Projeto Nacionais

Oi, povo.

Então, decidi começar esse mês um projeto de leitura de livros de autores nacionais, quero dizer, além dos que eu leio que são mais conhecidos, mas gostaria de dar visão a autores que não são tão conhecidos ou mesmo nada conhecidos como moi.

Vou começar lendo os livros de autores que conheço e tenho contato como a Jéssica Macedo, Thaís Lopes - que fez a capa do meu primeiro bebê *--- - , Thaís Silveira, enfim essas são as que eu conheço, mas só no meu facebook tem milhares de autores que sei que escrevem bem pra caramba e eu gostaria de ter mais tempo e dinheiro pra lê-los. De qualquer forma, bora começar de algum jeito, né, mores.

Deixem sugestões, se quiserem, nos comentários de autores nacionais que vocês acham que eu gostaria de ler. As resenhas vão sair no meu blog de resenhas Conversas de Leitor. 


Blut - Parte IV

Você pode ler as partes I, II e III

***

- Você não está falando sério, Sam! – exclamou Kira ao se dar conta de que a ex-namorada poderia, de fato, estar falando sério. E como ele temia, uma sede descomunal passou a tomar conta de seu ser.
- Nunca falei tão sério na vida, meu amor. Agora seja um bom menino e me ajude.
- Como eu poderia ajudar você? Estou morto, lembra?
- Só até chegarem com a comida, oras.
- Eu não posso acreditar nas coisas que está falando. E não consigo acreditar que você julga Alessa, mas é a mesma criatura que ela. A diferença que ela é melhor.
- Não ouse dizer que aquela coisa é melhor que eu! Eu sou mil vezes melhor.
- Nunca! Você me sequestrou. Se aliou aos inimigos.
- Como pode saber quem é o inimigo? Por acaso sua queridinha não lhe contou a história?
- Que história?
- Sobre você e o que ela realmente quer.
- Do que está falando, Sam? – perguntou Kira, um pouco mais calmo, mas agora definitivamente intrigado.
- Ela só está com você porque irá lhe oferecer como sacríficio para um tal de Pio aí.
- Você é muito ingênua mesmo. O Pio não pode ser o líder. Alessa é por direito. E ela vai conseguir o seu lugar.
- Sim, iria se você ainda fosse um humano.
- Explica.
- Alessa precisava de um humano do qual ela se importasse para oferecer como sacríficio maior para Pio e os regentes da Grande Mansão porque esse ano é o ano da Lua Cheia Vermelha Total que só acontece a cada 300 anos. Quando isso acontece um vampiro pode oferecer à natureza uma vida e em troca a natureza lhe dá algo.
- Tipo o que?
- Ninguém sabe.
- Nossa, que idiotice, Sam. Acha mesmo que a Alessa iria cair nessa história do Pio?  No mínimo, é algum plano dele para matá-la. – disse Kira, levantando-se da cama onde estava sentado, mas não pode andar muito, pois seus calcanhares estavam presos à correntes.
- Claro que não, Kira. Ele me disse. Já aconteceu antes, mas a pessoa que ganhou o presente da natureza morreu em seguida.
- Muito prático.
- Não importa. Você não é mais útil para ela. Agora podemos ser felizes juntos.
- Haha, só que não, né. Primeiro, que se eu não me alimentar de um humano eu morro. Segundo, depois que eu fizer isso vou me encontrar com a Alessa e pensar em como resolver a questão do Pio.
- Kira. Entende, ela não te quer mais.
- Você não sabe disso.
- Tudo bem, então. – concordou, falsamente Sam, pois ela havia ouvido barulhos vindos de fora da casa e soube que os capangas de Pio haviam chegado com a “comida” de Kira. – Vou soltar suas correntes e você me segue. Se tentar fugir eu te mato.
- Quanto amor! – disse Kira, ironicamente.

Quando Sam soltou as correntes que prendiam Kira ele não se mexeu. Ficou aguardando algum movimento da moça. Que sorriu para ele antes de tentar beijá-lo. Kira desviou o rosto e olhou furtivamente para ela, que desdenhou outro sorriso nos lábios maquiados de batom rosa. Em seguida, fez menção de se dirigir à porta do quarto e pediu que Kira o seguisse. Quando chegaram à sala, uma mulher jazia adormecida, quase morta, no sofá de três lugares e ao seu lado, dois homens altos e fortes estavam prostrados como duas estátuas.
- Kira, você sabe o que fazer.
Kira não disse nada. Apenas sentiu seu coração bater mais rápido e sua jugular pulsou com força. Seus olhos ficaram vermelhos e ao redor deles veias surgiram. Ele tentou lutar contra o instinto predador, pois não queria tirar a vida da pobre e inocente moça que adormecia no sofá. Mas ele sabia que se não se alimentasse logo morreria, e morto – de verdade – ele não poderia estar junto de Alessa.
Kira, em um movimento rápido, investiu os dentes afiados e brancos no pescoço da jovem, que gritou ainda que dormindo. O sangue escorreu de seu pescoço e lambuzou todo e rosto e camiseta cavada branca de Kira. Ele não se importou. Sugou com vontade todo o sangue do corpo da mulher. Mal parava para respirar. Quando sentiu em sua língua a última gota de sangue, parou. Limpou a boca com as costas da mão e virou-se para Sam:
- Preciso de mais.



A Casa da Senhora Halle

Esse conto foi publicado pela Editora Andross na Antologia Círculo do Medo e agora eu o disponibilizo a vocês!

