Rain

"Fator universal do transformismo
Filho da teleológica matéria
Na superabundância ou na miséria
Verme - é o seu nome obscuro de batismo"
 - Augusto dos Anjos


I was just sitting there. Listening to the sound of the rain. Smelling it. Alone. It was beautiful. The rain. However, at some point I wished it to end soon. The rain. It was keeping locked there. I don't like to be locked. But, the rain lasted hours. Days. Years.
In the end the rain was a broken mirror. It was not beautiful anymore.
I was broken.
Locked.

05.03.2015

http://creepypasta.wikia.com/wiki/The_Mirror_inside_Us

Lupus - Parte III

Você pode ler as partes I e II AQUI E AQUI

Nina soltou um grito, mas tapou a boca em seguida. Estava muito assustada, mas sabia o bastante sobre lobisomens para não se meter entre dois deles quando estão lutando. Henry estava estatelado no chão, ela achou que estava desmaiado, mas ele se contorceu um pouco e abriu os olhos em seguida. O Caça não deu tempo para ele se levantar e, em seguida, o chutou forte na barriga. O gemido foi alto o que fez Nina mover-se alguns centímetros.
-Ni-na! Não! - gritou Henry, ao perceber que ela se mexera - Não se aproxime!
Mas quando ele disse isso, O Caça percebeu a influência que a moça tinha sobre ele. Desistiu de Henry. Foi atrás de Nina.
***
A noite caiu fria naquela segunda-feira, quinto dia do mês. Os lobos da Matilha Grande estavam prontos para mais uma missão dada pelo grande Alfa, Jonas Argentini. O lobisomem mais poderoso da América.
- Ok, então vocês entenderam exatamente como prosseguir? - soou a voz severa de um homem com aparência jovem demais para quem tinha mais de sessenta.
- Sim senhor! - disseram em uníssono os vinte homens, dez garotos e Henry. O mais novo integrante da Matilha, porém, o mais rápido, forte, habilidoso nas artes marciais e com a maior capacidade sensitiva na forma de lobo.
- Certo. Ao trabalho, lobos! - disse Jonas e virando-se para correr. Não se importou em olhar para trás para se certificar de que os lobos estariam atrás dele, ele sabia que ninguém ousaria contradize-lo.

