30 de dezembro de 2017

Análogo

É um caminhar solitário. Todos os dias quando abro os olhos e fito a claridade que o sol dispõe sob  minha janela que dormiu aberta. E então, em um esforço desnecessário, mas rotineiro consigo forçar meu corpo a sair desse objeto que tanto amo,  mas não devido àquele sentimento que muitos jovens ousam "sentir" ... prostração.

Sinto um pulsar mais forte em meu peito, mas sei que não é o órgão responsável por enviar fluídos pútridos ao restante de meu envoltório sem valor. Logo, penso. Chegou a hora? Já estava demorando demais, no entanto, a dor que senti abaixo dessa "tosca caixa toráxica" cessa. E então lamento, pois será mais um dia, uma semana, um mês que terei de encontrar formas de colocar nesse rosto manchado de agonias passadas, cansado de rituais frívolos, e desmerecedor de tantos olhares fingidos... uma expressão amábile.

Cansei de tentar justificar, explicar aos desprovidos da capacidade de entendimento de tal desgosto o que se passar nesse meu cérebro danificado. Deteriorado ele está, assim como meu espírito... se é que tenho um. Afinal, demônios choram. 

Encontro acalento em poucas coisas. Alguns pedaços de papel dispostos juntos, formando um retângulo perfeito, neles há vários vocábulos que são aptos a me levarem para um universo diferenciado desse ao qual somos obrigados a viver. Minha mente se desprende de meus putrefatos e sem significado restos mortais e vaga por esses inúmeros mundos. 

Jamais idônea. Jamais suficiente. Nunca diferente. 

O análogo cansa. 

E eu sigo cansada. 






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25 de dezembro de 2017

Odin

Ethan caminhava solitário pelas ruas da iluminada Nova York naquela simplória quarta-feira de março.
Suas costas largas pareciam querer rasgar a camiseta de linho vermelha que trajava, e seus cabelos loiros formavam uma trança a partir do topo da cabeça até abaixo dos ombros. O vento batia em seu rosto e fazia com que alguns poucos fios soltos na frente se tremelezissem diante das numerosas luzes da cidade que jamais dormia.
Com as mãos no bolso, sentiu em um deles o celular vibrar. Temeu ser quem não devia, portanto, não se importou em atender ou chegar recados. A noite estava perto de se tornar madrugada e poucas pessoas ainda se encontravam na rua. Ethan precisava chegar em casa, mas ainda faltavam pelo menos duas quadras. A Times Square pareceu um bom lugar para passar a noite, visto que ele evitaria um de seus colegas de apartamento que nos últimos dias só fez falar em sua cabeça acerca de suas compras, vendas e consumo "nem tão legais" assim.
Mas naquela noite Ethan não poderia dormir fora de casa. Não era uma simples quarta-feira de março. Era a quarta-feia, noite de Lua Vermelha. E antes que suponha qualquer coisa Ethan não se transformaria em um lobo sanguinário disposto a matar tudo e todos, um lobisomem. O problema de Ethan era levemente pior. Pois ele não dependeria de lua alguma para enfrentar o que temia: seu antigo mestre na arte da magia negra.
Finalmente estava em casa e ao colocar a chave na fechadura da porta sentiu algo que não sentia há anos. Uma presença. Algo sombrio. Não soube dizer o que era. Não seria capaz de descrever a presença que sentira ao colocar a mão na maçaneta. Paul estava em casa, pelo menos era o que havia lhe dito algumas horas mais cedo, no entanto, ao adentrar na casa Ethan teve a certeza de que apesar de não estar sozinho não era com Paul que ele estava.
- Mostre-se. - disse Ethan com um tom de voz ameno, mas firme. Após acender as luzes da sala de estar. Todavia, ele não obteve resposta nenhuma. - MOSTRE-SE!
Ethan sabia que algo estava na casa. Uma presença maligna. Ele sabia disso, mas não sabia como enxergar, nem como fazer seja lá o que for que estava na casa aparecer. Até que...
- Ethan. - uma voz de tom muito grave surgiu dos fundos da casa, de onde não havia luz alguma. Ethan virou-se de súbito para a direção de onde o som provinha. - Ethan! - a voz pareceu chamar por Ethan novamente, mas com mais força e querendo que Ethan olhasse para ela, mas como ele enxergaria algo naquele breu?
- Quem é você? Mostre-se! - ordenou Ethan dando alguns passos à frente, mas sem adentrar na escuridão de sua própria casa.
- Você foi convocado, Ethan Crawford. E você deve aceitar a missão.
- Como eu posso aceitar uma missão que nem sei o que devo fazer?
- É seu destino.
- Cara, estou falando com uma voz invísivel, não foi aceitar porra nenhuma! - exclamou Ethan já perdendo a paciência.
- Ethan Crawford, sua missão consiste em tirar a vida de um ser em especial.
Ethan não estava entendendo nada, e mesmo sem arma ou poder algum decidiu se aproximar de onde a voz parecia surgir. Seu quarto.
- Então quer que eu me torne um assassino?
- Não finja ser o que não é, já tirou vidas antes. - disse a voz com um tom sarcástico.
- Isso foi diferente. - disse Ethan virando-se na direção oposto à voz.
- Você deve aceitar a missão.
- Mas que missão é essa? - esbravejou Ethan, uma vez que ficou irritado com a voz.
- Você precisa derrotar uma grande entidade chamada Skuld. Ela é uma antiga descentende da primeira Valkíquira Brünhild e nos últimos dias se mostrou uma ameça para todos.
- Que tipo de ameaça?
- Isso não é de seu interesse, Ethan. Apenas aceite a missão e não sofrerá mal algum.
- Por que eu?
- Você, Ethan Crawford, é um semideus. Você é filho do grande deus Odin.














