Lupus - Parte IV

Você pode ler as Partes I, II e III e AQUI, AQUI e AQUI

Depois de se recuperar do soco bem levado no lado esquerdo da face, Henry ajeitou as roupas, limpou-as e parou para sentir o cheiro de Jonas.  Nada. Tentou sentir o cheiro de um dos lobisomens da Grande Matilha. Nada. Tentou sentir o cheiro de Nina.
Nada.
Droga!
 O único lugar para onde Jonas poderia ter levado Nina era para sua casa. Melhor dizendo, sua mansão. Não ficava muito longe de onde Henry estava, mas ir andando mesmo na condição de lobo seria cansativo demais e ele precisaria de toda a força possível na hora de enfrentar os capangas do Alfa e o Caça, novamente. Procurou pelo chão da casa as chaves do carro que Nina deixara cair quando Jonas a atacou.
Não demorou muito a achar. Do estofamento do sofá tirou duas armas. Uma pistola pequena e um fuzil de assalto. No fuzil colocou balas de prata. Estavam escondidas dentro de um livro que ele guardava na prateleira da sala, perto da televisão. Na pistola colocou balas comuns. Jogou tudo no banco do carona de seu carro e depois de ligar o motor saiu cantando pneu pelas ruas de Massachusetts
Depois de quinze minutos em alta velocidade, uma vez que pegou a estrada ao invés de cortar a cidade, Henry começou a avistar o local. A mansão de Jonas era cercada por grandes muros que impediam a visão da casa propriamente dita se você estivesse muito longe. Antes de entrar na propriedade, de fato, ainda havia muita coisa. Era quase como se ele tivesse a própria floresta, projetada especialmente para ele se transformar quando bem quisesse. Mas o grande portão estava aberto.
Jonas sabia que Henry iria atrás dele.
O cara não brinca mesmo, hein. Pensou Henry. Saiu do carro. Pegou as duas armas e passou pelo portão.
Entrou na propriedade dando tiros para o alto com a pistola e as balas comuns.
- JONAS! Apareça, seu desgraçado!
Não obteve resposta.
- JOOOOONAS!
Henry estava furioso. Tão furioso que poderia se transformar ali mesmo, rapidamente, e ainda teria forças para brigar com Caça e Jonas ao mesmo tempo. Mas esperou. Quando estava de frente para a porta gigantesca da Mansão, Jonas saiu:
- Ora, mas que barulheira é essa, Henry?
- Cadê ela, Jonas?
- Quem?
- Não banque o idiota comigo, desgraçado! – e atirou em direção ao Alfa, mas errou de propósito e Jonas sabia disso, tanto que nem se mexeu.
Alguns lobisomens começaram a sair de dentro da Mansão e quando Henry menos esperou um deles saiu com Nina nos braços. A garota amordaçada e com lágrimas nos olhos. Seus lindos olhos verdes marejados de dor, mas uma dor não pertencente a ela. Nina temia por Henry.
- Deixa-a ir, Jonas. Sua briga é comigo, cara!!!
- Tudo bem. Vou deixa-la ir. Se parar com as gracinhas e voltar para a Matilha.
- Qual o seu problema? Você tem dinheiro suficiente para três vidas. Não precisa mais de mim.
Jonas deu sinal para os outros lobisomens irem, inclusive o que segurava Nina. Henry ficou ainda mais furioso e fez menção de ir atrás dele, mas Jonas apenas levantou a mão em sinal para que ele ficasse onde estava. Obedeceu.
- O lance é o seguinte, Henry. – começou Jonas, caminhando em direção a Henry agora mais próximo da porta, mas ainda fora de casa. – Que se você sair assim, depois de tudo que eu lhe dei os meus caras vão começar a pensar que bastam entrar na Matilha, conseguir uns trocados e pronto! Eles podem sair também.
- Claro que não vão pensar assim!
- Vão sim. Inclusive, nosso coleguinha Charlie já está querendo fazer o mesmo e você sabe que não posso libera-lo, né.
- O que aquele cabeça de alga do Charlie lhe disse?
- Nada. Só que como você estava saindo ele também iria. Simples, Henry. Você é o nosso melhor. Se você sai a credibilidade cai e eu não posso fazer isso.
- Por que se importa tanto com dinheiro?
- A questão não é mais o dinheiro, Henry e sim o poder.
- Típico. Mas enfim. Cadê a Nina?
- Acho que você ainda não sacou, Henry. Não tem Nina se não tiver Henry na Matilha.
- Que droga, Jonas!
Em seguida, Henry pegou o fuzil que estava estrategicamente guardado nas suas costas, escondido pela jaqueta de couro e mirou em Jonas. O Alfa riu, mas não se moveu.
- O que vai fazer, Henry? Vai matar seu Alfa? Vai reclamar o direito de ser o novo líder?
- Se isso me trazer Nina de volta eu mato o bando todo!
E atirou. Acertou Jonas que não acreditou que Henry seria capaz de matar seu criador na licantropia. Jonas caiu. Henry se transformou. Nina, dentro da casa, gritou. A batalha iria começar.

