30 de dezembro de 2017

Análogo

É um caminhar solitário. Todos os dias quando abro os olhos e fito a claridade que o sol dispõe sob  minha janela que dormiu aberta. E então, em um esforço desnecessário, mas rotineiro consigo forçar meu corpo a sair desse objeto que tanto amo,  mas não devido àquele sentimento que muitos jovens ousam "sentir" ... prostração.

Sinto um pulsar mais forte em meu peito, mas sei que não é o órgão responsável por enviar fluídos pútridos ao restante de meu envoltório sem valor. Logo, penso. Chegou a hora? Já estava demorando demais, no entanto, a dor que senti abaixo dessa "tosca caixa toráxica" cessa. E então lamento, pois será mais um dia, uma semana, um mês que terei de encontrar formas de colocar nesse rosto manchado de agonias passadas, cansado de rituais frívolos, e desmerecedor de tantos olhares fingidos... uma expressão amábile.

Cansei de tentar justificar, explicar aos desprovidos da capacidade de entendimento de tal desgosto o que se passar nesse meu cérebro danificado. Deteriorado ele está, assim como meu espírito... se é que tenho um. Afinal, demônios choram. 

Encontro acalento em poucas coisas. Alguns pedaços de papel dispostos juntos, formando um retângulo perfeito, neles há vários vocábulos que são aptos a me levarem para um universo diferenciado desse ao qual somos obrigados a viver. Minha mente se desprende de meus putrefatos e sem significado restos mortais e vaga por esses inúmeros mundos. 

Jamais idônea. Jamais suficiente. Nunca diferente. 

O análogo cansa. 

E eu sigo cansada. 






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25 de dezembro de 2017

Laço

o etéreo tilintar de nossos corpos
[copos]
o álcool estremece
por seu corpo minha boca desce

na longanimidade da existência
efêmera do desejo
de você não sofro abstinência

de todo vilipêndio que a vida me vituperou
sua presença apóstrofe à dormência
[do espírito]
por fim meu ser jazido no leito, acordou

***

quero ver-te adormecer em meu colo
plantar-te-ei em meu sagrado solo
suas sementes são seus beijos
e eles me trancam em seus segredos

mas é de uma prisão que não quero sair
do mundo apenas fugir
e esconder-me-ei em seu abraço

porque eu antes apenas um sujo nó
ao fitar-te com meus olhos cansados
fui capaz de fazer-me laço









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Thor

eu clamo por sua presença, no momento que sua ausência, se faz presente
eu enxergo o vento que beija seu cabelo louro 
eu escuto a cor do céu que à noite reluz no rio o seu rosto (por mim) clemente

" grito em silêncio as borboletas do meu estômago"

posso ter perdido grande(s) amor(es) e tantos outros não horrores
mas encontrei na sua magnífica pessoa
tudo aquilo que escondi nas notas jamais tocadas, os mais diversos clamores

alguém permita-me salvar-me deste assombroso destino
o que acontece, meu deus Odin
eu sinto algo que até então não fazia mais sentido 

Beija-me Thor e Senhor
Aceitas minha dor?
És capaz de sentir amor?

Não lhe peço que fique para sempre
Mas se quiser encontraremos
um lugar para bebermos
a paz que o sentir
é capaz
de transmitir.

ônix.






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Odin



Ethan caminhava solitário pelas ruas da iluminada Nova York naquela simplória quarta-feira de março. 

Suas costas largas pareciam querer rasgar a camiseta de linho vermelha que trajava, e seus cabelos loiros caíam nos ombros formando alguns cachos. O vento batia em seu rosto e fazia com que as madeixas se tremelezuiam diante das numerosas luzes da cidade que jamais dormia.

Com as mãos no bolso, sentiu em um deles o celular vibrar. Temeu ser quem não devia, portanto, não se importou em atender ou chegar recados. A noite estava perto de se tornar madrugada e poucas pessoas ainda se encontravam na rua. Ethan precisava chegar em casa, mas ainda faltavam pelo menos duas quadras. A Times Square pareceu um bom lugar para passar a noite, visto que ele evitaria um de seus colegas de apartamento que nos últimos dias só fez falar em sua cabeça acerca de suas compras, vendas e consumo "nem tão legais" assim.

Mas naquela noite Ethan não poderia dormir fora de casa. Não era uma simples quarta-feira de março. Era a quarta-feia, noite de Lua Vermelha. E antes que suponha qualquer coisa Ethan não se transformaria em um lobo sanguinário disposto a matar tudo e todos, um lobisomem. O problema de Ethan era levemente pior.

Finalmente estava em casa e ao colocar a chave na fechadura da porta sentiu algo que não sentia há vários anos. Uma presença. Algo sombrio. Não soube dizer o que era. Não seria capaz de descrever a presença que sentira ao colocar a mão na maçaneta. Paul estava em casa, pelo menos era o que havia lhe dito algumas horas mais cedo, no entanto, ao adentrar na casa Ethan teve a certeza de que apesar de não estar sozinho não era com Paul que ele estava.

- Mostre-se. - disse Ethan com um tom de voz ameno, mas firme. Após acender as luzes da sala de estar. Todavia, ele não obteve resposta nenhuma. - MOSTRE-SE! 

Ethan sabia que algo estava na casa. Uma presença maligna. Ele sabia disso, mas não sabia como enxergar, como fazer seja lá o que for que estava na casa aparecer. Até que...

- Ethan. - uma voz de tom muito grave surgiu dos fundos da casa, de onde não havia luz alguma. Ethan virou-se de súbito para a direção de onde o som provinha. - Ethan! - a voz pareceu chamar por Ethan novamente, mas com mais força e querendo que Ethan olhasse para ela, mas como ele enxergaria algo naquele breu?

- Quem é você? Mostre-se! - ordenou Ethan dando alguns passos à frente, mas sem adentrar na escuridão de sua própria casa. 


- Você foi convocado, Ethan Crawford. E você deve aceitar a missão.

- Como eu posso aceitar uma missão que nem sei o que devo fazer?

- É seu destino. 

- Cara, estou falando com uma voz invísivel, não foi aceitar porra nenhuma!

- Ethan Crawford, sua missão consiste em tirar a vida de um ser em especial.


Ethan não estava entendendo nada, e mesmo sem arma ou poder algum decidiu se aproximar de onde a voz parecia surgir. Seu quarto. 


- Então quer que eu me torne um assassino?

- Não finja ser o que não é, já tirou vidas antes. - disse a voz com um tom sarcástico.

- Isso foi diferente. - disse Ethan virando-se na direção oposto à voz.

- Você deve aceitar a missão. 

