Klaus - Parte III


Você pode ler a Parte I AQUI e a Parte dois AQUI


- E por que eles não deveriam entrar?
- Porque essa porta está totalmente protegida. A pintei com tinta banhada em prata e troquei a maçaneta. Com certeza tiveram ajuda das bruxas. Droga! Vamos, Phoebe. Precisamos sair daqui.
- Mas como? A janela fica há mais dez metros do chão.
- Acho que se esqueceu de com quem está. - disse Klaus, sorrindo.
- Verdade. - ela concordou com um sorriso e se agarrou a ele, uma vez que os braços do vampiro estavam abertos mostrando que ela deveria abraçá-lo.

Enquanto a porta era esmurrada Klaus se preparava para saltar com Phoebe pela janela. Torcendo para não serem vistos pelos moradores e presentes no bar, é claro. Antes de saltar ele lhe deu um beijo longo e dois nas bochechas. Sorriu para ela com seus dentes perfeitamente alinhados e brancos. Ela sorriu de volta. Segurou firme em sua mão e quando ele fez o movimento do salto ela foi junto dele. Fechou os olhos não por temer a queda, mas para poder apreciar a ação de uma forma mais profunda. Sabia que enquanto Klaus estivesse ao seu lado nada poderia lhe acontecer. A batida dos pés do vampiro no chão foi firme e pareceu emitir algum som, porém, seria necessário ouvidos sobrenaturais para ouvir. Em seus braços, Phoebe sorria. Beijou-lhe novamente e desceu.
- Isso foi interessante.
- Concordo, mas mais interessante é darmos o fora daqui antes que aqueles cães sarnentos percebam que não estamos no quarto.
- Verdade.
Correram. Klaus teve de diminuir muito sua velocidade vampírica, pois Phoebe jamais seria capaz de acompanhar seu passo. Por mais forte que ele fosse, carrega-la poderia chamar ainda mais a atenção, pois ele sabia que nem sempre teria o caminho livre, logo, vez por outra seria necessário parar.  No entanto, eles conseguiram se afastar o suficiente do bar, de modo que pode dar um tempo a Phoebe. Para descansar.
- Sabe ... isso... seria bem... mais fácil... se eu já fosse uma vampira. - disse ela entre uma respiração profunda e outra.
- Eu sei, meu amor. Mas acho que devemos e podemos esperar. Acredite, não há outra coisa no mundo que eu não queira mais que tê-la ao meu lado por toda a eternidade.
- Eu entendo. Não estou reclamando. É só que com tudo o que acaba de acontecer, não é?
- Sim. Mas logo tudo melhora, está bem?
- Tudo bem.

Minutos depois da fala de Phoebe um uivo alto, estridente, cortante e até maligno quebrou o silêncio entre eles. Porém, mais que o uivo o som das patas grandes batendo no chão em passos rápidos e certeiros fez Klaus abraçar Phoebe como nunca antes. Ele sentiu medo. Não por sua vida imortal, é claro, mas temeu não ser capaz de proteger Phoebe diante de tantos lobisomens. Escapar deles, lutar contra eles e até mesmo destruí-los era fácil quando sua única preocupação era sua própria vida, mas lutar por si mesmo e por mais alguém era algo que até então ele nunca teve de fazer. Sempre foi solitário.
- Escuta bem. - disse Klaus, segurando o rosto de Phoebe e encarando-a com seus olhos penetrantes. - Quando eu mandar você correr você irá correr, está bem?
- Está achando que vou deixar você?
- Estou sim, senhora. - ele riu. - Eu preciso que me deixe. Pelo menos até eu finalizar esses cães idiotas. E então, nos encontramos, está bem?
- Não sei, Klaus, eles eram muitos. E pelo que me disse... As bruxas, elas podem lhe fazer mal. Se aquela presença realmente me possuiu eu posso ajudar. Sei lá, fazer um acordo.
- Nunca, jamais pense nisso de novo, meu amor! Um acordo com as bruxas é um acordo com o próprio Diabo! Elas não tem palavra e lhe destruiriam na primeira oportunidade.
- Mas o que posso fazer para lhe ajudar?
- Apenas fique viva. - Klaus respirou fundo e pegou nas mãos de Phoebe que olhava-o com paixão. -  sem em você minha vida não faz sentido. Sem seu sorriso meus olhos não possuem razão para olhar. Sem seus lábios minha boca não encontra sentido para falar. Sem seu toque, minhas mãos frias não possuem motivo para tocar. Sem seu corpo, minha carcaça milenar é somente mais um amontoado de ossos em busca do próximo depositório de sangue capaz de me sustentar por mais um dia. Sem você, Phoebe, sem seu amor... Eu não sou nada.
- Está bem. Farei o que me pedir.
- Tudo bem. Escute. Quero que fique atrás daquela árvore e tente ficar o mais silenciosa possível. Se conseguir encontrar lama ou qualquer coisa para se sujar, ótimo, faça isso.
- Para disfarçar o cheiro?
- Sim. Eles irão atrás de você para me distrair, logo, enquanto não puder correr fique lá e disfarce seu cheiro como puder. Vá! - antes de soltá-la Klaus a beijou, profundamente. Promiscuamente. Phoebe correu e caiu. Coincidentemente um lago há alguns metros da árvore indicada estava lá, esperando por ela. Caiu e rapidamente tratou de juntar a lama do fundo e passar em seu corpo. Saiu do lago e escondeu-se. Moveu algumas folhas e observou Klaus.