 [http://viergacht.deviantart.com/art/Werewolf-Fight-452052423]

Propósito

Um pedaço de papel amassado
eu era o caco de vidro quebrado
nem cristal
nem porcelana
eu era a maldita grama

A caneta sem tinta e o lápis sem grafite
eu sou aquele que não resiste
de longe algo completo
de lado
algo quebrado

Como a poção de amor que não deu certo
eu sou o verme rastejante no deserto
Em busca de água, em busca de vida
eu sou o livro com páginas jamais lidas 
[O lençol manchado pelas lágrimas do fracasso]

Eu sou o rascunho que fazem
o papel velho rabiscado
eu sou a dor dos cães que latem 
o sonho esquecido e apagado 

não há mais aquele brilho
aquele valor
tudo o que há 
é somente dor

eu não sou nem mesmo o prato
sou o resto do que restou
do que um dia alguém usou




serviu o seu propósito, verme
pode voltar para o buraco!




Rebels - Parte I


Dave entrou no seu Porshe 911 preto e depois de ligar o carro aumentou o volume do rádio a um nível quase ensurdecedor, em especial, se você não aprecia o estilo de música heavy metal pesado. Pisou na embreagem e colocou a primeira. Saiu do lugar e passou a segunda. Sorrindo maliciosamente já estava na terceira. As ruas de Seattle estavam vazias àquela hora da noite. Mal iluminadas pela Lua Cheia e parcialmente pelas luminárias, mas Dave não prestava atenção em nada. Seu pé no acelerador pressionando cada vez mais forte era tudo o que importava. A bateria da música soava forte. A guitarra gritava enquanto o jovem dançava sob as rodas do carro. Um sinal vermelho. Não havia ninguém a cruzar a rua. Ele não parou. Passou a quarta marcha. Estava correndo demais. Mas era exatamente aquilo que ele queria. Seu cabelo liso mal podia captar a luz, permaneceu tão preto quanto o era naturalmente. Jogado com força para trás pelo vento. Seus olhos azuis fitavam o nada à frente. Ele não via nada a não ser velocidade.  Seu sorriso branco à mostra deixavam transparecer o prazer que sentia em correr. Minutos depois já estava fora dos limites da cidade. Rodeado de árvores que pareciam meros pedaços de madeira presos ao chão diante da velocidade que ele estava. Não poderiam acompanha-lo nem se quisessem. Foi então que passou a quinta marcha. O barulho do motor ainda que inaudível devido à música podia ser sentido. Ele sentia o poder que aquele carro lhe proporcionava. Ele adorava aquela sensação. Não iria parar por nada. Não iria parar tão cedo. Até que ...
Ela surgiu do nada. Simplesmente assim. Embrenhando-se na estrada depois de simplesmente sair do meio dos pinheiros do lado esquerdo da estrada. Tinha nas costas uma bolsa grande, no formato de um violão. Na mão uma bolsa de lado que ia até a cintura. Preta assim como o restante das roupas o que dificultou a visão de Dave. Não que roupas coloridas e brilhantes fariam diferença, uma vez que o garoto parecia um piloto de corrida querendo vencer a todo custo. Mas o estrago não fora pequeno.
A garota ficou bem. Foi esperta o bastante para desviar do Porshe, mas caiu em cima do violão e esse sim sofreu um estrago grande. Partiu-se ao meio. Dave pisou no freio ao mesmo tempo que tentava fazer uma curva. Não deu muito certo. O carro capotou de uma forma que qualquer um o teria condenado na mesma hora. Foram duas viradas dignas de filme de Hollywood e o carro só parou depois de dois metros, bem próximo a uma árvore. A garota depois  de se levantar e limpar as roupas foi correndo em direção a ele. Assustada, tremendo, mas firme na decisão de ajudar o rapaz abaixou-se para olhar dentro do carro que estava virado, de ponta cabeça e Dave lá dentro, todo torto e com algumas manchas de sangue na blusa, um leve corte da cabeça... Mas vivo. Respirando.
