.  Nada. Tentou sentir o cheiro de um dos lobisomens da Grande Matilha. Nada. Tentou sentir o cheiro de Nina.
Nada.
Droga!
 O único lugar para onde Jonas poderia ter levado Nina era para sua casa. Melhor dizendo, sua mansão. Não ficava muito longe de onde Henry estava, mas ir andando mesmo na condição de lobo seria cansativo demais e ele precisaria de toda a força possível na hora de enfrentar os capangas do Alfa e o Caça, novamente. Procurou pelo chão da casa as chaves do carro que Nina deixara cair quando Jonas a atacou.
Não demorou muito a achar. Do estofamento do sofá tirou duas armas. Uma pistola pequena e um fuzil de assalto. No fuzil colocou balas de prata. Estavam escondidas dentro de um livro que ele guardava na prateleira da sala, perto da televisão. Na pistola colocou balas comuns. Jogou tudo no banco do carona de seu carro e depois de ligar o motor saiu cantando pneu pelas ruas de Massachusetts
Depois de quinze minutos em alta velocidade, uma vez que pegou a estrada ao invés de cortar a cidade, Henry começou a avistar o local. A mansão de Jonas era cercada por grandes muros que impediam a visão da casa propriamente dita se você estivesse muito longe. Antes de entrar na propriedade, de fato, ainda havia muita coisa. Era quase como se ele tivesse a própria floresta, projetada especialmente para ele se transformar quando bem quisesse. Mas o grande portão estava aberto.
Jonas sabia que Henry iria atrás dele.
O cara não brinca mesmo, hein. Pensou Henry. Saiu do carro. Pegou as duas armas e passou pelo portão.
Entrou na propriedade dando tiros para o alto com a pistola e as balas comuns.
- JONAS! Apareça, seu desgraçado!
Não obteve resposta.
- JOOOOONAS!
Henry estava furioso. Tão furioso que poderia se transformar ali mesmo, rapidamente, e ainda teria forças para brigar com Caça e Jonas ao mesmo tempo. Mas esperou. Quando estava de frente para a porta gigantesca da Mansão, Jonas saiu:
- Ora, mas que barulheira é essa, Henry?
- Cadê ela, Jonas?
- Quem?
- Não banque o idiota comigo, desgraçado! – e atirou em direção ao Alfa, mas errou de propósito e Jonas sabia disso, tanto que nem se mexeu.
Alguns lobisomens começaram a sair de dentro da Mansão e quando Henry menos esperou um deles saiu com Nina nos braços. A garota amordaçada e com lágrimas nos olhos. Seus lindos olhos verdes marejados de dor, mas uma dor não pertencente a ela. Nina temia por Henry.
- Deixa-a ir, Jonas. Sua briga é comigo, cara!!!
- Tudo bem. Vou deixa-la ir. Se parar com as gracinhas e voltar para a Matilha.
- Qual o seu problema? Você tem dinheiro suficiente para três vidas. Não precisa mais de mim.
Jonas deu sinal para os outros lobisomens irem, inclusive o que segurava Nina. Henry ficou ainda mais furioso e fez menção de ir atrás dele, mas Jonas apenas levantou a mão em sinal para que ele ficasse onde estava. Obedeceu.
- O lance é o seguinte, Henry. – começou Jonas, caminhando em direção a Henry agora mais próximo da porta, mas ainda fora de casa. – Que se você sair assim, depois de tudo que eu lhe dei os meus caras vão começar a pensar que bastam entrar na Matilha, conseguir uns trocados e pronto! Eles podem sair também.
- Claro que não vão pensar assim!
- Vão sim. Inclusive, nosso coleguinha Charlie já está querendo fazer o mesmo e você sabe que não posso libera-lo, né.
- O que aquele cabeça de alga do Charlie lhe disse?
- Nada. Só que como você estava saindo ele também iria. Simples, Henry. Você é o nosso melhor. Se você sai a credibilidade cai e eu não posso fazer isso.
- Por que se importa tanto com dinheiro?
- A questão não é mais o dinheiro, Henry e sim o poder.
- Típico. Mas enfim. Cadê a Nina?
- Acho que você ainda não sacou, Henry. Não tem Nina se não tiver Henry na Matilha.
- Que droga, Jonas!
Em seguida, Henry pegou o fuzil que estava estrategicamente guardado nas suas costas, escondido pela jaqueta de couro e mirou em Jonas. O Alfa riu, mas não se moveu.
- O que vai fazer, Henry? Vai matar seu Alfa? Vai reclamar o direito de ser o novo líder?
- Se isso me trazer Nina de volta eu mato o bando todo!
E atirou. Acertou Jonas que não acreditou que Henry seria capaz de matar seu criador na licantropia. Jonas caiu. Henry se transformou. Nina, dentro da casa, gritou. A batalha iria começar.