Henry era o único que não deveria segui-lo naquele momento. Isto é, ele e Charlie. Os dois tinham a função de se transformarem antes, passarem pelas câmeras e desligá-las. Em seguida, Charlie entraria no Main Bank da cidade ( alvo escolhido para a noite ) e daria um jeito de desativar o alarme. Se ele não conseguisse Henry entraria na forma de lobo e chamaria a atenção dos guardas. Os mataria se fosse preciso e depois voltaria para ajudar o bando a entrar no cofre principal. Esse era o plano da noite, pois o Main Bank era um banco grande, mas a segurança não era das melhores se comparada aos outros bancos da cidade.
- Certo, Charlizinho. Vê se faz as coisas direito, ok? Não quero saber do Jonas brigando comigo por causa de alguma idiotice sua.
-Tudo bem, Henry. Eu vou fazer direito, que coisa! Dá pra dar um voto de confiança?
-Olhando pra você nesse estado não mesmo, não é?
-Você me irrita. - disse o homem magro cheio de marcas no corpo, olhos fundos e uma boca seca e descascada. Henry nunca entendeu porque ele era assim se já era um lobisomem há muito tempo. O corpo deveria ter se curado.
O plano seguiu como combinado. Cerca de dois milhões foram roubados naquela noite. E Jonas podia ser um ladrão de primeira, sem coração e um vigarista, mas sabia pagar bem seus homens. Um milhão ficou para ele, o restante dividiu entre os lobos. Henry pegou sua parte e foi para casa.
- Que bom que ainda está conosco, Henry. - disse Jonas enquanto contava algumas notas de cem.
- É, claro. Até mais. - disse Henry num tom meio triste. E Jonas percebeu.
Henry estava indo para casa, calmo como sempre. A madrugada estava fria, mas ele não tremia mesmo vestindo apenas uma camiseta cavada. Ninguém nas ruas. Seus pensamentos estavam longe. Curiosamente, lembrou-se de quando namorou certa garota, jovem e bonita, mas não muito inteligente, não que na época Henry se importava com isso, mas achou engraçado lembrar-se dela agora, depois de tanto tempo. No meio do suposto namoro, Henry enrolou-se com outra menina. Antes de terminar com a primeira ele fez questão de lhe contar do rolo. A garota ficou em prantos, é claro, mas Henry não se importou. Ele sempre fora esse tipo de cara. Aquele que não se importa. Aquele que usa e joga fora.
Fizera isso com várias outras garotas. Se estava com uma e aparecia outra mais interessante e por acaso não tinha tempo de avisar a atual, ficava com a outra mesmo assim." Minha vida é curta demais para esse tipo de explicação. " Era sua fala.
Seu plano inicial quando entrou para a Matilha Grande era o mesmo de Jonas: enriquecer. No entanto, depois que ele percebeu o quão severo Jonas podia ser, Henry começou a pensar que talvez, pudesse tomar o lugar dele. Não somente seria milionário, mas também seria conhecido. Todos os lobisomens tremeriam ao ouvir seu nome. Ele seria o novo Alfa Supremo de toda a América.
***
Fora assim até o momento que conheceu Nina. A moça o instigava de uma forma incrível, tão fascinante que ele não conseguia explicar ou mesmo expressar. Sabia apenas que precisava ficar perto dela. Sempre. Mas Henry jamais imaginou que Jonas mandaria O Caça atrás dele. Ele nunca fora o braço direito de Jonas, de fato, mas Henry sabia que além do Caça ele era o único que poderia ser digno de alguma afeição do Alfa.
No chão, quase sem forças para levantar, Henry tinha apenas um pensamento em mente naqueles instantes significativos: salvar Nina. A vida dela valia mais que a dele, com certeza, e ele jamais se perdoaria se algo acontecesse com ela, ainda mais pelas mãos de um lobisomem como O Caça.
- Ei, grandalhão! É a mim que você quer! Ou já desistiu? Achei que você fosse mais forte! - provocou depois de limpar o sangue que escorria da boca.