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5 de dezembro de 2017

Sub

Eu estava parada no metrô, caminhava lento. Os trilhos sujos e marcados pelo tempo. A passarela cheia de marcas, de passadas de pessoas passadas. O relógio marcava três da tarde. Meu coração marcava saudade.

Entrei. Sentei. Os minutos passaram. Cheguei em casa horas depois.

Conversamos. Sorrimos.
Falamos. Felizes parecíamos. Somos?

Sua risada me contagiou.
E então, antes de cair sob a água morna do chuveiro, saímos.
Mas na volta a natureza cedeu e as nuvens despencaram. A água fria nos banhou.

Mas pelo demônio fui carregada. E enquanto ele corria eu via... a água que caía. 
E aquele momento foi eternizado em minha solene memória.
Como as marcas que me deixa não de forma nem tão simplória.
Foi um átimo de segundo, o bastante para aquecer meu espírito.
A dor que me aflige todos os dias é dissipada por sua máquina.
No colo do demônio desejei adormecer.
Todavia, cabia somente a ele querer.

E eu carrego a sina de amar o nostálgico, de ceder aos possíveis "e se", e de chorar à noite por aqueles que nem estão aqui. Sob um manto sépia meus olhos marejados pela sua dor e agora pelo meu mais puro amor, eu desfaleco diante da verdade. Agradeço cada verbo, mas não fui capaz de despertar a saudade. 

Foi apenas um dia. Algo ( você ) que jamais me cansa. Apenas uma lembrança. 




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19 de novembro de 2017

Alheamento

"Somos sempre demais, mas nunca o bastante"

" I was used
maybe abused
and the worse
I was lucid
I knew it
I knew it "



Você mentiu.
Você sentiu.
Eu acreditei.
Eu falhei.