 [http://viergacht.deviantart.com/art/Werewolf-Fight-452052423]

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16 de dezembro de 2015

Propósito

Um pedaço de papel amassado
eu era o caco de vidro quebrado
nem cristal
nem porcelana
eu era a maldita grama

A caneta sem tinta e o lápis sem grafite
eu sou aquele que não resiste
de longe algo completo
de lado
algo quebrado

Como a poção de amor que não deu certo
eu sou o verme rastejante no deserto
Em busca de água, em busca de vida
eu sou o livro com páginas jamais lidas 
[O lençol manchado pelas lágrimas do fracasso]

Eu sou o rascunho que fazem
o papel velho rabiscado
eu sou a dor dos cães que latem 
o sonho esquecido e apagado 

não há mais aquele brilho
aquele valor
tudo o que há 
é somente dor

eu não sou nem mesmo o prato
sou o resto do que restou
do que um dia alguém usou




serviu o seu propósito, verme
pode voltar para o buraco!




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19 de outubro de 2015

Nobody wins

De repente todas as decisões passadas não fazem sentido.
Todas as ações são socos no estômago.
Todas as atitudes são facadas no peito.
Todos os passos foram em direção ao escuro.

De repente tudo o que você fez está jogado no mais fundo abismo, um breu de solidão faz parte da sua visão. Nada faz sentido, pois você está perdido. Hoje. Amanhã. Bastou uma descoberta e seu mundo caiu. As migalhas que recebeu de si mesmo hoje alimentam sua casca morta. Seus planos foram esmagados pelo futuro, pela vida, pelos próprios planos. Você fez sua cama e apesar de não querer deitar nela é obrigado a fazer isso, no entanto, você não se levanta no dia seguinte. Fica ali. Caído, em uma posição fetal ridícula pedindo aos céus uma solução. 

De repente todas as decisões são socos no rosto.
Todas as atitudes são facadas na barriga.
Todos os passos foram em direção ao grande nada.

As coisas simplesmente não fazem sentido. Você não faz sentido. Não há perspectivas ou razão. Mais vale morrer e aguardar a próxima encarnação. A dor que sente agora não é nada comparada àquela que será obrigado a passar quando seus sonhos forem definitivamente estraçalhados. Dizem que o ser humano é movido por metas, mas o que move o homem é a angústia. Metas não tiram do sofá. Aquela agulha no seu olho, aquela dor singular no peito, a mente prestes a explodir. O estresse de pensar demais e não achar saída. Isso é o que te faz levantar.


E cair em seguida, é claro. Ninguém é tão forte que seja capaz de suportar o tiro da vida na própria cabeça. Em algum momento todos caem. Todos são forçados a ficarem no chão. E é nesse momento que a vida olha pra você e diz: eu venci. 


Nós não vencemos. A vida sempre ganha. Os outros sempre são os outros.
Melhores.


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27 de agosto de 2015

A nadificação da vida

O deterioramento do corpo, da casca que envolve a alma. A aproximação da nadificação da vida. O esquecimento do nome dado ao ser. O não para o último suspiro. O que foi e o que é, jamais será de novo.

A essência do ser que veio depois de sua existência está mais perto de se extinguir. Todas as palavras serão deixadas para trás e talvez nem seus escritos sejam capaz de salvar sua memória. O caminhar seco e vagaroso quando chegar na mais triste das idades deixará evidente o que o corpo é diante da vida sem nexo que somos obrigados a viver. Em busca da felicidade caminhamos, mas ela não é uma busca suficiente para nos manter vivos para sempre. Nem com um um estrondo nem com um suspiro, o mundo acaba em desilusão. 

Descobre-se homem quando encontra algo pelo qual vale a pena morrer, já dizia sábio Sartre, mas quando de fato a morte se aproxima descobrimos que mais teria valido a pena viver uma vida plena ao lado daquilo estimado ao contrário de morrer por determinada coisa. Um suspiro e nada mais, nem um sorriso de gratidão. São as lágrimas que preenchem teu caixão.

