Nobody wins

De repente todas as decisões passadas não fazem sentido.
Todas as ações são socos no estômago.
Todas as atitudes são facadas no peito.
Todos os passos foram em direção ao escuro.

De repente tudo o que você fez está jogado no mais fundo abismo, um breu de solidão faz parte da sua visão. Nada faz sentido, pois você está perdido. Hoje. Amanhã. Bastou uma descoberta e seu mundo caiu. As migalhas que recebeu de si mesmo hoje alimentam sua casca morta. Seus planos foram esmagados pelo futuro, pela vida, pelos próprios planos. Você fez sua cama e apesar de não querer deitar nela é obrigado a fazer isso, no entanto, você não se levanta no dia seguinte. Fica ali. Caído, em uma posição fetal ridícula pedindo aos céus uma solução. 

De repente todas as decisões são socos no rosto.
Todas as atitudes são facadas na barriga.
Todos os passos foram em direção ao grande nada.

As coisas simplesmente não fazem sentido. Você não faz sentido. Não há perspectivas ou razão. Mais vale morrer e aguardar a próxima encarnação. A dor que sente agora não é nada comparada àquela que será obrigado a passar quando seus sonhos forem definitivamente estraçalhados. Dizem que o ser humano é movido por metas, mas o que move o homem é a angústia. Metas não tiram do sofá. Aquela agulha no seu olho, aquela dor singular no peito, a mente prestes a explodir. O estresse de pensar demais e não achar saída. Isso é o que te faz levantar.


E cair em seguida, é claro. Ninguém é tão forte que seja capaz de suportar o tiro da vida na própria cabeça. Em algum momento todos caem. Todos são forçados a ficarem no chão. E é nesse momento que a vida olha pra você e diz: eu venci. 


Nós não vencemos. A vida sempre ganha. Os outros sempre são os outros.
Melhores.