A garota conseguiu puxar a porta e removeu o cinto dele. Puxou-o para fora do carro.
- Cara! Como você tá? – perguntou enquanto o ajeitava em seu colo. Ela estava sentada em cima das próprias pernas, de joelhos no chão. Colocou a cabeça de Dave nas coxas e tirou o cabelo do rosto dele. Em nenhum momento ouviu-se a voz dele. Tudo o que ele fez foi gemer, sem abrir os olhos. – Cara! Acorda. Preciso saber se você tá bem.
- Eer – Dave murmurou. – Es-estou bem. Acho que não quebrei nada.
- Ah isso é bom.
- Também acho.
- Não! É bom que não tenha quebrado nada, pois agora eu posso quebrar pra você, seu maluco idiota!
E levantou deixando Dave caído no lugar onde antes estava sentada. A garota estava furiosa. Qualquer um que visse seu estado de espírito naquele momento seria incapaz de dizer que ela estava toda preocupada minutos antes, inclusive, ajudou Dave a sair do carro e até o acolheu no colo.
- Como assim, garota? Você tá louca? – perguntou Dave à medida que se esforçava para levantar e em seguida ajeitar as roupas, agora mais que rasgadas e sujas.
- CARA! Você quase me matou. Pra que correr assim? Não olha por onde passa? E meu violão! MEU VIOLÃO! Ele já era.
- Você toca?
- Não. Toco não. Eu fico furiosa quando um lunático quebra meu violão que eu por acaso estava levando no meio da noite, mas eu não toco, tá?
- Tudo bem. Saquei o sarcasmo.
- Você vai sacar a minha mão na tua cara. – e avançou alguns passou, mas parou antes de chegar próxima o bastante para acertar Dave. Forçou-se a respirar fundo.
- Olha, me desculpa, tá? Vou te levar pra casa e arranjar um novo violão.
- Ah que ótimo! E como vai fazer isso, espertinho? Seu carro virou farofa caso não tenha notado.
- Só torcer para meu celular ter sobrevivido. Vou ligar para meu pai.
- Torce pra ele não te matar também. Tem que ser muito burro pra estragar um Porshe lindo desses. – e caminhou para mais perto do carro. Arregaçou as mangas e colocou o cabelo para trás. Fez um rabo de cavalo. Limpou um pouco de suor na testa e ficou encarando Dave.
Dave não falou nada. Estava admirado com aquela garota toda nervosa e revoltada. Que tocava violão e entendia de carros. Usava roupa preta e maquiagem pesada ao estilo heavy metal. Que o enfrentou. Provavelmente não sabia quem ele era. Ele estava fascinado.
- Pai? Então... Tô com problema. É que bem... – Dave respirou fundo. – Eu bati o carro e tem uma menina... – foi interrompido. – Calma, pai. Ninguém se feriu. Eu só preciso voltar pra casa. Dá pra mandar alguém? – esperou. – A gente tá na estrada, aquela que dá saída da cidade. É, aquela mesmo. Tá bem. Tchau.
Dave olhou para a garota que brincava de chutar um cascalho qualquer. Quando notou que ele parou de falar ao telefone foi em direção a ele.
- E aí, ligou pro papaizinho vir buscar a gente?
- Eeeh, qual é, garota?
- Eu já saquei seu tipo, garoto. E quero meu violão, tá bem? Não é como se você não tivesse dinheiro, então ... Enfim quando ele chega? Já estava atrasada. Agora então.
- Atrasada para que posso saber?
- Pra tocar, oras.
- Então você tem uma banda? – interessou-se Dave. Se ela tocasse bem até que  poderia se juntar aos Rebels of the Night , afinal, seria a única menina da banda e uma menina bonita. Seria fácil chamar a atenção.