O Caça podia ser forte, rápido e sanguinário, mas tinha um grande defeito: se deixava levar por provocações. Sempre. E Henry sabia disso, logo, explorou esse defeito de seu mais recente inimigo.
Nina estava em choque. Temeu perder Henry para aquele homem gigante e forte que arrombou a porta de sua casa. Temia perder a vida também, mas esse era o fator de menos importância em sua cabeça. Por mais estranho que pudesse ser, ela, uma bruxa convicta, estava se apaixonando por uma criatura da Lua. Um lobisomem. E estava começando a perceber que Henry não era qualquer lobisomem. Sabia que eles sempre tinham uma alcateia, logo, ele não estava sozinho, porém, se aquele lobisomem forte e grande estava atrás dele alguma coisa ele havia feito.
- HENRY! - Nina gritou ao perceber que O Caça cedeu à provocação. Ela ergueu a mão e abriu a boca, ia lançar um feitiço. De fato, fazia tempo que não praticava magia de ataque, mas precisava confiar em seus instintos e treinamentos antigos.
Todavia, O Caça foi mais rápido e atingiu o queixo de Henry em cheio. Ele caiu, mas levantou-se rapidamente e chutou Caça na costela. Um chute forte e certeiro, o lobisomem caiu. Mas não ficou no chão. Gemeu um pouco e reergueu-se. Os braços largos e fortes fecharam Henry na cintura, mas ele não se permitiu ficar preso. Com o cotovelo acertou em cheio a cabeça de Caça, que suportou a dor e ergueu Henry no ar, porém, ele sabia lutar. Desvencilhou-se dos braços do Caça e deu-lhe um soco forte no rosto, o homem gritou, pois sentiu que seu nariz foi quebrado. O sangue escorreu rápido. Em seguida, Henry tratou de dar uma espécie de chave de braço em Caça que dessa vez não resistiu. Cedeu. Henry apertou até onde suas forças lupinas podiam e quando sentiu que o corpo de Caça ficou mais leve, soltou. O homem caiu fazendo um barulho grande no ambiente.
A casa de Nina estava um desastre, mas eles estavam bem. Quando ela viu que no chão era onde Caça ficaria por um tempo correu para os braços de Henry e não se importando com o suor e o sangue presentes na roupa e no corpo dele, o abraçou. Com força. A respiração arfante. Por fim, quando ambos se acalmaram, eles se encaram e se entregaram ao amor. Beijaram-se lentamente e com paixão. Mas ainda havia problemas. Os lobisomens da Matilha Grande poderiam estar perto.
- Nina, me desculpe por isso tudo. - disse Henry cabisbaixo.
- Está tudo bem. Estou feliz que você esteja bem. Se algo acontecesse eu ... eu não sei o que faria.
- Precisamos sair daqui. Agora. A Matilha Grande pode chegar, e se eles enviarem a Trilha não sei o que pode acontecer. Quero dizer, acho que ainda tenho alguns amigos, mas não posso lutar e proteger você ao mesmo tempo.
- Sim, vamos sair daqui e você me conta tudo sobre essa Matilha, sobre essa Trilha e principalmente o que você fez para eles te odiarem tanto, ok?
- Haha, longa história!
- Acho que teremos tempo. – disse ela com um leve sorriso.
***
Deixaram Caça no chão. Nina fez uma pequena mala. Deixou ração suficiente para Bible, mas tratou de avisar a uma amiga que teria que viajar por uns dias e deixou a chave dentro do vaso de flor tulipa que ela tinha em frente de casa e pediu à amiga que cuidasse do cão. Nunca havia ido à casa de Henry e estava ansiosa para descobrir onde um jovem lobisomem ex-ladrão de bancos poderia morar. O carro de Henry era um Porshe novo e estava no estacionamento mais próximo, na esquina da rua da casa de Nina. Ele pagou, colocou a mala dela no porta-malas e depois de ligar o veículo disse:
- Então, a senhora é a primeira moça a conhecer minha casa. Sinta-se honrada.
