É assim que acaba o mundo*

eu poderia admirar seu sorriso
o dia todo
sem compromisso

e tocar seu peito
beijar seu pescoço
e encostar no seu rosto
o meu

sentir seu cheiro e suas mãos
que dançam em mim
e fazem tremer o coração

me joga na cama
e tira sua roupa
não nega o fogo que lança
e assim me deixa louca

o nosso ritmo é perfeito
nossa música é um gemido
seu prazer, eu leio
e eu termino, com um suspiro



* referência ao poema de T.S. Eliot


Fade Away

Como um corpo que apodrece ao entrar em contato com a água após algum tempo em baixo da terra
Como um ferro que se desfaz ao ser tocado pelo vento após algum tempo em baixo da água

" you were the shadow to my light"

Como uma lágrima que escorre no rosto soturno
Como o sangue que sai da mão que soca a parede

" I'm faded"

Todos os meus motivos são errôneos e eu não compreendo como é possível caber tanto desespero em um corpo tão pequeno. Todas as tentativas são falhas, elas já começam caindo. E meu flácido e desvanecido envoltório que pede um descanso eterno que sempre lhe é negado devido ao egoísmo alheio agora jaz nesse objeto feito de madeira, mas que me parece ser feito de prego, uma vez que minha cabeça não repousa nele.

Os outros que são apenas outros me olham, mas não enxergam. E julgam... E dizem coisas, que eu encaro com uma gargalhada, mas que dentro a alma chora e clama, mas não pode ser ouvida, visto que no inferno interior que carrego em meu peito estraçalhado som algum é permitido sair. E assim sigo nessa luta diária, comigo mesma? Não sei, porém, luto e canso, e levanto e caio, e até tento permanecer no chão, não por cansaço, mas por desistência. Eu já desisti há muito tempo, de fato.

O que faço aqui, então? O egoísmo alheio. 

A nadificação da vida faz mais sentido em minha mente desprovida da capacidade de reflexão nesse momento, estou sóbria, acredite, mas meu espírito está embebedado de uma paixão que desconheço o nome.

A cada dia que amanhece, cada luz diferenciada que adentra pela janela de meu quarto, não compreendo como estou onde estou e como cheguei a esse ponto, no entanto, após levantar-me, com esforço, chego à conclusão: "somos responsáveis por nós mesmos" dizia Sartre, e não culpo ninguém, nem deus, nem diabo, nem natureza, nem universo senão a mim mesma. Cada decisão e cada ação, e estando aqui diante deste incenso que numa tentativa falha de me trazer paz acaba por encher de cólera, digo apenas: como lidar com essa culpa? 

O tempo.

São tantos anos, mas nenhum vivido. Talvez um. 

Por que fazemos isso? 

Por que estou aqui? Assim?

A decomposição de meu pútrido corpo que jaz no quarto escuro é a resposta. Eu tentei, e no fim, eu estava certa.

Acabei como profetizei. 






Blut - Parte III

Você pode ler as partes I e II AQUI e AQUI

***

Alessa trajava sua vestimenta comum: um espartilho preto e roxo que delineava sua já desenhada cintura. Uma calça de couro preta que dava ainda mais forma às suas coxas grossas e quadril levemente largo. Um coturno com três fivelas que se transpassavam entre si. Como sua natureza não lhe permitia sentir frio, ela não colocou nenhum casaco ainda que lá fora o vento cortasse suas bochechas. Em seus olhos negro lápis preto e muito rímel. Na boca carnuda, um batom vermelho. Na cintura um largo cinto onde colocou uma arma de cada lado, mas dentro delas as balas eram hora prata hora fluorescentes. Ela estava séria quando trancou a porta de seu quarto na grande Mansão. Estava com raiva, furiosa, mas iria descontar todo o sentimento nos responsáveis pelo sequestro de Kira.

Ela só precisava descobrir quem eram.

- Onde a senhorita pensa que vai? - perguntou Pio - o até então comandante, rei, imperador ou qualquer outra coisa que queira chamar o dententor das regras na Grande Mansão - em seu tom de voz calmo e sereno, como sempre. Ele brincava com um fio de cabelo de uma vampira loira que sentava à sua frente. Sem olhar para Alessa, ele falava com ela como se ela fosse uma simples vampira e não uma forte e antiga sugadora de sangue e talvez a próxima rainha do clã.

- Não é do seu interesse, Pio.
- Talvez seja. Talvez eu até possa lhe ajudar.
- Como é que poderia me ajudar? Você mal sai desta casa.
- E talvez por não sair eu saiba de coisas que você não sabe.
- Isso não faz o menor sentido. Pare de me atrasar. Não tenho tempo a perder.
- Vai atrás de seu Kira? Será que ele aguenta até você chegar?

No momento que o nome Kira passou pelos lábios manchados de sangue de Pio, Alessa se virou subitamente e em dois segundos estava ao lado do mestre, com uma das mãos pronta para agarrar o pescoço frio do vampiro, mas ela se conteve e apenas disse:

- O que você sabe sobre o desaparecimento dele?
- Sei de algumas coisas.
- Me diga.
- Assim? Fácil? - nesse momento Pio deu um leve tapa na cabeça da vampira de modo que ela entendesse a ordem: sair. Assim, quando a moça não estava mais presente na sala, e Pio e Alessa estavam completamente sozinhos ele continuou:
- Minha querida, você é muito boa em tudo que faz... - ele fez a pausa, para forçar Alessa a se lembrar das noites de prazer que ele deu a ela, não fazia muito tempo. Ela entendeu a indireta, mas Pio era algo que não fazia mais parte de sua vida e tudo que ela queria era informações.
- Anda logo, Pio.
- Você me conhece. E pode ser boa em qualquer coisa, mas sabe que não dou informações de graça.
- O que é que você quer?

