Smiles


Mesmo quando teus lábios escondem um sorriso
mesmo quando teu corpo encobre a emoção
mesmo quando teus olhos disfarçam o olhar misto
eu sei o que estás a sentir em teu coração

Mas eu gosto mesmo é quando sorri pra mim
feliz e sem preocupação
gosto mesmo quando a jovialidade não tem fim

Aquela gargalhada gostosa que vem devagar
depois de um momento que vale a pena lembrar
Em seguida aqueles olhos castanhos brilhando
Esses teus olhos lindos, sempre me encarando

Não preciso de palavras complicadas
                  para descrever
o que sinto e o que sei sobre você
         
O que sinto é simples
mas ao mesmo tempo complicado
é um sentimento insano
é tão desatinado que chega a ser exagerado

-O toque de suas mãos
o gosto doce de seus lábios
a pressão do seu abraço-

E perco-me na sensação do envolver 
de seus braços ao meu redor
O sussurrar de sua voz no meu ouvido
Porém, não lembro-me de nenhuma palavra
pois me perdi no brilho de teus olhos,meu querido

Sorrir involuntariamente quando você sorri pra mim
Quero voar ao seu lado
junte-se a mim, dê mais um passo
Sentir teu toque, não há necessidade de medo
isso eu prometo
E há tempos que eu não sentia uma alegria inexaurível
dessas que de apenas fitar-me em teu semblante faz-me sorrir
Meu coração...sinto-o cálido quando ao seu lado

Mesmo que eu não mais seja capaz
de associar essa imagem como sendo minha pessoa
Sou o Demonae sim, e sou aquela que destoa
mas sou também Lupa aquela que te ama
Da Escuridão eu surgi e nela eu vivo
mas por ti meu coração se mantém aquecido

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Vish, primeiro poema de amor onde o tema está explicito, ao menos, pra mim haha
Evolução sem ser pokemon !!! O poema tá bem verso livre, devem ter percebido, não há nenhuma ordem ou regra de escansão, então preferi deixar centralizado até pra não fica tão fora de ordem. 




O Coveiro - Parte II

Você pode ler a parte I clicando AQUI 

X

O que ? Não faz sentido. Não pode ser. É sério ?
Destiny estava mais que confusa. Estava assustada. Lucius, o coveiro não podia ser o seu antigo amor. Não havia explicação científica para tal feito. Ele ... ele não podia simplesmente se transformar em outra pessoa de uma hora para outra.

Ela correu de volta para casa. Sim, correu. Não caminhou, não andou mais depressa se desviando das pessoas. Destiny correu como fazia no ensino médio. Tirou as chaves da bolsa e tremendo tentou abrir a porta. Não funcionava. Nenhuma chave queria abrir. Droga! Murmurou antes de finalmente acertar a chave.

Entrou. Trancou. Encostou-se na porta. Escorregou até o chão recém encerado e ali ficou por cerca de dez minutos. As mãos impedindo os cabelos de caírem nos olhos, os braços apoiados nos joelhos encurvados. As lágrimas pingando no piso brilhante.

Por alguns minutos Destiny chegou a cogitar a possibilidade de ser apenas coisa da sua cabeça. Afinal, ela ficara horas conversando com Lucius, o coveiro e não apenas com Lucius seu antigo namorado. Aliás, depois da primeira meia hora, ela parou de se dirigir à lápide e vez por outra encontrava os olhos brilhantes e serenos do jovem coveiro, há apenas alguns centímetros de distância de onde ela se encontrava. Era normal ver coisas depois disso, certo ? Murmurou a si mesma depois de limpar o rosto, colocar o cabelo para trás e prendê-lo com um lacinho que encontrara no bolso. Forçou um sorriso e forçou o corpo a levantar. Um banho. Quente e demorado. Era tudo o que precisaria para colocar as ideias no lugar.