- Mas que missão é essa? - esbravejou Ethan, uma vez que ficou irritado com a voz.

- Você precisa derrotar uma grande entidade chamada Skuld. Ela é uma antiga descentende da primeira Valkíquira Brünhild e nos últimos dias se mostrou uma ameça para todos.

- Que tipo de ameaça?

- Isso não é de seu interesse, Ethan. Apenas aceite a missão e não sofrerá mal algum.

- Por que eu? 

- Você, Ethan Crawford, é um semideus. Você é filho do grande deus Odin.













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13 de dezembro de 2017

Fairytale


Aconchego-me em teu abraço quente
encaixo-me dentro de seus braços
perfeitamente

embriago-me em teu sorriso doce
bebo de tua risada como se álcool
fosse

perco-me no brilho de teu olhar sereno
desvendo o labirinto de seu corpo
ameno

***

Não há súmula de vocábulos suficientes para descrever a sensação
que meu corpo exala, e minha boca procura, e meu espírito canta
diante da imensidão que o universo oferece em descrição
não encontro palavras que seriam capazes de traduzir tal tradução
é como se minhas mãos buscassem, e minha alma quisesse a sua
somos dois espíritos revoltos, perdidos diante da escuridão nua


Urdo um caminho para te caminhar em mim
e você anda com graça, jamais encontra fim

[adormeço ouvindo sua voz e caio na profunda escuridão
não abro os olhos, sonho.]

E quando acordo não era mais devaneio
você dormia ao meu lado, lindo e sem receio
Como as cordas do violão que tilintavam solene
você era o sonho mais incrível e perene

Eu vi.
Eu sorri.
Mais eu quis.
E assim o Universo disse...
Tereis.



Será?









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5 de dezembro de 2017

Sub

Eu estava parada no metrô, caminhava lento. Os trilhos sujos e marcados pelo tempo. A passarela cheia de marcas, de passadas de pessoas passadas. O relógio marcava três da tarde. Meu coração marcava saudade.

Entrei. Sentei. Os minutos passaram. Cheguei em casa horas depois.

Conversamos. Sorrimos.
Falamos. Felizes parecíamos. Somos?

Sua risada me contagiou.
E então, antes de cair sob a água morna do chuveiro, saímos.
Mas na volta a natureza cedeu e as nuvens despencaram. A água fria nos banhou.

Mas pelo demônio fui carregada. E enquanto ele corria eu via... a água que caía. 
E aquele momento foi eternizado em minha solene memória.
Como as marcas que me deixa não de forma nem tão simplória.
Foi um átimo de segundo, o bastante para aquecer meu espírito.
A dor que me aflige todos os dias é dissipada por sua máquina.
No colo do demônio desejei adormecer.
Todavia, cabia somente a ele querer.

E eu carrego a sina de amar o nostálgico, de ceder aos possíveis "e se", e de chorar à noite por aqueles que nem estão aqui. Sob um manto sépia meus olhos marejados pela sua dor e agora pelo meu mais puro amor, eu desfaleco diante da verdade. Agradeço cada verbo, mas não fui capaz de despertar a saudade. 

Foi apenas um dia. Algo ( você ) que jamais me cansa. Apenas uma lembrança. 




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19 de novembro de 2017

Alheamento

"Somos sempre demais, mas nunca o bastante"

" I was used
maybe abused
and the worse
I was lucid
I knew it
I knew it "



Você mentiu.
Você sentiu.
Eu acreditei.
Eu falhei.

"No alheamento da obscura forma humana"

o ígneo respirar de meus pulmões cansados
tentam lhe entregar um último suspiro atarracado
mas falho como todo o resto, como meu corpo agregado

você foi meu sonho mais abstruso
por você me aceitei recluso
mas sendo sempre sem ser o bastante
eu cinquei na missão do encante

"  Quisesteme beijar a ara do peito
E eu quis beijar-te o lábio redolente"

te recebi e guardei em meu sacrário simplório
removi meu sandal desprovido de luminosidade
lhe entreguei o miocárdio que nunca existiu
mas você já havia pegado tudo o que queira
pelos motivos pelos quais (me) embaiu

Arrepelei-me por seus motivos
Aos prantos cheguei a ficar
mas hoje sei o problema era não poder entrar
nunca foi você como me asseverou
o problema é ser o que sou









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11 de novembro de 2017

Elevator

me agarra no elevador
me beija vorazmente
não resisto, não luto
era aquilo que queria
meu espírito demente

e torce meu cabelo entre as mãos
e inclina minha cabeça em direção ao chão
nossas respirações entrecortadas
se estamos abaixo ou acima
antes estávamos nas escadas

o prédio dorme
nosso desejo nos consome
você me despe no elevador
não hesito, não há pudor

como você queria eu também sentia
mas ah que pena!
diante de todo aquele calor
eu não quis seu corpo
queria apenas seu amor
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10 de novembro de 2017

Abscondere

As palavas que saem de minhas mãos
possuem como destino todo e qualquer coração
mas principalmente buscam os poetas
que não puderam escrever e me deixaram essa tarefa

as palavras fazem sua própria música dentro
de meus poemas
e a cada nova poesia
dentro de mim é composta
nova melodia

Grito em silêncio as borboletas coloridas de meu corpo
a cada rabiscar de lápis no papel amassado
encontro outra razão para não deixar meu espírito morto

no papel eu me refaço, me encontro, eu nasço

ainda que tremendo eu escrevo, não me rendo
atrás dos livros me escondo
mas através da escrita
eu me exponho!


07.11



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5 de novembro de 2017

Hurt in Pieces



You hurt yourself today
but you knew you woudn't feel
you always focus on the pain
you believe it's the only thing real

the needle marked your body as a whole
the old paint to show
you try to kill some memories
but at night everything you know


What have you become
you are now strong
everyone you know
goes way, but I will stay

***

E eu poderia ter tido e sido tudo
- para você -
seu império de angústia
eu desmontei, por um tempo
você me deixou entrar
você me deixou tentar

- mas não por muitos momentos -
e eu só peço aos céus
que seu sorriso se mantenha
mesmo que olhando outros olhos

***

I close my eyes
And I know
That you were
An angel

What have you become?
My sweetest friend
Everyone you know
goes away
but i will stay
somehow
someway

- I just want to see your smile
because it is so beautiful and magical
I just want to see you now for a while
I would not be so tragical -

If I could start again
Not a milion miles away
I would keep you
I would find a way

Você está machucado
em partes
e como um todo
Mas eu serei seu curativo
sempre, um tordo
eu irei colocar na sua vida
a luz que lhe foi tirada
e que eu não possuo
mas ao seu lado
encontro

