De todas as casas que havia naquela pequena cidade do interior de Washington a da senhora Halle era a mais estranha e suspeita. As janelas sempre fechadas com cortinas escuras atrás, não havia uma planta sequer - o que era muito estranho para uma idosa solitária que quando mais nova trabalhara com flores -, da chaminé nunca saía uma fumaça sequer e a maçaneta da porta da frente jamais era tocada por alguém. Nas paredes do lado de fora era possível notar as descamações da tinta marrom escura há muito esquecida pelo pintor. Sempre se ouvia um balançar de cadeira, daquelas bem antigas e desgastadas que nem o mais puro óleo seria capaz de consertar. A mulher jamais saía de casa.
Mais de dez anos que Josh morava na cidade e nunca viu a senhora Halle sair de casa. Ele sabia que existia alguém na casa, bem como que era uma idosa, pois costumava a ouvir cantarolar de vez em quando, e uma vez que o barulho da cadeira não era constante ele sabia que alguém se sentava nela. Josh sempre saía de casa cedo para trabalhar, voltava no almoço e depois saía de novo. Voltando sempre às sete da noite. Quando saía de manhã a senhora Halle já estava acordada, cantarolando uma melodia singular composta de apenas três tons. Sempre pensou em bater à porta dela e a convidar para um almoço ou café, mas foi-lhe dito que ela jamais gostou de ser incomodada, portanto, ele jamais se atreveu a tal.
Naquela manhã fria de segunda-feira depois de tomar o café Josh escovou os dentes e pela janela de seu banheiro testemunhou algo que até então ele jurava que jamais iria acontecer: a senhora Halle deixara uma das janelas abertas. Josh ficou surpreso e curioso. Curioso até demais. Em dez anos aquelas janelas jamais foram abertas. A porta da frente nunca fora empurrada para trás para dar passagem a uma simplória velhinha. Ele precisava olhar dentro da casa.
Segundos depois Josh estaria se esgueirando pelo jardim morto da senhora Halle. Sempre quis saber como ela se alimentava, como mantinha as contas da casa pagas, onde ficava a cadeira barulhenta e mais... Como era a senhora Halle.  Agachado debaixo da janela aberta Josh se preparava para virar e olhar dentro da casa. Antes, porém, certificou-se de que ninguém estava olhando. Não que houvesse muita gente para olhar, ainda mais àquela hora. O bairro apesar de repleto de casas e supostos moradores era muito calmo e quase nunca se via alguém na rua. Era mais habitado por idosos que pouco saíam de casa, Josh chegou a ver poucos jovens uma vez ou outra. Uma moça morena muito bonita que durante um tempo caminhava de manhã, uma loura que gostava de cuidar das plantas dos vizinhos. Um jovem rapaz que passeava com o cachorro no fim da tarde de vez em quando. A vizinhança seria deserta a maior parte do tempo não fossem as saídas de Josh e pelo som da senhora Halle ao sentar-se na cadeira e ao cantar sua música de três tons pela manhã.
Minutos depois de olhar para todos os lados possíveis, Josh tomou coragem e olhou dentro da casa.
Nada.
Não havia nada demais. Não que ele tivesse conseguido enxergar muita coisa, pois o ambiente mal iluminado não conseguia receber a pouca luz do sol da manhã. Josh desconfiou que nunca recebera luz alguma aquela casa. Forçou a vista sob o vidro sujo e avistou algo. Uma sombra. Corcunda. Era a senhora Halle, supôs.
Finalmente vou saber como é essa mulher. Pensou. Soprou o vidro e limpou com as costas da mão. Encostou o rosto e olhou mais. A sombra se movia com lentidão, andava em círculos, na verdade. Josh levantou-se um pouco mais para olhar o chão e foi quando percebeu que a cadeira da senhora Halle ficava bem no centro de um grande pentagrama invertido com símbolos sombrios e pagãos em cada ponta. A senhora Halle murmurava algo, pois ele percebeu que a boca dela se mexia, já estava assustado o bastante com o símbolo no chão da casa de uma simples senhorinha, mas agora descobriu que ela andava em círculos em volta do desenho murmurando algo estranho de uma forma macabra. No entanto, ela parecia não estar totalmente sozinha. Será que não era ela quem andava em volta do círculo? Será que está sendo feita refém? Além da sombra curvada, Josh notou uma segunda presença na casa mal iluminada. Temeu pela vida da pobre senhora Halle.
Decidiu que iria incomodar a senhora e o suposto estranho. Pela primeira vez em dez anos iria bater à porta da senhora Halle e perguntar o que estava havendo. Estava decidido. Inflou o peito e bateu. Três batidas seguidas. O coração querendo sair pela boca. As mãos tremeluzentes ainda voltando à posição de espera. Os passos começaram a se aproximar. O som era mais forte. Não eram mais um simples arrastar de passos.
Minutos depois a maçaneta da porta começou a girar. A luz começou a penetrar o ambiente e Josh pode vislumbrar um pouco mais da misteriosa casa da senhora Halle. Antes não tivesse feito isso. O chão estava manchado, assim como as paredes. Manchado de olhares, de gritos, de dor. Era impossível descrever de outra forma. Quando a porta estava aberta o suficiente para que a senhora Halle pudesse passar Josh foi puxado de súbito para dentro. Seu grito foi abafado por uma mão ossuda e mal cheirosa, mas forte. Não pode ser a senhora Halle! Josh se recusava a acreditar que aquela senhorinha que a ninguém causara problemas e que todas as manhãs cantarolava uma melodia bonita poderia ser uma seguidora de práticas suspeitas.
No mesmo instante que sua boca foi selada seus olhos foram vendados, de modo que os únicos sentidos que lhe restaram eram o olfato e audição. Ouvir de nada serviu, pois os passos cessaram no momento que ele foi jogado na cadeira que  não emitiu som algum. Balançou com o peso dele, mas em silêncio. O cheiro acre, no entanto, foi o suficiente para dar-lhe ânsia. Tentou gritar e sair da cadeira, mas embora não estivesse amarrado por cordas ou fios ele simplesmente não conseguia se mover.
Finalmente a suposta senhora Halle voltou. Tirou a mordaça de Josh, que em seguida gritou.
-Não perca tempo. Ninguém pode ouvi-lo. – disse uma vez esganiçada, cansada, porém firme.
- Mas eu ouvia a senhora! – ele respondeu.
- Ouviu porque eu quis que ouvisse.
- O que vai fazer?
- Nunca se perguntou por que esse é o único bairro de Washington que mais parece um cemitério?
- Me disseram que a população aqui é mais idosa e não sai muito. Eu mesmo nunca vi a senhora, em dez anos.
Foi quando Josh chegou à conclusão mais assustadora de sua vida.
- Isso não é possível!
- Não tenho tempo para besteiras. A última a vítima foi há um mês. Você é a única pessoa que restou nessa vizinhança. E o Ritual deve ser iniciado agora.
- Vítima? O que a senhora fez? – exclamou Josh, assustado. Aterrorizado. Esses anos todos foi vizinho de uma bruxa. Uma bruxa!
Mas ela não respondeu. Parou na frente de Josh. Na altura dos olhos dele e tirou a venda. O que Josh viu foi o suficiente para calar-lhe a voz que tentou emitir, fazer seu coração para de bater além de ser horrendo o bastante para fazer seus olhos saltarem das órbitas. Ele conseguiu urrar a dor que sentiu com o ato, e ouviu o gargalhar da velha bem como das palavras que ele tentou entender quando olhava na janela. 
VITA VITAE
VITA MEA EST
CORRIPIENS VITAM TUAM
VIDA MINHA
A VIDA É MINHA
TIRA A TUA VIDA

E assim a vida de Josh cessou. Em segundos. Seu último suspiro foi o primeiro da nova aparência da senhora Halle. Uma jovem ruiva de olhos azuis. Os olhos de Josh eram azuis. Seus cabelos eram da cor do fogo. Assim como os cabelos da mulher que morava no final da esquina eram grandes e negros. Os da moça da casa ao lado dela eram loiros brilhantes e seu corpo era escultural. O rapaz que gostava de cães uma vez fora moreno dos olhos negros e com um corpo atlético. Mas nunca ninguém jamais conheceu essas pessoas. A única pessoa que conheceram foi a senhora Halle. 


Quando o brilho do sol nasce diante de minha janela trincada



"You're no good for me

Baby, you're no good for me

You're no good for me

But baby, I want you, I want"





E se meu corpo e mente responderem apenas à dor?

E se eu não puder mais sentir amor?


E se eu nunca mais poder sentir?

Prevejo, deveras, um fim

Mas não choro

Esqueço

Ao beco pertenço


De mãos dadas com a escuridão

por onde passo vejo uma multidão

de anjos


e tento,

falho

e choro


fazer parte da luz nunca fez parte do plano

mas qual é o sentido

por que estou aqui

e para onde irei

o que sei

é o que jamais soube

o que nunca quis saber

de que me vale a vida viver


a cada brilho do sol que nasce diante de minha janela trincada

como minha alma marcada e manchada

é uma oportunidade que me é dada

e como sempre não vale nada





"it's you, it's you, it's all for you"


não me ensinaram a olhar no espelho

não me ensinaram a aprender

a sorrir sem querer

e a amar sem um amor certeiro


um monte de ossos colados a um membro só

um par de olhos a olhar o nada cheio de pó

um órgão que bombeia fluídos para um corpo

um envoltório em seu próprio mundo absorto


não há espaço para ninguém

não deixe o sentimento entrar

faço de mim mesma refém

e minha benção é poder matar


mas minha maldição é poder ressuscitar

todos os dias, de manhã, ao acordar

quando o brilho do sol nasce diante de minha janela trincada








Cinnamon,

can you smell it?