Cerca de meia hora na banheira, com um bom e velho rock clássico no celular e uma garrafa de vinho do lado, Destiny sentiu-se mais revigorada e ainda mais, sentiu que poderia sair dali, trocar de roupa e dormir em paz. Depois de secar o corpo, escolher uma camisola de seda, passar seu creme favorito - algo que não fazia há um certo tempo - , borrifar um perfume no pescoço e nos braços, outra coisa que não fazia, digo, com aquele perfume. Um perfume que só era encontrado em Paris e que Lucius lhe dera de presente dias antes de partir para a missão que resultaria em sua morte prematura. Toda vez que exalava aquele perfume, a imagem bela de Lucius sorrindo, tentando esconder as lágrimas, surgia em sua cabeça e ela desabava em um choro incontrolável. No entanto, naquele dia e naquele momento ela sentiu uma vontade súbita de cheirá-lo novamente, e uma vez que borrifou o líquido na pele sedosa não foi Lucius seu ex que viera-lhe à mente, e sim Lucius, o coveiro. Minutos antes de dizer adeus. Por alguns segundos Destiny assustou-se, mas o sorriso do rapaz pairava em sua mente e logo Destiny também sorria. Estranho.

Dias se passaram. Conversas se passaram. E um vínculo fora formado.

Destiny estaria dormindo bem pela primeira vez em muito tempo não fosse o som ensurdecedor da campainha de sua casa. Ding, dong, ding, dong, ding, dong. Interruptamente. Depois de despertar, às três e meia da madrugada, Destiny se levantou e através do olho mágico viu que uma senhora, com roupas esfarrapadas e sujas, com o auxílio de uma bengala velha e carcomida, estava à espera. Com muita dificuldade ela apertava o botão da campainha. Finalmente, Destiny abriu a porta.
- Olá.
- Ah, olá, Destiny. Desculpe-me acordar você, mas aconteceu que fui chamada e não poderia esperar.
- Desculpa, mas como sabe meu nome ? E como assim foi chamada ?
- Se eu puder entrar poderei explicar tudo. Eu andei até aqui nos últimos três dias e minhas pernas já não são tão jovens como as suas.
- Olha, sinto muito que tenha andando tanto, mas não acha melhor ir para o hospital ? Eles podem cuidar da senhora.
- Não preciso de hospital, minha filha. Preciso conversar com você a respeito de algo que muito lhe interessa.
- Jura ?
- Vi que conheceu o jovem Lucius.
- Como... como sabe disso ?
- Eu sei de muita coisa, minha querida. Agora, acha que poderia dar um copo de água a essa velha aqui?
Receosa, Destiny permitiu a entrada da idosa. Ajudou-a nos degraus frente a casa e mostrou-lhe onde se sentar. Depois, com o copo na mão voltou para a sala e sentou-se no sofá à frente de onde a idosa estava. A mulher bebeu a água como alguém que ficara no deserto por dias. Depois colocou em cima da mesa, ajeitou um pouco as roupas e disse:
- Então, como eu disse. Conheceu Lucius.
- Sim, e como a senhora sabe ?
- Eu sei de muitas coisas. Como eu disse. E venho observado você há muito tempo, jovem Destiny.
- Há muito tempo quanto ?
- Desde que seu amor faleceu.
- E posso saber por qual motivo ?
- Pelo simples motivo de que é isso que faço. Sempre que há uma morte significativa para minha já idosa pessoa há setenta por cento de chance de eu ficar sabendo e logo moldo minhas ações e escolhas em direção a essa morte bem como as pessoas relacionadas a ela, e quando vi o seu estado, minha pequena, achei que não poderia lhe ajudar nunca.
- Me ajudar ? Como você ou qualquer pessoa poderia me ajudar ? Lucius se foi e não ... pretende voltar. - disse, baixando o olhar e segurando as lágrimas nos olhos. Brincava com os dedos nas mãos até então, pois no segundo que disse as palavras 'se foi', fechou com raiva o punho e socou a própria perna... Como se sentisse raiva de si mesma por permitir que o antigo amor partisse sem ela.
- E se eu te dissesse que agora, mais que nunca, há uma chance de ele voltar ? - disse a idosa, exibindo um sorriso amarelado, mas feliz e confiante. Segurando-se na bengala velha ajeitou-se melhor no sofá menor da casa de Destiny e em seguida olhou nos olhos da moça que os arregalou no minuto seguinte ao termino da fala da mulher.
- O quê ? Co-mo assim ? Ele ... ele, morreu, minha senhora e pode ser que esteja um pouco atrasada, mas a ciência ainda não evoluiu para a categoria ressurreição. - disse Destiny começando a ficar furiosa, pois abriu a porta para a idosa achando que ela precisava de algo, mas concluiu que era uma maluca querendo brincar com seus sentimentos.
- E por acaso eu mencionei ciência, Destiny ?