"No alheamento da obscura forma humana"

o ígneo respirar de meus pulmões cansados
tentam lhe entregar um último suspiro atarracado
mas falho como todo o resto, como meu corpo agregado

você foi meu sonho mais abstruso
por você me aceitei recluso
mas sendo sempre sem ser o bastante
eu cinquei na missão do encante

"  Quisesteme beijar a ara do peito
E eu quis beijar-te o lábio redolente"

te recebi e guardei em meu sacrário simplório
removi meu sandal desprovido de luminosidade
lhe entreguei o miocárdio que nunca existiu
mas você já havia pegado tudo o que queira
pelos motivos pelos quais (me) embaiu

Arrepelei-me por seus motivos
Aos prantos cheguei a ficar
mas hoje sei o problema era não poder entrar
nunca foi você como me asseverou
o problema é ser o que sou









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1 de outubro de 2017

Sehnsucht

enquanto dormia eu lhe observava
e ouvia, em silêncio, sua respiração
e por um momento quis chorar
pensando nas dores de seu "coração"

mas então lembrei-me de mais cedo
que eu antes precisava de acalento
mas enquanto você sorria e falava
com sua presença
o meu espírito finalmente se cala

[ele se aquece com seu corpo
e então eu quero te ver sorrir]

como o piano que se embala sozinho, pois no fim
os dedos do singelo do pianista  lhe fazem sentir
a melodia que durante a vida toda lhe foi negada
e então noto que não sou piano,
mas uma música inacabada

ela não pode ser finalizada
pois ela se refaz a cada novo dia
que passo ao seu lado, parece magia

"espalho balas de canhão, é inútil, pois existe um grão vizir"


eu não preciso de esforço
basta-me uma palavra sua
e regenero a energia que assim atua
nesse flagelo de corpo estralhado e sem motivo
arrastado e ignorado, mas que eu insisto

[o que Odin criou ao redor de sua aura
desconheço
o deus nórdico lhe enviou a mim
e agora mesmo que ficais longe
mesmo que se manteis distante]

o que você tocou foi minha alma
e apesar de não saber qual sua missão
compreendo o que pôde fazer
por esse ser impassível de compreensão

o que antes era deteriorado
hoje restaurado
minha alma negra que nada conduz
agora é passível de absorsorção da luz

nossas energias foram traçadas em outras vidas
e ainda se encontrarão por outras idas e vindas

e se eu puder ver um sorriso em seu belo rosto
mesmo que eu não desfrute de seu majestoso corpo
ou que eu não possa estar na sua não divina,
mas semideusa presença
mesmo que eu não possa lhe ouvir
ou palavras de carinho a você proferir
estareis feliz, pois tive ao meu lado o Demônio Anjo
e assim finalizo enfim esse simples arranjo










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25 de setembro de 2017

King in the Hell

Eu fico ouvindo o piano e me imagino tocando
você está sentado ao meu lado,  observando

movo meu pescoço conforme a melodia
e você sorri, pois nota minha paixão

mas mal sabe você que toco para ti
por quem bate meu simplório coração

***
Eu vi o pai de todos os demônios
e eu adormeci ao seu lado
tive os melhores sonhos
e cheguei a crer, por acaso
na verdade, eu cheguei a me imaginar
indo ao seu encontro
correndo pra te abraçar

Nunca haveria eu de imaginar
que demônios poderiam amar
- e de fato não podem -


[Cicatrizes na pele podem se curar
mas as deixadas na alma
parecem jamais sarar]


Acontece que eu não aguento mais esses acontecimentos
a cada dia que passa são novos sofrimentos
cada decisão tem uma consequência
mas parece que minha vida é regada a falência

Nem os Anjos caídos conseguem me reerguer
a cada nova queda 
estou mais ao fundo do antes poderia crer

O Rei dos Infernos cantou-me uma canção
sussurrou em meu ouvido 
as mais doces palavras
e acariciou meu cabelo
com suas mãos marcadas

[Mas quando eu lhe disse a verdade
ele sorriu
e partiu]






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18 de setembro de 2017

Meu LIVRO - Confissões de um Suicida


O Confissões de um Suicida é formado por vários poemas separados em 4 partes, ou fases. Cada uma delas pode ser entendida como uma fase de minha simplória vida. Se já leu Augusto dos Anjos a segunda fase pode lhe soar familiar, afinal poemas soturnos e por vezes com vocabulário pútrido, mas não consegui evitar. Nem mesmo para falar de amor. A última fase, Vida Após a Morte é talvez a única com caráter mais jovial e alegre.