I can't. Not anymore.


O que

Summertimesadness

Kiss me hard before you go

Eu só queria que você soubesse

Que eu lhe amei mesmo sem saber o que é amor; e que você me acolheu mesmo sem saber o que me salvou;

Me desculpe por tudo lhe causei; eu simplesmente no fundo, apenas lhe amei; sem saber;  sem pedir
sem requisitar um espaço em sua vida pedi; mas preenchi;  aquele que jamais quis.


Uma vez eu jurei jamais sofrer por tal motivo; mas como podemos impedir as lágrimas de cairem; como podemos impedir o sentimento de existir; o que fazer quanto tudo o que resta é resistir? Eu sei que não é sua culpa; mas eu havia lhe pedido; eu lhe enviei o recado; e mesmo assim você; seguiu como se estivesse tudo amenizado. Cá estou; solitária, novamente; debulhando-me em lágrimas as quais; você, sozinho ou não; não merece; mas elas lhe pertencem, no entanto, não sei o que fazer com elas.

Não sei se lhe devo perdão, talvez devo
não sei se lhe devo satisfação
talvez não devo


e não encontrei outras formas de expressar essa dor senão através da escrita, então me desculpe se lhe ofendi de alguma forma, mas no final quem saiu ferido e estraçalhado fui eu.

Eu queria ser uma pedra de gelo como seu coração parece ser, mas não lhe culpo, afinal, como algo tão belo poderia se apaixonar por algo tão escuro como eu?

Meus dedos estão gelados, minhas mãos estão frias
meu corpo está paralisado
as imagens e os sons ecoam em minha mente pertubada
cada gota salgada que cai de meus esbugalhados olhos
correm pelo meu rosto deformado
afinal, como haveria algo tão magestoso se apaixonar por algo tão horrendo?

a modificação a qual nos subtmetemos de nada vale diante da perfeiçao que a sociedade apresentea a você dia após dia

Eu só lhe peço perdão

por ter permitido que tal desonra fizesse parte de sua vida, ainda que por pouco tempo

Eu não sei o que mais estou escrevendo
o que valho
afinal
por que estamos
ou estou aqui?


Um dia, quem sabe, na imperfeição da qual este magnifico universo foi feito, eu seja capaz de terminar esses versos estampados da minha dor que foram causadas pelo seu sorriso.


Nostalgic Lullaby

a destreza de suas mãos marcadas
a maciez de seu corpo desenhado
a sua boca que emite palavras narradas
aquecem meu coração de tristeza manchado

meus olhos marejados de dor
encontram consolo no seu sorriso, amor
meu pulso ganha vida ao lhe tocar
minha pele se arrepia ao lhe encontrar

mas de que me valem as rimas
se elas existem apenas aqui
de que me vale seu sorriso
se ele não é para mim

e assim sigo dançando sozinha
esse baile solitário
uma vez em minha cabeça criado
sem música e sem instrumento
eu danço sozinha
a balada da vida, nostalgia

É assim que acaba o mundo*

eu poderia admirar seu sorriso
o dia todo
sem compromisso

e tocar seu peito
beijar seu pescoço
e encostar no seu rosto
o meu

sentir seu cheiro e suas mãos
que dançam em mim
e fazem tremer o coração

me joga na cama
e tira sua roupa
não nega o fogo que lança
e assim me deixa louca

o nosso ritmo é perfeito
nossa música é um gemido
seu prazer, eu leio
e eu termino, com um suspiro



* referência ao poema de T.S. Eliot


Fade Away

Como um corpo que apodrece ao entrar em contato com a água após algum tempo em baixo da terra
Como um ferro que se desfaz ao ser tocado pelo vento após algum tempo em baixo da água

" you were the shadow to my light"

Como uma lágrima que escorre no rosto soturno
Como o sangue que sai da mão que soca a parede

" I'm faded"

Todos os meus motivos são errôneos e eu não compreendo como é possível caber tanto desespero em um corpo tão pequeno. Todas as tentativas são falhas, elas já começam caindo. E meu flácido e desvanecido envoltório que pede um descanso eterno que sempre lhe é negado devido ao egoísmo alheio agora jaz nesse objeto feito de madeira, mas que me parece ser feito de prego, uma vez que minha cabeça não repousa nele.

Os outros que são apenas outros me olham, mas não enxergam. E julgam... E dizem coisas, que eu encaro com uma gargalhada, mas que dentro a alma chora e clama, mas não pode ser ouvida, visto que no inferno interior que carrego em meu peito estraçalhado som algum é permitido sair. E assim sigo nessa luta diária, comigo mesma? Não sei, porém, luto e canso, e levanto e caio, e até tento permanecer no chão, não por cansaço, mas por desistência. Eu já desisti há muito tempo, de fato.

O que faço aqui, então? O egoísmo alheio. 

A nadificação da vida faz mais sentido em minha mente desprovida da capacidade de reflexão nesse momento, estou sóbria, acredite, mas meu espírito está embebedado de uma paixão que desconheço o nome.

A cada dia que amanhece, cada luz diferenciada que adentra pela janela de meu quarto, não compreendo como estou onde estou e como cheguei a esse ponto, no entanto, após levantar-me, com esforço, chego à conclusão: "somos responsáveis por nós mesmos" dizia Sartre, e não culpo ninguém, nem deus, nem diabo, nem natureza, nem universo senão a mim mesma. Cada decisão e cada ação, e estando aqui diante deste incenso que numa tentativa falha de me trazer paz acaba por encher de cólera, digo apenas: como lidar com essa culpa? 

O tempo.

São tantos anos, mas nenhum vivido. Talvez um. 

Por que fazemos isso? 

Por que estou aqui? Assim?

A decomposição de meu pútrido corpo que jaz no quarto escuro é a resposta. Eu tentei, e no fim, eu estava certa.

Acabei como profetizei. 






Blut - Parte III

Você pode ler as partes I e II AQUI e AQUI

***

Alessa trajava sua vestimenta comum: um espartilho preto e roxo que delineava sua já desenhada cintura. Uma calça de couro preta que dava ainda mais forma às suas coxas grossas e quadril levemente largo. Um coturno com três fivelas que se transpassavam entre si. Como sua natureza não lhe permitia sentir frio, ela não colocou nenhum casaco ainda que lá fora o vento cortasse suas bochechas. Em seus olhos negro lápis preto e muito rímel. Na boca carnuda, um batom vermelho. Na cintura um largo cinto onde colocou uma arma de cada lado, mas dentro delas as balas eram hora prata hora fluorescentes. Ela estava séria quando trancou a porta de seu quarto na grande Mansão. Estava com raiva, furiosa, mas iria descontar todo o sentimento nos responsáveis pelo sequestro de Kira.

Ela só precisava descobrir quem eram.