- Não. Não tenho banda. Mas pratico, e esse – disse apontando para o relógio preto de pulseira com pinos – é o meu horário de prática.
- Huum, garota dedicada. Eu tenho uma banda, sabe. – disse Dave com olhar baixo para ela.
- Interessante. – disse, sem demonstrar interesse de verdade. Voltou a chutar cascalhos.
- Você não tem a menor ideia de quem eu sou, né?
Ela olhou para ele com seus olhos grandes e verdes. Colocou uma mexa do cabelo ruivo e longo para trás da orelha. Sorriu somente com os lábios, aquele sorriso forçado e disse:
- Além de que você é um lunático filhinho de papai que se acha no direito de quase atropelar as pessoas... Não faço a menor ideia.
- Eu não acho que posso atropelar ninguém. Você só estava no caminho.
- Aham, claro. – disse ela revirando os olhos.
- Tá. Me desculpa.
- Ok.
- É sério. Até quando vai manter essa pose?
- Que pose, garoto?
- Essa de que não tá nem um pouco interessada em como vou fazer com o Porshe ou mesmo de saber se tenho outros carros semelhantes. – disse Dave sorrindo de leve e ajeitando os cabelos lisos e negros. Foi se aproximando devagar da garota, pois sabia que não poderia abusar da sorte, uma vez que quando ele falou do Porshe ela olhou para ele com mais interesse.
- E você tem?
- Chega aqui. – disse Dave abrindo o aplicativo de fotos no celular. Mostrou as várias fotos dos diversos carros que o pai guardava na garagem da Mansão em que viviam em um bairro isolado de Seattle. A cada nova foto a garota sorria e vez por outra fazia um comentário a respeito do modelo do carro. Coisas simples como “acho demais esse Dogde” ou “ esse Nissan, hein “ . Por fim, ela cedeu e passou a tratar Dave com menos brutalidade. Estavam mais próximos um do outro, e ela até removeu, com tapinhas de leve, um resquício de poeira que ficara na jaqueta de couro dele. Estavam se entendendo finalmente, em especial, depois que ele mencionou a banda novamente e como tudo começou. Até então nomes não haviam sido trocados.
- Mas então. Qual seu nome? – perguntou Dave quando se cansaram e resolveram se sentar no limite da estrada e a floresta.
- É Katherine. Mas pode me chamar de Kat. Katherine é muito grande.
- Kat. Ok. Gostei.
E ficaram ali. Apenas esperando. O tempo começou a fechar e ambos temeram a chuva, que não veio, mas deu lugar ao vento frio e gélido.  Dave notou que Katherine se encolheu um pouco mais e nem se deu ao trabalho de perguntar se ela queria sua jaqueta. Foi logo tirando e colocando por cima dela.
- Obrigada.
- Que isso. Te devo muito mais. Lembra? Quase te matei.
- Ah é. Vou cobrar.
Riram. Estavam próximos. Próximos demais. O frio os aproximara. Ela sorriu quando ele contou que fizeram um grande show num bar no último sábado. Colocou uma música para tocar ela adorou o ritmo pesado, a letra apelativa e as batidas fortes. Quando a música cessou eles estavam se encarando. Ele encantado com o sorriso dela que demorou a aparecer,  mas uma vez que ali estava ele notou que era, de fato, maravilhoso. Ela abismada com o olhar cafajeste dele, mas ao mesmo tempo carinhoso. Aquele olhar penetrante que consegue conversar com você. Por trás dos olhos azuis do rebelde sem causa ela viu que havia mais nele. Que sua vontade de transformar o mundo através da música era mais forte que sua vontade de desafia o pai.
Eles estavam a um passo de um beijo. Separados pela respiração um do outro. Pelo vento. Por um telefonema.
- Droga!
- Quem é?
- Minha namorada.