- O que vocês querem? - disse Klaus para os cinco cães gigantescos e corcundas que se encontravam a sua frente. Alguns minutos depois da pergunta eles começaram a se transformar. De volta à condição simplória que era o ser humano. Depois de minutos de dor, grito e agonia um menino surgiu de trás deles com um grande saco nas costas. Abriu e jogou no chão o conteúdo. Roupas. Os homens antes lobos agora nus pegavam um a um uma peça de roupa se vestiam.  Sorrindo sarcasticamente para Klaus. Eles sabiam que o vampiro temia algo.
- Nós queremos muita coisa, Klaus. - disse o líder, limpando a sujeira dos ombros. Ele era alto, quase da mesma altura que Klaus, cabelos negros oe lisos, delineadamente cortados à máquina. Seus olhos eram muito pretos e os braços eram fortes, bem como o restante de seu corpo. A boca era levemente carnuda e os dentes brancos, as presas eram visíveis mesmo em sua forma humana. - Mas para começar que tal sua vida?
- Aham. Claro. - Klaus cruzou os braços e riu.
- Tudo bem. Vou facilitar pra você. Nós sabemos da sua namoradinha. Sua vida pela dela. - nesse momento Phoebe tapou a boca, pois seu coração disparou ao perceber que a troca seria plausível para Klaus.
- Vocês ainda acreditam naquela feiticeira?
- Se está falando de Margot, sim, acreditamos.
- Pois então são mais burros que eu pensava. Se acham mesmo que ela vai tirar a maldição de vocês por pura bondade do coração dela, são mesmo uns idiotas.
- É claro que não, seu vampiro tolo. Ela quer nossa lealdade.
- E os idiotas darão?
- Não. Assim que ela fizer o feitiço, ela morre.
- E você supõe ser muito fácil matar a feiticeira mais poderosa que já passou na Terra? Você acha mesmo que ela não pensou que faria isso, Norton? Acha mesmo que ela não tem um plano B ou C?
- Pode até ser. Mas nós somos espertos, fortes e rápidos.
- E burros.
- Seu idiota! - Norton avançou, mas um de seus companheiros o segurou. - O que você sabe sobre Margot?
- Muita coisa. Pra começar. Ela não é burra, tão pouco boba. Ela sabe que você irá tentar matá-la assim que a maldição for quebrada. Isso é, se for.
- É claro que vai.
- Ela lhe garantiu isso? Porque, Norton, acredite. Se há uma cura para a maldição da Lua Cheia dos lobisomens acredito que ela já deveria ter sido encontrada há milênios.
- Não é bem assim, Klaus. Margot não existia há milênios, tão pouco tinha os ingredientes necessários.
Phoebe sabia que um deles poderia ser o sangue de Klaus. Temia que ele aceitasse algum acordo com os Lobos. Mas permaneceu em seu lugar. Quieta. Camuflada. Entre as folhas observava Klaus conversar com um homem forte e alto. Ao redor dele havia outros homens tão alto e fortes quanto ele, cinco. Mais dois chegaram minutos depois. Era quase um exército se usar apenas a força de seus braços e convicção com que apoiavam o homem que falava com Klaus. Phoebe estava com medo.
- E quais seriam esses ingredientes? Eu? Tem certeza? Aquela mulher me odeia desde o primeiro momento que me viu, e me odeia ainda mais por eu ter matado toda a família dela. Tem certeza de que ela não está usando vocês para me matar?
  Norton não respondeu. Não sabia dessa história de Klaus e Margot. Pensou que poderia ser verdade.
- Por que matou a família dela?
- Porque ela sempre foi essa bruxa doida e nunca me deixou em paz. Eu estava com fome. A família dela estava no meu caminho. Simples assim.
- Mas ela nos disse que seu sangue era a única coisa que faltava para o ritual que deve ser feito na próxima Lua de Sangue.
- Claro, pois na Lua de Sangue eu fico mais fraco. Mas não precisa ficar feliz. Fraco para ela. Ainda acabo com vocês. – disse Klaus dando as costas para Norton.
- Com certeza! - disse Norton rindo. - Porém, o que você falou faz sentido. Ela ficou muito feliz ao saber que nós éramos inimigos. Claro que continuamos inimigos - disse, andando de um lado para o outro, com o indicador entre os lábios - Mas quem sabe...
- Não tem nada de quem sabe, Norton! Vocês me deixam em paz e eu acabo com a bruxa.
- Aham, e nós vivemos sob a maldição da Lua pra sempre!
- Isso é problema de vocês! - exclamou Klaus.
- Pode até ser, mas certo ou errado você não vai estragar nossa chance!

