My Name is Klaus - Parte I

[ Foto: Damon e Katherine, da série The Vampire Diaries]
 
Havia certo prazer naquela dor.

Devagar ele pousou os lábios no pulso dela e antes de cravar os dentes brancos e agora extremamente pontudos olhou-a direto nos olhos. Um sorriso malicioso brotou nos seus lábios carnudos e ele por fim concedeu a ela o prazer de ser mordida por uma criatura da noite. A criatura da Escuridão. Sugou o sangue vagarosamente, pois não queria que ela, tão pouco ele, se perdesse em meio ao êxtase, logo, ele deixava o sangue vermelho, mas que naquele momento era negro, pois a Lua não iluminava o local, escorrer do braço dela, passar por sua boca e pingar no chão. A moça se contorcia vez por outra. Às vezes pela dor, e às vezes pelo prazer. Sentada naquela cadeira luxuosa, forrada com um pano macio e roxo e entalhada na mais fina madeira ela não se permitia mover demais e atrapalhar a ação do vampiro ajoelhado a seu lado. Sua outra mão segurava a cadeira, e seu pescoço caído para trás levava os sons de seus gemidos para todos os cantos do recinto toda vez que ela movia a cabeça de um lado para o outro.

- Pare! - ela sussurrou. - Se continuar eu não resistirei.
Ele limpou um pouco a boca com as costas da mão depois de parar a ação. Não sabia se o resistir ao qual ela se referia era à dor ou ao prazer,  mas parou de qualquer forma, pois não queria perdê-la. A boca do vampiro ainda estava vermelha e quando sorriu ela viu que seus dentes se encontravam no mesmo estado. Inerte na cadeira ela não fez menção de sair dali quando ele aproximou a boca sangrenta da dela e a beijou vorazmente. Passando para ela o sangue. O próprio sangue dela. Você pode achar que ela não gostou disso, afinal o gosto do líquido viscoso é saboroso apenas para essas criaturas das trevas, mas ela era diferente e deliciou-se com os gostos. Do sangue e da boca do vampiro.
- Você me surpreende a cada dia, minha senhora. - ele disse, sorrindo. Passou a mão no cabelo negro e o ajeitou. Seus olhos azuis encaravam os grandes olhos verdes dela. Ela sorriu.
- Isso é bom, não acha? - disse, se levantando com a ajuda dele. Segurava a mão dela e apoiava a outra na cintura fina da moça.
- Isso é ótimo. - e partiu para outra investida na boca da moça. Pela primeira vez em séculos não se cansou de uma jovem depois de sugar grande parte de seu sangue, tão pouco depois de beijá-la tantas vezes. Era estranho, mas ele não se importou com isso.
Depois de alguns minutos ela se recuperou. Enquanto isso, o vampiro fora buscar bebidas naquele bar afastado da cidade. Quando voltou, ela estava animada, sorridente e feliz. Ajeitou o vestido branco e calçou os sapatos com pouco salto. Arrumou o cabelo, fez um rabo de cavalo baixo e o acompanhou. Subiram as escadas do bar até o segundo andar da casa, onde dormiriam em um quarto que ele reservara mais cedo. O bar era uma espécie de pousada. Bar em baixo, quartos em cima.
- Espero que goste de martini, eles não tinham seu whisky favorito. - ele disse mostrando a garrafa.
- Eu gosto de qualquer coisa que eu possa fazer ao seu lado. - ela disse, pegando na mão dele e puxando-o para dentro do quarto. No centro, uma cama de casal grande com adornos dourados na cabeceira de trás. A janela estava entreaberta e a luz da lua penetrou o ambiente, iluminando de leve o restante do quarto. Uma pequena cabeceira do lado esquerdo com um espelho, nada em cima. Uma cadeira do outro lado do quarto, bem simples e totalmente diferente das restantes do bar no andar de baixo. O vampiro colocou a garrafa na cabeceira e aproximou-se mais da jovem. Beijou-a devagar, muito diferente de como havia feito minutos antes. As mãos dela na cintura dele e as mãos dele na cabeça dela. Seus corpos em um movimento único, uma dança sem música embalada por suas respirações ofegantes.
De repente, ele parou de beijar a boca sedenta dela e começou a dar pequenos beijos. Começando na bochecha e descendo para o pescoço. Não resistiu. Sentir aquela veia pulsando, logo a sua frente era uma tortura, logo, não pediu permissão e a mordeu. Ela gritou. Gemeu. Segurou com força a camisa dele enquanto puxava o cabelo com a outra mão. Seu pescoço curvado para trás. Seu sangue escorrendo. A boca do vampiro se deleitando. O corpo dele se enchendo de prazer e do alimento mais corrupto do mundo, afinal, exige a dor do outro, exige o outro. No entanto, ela era diferente e não lutava contra. Pelo contrário, oferecia mais.