* A imagem é da série Victourious, personagens Jade e Beck. Inicialmente, Dave deveria ser Daniel Sharman, mas não consegui pensar em uma garota tão bad girl quanto ele e que poderia ser representada por outra pessoa. Então, ficou a Liz Gillies *-*

Cicatriz

Eu sou a ferida não curada
a arma branca sacada
o corte (mal)feito
eu sou o risco no espelho

Eu era a glória do defunto
o martírio no quarto escuro
a água suja e sem vida
eu era a causa da ferida

eu era o caminho torto
o corredor da morte
eu era as entranhas do morto
aquele que nunca foi forte

Sou o mar enfurecido na noite
aquele que não vai, mas foi-se
sou a dor do ferimento do infeliz
eu sou a sua, a nossa
a minha eterna cicatriz.




Nobody wins

De repente todas as decisões passadas não fazem sentido.
Todas as ações são socos no estômago.
Todas as atitudes são facadas no peito.
Todos os passos foram em direção ao escuro.

De repente tudo o que você fez está jogado no mais fundo abismo, um breu de solidão faz parte da sua visão. Nada faz sentido, pois você está perdido. Hoje. Amanhã. Bastou uma descoberta e seu mundo caiu. As migalhas que recebeu de si mesmo hoje alimentam sua casca morta. Seus planos foram esmagados pelo futuro, pela vida, pelos próprios planos. Você fez sua cama e apesar de não querer deitar nela é obrigado a fazer isso, no entanto, você não se levanta no dia seguinte. Fica ali. Caído, em uma posição fetal ridícula pedindo aos céus uma solução. 

De repente todas as decisões são socos no rosto.
Todas as atitudes são facadas na barriga.
Todos os passos foram em direção ao grande nada.

As coisas simplesmente não fazem sentido. Você não faz sentido. Não há perspectivas ou razão. Mais vale morrer e aguardar a próxima encarnação. A dor que sente agora não é nada comparada àquela que será obrigado a passar quando seus sonhos forem definitivamente estraçalhados. Dizem que o ser humano é movido por metas, mas o que move o homem é a angústia. Metas não tiram do sofá. Aquela agulha no seu olho, aquela dor singular no peito, a mente prestes a explodir. O estresse de pensar demais e não achar saída. Isso é o que te faz levantar.


E cair em seguida, é claro. Ninguém é tão forte que seja capaz de suportar o tiro da vida na própria cabeça. Em algum momento todos caem. Todos são forçados a ficarem no chão. E é nesse momento que a vida olha pra você e diz: eu venci. 


Nós não vencemos. A vida sempre ganha. Os outros sempre são os outros.
Melhores.


Resultado do Sorteio livro Cidades de Papel

O resultado do sorteio do livro Cidades de Papel do John Green é :


Juliana Malheiros!




Já entrei em contato com ela e ficarei no aguardo, por até dois dias, pela resposta. 

Beijos, galerinha. Até o próximo sorteio!!
Obrigada a todos que participaram e divulgaram o blog!!!

Aquele que foi sem nunca ir

Uma vez conheci um demônio.

***

Sou a folha morta da primavera
Não sou o que fui, e nunca o que era
Sou a desgraça dos fortes com amor
Eu sou aquele que causa dor

A nadificação da vida

O deterioramento do corpo, da casca que envolve a alma. A aproximação da nadificação da vida. O esquecimento do nome dado ao ser. O não para o último suspiro. O que foi e o que é, jamais será de novo.

A essência do ser que veio depois de sua existência está mais perto de se extinguir. Todas as palavras serão deixadas para trás e talvez nem seus escritos sejam capaz de salvar sua memória. O caminhar seco e vagaroso quando chegar na mais triste das idades deixará evidente o que o corpo é diante da vida sem nexo que somos obrigados a viver. Em busca da felicidade caminhamos, mas ela não é uma busca suficiente para nos manter vivos para sempre. Nem com um um estrondo nem com um suspiro, o mundo acaba em desilusão. 

Descobre-se homem quando encontra algo pelo qual vale a pena morrer, já dizia sábio Sartre, mas quando de fato a morte se aproxima descobrimos que mais teria valido a pena viver uma vida plena ao lado daquilo estimado ao contrário de morrer por determinada coisa. Um suspiro e nada mais, nem um sorriso de gratidão. São as lágrimas que preenchem teu caixão.

As mãos decrépitas não tocam mais o piano, não fazem rabiscos ou caligrafias no papel. Papeis manchados de lágrimas e coloridos pelas dores da vida. Os dentes estão amarelos, logo, nunca mais se viu um sorriso naquele rosto enrugado, naquele rosto pintado pelo tempo. Os olhos somem dentro da face marcada pela flacidez, os cílios caíram junto do espírito do ser que agora se encontra no chão.  A magreza antes tanto estimada agora é vista como uma praga, pois faz do envoltório da alma algo horrendo de se olhar. Tanto pelo que cai e tanto desagrado que se faz. 

A nadificação da vida. 

Ônix.

O tempo.

O dia.

É só mais um dia, afinal.


Happy Birthday, Thays!


Klaus - Parte IV

Você pode ler as partes I AQUI, II AQUI e III  AQUI  !