-Huuuum. Já estou me sentindo honrada, senhor.
- Ok, acho que podemos para de nos chamar assim - disse Henry rindo. - O que gosta de ouvir?
- Hum, música clássica.
- Acho que não tenho haha
- Qualquer coisa então.
- Está bem. - em seguida ele ligou o rádio e um rock clássico dos anos oitenta começou a tocar.
- Sabe - começou Henry- a fama desse Caça não faz jus a ele.
- O que quer dizer?
- Bom, agora que você já sabe que sou um lobisomem e tal, e também que eu costumava roubar bancos você deve imaginar que eu fazia parte de uma alcateia.
- Sim. Todos os lobisomens fazem parte.
- Pois é, e na nossa, conhecida como Matilha Grande - disse Henry antes de virar à direita - Esse Caça é meio que o braço direito do Alfa. E ele sempre teve a fama de ser forte, rápido e esperto. Especialmente forte. E sinceramente, eu esperava mais dele. Achei que dessa vez eu não teria escapatória.
- Tá brincando! Eu achei aquele cara um monstro! Quase tive um infarto quando ele te nocauteou.
- Ei , ei ei Ele não me nocauteou coisa nenhuma, moça! – disse Henry rindo.
- Ah, então você ficou deitado no chão por que você quis? - disse Nina sorrindo e em seguida cruzando os braços.
- É bom ... Chama-se estratégia. - disfarçou Henry.
- Sei. Mas mais cedo, quando estava me contando sobre sua antiga vida de ladrão de bancos, você não me disse o motivo de ter se aliado a eles.
- Simples. Poder e dinheiro.
- Muito simples.
- Antes de conhecer você, Nina, minhas ambições eram bem pequenas e não muito honestas.
- Entendi.
- É aqui. - disse Henry depois de estacionar o carro em frente a uma grande e bela casa branca com detalhes à moda greco-romana. Duas pilastras adornavam a entrada da frente e as janelas tinham contornos do mesmo material. Uma de cada lado. O portão da frente era preto e com pontas. Havia uma grande corrente e um cadeado enorme fechando-o.
- Uau!
- Não fique surpresa. Não é como se eu não tivesse roubado o bastante. Jonas paga bem seus subordinados.
- Estou vendo. - disse Nina agora com os olhos um pouco menos arregalados e saindo do carro.
- Vamos. - Henry passou o braço na cintura de Nina depois de abrir e fechar o portão. O que ele não esperava, porém, era encontrar aquela pessoa em especial. Sentado no seu sofá. Na sua casa.
***
- O que você está fazendo aqui? - esbravejou Henry e em seguida empurrando Nina. Mal haviam entrado na casa e Henry sentiu aquele cheiro incomum. Achou estranho, mas confiava na segurança de sua casa, logo, não impediu Nina de entrar junto dele. Grande erro.
- Ora essa, Henry. Você achou mesmo que podia me derrotar?
- Droga! Nina, pega o carro e corre! - disse ele entregando a ela as chaves e a empurrando em direção à porta.
- Não mesmo que vou deixar você! – ela exclamou.
- Só faz o que estou dizendo, droga!
- Não, Henry! - gritou ela já com os olhos cheio de lágrimas.
- Ora vocês dois! Parem com esse mimimi ou mato os dois agora mesmo!
- Quero ver você tentar, Jonas!
Em seguida Henry saltou para frente, mas Jonas fora mais rápido e seus poderes de Alfa Supremo ajudaram. Não somente desviou do ataque de Henry como também foi rápido o bastante para se aproximar de Nina sem que ela percebesse. De fato, lobisomens não eram tão rápidos quanto vampiros, porém, eram bem mais rápidos que humanos. E Jonas não estava sozinho. Empurrou Nina porta à fora e dois de seus capangas a agarraram em seguida. Henry mal teve tempo de pensar. O punho de Jonas o acertou em cheio, ele não caiu, mas sangrou e sua visão ficou levemente turva, afinal não era mais com o Caça que estava brigando e sim com seu Alfa em pessoa. O Alfa Supremo e brigar com um lobisomem desses não é pra qualquer um.