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O coração de Destiny disparou diante da loucura que estava ouvindo.
- Magia ? Magia, minha senhora ?´É isso mesmo que estou ouvindo ? A senhora bate em minha casa às três e meia da madrugada para vir com esse papo de maluco ?
- Papo de maluco é quem diz que magia não existe, minha cara! Pois digo a você: sou uma bruxa! E das boas, hein, apesar de minha idade já fiz grandiosas coisas nessa vida e estou aqui para lhe oferecer uma saída dessa sua vida de solidão e angústia!
- Saída eu vou oferecer a senhora. Vem, a saída para rua  é por aqui. - disse Destiny se levantando e mostrando a saída para a senhora, que nem fez menção de se levantar apenas ergueu o braço coberto de cicatrizes, agora expostas visto que o manto que o cobria caiu para o lado com a ação. A mão enrugada dela estava aberta e posicionada em cima da mesa que estava cheia de papeis. A mulher murmurou algumas palavras em latim que Destiny não conseguiu ouvir e segundos depois os papeis estavam se movendo, sozinhos, e formaram um grande coração branco.
- Mas...
- Pois eu disse a verdade. Gostaria de mais uma demonstração ?
- Isso não faz o menor sentido! - disse Destiny depois de finalmente conseguir articular algumas palavras. Encaminhou-se de voltar para o sofá, dessa vez ficou mais perto da senhora.
- Não é pra fazer sentido e sim pra fazer funcionar. Vem, sente-se aqui e lhe explicarei algumas coisas, sim ? - disse a idosa batendo no local onde Destiny deveria se sentar, o que fez a moça mover-se alguns centímetros a mais. - Primeiro preciso saber se você gostaria de ter seu amado Lucius de volta.
- Mas que pergunta boba, minha senhora. - disse Destiny rindo ironicamente. - É claro que gostaria. Seria a melhor coisa do Universo pra mim.
- E você estaria disposta a fazer um grande sacrifício para tê-lo a seu lado ?
- Que tipo de sacrífico ? Eu faço qualquer coisa, não importa.
- Tudo bem. - e se levantou. Dirigiu-se para a porta.
- Ei, ei, ei. Onde a senhora vai ?
- Vou embora, oras.
- Como assim, vai embora ? Está doida ? A senhora não pode fazer essas magias de doido e falar essas coisas de maluco e ir embora.
- Claro que posso.
- Claro que não.
- Claro que posso e vou. Volto amanhã. Preciso providenciar algumas coisas.
- Que coisas ? Só me diz o que fazer para trazer Lucius de volta, minha senhora.
- Meu nome é Faye.
- Faye. Me diz, por favor.
- Eu direi, minha criança. - disse Faye, acariciando os cabelos de Destiny.- Mas agora preciso ir. Se quer ter seu amor de voltar terá de esperar meu retorno. Adeus, Destiny. Se cuida.- e saiu pela porta que entrara. Segundos depois havia desaparecido em meio à escuridão da madrugada que se preparava para receber a luz do sol.

Enquanto isso, Destiny se esforçava para dormir. Antes, eram os pensamentos de Lucius, o coveiro que a impediam de repousar, agora a possibilidade de rever seu amor a deixam eufórica e ansiosa. Tudo o que queria saber era quando Faye voltaria e o que ela precisaria fazer para trazer seu amor de volta. Do mundo dos Mortos. Não importa. Eu farei. Faço qualquer coisa por ele.

