30 de dezembro de 2017

Análogo

É um caminhar solitário. Todos os dias quando abro os olhos e fito a claridade que o sol dispõe sob  minha janela que dormiu aberta. E então, em um esforço desnecessário, mas rotineiro consigo forçar meu corpo a sair desse objeto que tanto amo,  mas não devido àquele sentimento que muitos jovens ousam "sentir" ... prostração.

Sinto um pulsar mais forte em meu peito, mas sei que não é o órgão responsável por enviar fluídos pútridos ao restante de meu envoltório sem valor. Logo, penso. Chegou a hora? Já estava demorando demais, no entanto, a dor que senti abaixo dessa "tosca caixa toráxica" cessa. E então lamento, pois será mais um dia, uma semana, um mês que terei de encontrar formas de colocar nesse rosto manchado de agonias passadas, cansado de rituais frívolos, e desmerecedor de tantos olhares fingidos... uma expressão amábile.

Cansei de tentar justificar, explicar aos desprovidos da capacidade de entendimento de tal desgosto o que se passar nesse meu cérebro danificado. Deteriorado ele está, assim como meu espírito... se é que tenho um. Afinal, demônios choram. 

Encontro acalento em poucas coisas. Alguns pedaços de papel dispostos juntos, formando um retângulo perfeito, neles há vários vocábulos que são aptos a me levarem para um universo diferenciado desse ao qual somos obrigados a viver. Minha mente se desprende de meus putrefatos e sem significado restos mortais e vaga por esses inúmeros mundos. 

Jamais idônea. Jamais suficiente. Nunca diferente. 

O análogo cansa. 

E eu sigo cansada. 






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25 de dezembro de 2017

Odin

Ethan caminhava solitário pelas ruas da iluminada Nova York naquela simplória quarta-feira de março.
Suas costas largas pareciam querer rasgar a camiseta de linho vermelha que trajava, e seus cabelos loiros formavam uma trança a partir do topo da cabeça até abaixo dos ombros. O vento batia em seu rosto e fazia com que alguns poucos fios soltos na frente se tremelezissem diante das numerosas luzes da cidade que jamais dormia.
Com as mãos no bolso, sentiu em um deles o celular vibrar. Temeu ser quem não devia, portanto, não se importou em atender ou chegar recados. A noite estava perto de se tornar madrugada e poucas pessoas ainda se encontravam na rua. Ethan precisava chegar em casa, mas ainda faltavam pelo menos duas quadras. A Times Square pareceu um bom lugar para passar a noite, visto que ele evitaria um de seus colegas de apartamento que nos últimos dias só fez falar em sua cabeça acerca de suas compras, vendas e consumo "nem tão legais" assim.
Mas naquela noite Ethan não poderia dormir fora de casa. Não era uma simples quarta-feira de março. Era a quarta-feia, noite de Lua Vermelha. E antes que suponha qualquer coisa Ethan não se transformaria em um lobo sanguinário disposto a matar tudo e todos, um lobisomem. O problema de Ethan era levemente pior. Pois ele não dependeria de lua alguma para enfrentar o que temia: seu antigo mestre na arte da magia negra.
Finalmente estava em casa e ao colocar a chave na fechadura da porta sentiu algo que não sentia há anos. Uma presença. Algo sombrio. Não soube dizer o que era. Não seria capaz de descrever a presença que sentira ao colocar a mão na maçaneta. Paul estava em casa, pelo menos era o que havia lhe dito algumas horas mais cedo, no entanto, ao adentrar na casa Ethan teve a certeza de que apesar de não estar sozinho não era com Paul que ele estava.
- Mostre-se. - disse Ethan com um tom de voz ameno, mas firme. Após acender as luzes da sala de estar. Todavia, ele não obteve resposta nenhuma. - MOSTRE-SE!
Ethan sabia que algo estava na casa. Uma presença maligna. Ele sabia disso, mas não sabia como enxergar, nem como fazer seja lá o que for que estava na casa aparecer. Até que...
- Ethan. - uma voz de tom muito grave surgiu dos fundos da casa, de onde não havia luz alguma. Ethan virou-se de súbito para a direção de onde o som provinha. - Ethan! - a voz pareceu chamar por Ethan novamente, mas com mais força e querendo que Ethan olhasse para ela, mas como ele enxergaria algo naquele breu?
- Quem é você? Mostre-se! - ordenou Ethan dando alguns passos à frente, mas sem adentrar na escuridão de sua própria casa.
- Você foi convocado, Ethan Crawford. E você deve aceitar a missão.
- Como eu posso aceitar uma missão que nem sei o que devo fazer?
- É seu destino.
- Cara, estou falando com uma voz invísivel, não foi aceitar porra nenhuma! - exclamou Ethan já perdendo a paciência.
- Ethan Crawford, sua missão consiste em tirar a vida de um ser em especial.
Ethan não estava entendendo nada, e mesmo sem arma ou poder algum decidiu se aproximar de onde a voz parecia surgir. Seu quarto.
- Então quer que eu me torne um assassino?
- Não finja ser o que não é, já tirou vidas antes. - disse a voz com um tom sarcástico.
- Isso foi diferente. - disse Ethan virando-se na direção oposto à voz.
- Você deve aceitar a missão.
- Mas que missão é essa? - esbravejou Ethan, uma vez que ficou irritado com a voz.
- Você precisa derrotar uma grande entidade chamada Skuld. Ela é uma antiga descentende da primeira Valkíquira Brünhild e nos últimos dias se mostrou uma ameça para todos.
- Que tipo de ameaça?
- Isso não é de seu interesse, Ethan. Apenas aceite a missão e não sofrerá mal algum.
- Por que eu?
- Você, Ethan Crawford, é um semideus. Você é filho do grande deus Odin.














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5 de dezembro de 2017

Sub

Eu estava parada no metrô, caminhava lento. Os trilhos sujos e marcados pelo tempo. A passarela cheia de marcas, de passadas de pessoas passadas. O relógio marcava três da tarde. Meu coração marcava saudade.

Entrei. Sentei. Os minutos passaram. Cheguei em casa horas depois.

Conversamos. Sorrimos.
Falamos. Felizes parecíamos. Somos?

Sua risada me contagiou.
E então, antes de cair sob a água morna do chuveiro, saímos.
Mas na volta a natureza cedeu e as nuvens despencaram. A água fria nos banhou.

Mas pelo demônio fui carregada. E enquanto ele corria eu via... a água que caía. 
E aquele momento foi eternizado em minha solene memória.
Como as marcas que me deixa não de forma nem tão simplória.
Foi um átimo de segundo, o bastante para aquecer meu espírito.
A dor que me aflige todos os dias é dissipada por sua máquina.
No colo do demônio desejei adormecer.
Todavia, cabia somente a ele querer.

E eu carrego a sina de amar o nostálgico, de ceder aos possíveis "e se", e de chorar à noite por aqueles que nem estão aqui. Sob um manto sépia meus olhos marejados pela sua dor e agora pelo meu mais puro amor, eu desfaleco diante da verdade. Agradeço cada verbo, mas não fui capaz de despertar a saudade. 

Foi apenas um dia. Algo ( você ) que jamais me cansa. Apenas uma lembrança. 




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19 de novembro de 2017

Alheamento

"Somos sempre demais, mas nunca o bastante"

" I was used
maybe abused
and the worse
I was lucid
I knew it
I knew it "



Você mentiu.
Você sentiu.
Eu acreditei.
Eu falhei.