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17 de outubro de 2017

mar

Se você flor
floresça em mim
e se eu for
ficarei em ti

se você poema
poeme-se aqui
e se eu escrever
poemando estarei assim

e se (contigo) eu rio
você (poe)mar
e nós juntos
(no) oceano amar

e quando a chuva cai
no aconchego do sofá
você fica e nunca se vai
nos beijamos aqui e lá


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5 de outubro de 2017

O baile

o caminho sem volta
a dor sem glória
o fracasso sem lógica
eu era uma lembrança
- jamais nostálgica -

"ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver "

nem ao verme dedico
pois ele merece mais
que meu desgastado corpo
preenchido de tantos ais

o latido do cão sem dono
a soturnez no olhar de abandono
a delirância do louco que jaz na cama
eu sou aquele que ninguém quis e nem ama

a ferida aberta cheia de sal
o corte pela adaga do mal
o pulso esquartejado
eu sou o demônio encarnado

o solitário caminhar do isolado
o desatino do que foi calado
a máfia do destino encapuzado
eu sou o homem bestializado

a cicatriz no pescoço da corda presa
a chama da vela vermelha jamais acesa
o baile nunca dançado
eu sou aquele que nunca foi amado

eu sou o que não vai
eu sou aquele que não vive
eu sou tudo o que cai
eu sou aquele jamais passível
de ser livre










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1 de outubro de 2017

Sehnsucht

enquanto dormia eu lhe observava
e ouvia, em silêncio, sua respiração
e por um momento quis chorar
pensando nas dores de seu "coração"

mas então lembrei-me de mais cedo
que eu antes precisava de acalento
mas enquanto você sorria e falava
com sua presença
o meu espírito finalmente se cala

[ele se aquece com seu corpo
e então eu quero te ver sorrir]

como o piano que se embala sozinho, pois no fim
os dedos do singelo do pianista  lhe fazem sentir
a melodia que durante a vida toda lhe foi negada
e então noto que não sou piano,
mas uma música inacabada

ela não pode ser finalizada
pois ela se refaz a cada novo dia
que passo ao seu lado, parece magia

"espalho balas de canhão, é inútil, pois existe um grão vizir"


eu não preciso de esforço
basta-me uma palavra sua
e regenero a energia que assim atua
nesse flagelo de corpo estralhado e sem motivo
arrastado e ignorado, mas que eu insisto

[o que Odin criou ao redor de sua aura
desconheço
o deus nórdico lhe enviou a mim
e agora mesmo que ficais longe
mesmo que se manteis distante]

o que você tocou foi minha alma
e apesar de não saber qual sua missão
compreendo o que pôde fazer
por esse ser impassível de compreensão

o que antes era deteriorado
hoje restaurado
minha alma negra que nada conduz
agora é passível de absorsorção da luz

nossas energias foram traçadas em outras vidas
e ainda se encontrarão por outras idas e vindas

e se eu puder ver um sorriso em seu belo rosto
mesmo que eu não desfrute de seu majestoso corpo
ou que eu não possa estar na sua não divina,
mas semideusa presença
mesmo que eu não possa lhe ouvir
ou palavras de carinho a você proferir
estareis feliz, pois tive ao meu lado o Demônio Anjo
e assim finalizo enfim esse simples arranjo










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27 de setembro de 2017

I need some help*


* Música de Eels - I Need Some Help


" you just gotta let it go"


Eu provei dos teus lábios
e do teu corpo
eu me afoguei no mar
de um sorriso maroto

[ I was used
maybe abused
and the worse
I was lucid
I knew it
I knew it ]

And I did not care
how many times did you asked
are you fine?
no, but it is ok
for now, you are mine


are you there?
Because I'm still here
And I feel somewhere
That you're still near

Há uma diferença entre essa e aquela dor
o que eu estava pensando?
que juntos estaríamos andando?
Mas demônios não sentem amor

Pelas portas do inferno passei
mas era ao seu lado que eu estava
logo, acreditei. Óh, aqui ficarei
mas não, uma voz em meu ouvido cantava

Você provou dos meus lábios e do meu corpo
pequenas amostras, mas é só isso, corvo
o pássaro negro a este lugar não pertence
e eu nunca quis você, ó ser demente

Então, como foi capaz de me cativar?
Acontece que essa classe de demônios
é muito fácil de enganar
mesmo que não tenha sido minha intenção
sei que penetrei, também, em seu coração

Deixe-me tocar para ti uma música
não é preciso, corvo
deixe-me, uma última vez,
tocar seu corpo

[Agora é tarde, demônio
Fui-me para longe deste património]

"Você tá sempre indo e vindo" *

Eu fico em posição fetal
chorando lágrimas que não tenho
por um medo bobo e desfenho
por um sonho mais que banal

Você é a minha droga perfeita
trabalhada com minha própria desfeita
eu a aplico devagar, bem devagar
para que assim ela possa me acalentar
Por que faz isso, corvo demente?
Você é minha queda, demônio ardente

Eu sou o nada absorto entre dois mundos
nunca vou e nunca fico
jamais sei sabendo isso e aquilo
eu me julgava forte
mas mal sabia que contava com a sorte

Eu lhe peço perdão, rei dos infernos
pode um demônio perdoar o outro?
Você é meu anjo louro
e eu
sou o que restou do ogro



[ ainda ei de terminar esse ]















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25 de setembro de 2017

King in the Hell

Eu fico ouvindo o piano e me imagino tocando
você está sentado ao meu lado,  observando

movo meu pescoço conforme a melodia
e você sorri, pois nota minha paixão

mas mal sabe você que toco para ti
por quem bate meu simplório coração

***
Eu vi o pai de todos os demônios
e eu adormeci ao seu lado
tive os melhores sonhos
e cheguei a crer, por acaso
na verdade, eu cheguei a me imaginar
indo ao seu encontro
correndo pra te abraçar

Nunca haveria eu de imaginar
que demônios poderiam amar
- e de fato não podem -


[Cicatrizes na pele podem se curar
mas as deixadas na alma
parecem jamais sarar]


Acontece que eu não aguento mais esses acontecimentos
a cada dia que passa são novos sofrimentos
cada decisão tem uma consequência
mas parece que minha vida é regada a falência

Nem os Anjos caídos conseguem me reerguer
a cada nova queda 
estou mais ao fundo do antes poderia crer

O Rei dos Infernos cantou-me uma canção
sussurrou em meu ouvido 
as mais doces palavras
e acariciou meu cabelo
com suas mãos marcadas

[Mas quando eu lhe disse a verdade
ele sorriu
e partiu]






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18 de setembro de 2017

Meu LIVRO - Confissões de um Suicida

Ai gente, meu bebê finalmente saiu. Confissões de um Suicida é meu primeiro livro solo. São 64páginas de poesia, naquele estilo que vocês conhecem, né.

