Lupus - Parte III

Você pode ler as partes I e II AQUI E AQUI

Nina soltou um grito, mas tapou a boca em seguida. Estava muito assustada, mas sabia o bastante sobre lobisomens para não se meter entre dois deles quando estão lutando. Henry estava estatelado no chão, ela achou que estava desmaiado, mas ele se contorceu um pouco e abriu os olhos em seguida. O Caça não deu tempo para ele se levantar e, em seguida, o chutou forte na barriga. O gemido foi alto o que fez Nina mover-se alguns centímetros.
-Ni-na! Não! - gritou Henry, ao perceber que ela se mexera - Não se aproxime!
Mas quando ele disse isso, O Caça percebeu a influência que a moça tinha sobre ele. Desistiu de Henry. Foi atrás de Nina.
***
A noite caiu fria naquela segunda-feira, quinto dia do mês. Os lobos da Matilha Grande estavam prontos para mais uma missão dada pelo grande Alfa, Jonas Argentini. O lobisomem mais poderoso da América.
- Ok, então vocês entenderam exatamente como prosseguir? - soou a voz severa de um homem com aparência jovem demais para quem tinha mais de sessenta.
- Sim senhor! - disseram em uníssono os vinte homens, dez garotos e Henry. O mais novo integrante da Matilha, porém, o mais rápido, forte, habilidoso nas artes marciais e com a maior capacidade sensitiva na forma de lobo.
- Certo. Ao trabalho, lobos! - disse Jonas e virando-se para correr. Não se importou em olhar para trás para se certificar de que os lobos estariam atrás dele, ele sabia que ninguém ousaria contradize-lo.