"No alheamento da obscura forma humana"

o ígneo respirar de meus pulmões cansados
tentam lhe entregar um último suspiro atarracado
mas falho como todo o resto, como meu corpo agregado

você foi meu sonho mais abstruso
por você me aceitei recluso
mas sendo sempre sem ser o bastante
eu cinquei na missão do encante

"  Quisesteme beijar a ara do peito
E eu quis beijar-te o lábio redolente"

te recebi e guardei em meu sacrário simplório
removi meu sandal desprovido de luminosidade
lhe entreguei o miocárdio que nunca existiu
mas você já havia pegado tudo o que queira
pelos motivos pelos quais (me) embaiu

Arrepelei-me por seus motivos
Aos prantos cheguei a ficar
mas hoje sei o problema era não poder entrar
nunca foi você como me asseverou
o problema é ser o que sou









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1 de outubro de 2017

Sehnsucht

enquanto dormia eu lhe observava
e ouvia, em silêncio, sua respiração
e por um momento quis chorar
pensando nas dores de seu "coração"

mas então lembrei-me de mais cedo
que eu antes precisava de acalento
mas enquanto você sorria e falava
com sua presença
o meu espírito finalmente se cala

[ele se aquece com seu corpo
e então eu quero te ver sorrir]

como o piano que se embala sozinho, pois no fim
os dedos do singelo do pianista  lhe fazem sentir
a melodia que durante a vida toda lhe foi negada
e então noto que não sou piano,
mas uma música inacabada

ela não pode ser finalizada
pois ela se refaz a cada novo dia
que passo ao seu lado, parece magia

"espalho balas de canhão, é inútil, pois existe um grão vizir"


eu não preciso de esforço
basta-me uma palavra sua
e regenero a energia que assim atua
nesse flagelo de corpo estralhado e sem motivo
arrastado e ignorado, mas que eu insisto

[o que Odin criou ao redor de sua aura
desconheço
o deus nórdico lhe enviou a mim
e agora mesmo que ficais longe
mesmo que se manteis distante]

o que você tocou foi minha alma
e apesar de não saber qual sua missão
compreendo o que pôde fazer
por esse ser impassível de compreensão

o que antes era deteriorado
hoje restaurado
minha alma negra que nada conduz
agora é passível de absorsorção da luz

nossas energias foram traçadas em outras vidas
e ainda se encontrarão por outras idas e vindas

e se eu puder ver um sorriso em seu belo rosto
mesmo que eu não desfrute de seu majestoso corpo
ou que eu não possa estar na sua não divina,
mas semideusa presença
mesmo que eu não possa lhe ouvir
ou palavras de carinho a você proferir
estareis feliz, pois tive ao meu lado o Demônio Anjo
e assim finalizo enfim esse simples arranjo










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25 de setembro de 2017

King in the Hell

Eu fico ouvindo o piano e me imagino tocando
você está sentado ao meu lado,  observando

movo meu pescoço conforme a melodia
e você sorri, pois nota minha paixão

mas mal sabe você que toco para ti
por quem bate meu simplório coração

***
Eu vi o pai de todos os demônios
e eu adormeci ao seu lado
tive os melhores sonhos
e cheguei a crer, por acaso
na verdade, eu cheguei a me imaginar
indo ao seu encontro
correndo pra te abraçar

Nunca haveria eu de imaginar
que demônios poderiam amar
- e de fato não podem -


[Cicatrizes na pele podem se curar
mas as deixadas na alma
parecem jamais sarar]


Acontece que eu não aguento mais esses acontecimentos
a cada dia que passa são novos sofrimentos
cada decisão tem uma consequência
mas parece que minha vida é regada a falência

Nem os Anjos caídos conseguem me reerguer
a cada nova queda 
estou mais ao fundo do antes poderia crer

O Rei dos Infernos cantou-me uma canção
sussurrou em meu ouvido 
as mais doces palavras
e acariciou meu cabelo
com suas mãos marcadas

[Mas quando eu lhe disse a verdade
ele sorriu
e partiu]






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18 de setembro de 2017

Meu LIVRO - Confissões de um Suicida

Ai gente, meu bebê finalmente saiu. Confissões de um Suicida é meu primeiro livro solo. São 64páginas de poesia, naquele estilo que vocês conhecem, né.

Você pode comprar por apenas 15,00 golpinhos. Envio para todo o Brasil, frete fixo de 7,00. Pode falar comigo pelo email thaysmp14@hotmail.com ; insta: @lupademonae @thaysmdepaivaescritora e whats (35) 9 84182545

E vou disponibilizar a forma de pagamento pelo PagSeguro em breve. É isso!





Confira uma breve Biografia minha e Sinopse do livro!

"Thays escreve poemas desde os 10 anos de idade e romances desde os 15, nenhum publicado ainda. Além disso, escrever crônicas e contos de fantasia também fazem parte de sua vida. Possui como grande inspiração a autora J.K Rowling e sua obra Harry Potter, tanto que marcou na pele uma das mais memoráveis frases da autora: "Hogwarts will always be here to welcome you home". Thays sonha em ser reconhecida como escritora, futuramente.

O Confissões de um Suicida é formado por vários poemas separados em 4 partes, ou fases. Cada uma delas pode ser entendida como uma fase de minha simplória vida. Se já leu Augusto dos Anjos a segunda fase pode lhe soar familiar, afinal poemas soturnos e por vezes com vocabulário pútrido, mas não consegui evitar. Nem mesmo para falar de amor. A última fase, Vida Após a Morte é talvez a única com caráter mais jovial e alegre.

São 28 poemas em 64 páginas, todos muito significativos para mim, e apesar de ter esquecido de colocar alguns - que estão sendo dispostos no segundo livro - , cada um deles mostra uma parte de minha alma, se é que tenho uma."







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13 de setembro de 2017

Sobre a escrita

Eu vivo fazendo empréstimos.

Sempre que começo uma nova leitura pego os olhos do autor emprestado e sua voz também. É através dele que me refaço naquele novo amotoado de papel. Reservados para os olhos não cansados, os livros me fazem seguir de uma forma que a maioria das pessoas não consegue. Cada palavra que adentra meu cerébro constrói aqui dentro uma infinidade de histórias, no entanto, não sendo merecedora da dádiva que tais autores possuem, eu falho em colocá-las em um pedaço de papel qualquer. Pelo menos, à primeira vista.

Depois de algum tempo, as palavras parecem se reogarnizar de forma solitária e íngreme na minha cabeça que matuta coisas sem sentido o tempo todo. E então, sem nem ao menos perceber estou rabiscando em um dos meus vários caderninhos algo. Algo que, a príncipio, pode não fazer sentido para você. Ou para mim. Mas, uma vez que tenho lapidado o texto noto que, de fato, posso fazer alguma mágica com as palavras.

Todavia, o maior feitio mágico que sou capaz de contar através de escritos malfeitos é exatamente o que acontece comigo mesma. Ao transpassar para papeis manchados de lágrimas que não foram derramas por meus olhos cansados da vida, marejados da dor que escondo todos os dias... É ali que a magia acontece, pois nesse ato transpasso não apenas ideias e palavras, mas toda a angústia que se havia formado em meu âmago. E então, como alguém que ficou em baixo d'gua por tempo demasiado, eu respiro. 

