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Eu estava parada no metrô, caminhava lento. Os trilhos sujos e marcados pelo tempo. A passarela cheia de marcas, de passadas de pessoas passadas. O relógio marcava três da tarde. Meu coração marcava saudade.

Entrei. Sentei. Os minutos passaram. Cheguei em casa horas depois.

Conversamos. Sorrimos.
Falamos. Felizes parecíamos. Somos?

Sua risada me contagiou.
E então, antes de cair sob a água morna do chuveiro, saímos. Mas na volta a natureza cedeu e as nuvens despencaram. A água fria nos banhou.
Mas pelo demônio fui carregada. E enquanto ele corria eu via... a água que caía.  E aquele momento foi eternizado em minha solene memória. Como as marcas que me deixa não de forma nem tão simplória. Foi um átimo de segundo, o bastante para aquecer meu espírito. A dor que me aflige todos os dias é dissipada por sua máquina. No colo do demônio desejei adormecer. Todavia, cabia somente a ele querer.
E eu carrego a sina de amar o nostálgico, de ceder aos possíveis "e se", e de chorar à noi…

Alheamento

"Somos sempre demais, mas nunca o bastante"
" I was used maybe abused and the worse I was lucid I knew it I knew it "


Você mentiu.
Você sentiu.
Eu acreditei.
Eu falhei.

"No alheamento da obscura forma humana"
o ígneo respirar de meus pulmões cansados
tentam lhe entregar um último suspiro atarracado
mas falho como todo o resto, como meu corpo agregado

você foi meu sonho mais abstruso
por você me aceitei recluso
mas sendo sempre sem ser o bastante
eu cinquei na missão do encante

"  Quisesteme beijar a ara do peito E eu quis beijar-te o lábio redolente"
te recebi e guardei em meu sacrário simplório
removi meu sandal desprovido de luminosidade
lhe entreguei o miocárdio que nunca existiu
mas você já havia pegado tudo o que queira
pelos motivos pelos quais (me) embaiu

Arrepelei-me por seus motivos
Aos prantos cheguei a ficar
mas hoje sei o problema era não poder entrar
nunca foi você como me asseverou
o problema é ser o que sou









Elevator

me agarra no elevador
me beija vorazmente
não resisto, não luto
era aquilo que queria
meu espírito demente

e torce meu cabelo entre as mãos
e inclina minha cabeça em direção ao chão
nossas respirações entrecortadas
se estamos abaixo ou acima
antes estávamos nas escadas

o prédio dorme
nosso desejo nos consome
você me despe no elevador
não hesito, não há pudor

como você queria eu também sentia
mas ah que pena!
diante de todo aquele calor
eu não quis seu corpo
queria apenas seu amor

Abscondere

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As palavas que saem de minhas mãos
possuem como destino todo e qualquer coração
mas principalmente buscam os poetas
que não puderam escrever e me deixaram essa tarefa

as palavras fazem sua própria música dentro
de meus poemas
e a cada nova poesia
dentro de mim é composta
nova melodia

Grito em silêncio as borboletas coloridas de meu corpo
a cada rabiscar de lápis no papel amassado
encontro outra razão para não deixar meu espírito morto

no papel eu me refaço, me encontro, eu nasço

ainda que tremendo eu escrevo, não me rendo
atrás dos livros me escondo
mas através da escrita
eu me exponho!


07.11



Hurt in Pieces

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You hurt yourself today but you knew you woudn't feel you always focus on the pain you believe it's the only thing real
the needle marked your body as a whole the old paint to show you try to kill some memories but at night everything you know

What have you become you are now strong everyone you know goes way, but I will stay
***
E eu poderia ter tido e sido tudo
- para você -
seu império de angústia
eu desmontei, por um tempo
você me deixou entrar
você me deixou tentar

- mas não por muitos momentos -
e eu só peço aos céus
que seu sorriso se mantenha
mesmo que olhando outros olhos

***
I close my eyes And I know That you were An angel
What have you become?
My sweetest friend
Everyone you know
goes away
but i will stay
somehow
someway

- I just want to see your smile
because it is so beautiful and magical
I just want to see you now for a while
I would not be so tragical -

If I could start again
Not a milion miles away
I would keep you
I would find a way

Você está machucado
em pa…

mar

Se você flor
floresça em mim
e se eu for
ficarei em ti

se você poema
poeme-se aqui
e se eu escrever
poemando estarei assim

e se (contigo) eu rio
você (poe)mar
e nós juntos
(no) oceano amar

e quando a chuva cai
no aconchego do sofá
você fica e nunca se vai
nos beijamos aqui e lá