Você pode comprar por apenas 15,00 golpinhos. Envio para todo o Brasil, frete fixo de 7,00. Pode falar comigo pelo email thaysmp14@hotmail.com ; insta: @lupademonae @thaysmdepaivaescritora e whats (35) 9 84182545

E vou disponibilizar a forma de pagamento pelo PagSeguro em breve. É isso!





Confira uma breve Biografia minha e Sinopse do livro!

"Thays escreve poemas desde os 10 anos de idade e romances desde os 15, nenhum publicado ainda. Além disso, escrever crônicas e contos de fantasia também fazem parte de sua vida. Possui como grande inspiração a autora J.K Rowling e sua obra Harry Potter, tanto que marcou na pele uma das mais memoráveis frases da autora: "Hogwarts will always be here to welcome you home". Thays sonha em ser reconhecida como escritora, futuramente.

O Confissões de um Suicida é formado por vários poemas separados em 4 partes, ou fases. Cada uma delas pode ser entendida como uma fase de minha simplória vida. Se já leu Augusto dos Anjos a segunda fase pode lhe soar familiar, afinal poemas soturnos e por vezes com vocabulário pútrido, mas não consegui evitar. Nem mesmo para falar de amor. A última fase, Vida Após a Morte é talvez a única com caráter mais jovial e alegre.

São 28 poemas em 64 páginas, todos muito significativos para mim, e apesar de ter esquecido de colocar alguns - que estão sendo dispostos no segundo livro - , cada um deles mostra uma parte de minha alma, se é que tenho uma."







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13 de setembro de 2017

Sobre a escrita

Eu vivo fazendo empréstimos.

Sempre que começo uma nova leitura pego os olhos do autor emprestado e sua voz também. É através dele que me refaço naquele novo amotoado de papel. Reservados para os olhos não cansados, os livros me fazem seguir de uma forma que a maioria das pessoas não consegue. Cada palavra que adentra meu cerébro constrói aqui dentro uma infinidade de histórias, no entanto, não sendo merecedora da dádiva que tais autores possuem, eu falho em colocá-las em um pedaço de papel qualquer. Pelo menos, à primeira vista.

Depois de algum tempo, as palavras parecem se reogarnizar de forma solitária e íngreme na minha cabeça que matuta coisas sem sentido o tempo todo. E então, sem nem ao menos perceber estou rabiscando em um dos meus vários caderninhos algo. Algo que, a príncipio, pode não fazer sentido para você. Ou para mim. Mas, uma vez que tenho lapidado o texto noto que, de fato, posso fazer alguma mágica com as palavras.

Todavia, o maior feitio mágico que sou capaz de contar através de escritos malfeitos é exatamente o que acontece comigo mesma. Ao transpassar para papeis manchados de lágrimas que não foram derramas por meus olhos cansados da vida, marejados da dor que escondo todos os dias... É ali que a magia acontece, pois nesse ato transpasso não apenas ideias e palavras, mas toda a angústia que se havia formado em meu âmago. E então, como alguém que ficou em baixo d'gua por tempo demasiado, eu respiro. 

E então, fito meu reflexo distorcido no espelho sujo. Não me reconheço, porém, vejo além. Vejo escritos se formando acima de minha cabeça. Como uma aureola de palavras. Elas são negras, obviamente. E concluo que posso não ser um Anjo e ser um demônio, mas um demônio das palavras. 





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29 de agosto de 2017

Le Piano

" A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas a angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música. "

The Last Song


Eu já devia saber 
mas não queria entender
que eu era as teclas pretas do nosso piano
enquanto você era as brancas, o maior encanto

Você beija o sol
enquanto sou chuva
você me conquista
enquanto nem mesmo luta

A delicadeza de seu toque
revela o real sentimento
e sozinha em meu quarto escuro
entendo

[com os fones de ouvido
ouço nossas músicas
que sempre foram suas]

e de alguma forma você as entregou a mim
mas nunca significaram nada
assim como eu
sozinha
no eterno breu

eu era como aqueles livros velhos e acabados
nos sebos e livrarias
que todos olham, mas ninguém levaria

como o dia nublado
mas você como o sol ilumina
e quero encontrar seu sorriso
em cada esquina

e quando encontro
meu corpo se alegra
o som do violino é feliz
a orquestra bate em meu peito
e a seu lado me deito

mas então vai embora
e me abandona à sorte
que não vejo e não encontro
e então choro

***

[eu sou o piano quebrado
molhado no mar 
eu não possuo som
pois minha voz se esgotou de tanto gritar]

são gritos inaudíveis
são gemidos silenciosos
são os escritos brancos
as profecias não críveis 

eu sou tudo e nada
a desgraça e a serenata
depende de quem vê e ouve
e você está cego e surdo
e finge que não sabe o que sempre soube




[ um dia, terminemos]








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27 de agosto de 2017

Sobre a efemeridade, parte II

Você não permite que as pessoas se apaixonem. 

Por que está aqui? Como chegou? Por que continua?

Desconheço a razão para tanto esforço.

" A morte é fácil, díficil é viver" .

Por que me obrigam a isso? Vocês são egoístas, pois não pensam no quanto estamos doloridos, só nos querem por perto. Para suprir a falta de vocês, jamais a nossa. Estamos sofrendo. E vocês fingem que querem nos ajudar, mas não é por nós e sim porque são incapazes de seguir suas vidas sem nossa presença falha. Mas nem ao menos tentaram.

***

O vazio existencial, a dor marcial, o sofrimento interno que se debulha em meus olhos cansados e caídos. Minhas mãos teclam palavras, e com o lápis rabisco coisas sem sentido no meu diário. No final do dia, deito minha cabeça no travesseiro e fito o teto branco de meu quarto.

Um quarto manchado pelas minhas lágrimas diárias que se mantém escondidas. Um  quarto surdo dos meus gritos silenciosos a  cada madrugada.  Um quarto cego, pois furou os próprios olhos quando percebeu que seria obrigado a me ver todos os dias.

À meia-noite ainda estou cansada mesmo tendo passado o dia todo deitada, pois fui incapaz de fazer algo útil. Estou quase me fundindo à cama, levanto-me apenas para atividades básicas e para inserir mais alimento neste envoltório sem valor. Assim como meus feitos ele nada vale, e eu insisto em tentar algo novo a cada dia para oferecer a vocês mais tempo.