Norton apontou o dedo para Klaus. Sorriu maldosamente e se virou para ir embora. Fez sinal para os companheiros o seguirem. Klaus pensou imediatamente no quão aliviado estava por não notarem a presença de Phoebe mesmo ela estando relativamente próxima a eles. Norton e seus companheiros sumiram no emaranhado de verde que era a floresta atrás deles. Klaus respirou fundo. Phoebe saiu em disparada a ele quando percebeu que os lobos haviam saído. O beijou mesmo suja de lama. E ele a abraçou com força. O que não esperava era uma investida de Norton por trás. Foi tudo muito rápido e Klaus mal teve tempo de soltar Phoebe, por pouco ela não foi mordida.
A mordida do lobisomem é mortal para os vampiros, logo, em brigas os vampiros tomam muito cuidado para não serem mordidos. Pior que a morte certeira é a agonia que tortura o corpo antes dela. O pescoço de Klaus sangrava, o lobo preto ao seu lado. Phoebe chorando à distância fazendo menção de caminhar até Klaus. Norton, o lobo gigante e preto caminhou para um arbusto e se transformou de volta. Klaus não entendeu como ele fez para dar a volta tão rápido. Margot. Foi seu único pensamento em meio aos urros que saiam de sua boca.
- Você já era, Klaus. Margot está a caminho. Quando ela chegar seu sangue ainda estará fresco para o Ritual.
Norton estava esperando. Seu desejo: A morte de Klaus. Phoebe temia que seu desejo se realizasse. Em um súbito segundo Klaus parou de respirar. Estirado no chão, de braços abertos e os olhos fitando o céu estrelado. Sem vida. O pescoço com a marca profunda dos dentes. O sangue por todo o lado. Para Phoebe seu amor, seu Demônio estava morto. Para Norton, seu maior inimigo fora derrotado.

***

O que não estavam esperando, definitivamente, era uma respiração aguda de Klaus tão súbita quanto o instante em que a vida deixara seu corpo. Seus olhos antes vermelhos pelo sangue recém-sugado, agora eram amarelos , dourados como o sol, mas penetrantes como a Lua Cheia. Suas presas sempre mais acentuadas segundos antes à mordida da próxima vítima agora estavam evidentemente maiores e mais fortes. Seu pescoço curado. Jugulares mais grossas. Ele se levantou. Olhou para Norton e urrou. As garras saindo de suas mãos brancas. Os olhos de Norton tão arregalados quanto os de Phoebe. E uma única voz:
- Klaus! Você é um híbrido![1] - era a voz de Margot.




[1] Mais uma vez a série The Vampire Diaries e The Originals de Julie Plec baseada na série de livros e L.J. Smith teve parte nesse conto. Não sei dizer se a criatura ‘’híbrido’’ já havia sido mencionada em outra história antes, porém, a mistura vampiro e lobisomem que usei aqui foi baseada na criatura de The Vampire Diaries Klaus Mikaelson. 







* Para quem não sabe híbridos são seres sobrenaturais com duas naturezas. Em geral, vampiro e lobisomem. Na maioria das vezes, a pessoa nasce de um jeito e é necessário que sua outra natureza seja ativada. Nesse caso, Klaus precisou ser mordido por um lobisomem para que sua natureza de lobo pudesse ser chamada. 

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