Pio se virou lentamente e seus olhos azuis encontraram os de Alessa. Ele sorriu e a puxou mais perto de si, ela tentou se desvencilhar,  mas não foi forte o bastante.

- Até parece.  - disse Alessa ao entender que Pio estava exigindo muito mais que um simples beijo, talvez.
- Você entendeu errado. Você sabe que em breve teremos votação para o novo Mestre da Grande Mansão.
- E daí?
-  Retire sua candidatura.
- Eu nem me candidatei, seu vampiro louco.
- Não, mas as pessoas te querem como rainha.
- As pessoas desta casa me odeiam.
- Mas odeiam ainda mais a mim.
- Isso é problema seu.
- Você quer salvar seu humano ou não, minha cara? - disse Pio soltando a cintura de Alessa e se voltando para a garrafa de whisky que se encontrava aberta e pela metade no carrinho de bebidas ao lado do sofá veludo preto, mas manchado de sangue em diversas partes.

Alessa pensou por dois segundos, mas sabia que não tinha escolha. Pio podia ser um completo babaca, mas se ele falava que tinha informações ele tinha.

- Combinado. Me diga o que sabe e eu garanto não fazer parte das próximas eleições.
- Combinado, então, minha cara. Vamos lá. - Pio bebeu uma dose do whisky que havia colocado para si, sentou-se na beirada do sofá, ajeitou os cabelos negros atrás das orelhas e limpou seu sobretudo preto. - Você sabia que Kira namorou uma moça, certo?
- Sim, uma ruiva. O conheci no dia que ela terminou tudo de vez.
- Ache essa moça e então achará Kira.
- Como assim? Ela é uma simples humana e bem menor que Kira, não seria capaz de sequestra-lo ou fazer nada contra sua vontade.
- Concordo com a parte do ''contra sua vontade'', mas ela não é uma simples humana, pelo menos, não tem sido nos últimos meses. - disse Pio escondendo nos lábios o sorriso sarcástico, mas que demonstrava sua satisfação,

O coração gelado de Alessa parou. Alguém havia transformado a ex namorada de Kira. Alguém que sabia que ela estava, de certa forma, namorando um humano, bebendo de seu sangue todos os dias, mas sem transforma-lo, jamais. Alguém tinha interesse na sua relação, e a única pessoa que ela conseguia pensar era justamente Pio, mas ele não iria contar tão facilmente o que acabara de contar se ele mesmo tivesse transformado a garota.

- Quem a transformou? E quando? E por que? - exclamou Alessa, seu tom de voz escondia o desespero que claro, Pio notou, mas era mais ainda perceptível a raiva que ela sentia.
- Essas são informações que podem exigir um pouco mais, Alessa.
- Só me diga o que quer, droga.
- Ainda não sei,  portanto, te direi o que sei e quando eu pensar no que quero lhe aviso.
- Que seja. Fale logo.

***

Um casebre mal cuidado escondido sob os escombros na mais remota parte da floresta que havia na saída da cidade um homem jazia no canto direito do único cômodo do estabelecimento. Suas mãos amrradas à beirada da cama, e seu tronco encostado na mesma. Sua camisa branca suja de sangue, barro e folhas secas. Os pés descalços e os sapatos jogados no outro lado do quarto. O homem respirava com dificuldade,  mas estava vivo, afinal.

Kira acordou de súbito. Quando finalmente seus olhos se acostumaram à luz do ambiente ele tentou descobrir onde estava. Forçou um grito, mas sua garganta seca mal permitiu que algum som saísse. Tossiu.

- Olha quem acordou! - uma voz feminina e aguda surgiu do breu que agora cobria a casa, a lua estava saindo.
- Quem es-tá... aí? - perguntou Kira, com dificuldade.
- Não reconhece minha voz, amor? - disse Sam ( ex-namorada de Kira)
- Sam? Sam é você?

Então a garota saiu das sombras e mostrou seu sorriso sujo com o sangue de Kira, girou para mostrar o vestido vermelho que vestia, e caminhou trincando com sua bota de salto fino. Agaichou para ficar na altura de Kira e disse:

- Mas é claro.
- Por que fez isso?
- Isso o que?
- Você terminou comigo, você não quis voltar e agora você é... você é
- Uma vampira, amor. Isso mesmo. Uma vampira.
- Mas por que? Como? Quando? Onde?
- Blablablabla, estou com muita preguiça pra explicar essas coisas, vamos ao que interessa. Você, eu... felizes para sempre. - e se levantou à medida que falava seu plano, olhando para o nada como se estivesse realmente dizendo algo que faz sentido.
- Você está louca! - esbravejou Kira e tentou desfazer os nós, mas não conseguiu, apenas apertou-os ainda mais machucando os pulsos já feridos.
- Sempre fui.
- Não! Você está louca de verdade. Estou com Alessa agora.
- Aquela coisa. Ela não te merece, Kira. Ela está usando você.
- Você ouve as coisas que fala? Me solta, Sam e vamos para com isso tudo.
- Eu não posso soltar você até que tenha se alimentado.
- Como assim me alimentado? Você não? ... Você. Sam. Você me matou?
- Mas é claro, bobinho. De que outra forma eu poderia lhe transformar em vampiro?






Perdido

Cravo minhas unhas nas costas largas
me permito ser preenchida, sem amarras
cada respiração
nova pulsão
um só ritmo
jamais compreendido

suas mãos desfilam pelo meu corpo
e minha língua passa por você todo

meu cabelo se desmancha no seu peito
e seus braços fortes me envolvem
eu me entrego sem receito
e o prazer e a paixão nos envolvem

(...)

um dia termino, quem sabe...

Rape me

O seu silêncio me estupra
sua voz não me escuta
o seu toque me machuca
pois ele não existe
e eu sigo na luta

os meus esforços são em vão
por quem bate seu coração?

estou jogada no chão
sem roupa e sem atenção
enquanto você sorri 
conseguiu, afinal, meu fim

[...]