"A decadência é tão grande que nem mesmo naquilo que um dia, erroneamente é claro, julguei ser capaz de fazer corretamente, hoje percebo que nunca soube. Era tudo uma grande ilusão, uma insistência fútil de tentar vencer, mas tantos outros já haviam vencido, portanto, não haveria lugar para um verme miserável que acreditou ser capaz de ultrapassa-los. "

O que me consola é a efemeridade do tempo e da vida. Logo, serei apenas pó, não como aqueles que forço garganta abaixo na esperança de um sorriso mais duradouro ao longo do dia. 

***

Eu me ofereci a você, eu tentei de todas as formas possíveis ser suficiente, mas não fui. Eu nunca sou. Todos se cansam, e vão embora. Você nem ao menos chegou a ficar. Fingiu, no início, que poderia ser, mas não foi.



Alles gute zum geburtstag, Thays


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20 de agosto de 2017

Shandar

com os olhos pequeninos
e os pelos finos
apavorada estava
mas logo se acalmou
em meus braços,
ficou

[de um lado do rosto, preto
do outro branco
mas o medo estava mesclado à carência
estampado no olhar assustado]

mas uma vez que estava alimentada
limpa e calma
em meu peito se acomodou
mas não apenas ali morou
em meu coração criou raízes

seus carinhos de manhã
e também à noite
me acalmaram e me deixaram feliz
o que havia tanto pedido naquele dia
chegou à minha casa, enfim

deus não faz parte de tudo isso
mas o Universo parece agir de forma semelhante
ele me deu um presente
apenas para aprecia-lo, por algum ou quase nenhum
instante






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18 de agosto de 2017

Projeto Nacionais

Oi, povo.

Então, decidi começar esse mês um projeto de leitura de livros de autores nacionais, quero dizer, além dos que eu leio que são mais conhecidos, mas gostaria de dar visão a autores que não são tão conhecidos ou mesmo nada conhecidos como moi.

Vou começar lendo os livros de autores que conheço e tenho contato como a Jéssica Macedo, Thaís Lopes - que fez a capa do meu primeiro bebê *--- - , Thaís Silveira, enfim essas são as que eu conheço, mas só no meu facebook tem milhares de autores que sei que escrevem bem pra caramba e eu gostaria de ter mais tempo e dinheiro pra lê-los. De qualquer forma, bora começar de algum jeito, né, mores.

Deixem sugestões, se quiserem, nos comentários de autores nacionais que vocês acham que eu gostaria de ler. As resenhas vão sair no meu blog de resenhas Conversas de Leitor. 


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17 de agosto de 2017

Blut - Parte IV

Você pode ler as partes I, II e III

***

- Você não está falando sério, Sam! – exclamou Kira ao se dar conta de que a ex-namorada poderia, de fato, estar falando sério. E como ele temia, uma sede descomunal passou a tomar conta de seu ser.
- Nunca falei tão sério na vida, meu amor. Agora seja um bom menino e me ajude.
- Como eu poderia ajudar você? Estou morto, lembra?
- Só até chegarem com a comida, oras.
- Eu não posso acreditar nas coisas que está falando. E não consigo acreditar que você julga Alessa, mas é a mesma criatura que ela. A diferença que ela é melhor.
- Não ouse dizer que aquela coisa é melhor que eu! Eu sou mil vezes melhor.
- Nunca! Você me sequestrou. Se aliou aos inimigos.
- Como pode saber quem é o inimigo? Por acaso sua queridinha não lhe contou a história?
- Que história?
- Sobre você e o que ela realmente quer.
- Do que está falando, Sam? – perguntou Kira, um pouco mais calmo, mas agora definitivamente intrigado.
- Ela só está com você porque irá lhe oferecer como sacríficio para um tal de Pio aí.
- Você é muito ingênua mesmo. O Pio não pode ser o líder. Alessa é por direito. E ela vai conseguir o seu lugar.
- Sim, iria se você ainda fosse um humano.
- Explica.
- Alessa precisava de um humano do qual ela se importasse para oferecer como sacríficio maior para Pio e os regentes da Grande Mansão porque esse ano é o ano da Lua Cheia Vermelha Total que só acontece a cada 300 anos. Quando isso acontece um vampiro pode oferecer à natureza uma vida e em troca a natureza lhe dá algo.
- Tipo o que?
- Ninguém sabe.
- Nossa, que idiotice, Sam. Acha mesmo que a Alessa iria cair nessa história do Pio?  No mínimo, é algum plano dele para matá-la. – disse Kira, levantando-se da cama onde estava sentado, mas não pode andar muito, pois seus calcanhares estavam presos à correntes.
- Claro que não, Kira. Ele me disse. Já aconteceu antes, mas a pessoa que ganhou o presente da natureza morreu em seguida.
- Muito prático.
- Não importa. Você não é mais útil para ela. Agora podemos ser felizes juntos.
- Haha, só que não, né. Primeiro, que se eu não me alimentar de um humano eu morro. Segundo, depois que eu fizer isso vou me encontrar com a Alessa e pensar em como resolver a questão do Pio.
- Kira. Entende, ela não te quer mais.
- Você não sabe disso.
- Tudo bem, então. – concordou, falsamente Sam, pois ela havia ouvido barulhos vindos de fora da casa e soube que os capangas de Pio haviam chegado com a “comida” de Kira. – Vou soltar suas correntes e você me segue. Se tentar fugir eu te mato.
- Quanto amor! – disse Kira, ironicamente.

Quando Sam soltou as correntes que prendiam Kira ele não se mexeu. Ficou aguardando algum movimento da moça. Que sorriu para ele antes de tentar beijá-lo. Kira desviou o rosto e olhou furtivamente para ela, que desdenhou outro sorriso nos lábios maquiados de batom rosa. Em seguida, fez menção de se dirigir à porta do quarto e pediu que Kira o seguisse. Quando chegaram à sala, uma mulher jazia adormecida, quase morta, no sofá de três lugares e ao seu lado, dois homens altos e fortes estavam prostrados como duas estátuas.
- Kira, você sabe o que fazer.
Kira não disse nada. Apenas sentiu seu coração bater mais rápido e sua jugular pulsou com força. Seus olhos ficaram vermelhos e ao redor deles veias surgiram. Ele tentou lutar contra o instinto predador, pois não queria tirar a vida da pobre e inocente moça que adormecia no sofá. Mas ele sabia que se não se alimentasse logo morreria, e morto – de verdade – ele não poderia estar junto de Alessa.
Kira, em um movimento rápido, investiu os dentes afiados e brancos no pescoço da jovem, que gritou ainda que dormindo. O sangue escorreu de seu pescoço e lambuzou todo e rosto e camiseta cavada branca de Kira. Ele não se importou. Sugou com vontade todo o sangue do corpo da mulher. Mal parava para respirar. Quando sentiu em sua língua a última gota de sangue, parou. Limpou a boca com as costas da mão e virou-se para Sam:
- Preciso de mais.