- Isso não é possível! - disse uma voz feminina que não pertencia a Phoebe. Margot caminhou alguns passos para frente, as mãos tremendo, mas ela se manteve firme. - Saia da frente, lobo. - disse para Norton que estava tão assustado quanto ela. - Preciso ver isso de perto. - Com os olhos arregalados e a mão estendida ela caminhou devagar até Klaus como quando tememos a mordida de um cão, porém, a beleza dele é chamativa demais, logo, nos aproximamos devagar para mostrar que ele não precisa temer nada.
Não era o caso de Klaus, é claro. Ele nunca temera nada na vida e não seria uma feiticeira a primeira a causar-lhe medo. Sabendo disso quando Margot aproximou-se o suficiente Klaus rosnou ainda mais alto e ela recuou. Olhou bem em seus olhos azuis e disse:
- Acho que por essa nem você esperava, Margot. Vou acabar com sua matilha de cães sarnentos e depois farei com você o que fiz com sua família. - e terminando essa frase Klaus fez uma investida. Saltou em direção à Margot, mas a bruxa foi mais rápida. Desviou rapidamente, mas não antes de erguer a mão direita e murmurar algo em latim. Um feitiço. E Klaus caiu para o lado.
Não foi forte o bastante para faze-lo permanecer no chão, mas foi o suficiente para Margot se esconder atrás de Norton.
- Acabe com ele, lobo.
- Como espera que eu acabe com um híbrido? - Norton estava claramente assustado. Toda a pose de durão que fizera há alguns minutos pareceu desaparecer diante de Klaus, um hibrido e o primeiro que ele vira na vida.
- Você tem um exército de lobisomens, Norton. Use-o.
- Esse exército de cães não será o suficiente, Margot. Acredite. - disse Klaus, calmo.
- Você não é o primeiro híbrido da história, Klaus. - ela retorquiu.
- Mas com certeza sou o melhor. - em seguida Klaus partiu para cima do lobo mais próximo. O lobisomem não teve nem chance de pensar no que fazer. Em segundos, seu pescoço estava sangrando consideravelmente. Ele urrava de dor, mas Klaus foi misericordioso e quebrou o pescoço do lobisomem. Limpou a boca com as costas da mão e olhou para o seguinte. Dois lobisomens se prontificaram a ataca-lo. Klaus sorriu.
Margot estava se preparando para correr. Mas Klaus percebeu seus movimentos ínfimos e desviou a atenção dos dois lobisomens. Com sua velocidade de vampiro ele seria rápido, mas o poder de ser um híbrido era muito maior e ele tirou proveito disso. Em instantes estava bem na frente de Margot. A mulher, uma poderosa feiticeira que nada temia nem nunca temeu, estava aterrorizada.
- O que vai fazer, Klaus?
- O que acha que vou fazer, Margot? Você tem feito da minha vida um inferno e agora se alia aos lobos para me destruir? O mínimo que posso fazer por você é dar-lhe uma morte rápida.
- Você não entende mesmo, não é?
- O que tem para entender? Você me odeia, eu te odeio. Eu matei sua família, você me perseguiu desde então. Mas está na hora de colocar um fim nisso.
- Você não entende que eu sempre te amei?!
***