Quem sabe um dia eu termino esse

Ao poeta

" Somebody said you've got a new friend"


Como uma estrela cadente você caiu; eu era apenas o céu sem luz aguardando você me iluminar. E durante sua passagem, que foi lenta, eu me preenchi de energia. 
Eu tentei me vestir de anjo e tentar lhe tocar, mas quando o fiz você se afastou como se pudesse sentir minha escuridão, meu medo, minha dor. 
Eu tentei entrar em  seu mundo, mas fui expulsa como o diabo foi do céu. 
Mas não tive ao meu lado demônios. 
Estava sozinha; tentando encontrar meus motivos sempre errôneos.
Foi então que meu amigo chegou e você, de certa forma, se apaixonou. 
Não questionei, segui.
Não hesitei, parti.
Ao menos, tentei.
Mas você era a onda que me puxava da areia simplória e me arrastava e me afogava no seu próprio mar.
Assim aprendi a ressuscitar. Como todo ser das trevas eu voltava, na instintiva tentativa de adentrar, no mundo da luz. 
No seu mundo, é claro.
Mas jamais haveria de conseguir, de fato.

Ao poeta resta palavras, não amor.
Ao escritor resta papeis, não cartas.
Ao poeta não resta sorriso, só dor.
Ao escritor não resta verdade, apenas falácias.

A mim, não resta nada. 






Heavy


seus dedos dedilhavam as cordas com maestria
mas melhor ainda era o dedilhado que fazia
em meu corpo nu à noite

o seu corpo desprovido de roupa, mas cheio de essência
se encaixa no meu perfeitamente e sua voz, dotada de eloquência
é a música que me embala o sono, mas também me tira o juízo
e olhar pra você é apenas o que preciso

nossos cabelos mesclados e bagunçados na cama
a respiração entrecortada, o coração bate forte, e a Chama
que sai de mim e passa pra ti e então sentimos a Brisa
que entra calma pela janela e estremeço, uma vez que
estou nua
mas envolvida no seu corpo quente, me aqueço
como se estivesse em uma Duna

Os registros de nossos momentos serão eternos
nem o tempo nem espaço
são capazes de apagar esse aconchego e calma serenos
e diante do teu sorriso me calo

não há destino, mas sabemos onde vamos estar
e longe, distante ou do seu lado
a conexão não há de se perder
há uma escrita a se fazer
e sonhos para viver

de outras vidas que te conheci
agradeço sim
a Odin
por me presentear com sua presença
a jovialidade imensa
que é poder contar contigo

o metal nos uniu
e nem fogo escaldante há de separar
e seja aqui ou lá
a música que embala nossas vidas
sempre irá tocar

e ainda falarão sobre nós dois
como tudo foi e depois
sentaremos juntos para um café
para lembrar, sorrir e refletir
sobre o que a vida realmente é


Para ele ... Obrigada




Banished

Do submundo eu vim
cheguei ao céus enfim
mas se até do inferno
me baniram
pra onde foge o demônio aflito?

Valhala

A destreza de suas mãos que marcam meu corpo
Eu me entrego, claro, sem esforço
Seu corpo desenhado e marcado
Não hesito em tocar
E lhe permito entrar
A respiração quase para
O sorriso marca
Suas mãos caminham
E nossos laços não findam
Em Valhala ainda nos encontraremos
e junto dos deuses beberemos
Nossa marca aqui há de ficar
como em nossos corpos
uma vez mesclados
extasiados
E assim me despeço
mas antes lhe peço
não esqueças de mim, guerreiro
a eterna valquíria você cativou
com seu machado certeiro

o coração bate morto
mas Odin há de abençoar
um reencontro na sua mesa
e quem sabe mais uma vez juntos
iremos de ficar


Blut - Parte II



Você pode ler a parte I AQUI

***

Kira voltava para casa depois de sua aula à noite como de costume. Sozinho. Atravessou um dos becos que dava acesso à rua de sua casa de forma mais rápida, mas ele caminhava lentamente. Àquela hora da noite, naquele lugar era de se esperar que qualquer ser humano são se fosse obrigado a atravessar aquele beco por vezes cenário de crime, andaria bem mais depressa que os passos lentos e vagarosos de Kira.

Mas ele não tinha o que temer.

Isto é.... a única criatura que ele poderia temer era exatamente a que ele desejava encontrar.

Alessa.

Uma vampira sanguinária e cruel, mas que por alguma razão absurdamente desconhecida se afeiçoara por Kira e decidiu não mata-lo, pelo menos, não imediatamente. Quando o relógio no pulso dele marcou meia-noite, Alessa surgiu do breu que escondia o final do beco, sorridente e com a boca levemente vermelha, mas não de batom. Foi em direção a Kira que estava sorrindo também, e de braços abertos para receber sua amante.

Alessa apertou Kira. Depois de se aconchegar entre seus braços fortes e maiores que os dela, mas não tão cheios da força sobrenatural que um vampiro possui, no entanto, Alessa não precisou utilizar da mesma. 

- Olá. - disse ela depois de beijar Kira tão apaixonada e vorazmente que poderia se dizer que ela estava mesmo apaixonada por ele, mas é claro que isso jamais poderia acontecer. Uma vampira tão maléfica quanto Alessa nunca se comprometeria amorosamente com qualquer criatura que dirá um mero mortal, um simples humano.

- Estava com saudade. - respondeu Kira, sorrindo e passando o braço na cintura de Alessa.
- Não faz mais que seis horas. - disse Alessa colocando o cabelo para trás da orelha esquerda.
- Estava mesmo assim. Dormiu bem durante o dia?
- Não exatamente. Tive que lidar com alguns problemas na Mansão.
- Que tipo de problemas?
- Digamos que estão tentando criar problemas comigo.
- Achei que você fosse uma espécie de rainha lá.
- Ainda não, mas serei.