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14 de agosto de 2017

Quando o brilho do sol nasce diante de minha janela trincada


"You're no good for me
Baby, you're no good for me
You're no good for me
But baby, I want you, I want"


E se meu corpo e mente responderem apenas à dor?
E se eu não puder mais sentir amor?


E se eu nunca mais poder sentir?
Prevejo, deveras, um fim
Mas não choro
Esqueço
Ao beco pertenço


De mãos dadas com a escuridão
por onde passo vejo uma multidão
de anjos
e tento,
falho
e choro


fazer parte da luz nunca fez parte do plano
mas qual é o sentido
por que estou aqui
e para onde irei
o que sei
é o que jamais soube
o que nunca quis saber
de que me vale a vida viver


a cada brilho do sol que nasce diante de minha janela trincada
como minha alma marcada e manchada
é uma oportunidade que me é dada
e como sempre não vale nada


"it's you, it's you, it's all for you"


não me ensinaram a olhar no espelho
não me ensinaram a aprender
a sorrir sem querer
e a amar sem um amor certeiro


um monte de ossos colados a um membro só
um par de olhos a olhar o nada cheio de pó
um órgão que bombeia fluídos para um corpo
um envoltório em seu próprio mundo absorto


não há espaço para ninguém
não deixe o sentimento entrar
faço de mim mesma refém
e minha benção é poder matar


mas minha maldição é poder ressuscitar
todos os dias, de manhã, ao acordar
quando o brilho do sol nasce diante de minha janela trincada








Cinnamon,

can you smell it?


I can't. Not anymore.


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6 de agosto de 2017

O que

"Summertime sadness
Kiss me hard before you go"

Eu só queria que você soubesse

Que eu lhe amei mesmo sem saber o que é amor; e que você me acolheu mesmo sem saber  que me salvou;

Me desculpe por tudo lhe causei; eu simplesmente no fundo, apenas lhe amei; sem saber;  sem pedir
sem requisitar um espaço em sua vida pedi; mas preenchi;  aquele que jamais quis.


Uma vez eu jurei jamais sofrer por tal motivo; mas como podemos impedir as lágrimas de cairem; como podemos impedir o sentimento de existir; o que fazer quanto tudo o que resta é resistir? Eu sei que não é sua culpa; mas eu havia lhe pedido; eu lhe enviei o recado; e mesmo assim você; seguiu como se estivesse tudo amenizado. Cá estou; solitária, novamente; debulhando-me em lágrimas as quais; você, sozinho ou não; não merece; mas elas lhe pertencem, no entanto, não sei o que fazer com elas.

Não sei se lhe devo perdão, talvez devo
não sei se lhe devo satisfação
talvez não devo


e não encontrei outras formas de expressar essa dor senão através da escrita, então me desculpe se lhe ofendi de alguma forma, mas no final quem saiu ferido e estraçalhado fui eu.

Eu queria ser uma pedra de gelo como seu coração parece ser, mas não lhe culpo, afinal, como algo tão belo poderia se apaixonar por algo tão escuro como eu?

Meus dedos estão gelados, minhas mãos estão frias
meu corpo está paralisado
as imagens e os sons ecoam em minha mente pertubada
cada gota salgada que cai de meus esbugalhados olhos
correm pelo meu rosto deformado
afinal, como haveria algo tão magestoso se apaixonar por algo tão horrendo?

a modificação a qual nos subtmetemos de nada vale diante da perfeiçao que a sociedade apresentea a você dia após dia

Eu só lhe peço perdão

por ter permitido que tal desonra fizesse parte de sua vida, ainda que por pouco tempo

Eu não sei o que mais estou escrevendo
o que valho
afinal
por que estamos
ou estou aqui?

Um dia, quem sabe, na imperfeição da qual este magnifico universo foi feito, eu seja capaz de terminar esses versos estampados da minha dor que foram causadas pelo seu sorriso.


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3 de agosto de 2017

Nostalgic Lullaby

a perícia de suas mãos marcadas
a maciez de seu corpo desenhado
a sua boca que emite palavras narradas
aquecem meu coração de tristeza manchado

meus olhos marejados de dor
encontram consolo no seu sorriso, amor
meu pulso ganha vida ao lhe tocar
minha pele se arrepia ao lhe encontrar

mas de que me valem as rimas
se elas existem apenas aqui
de que me vale seu sorriso
se ele não é para mim

e assim sigo dançando sozinha
esse baile solitário
uma vez em minha cabeça criado
sem música e sem instrumento
eu danço sozinha
a balada da vida, nostalgia

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14 de junho de 2017

É assim que acaba o mundo*

eu poderia admirar seu sorriso
o dia todo
sem compromisso

e tocar seu peito
beijar seu pescoço
e encostar no seu rosto
o meu

sentir seu cheiro e suas mãos
que dançam em mim
e fazem tremer o coração

me joga na cama
e tira sua roupa
não nega o fogo que lança
e assim me deixa louca

o nosso ritmo é perfeito
nossa música é um gemido
seu prazer, eu leio
e eu termino, com um suspiro



* referência ao poema de T.S. Eliot


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9 de junho de 2017

Fade Away

Como um corpo que apodrece ao entrar em contato com a água após algum tempo em baixo da terra
Como um ferro que se desfaz ao ser tocado pelo vento após algum tempo em baixo da água

" you were the shadow to my light"

Como uma lágrima que escorre no rosto soturno
Como o sangue que sai da mão que soca a parede

" I'm faded"

Todos os meus motivos são errôneos e eu não compreendo como é possível caber tanto desespero em um corpo tão pequeno. Todas as tentativas são falhas, elas já começam caindo. E meu flácido e desvanecido envoltório que pede um descanso eterno que sempre lhe é negado devido ao egoísmo alheio agora jaz nesse objeto feito de madeira, mas que me parece ser feito de prego, uma vez que minha cabeça não repousa nele.

Os outros que são apenas outros me olham, mas não enxergam. E julgam... E dizem coisas, que eu encaro com uma gargalhada, mas que dentro a alma chora e clama, mas não pode ser ouvida, visto que no inferno interior que carrego em meu peito estraçalhado som algum é permitido sair. E assim sigo nessa luta diária, comigo mesma? Não sei, porém, luto e canso, e levanto e caio, e até tento permanecer no chão, não por cansaço, mas por desistência. Eu já desisti há muito tempo, de fato.