- Onde a senhorita pensa que vai? - perguntou Pio - o até então comandante, rei, imperador ou qualquer outra coisa que queira chamar o dententor das regras na Grande Mansão - em seu tom de voz calmo e sereno, como sempre. Ele brincava com um fio de cabelo de uma vampira loira que sentava à sua frente. Sem olhar para Alessa, ele falava com ela como se ela fosse uma simples vampira e não uma forte e antiga sugadora de sangue e talvez a próxima rainha do clã.

- Não é do seu interesse, Pio.
- Talvez seja. Talvez eu até possa lhe ajudar.
- Como é que poderia me ajudar? Você mal sai desta casa.
- E talvez por não sair eu saiba de coisas que você não sabe.
- Isso não faz o menor sentido. Pare de me atrasar. Não tenho tempo a perder.
- Vai atrás de seu Kira? Será que ele aguenta até você chegar?

No momento que o nome Kira passou pelos lábios manchados de sangue de Pio, Alessa se virou subitamente e em dois segundos estava ao lado do mestre, com uma das mãos pronta para agarrar o pescoço frio do vampiro, mas ela se conteve e apenas disse:

- O que você sabe sobre o desaparecimento dele?
- Sei de algumas coisas.
- Me diga.
- Assim? Fácil? - nesse momento Pio deu um leve tapa na cabeça da vampira de modo que ela entendesse a ordem: sair. Assim, quando a moça não estava mais presente na sala, e Pio e Alessa estavam completamente sozinhos ele continuou:
- Minha querida, você é muito boa em tudo que faz... - ele fez a pausa, para forçar Alessa a se lembrar das noites de prazer que ele deu a ela, não fazia muito tempo. Ela entendeu a indireta, mas Pio era algo que não fazia mais parte de sua vida e tudo que ela queria era informações.
- Anda logo, Pio.
- Você me conhece. E pode ser boa em qualquer coisa, mas sabe que não dou informações de graça.
- O que é que você quer?

Pio se virou lentamente e seus olhos azuis encontraram os de Alessa. Ele sorriu e a puxou mais perto de si, ela tentou se desvencilhar,  mas não foi forte o bastante.

- Até parece.  - disse Alessa ao entender que Pio estava exigindo muito mais que um simples beijo, talvez.
- Você entendeu errado. Você sabe que em breve teremos votação para o novo Mestre da Grande Mansão.
- E daí?
-  Retire sua candidatura.
- Eu nem me candidatei, seu vampiro louco.
- Não, mas as pessoas te querem como rainha.
- As pessoas desta casa me odeiam.
- Mas odeiam ainda mais a mim.
- Isso é problema seu.
- Você quer salvar seu humano ou não, minha cara? - disse Pio soltando a cintura de Alessa e se voltando para a garrafa de whisky que se encontrava aberta e pela metade no carrinho de bebidas ao lado do sofá veludo preto, mas manchado de sangue em diversas partes.

Alessa pensou por dois segundos, mas sabia que não tinha escolha. Pio podia ser um completo babaca, mas se ele falava que tinha informações ele tinha.

- Combinado. Me diga o que sabe e eu garanto não fazer parte das próximas eleições.
- Combinado, então, minha cara. Vamos lá. - Pio bebeu uma dose do whisky que havia colocado para si, sentou-se na beirada do sofá, ajeitou os cabelos negros atrás das orelhas e limpou seu sobretudo preto. - Você sabia que Kira namorou uma moça, certo?
- Sim, uma ruiva. O conheci no dia que ela terminou tudo de vez.
- Ache essa moça e então achará Kira.
- Como assim? Ela é uma simples humana e bem menor que Kira, não seria capaz de sequestra-lo ou fazer nada contra sua vontade.
- Concordo com a parte do ''contra sua vontade'', mas ela não é uma simples humana, pelo menos, não tem sido nos últimos meses. - disse Pio escondendo nos lábios o sorriso sarcástico, mas que demonstrava sua satisfação,

O coração gelado de Alessa parou. Alguém havia transformado a ex namorada de Kira. Alguém que sabia que ela estava, de certa forma, namorando um humano, bebendo de seu sangue todos os dias, mas sem transforma-lo, jamais. Alguém tinha interesse na sua relação, e a única pessoa que ela conseguia pensar era justamente Pio, mas ele não iria contar tão facilmente o que acabara de contar se ele mesmo tivesse transformado a garota.

- Quem a transformou? E quando? E por que? - exclamou Alessa, seu tom de voz escondia o desespero que claro, Pio notou, mas era mais ainda perceptível a raiva que ela sentia.
- Essas são informações que podem exigir um pouco mais, Alessa.
- Só me diga o que quer, droga.
- Ainda não sei,  portanto, te direi o que sei e quando eu pensar no que quero lhe aviso.
- Que seja. Fale logo.

***

Um casebre mal cuidado escondido sob os escombros na mais remota parte da floresta que havia na saída da cidade um homem jazia no canto direito do único cômodo do estabelecimento. Suas mãos amrradas à beirada da cama, e seu tronco encostado na mesma. Sua camisa branca suja de sangue, barro e folhas secas. Os pés descalços e os sapatos jogados no outro lado do quarto. O homem respirava com dificuldade,  mas estava vivo, afinal.

Kira acordou de súbito. Quando finalmente seus olhos se acostumaram à luz do ambiente ele tentou descobrir onde estava. Forçou um grito, mas sua garganta seca mal permitiu que algum som saísse. Tossiu.

- Olha quem acordou! - uma voz feminina e aguda surgiu do breu que agora cobria a casa, a lua estava saindo.
- Quem es-tá... aí? - perguntou Kira, com dificuldade.
- Não reconhece minha voz, amor? - disse Sam ( ex-namorada de Kira)
- Sam? Sam é você?

Então a garota saiu das sombras e mostrou seu sorriso sujo com o sangue de Kira, girou para mostrar o vestido vermelho que vestia, e caminhou trincando com sua bota de salto fino. Agaichou para ficar na altura de Kira e disse:

- Mas é claro.
- Por que fez isso?
- Isso o que?
- Você terminou comigo, você não quis voltar e agora você é... você é
- Uma vampira, amor. Isso mesmo. Uma vampira.
- Mas por que? Como? Quando? Onde?
- Blablablabla, estou com muita preguiça pra explicar essas coisas, vamos ao que interessa. Você, eu... felizes para sempre. - e se levantou à medida que falava seu plano, olhando para o nada como se estivesse realmente dizendo algo que faz sentido.
- Você está louca! - esbravejou Kira e tentou desfazer os nós, mas não conseguiu, apenas apertou-os ainda mais machucando os pulsos já feridos.
- Sempre fui.
- Não! Você está louca de verdade. Estou com Alessa agora.
- Aquela coisa. Ela não te merece, Kira. Ela está usando você.
- Você ouve as coisas que fala? Me solta, Sam e vamos para com isso tudo.
- Eu não posso soltar você até que tenha se alimentado.
- Como assim me alimentado? Você não? ... Você. Sam. Você me matou?
- Mas é claro, bobinho. De que outra forma eu poderia lhe transformar em vampiro?






