Desalento




Minhas mãos fedem a sangue
Um fluído desgraçado que descobri
ser capaz de meu corpo expelir

Os olhos que encontram a luz do quarto
Nada enxergam ou nada querem ver
Pois a dor permanece no peito
e o coração insiste em não morrer

Regurgito um líquido viscoso
Meu peito bate; caloroso
Eu sinto que mais está por vir
É isso, oh Vida, é meu fim!

Mas não ! De alguma forma meu corpo se mantém
O que acontece aqui, o que acontece lá?
Como é que algo me entretém?
Se errei? Errei sim, eu falhei
E agora o que me resta
é o fogo a atravessar minha testa!

Eles me disseram que estariam aqui
Disseram sim! Que me queriam, enfim
E agora eles estão sozinhos sem mim
e eu estou aqui, sem meu próprio eu
Tentando crer nesse destino que o Universo me deu!

Encontrei um pequeno objeto no meu quarto escuro
tão pequeno que entendi, como antes, fui tão burro
Ele desceu pela minha garganta machucada pelo choro seco
E pairou em meu estômago que lembrava-me de um poço negro

A mão do Demônio em pessoa
Me abençoa
E a escuridão do Mundo latente
Me faz crer que o Inferno é um lugar
Deveras benevolente

Esse humor desorientado
Sinto uma angústia que o deixa
desalentado

O desalento que paira em meu cérebro cansado
É o suficiente para manter-me calado
Não entende que essa é minha cina?
Fui martirizado
Está tudo...
Acabado


[ imagem do google imagens ]








2 comentários:

  1. Olá, Thays! Achei sua poesia bem profunda, mas com aquele toque bem melancólico. De qualquer forma, a combinação de palavras foi incrível, lindas rimas, e você está de parabéns! :D Bjks!

    www.bibliophiliarium.com

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    Respostas
    1. Haha . Tici, em geral minhas poesias são assim mesmo... melancólicas. Mas pelo menos você gostou, né *-*
      Obrigada!

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