E então, fito meu reflexo distorcido no espelho sujo. Não me reconheço, porém, vejo além. Vejo escritos se formando acima de minha cabeça. Como uma aureola de palavras. Elas são negras, obviamente. E concluo que posso não ser um Anjo e ser um demônio, mas um demônio das palavras. 





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27 de agosto de 2017

Sobre a efemeridade, parte II

Você não permite que as pessoas se apaixonem. 

Por que está aqui? Como chegou? Por que continua?

Desconheço a razão para tanto esforço.

" A morte é fácil, díficil é viver" .

Por que me obrigam a isso? Vocês são egoístas, pois não pensam no quanto estamos doloridos, só nos querem por perto. Para suprir a falta de vocês, jamais a nossa. Estamos sofrendo. E vocês fingem que querem nos ajudar, mas não é por nós e sim porque são incapazes de seguir suas vidas sem nossa presença falha. Mas nem ao menos tentaram.

***

O vazio existencial, a dor marcial, o sofrimento interno que se debulha em meus olhos cansados e caídos. Minhas mãos teclam palavras, e com o lápis rabisco coisas sem sentido no meu diário. No final do dia, deito minha cabeça no travesseiro e fito o teto branco de meu quarto.

Um quarto manchado pelas minhas lágrimas diárias que se mantém escondidas. Um  quarto surdo dos meus gritos silenciosos a  cada madrugada.  Um quarto cego, pois furou os próprios olhos quando percebeu que seria obrigado a me ver todos os dias.

À meia-noite ainda estou cansada mesmo tendo passado o dia todo deitada, pois fui incapaz de fazer algo útil. Estou quase me fundindo à cama, levanto-me apenas para atividades básicas e para inserir mais alimento neste envoltório sem valor. Assim como meus feitos ele nada vale, e eu insisto em tentar algo novo a cada dia para oferecer a vocês mais tempo.


"A decadência é tão grande que nem mesmo naquilo que um dia, erroneamente é claro, julguei ser capaz de fazer corretamente, hoje percebo que nunca soube. Era tudo uma grande ilusão, uma insistência fútil de tentar vencer, mas tantos outros já haviam vencido, portanto, não haveria lugar para um verme miserável que acreditou ser capaz de ultrapassa-los. "

O que me consola é a efemeridade do tempo e da vida. Logo, serei apenas pó, não como aqueles que forço garganta abaixo na esperança de um sorriso mais duradouro ao longo do dia. 

***

Eu me ofereci a você, eu tentei de todas as formas possíveis ser suficiente, mas não fui. Eu nunca sou. Todos se cansam, e vão embora. Você nem ao menos chegou a ficar. Fingiu, no início, que poderia ser, mas não foi.



Alles gute zum geburtstag, Thays


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20 de agosto de 2017

Shandar

com os olhos pequeninos
e os pelos finos
apavorada estava
mas logo se acalmou
em meus braços,
ficou

[de um lado do rosto, preto
do outro branco
mas o medo estava mesclado à carência
estampado no olhar assustado]

mas uma vez que estava alimentada
limpa e calma
em meu peito se acomodou
mas não apenas ali morou
em meu coração criou raízes

seus carinhos de manhã
e também à noite
me acalmaram e me deixaram feliz
o que havia tanto pedido naquele dia
chegou à minha casa, enfim

deus não faz parte de tudo isso
mas o Universo parece agir de forma semelhante
ele me deu um presente
apenas para aprecia-lo, por algum ou quase nenhum
instante






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18 de agosto de 2017

Projeto Nacionais

Oi, povo.

Então, decidi começar esse mês um projeto de leitura de livros de autores nacionais, quero dizer, além dos que eu leio que são mais conhecidos, mas gostaria de dar visão a autores que não são tão conhecidos ou mesmo nada conhecidos como moi.

Vou começar lendo os livros de autores que conheço e tenho contato como a Jéssica Macedo, Thaís Lopes - que fez a capa do meu primeiro bebê *--- - , Thaís Silveira, enfim essas são as que eu conheço, mas só no meu facebook tem milhares de autores que sei que escrevem bem pra caramba e eu gostaria de ter mais tempo e dinheiro pra lê-los. De qualquer forma, bora começar de algum jeito, né, mores.

Deixem sugestões, se quiserem, nos comentários de autores nacionais que vocês acham que eu gostaria de ler. As resenhas vão sair no meu blog de resenhas Conversas de Leitor. 


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17 de agosto de 2017

Blut - Parte IV

Você pode ler as partes I, II e III

***

- Você não está falando sério, Sam! – exclamou Kira ao se dar conta de que a ex-namorada poderia, de fato, estar falando sério. E como ele temia, uma sede descomunal passou a tomar conta de seu ser.
- Nunca falei tão sério na vida, meu amor. Agora seja um bom menino e me ajude.
- Como eu poderia ajudar você? Estou morto, lembra?
- Só até chegarem com a comida, oras.
- Eu não posso acreditar nas coisas que está falando. E não consigo acreditar que você julga Alessa, mas é a mesma criatura que ela. A diferença que ela é melhor.
- Não ouse dizer que aquela coisa é melhor que eu! Eu sou mil vezes melhor.
- Nunca! Você me sequestrou. Se aliou aos inimigos.
- Como pode saber quem é o inimigo? Por acaso sua queridinha não lhe contou a história?
- Que história?
- Sobre você e o que ela realmente quer.
- Do que está falando, Sam? – perguntou Kira, um pouco mais calmo, mas agora definitivamente intrigado.
- Ela só está com você porque irá lhe oferecer como sacríficio para um tal de Pio aí.
- Você é muito ingênua mesmo. O Pio não pode ser o líder. Alessa é por direito. E ela vai conseguir o seu lugar.
- Sim, iria se você ainda fosse um humano.
- Explica.
- Alessa precisava de um humano do qual ela se importasse para oferecer como sacríficio maior para Pio e os regentes da Grande Mansão porque esse ano é o ano da Lua Cheia Vermelha Total que só acontece a cada 300 anos. Quando isso acontece um vampiro pode oferecer à natureza uma vida e em troca a natureza lhe dá algo.
- Tipo o que?
- Ninguém sabe.
- Nossa, que idiotice, Sam. Acha mesmo que a Alessa iria cair nessa história do Pio?  No mínimo, é algum plano dele para matá-la. – disse Kira, levantando-se da cama onde estava sentado, mas não pode andar muito, pois seus calcanhares estavam presos à correntes.
- Claro que não, Kira. Ele me disse. Já aconteceu antes, mas a pessoa que ganhou o presente da natureza morreu em seguida.
- Muito prático.
- Não importa. Você não é mais útil para ela. Agora podemos ser felizes juntos.
- Haha, só que não, né. Primeiro, que se eu não me alimentar de um humano eu morro. Segundo, depois que eu fizer isso vou me encontrar com a Alessa e pensar em como resolver a questão do Pio.
- Kira. Entende, ela não te quer mais.
- Você não sabe disso.
- Tudo bem, então. – concordou, falsamente Sam, pois ela havia ouvido barulhos vindos de fora da casa e soube que os capangas de Pio haviam chegado com a “comida” de Kira. – Vou soltar suas correntes e você me segue. Se tentar fugir eu te mato.
- Quanto amor! – disse Kira, ironicamente.