O baile

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o caminho sem volta
a dor sem glória
o fracasso sem lógica
eu era uma lembrança
- jamais nostálgica -

"ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver "
nem ao verme dedico
pois ele merece mais
que meu desgastado corpo
preenchido de tantos ais

o latido do cão sem dono a soturnez no olhar de abandono a delirância do louco que jaz na cama eu sou aquele que ninguém quis e nem ama
a ferida aberta cheia de sal o corte pela adaga do mal o pulso esquartejado eu sou o demônio encarnado
o solitário caminhar do isolado o desatino do que foi calado a máfia do destino encapuzado eu sou o homem bestializado
a cicatriz no pescoço da corda presa a chama da vela vermelha jamais acesa o baile nunca dançado eu sou aquele que nunca foi amado
eu sou o que não vai eu sou aquele que não vive eu sou tudo o que cai eu sou aquele jamais passível de ser livre









Sehnsucht

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enquanto dormia eu lhe observava
e ouvia, em silêncio, sua respiração
e por um momento quis chorar
pensando nas dores de seu "coração"

mas então lembrei-me de mais cedo
que eu antes precisava de acalento
mas enquanto você sorria e falava
com sua presença
o meu espírito finalmente se cala

[ele se aquece com seu corpo
e então eu quero te ver sorrir]

como o piano que se embala sozinho, pois no fim
os dedos do singelo do pianista  lhe fazem sentir
a melodia que durante a vida toda lhe foi negada
e então noto que não sou piano,
mas uma música inacabada

ela não pode ser finalizada
pois ela se refaz a cada novo dia
que passo ao seu lado, parece magia

"espalho balas de canhão, é inútil, pois existe um grão vizir"

eu não preciso de esforço
basta-me uma palavra sua
e regenero a energia que assim atua
nesse flagelo de corpo estralhado e sem motivo
arrastado e ignorado, mas que eu insisto

[o que Odin criou ao redor de sua aura
desconheço
o deus nórdico lhe enviou a mim
e agora …

I need some help*

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* Música de Eels - I Need Some Help

" you just gotta let it go"


Eu provei dos teus lábios
e do teu corpo
eu me afoguei no mar
de um sorriso maroto

[ I was used
maybe abused
and the worse
I was lucid
I knew it
I knew it ]

And I did not care
how many times did you asked
are you fine?
no, but it is ok
for now, you are mine


are you there?
Because I'm still here
And I feel somewhere
That you're still near

Há uma diferença entre essa e aquela dor
o que eu estava pensando?
que juntos estaríamos andando?
Mas demônios não sentem amor

Pelas portas do inferno passei
mas era ao seu lado que eu estava
logo, acreditei. Óh, aqui ficarei
mas não, uma voz em meu ouvido cantava

Você provou dos meus lábios e do meu corpo
pequenas amostras, mas é só isso, corvo
o pássaro negro a este lugar não pertence
e eu nunca quis você, ó ser demente

Então, como foi capaz de me cativar?
Acontece que essa classe de demônios
é muito fácil de enganar
mesmo que não tenha sido minha intenção
sei que penetrei, …

King in the Hell

Eu fico ouvindo o piano e me imagino tocando você está sentado ao meu lado,  observando
movo meu pescoço conforme a melodia e você sorri, pois nota minha paixão
mas mal sabe você que toco para ti por quem bate meu simplório coração
*** Eu vi o pai de todos os demônios e eu adormeci ao seu lado tive os melhores sonhos e cheguei a crer, por acaso na verdade, eu cheguei a me imaginar indo ao seu encontro correndo pra te abraçar
Nunca haveria eu de imaginar que demônios poderiam amar - e de fato não podem -

[Cicatrizes na pele podem se curar mas as deixadas na alma parecem jamais sarar]

Acontece que eu não aguento mais esses acontecimentos a cada dia que passa são novos sofrimentos cada decisão tem uma consequência mas parece que minha vida é regada a falência
Nem os Anjos caídos conseguem me reerguer a cada nova queda  estou mais ao fundo do antes poderia crer
O Rei dos Infernos cantou-me uma canção sussurrou em meu ouvido  as mais doces palavras e acariciou meu cabelo com suas mãos mar…

Meu LIVRO - Confissões de um Suicida

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Ai gente, meu bebê finalmente saiu. Confissões de um Suicida é meu primeiro livro solo. São 65 páginas de poesia, naquele estilo que vocês conhecem, né.