O que faço aqui, então? O egoísmo alheio. 

A nadificação da vida faz mais sentido em minha mente desprovida da capacidade de reflexão nesse momento, estou sóbria, acredite, mas meu espírito está embebedado de uma paixão que desconheço o nome.

A cada dia que amanhece, cada luz diferenciada que adentra pela janela de meu quarto, não compreendo como estou onde estou e como cheguei a esse ponto, no entanto, após levantar-me, com esforço, chego à conclusão: "somos responsáveis por nós mesmos" dizia Sartre, e não culpo ninguém, nem deus, nem diabo, nem natureza, nem universo senão a mim mesma. Cada decisão e cada ação, e estando aqui diante deste incenso que numa tentativa falha de me trazer paz acaba por encher de cólera, digo apenas: como lidar com essa culpa? 

O tempo.

São tantos anos, mas nenhum vivido. Talvez um. 

Por que fazemos isso? 

Por que estou aqui? Assim?

A decomposição de meu pútrido corpo que jaz no quarto escuro é a resposta. Eu tentei, e no fim, eu estava certa.

Acabei como profetizei. 






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4 de junho de 2017

Blut - Parte III

Você pode ler as partes I e II AQUI e AQUI

***

Alessa trajava sua vestimenta comum: um espartilho preto e roxo que delineava sua já desenhada cintura. Uma calça de couro preta que dava ainda mais forma às suas coxas grossas e quadril levemente largo. Um coturno com três fivelas que se transpassavam entre si. Como sua natureza não lhe permitia sentir frio, ela não colocou nenhum casaco ainda que lá fora o vento cortasse suas bochechas. Em seus olhos negro lápis preto e muito rímel. Na boca carnuda, um batom vermelho. Na cintura um largo cinto onde colocou uma arma de cada lado, mas dentro delas as balas eram hora prata hora fluorescentes. Ela estava séria quando trancou a porta de seu quarto na grande Mansão. Estava com raiva, furiosa, mas iria descontar todo o sentimento nos responsáveis pelo sequestro de Kira.

Ela só precisava descobrir quem eram.

- Onde a senhorita pensa que vai? - perguntou Pio - o até então comandante, rei, imperador ou qualquer outra coisa que queira chamar o dententor das regras na Grande Mansão - em seu tom de voz calmo e sereno, como sempre. Ele brincava com um fio de cabelo de uma vampira loira que sentava à sua frente. Sem olhar para Alessa, ele falava com ela como se ela fosse uma simples vampira e não uma forte e antiga sugadora de sangue e talvez a próxima rainha do clã.

- Não é do seu interesse, Pio.
- Talvez seja. Talvez eu até possa lhe ajudar.
- Como é que poderia me ajudar? Você mal sai desta casa.
- E talvez por não sair eu saiba de coisas que você não sabe.
- Isso não faz o menor sentido. Pare de me atrasar. Não tenho tempo a perder.
- Vai atrás de seu Kira? Será que ele aguenta até você chegar?

No momento que o nome Kira passou pelos lábios manchados de sangue de Pio, Alessa se virou subitamente e em dois segundos estava ao lado do mestre, com uma das mãos pronta para agarrar o pescoço frio do vampiro, mas ela se conteve e apenas disse:

- O que você sabe sobre o desaparecimento dele?
- Sei de algumas coisas.
- Me diga.
- Assim? Fácil? - nesse momento Pio deu um leve tapa na cabeça da vampira de modo que ela entendesse a ordem: sair. Assim, quando a moça não estava mais presente na sala, e Pio e Alessa estavam completamente sozinhos ele continuou:
- Minha querida, você é muito boa em tudo que faz... - ele fez a pausa, para forçar Alessa a se lembrar das noites de prazer que ele deu a ela, não fazia muito tempo. Ela entendeu a indireta, mas Pio era algo que não fazia mais parte de sua vida e tudo que ela queria era informações.
- Anda logo, Pio.
- Você me conhece. E pode ser boa em qualquer coisa, mas sabe que não dou informações de graça.
- O que é que você quer?

Pio se virou lentamente e seus olhos azuis encontraram os de Alessa. Ele sorriu e a puxou mais perto de si, ela tentou se desvencilhar,  mas não foi forte o bastante.

- Até parece.  - disse Alessa ao entender que Pio estava exigindo muito mais que um simples beijo, talvez.
- Você entendeu errado. Você sabe que em breve teremos votação para o novo Mestre da Grande Mansão.
- E daí?
-  Retire sua candidatura.
- Eu nem me candidatei, seu vampiro louco.
- Não, mas as pessoas te querem como rainha.
- As pessoas desta casa me odeiam.
- Mas odeiam ainda mais a mim.
- Isso é problema seu.
- Você quer salvar seu humano ou não, minha cara? - disse Pio soltando a cintura de Alessa e se voltando para a garrafa de whisky que se encontrava aberta e pela metade no carrinho de bebidas ao lado do sofá veludo preto, mas manchado de sangue em diversas partes.

Alessa pensou por dois segundos, mas sabia que não tinha escolha. Pio podia ser um completo babaca, mas se ele falava que tinha informações ele tinha.

- Combinado. Me diga o que sabe e eu garanto não fazer parte das próximas eleições.
- Combinado, então, minha cara. Vamos lá. - Pio bebeu uma dose do whisky que havia colocado para si, sentou-se na beirada do sofá, ajeitou os cabelos negros atrás das orelhas e limpou seu sobretudo preto. - Você sabia que Kira namorou uma moça, certo?
- Sim, uma ruiva. O conheci no dia que ela terminou tudo de vez.
- Ache essa moça e então achará Kira.
- Como assim? Ela é uma simples humana e bem menor que Kira, não seria capaz de sequestra-lo ou fazer nada contra sua vontade.
- Concordo com a parte do ''contra sua vontade'', mas ela não é uma simples humana, pelo menos, não tem sido nos últimos meses. - disse Pio escondendo nos lábios o sorriso sarcástico, mas que demonstrava sua satisfação,

O coração gelado de Alessa parou. Alguém havia transformado a ex namorada de Kira. Alguém que sabia que ela estava, de certa forma, namorando um humano, bebendo de seu sangue todos os dias, mas sem transforma-lo, jamais. Alguém tinha interesse na sua relação, e a única pessoa que ela conseguia pensar era justamente Pio, mas ele não iria contar tão facilmente o que acabara de contar se ele mesmo tivesse transformado a garota.