Quando Sam soltou as correntes que prendiam Kira ele não se mexeu. Ficou aguardando algum movimento da moça. Que sorriu para ele antes de tentar beijá-lo. Kira desviou o rosto e olhou furtivamente para ela, que desdenhou outro sorriso nos lábios maquiados de batom rosa. Em seguida, fez menção de se dirigir à porta do quarto e pediu que Kira o seguisse. Quando chegaram à sala, uma mulher jazia adormecida, quase morta, no sofá de três lugares e ao seu lado, dois homens altos e fortes estavam prostrados como duas estátuas.
- Kira, você sabe o que fazer.
Kira não disse nada. Apenas sentiu seu coração bater mais rápido e sua jugular pulsou com força. Seus olhos ficaram vermelhos e ao redor deles veias surgiram. Ele tentou lutar contra o instinto predador, pois não queria tirar a vida da pobre e inocente moça que adormecia no sofá. Mas ele sabia que se não se alimentasse logo morreria, e morto – de verdade – ele não poderia estar junto de Alessa.
Kira, em um movimento rápido, investiu os dentes afiados e brancos no pescoço da jovem, que gritou ainda que dormindo. O sangue escorreu de seu pescoço e lambuzou todo e rosto e camiseta cavada branca de Kira. Ele não se importou. Sugou com vontade todo o sangue do corpo da mulher. Mal parava para respirar. Quando sentiu em sua língua a última gota de sangue, parou. Limpou a boca com as costas da mão e virou-se para Sam:
- Preciso de mais.



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6 de agosto de 2017

O que

"Summertime sadness
Kiss me hard before you go"

Eu só queria que você soubesse

Que eu lhe amei mesmo sem saber o que é amor; e que você me acolheu mesmo sem saber  que me salvou;

Me desculpe por tudo lhe causei; eu simplesmente no fundo, apenas lhe amei; sem saber;  sem pedir
sem requisitar um espaço em sua vida pedi; mas preenchi;  aquele que jamais quis.


Uma vez eu jurei jamais sofrer por tal motivo; mas como podemos impedir as lágrimas de cairem; como podemos impedir o sentimento de existir; o que fazer quanto tudo o que resta é resistir? Eu sei que não é sua culpa; mas eu havia lhe pedido; eu lhe enviei o recado; e mesmo assim você; seguiu como se estivesse tudo amenizado. Cá estou; solitária, novamente; debulhando-me em lágrimas as quais; você, sozinho ou não; não merece; mas elas lhe pertencem, no entanto, não sei o que fazer com elas.

Não sei se lhe devo perdão, talvez devo
não sei se lhe devo satisfação
talvez não devo


e não encontrei outras formas de expressar essa dor senão através da escrita, então me desculpe se lhe ofendi de alguma forma, mas no final quem saiu ferido e estraçalhado fui eu.

Eu queria ser uma pedra de gelo como seu coração parece ser, mas não lhe culpo, afinal, como algo tão belo poderia se apaixonar por algo tão escuro como eu?

Meus dedos estão gelados, minhas mãos estão frias
meu corpo está paralisado
as imagens e os sons ecoam em minha mente pertubada
cada gota salgada que cai de meus esbugalhados olhos
correm pelo meu rosto deformado
afinal, como haveria algo tão magestoso se apaixonar por algo tão horrendo?

a modificação a qual nos subtmetemos de nada vale diante da perfeiçao que a sociedade apresentea a você dia após dia

Eu só lhe peço perdão

por ter permitido que tal desonra fizesse parte de sua vida, ainda que por pouco tempo

Eu não sei o que mais estou escrevendo
o que valho
afinal
por que estamos
ou estou aqui?

Um dia, quem sabe, na imperfeição da qual este magnifico universo foi feito, eu seja capaz de terminar esses versos estampados da minha dor que foram causadas pelo seu sorriso.


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14 de junho de 2017

É assim que acaba o mundo*

eu poderia admirar seu sorriso
o dia todo
sem compromisso

e tocar seu peito
beijar seu pescoço
e encostar no seu rosto
o meu

sentir seu cheiro e suas mãos
que dançam em mim
e fazem tremer o coração

me joga na cama
e tira sua roupa
não nega o fogo que lança
e assim me deixa louca

o nosso ritmo é perfeito
nossa música é um gemido
seu prazer, eu leio
e eu termino, com um suspiro



* referência ao poema de T.S. Eliot


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9 de junho de 2017

Fade Away

Como um corpo que apodrece ao entrar em contato com a água após algum tempo em baixo da terra
Como um ferro que se desfaz ao ser tocado pelo vento após algum tempo em baixo da água

" you were the shadow to my light"

Como uma lágrima que escorre no rosto soturno
Como o sangue que sai da mão que soca a parede

" I'm faded"

Todos os meus motivos são errôneos e eu não compreendo como é possível caber tanto desespero em um corpo tão pequeno. Todas as tentativas são falhas, elas já começam caindo. E meu flácido e desvanecido envoltório que pede um descanso eterno que sempre lhe é negado devido ao egoísmo alheio agora jaz nesse objeto feito de madeira, mas que me parece ser feito de prego, uma vez que minha cabeça não repousa nele.

Os outros que são apenas outros me olham, mas não enxergam. E julgam... E dizem coisas, que eu encaro com uma gargalhada, mas que dentro a alma chora e clama, mas não pode ser ouvida, visto que no inferno interior que carrego em meu peito estraçalhado som algum é permitido sair. E assim sigo nessa luta diária, comigo mesma? Não sei, porém, luto e canso, e levanto e caio, e até tento permanecer no chão, não por cansaço, mas por desistência. Eu já desisti há muito tempo, de fato.

O que faço aqui, então? O egoísmo alheio. 

A nadificação da vida faz mais sentido em minha mente desprovida da capacidade de reflexão nesse momento, estou sóbria, acredite, mas meu espírito está embebedado de uma paixão que desconheço o nome.

A cada dia que amanhece, cada luz diferenciada que adentra pela janela de meu quarto, não compreendo como estou onde estou e como cheguei a esse ponto, no entanto, após levantar-me, com esforço, chego à conclusão: "somos responsáveis por nós mesmos" dizia Sartre, e não culpo ninguém, nem deus, nem diabo, nem natureza, nem universo senão a mim mesma. Cada decisão e cada ação, e estando aqui diante deste incenso que numa tentativa falha de me trazer paz acaba por encher de cólera, digo apenas: como lidar com essa culpa? 

O tempo.

São tantos anos, mas nenhum vivido. Talvez um. 

Por que fazemos isso? 

Por que estou aqui? Assim?

A decomposição de meu pútrido corpo que jaz no quarto escuro é a resposta. Eu tentei, e no fim, eu estava certa.

Acabei como profetizei. 






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4 de junho de 2017

Blut - Parte III

Você pode ler as partes I e II AQUI e AQUI

***

Alessa trajava sua vestimenta comum: um espartilho preto e roxo que delineava sua já desenhada cintura. Uma calça de couro preta que dava ainda mais forma às suas coxas grossas e quadril levemente largo. Um coturno com três fivelas que se transpassavam entre si. Como sua natureza não lhe permitia sentir frio, ela não colocou nenhum casaco ainda que lá fora o vento cortasse suas bochechas. Em seus olhos negro lápis preto e muito rímel. Na boca carnuda, um batom vermelho. Na cintura um largo cinto onde colocou uma arma de cada lado, mas dentro delas as balas eram hora prata hora fluorescentes. Ela estava séria quando trancou a porta de seu quarto na grande Mansão. Estava com raiva, furiosa, mas iria descontar todo o sentimento nos responsáveis pelo sequestro de Kira.