No dia seguinte, Faye voltou à casa de Destiny no mesmo horário. Não que tivesse dormido, mas Destiny levantou-se sonolenta para abrir a porta. No trabalho, mal conseguira se concentrar e pediu ao chefe que a deixasse ir para casa mais cedo,alegando que estava com um mal estar.
- Oi, Faye.
- Olá, Destiny. Como passou ?
- Péssima e boa. Vem, gostaria de beber alguma coisa ?
- Não, minha querida. Vamos depressa, sim?
- Claro.
-Então. Preciso saber de uma coisa.
- Qualquer coisa.
- Você tem algum sentimento por Lucius, o coveiro ?
- Sentimento? Que tipo de sentimento, Faye ? Está mais doida que ontem, é ?Eu só amo uma pessoa. Um Lucius. - disse Destiny, sem encarar Faye. Afastou-se dela um pouco.
- Entendo. Tudo bem. Era exatamente o que eu precisava ouvir.
- Ótimo. Me diga então o que fazer para trazê-lo de volta, Faye. Por favor. - exclamou Destiny e tocando o braço de Faye.
- Ora, na verdade não é preciso muito de minha parte, quem fará tudo praticamente é você. Eu apenas farei a intermediação entre o nosso mundo e o mundo em que Lucius está repousando. Há muito esperando por você.
-Esperando por mim? Como isso é possível ?
- Acho que ele poderá responder com maior precisão.
- E como ele fará isso ?
- Você só precisará fazer uma coisa para mim, antes da próxima Lua Cheia. E então terá seu Lucius de volta. - disse, sorrindo com os lábios e baixando o olhar para enxergar melhor Destiny que deixara de olhar para ela e passara a encarar as próprias mão.
- Me diz o que fazer, Faye! - disse Destiny agora, com os olhos arregalados e cheios de lágrimas.
- Simples: Terá de matar Lucius, o coveiro.

Isso aí, povo! Desculpa a demora milenar em entregar essa parte! Espero que tenham gostado e sintam-se motivados a ler a parte final que tentarei entregar semana que vem! Beijos e até mais.


Inconveniente

A dor é inevitável
o que bate aqui dentro
é algo descartável

Desconheço outros sentimentos possíveis
só o que sinto no momento é verdadeiro
Por que tão difícil é esse momento?

Mas quando olho em teus olhos a dor
antes insuportável agora é maleável
não sei ao certo como funciona
sei que é por ti que esse órgão se impulsiona

Nada seria capaz de me matar agora
pois junto de mim eu tenho a aurora
e você faz parte dela, dessa bela imagem

Cada parte de meu corpo te pertence,
em especial o órgão pulsante
aqui dentro ele ganha vida
quando ando ao seu lado, galopante

Um espasmo causa-me dor
pois penso que um dia poderias ir
e abandonar-me aqui

No entanto, penso em teu belo sorriso
e em como gosto de olhar para ti
Penso no  beijo que me foi dado
e em como disse ser feliz ao meu lado

Retratar a minha pessoa diante do pecado
a sina que carregarei não será o suficiente
mas peço um pouco de amor, e de cuidado
sei que posso vencer o passado, entrementes

X

A substância maléfica que corrói meu ser
é capaz de destruir o mais forte muro
Ainda estou aqui, respirando, eu sei
e como Trevas, eu pertenço ao escuro

Nas asas de um anjo eu desejei pousar
mesmo sendo eu um demônio a gritar
E por breves momentos felizes cantei
e junto do belo Anjo no Céu entrei

Mas ao descobrirem minha verdadeira natureza
corroída e destruída por dentro, e por fora sem beleza
me expulsaram do Paraíso, do coração do anjo eu saí
e solitária no deserto de fogo eu caí

Minhas asas negras que mostravam a corrupção
perderam as penas aos poucos, longe da escuridão
Uma vez que conheci a luz, eu desejei nela viver
Mas o Anjo não perdoa alguns pecados, já devia saber

Portanto, e logo, a adaga forjada na luz da escuridão
na música daquele silêncio entre a minha e sua respiração
Pincelada com a tinta escarlate; meu fluído sem amor
Essa bela adaga será causa de um ato cheio de dor

No órgão mais precioso ela não irá penetrar, não se preocupe
há outros meios de matar um demônio, veja bem e escute