Perdido

Cravo minhas unhas nas costas largas
me permito ser preenchida, sem amarras
cada respiração
nova pulsão
um só ritmo
jamais compreendido

suas mãos desfilam pelo meu corpo
e minha língua passa por você todo

meu cabelo se desmancha no seu peito
e seus braços fortes me envolvem
eu me entrego sem receito
e o prazer e a paixão nos envolvem

(...)

um dia termino, quem sabe...

Rape me

O seu silêncio me estupra
sua voz não me escuta
o seu toque me machuca
pois ele não existe
e eu sigo na luta

os meus esforços são em vão
por quem bate seu coração?

estou jogada no chão
sem roupa e sem atenção
enquanto você sorri 
conseguiu, afinal, meu fim

[...]


Quem sabe um dia eu termino esse

Ao poeta

" Somebody said you've got a new friend"


Como uma estrela cadente você caiu; eu era apenas o céu sem luz aguardando você me iluminar. E durante sua passagem, que foi lenta, eu me preenchi de energia. 
Eu tentei me vestir de anjo e tentar lhe tocar, mas quando o fiz você se afastou como se pudesse sentir minha escuridão, meu medo, minha dor. 
Eu tentei entrar em  seu mundo, mas fui expulsa como o diabo foi do céu. 
Mas não tive ao meu lado demônios. 
Estava sozinha; tentando encontrar meus motivos sempre errôneos.
Foi então que meu amigo chegou e você, de certa forma, se apaixonou. 
Não questionei, segui.
Não hesitei, parti.
Ao menos, tentei.
Mas você era a onda que me puxava da areia simplória e me arrastava e me afogava no seu próprio mar.
Assim aprendi a ressuscitar. Como todo ser das trevas eu voltava, na instintiva tentativa de adentrar, no mundo da luz. 
No seu mundo, é claro.
Mas jamais haveria de conseguir, de fato.

Ao poeta resta palavras, não amor.
Ao escritor resta papeis, não cartas.
Ao poeta não resta sorriso, só dor.
Ao escritor não resta verdade, apenas falácias.

A mim, não resta nada. 






Heavy


seus dedos dedilhavam as cordas com maestria
mas melhor ainda era o dedilhado que fazia
em meu corpo nu à noite

o seu corpo desprovido de roupa, mas cheio de essência
se encaixa no meu perfeitamente e sua voz, dotada de eloquência
é a música que me embala o sono, mas também me tira o juízo
e olhar pra você é apenas o que preciso

nossos cabelos mesclados e bagunçados na cama
a respiração entrecortada, o coração bate forte, e a Chama
que sai de mim e passa pra ti e então sentimos a Brisa
que entra calma pela janela e estremeço, uma vez que
estou nua
mas envolvida no seu corpo quente, me aqueço
como se estivesse em uma Duna

Os registros de nossos momentos serão eternos
nem o tempo nem espaço
são capazes de apagar esse aconchego e calma serenos
e diante do teu sorriso me calo

não há destino, mas sabemos onde vamos estar
e longe, distante ou do seu lado
a conexão não há de se perder
há uma escrita a se fazer
e sonhos para viver

de outras vidas que te conheci
agradeço sim
a Odin
por me presentear com sua presença
a jovialidade imensa
que é poder contar contigo

o metal nos uniu
e nem fogo escaldante há de separar
e seja aqui ou lá
a música que embala nossas vidas
sempre irá tocar

e ainda falarão sobre nós dois
como tudo foi e depois
sentaremos juntos para um café
para lembrar, sorrir e refletir
sobre o que a vida realmente é


Para ele ... Obrigada




Banished

Do submundo eu vim
cheguei ao céus enfim
mas se até do inferno
me baniram
pra onde foge o demônio aflito?

Valhala

A destreza de suas mãos que marcam meu corpo
Eu me entrego, claro, sem esforço
Seu corpo desenhado e marcado
Não hesito em tocar
E lhe permito entrar
A respiração quase para
O sorriso marca
Suas mãos caminham
E nossos laços não findam
Em Valhala ainda nos encontraremos
e junto dos deuses beberemos
Nossa marca aqui há de ficar
como em nossos corpos
uma vez mesclados
extasiados
E assim me despeço
mas antes lhe peço
não esqueças de mim, guerreiro
a eterna valquíria você cativou
com seu machado certeiro

o coração bate morto
mas Odin há de abençoar
um reencontro na sua mesa
e quem sabe mais uma vez juntos
iremos de ficar


Blut - Parte II



Você pode ler a parte I AQUI

***

Kira voltava para casa depois de sua aula à noite como de costume. Sozinho. Atravessou um dos becos que dava acesso à rua de sua casa de forma mais rápida, mas ele caminhava lentamente. Àquela hora da noite, naquele lugar era de se esperar que qualquer ser humano são se fosse obrigado a atravessar aquele beco por vezes cenário de crime, andaria bem mais depressa que os passos lentos e vagarosos de Kira.

Mas ele não tinha o que temer.

Isto é.... a única criatura que ele poderia temer era exatamente a que ele desejava encontrar.

Alessa.

Uma vampira sanguinária e cruel, mas que por alguma razão absurdamente desconhecida se afeiçoara por Kira e decidiu não mata-lo, pelo menos, não imediatamente. Quando o relógio no pulso dele marcou meia-noite, Alessa surgiu do breu que escondia o final do beco, sorridente e com a boca levemente vermelha, mas não de batom. Foi em direção a Kira que estava sorrindo também, e de braços abertos para receber sua amante.

Alessa apertou Kira. Depois de se aconchegar entre seus braços fortes e maiores que os dela, mas não tão cheios da força sobrenatural que um vampiro possui, no entanto, Alessa não precisou utilizar da mesma. 

- Olá. - disse ela depois de beijar Kira tão apaixonada e vorazmente que poderia se dizer que ela estava mesmo apaixonada por ele, mas é claro que isso jamais poderia acontecer. Uma vampira tão maléfica quanto Alessa nunca se comprometeria amorosamente com qualquer criatura que dirá um mero mortal, um simples humano.

- Estava com saudade. - respondeu Kira, sorrindo e passando o braço na cintura de Alessa.
- Não faz mais que seis horas. - disse Alessa colocando o cabelo para trás da orelha esquerda.
- Estava mesmo assim. Dormiu bem durante o dia?
- Não exatamente. Tive que lidar com alguns problemas na Mansão.
- Que tipo de problemas?
- Digamos que estão tentando criar problemas comigo.
- Achei que você fosse uma espécie de rainha lá.
- Ainda não, mas serei.

A Mansão era o local de moradia e também reunião dos vampiros da região Leste dos Estados Unidos. Era, de certa forma, comandada por um vampiro milenar chamado Pio ( lê-se paio ) cujas ordens eram jamais questionadas e o simples timbre de sua voz levemente mais alto era suficiente para fazer o mais corajoso vampiro tremer. Todos na casa o temiam, o respeitavam e alguns o amavam, de fato, as mulheres se incluíam nessa última categoria, afinal, a beleza de Pio era inegável.

Desceram do porshe de Alessa, mas ela pediu que Kira esperasse ali fora, de preferência perto do carro.

- Espere aqui. Preciso verificar quem está no Grande Salão e se Pio está presente. Se ele estiver fará perguntas sobre você as quais não estou no clima para responder.
- Está bem. - concordou Kira e a puxou pela cintura para dar-lhe um beijo com verocidade. Alessa não hesitou e sorriu, mostrando os dentes brancos, mas que em seguida ficaram vermelhos, pois ela proferiu uma mordida, ainda que de leve, no pescoço de Kira.