Ela só precisava descobrir quem eram.

- Onde a senhorita pensa que vai? - perguntou Pio - o até então comandante, rei, imperador ou qualquer outra coisa que queira chamar o dententor das regras na Grande Mansão - em seu tom de voz calmo e sereno, como sempre. Ele brincava com um fio de cabelo de uma vampira loira que sentava à sua frente. Sem olhar para Alessa, ele falava com ela como se ela fosse uma simples vampira e não uma forte e antiga sugadora de sangue e talvez a próxima rainha do clã.

- Não é do seu interesse, Pio.
- Talvez seja. Talvez eu até possa lhe ajudar.
- Como é que poderia me ajudar? Você mal sai desta casa.
- E talvez por não sair eu saiba de coisas que você não sabe.
- Isso não faz o menor sentido. Pare de me atrasar. Não tenho tempo a perder.
- Vai atrás de seu Kira? Será que ele aguenta até você chegar?

No momento que o nome Kira passou pelos lábios manchados de sangue de Pio, Alessa se virou subitamente e em dois segundos estava ao lado do mestre, com uma das mãos pronta para agarrar o pescoço frio do vampiro, mas ela se conteve e apenas disse:

- O que você sabe sobre o desaparecimento dele?
- Sei de algumas coisas.
- Me diga.
- Assim? Fácil? - nesse momento Pio deu um leve tapa na cabeça da vampira de modo que ela entendesse a ordem: sair. Assim, quando a moça não estava mais presente na sala, e Pio e Alessa estavam completamente sozinhos ele continuou:
- Minha querida, você é muito boa em tudo que faz... - ele fez a pausa, para forçar Alessa a se lembrar das noites de prazer que ele deu a ela, não fazia muito tempo. Ela entendeu a indireta, mas Pio era algo que não fazia mais parte de sua vida e tudo que ela queria era informações.
- Anda logo, Pio.
- Você me conhece. E pode ser boa em qualquer coisa, mas sabe que não dou informações de graça.
- O que é que você quer?

Pio se virou lentamente e seus olhos azuis encontraram os de Alessa. Ele sorriu e a puxou mais perto de si, ela tentou se desvencilhar,  mas não foi forte o bastante.

- Até parece.  - disse Alessa ao entender que Pio estava exigindo muito mais que um simples beijo, talvez.
- Você entendeu errado. Você sabe que em breve teremos votação para o novo Mestre da Grande Mansão.
- E daí?
-  Retire sua candidatura.
- Eu nem me candidatei, seu vampiro louco.
- Não, mas as pessoas te querem como rainha.
- As pessoas desta casa me odeiam.
- Mas odeiam ainda mais a mim.
- Isso é problema seu.
- Você quer salvar seu humano ou não, minha cara? - disse Pio soltando a cintura de Alessa e se voltando para a garrafa de whisky que se encontrava aberta e pela metade no carrinho de bebidas ao lado do sofá veludo preto, mas manchado de sangue em diversas partes.

Alessa pensou por dois segundos, mas sabia que não tinha escolha. Pio podia ser um completo babaca, mas se ele falava que tinha informações ele tinha.

- Combinado. Me diga o que sabe e eu garanto não fazer parte das próximas eleições.
- Combinado, então, minha cara. Vamos lá. - Pio bebeu uma dose do whisky que havia colocado para si, sentou-se na beirada do sofá, ajeitou os cabelos negros atrás das orelhas e limpou seu sobretudo preto. - Você sabia que Kira namorou uma moça, certo?
- Sim, uma ruiva. O conheci no dia que ela terminou tudo de vez.
- Ache essa moça e então achará Kira.
- Como assim? Ela é uma simples humana e bem menor que Kira, não seria capaz de sequestra-lo ou fazer nada contra sua vontade.
- Concordo com a parte do ''contra sua vontade'', mas ela não é uma simples humana, pelo menos, não tem sido nos últimos meses. - disse Pio escondendo nos lábios o sorriso sarcástico, mas que demonstrava sua satisfação,

O coração gelado de Alessa parou. Alguém havia transformado a ex namorada de Kira. Alguém que sabia que ela estava, de certa forma, namorando um humano, bebendo de seu sangue todos os dias, mas sem transforma-lo, jamais. Alguém tinha interesse na sua relação, e a única pessoa que ela conseguia pensar era justamente Pio, mas ele não iria contar tão facilmente o que acabara de contar se ele mesmo tivesse transformado a garota.

- Quem a transformou? E quando? E por que? - exclamou Alessa, seu tom de voz escondia o desespero que claro, Pio notou, mas era mais ainda perceptível a raiva que ela sentia.
- Essas são informações que podem exigir um pouco mais, Alessa.
- Só me diga o que quer, droga.
- Ainda não sei,  portanto, te direi o que sei e quando eu pensar no que quero lhe aviso.
- Que seja. Fale logo.

***

Um casebre mal cuidado escondido sob os escombros na mais remota parte da floresta que havia na saída da cidade um homem jazia no canto direito do único cômodo do estabelecimento. Suas mãos amrradas à beirada da cama, e seu tronco encostado na mesma. Sua camisa branca suja de sangue, barro e folhas secas. Os pés descalços e os sapatos jogados no outro lado do quarto. O homem respirava com dificuldade,  mas estava vivo, afinal.

Kira acordou de súbito. Quando finalmente seus olhos se acostumaram à luz do ambiente ele tentou descobrir onde estava. Forçou um grito, mas sua garganta seca mal permitiu que algum som saísse. Tossiu.

- Olha quem acordou! - uma voz feminina e aguda surgiu do breu que agora cobria a casa, a lua estava saindo.
- Quem es-tá... aí? - perguntou Kira, com dificuldade.
- Não reconhece minha voz, amor? - disse Sam ( ex-namorada de Kira)
- Sam? Sam é você?

Então a garota saiu das sombras e mostrou seu sorriso sujo com o sangue de Kira, girou para mostrar o vestido vermelho que vestia, e caminhou trincando com sua bota de salto fino. Agaichou para ficar na altura de Kira e disse:

- Mas é claro.
- Por que fez isso?
- Isso o que?
- Você terminou comigo, você não quis voltar e agora você é... você é
- Uma vampira, amor. Isso mesmo. Uma vampira.
- Mas por que? Como? Quando? Onde?
- Blablablabla, estou com muita preguiça pra explicar essas coisas, vamos ao que interessa. Você, eu... felizes para sempre. - e se levantou à medida que falava seu plano, olhando para o nada como se estivesse realmente dizendo algo que faz sentido.
- Você está louca! - esbravejou Kira e tentou desfazer os nós, mas não conseguiu, apenas apertou-os ainda mais machucando os pulsos já feridos.
- Sempre fui.
- Não! Você está louca de verdade. Estou com Alessa agora.
- Aquela coisa. Ela não te merece, Kira. Ela está usando você.
- Você ouve as coisas que fala? Me solta, Sam e vamos para com isso tudo.
- Eu não posso soltar você até que tenha se alimentado.
- Como assim me alimentado? Você não? ... Você. Sam. Você me matou?
- Mas é claro, bobinho. De que outra forma eu poderia lhe transformar em vampiro?