- Desse jeito vou acabar matando você.
- Oras, faça isso, só espere mais um pouco. Afinal de contas, sabemos que depois de me tornar uma vampira devo beber o sangue todo de um humano, logo, seu sangue não serviria. E por hora, eu gostaria de aproveitar mais essa sensação. - e o puxou para outro beijo.
De onde tirou força para tal ato não soube dizer. Dessa vez ele havia passado dos limites e uma linha tênue entre a vida e morte cortava o coração dela. Beber o sangue todo de um humano havia consequências severas como a morte, por sorte, ele era um vampiro milenar, experiente e sabia exatamente o momento de parar, mesmo que a pessoa ficasse à beira do aniquilamento. Se ele continuasse ela morreria naquele instante.
Ela não morreu, mas depois de beijá-lo não resistiu e desmaiou. Ele a segurou e depois a colocou na cama. Cobriu-a com o lençol simples que encontrou no guarda-roupas. Sentou-se do seu lado e ficou observando. Tinha longos cabelos negros e lisos. Os cílios grandes, um corpo desenhado de curvas. Seios fartos, mãos pequenas e macias. Ele gostava de olhá-la dormindo, pois era algo que ele fazia apenas de dia quando ela, em geral, trabalhava ou estudava. Continuou a beber o martini que trouxera para os dois. Não queria acordá-la. Sabia que tivera um dia difícil.
Fugindo de bruxas e lobisomens.
As bruxas a queriam para um sacrifício que daria a elas mais poder. A escolheram simplesmente porque ela estava com ele, um vampiro além de milenar conhecido no mundo sobrenatural por sua malícia, poder e incapacidade de afeição por qualquer coisa. Os lobisomens queriam vingança. Klaus[1] havia matado a filha do Alfa da Matilha Lunar e não satisfeito matou sua mulher e vários outros membros. Os lobisomens queriam matar Phoebe* antes de matar Klaus. A vingança não seria perfeita se ele não assistisse à morte da moça. Mas primeiro precisavam encontrá-lo. E ele era um vampiro mais que esperto, ele era maligno e não media esforços para conseguir o que desejava, fosse um caminho, uma pessoa ou um local para se esconder temporariamente.
Naquele momento precisava de um local apenas porque Phoebe estava com ele, caso contrário não se importaria de ser encontrado pelos lobos. Mataria a todos sem pensar duas vezes. As bruxas eram um caso à parte, já que elas poderiam feri-lo à distância, mas ele estava trabalhando nisso. Encontraria outras bruxas que estariam dispostas a fazer com ele um acordo. Afinal, acordos com o Demônio eram especialidade de algumas bruxas. Ele só precisava descobrir quais.
Phoebe conseguiu fugir, pois passara grande parte da sua vida fugindo. Sua família fora da Máfia e ela herdou os grandes inimigos, logo, sempre estava se mudando, disfarçando-se. Mas quando encontrou Klaus sentiu que logo não precisaria mais fugir. Se ele a transforma-se poderiam ser felizes juntos. Fortes. Superiores. Para sempre.
Klaus deitou-se ao lado de Phoebe e continuou a observá-la. Seu peito subindo e descendo devagar. Ouvia sua respiração lenta. Limpou com um lenço úmido o sangue seco no pescoço dela e depois o pulso e o braço. O vestido impecavelmente branco agora se encontrava com algumas manchas vermelhas. Sorriu. Não conseguia entender como e por que demorara tanto tempo para encontrar uma moça como Phoebe. Que não o temia, não o abominava e diferente de todas o aceitou como ele é desde o principio.
Mas nem tudo poderia ser tão perfeito, é claro. Um vento incomum entrou no pequeno quarto. Jogou a garrafa no chão causando um estalido agudo. Phoebe se mexeu, mas permaneceu dormindo. Klaus levantou-se de súbito e foi em direção à janela. Veloz como somente os vampiros eram. Nada. Olhou ao redor e o ambiente por um instante pareceu mais escuro, mesmo com um lampião aceso no pequeno banco de madeira do lado da cama.
Ao virar-se a janela abriu-se sozinha e com força; uma presença ele sentiu. Não sabia o que era, nem de onde surgira, apenas que era tão maligna quanto ele próprio. Em seguida, ele correu para Phoebe, mas era tarde demais. Um corpo flutuava sob a cama, os braços caindo para baixo e o pescoço pendendo para trás da cabeça. O cabelo da mesma forma. O restante do corpo ereto e duro como mármore. Os olhos abertos, mas sem cor alguma. A boca fazendo menção de abrir-se, mas som algum saía.
A presença possuíra Phoebe.