Já acostumado com a dor e a sensação, dessa vez Kira nem se contorceu ou algo do tipo, pelo contrário, deleitou-se de prazer.  Junto de Alessa ele conseguiu sentir pela primeira vez a gloriosa sensação de ser mordido por um ser das trevas.

Alessa, com certo esforço, desvencilhou-se de Kira, abriu o grande portão que separava o Jardim Sereno da rua e da Mansão. Caminhou lentamente. O vento frio cortando sua bochechas brancas como mármore, seu coturno preto arrastando a terra vermelha que havia na curta estrada que dava caminho até a porta do Grande Salão. Uma vez de frente para a porta Alessa a empurrou, era grande grossa e adornada com várias artes, mas ela sendo forte não teve esforço algum. Assim que entrou dois vampiros a encararam. Outros três que estavam se alimentando de um humano qualquer ao fundo do Grande Salão pararam o que estavam fazendo. Limparam a boca com as costas da mão e sorriram para Alessa, mas foi um sorriso maligno, eles sabiam que ela poderia estar com problemas, uma vez que estava saindo demais da Mansão sem pedir autorização de Pio.

- O que é que os patetas estão olhando?
- Oras, Alessa. Você sabe que está encrencada. - disse uma vampira, loira com adornos verdes no cabelo enrolado que batia na sua cintura. Seus olhos negros estavam brilhando de satisfação pelo possível castigo que Alessa teria. Lore era o nome dela e ela parecia ter o mesmo objetivo de Alessa - tornar-se rainha, a diferença que Lore estava disposta a ser a amante número de Pio, enquanto Alessa nem sequer cogitou essa opção.
- Encrencada estará você se não sair da sala agora, Lore. Vamos vocês todos! - disse, rosnando e mostrando os dentes sujos do sangue de Kira.
- Você não manda aqui, Alessa.
- Quer ver quem é que manda, Lore? - e Alessa avançou, mas Lore foi rápida e era esperta  o bastante para não enfrente Alessa sozinha, que 100 anos mais velha que ela poderia facilmente destroçar seu corpo delineado e desenhado.
- Está bem. Vamos todos. - disse Lore, enfurecida, mas de cabeça baixa.

Em seguida, todos os presentes na sala saíram e foram para seus quartos. Alguns subiram a grande escada que dava acesso ao primeiro andar e outros pegaram o elevador. Alessa estava sozinha na sala. Mas correu velozmente para buscar Kira.  No entanto, chegando no porshe ele não estava lá.

- Droga, Kira. Mandei ficar aqui.  - pestanejou Alessa.

Mas em seguida, seu olfato sentiu cheiro de sangue fresco. O sangue de Kira. Seu coração disparou imediatamente e ela foi na direção do cheiro. Dentro das fortalezas da mansão, em uma pequena mesa de mármore que ficava não muito afastada da Grande Mansão, havia a mensagem:

 " ele me pertence agora "

Com o sangue de Kira, ela sentiu. Mas quem haveria deixado a mensagem Alessa não fazia ideia. Seu coração antes gelado agora batia fortemente, pois haviam sequestrado alguém que poderia ser o grande amor de sua vida, uma vida regada a assassinatos, furtos, tortura e dor. Uma vida que jamais conhecera o amor, pela primeira vez Alessa havia se permitido aproximar de alguém, mas Kira era apenas um humano e não poderia se defender

Restou a Alessa descobrir quem sequestrara Kira. De todas as suas qualidades,vingança sempre fora, deveras, a melhor dela.


"The Drug in me is you"


"you don't want me, no. Like I want you. "

***

Você se lembra de como nos conhecemos? Talvez não. Você conhece muitas pessoas. Todos os dias. E possivelmente naquele dia conheceu outras tantas. Mas eu sei exatamente como aconteceu. Como meus olhos fitaram você. De longe, te vi marcado. À medida que se aproximou de minha pessoa senti meu coração disparar, de leve, a princípio até que quando estava ao meu lado, impondo sua presença forte eu tive medo que pudesse ouvi-lo. Tente sorrir de uma forma não idiota, mas é claro que foi em vão. Por sorte, você pareceu não se importar e com sua gentileza me conduziu.

Mas esse não é um texto sobre começos. E sim finais. O nosso. Que apesar de em nossa magnitude, conexão e plenitude de diálogos, nunca tivemos uma história. Um algo. Jamais haveríamos de ter, afinal. E hoje sigo bem com relação a esse triste, porém, necessário fato. Meu ''coração'' foi curado por você, no início, confesso, mas da mesma forma você o quebrou, de uma maneira diferente, porém. 

Ele segue despedaçado sem nunca ter-lhe amado.

" you're my obsession, my fetish, my religion, my confusion, my confession, the one I want tonight. "

Essa abstinência que terei de você, certamente vai passar. Todos merecemos algo, e eu mereço também. Assim como você. E agora me despeço, de tudo que poderíamos ter, de todos os sorrisos que incosciente você me tirou, digo adeus ao perfume que uma ou duas vezes me embriagou, aceno de longe para as doces palavras que me consolaram e também me fizeram refletir. Digo adeus, ao sorriso mais bonito que já vi.  Ao olhar sereno que me acalmou mesmo a quilômetros de distância, me despeço do corpo que me aproximei o suficiente para tocar, mas nunca senti, em nenhuma instância.

Então, o único que realmente conheço como Anjo, que seja leve sua vida livre deste Demônio.

Plenitude

Quem diria
Eu mal sabia
que logo eu,
poderia
desejar tanto algo assim

Você sabe o que é
você possui
talvez, também quer

Aquele beijo
aquele abraço
me pegou de jeito
me deu um laço

com teu cheiro
embriagada fiquei
e de novo sua pegada sacana
desejei

(e ainda)

olhar teu sorriso à noite
sob as estrelas
diante da lua amarela
você me deitou no chão
mas  me levou até ela

o resumo da viagem
foi tua presença
e ansiosa estou
para voltar e contigo
novamente
ficar plena e serena

***

que a leveza das cartas
em ti permaneça
e que meu beijo
não esqueça
mas se por acaso
não se lembrar
será um prazer
lhe beijar

***

And if you hold me
I'll be fine
Let's take a glass
of wine
Be drunk of pleasure
let's smile
witho no
measure

Rio

Prefiro me afogar na rasua de teu mar, aberto
mas que meu barco não consegue passar
Não remo,
Nado
De braços abertos pra te encontrar
Mas você está megulhando
nas profundezas do meu rio
Condecorado de Rio de Mágoas
E prefiro ter meu último suspiro
Em baixo do rio
que morre no (seu) mar
Meu mar, esse meu eterno amar

Ligados

e através da janela
já ( vejo ) nela
o reflexo
da flor amarela

aquela flor
que me fez florescer
e crescer
viver

não há grito
há voz e um som
pelo qual vejo o dom

através do vidro
e por ele escuto
vejo
respiro

as forças me encontram
o sorriso surge na boca
durante à noite
perco-me;
sou louca

o violão possui vida
o caderno encontra a linha
Bukowski me possui
e Pessoa é o que o fui

[um dia]

dos Anjos sempre serei
mas por ele me permito ser
o diferente, o melhor
luto contra meu pior