As mãos decrépitas não tocam mais o piano, não fazem rabiscos ou caligrafias no papel. Papeis manchados de lágrimas e coloridos pelas dores da vida. Os dentes estão amarelos, logo, nunca mais se viu um sorriso naquele rosto enrugado, naquele rosto pintado pelo tempo. Os olhos somem dentro da face marcada pela flacidez, os cílios caíram junto do espírito do ser que agora se encontra no chão.  A magreza antes tanto estimada agora é vista como uma praga, pois faz do envoltório da alma algo horrendo de se olhar. Tanto pelo que cai e tanto desagrado que se faz. 

A nadificação da vida. 

Ônix.

O tempo.

O dia.

É só mais um dia, afinal.


Happy Birthday, Thays!


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19 de julho de 2015

Cólera

O miocárdio bate mais forte, pois a cólera percorre o casco que cobre a vida morta desse ser. Esse horror que o faz caminhar todos os dias não é o bastante para faze-lo cair no sono à noite. Cansado ele está, porém, não vê saída desse mundo.

Ele não compreende como conseguiu chegar onde está sendo rodeado de tanto ódio. Ele exala a morte, pois seu corpo tomou banho da cólera sangrenta que o faz sangrar. Seu foco está distorcido, seu âmago está manchado.

Ônix.

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24 de junho de 2015

Antologia Viagens de Papel

Oi, oi gente!
Isso aí. Mais uma obra da Thays foi aceita para publicação. Pela Andross, novamente. A Antologia Viagens de Papel - Contos e Crônicas de Temática Livre!

Minha crônica O Fracasso do Tempo foi aceita e está lá, bonitinha *-*

Essas coisas me motivam demais, além de me deixar muito feliz, é claro. Poder ver meu nome em um livro físico de verdade, ainda que não seja inteiramente meu.

Mas a gente começa de algum lugar, Ainda não tenho uma história de vida como da Rainha J.K Rowling, mas estou caminhando para ser reconhecida como escritora como ela!



Os livros saem por 25,00 cada e podem ser retirados pessoalmente comigo em BH ou enviados por correio!


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13 de maio de 2015

Sobre a Maldição do Tempo

[http://singularidadedalua.blogspot.com.br/]

E de repente o objeto refletor parece estar distorcido. Quebrado. Manchado.
Espero. Não é o objeto que está estragado.
É o que ele reflete. Como os anos podem ser cruéis. Como o tempo pode machucar um corpo. Uma mente. Um ser.
Que coisa.

Suas pernas se cansam mais rapidamente. Correr para brincar de ''pega pega'' com o amigo não é tão divertido, mas se tivesse que correr de lobo em segundos estaria morto. A fadiga está sempre presente. Em muitas partes desse par de membros que você força e lhe levar para o trabalho todos os dias aos poucos surgem erupções feias que lhe forçam a estar sempre de calça. Os pés estão estranhamente feios, logo, um tênis é usado até que seus dedos apareçam na ponta. Suas mãos  são tortas. Cheias de pelos nos dedos e dedos com unhas mal feitas. Quebradas. Não resistem nem mesmo a uma semana. Mãos amassadas. Pequenas demais. Mutantes demais. A letra cursiva um dia tão bela hoje é semelhante aos escritos dos médicos que visita com tanta frequência.

É tudo flácido e mole. Você poderia ser um brinquedo. Daqueles em que as crianças tanto gostam de pular em cima. No seu rosto decrépito, coberto por produtos diversos, outras manchas, outras pústulas. Os produtos são em vão. Nem o que foi feito especialmente para tornar belo é capaz de lhe consertar.

Suas costas são finas e pequenas. Seu quadril é largo, mas é vasto de modo que as calças mais bonitas ficam estranhas e seu traseiro puxa-as para baixo. Que frustrante! Logo está andando de cabeça baixa, pois teme encontrar um olhar que julga. Um olhar mal olhado. Um olhar risonho. Pois aqueles que olham sabem o que veem. E o que veem não é belo.

Seu pobre cabelo, antes tão belo e cheiroso, hoje decidiu que seu lugar não é sua cabeça. Cada vez que suas mãos pequenas resolvem brincar com ele, grandes e muitos fios se desprendem com facilidade e pairam no chão. Um lugar melhor. O pente por maior que seja puxa muitos fios, que insólitos não resistem à força e logo estão em outro lugar, exceto onde deveriam estar.