A preocupação de Henry, porém, nunca fora seu rosto e sim Nina.Eles a levaram. Os lobisomens a levaram!Droga!


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Isso aí, galerinha! Demorou, mas a parte III ta aí. Espero que gostem.

Klaus - Parte I

[ Foto: Damon e Katherine, da série The Vampire Diaries]
 

Havia certo prazer naquela dor.
Devagar ele pousou os lábios no pulso dela e antes de cravar os dentes brancos e agora extremamente pontudos olhou-a direto nos olhos. Um sorriso malicioso brotou nos seus lábios carnudos e ele por fim concedeu a ela o prazer de ser mordida por uma criatura da noite. A criatura da Escuridão. Sugou o sangue vagarosamente, pois não queria que ela, tão pouco ele, se perdesse em meio ao êxtase, logo, ele deixava o sangue vermelho, mas que naquele momento era negro, pois a Lua não iluminava o local, escorrer do braço dela, passar por sua boca e pingar no chão.
A moça se contorcia vez por outra. Às vezes pela dor, e às vezes pelo prazer. Sentada naquela cadeira luxuosa, forrada com um pano macio e roxo e entalhada na mais fina madeira ela não se permitia mover demais e atrapalhar a ação do vampiro ajoelhado a seu lado. Sua outra mão segurava a cadeira, e seu pescoço caído para trás levava os sons de seus gemidos para todos os cantos do recinto toda vez que ela movia a cabeça de um lado para o outro.
- Pare! - ela sussurrou. - Se continuar eu não resistirei.
Ele limpou um pouco a boca com as costas da mão depois de parar a ação. Não sabia se o resistir ao qual ela se referia era à dor ou ao prazer, mas parou de qualquer forma, pois não queria perdê-la. A boca do vampiro ainda estava vermelha e quando sorriu ela viu que seus dentes se encontravam no mesmo estado. Inerte na cadeira ela não fez menção de sair dali quando ele aproximou a boca sangrenta da dela e a beijou vorazmente. Passando para ela o sangue. O próprio sangue dela. Você pode achar que ela não gostou disso, afinal o gosto do líquido viscoso é saboroso apenas para essas criaturas das trevas, mas ela era diferente e deliciou-se com os gostos. Do sangue e da boca do vampiro.
- Você me surpreende a cada dia, minha senhora. - ele disse, sorrindo. Passou a mão no cabelo negro e o ajeitou. Seus olhos azuis encaravam os grandes olhos verdes dela. Ela sorriu.
- Isso é bom, não acha? - disse, se levantando com a ajuda dele. Segurava a mão dela e apoiava a outra na cintura fina da moça.
- Isso é ótimo. - e partiu para outra investida na boca da moça. Pela primeira vez em séculos não se cansou de uma jovem depois de sugar grande parte de seu sangue, tão pouco depois de beijá-la tantas vezes. Era estranho, mas ele não se importou com isso.
Depois de alguns minutos ela se recuperou. Enquanto isso, o vampiro foi buscar bebidas naquele bar afastado da cidade. Quando voltou, ela estava animada, sorridente e feliz. Ajeitou o vestido branco e calçou os sapatos com pouco salto. Arrumou o cabelo, fez um rabo de cavalo baixo e o acompanhou. Subiram as escadas do bar até o segundo andar da casa, onde dormiriam em um quarto que ele reservara mais cedo. O bar era uma espécie de pousada. Bar em baixo, quartos em cima.
- Espero que goste de martini, eles não tinham seu whisky favorito. - ele disse mostrando a garrafa.
- Eu gosto de qualquer coisa que eu possa fazer ao seu lado. - ela disse, pegando na mão dele e puxando-o para dentro do quarto. No centro, uma cama de casal grande com adornos dourados na cabeceira de trás. A janela estava entreaberta e a luz da lua penetrou o ambiente, iluminando de leve o restante do quarto. Uma pequena cabeceira do lado esquerdo com um espelho, nada em cima. Uma cadeira do outro lado do quarto, bem simples e totalmente diferente das restantes do bar no andar de baixo. O vampiro colocou a garrafa na cabeceira e aproximou-se mais da jovem. Beijou-a devagar, muito diferente de como havia feito minutos antes. As mãos dela na cintura dele e as mãos dele na cabeça dela. Seus corpos em um movimento único, uma dança sem música embalada por suas respirações ofegantes.
De repente, ele parou de beijar a boca sedenta dela e começou a dar pequenos beijos. Começando na bochecha e descendo para o pescoço. Não resistiu. Sentir aquela veia pulsando, logo a sua frente era uma tortura, logo, não pediu permissão e a mordeu. Ela gritou. Gemeu. Segurou com força a camisa dele enquanto puxava o cabelo com a outra mão. Seu pescoço curvado para trás. Seu sangue escorrendo. A boca do vampiro se deleitando. O corpo dele se enchendo de prazer e do alimento mais corrupto do mundo, afinal, exige a dor do outro, exige o outro. No entanto, ela era diferente e não lutava contra. Pelo contrário, oferecia mais.