A Mansão era o local de moradia e também reunião dos vampiros da região Leste dos Estados Unidos. Era, de certa forma, comandada por um vampiro milenar chamado Pio ( lê-se paio ) cujas ordens eram jamais questionadas e o simples timbre de sua voz levemente mais alto era suficiente para fazer o mais corajoso vampiro tremer. Todos na casa o temiam, o respeitavam e alguns o amavam, de fato, as mulheres se incluíam nessa última categoria, afinal, a beleza de Pio era inegável.

Desceram do porshe de Alessa, mas ela pediu que Kira esperasse ali fora, de preferência perto do carro.

- Espere aqui. Preciso verificar quem está no Grande Salão e se Pio está presente. Se ele estiver fará perguntas sobre você as quais não estou no clima para responder.
- Está bem. - concordou Kira e a puxou pela cintura para dar-lhe um beijo com verocidade. Alessa não hesitou e sorriu, mostrando os dentes brancos, mas que em seguida ficaram vermelhos, pois ela proferiu uma mordida, ainda que de leve, no pescoço de Kira.

Já acostumado com a dor e a sensação, dessa vez Kira nem se contorceu ou algo do tipo, pelo contrário, deleitou-se de prazer.  Junto de Alessa ele conseguiu sentir pela primeira vez a gloriosa sensação de ser mordido por um ser das trevas.

Alessa, com certo esforço, desvencilhou-se de Kira, abriu o grande portão que separava o Jardim Sereno da rua e da Mansão. Caminhou lentamente. O vento frio cortando sua bochechas brancas como mármore, seu coturno preto arrastando a terra vermelha que havia na curta estrada que dava caminho até a porta do Grande Salão. Uma vez de frente para a porta Alessa a empurrou, era grande grossa e adornada com várias artes, mas ela sendo forte não teve esforço algum. Assim que entrou dois vampiros a encararam. Outros três que estavam se alimentando de um humano qualquer ao fundo do Grande Salão pararam o que estavam fazendo. Limparam a boca com as costas da mão e sorriram para Alessa, mas foi um sorriso maligno, eles sabiam que ela poderia estar com problemas, uma vez que estava saindo demais da Mansão sem pedir autorização de Pio.

- O que é que os patetas estão olhando?
- Oras, Alessa. Você sabe que está encrencada. - disse uma vampira, loira com adornos verdes no cabelo enrolado que batia na sua cintura. Seus olhos negros estavam brilhando de satisfação pelo possível castigo que Alessa teria. Lore era o nome dela e ela parecia ter o mesmo objetivo de Alessa - tornar-se rainha, a diferença que Lore estava disposta a ser a amante número de Pio, enquanto Alessa nem sequer cogitou essa opção.
- Encrencada estará você se não sair da sala agora, Lore. Vamos vocês todos! - disse, rosnando e mostrando os dentes sujos do sangue de Kira.
- Você não manda aqui, Alessa.
- Quer ver quem é que manda, Lore? - e Alessa avançou, mas Lore foi rápida e era esperta  o bastante para não enfrente Alessa sozinha, que 100 anos mais velha que ela poderia facilmente destroçar seu corpo delineado e desenhado.
- Está bem. Vamos todos. - disse Lore, enfurecida, mas de cabeça baixa.

Em seguida, todos os presentes na sala saíram e foram para seus quartos. Alguns subiram a grande escada que dava acesso ao primeiro andar e outros pegaram o elevador. Alessa estava sozinha na sala. Mas correu velozmente para buscar Kira.  No entanto, chegando no porshe ele não estava lá.

- Droga, Kira. Mandei ficar aqui.  - pestanejou Alessa.

Mas em seguida, seu olfato sentiu cheiro de sangue fresco. O sangue de Kira. Seu coração disparou imediatamente e ela foi na direção do cheiro. Dentro das fortalezas da mansão, em uma pequena mesa de mármore que ficava não muito afastada da Grande Mansão, havia a mensagem:

 " ele me pertence agora "

Com o sangue de Kira, ela sentiu. Mas quem haveria deixado a mensagem Alessa não fazia ideia. Seu coração antes gelado agora batia fortemente, pois haviam sequestrado alguém que poderia ser o grande amor de sua vida, uma vida regada a assassinatos, furtos, tortura e dor. Uma vida que jamais conhecera o amor, pela primeira vez Alessa havia se permitido aproximar de alguém, mas Kira era apenas um humano e não poderia se defender

Restou a Alessa descobrir quem sequestrara Kira. De todas as suas qualidades,vingança sempre fora, deveras, a melhor dela.


"The Drug in me is you"


"you don't want me, no. Like I want you. "

***

Você se lembra de como nos conhecemos? Talvez não. Você conhece muitas pessoas. Todos os dias. E possivelmente naquele dia conheceu outras tantas. Mas eu sei exatamente como aconteceu. Como meus olhos fitaram você. De longe, te vi marcado. À medida que se aproximou de minha pessoa senti meu coração disparar, de leve, a princípio até que quando estava ao meu lado, impondo sua presença forte eu tive medo que pudesse ouvi-lo. Tente sorrir de uma forma não idiota, mas é claro que foi em vão. Por sorte, você pareceu não se importar e com sua gentileza me conduziu.

Mas esse não é um texto sobre começos. E sim finais. O nosso. Que apesar de em nossa magnitude, conexão e plenitude de diálogos, nunca tivemos uma história. Um algo. Jamais haveríamos de ter, afinal. E hoje sigo bem com relação a esse triste, porém, necessário fato. Meu ''coração'' foi curado por você, no início, confesso, mas da mesma forma você o quebrou, de uma maneira diferente, porém. 