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Sobre a escrita

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Eu vivo fazendo empréstimos.

Sempre que começo uma nova leitura pego os olhos do autor emprestado e sua voz também. É através dele que me refaço naquele novo amotoado de papel. Reservados para os olhos não cansados, os livros me fazem seguir de uma forma que a maioria das pessoas não consegue. Cada palavra que adentra meu cerébro constrói aqui dentro uma infinidade de histórias, no entanto, não sendo merecedora da dádiva que tais autores possuem, eu falho em colocá-las em um pedaço de papel qualquer. Pelo menos, à primeira vista.
Depois de algum tempo, as palavras parecem se reogarnizar de forma solitária e íngreme na minha cabeça que matuta coisas sem sentido o tempo todo. E então, sem nem ao menos perceber estou rabiscando em um dos meus vários caderninhos algo. Algo que, a príncipio, pode não fazer sentido para você. Ou para mim. Mas, uma vez que tenho lapidado o texto noto que, de fato, posso fazer alguma mágica com as palavras.
Todavia, o maior feitio mágico que sou capaz de cont…

Le Piano

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" A vida é um piano. Teclas brancas representam a felicidade e as pretas a angústia. Com o passar do tempo você percebe que as teclas pretas também fazem música. "
The Last Song

Eu já devia saber  mas não queria entender que eu era as teclas pretas do nosso piano enquanto você era as brancas, o maior encanto
Você beija o sol enquanto sou chuva você me conquista enquanto nem mesmo luta
A delicadeza de seu toque revela o real sentimento e sozinha em meu quarto escuro entendo
[com os fones de ouvido ouço nossas músicas que sempre foram suas]
e de alguma forma você as entregou a mim mas nunca significaram nada assim como eu sozinha no eterno breu
eu era como aqueles livros velhos e acabados nos sebos e livrarias que todos olham, mas ninguém levaria
como o dia nublado mas você como o sol ilumina e quero encontrar seu sorriso em cada esquina
e quando encontro meu corpo se alegra o som do violino é feliz a orquestra bate em meu peito e a seu lado me deito
mas então vai embora e me abandona à sorte que não vejo e não…

Sobre a efemeridade, parte II

Você não permite que as pessoas se apaixonem. 
Por que está aqui? Como chegou? Por que continua?

Desconheço a razão para tanto esforço.

" A morte é fácil, díficil é viver" .

Por que me obrigam a isso? Vocês são egoístas, pois não pensam no quanto estamos doloridos, só nos querem por perto. Para suprir a falta de vocês, jamais a nossa. Estamos sofrendo. E vocês fingem que querem nos ajudar, mas não é por nós e sim porque são incapazes de seguir suas vidas sem nossa presença falha. Mas nem ao menos tentaram.

***
O vazio existencial, a dor marcial, o sofrimento interno que se debulha em meus olhos cansados e caídos. Minhas mãos teclam palavras, e com o lápis rabisco coisas sem sentido no meu diário. No final do dia, deito minha cabeça no travesseiro e fito o teto branco de meu quarto.

Um quarto manchado pelas minhas lágrimas diárias que se mantém escondidas. Um  quarto surdo dos meus gritos silenciosos a  cada madrugada.  Um quarto cego, pois furou os próprios olhos quando per…

Shandar

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com os olhos pequeninos
e os pelos finos
apavorada estava
mas logo se acalmou
em meus braços,
ficou

[de um lado do rosto, preto
do outro branco
mas o medo estava mesclado à carência
estampado no olhar assustado]

mas uma vez que estava alimentada
limpa e calma
em meu peito se acomodou
mas não apenas ali morou
em meu coração criou raízes

seus carinhos de manhã
e também à noite
me acalmaram e me deixaram feliz
o que havia tanto pedido naquele dia
chegou à minha casa, enfim

deus não faz parte de tudo isso
mas o Universo parece agir de forma semelhante
ele me deu um presente
apenas para aprecia-lo, por algum ou quase nenhum
instante






Projeto Nacionais

Oi, povo.
Então, decidi começar esse mês um projeto de leitura de livros de autores nacionais, quero dizer, além dos que eu leio que são mais conhecidos, mas gostaria de dar visão a autores que não são tão conhecidos ou mesmo nada conhecidos como moi.
Vou começar lendo os livros de autores que conheço e tenho contato como a Jéssica Macedo, Thaís Lopes - que fez a capa do meu primeiro bebê *--- - , Thaís Silveira, enfim essas são as que eu conheço, mas só no meu facebook tem milhares de autores que sei que escrevem bem pra caramba e eu gostaria de ter mais tempo e dinheiro pra lê-los. De qualquer forma, bora começar de algum jeito, né, mores.
Deixem sugestões, se quiserem, nos comentários de autores nacionais que vocês acham que eu gostaria de ler. As resenhas vão sair no meu blog de resenhas Conversas de Leitor.