São 28 poemas em 64 páginas, todos muito significativos para mim, e apesar de ter esquecido de colocar alguns - que estão sendo dispostos no segundo livro - , cada um deles mostra uma parte de minha alma, se é que tenho uma.




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13 de setembro de 2017

Sobre a escrita

Eu vivo fazendo empréstimos.

Sempre que começo uma nova leitura pego os olhos do autor emprestado e sua voz também. É através dele que me refaço naquele novo amotoado de papel. Reservados para os olhos não cansados, os livros me fazem seguir de uma forma que a maioria das pessoas não consegue. Cada palavra que adentra meu cerébro constrói aqui dentro uma infinidade de histórias, no entanto, não sendo merecedora da dádiva que tais autores possuem, eu falho em colocá-las em um pedaço de papel qualquer. Pelo menos, à primeira vista.

Depois de algum tempo, as palavras parecem se reogarnizar de forma solitária e íngreme na minha cabeça que matuta coisas sem sentido o tempo todo. E então, sem nem ao menos perceber estou rabiscando em um dos meus vários caderninhos algo. Algo que, a príncipio, pode não fazer sentido para você. Ou para mim. Mas, uma vez que tenho lapidado o texto noto que, de fato, posso fazer alguma mágica com as palavras.

Todavia, o maior feitio mágico que sou capaz de contar através de escritos malfeitos é exatamente o que acontece comigo mesma. Ao transpassar para papeis manchados de lágrimas que não foram derramas por meus olhos cansados da vida, marejados da dor que escondo todos os dias... É ali que a magia acontece, pois nesse ato transpasso não apenas ideias e palavras, mas toda a angústia que se havia formado em meu âmago. E então, como alguém que ficou em baixo d'gua por tempo demasiado, eu respiro. 

E então, fito meu reflexo distorcido no espelho sujo. Não me reconheço, porém, vejo além. Vejo escritos se formando acima de minha cabeça. Como uma aureola de palavras. Elas são negras, obviamente. E concluo que posso não ser um Anjo e ser um demônio, mas um demônio das palavras. 





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27 de agosto de 2017

Sobre a efemeridade, parte II

Você não permite que as pessoas se apaixonem. 

Por que está aqui? Como chegou? Por que continua?

Desconheço a razão para tanto esforço.

" A morte é fácil, díficil é viver" .

Por que me obrigam a isso? Vocês são egoístas, pois não pensam no quanto estamos doloridos, só nos querem por perto. Para suprir a falta de vocês, jamais a nossa. Estamos sofrendo. E vocês fingem que querem nos ajudar, mas não é por nós e sim porque são incapazes de seguir suas vidas sem nossa presença falha. Mas nem ao menos tentaram.

***

O vazio existencial, a dor marcial, o sofrimento interno que se debulha em meus olhos cansados e caídos. Minhas mãos teclam palavras, e com o lápis rabisco coisas sem sentido no meu diário. No final do dia, deito minha cabeça no travesseiro e fito o teto branco de meu quarto.

Um quarto manchado pelas minhas lágrimas diárias que se mantém escondidas. Um  quarto surdo dos meus gritos silenciosos a  cada madrugada.  Um quarto cego, pois furou os próprios olhos quando percebeu que seria obrigado a me ver todos os dias.

À meia-noite ainda estou cansada mesmo tendo passado o dia todo deitada, pois fui incapaz de fazer algo útil. Estou quase me fundindo à cama, levanto-me apenas para atividades básicas e para inserir mais alimento neste envoltório sem valor. Assim como meus feitos ele nada vale, e eu insisto em tentar algo novo a cada dia para oferecer a vocês mais tempo.


"A decadência é tão grande que nem mesmo naquilo que um dia, erroneamente é claro, julguei ser capaz de fazer corretamente, hoje percebo que nunca soube. Era tudo uma grande ilusão, uma insistência fútil de tentar vencer, mas tantos outros já haviam vencido, portanto, não haveria lugar para um verme miserável que acreditou ser capaz de ultrapassa-los. "

O que me consola é a efemeridade do tempo e da vida. Logo, serei apenas pó, não como aqueles que forço garganta abaixo na esperança de um sorriso mais duradouro ao longo do dia. 

