Klaus - Parte IV

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- Isso não é possível! - disse uma voz feminina que não pertencia a Phoebe. Margot caminhou alguns passos para frente, as mãos tremendo, mas ela se manteve firme. - Saia da frente, lobo. - disse para Norton que estava tão assustado quanto ela. - Preciso ver isso de perto. - Com os olhos arregalados e a mão estendida ela caminhou devagar até Klaus como quando tememos a mordida de um cão, porém, a beleza dele é chamativa demais, logo, nos aproximamos devagar para mostrar que ele não precisa temer nada.
Não era o caso de Klaus, é claro. Ele nunca temera nada na vida e não seria uma feiticeira a primeira a causar-lhe medo. Sabendo disso quando Margot aproximou-se o suficiente Klaus rosnou ainda mais alto e ela recuou. Olhou bem em seus olhos azuis e disse:
- Acho que por essa nem você esperava, Margot. Vou acabar com sua matilha de cães sarnentos e depois farei com você o que fiz com sua família. - e terminando essa frase Klaus fez uma investida. Saltou em direção à Margot, mas a bruxa foi mais rápida. Desviou rapidamente, mas não antes de erguer a mão direita e murmurar algo em latim. Um feitiço. E Klaus caiu para o lado.
Não foi forte o bastante para faze-lo permanecer no chão, mas foi o suficiente para Margot se esconder atrás de Norton.
- Acabe com ele, lobo.
- Como espera que eu acabe com um híbrido? - Norton estava claramente assustado. Toda a pose de durão que fizera há alguns minutos pareceu desaparecer diante de Klaus, um hibrido e o primeiro que ele vira na vida.
- Você tem um exército de lobisomens, Norton. Use-o.
- Esse exército de cães não será o suficiente, Margot. Acredite. - disse Klaus, calmo.
- Você não é o primeiro híbrido da história, Klaus. - ela retorquiu.
- Mas com certeza sou o melhor. - em seguida Klaus partiu para cima do lobo mais próximo. O lobisomem não teve nem chance de pensar no que fazer. Em segundos, seu pescoço estava sangrando consideravelmente. Ele urrava de dor, mas Klaus foi misericordioso e quebrou o pescoço do lobisomem. Limpou a boca com as costas da mão e olhou para o seguinte. Dois lobisomens se prontificaram a ataca-lo. Klaus sorriu.
Margot estava se preparando para correr. Mas Klaus percebeu seus movimentos ínfimos e desviou a atenção dos dois lobisomens. Com sua velocidade de vampiro ele seria rápido, mas o poder de ser um híbrido era muito maior e ele tirou proveito disso. Em instantes estava bem na frente de Margot. A mulher, uma poderosa feiticeira que nada temia nem nunca temeu, estava aterrorizada.
- O que vai fazer, Klaus?
- O que acha que vou fazer, Margot? Você tem feito da minha vida um inferno e agora se alia aos lobos para me destruir? O mínimo que posso fazer por você é dar-lhe uma morte rápida.
- Você não entende mesmo, não é?
- O que tem para entender? Você me odeia, eu te odeio. Eu matei sua família, você me perseguiu desde então. Mas está na hora de colocar um fim nisso.
- Você não entende que eu sempre te amei?!
***