Henry era o único que não deveria segui-lo naquele momento. Isto é, ele e Charlie. Os dois tinham a função de se transformarem antes, passarem pelas câmeras e desligá-las. Em seguida, Charlie entraria no Main Bank da cidade ( alvo escolhido para a noite ) e daria um jeito de desativar o alarme. Se ele não conseguisse Henry entraria na forma de lobo e chamaria a atenção dos guardas. Os mataria se fosse preciso e depois voltaria para ajudar o bando a entrar no cofre principal. Esse era o plano da noite, pois o Main Bank era um banco grande, mas a segurança não era das melhores se comparada aos outros bancos da cidade.
- Certo, Charlizinho. Vê se faz as coisas direito, ok? Não quero saber do Jonas brigando comigo por causa de alguma idiotice sua.
-Tudo bem, Henry. Eu vou fazer direito, que coisa! Dá pra dar um voto de confiança?
-Olhando pra você nesse estado não mesmo, não é?
-Você me irrita. - disse o homem magro cheio de marcas no corpo, olhos fundos e uma boca seca e descascada. Henry nunca entendeu porque ele era assim se já era um lobisomem há muito tempo. O corpo deveria ter se curado.
O plano seguiu como combinado. Cerca de dois milhões foram roubados naquela noite. E Jonas podia ser um ladrão de primeira, sem coração e um vigarista, mas sabia pagar bem seus homens. Um milhão ficou para ele, o restante dividiu entre os lobos. Henry pegou sua parte e foi para casa.
- Que bom que ainda está conosco, Henry. - disse Jonas enquanto contava algumas notas de cem.
- É, claro. Até mais. - disse Henry num tom meio triste. E Jonas percebeu.
Henry estava indo para casa, calmo como sempre. A madrugada estava fria, mas ele não tremia mesmo vestindo apenas uma camiseta cavada. Ninguém nas ruas. Seus pensamentos estavam longe. Curiosamente, lembrou-se de quando namorou certa garota, jovem e bonita, mas não muito inteligente, não que na época Henry se importava com isso, mas achou engraçado lembrar-se dela agora, depois de tanto tempo. No meio do suposto namoro, Henry enrolou-se com outra menina. Antes de terminar com a primeira ele fez questão de lhe contar do rolo. A garota ficou em prantos, é claro, mas Henry não se importou. Ele sempre fora esse tipo de cara. Aquele que não se importa. Aquele que usa e joga fora.
Fizera isso com várias outras garotas. Se estava com uma e aparecia outra mais interessante e por acaso não tinha tempo de avisar a atual, ficava com a outra mesmo assim." Minha vida é curta demais para esse tipo de explicação. " Era sua fala.
Seu plano inicial quando entrou para a Matilha Grande era o mesmo de Jonas: enriquecer. No entanto, depois que ele percebeu o quão severo Jonas podia ser, Henry começou a pensar que talvez, pudesse tomar o lugar dele. Não somente seria milionário, mas também seria conhecido. Todos os lobisomens tremeriam ao ouvir seu nome. Ele seria o novo Alfa Supremo de toda a América.
***
Fora assim até o momento que conheceu Nina. A moça o instigava de uma forma incrível, tão fascinante que ele não conseguia explicar ou mesmo expressar. Sabia apenas que precisava ficar perto dela. Sempre. Mas Henry jamais imaginou que Jonas mandaria O Caça atrás dele. Ele nunca fora o braço direito de Jonas, de fato, mas Henry sabia que além do Caça ele era o único que poderia ser digno de alguma afeição do Alfa.
No chão, quase sem forças para levantar, Henry tinha apenas um pensamento em mente naqueles instantes significativos: salvar Nina. A vida dela valia mais que a dele, com certeza, e ele jamais se perdoaria se algo acontecesse com ela, ainda mais pelas mãos de um lobisomem como O Caça.
- Ei, grandalhão! É a mim que você quer! Ou já desistiu? Achei que você fosse mais forte! - provocou depois de limpar o sangue que escorria da boca.
O Caça podia ser forte, rápido e sanguinário, mas tinha um grande defeito: se deixava levar por provocações. Sempre. E Henry sabia disso, logo, explorou esse defeito de seu mais recente inimigo.
Nina estava em choque. Temeu perder Henry para aquele homem gigante e forte que arrombou a porta de sua casa. Temia perder a vida também, mas esse era o fator de menos importância em sua cabeça. Por mais estranho que pudesse ser, ela, uma bruxa convicta, estava se apaixonando por uma criatura da Lua. Um lobisomem. E estava começando a perceber que Henry não era qualquer lobisomem. Sabia que eles sempre tinham uma alcateia, logo, ele não estava sozinho, porém, se aquele lobisomem forte e grande estava atrás dele alguma coisa ele havia feito.
- HENRY! - Nina gritou ao perceber que O Caça cedeu à provocação. Ela ergueu a mão e abriu a boca, ia lançar um feitiço. De fato, fazia tempo que não praticava magia de ataque, mas precisava confiar em seus instintos e treinamentos antigos.
Todavia, O Caça foi mais rápido e atingiu o queixo de Henry em cheio. Ele caiu, mas levantou-se rapidamente e chutou Caça na costela. Um chute forte e certeiro, o lobisomem caiu. Mas não ficou no chão. Gemeu um pouco e reergueu-se. Os braços largos e fortes fecharam Henry na cintura, mas ele não se permitiu ficar preso. Com o cotovelo acertou em cheio a cabeça de Caça, que suportou a dor e ergueu Henry no ar, porém, ele sabia lutar. Desvencilhou-se dos braços do Caça e deu-lhe um soco forte no rosto, o homem gritou, pois sentiu que seu nariz foi quebrado. O sangue escorreu rápido. Em seguida, Henry tratou de dar uma espécie de chave de braço em Caça que dessa vez não resistiu. Cedeu. Henry apertou até onde suas forças lupinas podiam e quando sentiu que o corpo de Caça ficou mais leve, soltou. O homem caiu fazendo um barulho grande no ambiente.
A casa de Nina estava um desastre, mas eles estavam bem. Quando ela viu que no chão era onde Caça ficaria por um tempo correu para os braços de Henry e não se importando com o suor e o sangue presentes na roupa e no corpo dele, o abraçou. Com força. A respiração arfante. Por fim, quando ambos se acalmaram, eles se encaram e se entregaram ao amor. Beijaram-se lentamente e com paixão. Mas ainda havia problemas. Os lobisomens da Matilha Grande poderiam estar perto.