***

Eu me ofereci a você, eu tentei de todas as formas possíveis ser suficiente, mas não fui. Eu nunca sou. Todos se cansam, e vão embora. Você nem ao menos chegou a ficar. Fingiu, no início, que poderia ser, mas não foi.



Alles gute zum geburtstag, Thays


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20 de agosto de 2017

Shandar

com os olhos pequeninos
e os pelos finos
apavorada estava
mas logo se acalmou
em meus braços,
ficou

[de um lado do rosto, preto
do outro branco
mas o medo estava mesclado à carência
estampado no olhar assustado]

mas uma vez que estava alimentada
limpa e calma
em meu peito se acomodou
mas não apenas ali morou
em meu coração criou raízes

seus carinhos de manhã
e também à noite
me acalmaram e me deixaram feliz
o que havia tanto pedido naquele dia
chegou à minha casa, enfim

deus não faz parte de tudo isso
mas o Universo parece agir de forma semelhante
ele me deu um presente
apenas para aprecia-lo, por algum ou quase nenhum
instante






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18 de agosto de 2017

Projeto Nacionais

Oi, povo.

Então, decidi começar esse mês um projeto de leitura de livros de autores nacionais, quero dizer, além dos que eu leio que são mais conhecidos, mas gostaria de dar visão a autores que não são tão conhecidos ou mesmo nada conhecidos como moi.

Vou começar lendo os livros de autores que conheço e tenho contato como a Jéssica Macedo, Thaís Lopes - que fez a capa do meu primeiro bebê *--- - , Thaís Silveira, enfim essas são as que eu conheço, mas só no meu facebook tem milhares de autores que sei que escrevem bem pra caramba e eu gostaria de ter mais tempo e dinheiro pra lê-los. De qualquer forma, bora começar de algum jeito, né, mores.

Deixem sugestões, se quiserem, nos comentários de autores nacionais que vocês acham que eu gostaria de ler. As resenhas vão sair no meu blog de resenhas Conversas de Leitor. 


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6 de agosto de 2017

O que

"Summertime sadness
Kiss me hard before you go"

Eu só queria que você soubesse

Que eu lhe amei mesmo sem saber o que é amor; e que você me acolheu mesmo sem saber  que me salvou;

Me desculpe por tudo lhe causei; eu simplesmente no fundo, apenas lhe amei; sem saber;  sem pedir
sem requisitar um espaço em sua vida pedi; mas preenchi;  aquele que jamais quis.


Uma vez eu jurei jamais sofrer por tal motivo; mas como podemos impedir as lágrimas de cairem; como podemos impedir o sentimento de existir; o que fazer quanto tudo o que resta é resistir? Eu sei que não é sua culpa; mas eu havia lhe pedido; eu lhe enviei o recado; e mesmo assim você; seguiu como se estivesse tudo amenizado. Cá estou; solitária, novamente; debulhando-me em lágrimas as quais; você, sozinho ou não; não merece; mas elas lhe pertencem, no entanto, não sei o que fazer com elas.

Não sei se lhe devo perdão, talvez devo
não sei se lhe devo satisfação
talvez não devo


e não encontrei outras formas de expressar essa dor senão através da escrita, então me desculpe se lhe ofendi de alguma forma, mas no final quem saiu ferido e estraçalhado fui eu.

Eu queria ser uma pedra de gelo como seu coração parece ser, mas não lhe culpo, afinal, como algo tão belo poderia se apaixonar por algo tão escuro como eu?