- Quem a transformou? E quando? E por que? - exclamou Alessa, seu tom de voz escondia o desespero que claro, Pio notou, mas era mais ainda perceptível a raiva que ela sentia.
- Essas são informações que podem exigir um pouco mais, Alessa.
- Só me diga o que quer, droga.
- Ainda não sei,  portanto, te direi o que sei e quando eu pensar no que quero lhe aviso.
- Que seja. Fale logo.

***

Um casebre mal cuidado escondido sob os escombros na mais remota parte da floresta que havia na saída da cidade um homem jazia no canto direito do único cômodo do estabelecimento. Suas mãos amrradas à beirada da cama, e seu tronco encostado na mesma. Sua camisa branca suja de sangue, barro e folhas secas. Os pés descalços e os sapatos jogados no outro lado do quarto. O homem respirava com dificuldade,  mas estava vivo, afinal.

Kira acordou de súbito. Quando finalmente seus olhos se acostumaram à luz do ambiente ele tentou descobrir onde estava. Forçou um grito, mas sua garganta seca mal permitiu que algum som saísse. Tossiu.

- Olha quem acordou! - uma voz feminina e aguda surgiu do breu que agora cobria a casa, a lua estava saindo.
- Quem es-tá... aí? - perguntou Kira, com dificuldade.
- Não reconhece minha voz, amor? - disse Sam ( ex-namorada de Kira)
- Sam? Sam é você?

Então a garota saiu das sombras e mostrou seu sorriso sujo com o sangue de Kira, girou para mostrar o vestido vermelho que vestia, e caminhou trincando com sua bota de salto fino. Agaichou para ficar na altura de Kira e disse:

- Mas é claro.
- Por que fez isso?
- Isso o que?
- Você terminou comigo, você não quis voltar e agora você é... você é
- Uma vampira, amor. Isso mesmo. Uma vampira.
- Mas por que? Como? Quando? Onde?
- Blablablabla, estou com muita preguiça pra explicar essas coisas, vamos ao que interessa. Você, eu... felizes para sempre. - e se levantou à medida que falava seu plano, olhando para o nada como se estivesse realmente dizendo algo que faz sentido.
- Você está louca! - esbravejou Kira e tentou desfazer os nós, mas não conseguiu, apenas apertou-os ainda mais machucando os pulsos já feridos.
- Sempre fui.
- Não! Você está louca de verdade. Estou com Alessa agora.
- Aquela coisa. Ela não te merece, Kira. Ela está usando você.
- Você ouve as coisas que fala? Me solta, Sam e vamos para com isso tudo.
- Eu não posso soltar você até que tenha se alimentado.
- Como assim me alimentado? Você não? ... Você. Sam. Você me matou?
- Mas é claro, bobinho. De que outra forma eu poderia lhe transformar em vampiro?






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3 de junho de 2017

Perdido

Cravo minhas unhas nas costas largas
me permito ser preenchida, sem amarras
cada respiração
nova pulsão
um só ritmo
jamais compreendido

suas mãos desfilam pelo meu corpo
e minha língua passa por você todo

meu cabelo se desmancha no seu peito
e seus braços fortes me envolvem
eu me entrego sem receito
e o prazer e a paixão nos envolvem

(...)

um dia termino, quem sabe...
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22 de maio de 2017

Rape me

O seu silêncio me estupra
sua voz não me escuta
o seu toque me machuca
pois ele não existe
e eu sigo na luta

os meus esforços são em vão
por quem bate seu coração?

estou jogada no chão
sem roupa e sem atenção
enquanto você sorri 
conseguiu, afinal, meu fim

[...]


Quem sabe um dia eu termino esse

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18 de maio de 2017

Ao poeta

" Somebody said you've got a new friend"


Como uma estrela cadente você caiu; eu era apenas o céu sem luz aguardando você me iluminar. E durante sua passagem, que foi lenta, eu me preenchi de energia. 
Eu tentei me vestir de anjo e tentar lhe tocar, mas quando o fiz você se afastou como se pudesse sentir minha escuridão, meu medo, minha dor. 
Eu tentei entrar em  seu mundo, mas fui expulsa como o diabo foi do céu. 
Mas não tive ao meu lado demônios. 
Estava sozinha; tentando encontrar meus motivos sempre errôneos.
Foi então que meu amigo chegou e você, de certa forma, se apaixonou. 
Não questionei, segui.
Não hesitei, parti.
Ao menos, tentei.
Mas você era a onda que me puxava da areia simplória e me arrastava e me afogava no seu próprio mar.
Assim aprendi a ressuscitar. Como todo ser das trevas eu voltava, na instintiva tentativa de adentrar, no mundo da luz. 
No seu mundo, é claro.
Mas jamais haveria de conseguir, de fato.

Ao poeta resta palavras, não amor.
Ao escritor resta papeis, não cartas.
Ao poeta não resta sorriso, só dor.
Ao escritor não resta verdade, apenas falácias.

A mim, não resta nada. 






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15 de maio de 2017

Heavy


seus dedos dedilhavam as cordas com maestria
mas melhor ainda era o dedilhado que fazia
em meu corpo nu à noite

o seu corpo desprovido de roupa, mas cheio de essência
se encaixa no meu perfeitamente e sua voz, dotada de eloquência
é a música que me embala o sono, mas também me tira o juízo
e olhar pra você é apenas o que preciso

nossos cabelos mesclados e bagunçados na cama
a respiração entrecortada, o coração bate forte, e a Chama
que sai de mim e passa pra ti e então sentimos a Brisa
que entra calma pela janela e estremeço, uma vez que
estou nua
mas envolvida no seu corpo quente, me aqueço
como se estivesse em uma Duna

Os registros de nossos momentos serão eternos
nem o tempo nem espaço
são capazes de apagar esse aconchego e calma serenos
e diante do teu sorriso me calo

não há destino, mas sabemos onde vamos estar
e longe, distante ou do seu lado
a conexão não há de se perder
há uma escrita a se fazer
e sonhos para viver

de outras vidas que te conheci
agradeço sim
a Odin
por me presentear com sua presença
a jovialidade imensa
que é poder contar contigo

o metal nos uniu
e nem fogo escaldante há de separar
e seja aqui ou lá
a música que embala nossas vidas
sempre irá tocar

e ainda falarão sobre nós dois
como tudo foi e depois
sentaremos juntos para um café
para lembrar, sorrir e refletir
sobre o que a vida realmente é


Para ele ... Obrigada




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Mutter

Queria eu ser capaz de encontrar palavras melhores que pudessem expressar meu amor sagaz Ainda com meu título de escritora carrego no...