Phoebe ficou enfurecida ao ouvir aquela declaração de Margot. Queria sair daquele arbusto e bater na feiticeira, porém, ela era apenas uma humana e sabia que os poderes de Margot precisavam ser levados em consideração. Phoebe socou o chão. Limpou-se como pode na água do lago, mas era noite e ela pouco enxergava. Socou o chão de novo.
- Droga! Droga, droga e droga! - disse, baixinho. Estava realmente com raiva, e quase gritou que Klaus era dela e não de Margot.
No entanto, o que foi baixo para Margot era alto suficiente para os lobos. E eles ouviram. E como.
Em instantes Norton estava ao lado de Phoebe. Olhando de cima. Sorrindo. Ela fez menção de correr. Afinal era o que Klaus lhe mandara fazer, mas ela não conseguiu, é claro. Nem que tivesse alguma vantagem, Norton era um lobisomem. Um lobisomem forte e poderoso. E um lobisomem que estava bem ao lado dela.
- Olha só o que eu achei. Esse bichinho estava escondido naquele arbusto!
- Me solta, seu cachorro pulguento! - disse Phoebe tentando sair do abraço rude de Norton.
- Parece que essa aqui passa tempo demais com o Klaus, Margot. - disse Norton depois de ouvir o xingamento normalmente usado por Klaus.
- Ora, ora, ora! - disse Margot, quando ouviu o Norton dissera e virou-se para ver Phoebe. - Finalmente posso conhecer você, minha jovem.
- Queria me conhecer? - perguntou Phoebe um pouco surpresa.
- Mas é claro! É uma honra poder estar na presença daquela que conseguiu fazer esse aqui - apontou para Klaus - mostrar algo que até então eu achei que não existia nele: o coração. - Ela cruzou as mãos e caminhou na direção de Phoebe.
Klaus colocou a mão no ombro de Margot tentando faze-la parar de andar, mas na mesma hora Margot levantou a mão e Norton soube o que ela quis dizer. O homem apertou os ombros de Phoebe que gritou de dor e Klaus entendeu o recado. Soltou Margot.
- Acalme-se, criança. Não vou matar você. Não agora, é claro. - Margot riu. - Está um pouco suja, não? Fez isso para disfarçar o cheiro na presença dos lobos?
 Phoebe apenas meneou a cabeça. Estava massageando um dos ombros.
- Muito inteligente, mas não foi o bastante. Como eles te descobriram?
- Eu a ouvi, Margot. Ela murmurou algo. Bem baixo, mas eu pude ouvir. - disse Norton, rapidamente.
- Ah, sim. Entendo. Ficou com raiva de alguma coisa, eu suponho?
- Ora, sua bruxa! Fica longe do Klaus! - esbravejou Phoebe. A dor em seu ombro era grande, Norton poderia tê-lo quebrado, mas a raiva pulsante em seu peito era maior.
- Mas é claro. O ciúme.
- Deixa-a em paz, bruxa! - Klaus aproximou-se.
- Calma, Klaus. Ela não é minha prioridade, você sabe. Mas podemos negociar.
- Diga-me o que quer.
- Tudo bem. - ela descruzou os braços e colocou as mãos na cintura. Olhou para Phoebe e depois para Klaus.
- Klaus! Não faça nenhuma loucura, eu lhe imploro.
- Nada de loucura, criança. Na verdade, o acordo é bem simples. - a mulher sorriu ainda mais. Aqueles sorrisos maldosos que os vilões costumam usar nos filmes.
- Klaus. Você vem conosco e a garota vive. É com você. - Margot cruzou os braços novamente e continuou sorrindo para ele.
Nesse momento Phoebe se descontrolou. Estava enfurecida, mas ao mesmo tempo seu corpo estava cheio de adrenalina. O medo de perder Klaus para sempre era grande demais. Deu um soco no rosto de Norton que desprevenido sentiu o punho dela e a soltou. Phoebe partiu para cima de Margot, mas a bruxa era esperta e rápida, desviou-se com elegância. Klaus bateu em uns dois lobisomens que estavam perto dele e correu para Phoebe. A abraçou e a levou para a árvore mais próxima. Em seguida, a acalmou. Disse algo baixinho no ouvido dela e então...
Seus dentes largos e grandes ele cravou no pescoço dela. Ela gritou, mas logo o som foi abafado pelos gritos de Margot que dizia "não e não", no entanto, ela foi mantida em seu lugar por Norton. Uma das mãos no pescoço de Klaus e a outra na cintura, ambas o arranhando com força, Phoebe estava sendo atacada pelo Demônio. O sangue escorria em seu pescoço. Ela se deleitava com a sensação já experimentada tantas vezes, porém, ela sabia que ele não iria parar até o momento que uma única gota de sangue restasse em seu corpo. Dessa forma ela morreria e poderia retornar como vampira.

Klaus olhava para todos a sua volta com seus olhos amarelos e brilhantes. Quando terminou de beber o sangue de sua amada a colocou gentilmente no chão. Sem que ninguém notasse colocou um tubo negro no bolso da calça de Phoebe. Cruzou os braços da moça na barriga dela. Ajeitou o cabelo e beijou sua testa.
Virou-se para a matilha e para a feiticeira.
- Vamos.
Margot sorriu e pegou na mão de Klaus. Norton de princípio não entendeu o que vira. Se Klaus a amava tanto por que a matou?
Naquele momento Klaus fez o que nunca pensou que faria: deu a sua vida pela vida de outra pessoa. Naquele momento, também, ele abandonou sua amada e foi embora com os lobisomens e com a bruxa mais poderosa que conhecera. Ele sabia o que lhe aguardava. Uma morte cruel e dolorosa.
Mas ele salvara Phoebe, certo? Logo, sua consciência estava em paz.




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