Meus dedos estão gelados, minhas mãos estão frias
meu corpo está paralisado
as imagens e os sons ecoam em minha mente pertubada
cada gota salgada que cai de meus esbugalhados olhos
correm pelo meu rosto deformado
afinal, como haveria algo tão magestoso se apaixonar por algo tão horrendo?

a modificação a qual nos subtmetemos de nada vale diante da perfeiçao que a sociedade apresentea a você dia após dia

Eu só lhe peço perdão

por ter permitido que tal desonra fizesse parte de sua vida, ainda que por pouco tempo

Eu não sei o que mais estou escrevendo
o que valho
afinal
por que estamos
ou estou aqui?

Um dia, quem sabe, na imperfeição da qual este magnifico universo foi feito, eu seja capaz de terminar esses versos estampados da minha dor que foram causadas pelo seu sorriso.


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14 de junho de 2017

É assim que acaba o mundo*

eu poderia admirar seu sorriso
o dia todo
sem compromisso

e tocar seu peito
beijar seu pescoço
e encostar no seu rosto
o meu

sentir seu cheiro e suas mãos
que dançam em mim
e fazem tremer o coração

me joga na cama
e tira sua roupa
não nega o fogo que lança
e assim me deixa louca

o nosso ritmo é perfeito
nossa música é um gemido
seu prazer, eu leio
e eu termino, com um suspiro



* referência ao poema de T.S. Eliot


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9 de junho de 2017

Fade Away

Como um corpo que apodrece ao entrar em contato com a água após algum tempo em baixo da terra
Como um ferro que se desfaz ao ser tocado pelo vento após algum tempo em baixo da água

" you were the shadow to my light"

Como uma lágrima que escorre no rosto soturno
Como o sangue que sai da mão que soca a parede

" I'm faded"

Todos os meus motivos são errôneos e eu não compreendo como é possível caber tanto desespero em um corpo tão pequeno. Todas as tentativas são falhas, elas já começam caindo. E meu flácido e desvanecido envoltório que pede um descanso eterno que sempre lhe é negado devido ao egoísmo alheio agora jaz nesse objeto feito de madeira, mas que me parece ser feito de prego, uma vez que minha cabeça não repousa nele.

Os outros que são apenas outros me olham, mas não enxergam. E julgam... E dizem coisas, que eu encaro com uma gargalhada, mas que dentro a alma chora e clama, mas não pode ser ouvida, visto que no inferno interior que carrego em meu peito estraçalhado som algum é permitido sair. E assim sigo nessa luta diária, comigo mesma? Não sei, porém, luto e canso, e levanto e caio, e até tento permanecer no chão, não por cansaço, mas por desistência. Eu já desisti há muito tempo, de fato.

O que faço aqui, então? O egoísmo alheio. 

A nadificação da vida faz mais sentido em minha mente desprovida da capacidade de reflexão nesse momento, estou sóbria, acredite, mas meu espírito está embebedado de uma paixão que desconheço o nome.

A cada dia que amanhece, cada luz diferenciada que adentra pela janela de meu quarto, não compreendo como estou onde estou e como cheguei a esse ponto, no entanto, após levantar-me, com esforço, chego à conclusão: "somos responsáveis por nós mesmos" dizia Sartre, e não culpo ninguém, nem deus, nem diabo, nem natureza, nem universo senão a mim mesma. Cada decisão e cada ação, e estando aqui diante deste incenso que numa tentativa falha de me trazer paz acaba por encher de cólera, digo apenas: como lidar com essa culpa? 

O tempo.

São tantos anos, mas nenhum vivido. Talvez um. 

Por que fazemos isso? 

Por que estou aqui? Assim?

A decomposição de meu pútrido corpo que jaz no quarto escuro é a resposta. Eu tentei, e no fim, eu estava certa.

Acabei como profetizei. 