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18 de maio de 2017

Ao poeta

" Somebody said you've got a new friend"


Como uma estrela cadente você caiu; eu era apenas o céu sem luz aguardando você me iluminar. E durante sua passagem, que foi lenta, eu me preenchi de energia. 
Eu tentei me vestir de anjo e tentar lhe tocar, mas quando o fiz você se afastou como se pudesse sentir minha escuridão, meu medo, minha dor. 
Eu tentei entrar em  seu mundo, mas fui expulsa como o diabo foi do céu. 
Mas não tive ao meu lado demônios. 
Estava sozinha; tentando encontrar meus motivos sempre errôneos.
Foi então que meu amigo chegou e você, de certa forma, se apaixonou. 
Não questionei, segui.
Não hesitei, parti.
Ao menos, tentei.
Mas você era a onda que me puxava da areia simplória e me arrastava e me afogava no seu próprio mar.
Assim aprendi a ressuscitar. Como todo ser das trevas eu voltava, na instintiva tentativa de adentrar, no mundo da luz. 
No seu mundo, é claro.
Mas jamais haveria de conseguir, de fato.

Ao poeta resta palavras, não amor.
Ao escritor resta papeis, não cartas.
Ao poeta não resta sorriso, só dor.
Ao escritor não resta verdade, apenas falácias.

A mim, não resta nada. 






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8 de maio de 2017

Banished

Do submundo eu vim
cheguei ao céus enfim
mas se até do inferno
me baniram
pra onde foge o demônio aflito?

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30 de abril de 2017

Blut - Parte II



Você pode ler a parte I AQUI

***

Kira voltava para casa depois de sua aula à noite como de costume. Sozinho. Atravessou um dos becos que dava acesso à rua de sua casa de forma mais rápida, mas ele caminhava lentamente. Àquela hora da noite, naquele lugar era de se esperar que qualquer ser humano são se fosse obrigado a atravessar aquele beco por vezes cenário de crime, andaria bem mais depressa que os passos lentos e vagarosos de Kira.

Mas ele não tinha o que temer.

Isto é.... a única criatura que ele poderia temer era exatamente a que ele desejava encontrar.

Alessa.

Uma vampira sanguinária e cruel, mas que por alguma razão absurdamente desconhecida se afeiçoara por Kira e decidiu não mata-lo, pelo menos, não imediatamente. Quando o relógio no pulso dele marcou meia-noite, Alessa surgiu do breu que escondia o final do beco, sorridente e com a boca levemente vermelha, mas não de batom. Foi em direção a Kira que estava sorrindo também, e de braços abertos para receber sua amante.

Alessa apertou Kira. Depois de se aconchegar entre seus braços fortes e maiores que os dela, mas não tão cheios da força sobrenatural que um vampiro possui, no entanto, Alessa não precisou utilizar da mesma. 

- Olá. - disse ela depois de beijar Kira tão apaixonada e vorazmente que poderia se dizer que ela estava mesmo apaixonada por ele, mas é claro que isso jamais poderia acontecer. Uma vampira tão maléfica quanto Alessa nunca se comprometeria amorosamente com qualquer criatura que dirá um mero mortal, um simples humano.

- Estava com saudade. - respondeu Kira, sorrindo e passando o braço na cintura de Alessa.
- Não faz mais que seis horas. - disse Alessa colocando o cabelo para trás da orelha esquerda.
- Estava mesmo assim. Dormiu bem durante o dia?
- Não exatamente. Tive que lidar com alguns problemas na Mansão.
- Que tipo de problemas?
- Digamos que estão tentando criar problemas comigo.
- Achei que você fosse uma espécie de rainha lá.
- Ainda não, mas serei.

A Mansão era o local de moradia e também reunião dos vampiros da região Leste dos Estados Unidos. Era, de certa forma, comandada por um vampiro milenar chamado Pio ( lê-se paio ) cujas ordens eram jamais questionadas e o simples timbre de sua voz levemente mais alto era suficiente para fazer o mais corajoso vampiro tremer. Todos na casa o temiam, o respeitavam e alguns o amavam, de fato, as mulheres se incluíam nessa última categoria, afinal, a beleza de Pio era inegável.

Desceram do porshe de Alessa, mas ela pediu que Kira esperasse ali fora, de preferência perto do carro.

- Espere aqui. Preciso verificar quem está no Grande Salão e se Pio está presente. Se ele estiver fará perguntas sobre você as quais não estou no clima para responder.
- Está bem. - concordou Kira e a puxou pela cintura para dar-lhe um beijo com verocidade. Alessa não hesitou e sorriu, mostrando os dentes brancos, mas que em seguida ficaram vermelhos, pois ela proferiu uma mordida, ainda que de leve, no pescoço de Kira.

Já acostumado com a dor e a sensação, dessa vez Kira nem se contorceu ou algo do tipo, pelo contrário, deleitou-se de prazer.  Junto de Alessa ele conseguiu sentir pela primeira vez a gloriosa sensação de ser mordido por um ser das trevas.

Alessa, com certo esforço, desvencilhou-se de Kira, abriu o grande portão que separava o Jardim Sereno da rua e da Mansão. Caminhou lentamente. O vento frio cortando sua bochechas brancas como mármore, seu coturno preto arrastando a terra vermelha que havia na curta estrada que dava caminho até a porta do Grande Salão. Uma vez de frente para a porta Alessa a empurrou, era grande grossa e adornada com várias artes, mas ela sendo forte não teve esforço algum. Assim que entrou dois vampiros a encararam. Outros três que estavam se alimentando de um humano qualquer ao fundo do Grande Salão pararam o que estavam fazendo. Limparam a boca com as costas da mão e sorriram para Alessa, mas foi um sorriso maligno, eles sabiam que ela poderia estar com problemas, uma vez que estava saindo demais da Mansão sem pedir autorização de Pio.

- O que é que os patetas estão olhando?
- Oras, Alessa. Você sabe que está encrencada. - disse uma vampira, loira com adornos verdes no cabelo enrolado que batia na sua cintura. Seus olhos negros estavam brilhando de satisfação pelo possível castigo que Alessa teria. Lore era o nome dela e ela parecia ter o mesmo objetivo de Alessa - tornar-se rainha, a diferença que Lore estava disposta a ser a amante número de Pio, enquanto Alessa nem sequer cogitou essa opção.
- Encrencada estará você se não sair da sala agora, Lore. Vamos vocês todos! - disse, rosnando e mostrando os dentes sujos do sangue de Kira.
- Você não manda aqui, Alessa.
- Quer ver quem é que manda, Lore? - e Alessa avançou, mas Lore foi rápida e era esperta  o bastante para não enfrente Alessa sozinha, que 100 anos mais velha que ela poderia facilmente destroçar seu corpo delineado e desenhado.
- Está bem. Vamos todos. - disse Lore, enfurecida, mas de cabeça baixa.

Em seguida, todos os presentes na sala saíram e foram para seus quartos. Alguns subiram a grande escada que dava acesso ao primeiro andar e outros pegaram o elevador. Alessa estava sozinha na sala. Mas correu velozmente para buscar Kira.  No entanto, chegando no porshe ele não estava lá.

- Droga, Kira. Mandei ficar aqui.  - pestanejou Alessa.