Deixe que as gotas caiam no chão
alguém irá limpar
seu corpo logo apodrecerá
não se importe em ser devorado
o que te leva é o vento
pois nem aos vermes serve como prato






Lupus- Parte I


O céu estava coberto de uma camada de azul tão escuro que preto seria uma denominação melhor. Não  estrela alguma. A lua, cheia da luz do Sol era o que ele precisava para que seu caminho até a velhhaviaa casa fosse iluminado. É claro que se ele assumisse sua verdadeira forma luz alguma seria necessária, no entanto, ele não queria chamar a atenção.
Não havia ninguém na rua. Claro, às duas da madrugada a maioria das pessoas está dormindo, porém, ele sabia que ela o estaria esperando. Como havia feito nos últimos  dias desde o momento em que ele a abordou na estação de trem naquela manhã sombria, fria, todavia, muito surpreendente.

O Pessoal da Escola - Parte III

Você pode ler as partes I e II AQUI   e AQUI


Durante alguns minutos a escuridão era tudo o que eu conhecia. Eu estava encolhida em um canto qualquer, e não soube dizer onde ao certo, pois como disse eu nada enxergava.
De repente, um brilho surgiu da janela ao lado da cama.

Eterna Prisão

A tristeza é algo inerente ao meu simplório ser.

Deveras minha pessoa já deveria estar a par deste angustioso fato. Pois o fato é: não importa a passagem do tempo, tão pouco a mudança no final do numeral maior do ano. Sempre posso esperar um sorriso forçado e uma  mente perturbada na hora de dormir.

São tantos os motivos, mas aos mesmo tempo são tão poucos. Digo, os motivos são variados, mas as razões dos mesmos são ínfimas ... o que é suficiente para causar-me uma grande confusão na mente cansada. Se os motivos não são tão justificáveis por que insisto em martirizar-me dessa forma vez por outra ?

Não basta o outro sorrir-me, querer-me, olhar-me. O meu reflexo todos os dias deveria mostrar um semblante cuja felicidade fosse verdadeira, no entanto, o pedaço de vidro com a capacidade de reflexão mostra-me um ser deplorável, desprovido da competência de buscar um motivo real para a satisfação completa do ser. O fato de o ser humano ser um ser faltante, logo e portanto, vive em busca de seus motivos, sempre os renovando não basta para deixar-me satisfeita ou mesmo para consolar-me nas horas sombrias de meu fracasso.

A compreensão de tais sentimentos que pairam dentro de mim é outra meta de minha vida tão próxima do fim. Tantas palavras foram colocadas para dentro da cabeça, mas nenhuma foi suficiente para fazer-me crer que minha pessoa tem uma razão verdadeira nesse mundo insano e cruel. Com tantos outros fazendo melhor e sendo diferentes de uma forma soberana, pergunto-me qual a desculpa para tanto esforço de uma única pessoa que logo, na iminência da efemeridade de si mesma, será esquecida.

Entendes o ponto que quero fazer-te enxergar ? São pequenas coisas que me tiram o sono sempre e sempre, no entanto, o nunca - oposto desta palavra amarga e eterna -, é a resposta para as ações de tais 'coisas' . Elas nunca têm solução, pois se tivessem eu já teria resolvido esse dilema e teria poupado-me de tanto sofrimento de tempos em tempos. Cada passo que dou ao invés de aproximar meu ser da plenitude dele mesmo, afastam-me daquilo que um dia pensei que seria. Desejei ser. Almejei conquistar. E não é questão de pensamento ou força de vontade. É a simples luta de uma força maior que insiste em empurrar-me contra a parede sempre que essas sensações desejam fazer parte da minha rotina. Não entendo.

As palavras datilografadas em um objeto eletrônico ou naquele caderno mágico sem pautas embutido de uma caneta azul parecem ser a única salvação. O escritor salva a si mesmo toda vez que decide louvar o mundo com sua capacidade de escrita. Mas agora pergunto-me, leitor, que tipo de escritor sou eu se as palavras que passeiam pelos meus dedos nada falam além de dor ?

Pode um poeta amar e mesmo assim nunca falar de amor ?