[ tentar ]

{wundebar}

o que sei é o que há
e entendo o que me faz
não sei o que fará
fé que me dará paz

{tenho}

mas não há culpa
cobrança
os laços são maiores
inexplicáveis

só há gratidão
sem explicação

o álcool percorre o sangue
e encontra, talvez,
uma razão

[mas não sei dizer]

o espaço que há entre nós
não é o suficiente
para desfazer nossos nós

que foram moldados há anos
há anos

mas nós nunca ficamos sabendo
nunca tivemos consciência
até agora
é claro

e agora, portanto
há nós de manter
o legado

para sempre
ligados

e por isso

Obrigado

*For a Special Friend

Non Haikai

com o café
te aguardo
mas com amor
te espero no quarto

do vinho suave
bebo
mas com a paixão
voraz
me deleito

you clear my way
and to be yours
i pray
you make me go
on fire
your body mixed
to mined
that's my deepest
desire
listen to the god's
devise
you and I
shall be eternized

22.03.17

in some English Class

Adoçante

ela tem os olhos da cigana oblíqua, citada por Machado, 
 mas o que ela tem mesmo é um coração fechado.
 Os olhos são a porta de sua alma, pena que ela não tem uma, 
pois há muito foi levada. 
Seus olhos negros escondem muita dor,  
mas o que ela quer mesmo é dar e receber amor.

através de seu sorriso ela esconde muita coisa
mas o que poucos sabem é que ela não tem escolha
quem a vê sempre feliz
mal sabe que a felicidade não a quis
mesmo depois de implorar, suplicar
a alegria a deixou, abandonou, deixou-a se matar

mas continuou viva, continuou respirando
pelos outros
continuou amando

se amava a vida ou a sorte de estar ali
não sabemos dizer
nem ela
nem você

ela possuía os olhos de ressaca, citada por Machado,
porém, não entendia como algo podia ter acabado
sem nem mesmo ter começado
o amor que um  dia possuíra
hoje transforma-se em grande ira
mas para si guarda
dentro dela a dor cala

***

a dor cala
na calada dor
há amor
cala o amor
o amor cala
cálice, amor
no cálice h(á)mor
calice, dor
ameniza
a dor
o amor
adoça
a dor do amar
o que ama
amar
e ser amado
o amor
dói
e faz doer
adoça
a dor
que dói
no amor



Home

Encontrei meu lar
É um  lugar bem aconchegante
é quente e reconfortante
Essa será minha morada
dela minha casa faço
esse lugar é simplesmente
seu abraço

E cada vez que eu abrir a janela
eu verei uma paisagem mais que bela
será você sorrindo para mim
assim
minha felicidade não terá fim
com um beijo, enfim
você me coloca para dormir

e ao meu lado você se deita
e se deleia
nossos corpos se entrelaçam
os lençois se amassam
o calor de mantém
sou da paixão, refém
você domina
mas não reclamo
Amo
Sou o que sou
O que você me faz ser
Melhor, mas sem saber
e ao seu lado, desfaleço
não morro
mas ao cansaço
me rendo

***

Não faz o menor sentido
fazer de você meu abrigo
logo eu, antes sempre sem graça
e para sempre condenada à solitária

eu, sempre manchada e vil
encontrei no seu olhar sincero
e no seu sorriso mais que belo
a inspiração que alguém jamais viu

[...]

Ignoratio



* For a special friend 

Eu, pequeno ser,
que há tempos pensei saber
quase tudo
Fui pega de surpresa
ao descobrir que logo à frente
havia tanta beleza

Ignorei por tanto tempo
por medo ou receio
Não sei,
mas agora apenas prometo
sempre sorrir para a janela
Deixar minha alma aberta
e se feliz
Afinal, eu quis

E tantas viagens já foram feitas
que seria desfeita
não registrar
o quanto gosto de ao seu lado
ficar

Eu, antes o fio solto da camisa de linho*
econtrei felicidade, sorrisos e mais um pouco
simplesmente com o Melhor Vizinho .



* Referência a um antigo poema meu, onde eu me referia como o fio solto da camisa de linho, aquele que todos odeiam e tentam ignorar

sorte

Eu sou a morte


A decepção dos vivos
a noite sem sono do caído
eu sou o álcool destilado
o amargor do doce salgado

eu sou o pé descalço no caco de vidro
o sangue que escorre da boca do vivo
o corte na ferida jamais curada
eu sou aquela que está acabada

eu sou a desgraça de toda sorte
o não para qualquer sim
eu sou o monstro que não dorme
minha missão é o seu fim

[o beijo  que jamais existiu
a oportunidade jamais aproveitada
a desistencia da vida
de si mesma ]







Embriagada

em seu abraço quero morar
e sua mão sempre segurar

seu sorriso me encanta
e sua risada me conforta
sua voz me acalma


ele é o motivo do meu sorriso de manhã
e também da noite antes da madrugada
e eu almejo cada segundo antes da sua chegada

***

e do seu lado eu sou melhor
e conversando com ele eu me encontro
e tudo faz sentido,
é bem mais que um amigo

e eu poderia dormir ouvindo sua voz
e teria os melhores sonhos toda vez

" everybody needs inspiration "

ele é minha inspiração
ele é por quem peço em oração
é quem acalenta meu frio coração
me deixa totalmente sem ação

seu cheiro me embriaga
mas continuo sóbria ao seu lado
afinal, não poderia perder
uma única oportunidade de lhe ver

e ele é a pintura mais bonita
que eu poderia olhar o dia todo
e eu poderia nos trancar em um cômodo
e admirar todo seu corpo

seu corpo marcado
seu lábio encantado
suas mãos macias
aquecem as minhas

e seu cheiro me embriaga
mas continuo sóbria ao seu lado
pois da sua paixão eu bebo
e me mantenho feliz, sem medo





Cinnamon

E quando ele me beija

(...)

e quando ele fala
sinto cheiro da bala

quando ele se aproxima
eu mal me contenho
pois seu corpo é tremendo
e eu nem ao menos tento

esse rolê tá muito pesado
chega mais perto, gato
com esse seu corpo tatuado

não faz isso, não
não sorri pra mim assim
eu fico sem chão
e sem ter pra onde ir

o modo como você anda
o seu jeito de me olhar
assim você me desmonta
sem nem ao menos tentar

seu hálito de canela
me quebra
e seu toque sem igual
pega na minha cintura
é sensacional
e abala minha estrutura

(...)

mas foi apenas um sonho


#4

Enquanto a chuva caía la fora meu mundo desabava dentro de mim. Nem todas as suas gotas seriam o suficiente para encher meu oceano de tristeza. O céu mais que negro em nada se comparava à minha soturnez.

O que sei é o que brilho do sol nem se aproxima do seu maravilhoso sorriso. O mais belo pássaro com o mais belo canto é uma simples nota sem toma se comparado ao tom da sua voz, no entanto, antes eu estivesse surda, pois sem tua voz todos os sons restantes são inúteis. Antes eu fosse cega, pois sem teu sorriso de nada me vale a visão. Antes eu não pudesse sentir, pois sem teu toque de nada me valem as mãos.


Texto feito em algum momento de 2015 e achado entre os escombros que são meus textos escondidos nos cadernos.