- Desse jeito vou acabar matando você.
- Oras, faça isso, só espere mais um pouco. Afinal de contas, sabemos que depois de me tornar uma vampira devo beber o sangue todo de um humano, logo, seu sangue não serviria. E por hora, eu gostaria de aproveitar mais essa sensação. - e o puxou para outro beijo.
De onde tirou força para tal ato não soube dizer. Dessa vez ele havia passado dos limites e uma linha tênue entre a vida e morte cortava o coração dela. Beber o sangue todo de um humano havia consequências severas como a morte, por sorte, ele era um vampiro milenar, experiente e sabia exatamente o momento de parar, mesmo que a pessoa ficasse à beira do aniquilamento. Se ele continuasse ela morreria naquele instante.
Ela não morreu, mas depois de beijá-lo não resistiu e desmaiou. Ele a segurou e depois a colocou na cama. Cobriu-a com o lençol simples que encontrou no guarda-roupas. Sentou-se do seu lado e ficou observando. Tinha longos cabelos negros e lisos. Os cílios grandes, um corpo desenhado de curvas. Seios fartos, mãos pequenas e macias. Ele gostava de olhá-la dormindo, pois era algo que ele fazia apenas de dia quando ela, em geral, trabalhava ou estudava. Continuou a beber o martini que trouxera para os dois. Não queria acordá-la. Sabia que tivera um dia difícil.
Fugindo de bruxas e lobisomens.
As bruxas a queriam para um sacrifício que daria a elas mais poder. A escolheram simplesmente porque ela estava com ele, um vampiro além de antigo, conhecido no mundo sobrenatural por sua malícia, poder e incapacidade de afeição por qualquer coisa.
Já os lobisomens queriam vingança. Klaus[1] havia matado a filha do Alfa da Matilha Lunar e não satisfeito matou sua mulher e vários outros membros. Os lobisomens queriam matar Phoebe* antes de matar Klaus. A vingança não seria perfeita se ele não assistisse à morte da moça. Mas primeiro precisavam encontrá-lo. E ele era um vampiro mais que esperto, ele era maldoso e não media esforços para conseguir o que desejava, fosse um caminho, uma pessoa ou um local para se esconder temporariamente.
Naquele momento precisava de um local apenas porque Phoebe estava com ele, caso contrário não se importaria de ser encontrado pelos lobos. Mataria a todos sem pensar duas vezes. As bruxas eram um caso à parte, já que elas poderiam feri-lo à distância, mas ele estava trabalhando nisso. Encontraria outras bruxas que estariam dispostas a fazer com ele um acordo. Afinal, acordos com o Demônio eram especialidade de algumas bruxas. Ele só precisava descobrir quais.
Phoebe conseguiu fugir, pois passara grande parte da sua vida fugindo. Sua família fora da Máfia Russa e ela herdou os grandes inimigos, logo, sempre estava se mudando, disfarçando-se. Mas quando encontrou Klaus sentiu que logo não precisaria mais fugir. Se ele a transformasse poderiam ser felizes juntos. Fortes. Superiores. Para sempre.
Klaus deitou-se ao lado de Phoebe e continuou a observá-la. Seu peito subindo e descendo devagar. Ouvia sua respiração lenta. Limpou com um lenço úmido o sangue seco no pescoço dela e depois o pulso e o braço. O vestido impecavelmente branco agora se encontrava com algumas manchas vermelhas. Sorriu. Não conseguia entender como e por que demorara tanto tempo para encontrar uma moça como Phoebe. Que não o temia, não o abominava e diferente de todas o aceitou como ele é desde o princípio.
Mas nem tudo poderia ser tão perfeito, é claro. Um vento incomum entrou no pequeno quarto. Jogou a garrafa no chão causando um estalido agudo. Phoebe se mexeu, mas permaneceu dormindo. Klaus levantou-se de súbito e foi em direção à janela. Veloz como somente os vampiros eram. Nada. Olhou ao redor e o ambiente por um instante pareceu mais escuro, mesmo com um lampião aceso no pequeno banco de madeira do lado da cama.
Ao virar-se a janela abriu-se sozinha e com força; uma presença ele sentiu. Não sabia o que era, nem de onde surgira, apenas que era tão maligna quanto ele próprio. Em seguida, ele correu para Phoebe, mas era tarde demais. Um corpo flutuava sob a cama, os braços caindo para baixo e o pescoço pendendo para trás da cabeça. O cabelo da mesma forma. O restante do corpo ereto e duro como mármore. Os olhos abertos, mas sem cor alguma. A boca fazendo menção de abrir-se, mas som algum saía.
A presença possuíra Phoebe.


Você pode ler a parte II AQUI 

* O nome Klaus de Niklaus apesar de não ser exclusivo da série Vampire Diaries e The Originals, gostaria de deixar claro que foi de lá que eu tirei o nome.

* O nome Phoebe se pronúcia Fiibe , isso mesmo, com um I mais longo e com som de F não de P.  O nome é inspirado, ou mesmo, tirado da atriz que interpreta Hayley em The Originals, Phoebe Tonkin