Você pode ler a parte II AQUI 

* O nome Klaus de Niklaus apesar de não ser exclusivo da série Vampire Diaries e The Originals, gostaria de deixar claro que foi de lá que eu tirei o nome.

* O nome Phoebe se pronúcia Fiibe , isso mesmo, com um I mais longo e com som de F não de P.  O nome é inspirado, ou mesmo, tirado da atriz que interpreta Hayley em The Originals, Phoebe Tonkin

9 comentários:

  1. Muito Interessante! vai dar uma ótima e longa historia!

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    1. Assim espero, senhor Leno Lecter haha Que bom que gostou *-*

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  2. Seu texto me deixou com saudades de The Vampire Diaries. Parei de assistir na quinta temporada, quando começou a ficar chatinho :/ Mas você escreve muito bem e sabe descrever sem ficar cansativo! Beijos :*

    www.bibliophiliarium.com

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    1. Oi, Tici. Então, estou vendo TVD mais por obrigação, porque também acho que ficou chatinha. Essa inspiração veio do The Originals, tipo assim, eu tô num LOVE FOREVER grande demais com essa série, nem sei porque demorei tanto pra ver. Obrigada pelos elogios, sempre bom ouvir isso *-*
      Até mais, beijos!

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  3. Olá, eu achei a proposta do texto bem legal só achei que a leitura fica um pouco cansativa com o fundo do blog preto e as letras brancas, o branco ficou meio que distorcido nas lentes dos meus óculos e tive que tirar para conseguir ler e daí como não enxergo muito bem, eu tive dificuldade também. Mas voltando ao texto. Achei a ideia central bem bacana, eu gosto de livros sobre vampiros mas não costumo ler muitos e seu texto me agradou.

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  4. Olá Thays, eu vi o Damon e a Katherine na cena kkkkk
    Mas amei esse texto, tua escrita é detalhista sem cansar, nos transporta para cena e nos faz ver pelos olhos dos personagens, fiquei agoniada com ele sugando mais e mais sangue, achei que uma hora ele iria passar do ponto.
    Beijos e continue escrevendo.

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  5. Olá! Eu imaginei o Klaus do The Original!! Amei seu texto, foi bem intenso, e gosto bastante de histórias Vampirescas, vou acompanhar sua história... Beijos!

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  6. Oiiee, tenho evitado histórias do tipo, mas gostei da sua, tem algo nela que me instiga a continuar aqui rs. Vou esperar a continuação ansiosa. beijão e parabéns pelo texto, esta maravilindo <333

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  7. Olá! Achei o texto muito bacana. bem construído e desejo muito sucesso na continuidade. Não sou muito fã de vampiros, mas achei muito bacana. Achei interessante a colocação da colega ali sobre o fundo preto, atrapalha um pouco a leitura eu tive que dar umas paradas para continuar a ler.

    Um abraço!

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