Ele segue despedaçado sem nunca ter-lhe amado.

" you're my obsession, my fetish, my religion, my confusion, my confession, the one I want tonight. "

Essa abstinência que terei de você, certamente vai passar. Todos merecemos algo, e eu mereço também. Assim como você. E agora me despeço, de tudo que poderíamos ter, de todos os sorrisos que incosciente você me tirou, digo adeus ao perfume que uma ou duas vezes me embriagou, aceno de longe para as doces palavras que me consolaram e também me fizeram refletir. Digo adeus, ao sorriso mais bonito que já vi.  Ao olhar sereno que me acalmou mesmo a quilômetros de distância, me despeço do corpo que me aproximei o suficiente para tocar, mas nunca senti, em nenhuma instância.

Então, o único que realmente conheço como Anjo, que seja leve sua vida livre deste Demônio.

Plenitude

Quem diria
Eu mal sabia
que logo eu,
poderia
desejar tanto algo assim

Você sabe o que é
você possui
talvez, também quer

Aquele beijo
aquele abraço
me pegou de jeito
me deu um laço

com teu cheiro
embriagada fiquei
e de novo sua pegada sacana
desejei

(e ainda)

olhar teu sorriso à noite
sob as estrelas
diante da lua amarela
você me deitou no chão
mas  me levou até ela

o resumo da viagem
foi tua presença
e ansiosa estou
para voltar e contigo
novamente
ficar plena e serena

***

que a leveza das cartas
em ti permaneça
e que meu beijo
não esqueça
mas se por acaso
não se lembrar
será um prazer
lhe beijar

***

And if you hold me
I'll be fine
Let's take a glass
of wine
Be drunk of pleasure
let's smile
witho no
measure

Rio

Prefiro me afogar na rasua de teu mar, aberto
mas que meu barco não consegue passar
Não remo,
Nado
De braços abertos pra te encontrar
Mas você está megulhando
nas profundezas do meu rio
Condecorado de Rio de Mágoas
E prefiro ter meu último suspiro
Em baixo do rio
que morre no (seu) mar
Meu mar, esse meu eterno amar

Ligados

e através da janela
já ( vejo ) nela
o reflexo
da flor amarela

aquela flor
que me fez florescer
e crescer
viver

não há grito
há voz e um som
pelo qual vejo o dom

através do vidro
e por ele escuto
vejo
respiro

as forças me encontram
o sorriso surge na boca
durante à noite
perco-me;
sou louca

o violão possui vida
o caderno encontra a linha
Bukowski me possui
e Pessoa é o que o fui

[um dia]

dos Anjos sempre serei
mas por ele me permito ser
o diferente, o melhor
luto contra meu pior

[ tentar ]

{wundebar}

o que sei é o que há
e entendo o que me faz
não sei o que fará
fé que me dará paz

{tenho}

mas não há culpa
cobrança
os laços são maiores
inexplicáveis

só há gratidão
sem explicação

o álcool percorre o sangue
e encontra, talvez,
uma razão

[mas não sei dizer]

o espaço que há entre nós
não é o suficiente
para desfazer nossos nós

que foram moldados há anos
há anos

mas nós nunca ficamos sabendo
nunca tivemos consciência
até agora
é claro

e agora, portanto
há nós de manter
o legado

para sempre
ligados

e por isso

Obrigado

*For a Special Friend

Non Haikai

com o café
te aguardo
mas com amor
te espero no quarto

do vinho suave
bebo
mas com a paixão
voraz
me deleito

you clear my way
and to be yours
i pray
you make me go
on fire
your body mixed
to mined
that's my deepest
desire
listen to the god's
devise
you and I
shall be eternized

22.03.17

in some English Class

Adoçante

ela tem os olhos da cigana oblíqua, citada por Machado, 
 mas o que ela tem mesmo é um coração fechado.
 Os olhos são a porta de sua alma, pena que ela não tem uma, 
pois há muito foi levada. 
Seus olhos negros escondem muita dor,  
mas o que ela quer mesmo é dar e receber amor.

através de seu sorriso ela esconde muita coisa
mas o que poucos sabem é que ela não tem escolha
quem a vê sempre feliz
mal sabe que a felicidade não a quis
mesmo depois de implorar, suplicar
a alegria a deixou, abandonou, deixou-a se matar

mas continuou viva, continuou respirando
pelos outros
continuou amando

se amava a vida ou a sorte de estar ali
não sabemos dizer
nem ela
nem você

ela possuía os olhos de ressaca, citada por Machado,
porém, não entendia como algo podia ter acabado
sem nem mesmo ter começado
o amor que um  dia possuíra
hoje transforma-se em grande ira
mas para si guarda
dentro dela a dor cala

***

a dor cala
na calada dor
há amor
cala o amor
o amor cala
cálice, amor
no cálice h(á)mor
calice, dor
ameniza
a dor
o amor
adoça
a dor do amar
o que ama
amar
e ser amado
o amor
dói
e faz doer
adoça
a dor
que dói
no amor



Home

Encontrei meu lar
É um  lugar bem aconchegante
é quente e reconfortante
Essa será minha morada
dela minha casa faço
esse lugar é simplesmente
seu abraço

E cada vez que eu abrir a janela
eu verei uma paisagem mais que bela
será você sorrindo para mim
assim
minha felicidade não terá fim
com um beijo, enfim
você me coloca para dormir

e ao meu lado você se deita
e se deleia
nossos corpos se entrelaçam
os lençois se amassam
o calor de mantém
sou da paixão, refém
você domina
mas não reclamo
Amo
Sou o que sou
O que você me faz ser
Melhor, mas sem saber
e ao seu lado, desfaleço
não morro
mas ao cansaço
me rendo

***

Não faz o menor sentido
fazer de você meu abrigo
logo eu, antes sempre sem graça
e para sempre condenada à solitária

eu, sempre manchada e vil
encontrei no seu olhar sincero
e no seu sorriso mais que belo
a inspiração que alguém jamais viu

[...]