Entre seus seios e seu quadril há uma protuberância, grande demais e torta demais, que sai para os lados quando encontra uma calça que não cede à força do seu traseiro amolecido, logo, busca no guarda-roupa uma camiseta larga que cubra tal deficiência do corpo. Sorri para si diante do objeto refletor, mas logo fecha a boca, pois os dentes estão torcidos e amarelados. Que coisa! Tenta sorrir com os olhos,  mas eles são tão grandes quanto os de um lêmure que o sorriso do olhar chega a ser assustador, portanto, tenta ( em vão ) os diminuir e percebendo a inutilidade de tal ação força-se a sair do quarto com os olhos amaldiçoados.

Em cada parte do seu tecido maior há uma mancha estranha. Onde foi que bateu aqui? Oras, o que te feriu ali? E esse machucado aqui? Parece antigo, não deveria ter curado?

Sim, acredito que tudo deveria ter curado.


Ah, vinte anos!


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21 de março de 2015

Rain

"Fator universal do transformismo
Filho da teleológica matéria
Na superabundância ou na miséria
Verme - é o seu nome obscuro de batismo"
 - Augusto dos Anjos


I was just sitting there. Listening to the sound of the rain. Smelling it. Alone. It was beautiful. The rain. However, at some point I wished it to end soon. The rain. It was keeping locked there. I don't like to be locked. But, the rain lasted hours. Days. Years.
In the end the rain was a broken mirror. It was not beautiful anymore.
I was broken.
Locked.

05.03.2015

http://creepypasta.wikia.com/wiki/The_Mirror_inside_Us

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2 de janeiro de 2015

Eterna Prisão

A tristeza é algo inerente ao meu simplório ser.

Deveras minha pessoa já deveria estar a par deste angustioso fato. Pois o fato é: não importa a passagem do tempo, tão pouco a mudança no final do numeral maior do ano. Sempre posso esperar um sorriso forçado e uma  mente perturbada na hora de dormir.

São tantos os motivos, mas aos mesmo tempo são tão poucos. Digo, os motivos são variados, mas as razões dos mesmos são ínfimas ... o que é suficiente para causar-me uma grande confusão na mente cansada. Se os motivos não são tão justificáveis por que insisto em martirizar-me dessa forma vez por outra ?

Não basta o outro sorrir-me, querer-me, olhar-me. O meu reflexo todos os dias deveria mostrar um semblante cuja felicidade fosse verdadeira, no entanto, o pedaço de vidro com a capacidade de reflexão mostra-me um ser deplorável, desprovido da competência de buscar um motivo real para a satisfação completa do ser. O fato de o ser humano ser um ser faltante, logo e portanto, vive em busca de seus motivos, sempre os renovando não basta para deixar-me satisfeita ou mesmo para consolar-me nas horas sombrias de meu fracasso.

A compreensão de tais sentimentos que pairam dentro de mim é outra meta de minha vida tão próxima do fim. Tantas palavras foram colocadas para dentro da cabeça, mas nenhuma foi suficiente para fazer-me crer que minha pessoa tem uma razão verdadeira nesse mundo insano e cruel. Com tantos outros fazendo melhor e sendo diferentes de uma forma soberana, pergunto-me qual a desculpa para tanto esforço de uma única pessoa que logo, na iminência da efemeridade de si mesma, será esquecida.

Entendes o ponto que quero fazer-te enxergar ? São pequenas coisas que me tiram o sono sempre e sempre, no entanto, o nunca - oposto desta palavra amarga e eterna -, é a resposta para as ações de tais 'coisas' . Elas nunca têm solução, pois se tivessem eu já teria resolvido esse dilema e teria poupado-me de tanto sofrimento de tempos em tempos. Cada passo que dou ao invés de aproximar meu ser da plenitude dele mesmo, afastam-me daquilo que um dia pensei que seria. Desejei ser. Almejei conquistar. E não é questão de pensamento ou força de vontade. É a simples luta de uma força maior que insiste em empurrar-me contra a parede sempre que essas sensações desejam fazer parte da minha rotina. Não entendo.

As palavras datilografadas em um objeto eletrônico ou naquele caderno mágico sem pautas embutido de uma caneta azul parecem ser a única salvação. O escritor salva a si mesmo toda vez que decide louvar o mundo com sua capacidade de escrita. Mas agora pergunto-me, leitor, que tipo de escritor sou eu se as palavras que passeiam pelos meus dedos nada falam além de dor ?

Pode um poeta amar e mesmo assim nunca falar de amor ?


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Evoluir dói

não sei ao certo como começar esse texto. espero que um dia acorde como eu. é doloroso, parece que seus olhos vão se afogar nas próprias lá...