Utopia



"Minha felicidade não é difícil de ser definida. Ela é facilmente encontrada. Previsivelmente comum de ser descrita.

Ela mora em pequenos objetos que se assemelham a cilindros ou bolas achatadas com um pequeno risco no meio. 

Ela costuma vir em frascos pequenos e pode ser comparada à história dos perfumes: os melhores vêm em frascos pequeninos. E de fato, minha felicidade costuma ser mais quando ela vem em potes menores. 

É um fato triste, se quer saber. 

Claro que esse tipo de felicidade temporária, de fato, não é minha única fonte de alegria, no entanto, é eficaz e causa-me certo desconforto saber que necessito e talvez necessitarei da mesma até o findar de minha simplória vida, mas sim, há outras. 

Um sorriso. Um abraço. Um beijo depois de uma piada que é contada após comentários breves de minha mente desocupada demais para pensar algo útil a maior parte do tempo.

Todavia, nem mesmo essas outras fontes de felicidade que habitam nesse ser glorioso que ouso chamar de Anjo, apesar de não crer no divino, são capazes de manter-me sã e de fato alegre o tempo todo. Infelizmente, a tristeza e a angústia e pior, os questionamentos que imponho a mim mesma perturbam-me ainda quando estou na presença do Anjo.

Esse é um fato tão triste quanto depender dos pequenos objetos que carregam felicidade... O pensamento obscuro que paira em minha cabeça ainda quando me encontro ao lado daquele que me faz sorrir. 

Tento consolar-me através do pensamento de que nada tem a ver com o belo ser, afinal, nada tem mesmo a ver com ele, mas pesa-me a mente pensar que nem sempre sou capaz de seguir de fato bem ao lado dele, em especial, quando o Anjo se esforça tanto para ver-me bem.

Conforto-me também através do pensamento de que um dia, talvez...quem sabe, as lágrimas farão parte da minha vida com menos frequência e que não mais serei um fardo na vida daqueles que me rodeiam e convivem comigo. Porém, é um pensamento que não domina minha mente fraca, pois sei que é uma simplória utopia. 

E é apenas isso. Uma utopia. "

- Harriet A. Croft

Nômade

Sou nômade de minhas vidas passadas que passaram nestes lugares repletos de histórias.

Um Sebo aqui

Uma livraria lá

Uma ou duas bibliotecas acolá

***

Quando entro em tais estabelecimentos sinto uma paz profunda inexplicável. O cheiro nostálgico, mas não antigo em minha vida e sim na dos outros causa-me um efeito que, tentando ser uma domadora de palavras, não consigo encontrar as mesmas para descreve-lo.  

São como minhas igrejas, dispostas para darem-me paz em qualquer canto do mundo. Em silêncio, caminho na direção do próximo objeto que não ouso chamar de consumo, mas de alívio.

Sou uma nômade. Ando nesta vida sem morada certa, pois meu lar são vários lugares. E neles moram várias pessoas, várias histórias que não resisto à olhada. Sou nômade. De vidas e de lugares, de encantos e contos. O que meus olhos veem, meu coração guarda e minha mente me ajuda a jamais esquecer. 

Cada respiração de meu simplório ser se enaltece diante de tais objetos mágicos, feitos pelas mãos do homem, de pessoas... de almas talvez tão sem vida quanto eu, mas que em determinado momento de catárase em sua caminhada rumo ao desconhecido ,conhecido como morte conseguiram, o que até o momento eu fui incapaz... Escrever.

Mas sendo nômade não tenho prazo. E um dia ei de entrar nas igrejas e encontrar meu próprio alívio.