Sobre Camões




A dor é água que cai sem se ver
é aflição que chega, mas nunca vai
é uma agonia que entra e não sai
é um machucado que se pode ler.


É querer correr e não poder andar
é uma caminhada solitária entre o eu
é nunca estar bem de fato para continuar
é a angústia do que nunca foi meu


É tentar fugir mas continuar preso
na própria mente que lhe atormenta
é a dor que desatina em excesso
no corpo cansado, mas que não acalenta


"Mas como causar pode seu favor"
na vida ferida chegar e que faz sofrer
se tão contrária é a si mesma a dor de viver?


















Paráfrase que fiz sobre o poema de Camões. Esse é um poema sobre a depressão, sobre dor e sobre luta.

Decadence

Costumávamos ser um quadro muito bonito. Ainda somos, mas agora manchados. É como o vidro que quebra. Você pode conserta-lo, mas ele sempre apresentará as rachaduras. Elas são impossíveis de serem apagadas. Assim como o quadro. A beleza dele continua, mas há uma marca que bloqueia todo o resto. É impossível não prestar atenção à mancha, pois ela evidencia a decadência.

***
















Um dia..termino esse texto... Ou não

...

" A dor precisa ser sentida. "

- O que você tem?
- Dor.
- Tomou algum remédio?
- Acho que não inventaram remédio para esse tipo de dor.
- Explica.
- Não sei explicar.
- Tenta.
- Não dá. Uma tristeza sem motivo, um desânimo contínuo, um aborrecimento desatino, uma dor eterna.
- Entendi.
- Não, você não entendeu. Ninguém entende. A depressão é uma língua compreensível apenas para aqueles que a sentem. Impossível de traduzir...

(...)

- E o que vai fazer a respeito?
- Não há algo a se fazer.
- Sempre há algo a se fazer.
- Se houvesse... Todos nós teríamos tentado, mas aparentemente a única solução é a mais cruel e inaceitável para a sociedade.
- Sim. Não escolha essa solução.
- Eu a escolho todos os dias, mas volto atrás quando coloco a cabeça no travesseiro.
- E o que vai fazer agora?
- O que sempre fazemos. Colocamos um sorriso no rosto e dizemos: bem obrigada, e você?
- Vou bem também. Aliás, ótimo.
- Que bom, fico feliz.
- Que bom que está melhor.
- Sim. Estou...

(...)

- Você já tentou explicar para alguém o que sente?
- Claro
- E?
- E nada. Cada ser humano sente as coisas de uma forma, e por mais que escolhamos as palavras certas traduzir sentimentos é coisa de poeta, e nem sempre eles são bem sucedidos na profissão.
- Ninguém foi capaz de lhe entender?
- Não. Sou uma pessoa horrível, complicada e ... não quero mais julgamentos.
- Entendi.
- De novo. Não entendeu.

(...)

Love song

" I love you like a love song, baby "



Todo ser humano é passível de engano. Portanto, eu, ainda que na categoria dos demônios errantes da Terra, enganei-me certa vez ao pensar ter encontrado um anjo que fosse capaz de amar um ser da Trevas. Enganei-me ao crer, erroneamente, que esse anjo fosse detentor da capacidade de perdoar. Mesmo que fosse, o ato foi tardio.

Uma vez que me  vi livre das amarras e correntes que esse anjo uma vez me pusera  encontrei -me temerosa em permitir que, novamente, um ser dos Céus e de Luz entrasse e minha vida. No entanto, "we were born to die" e pareceu-me sensato dar uma nova chance, a um novo anjo, o mais brilhante de todos. Pois esse era O anjo, e mesmo assim abandonou sua parte demônio, logo, me compreendia, me acolheu, me amou. Com verdade, e com o verdadeiro amor ainda que esse sentimento seja questionável quando se tratando de seres das Trevas como eu.

De Trevas e Luz nós éramos feitos, e essa mistura perfeita foi o que nos permitiu seguir juntos.
Como a mixagem do som que antes era incompreensível, uma vez ao nosso redor tornou-se a mais bela canção. Com vozes grossas a nos receber no Grande Salão da Vida, e outras tantas guturais para nos dizer adeus. Combinamos a nosso modo. Ao nosso jeito. O que de Escuridão lhe faltava eu pude preencher, e você com toda sua luminosidade pode tornar-me cheia de Luz.