Ignoratio



* For a special friend 

Eu, pequeno ser,
que há tempos pensei saber
quase tudo
Fui pega de surpresa
ao descobrir que logo à frente
havia tanta beleza

Ignorei por tanto tempo
por medo ou receio
Não sei,
mas agora apenas prometo
sempre sorrir para a janela
Deixar minha alma aberta
e se feliz
Afinal, eu quis

E tantas viagens já foram feitas
que seria desfeita
não registrar
o quanto gosto de ao seu lado
ficar

Eu, antes o fio solto da camisa de linho*
econtrei felicidade, sorrisos e mais um pouco
simplesmente com o Melhor Vizinho .



* Referência a um antigo poema meu, onde eu me referia como o fio solto da camisa de linho, aquele que todos odeiam e tentam ignorar

sorte

Eu sou a morte


A decepção dos vivos
a noite sem sono do caído
eu sou o álcool destilado
o amargor do doce salgado

eu sou o pé descalço no caco de vidro
o sangue que escorre da boca do vivo
o corte na ferida jamais curada
eu sou aquela que está acabada

eu sou a desgraça de toda sorte
o não para qualquer sim
eu sou o monstro que não dorme
minha missão é o seu fim

[o beijo  que jamais existiu
a oportunidade jamais aproveitada
a desistencia da vida
de si mesma ]







Embriagada

em seu abraço quero morar
e sua mão sempre segurar

seu sorriso me encanta
e sua risada me conforta
sua voz me acalma


ele é o motivo do meu sorriso de manhã
e também da noite antes da madrugada
e eu almejo cada segundo antes da sua chegada

***

e do seu lado eu sou melhor
e conversando com ele eu me encontro
e tudo faz sentido,
é bem mais que um amigo

e eu poderia dormir ouvindo sua voz
e teria os melhores sonhos toda vez

" everybody needs inspiration "

ele é minha inspiração
ele é por quem peço em oração
é quem acalenta meu frio coração
me deixa totalmente sem ação

seu cheiro me embriaga
mas continuo sóbria ao seu lado
afinal, não poderia perder
uma única oportunidade de lhe ver

e ele é a pintura mais bonita
que eu poderia olhar o dia todo
e eu poderia nos trancar em um cômodo
e admirar todo seu corpo

seu corpo marcado
seu lábio encantado
suas mãos macias
aquecem as minhas

e seu cheiro me embriaga
mas continuo sóbria ao seu lado
pois da sua paixão eu bebo
e me mantenho feliz, sem medo





Cinnamon

E quando ele me beija

(...)

e quando ele fala
sinto cheiro da bala

quando ele se aproxima
eu mal me contenho
pois seu corpo é tremendo
e eu nem ao menos tento

esse rolê tá muito pesado
chega mais perto, gato
com esse seu corpo tatuado

não faz isso, não
não sorri pra mim assim
eu fico sem chão
e sem ter pra onde ir

o modo como você anda
o seu jeito de me olhar
assim você me desmonta
sem nem ao menos tentar

seu hálito de canela
me quebra
e seu toque sem igual
pega na minha cintura
é sensacional
e abala minha estrutura

(...)

mas foi apenas um sonho


#4

Enquanto a chuva caía la fora meu mundo desabava dentro de mim. Nem todas as suas gotas seriam o suficiente para encher meu oceano de tristeza. O céu mais que negro em nada se comparava à minha soturnez.

O que sei é o que brilho do sol nem se aproxima do seu maravilhoso sorriso. O mais belo pássaro com o mais belo canto é uma simples nota sem toma se comparado ao tom da sua voz, no entanto, antes eu estivesse surda, pois sem tua voz todos os sons restantes são inúteis. Antes eu fosse cega, pois sem teu sorriso de nada me vale a visão. Antes eu não pudesse sentir, pois sem teu toque de nada me valem as mãos.


Texto feito em algum momento de 2015 e achado entre os escombros que são meus textos escondidos nos cadernos.

Vago

A minha vida é um fardo a qual sou obrigado a levar.
É uma coleção de erros.
A minha vida é um desconexo na linha do tempo. Perdida sem rumo, sem nexo.
O que um dia foi há muito deixei de ser, parada no tênue rabisco que é ser e não crer.
Os passos são lentos, vagarosos, mas não pela cautela e sim pelo cansaço. A cada dia que passa um novo fracasso.
Os rumos que tomei foram dados ao léo. Sem pensamento e sem crítica. Aqueles que um dia chegaram a serem balanceados mostraram-se tão ineficazes quanto àqueles que não pensados. Não há escapatória.
Eu sou o erro na matriz do Universo.
O buraco que fere o buraco negro.
A rachadura no buraco de minhoca que impede o conhecimento de chegar até minha mente.
Minha cabeça. Ela está  roída por dentro. Meu cerébro está derretendo.
Meu corpo, envoltório sem vida, desprovido de vontade ou capacidade é um cofre oco usado pelos outros para aprecio próprio de uma não existente beleza e mais maligna, ainda que despercebida, presença.
Meus olhos não captam a luz, pois atrás deles se escondem as Trevas.
Minhas mãos trêmulas diante de escolhas simples, mas catastróficas, uma vez que as tenho feito.
A decreptude de minha boca sedenta por um beijo que jamais terei, daquele que jamais irá me querer é o bastante para manter-me calado, frente ao espelho rachado, frente ao espírito maltrado.
Não há para correr, fugir, andar. Ficar parado é o que há. À espera de uma salvação que nunca virá.