- Nina, me desculpe por isso tudo. - disse Henry cabisbaixo.
- Está tudo bem. Estou feliz que você esteja bem. Se algo acontecesse eu ... eu não sei o que faria.
- Precisamos sair daqui. Agora. A Matilha Grande pode chegar, e se eles enviarem a Trilha não sei o que pode acontecer. Quero dizer, acho que ainda tenho alguns amigos, mas não posso lutar e proteger você ao mesmo tempo.
- Sim, vamos sair daqui e você me conta tudo sobre essa Matilha, sobre essa Trilha e principalmente o que você fez para eles te odiarem tanto, ok?
- Haha, longa história!
- Acho que teremos tempo. – disse ela com um leve sorriso.
***
Deixaram Caça no chão. Nina fez uma pequena mala. Deixou ração suficiente para Bible, mas tratou de avisar a uma amiga que teria que viajar por uns dias e deixou a chave dentro do vaso de flor tulipa que ela tinha em frente de casa e pediu à amiga que cuidasse do cão. Nunca havia ido à casa de Henry e estava ansiosa para descobrir onde um jovem lobisomem ex-ladrão de bancos poderia morar. O carro de Henry era um Porshe novo e estava no estacionamento mais próximo, na esquina da rua da casa de Nina. Ele pagou, colocou a mala dela no porta-malas e depois de ligar o veículo disse:
- Então, a senhora é a primeira moça a conhecer minha casa. Sinta-se honrada.
-Huuuum. Já estou me sentindo honrada, senhor.
- Ok, acho que podemos para de nos chamar assim - disse Henry rindo. - O que gosta de ouvir?
- Hum, música clássica.
- Acho que não tenho haha
- Qualquer coisa então.
- Está bem. - em seguida ele ligou o rádio e um rock clássico dos anos oitenta começou a tocar.
- Sabe - começou Henry- a fama desse Caça não faz jus a ele.
- O que quer dizer?
- Bom, agora que você já sabe que sou um lobisomem e tal, e também que eu costumava roubar bancos você deve imaginar que eu fazia parte de uma alcateia.
- Sim. Todos os lobisomens fazem parte.
- Pois é, e na nossa, conhecida como Matilha Grande - disse Henry antes de virar à direita - Esse Caça é meio que o braço direito do Alfa. E ele sempre teve a fama de ser forte, rápido e esperto. Especialmente forte. E sinceramente, eu esperava mais dele. Achei que dessa vez eu não teria escapatória.
- Tá brincando! Eu achei aquele cara um monstro! Quase tive um infarto quando ele te nocauteou.
- Ei , ei ei Ele não me nocauteou coisa nenhuma, moça! – disse Henry rindo.
- Ah, então você ficou deitado no chão por que você quis? - disse Nina sorrindo e em seguida cruzando os braços.
- É bom ... Chama-se estratégia. - disfarçou Henry.
- Sei. Mas mais cedo, quando estava me contando sobre sua antiga vida de ladrão de bancos, você não me disse o motivo de ter se aliado a eles.
- Simples. Poder e dinheiro.
- Muito simples.
- Antes de conhecer você, Nina, minhas ambições eram bem pequenas e não muito honestas.
- Entendi.
- É aqui. - disse Henry depois de estacionar o carro em frente a uma grande e bela casa branca com detalhes à moda greco-romana. Duas pilastras adornavam a entrada da frente e as janelas tinham contornos do mesmo material. Uma de cada lado. O portão da frente era preto e com pontas. Havia uma grande corrente e um cadeado enorme fechando-o.
- Uau!
- Não fique surpresa. Não é como se eu não tivesse roubado o bastante. Jonas paga bem seus subordinados.
- Estou vendo. - disse Nina agora com os olhos um pouco menos arregalados e saindo do carro.
- Vamos. - Henry passou o braço na cintura de Nina depois de abrir e fechar o portão. O que ele não esperava, porém, era encontrar aquela pessoa em especial. Sentado no seu sofá. Na sua casa.
***
- O que você está fazendo aqui? - esbravejou Henry e em seguida empurrando Nina. Mal haviam entrado na casa e Henry sentiu aquele cheiro incomum. Achou estranho, mas confiava na segurança de sua casa, logo, não impediu Nina de entrar junto dele. Grande erro.
- Ora essa, Henry. Você achou mesmo que podia me derrotar?
- Droga! Nina, pega o carro e corre! - disse ele entregando a ela as chaves e a empurrando em direção à porta.
- Não mesmo que vou deixar você! – ela exclamou.
- Só faz o que estou dizendo, droga!
- Não, Henry! - gritou ela já com os olhos cheio de lágrimas.
- Ora vocês dois! Parem com esse mimimi ou mato os dois agora mesmo!
- Quero ver você tentar, Jonas!
Em seguida Henry saltou para frente, mas Jonas fora mais rápido e seus poderes de Alfa Supremo ajudaram. Não somente desviou do ataque de Henry como também foi rápido o bastante para se aproximar de Nina sem que ela percebesse. De fato, lobisomens não eram tão rápidos quanto vampiros, porém, eram bem mais rápidos que humanos. E Jonas não estava sozinho. Empurrou Nina porta à fora e dois de seus capangas a agarraram em seguida. Henry mal teve tempo de pensar. O punho de Jonas o acertou em cheio, ele não caiu, mas sangrou e sua visão ficou levemente turva, afinal não era mais com o Caça que estava brigando e sim com seu Alfa em pessoa. O Alfa Supremo e brigar com um lobisomem desses não é pra qualquer um.

A preocupação de Henry, porém, nunca fora seu rosto e sim Nina.Eles a levaram. Os lobisomens a levaram!Droga!


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Isso aí, galerinha! Demorou, mas a parte III ta aí. Espero que gostem.

2 comentários:

  1. Uau, essa história é de sua autoria? É muito boa!

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    1. haha Ei, Letícia! É minha sim ! Gostou então? Até das partes anteriores? Essa ainda tem mais uma parte, mas não sei quando postarei. Em geral tudo aqui é de minha autoria, quando posto algo de outra pessoa eu coloco o nome dela.
      Mas que bom que gostou, isso me deixa muito feliz *-*

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