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18 de maio de 2017

Ao poeta

" Somebody said you've got a new friend"


Como uma estrela cadente você caiu; eu era apenas o céu sem luz aguardando você me iluminar. E durante sua passagem, que foi lenta, eu me preenchi de energia. 
Eu tentei me vestir de anjo e tentar lhe tocar, mas quando o fiz você se afastou como se pudesse sentir minha escuridão, meu medo, minha dor. 
Eu tentei entrar em  seu mundo, mas fui expulsa como o diabo foi do céu. 
Mas não tive ao meu lado demônios. 
Estava sozinha; tentando encontrar meus motivos sempre errôneos.
Foi então que meu amigo chegou e você, de certa forma, se apaixonou. 
Não questionei, segui.
Não hesitei, parti.
Ao menos, tentei.
Mas você era a onda que me puxava da areia simplória e me arrastava e me afogava no seu próprio mar.
Assim aprendi a ressuscitar. Como todo ser das trevas eu voltava, na instintiva tentativa de adentrar, no mundo da luz. 
No seu mundo, é claro.
Mas jamais haveria de conseguir, de fato.

Ao poeta resta palavras, não amor.
Ao escritor resta papeis, não cartas.
Ao poeta não resta sorriso, só dor.
Ao escritor não resta verdade, apenas falácias.

A mim, não resta nada. 






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8 de maio de 2017

Banished

Do submundo eu vim
cheguei ao céus enfim
mas se até do inferno
me baniram
pra onde foge o demônio aflito?

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28 de abril de 2017

"The Drug in me is you"


"you don't want me, no. Like I want you. "

***

Você se lembra de como nos conhecemos? Talvez não. Você conhece muitas pessoas. Todos os dias. E possivelmente naquele dia conheceu outras tantas. Mas eu sei exatamente como aconteceu. Como meus olhos fitaram você. De longe, te vi marcado. À medida que se aproximou de minha pessoa senti meu coração disparar, de leve, a princípio até que quando estava ao meu lado, impondo sua presença forte eu tive medo que pudesse ouvi-lo. Tente sorrir de uma forma não idiota, mas é claro que foi em vão. Por sorte, você pareceu não se importar e com sua gentileza me conduziu.

Mas esse não é um texto sobre começos. E sim finais. O nosso. Que apesar de em nossa magnitude, conexão e plenitude de diálogos, nunca tivemos uma história. Um algo. Jamais haveríamos de ter, afinal. E hoje sigo bem com relação a esse triste, porém, necessário fato. Meu ''coração'' foi curado por você, no início, confesso, mas da mesma forma você o quebrou, de uma maneira diferente, porém. 

Ele segue despedaçado sem nunca ter-lhe amado.

" you're my obsession, my fetish, my religion, my confusion, my confession, the one I want tonight. "

Essa abstinência que terei de você, certamente vai passar. Todos merecemos algo, e eu mereço também. Assim como você. E agora me despeço, de tudo que poderíamos ter, de todos os sorrisos que incosciente você me tirou, digo adeus ao perfume que uma ou duas vezes me embriagou, aceno de longe para as doces palavras que me consolaram e também me fizeram refletir. Digo adeus, ao sorriso mais bonito que já vi.  Ao olhar sereno que me acalmou mesmo a quilômetros de distância, me despeço do corpo que me aproximei o suficiente para tocar, mas nunca senti, em nenhuma instância.

Então, o único que realmente conheço como Anjo, que seja leve sua vida livre deste Demônio.

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27 de março de 2017

Ligados

e através da janela
já ( vejo ) nela
o reflexo
da flor amarela

aquela flor
que me fez florescer
e crescer
viver

não há grito
há voz e um som
pelo qual vejo o dom

através do vidro
e por ele escuto
vejo
respiro

as forças me encontram
o sorriso surge na boca
durante à noite
perco-me;
sou louca

o violão possui vida
o caderno encontra a linha
Bukowski me possui
e Pessoa é o que o fui

[um dia]

dos Anjos sempre serei
mas por ele me permito ser
o diferente, o melhor
luto contra meu pior

[ tentar ]

{wundebar}

o que sei é o que há
e entendo o que me faz
não sei o que fará
fé que me dará paz

{tenho}

mas não há culpa
cobrança
os laços são maiores
inexplicáveis

só há gratidão
sem explicação

o álcool percorre o sangue
e encontra, talvez,
uma razão

[mas não sei dizer]

o espaço que há entre nós
não é o suficiente
para desfazer nossos nós

que foram moldados há anos
há anos

mas nós nunca ficamos sabendo
nunca tivemos consciência
até agora
é claro

e agora, portanto
há nós de manter
o legado

para sempre
ligados

e por isso

Obrigado

*For a Special Friend
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23 de março de 2017