Mas em seguida, seu olfato sentiu cheiro de sangue fresco. O sangue de Kira. Seu coração disparou imediatamente e ela foi na direção do cheiro. Dentro das fortalezas da mansão, em uma pequena mesa de mármore que ficava não muito afastada da Grande Mansão, havia a mensagem:

 " ele me pertence agora "

Com o sangue de Kira, ela sentiu. Mas quem haveria deixado a mensagem Alessa não fazia ideia. Seu coração antes gelado agora batia fortemente, pois haviam sequestrado alguém que poderia ser o grande amor de sua vida, uma vida regada a assassinatos, furtos, tortura e dor. Uma vida que jamais conhecera o amor, pela primeira vez Alessa havia se permitido aproximar de alguém, mas Kira era apenas um humano e não poderia se defender

Restou a Alessa descobrir quem sequestrara Kira. De todas as suas qualidades,vingança sempre fora, deveras, a melhor dela.


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28 de abril de 2017

"The Drug in me is you"


"you don't want me, no. Like I want you. "

***

Você se lembra de como nos conhecemos? Talvez não. Você conhece muitas pessoas. Todos os dias. E possivelmente naquele dia conheceu outras tantas. Mas eu sei exatamente como aconteceu. Como meus olhos fitaram você. De longe, te vi marcado. À medida que se aproximou de minha pessoa senti meu coração disparar, de leve, a princípio até que quando estava ao meu lado, impondo sua presença forte eu tive medo que pudesse ouvi-lo. Tente sorrir de uma forma não idiota, mas é claro que foi em vão. Por sorte, você pareceu não se importar e com sua gentileza me conduziu.

Mas esse não é um texto sobre começos. E sim finais. O nosso. Que apesar de em nossa magnitude, conexão e plenitude de diálogos, nunca tivemos uma história. Um algo. Jamais haveríamos de ter, afinal. E hoje sigo bem com relação a esse triste, porém, necessário fato. Meu ''coração'' foi curado por você, no início, confesso, mas da mesma forma você o quebrou, de uma maneira diferente, porém. 

Ele segue despedaçado sem nunca ter-lhe amado.

" you're my obsession, my fetish, my religion, my confusion, my confession, the one I want tonight. "

Essa abstinência que terei de você, certamente vai passar. Todos merecemos algo, e eu mereço também. Assim como você. E agora me despeço, de tudo que poderíamos ter, de todos os sorrisos que incosciente você me tirou, digo adeus ao perfume que uma ou duas vezes me embriagou, aceno de longe para as doces palavras que me consolaram e também me fizeram refletir. Digo adeus, ao sorriso mais bonito que já vi.  Ao olhar sereno que me acalmou mesmo a quilômetros de distância, me despeço do corpo que me aproximei o suficiente para tocar, mas nunca senti, em nenhuma instância.

Então, o único que realmente conheço como Anjo, que seja leve sua vida livre deste Demônio.

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27 de março de 2017

Ligados

e através da janela
já ( vejo ) nela
o reflexo
da flor amarela

aquela flor
que me fez florescer
e crescer
viver

não há grito
há voz e um som
pelo qual vejo o dom

através do vidro
e por ele escuto
vejo
respiro

as forças me encontram
o sorriso surge na boca
durante à noite
perco-me;
sou louca

o violão possui vida
o caderno encontra a linha
Bukowski me possui
e Pessoa é o que o fui

[um dia]

dos Anjos sempre serei
mas por ele me permito ser
o diferente, o melhor
luto contra meu pior

[ tentar ]

{wundebar}

o que sei é o que há
e entendo o que me faz
não sei o que fará
fé que me dará paz

{tenho}

mas não há culpa
cobrança
os laços são maiores
inexplicáveis

só há gratidão
sem explicação

o álcool percorre o sangue
e encontra, talvez,
uma razão

[mas não sei dizer]

o espaço que há entre nós
não é o suficiente
para desfazer nossos nós

que foram moldados há anos
há anos

mas nós nunca ficamos sabendo
nunca tivemos consciência
até agora
é claro

e agora, portanto
há nós de manter
o legado

para sempre
ligados

e por isso

Obrigado

*For a Special Friend
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23 de março de 2017

Non Haikai

com o café
te aguardo
mas com amor
te espero no quarto

do vinho suave
bebo
mas com a paixão
voraz
me deleito

you clear my way
and to be yours
i pray
you make me go
on fire
your body mixed
to mined
that's my deepest
desire
listen to the god's
devise
you and I
shall be eternized

22.03.17

in some English Class
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21 de março de 2017

Adoçante

ela tem os olhos da cigana oblíqua, citada por Machado, 
 mas o que ela tem mesmo é um coração fechado.
 Os olhos são a porta de sua alma, pena que ela não tem uma, 
pois há muito foi levada. 
Seus olhos negros escondem muita dor,  
mas o que ela quer mesmo é dar e receber amor.

através de seu sorriso ela esconde muita coisa
mas o que poucos sabem é que ela não tem escolha
quem a vê sempre feliz
mal sabe que a felicidade não a quis
mesmo depois de implorar, suplicar
a alegria a deixou, abandonou, deixou-a se matar

mas continuou viva, continuou respirando
pelos outros
continuou amando

se amava a vida ou a sorte de estar ali
não sabemos dizer
nem ela
nem você

ela possuía os olhos de ressaca, citada por Machado,
porém, não entendia como algo podia ter acabado
sem nem mesmo ter começado
o amor que um  dia possuíra
hoje transforma-se em grande ira
mas para si guarda
dentro dela a dor cala

***

a dor cala
na calada dor
há amor
cala o amor
o amor cala
cálice, amor
no cálice h(á)mor
calice, dor
ameniza
a dor
o amor
adoça
a dor do amar
o que ama
amar
e ser amado
o amor
dói
e faz doer
adoça
a dor
que dói
no amor



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4 de março de 2017

sorte

Eu sou a morte


A decepção dos vivos
a noite sem sono do caído
eu sou o álcool destilado
o amargor do doce salgado

eu sou o pé descalço no caco de vidro
o sangue que escorre da boca do vivo
o corte na ferida jamais curada
eu sou aquela que está acabada

eu sou a desgraça de toda sorte
o não para qualquer sim
eu sou o monstro que não dorme
minha missão é o seu fim

[o beijo  que jamais existiu
a oportunidade jamais aproveitada
a desistencia da vida
de si mesma ]







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20 de fevereiro de 2017

#4

Enquanto a chuva caía la fora meu mundo desabava dentro de mim. Nem todas as suas gotas seriam o suficiente para encher meu oceano de tristeza. O céu mais que negro em nada se comparava à minha soturnez.

O que sei é o que brilho do sol nem se aproxima do seu maravilhoso sorriso. O mais belo pássaro com o mais belo canto é uma simples nota sem tom se comparado ao som da sua voz, no entanto, antes eu estivesse surda, pois sem tua voz todos os sons restantes são inúteis. Antes eu fosse cega, pois sem teu sorriso de nada me vale a visão. Antes eu não pudesse sentir, pois sem teu toque de nada me valem as mãos.