Blut - Parte I

Alessa caminhava à noite, de madrugada. O brilho da lua cheia refletido nos seus olhos negros. Vestia preto como de costume, um batom vermelho na boca carnuda e lápis preto, claro. Seus passos eram tão silenciosos, as botas de salto fino tocavam o chão como se fossem apenas nuvens.  Nem mesmo o mais astuto animal notaria sua presença, até mesmo porque sangue quente não corria em seu corpo... gélido.

No beco da rua ela parou de súbito, pois de longe ouviu um singelo ruído. Muito baixo, mas seus instintos e audição aguçados não a deixavam na mão, jamais. Encostou na parede e ouviu:

- Kira, você não devia estar aqui. ( sussurou a menina ) - Alessa caminhou mais um pouco para ver quem eram.
- Eu sei,  mas eu precisava saber se você estava bem. ( sussurrou ainda mais baixo o rapaz )

Nesse momento, Alessa estava próxima o bastante para fitar o casal, claro que sua visão ajudava, uma pessoa normal jamais enxergaria qualquer coisa àquela distância.

- Eu sei, mas eu estou bem e você precisa ir embora. Não devia ter me chamado. ( disse a garota um tom mais  alto )

- Eu ainda me preocupo.

- Mas você não deve... Terminamos há um mês. Você precisa seguir em frente.

- Eu não quero seguir em frente.

- Mas você deve. ( ela gritou )

Ele ficou em silêncio, olhando para baixo. Alessa sorria. Ele era bonito demais para estar correndo atrás de qualquer mulher. E se estava fazendo isso era porque se importava. A vítima perfeita na sua opinião.

Kira não disse nada. Apenas olhou uma última vez nos olhos castanhos de sua ex namorada, Sam e virou as costas. Não permitiu que a lágrima presa em seu olho esquerdo caisse. Foi firme. Sam voltou para casa, em frente, e fechou a porta sem hesitar. Alessa sabia o que tinha que fazer.

***

Kira ia embora quando ouviu algo. Era Alessa, mas é claro que ele não sabia disso. Ele se virou para tentar descobrir de onde o som atrás de si podia ter vindo e nada viu, mas quando piscou por breves segundos uma mulher, morena de longos cabelos negros como a noite sem lua, olhos pretos como o rio que não reflete nada, e em sua boca levemente carnuda e colorida de vermelho. Ela sorriu e foi o sorriso mais belo que ele havia visto em toda a sua vida. Seu coração bateu um pouco mais rápido, mas ele tentou não demonstrar nada. Alessa estava com os braços cruzados e apoiava a perna direita na parede.

-- Olá, Kira. - disse ela com a voz mais sensual que um ser não humano poderia ter.

- Como sabe meu nome?
Alessa caminhou devagar na direção de Kira e depois de descruzar os braços disse:

- Por acaso ouvi o final da conversa entre você e a ruiva do lado.

- E posso saber por qual motivo estava ouvindo conversa alheia?

- Foi um deslize. - ela disse, aproximando-se mais - não pude evitar depois de olhar você. Precisava saber... - virou-se para esconder um sorriso.
- Saber o que? - disse Kira, agora mais calmo e curioso.
- Se ainda estavam juntos.
- Como sabia que havíamos ficado juntos?
- Eu sei de muita coisa, Kira.
- Como o que?
- Como que você não a ama, e que sua corrida até aqui atrás dela, foi apenas um momento de fraqueza. Sei também que está à procura de um novo alguém na sua vida. Você sabia que ela estava bem, mas precisava dizer um adeus verdadeiro.
- Ok, agora estou assustado. Você está me espionando?
- Não. Li sua mente, apenas.
- Hahaha , tudo bem. Acredito.
- Pois devia. Caso contrário, como saberia que pensou nesse exato momento que gostaria de me beijar?

Kira não respondeu. O sorriso sumiu de seus lábios de súbito. Ele olhou para Alessa que também estava séria. Ele mal teve tempo de raciocinar. Alessa o prendeu contra a parede. Uma mão no pescoço e a outra prendendo uma das mãos. A outra estava livre, mas Kira não se atreveu a move-la. Quando fitou os olhos escuros, mas sem vida de Alessa ele soube o que ela de verdade, porém, percebeu foi tarde demais.

Segundos depois de ela o olhar também nos olhos e sorrir cravou-lhe os dentes no pescoço livre que apesar de exalar um perfume tão intrigante que por átimos de segundo ela hesitou em seu movimento, não foi o bastante para impedi-la. Ele gritou, baixo, mas gritou. No entanto, a dor era mais prazer que agonia, logo, ele permitiu que a nem tão jovem vampira continuasse. Seu oescoço marcado por desenhos, bem como grande parte de seu corpo foram mais que atrativos para Alessa. Seu corpo desenhado e trabalhado deram a ela mais que motivos. Deram razões certeiras para que ela o tivesse.

Ele fechou os olhos e pressupos que agora e ali no beco da rua de sua antiga namorada ele morreria atacado por um ser das Trevas. Mas Alessa parou. Com a boca suja de sangue limpou-a com as costas da mão. Sorriu e mostrou os dentes veremelhos para Kira que cambaleou, mas ficou de pé. Ela segurou a outra mão dele contra a parede. A respiração entrecortada de Kira e seu coração disparado, não de medo, mas de desejo revelaram a Alessa o que ele, de fato, queria: ela. Mal sabia ele que ela queria mais que seu sangue, sua boca ou seu corpo...

Ela não se importou com o gosto que ele sentiria de sua boca e o beijou. E ali ficaram por várias horas. Até que os primeiros raios de sol iriam nascer e Alessa foi forçada a deixar Kira.

***

- Por que não me matou? - perguntou Kira após um longo tempo.
- Porque ainda não está na hora.
- Quer dizer que irei morrer?
- Provavalmente

Kira ficou em silêncio

- Algum problema, Kira?
- Não. Ser morto por você seria uma honra.