Non Haikai

com o café
te aguardo
mas com amor
te espero no quarto

do vinho suave
bebo
mas com a paixão
voraz
me deleito

you clear my way
and to be yours
i pray
you make me go
on fire
your body mixed
to mined
that's my deepest
desire
listen to the god's
devise
you and I
shall be eternized

22.03.17

in some English Class
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21 de março de 2017

Adoçante

ela tem os olhos da cigana oblíqua, citada por Machado, 
 mas o que ela tem mesmo é um coração fechado.
 Os olhos são a porta de sua alma, pena que ela não tem uma, 
pois há muito foi levada. 
Seus olhos negros escondem muita dor,  
mas o que ela quer mesmo é dar e receber amor.

através de seu sorriso ela esconde muita coisa
mas o que poucos sabem é que ela não tem escolha
quem a vê sempre feliz
mal sabe que a felicidade não a quis
mesmo depois de implorar, suplicar
a alegria a deixou, abandonou, deixou-a se matar

mas continuou viva, continuou respirando
pelos outros
continuou amando

se amava a vida ou a sorte de estar ali
não sabemos dizer
nem ela
nem você

ela possuía os olhos de ressaca, citada por Machado,
porém, não entendia como algo podia ter acabado
sem nem mesmo ter começado
o amor que um  dia possuíra
hoje transforma-se em grande ira
mas para si guarda
dentro dela a dor cala

***

a dor cala
na calada dor
há amor
cala o amor
o amor cala
cálice, amor
no cálice h(á)mor
calice, dor
ameniza
a dor
o amor
adoça
a dor do amar
o que ama
amar
e ser amado
o amor
dói
e faz doer
adoça
a dor
que dói
no amor



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30 de janeiro de 2017

O último poema de amor



Eu sou a adaga que transpassa minha mão
eu sou o monstro que não possui coração
aquele início da dor do corte no pulso
eu sou o martírio de todo não justo

***

Você era a luz que quebrou o silêncio da minha escuridão
você era o sim para todo e qualquer não
o redentor dos meus mais vis pecados
a esperança quando todo o resto estava acabado

no fundo da cova , sozinho, me contorço
sinto cada ferroada no meu dorso
mas a agonia pode sempre piorar
quando vejo que ao meu lado não mais está

de todas as lutas que travei desde meu não vangloriado nascimento
de todas as vezes que desejei um beijo da Senhora Morte
cada respiração se torna mais difícil diante de tal discernimento
uma vez que o Anjo me abandou à minha própria sorte

e sorte não existente, visto que ando sobre pregos
visto que minhas lágrimas queimam meu rosto, incerto
eu não pedi muita coisa, mas aos monstros tudo é negado

quem disse que demônios não amam?
se até o Diabo podia sentir
quem sou para contra a ti resistir?

mas resisto, agora, abandonado e esquecido
fui forçado a isso

"imagina que seu sorriso jamais se acabou"

mas sim, foi-se embora, o sorriso que me iluminava
a gargalhada que me animava
o toque que me aquecia
o beijo que me enlouquecia

de nada me vale a vida se não há pelo que viver
portanto, na plenitude de meu deteriorado ser
findo essa existência sem nexo
coloco fim ao sofrimento eterno




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16 de janeiro de 2017

A vida é mais que um amor perdido

" De que me vale a eternidade
Se a passarei
Para sempre com saudade?

De que me vale a boca
Se não posso lhe beijar
Nem contigo mais falar

De que me valem as mãos
se não posso lhe tocar
como quer o coração?

E de que me vale a vida
se perdi
pelo que valeria viver "

                    - Harriet A. Croft
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Evoluir dói

não sei ao certo como começar esse texto. espero que um dia acorde como eu. é doloroso, parece que seus olhos vão se afogar nas próprias lá...