Texto feito em algum momento de 2015 e achado entre os escombros que são meus textos escondidos nos cadernos.
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19 de fevereiro de 2017

Vago

A minha vida é um fardo a qual sou obrigado a levar.
É uma coleção de erros.
A minha vida é um desconexo na linha do tempo. Perdida sem rumo, sem nexo.
O que um dia foi há muito deixei de ser, parada no tênue rabisco que é ser e não crer.
Os passos são lentos, vagarosos, mas não pela cautela e sim pelo cansaço. A cada dia que passa um novo fracasso.
Os rumos que tomei foram dados ao léo. Sem pensamento e sem crítica. Aqueles que um dia chegaram a serem balanceados mostraram-se tão ineficazes quanto àqueles que não pensados. Não há escapatória.
Eu sou o erro na matriz do Universo.
O buraco que fere o buraco negro.
A rachadura no buraco de minhoca que impede o conhecimento de chegar até minha mente.
Minha cabeça. Ela está  roída por dentro. Meu cerébro está derretendo.
Meu corpo, envoltório sem vida, desprovido de vontade ou capacidade é um cofre oco usado pelos outros para aprecio próprio de uma não existente beleza e mais maligna, ainda que despercebida, presença.
Meus olhos não captam a luz, pois atrás deles se escondem as Trevas.
Minhas mãos trêmulas diante de escolhas simples, mas catastróficas, uma vez que as tenho feito.
A decrepitude de minha boca sedenta por um beijo que jamais terei, daquele que jamais irá me querer é o bastante para manter-me calado, frente ao espelho rachado, frente ao espírito maltrado.
Não há para onde correr, fugir, andar. Ficar parado é o que há. À espera de uma salvação que nunca virá.
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18 de fevereiro de 2017

Blut - Parte I

Alessa caminhava à noite, de madrugada. O brilho da lua cheia refletido nos seus olhos negros. Vestia preto como de costume, um batom vermelho na boca carnuda e lápis preto, claro. Seus passos eram tão silenciosos, as botas de salto fino tocavam o chão como se fossem apenas nuvens.  Nem mesmo o mais astuto animal notaria sua presença, até mesmo porque sangue quente não corria em seu corpo... gélido.
No beco da rua ela parou de súbito, pois de longe ouviu um singelo ruído. Muito baixo, mas seus instintos e audição aguçados não a deixavam na mão, jamais. Encostou na parede e ouviu:
- Kira, você não devia estar aqui. ( sussurou a menina ) - Alessa caminhou mais um pouco para ver quem eram.
- Eu sei,mas eu precisava saber se você estava bem. ( sussurrou ainda mais baixo o rapaz )
Nesse momento, Alessa estava próxima o bastante para fitar o casal, claro que sua visão ajudava, uma pessoa normal jamais enxergaria qualquer coisa àquela distância.
- Eu sei, mas eu estou bem e você precisa ir embora. Não devia ter me chamado. ( disse a garota um tom mais  alto )
- Eu ainda me preocupo.
- Mas você não deve... Terminamos há um mês. Você precisa seguir em frente.
- Eu não quero seguir em frente.
- Mas você deve. ( ela gritou )
Ele ficou em silêncio, olhando para baixo. Alessa sorria. Ele era bonito demais para estar correndo atrás de qualquer mulher. E se estava fazendo isso era porque se importava. A vítima perfeita na sua opinião.
Kira não disse nada. Apenas olhou uma última vez nos olhos castanhos de sua ex namorada, Sam e virou as costas. Não permitiu que a lágrima presa em seu olho esquerdo caísse. Foi firme. Sam voltou para casa, em frente, e fechou a porta sem hesitar. Alessa sabia o que tinha que fazer.
***
Kira ia embora quando ouviu algo. Era Alessa, mas é claro que ele não sabia disso. Ele se virou para tentar descobrir de onde o som atrás de si podia ter vindo e nada viu, mas quando piscou por breves segundos uma mulher, morena de longos cabelos negros como a noite sem lua, olhos pretos como o rio que não reflete nada, e sua boca colorida de vermelho. Ela sorriu e foi o sorriso mais belo que ele havia visto em toda a sua vida. Seu coração bateu um pouco mais rápido, mas ele tentou não demonstrar nada. Alessa estava com os braços cruzados e apoiava a perna direita na parede.
- Olá, Kira. - disse ela com a voz mais sensual que um ser não humano poderia ter.
- Como sabe meu nome?
Alessa caminhou devagar na direção de Kira e depois de descruzar os braços disse:
- Por acaso ouvi o final da conversa entre você e a ruiva do lado.
- E posso saber por qual motivo estava ouvindo conversa alheia?
- Foi um deslize. - ela disse, aproximando-se mais - não pude evitar depois de olhar você. Precisava saber... - virou-se para esconder um sorriso.
- Saber o que? - disse Kira, agora mais calmo e curioso.
- Se ainda estavam juntos.
- Como sabia que havíamos ficado juntos?
- Eu sei de muita coisa, Kira.
- Como o que?
- Como que você não a ama, e que sua corrida até aqui atrás dela, foi apenas um momento de fraqueza. Sei também que está à procura de um novo alguém na sua vida. Você sabia que ela estava bem, mas precisava dizer um adeus verdadeiro.
- Ok, agora estou assustado. Você está me espionando?
- Não. Li sua mente, apenas.
- Hahaha, tudo bem. Acredito.
- Pois devia. Caso contrário, como saberia que pensou nesse exato momento que gostaria de me beijar?

Kira não respondeu. O sorriso sumiu de seus lábios de súbito. Ele olhou para Alessa que também estava séria. Ele mal teve tempo de raciocinar. Alessa o prendeu contra a parede. Uma mão no pescoço e a outra prendendo uma das mãos. A outra estava livre, mas Kira não se atreveu a move-la. Quando fitou os olhos escuros, mas sem vida de Alessa ele soube o que ela era de verdade, porém, percebeu tarde demais.
Segundos depois de ela o olhar também nos olhos e sorrir,  cravou-lhe os dentes no pescoço livre que apesar de exalar um perfume tão intrigante que por átimos de segundo ela hesitou em seu movimento, não foi o bastante para impedi-la. Ele gritou, baixo, mas gritou. No entanto, a dor era mais prazer que agonia, logo, ele permitiu que a nem tão jovem vampira continuasse. Seu pescoço marcado por desenhos, bem como grande parte de seu corpo foram mais que atrativos para Alessa. Seu corpo desenhado e trabalhado deram a ela mais que motivos. Deram razões certeiras para que ela o tivesse.
Ele fechou os olhos e pressupôs que agora e ali no beco da rua de sua antiga namorada ele morreria atacado por um ser das Trevas. Mas Alessa parou. Com a boca suja de sangue limpou-a com as costas da mão. Sorriu e mostrou os dentes vermelhos para Kira que cambaleou, mas ficou de pé. Ela segurou a outra mão dele contra a parede. A respiração entrecortada de Kira e seu coração disparado, não de medo, mas de desejo revelaram a Alessa o que ele, de fato, queria: ela. Mal sabia ele que ela queria mais que seu sangue, sua boca ou seu corpo...
Ela não se importou com o gosto que ele sentiria de sua boca e o beijou. E ali ficaram por várias horas. Até que os primeiros raios de sol iriam nascer e Alessa foi forçada a deixar Kira.
***
- Por que não me matou? - perguntou Kira após um longo tempo.
- Porque ainda não está na hora.
- Quer dizer que irei morrer?
- Provavalmente.
Kira ficou em silêncio
- Algum problema, Kira?
- Não. Ser morto por você seria uma honra.







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