#3

Ele é o primeiro raio de sol e o último adeus da Lua.
Ele é a primeira estrela que surge, e faz querer-me ser sua.
Ele sorri e eu fico contente, ele é a agua que rega o que sou, semente.

Ele é meu o Sol da manhã e também as estrelas
e eu sou a Lua, da sua vida
ele é o antídoto de todas as minhas sequelas
e eu sou sua, sua menina

Somos os astros de todo o nosso Universo
somos o nó do laço reverso
somos aliados do contato eterno
nós somos...
e mais nada precisamos ser
pois assim
seguimos e saber viver

"não existe nada mais gracioso  que o timbre da sua voz
e não existe nada mais bonito que seu sorriso
e mesmo sem te-lo tocado, eu sinto o toque de sua mão
e seu abraço é quente, e faz pulsar meu singelo coração"


Histeria

Havia duas estradas.
A larga e a estreita
Havia duas escolhas
A melhor e a pior maneira

E ele fez questão de ir pela estrada errada
de escolher a opção da falácia
ele não hesitou e foi por aquele lado
me abandonou à sorte do condenado

dos monstros que me isolavam
a agonia de ve-lo partir
ao lado da besta era, deveras
uma dor sem fim

eu havia lhe dado tanto
eu havia lhe pedido pouco

os meus suspiros regados de lágrimas doces
não foram o bastante para faze-lo crer
até que ponto a maldade do ser humano pode crescer
e por fim, submeteu-me ao castigo eterno
cuja sentença era pior que a morte,
eu, sozinha, abandona à própria sorte
fiquei

ele escolheu
duas vezes
e por duas vezes, sofri
por duas vezes, morri

mas ressuscitei
da mais antiga morte que me foi dada
busquei do mais escuro âmago de meu ser
encontrei, a razão para viver
talvez

Quando tudo for caos, seja calmaria.. 
E quando tudo estiver calmo, seja motivo de histeria.




#2

O doce amargo que fica da boca
após provar um veneno
o sangue queima dentro da veia
e seu corpo treme ao extremo

o agridoce que é seu beijo
nada de sabor e sim de desejo
destrói a esperança do menino
ela sorri com seu desalento

com uma adaga faz um corte
na epiderme do envoltório sem sorte
dos olhos marejados de dor
caem lágrimas banhadas em fel e amor

rabisca na pele o que pensa crer
mas na verdade mal sabe o que vê
pois os globos oculares estão cansados
da vida manchada por tantos escárnios

duas vezes pensou ter encontrado a luz
mas de nada vale para o ser que agonia produz
duas vezes pensou ter visto a paz
mas de nada serve para o destruidor que nada faz

o seu sorriso é maléfico
não há brilho, não é bonito
o seu toque é frio
e seu andar é solene e esguio

suas unhas cravam a terra vermelha
 da sepultura que ela mesmo cavou
mas não se enterrou

estava morta há dias
mas caminhava entre os vivos
pois havia feito uma promessa
àqueles que pensou serem seus queridos




Healed by God

Rephael,

Disse o anjo
Esse é meu nome
ouviu a menina

***

Ela era o veneno na presa da cobra
a queimação quando ele caminha na veia
ela era apenas uma flor morta
e ele era o brilho da mais bela lua cheia


à noite, com o céu estrelado
e com o vento que vinha sereno
uma vez bela e com sotaque desmantelado
disse que era hora do começo ameno

A menina, de longe ouviu
e uma súbita alegria sentiu
a voz daquele anjo era sim
algo que ela confiava, enfim

Saiu do castelo e olhou para o alto
o que viu foi uma criatura sem asa
mas cuja beleza marcada na pele
deixava qualquer um sem fala

Ele sorriu e abriu os braços
e ao seu encontro ela foi
sentiu seu cheiro
e ao contestar que era verdadeiro

Foi embora

Como se o laço tivesse sido forjado
em outra vida
em outro tempo
Pelo toque de deus, foi marcado
" Suba Josephine na minha máquina de voar "




* Para uma pessoa especial


O último poema de amor



Eu sou a adaga que transpassa minha mão
eu sou o monstro que não possui coração
aquele início da dor do corte no pulso
eu sou o martírio de todo não justo

***

Você era a luz que quebrou o silêncio da minha escuridão
você era o sim para todo e qualquer não
o redentor dos meus mais vis pecados
a esperança quando todo o resto estava acabado

no fundo da cova , sozinho, me contorço
sinto cada ferroada no meu dorso
mas a agonia pode sempre piorar
quando vejo que ao meu lado não mais está

de todas as lutas que travei desde meu não vangloriado nascimento
de todas as vezes que desejei um beijo da Senhora Morte
cada respiração se torna mais difícil diante de tal discernimento
uma vez que o Anjo me abandou à minha própria sorte

e sorte não existente, visto que ando sobre pregos
visto que minhas lágrimas queimam meu rosto, incerto
eu não pedi muita coisa, mas aos monstros tudo é negado

quem disse que demônios não amam?
se até o Diabo podia sentir
quem sou para contra a ti resistir?

mas resisto, agora, abandonado e esquecido
fui forçado a isso

"imagina que seu sorriso jamais se acabou"

mas sim, foi-se embora, o sorriso que me iluminava
a gargalhada que me animava
o toque que me aquecia
o beijo que me enlouquecia

de nada me vale a vida se não há pelo que viver
portanto, na plenitude de meu deteriorado ser
findo essa existência sem nexo
coloco fim ao sofrimento eterno




A vida é mais que um amor perdido

" De que me vale a eternidade
Se a passarei
Para sempre com saudade?

De que me vale a boca
Se não posso lhe beijar
Nem contigo mais falar

De que me valem as mãos
se não posso lhe tocar
como quer o coração?

E de que me vale a vida
se perdi
pelo que valeria viver "

                    - Harriet A. Croft