Eterna Prisão

A tristeza é algo inerente ao meu simplório ser.

Deveras minha pessoa já deveria estar a par deste angustioso fato. Pois o fato é: não importa a passagem do tempo, tão pouco a mudança no final do numeral maior do ano. Sempre posso esperar um sorriso forçado e uma  mente perturbada na hora de dormir.

São tantos os motivos, mas aos mesmo tempo são tão poucos. Digo, os motivos são variados, mas as razões dos mesmos são ínfimas ... o que é suficiente para causar-me uma grande confusão na mente cansada. Se os motivos não são tão justificáveis por que insisto em martirizar-me dessa forma vez por outra ?

Não basta o outro sorrir-me, querer-me, olhar-me. O meu reflexo todos os dias deveria mostrar um semblante cuja felicidade fosse verdadeira, no entanto, o pedaço de vidro com a capacidade de reflexão mostra-me um ser deplorável, desprovido da competência de buscar um motivo real para a satisfação completa do ser. O fato de o ser humano ser um ser faltante, logo e portanto, vive em busca de seus motivos, sempre os renovando não basta para deixar-me satisfeita ou mesmo para consolar-me nas horas sombrias de meu fracasso.

A compreensão de tais sentimentos que pairam dentro de mim é outra meta de minha vida tão próxima do fim. Tantas palavras foram colocadas para dentro da cabeça, mas nenhuma foi suficiente para fazer-me crer que minha pessoa tem uma razão verdadeira nesse mundo insano e cruel. Com tantos outros fazendo melhor e sendo diferentes de uma forma soberana, pergunto-me qual a desculpa para tanto esforço de uma única pessoa que logo, na iminência da efemeridade de si mesma, será esquecida.

Entendes o ponto que quero fazer-te enxergar ? São pequenas coisas que me tiram o sono sempre e sempre, no entanto, o nunca - oposto desta palavra amarga e eterna -, é a resposta para as ações de tais 'coisas' . Elas nunca têm solução, pois se tivessem eu já teria resolvido esse dilema e teria poupado-me de tanto sofrimento de tempos em tempos. Cada passo que dou ao invés de aproximar meu ser da plenitude dele mesmo, afastam-me daquilo que um dia pensei que seria. Desejei ser. Almejei conquistar. E não é questão de pensamento ou força de vontade. É a simples luta de uma força maior que insiste em empurrar-me contra a parede sempre que essas sensações desejam fazer parte da minha rotina. Não entendo.

As palavras datilografadas em um objeto eletrônico ou naquele caderno mágico sem pautas embutido de uma caneta azul parecem ser a única salvação. O escritor salva a si mesmo toda vez que decide louvar o mundo com sua capacidade de escrita. Mas agora pergunto-me, leitor, que tipo de escritor sou eu se as palavras que passeiam pelos meus dedos nada falam além de dor ?

Pode um poeta amar e mesmo assim nunca falar de amor ?


Comentários

  1. Que legal, é você mesma que cria? bjss

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  2. muito bom o texto adorei, a criação é sua ou vc tira de algum livro, adoraria saber
    http://clubedabelezaemaquiagem.blogspot.com.br/2015/01/inicio-do-ano-de-2015.html

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  3. Oi,meninas! Fico feliz que tenham gostado. Sim, o texto é de minha autoria! Voltem sempre !

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