Vago

A minha vida é um fardo a qual sou obrigado a levar.
É uma coleção de erros.
A minha vida é um desconexo na linha do tempo. Perdida sem rumo, sem nexo.
O que um dia foi há muito deixei de ser, parada no tênue rabisco que é ser e não crer.
Os passos são lentos, vagarosos, mas não pela cautela e sim pelo cansaço. A cada dia que passa um novo fracasso.
Os rumos que tomei foram dados ao léo. Sem pensamento e sem crítica. Aqueles que um dia chegaram a serem balanceados mostraram-se tão ineficazes quanto àqueles que não pensados. Não há escapatória.
Eu sou o erro na matriz do Universo.
O buraco que fere o buraco negro.
A rachadura no buraco de minhoca que impede o conhecimento de chegar até minha mente.
Minha cabeça. Ela está  roída por dentro. Meu cerébro está derretendo.
Meu corpo, envoltório sem vida, desprovido de vontade ou capacidade é um cofre oco usado pelos outros para aprecio próprio de uma não existente beleza e mais maligna, ainda que despercebida, presença.
Meus olhos não captam a luz, pois atrás deles se escondem as Trevas.
Minhas mãos trêmulas diante de escolhas simples, mas catastróficas, uma vez que as tenho feito.
A decreptude de minha boca sedenta por um beijo que jamais terei, daquele que jamais irá me querer é o bastante para manter-me calado, frente ao espelho rachado, frente ao espírito maltrado.
Não há para correr, fugir, andar. Ficar parado é o que há. À espera de uma salvação que nunca virá.

Blut - Parte I

Alessa caminhava à noite, de madrugada. O brilho da lua cheia refletido nos seus olhos negros. Vestia preto como de costume, um batom vermelho na boca carnuda e lápis preto, claro. Seus passos eram tão silenciosos, as botas de salto fino tocavam o chão como se fossem apenas nuvens.  Nem mesmo o mais astuto animal notaria sua presença, até mesmo porque sangue quente não corria em seu corpo... gélido.
No beco da rua ela parou de súbito, pois de longe ouviu um singelo ruído. Muito baixo, mas seus instintos e audição aguçados não a deixavam na mão, jamais. Encostou na parede e ouviu:
- Kira, você não devia estar aqui. ( sussurou a menina ) - Alessa caminhou mais um pouco para ver quem eram.
- Eu sei,mas eu precisava saber se você estava bem. ( sussurrou ainda mais baixo o rapaz )
Nesse momento, Alessa estava próxima o bastante para fitar o casal, claro que sua visão ajudava, uma pessoa normal jamais enxergaria qualquer coisa àquela distância.
- Eu sei, mas eu estou bem e você precisa ir embora. Não devia ter me chamado. ( disse a garota um tom mais  alto )
- Eu ainda me preocupo.
- Mas você não deve... Terminamos há um mês. Você precisa seguir em frente.
- Eu não quero seguir em frente.
- Mas você deve. ( ela gritou )
Ele ficou em silêncio, olhando para baixo. Alessa sorria. Ele era bonito demais para estar correndo atrás de qualquer mulher. E se estava fazendo isso era porque se importava. A vítima perfeita na sua opinião.
Kira não disse nada. Apenas olhou uma última vez nos olhos castanhos de sua ex namorada, Sam e virou as costas. Não permitiu que a lágrima presa em seu olho esquerdo caísse. Foi firme. Sam voltou para casa, em frente, e fechou a porta sem hesitar. Alessa sabia o que tinha que fazer.
***
Kira ia embora quando ouviu algo. Era Alessa, mas é claro que ele não sabia disso. Ele se virou para tentar descobrir de onde o som atrás de si podia ter vindo e nada viu, mas quando piscou por breves segundos uma mulher, morena de longos cabelos negros como a noite sem lua, olhos pretos como o rio que não reflete nada, e sua boca colorida de vermelho. Ela sorriu e foi o sorriso mais belo que ele havia visto em toda a sua vida. Seu coração bateu um pouco mais rápido, mas ele tentou não demonstrar nada. Alessa estava com os braços cruzados e apoiava a perna direita na parede.
- Olá, Kira. - disse ela com a voz mais sensual que um ser não humano poderia ter.
- Como sabe meu nome?
Alessa caminhou devagar na direção de Kira e depois de descruzar os braços disse:
- Por acaso ouvi o final da conversa entre você e a ruiva do lado.
- E posso saber por qual motivo estava ouvindo conversa alheia?
- Foi um deslize. - ela disse, aproximando-se mais - não pude evitar depois de olhar você. Precisava saber... - virou-se para esconder um sorriso.
- Saber o que? - disse Kira, agora mais calmo e curioso.
- Se ainda estavam juntos.
- Como sabia que havíamos ficado juntos?
- Eu sei de muita coisa, Kira.
- Como o que?
- Como que você não a ama, e que sua corrida até aqui atrás dela, foi apenas um momento de fraqueza. Sei também que está à procura de um novo alguém na sua vida. Você sabia que ela estava bem, mas precisava dizer um adeus verdadeiro.
- Ok, agora estou assustado. Você está me espionando?
- Não. Li sua mente, apenas.
- Hahaha, tudo bem. Acredito.
- Pois devia. Caso contrário, como saberia que pensou nesse exato momento que gostaria de me beijar?

Kira não respondeu. O sorriso sumiu de seus lábios de súbito. Ele olhou para Alessa que também estava séria. Ele mal teve tempo de raciocinar. Alessa o prendeu contra a parede. Uma mão no pescoço e a outra prendendo uma das mãos. A outra estava livre, mas Kira não se atreveu a move-la. Quando fitou os olhos escuros, mas sem vida de Alessa ele soube o que ela era de verdade, porém, percebeu tarde demais.
Segundos depois de ela o olhar também nos olhos e sorrir,  cravou-lhe os dentes no pescoço livre que apesar de exalar um perfume tão intrigante que por átimos de segundo ela hesitou em seu movimento, não foi o bastante para impedi-la. Ele gritou, baixo, mas gritou. No entanto, a dor era mais prazer que agonia, logo, ele permitiu que a nem tão jovem vampira continuasse. Seu pescoço marcado por desenhos, bem como grande parte de seu corpo foram mais que atrativos para Alessa. Seu corpo desenhado e trabalhado deram a ela mais que motivos. Deram razões certeiras para que ela o tivesse.
Ele fechou os olhos e pressupôs que agora e ali no beco da rua de sua antiga namorada ele morreria atacado por um ser das Trevas. Mas Alessa parou. Com a boca suja de sangue limpou-a com as costas da mão. Sorriu e mostrou os dentes vermelhos para Kira que cambaleou, mas ficou de pé. Ela segurou a outra mão dele contra a parede. A respiração entrecortada de Kira e seu coração disparado, não de medo, mas de desejo revelaram a Alessa o que ele, de fato, queria: ela. Mal sabia ele que ela queria mais que seu sangue, sua boca ou seu corpo...
Ela não se importou com o gosto que ele sentiria de sua boca e o beijou. E ali ficaram por várias horas. Até que os primeiros raios de sol iriam nascer e Alessa foi forçada a deixar Kira.
***
- Por que não me matou? - perguntou Kira após um longo tempo.
- Porque ainda não está na hora.
- Quer dizer que irei morrer?
- Provavalmente.
Kira ficou em silêncio
- Algum problema, Kira?
- Não. Ser morto por você seria uma honra.