Phoebe ficou enfurecida ao ouvir aquela declaração de Margot. Queria sair daquele arbusto e bater na feiticeira, porém, ela era apenas uma humana e sabia que os poderes de Margot precisavam ser levados em consideração. Phoebe socou o chão. Limpou-se como pode na água do lago, mas era noite e ela pouco enxergava. Socou o chão de novo.
- Droga! Droga, droga e droga! - disse, baixinho. Estava realmente com raiva, e quase gritou que Klaus era dela e não de Margot.
No entanto, o que foi baixo para Margot era alto suficiente para os lobos. E eles ouviram. E como.
Em instantes Norton estava ao lado de Phoebe. Olhando de cima. Sorrindo. Ela fez menção de correr. Afinal era o que Klaus lhe mandara fazer, mas ela não conseguiu, é claro. Nem que tivesse alguma vantagem, Norton era um lobisomem. Um lobisomem forte e poderoso. E um lobisomem que estava bem ao lado dela.
- Olha só o que eu achei. Esse bichinho estava escondido naquele arbusto!
- Me solta, seu cachorro pulguento! - disse Phoebe tentando sair do abraço rude de Norton.
- Parece que essa aqui passa tempo demais com o Klaus, Margot. - disse Norton depois de ouvir o xingamento normalmente usado por Klaus.
- Ora, ora, ora! - disse Margot, quando ouviu o Norton dissera e virou-se para ver Phoebe. - Finalmente posso conhecer você, minha jovem.
- Queria me conhecer? - perguntou Phoebe um pouco surpresa.
- Mas é claro! É uma honra poder estar na presença daquela que conseguiu fazer esse aqui - apontou para Klaus - mostrar algo que até então eu achei que não existia nele: o coração. - Ela cruzou as mãos e caminhou na direção de Phoebe.
Klaus colocou a mão no ombro de Margot tentando faze-la parar de andar, mas na mesma hora Margot levantou a mão e Norton soube o que ela quis dizer. O homem apertou os ombros de Phoebe que gritou de dor e Klaus entendeu o recado. Soltou Margot.
- Acalme-se, criança. Não vou matar você. Não agora, é claro. - Margot riu. - Está um pouco suja, não? Fez isso para disfarçar o cheiro na presença dos lobos?
 Phoebe apenas meneou a cabeça. Estava massageando um dos ombros.
- Muito inteligente, mas não foi o bastante. Como eles te descobriram?
- Eu a ouvi, Margot. Ela murmurou algo. Bem baixo, mas eu pude ouvir. - disse Norton, rapidamente.
- Ah, sim. Entendo. Ficou com raiva de alguma coisa, eu suponho?
- Ora, sua bruxa! Fica longe do Klaus! - esbravejou Phoebe. A dor em seu ombro era grande, Norton poderia tê-lo quebrado, mas a raiva pulsante em seu peito era maior.
- Mas é claro. O ciúme.
- Deixa-a em paz, bruxa! - Klaus aproximou-se.
- Calma, Klaus. Ela não é minha prioridade, você sabe. Mas podemos negociar.
- Diga-me o que quer.
- Tudo bem. - ela descruzou os braços e colocou as mãos na cintura. Olhou para Phoebe e depois para Klaus.
- Klaus! Não faça nenhuma loucura, eu lhe imploro.
- Nada de loucura, criança. Na verdade, o acordo é bem simples. - a mulher sorriu ainda mais. Aqueles sorrisos maldosos que os vilões costumam usar nos filmes.
- Klaus. Você vem conosco e a garota vive. É com você. - Margot cruzou os braços novamente e continuou sorrindo para ele.
Nesse momento Phoebe se descontrolou. Estava enfurecida, mas ao mesmo tempo seu corpo estava cheio de adrenalina. O medo de perder Klaus para sempre era grande demais. Deu um soco no rosto de Norton que desprevenido sentiu o punho dela e a soltou. Phoebe partiu para cima de Margot, mas a bruxa era esperta e rápida, desviou-se com elegância. Klaus bateu em uns dois lobisomens que estavam perto dele e correu para Phoebe. A abraçou e a levou para a árvore mais próxima. Em seguida, a acalmou. Disse algo baixinho no ouvido dela e então...
Seus dentes largos e grandes ele cravou no pescoço dela. Ela gritou, mas logo o som foi abafado pelos gritos de Margot que dizia "não e não", no entanto, ela foi mantida em seu lugar por Norton. Uma das mãos no pescoço de Klaus e a outra na cintura, ambas o arranhando com força, Phoebe estava sendo atacada pelo Demônio. O sangue escorria em seu pescoço. Ela se deleitava com a sensação já experimentada tantas vezes, porém, ela sabia que ele não iria parar até o momento que uma única gota de sangue restasse em seu corpo. Dessa forma ela morreria e poderia retornar como vampira.

Klaus olhava para todos a sua volta com seus olhos amarelos e brilhantes. Quando terminou de beber o sangue de sua amada a colocou gentilmente no chão. Sem que ninguém notasse colocou um tubo negro no bolso da calça de Phoebe. Cruzou os braços da moça na barriga dela. Ajeitou o cabelo e beijou sua testa.
Virou-se para a matilha e para a feiticeira.
- Vamos.
Margot sorriu e pegou na mão de Klaus. Norton de princípio não entendeu o que vira. Se Klaus a amava tanto por que a matou?
Naquele momento Klaus fez o que nunca pensou que faria: deu a sua vida pela vida de outra pessoa. Naquele momento, também, ele abandonou sua amada e foi embora com os lobisomens e com a bruxa mais poderosa que conhecera. Ele sabia o que lhe aguardava. Uma morte cruel e dolorosa.
Mas ele salvara Phoebe, certo? Logo, sua consciência estava em paz.