Blut - Parte IV

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Você pode ler as partes I, II e III

***

- Você não está falando sério, Sam! – exclamou Kira ao se dar conta de que a ex-namorada poderia, de fato, estar falando sério. E como ele temia, uma sede descomunal passou a tomar conta de seu ser. - Nunca falei tão sério na vida, meu amor. Agora seja um bom menino e me ajude. - Como eu poderia ajudar você? Estou morto, lembra? - Só até chegarem com a comida, oras. - Eu não posso acreditar nas coisas que está falando. E não consigo acreditar que você julga Alessa, mas é a mesma criatura que ela. A diferença que ela é melhor. - Não ouse dizer que aquela coisa é melhor que eu! Eu sou mil vezes melhor. - Nunca! Você me sequestrou. Se aliou aos inimigos. - Como pode saber quem é o inimigo? Por acaso sua queridinha não lhe contou a história? - Que história? - Sobre você e o que ela realmente quer. - Do que está falando, Sam? – perguntou Kira, um pouco mais calmo, mas agora definitivamente intrigado. - Ela só está com você porque irá lhe oferecer como sacrífi…

Quando o brilho do sol nasce diante de minha janela trincada

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"You're no good for me Baby, you're no good for me You're no good for me But baby, I want you, I want"

E se meu corpo e mente responderem apenas à dor?
E se eu não puder mais sentir amor?


E se eu nunca mais poder sentir?
Prevejo, deveras, um fim
Mas não choro
Esqueço
Ao beco pertenço


De mãos dadas com a escuridão
por onde passo vejo uma multidão
de anjos
e tento,
falho
e choro


fazer parte da luz nunca fez parte do plano
mas qual é o sentido
por que estou aqui
e para onde irei
o que sei
é o que jamais soube
o que nunca quis saber
de que me vale a vida viver


a cada brilho do sol que nasce diante de minha janela trincada
como minha alma marcada e manchada
é uma oportunidade que me é dada
e como sempre não vale nada


"it's you, it's you, it's all for you"


não me ensinaram a olhar no espelho
não me ensinaram a aprender
a sorrir sem querer
e a amar sem um amor certeiro


um monte de ossos colados a um membro só
um par de olhos a olhar o nada cheio d…

O que

"Summertime sadness
Kiss me hard before you go"

Eu só queria que você soubesse

Que eu lhe amei mesmo sem saber o que é amor; e que você me acolheu mesmo sem saber  que me salvou;

Me desculpe por tudo lhe causei; eu simplesmente no fundo, apenas lhe amei; sem saber;  sem pedir
sem requisitar um espaço em sua vida pedi; mas preenchi;  aquele que jamais quis.


Uma vez eu jurei jamais sofrer por tal motivo; mas como podemos impedir as lágrimas de cairem; como podemos impedir o sentimento de existir; o que fazer quanto tudo o que resta é resistir? Eu sei que não é sua culpa; mas eu havia lhe pedido; eu lhe enviei o recado; e mesmo assim você; seguiu como se estivesse tudo amenizado. Cá estou; solitária, novamente; debulhando-me em lágrimas as quais; você, sozinho ou não; não merece; mas elas lhe pertencem, no entanto, não sei o que fazer com elas.

Não sei se lhe devo perdão, talvez devo
não sei se lhe devo satisfação
talvez não devo


e não encontrei outras formas de expressar essa…

Nostalgic Lullaby

a perícia de suas mãos marcadas
a maciez de seu corpo desenhado
a sua boca que emite palavras narradas
aquecem meu coração de tristeza manchado

meus olhos marejados de dor
encontram consolo no seu sorriso, amor
meu pulso ganha vida ao lhe tocar
minha pele se arrepia ao lhe encontrar

mas de que me valem as rimas
se elas existem apenas aqui
de que me vale seu sorriso
se ele não é para mim

e assim sigo dançando sozinha
esse baile solitário
uma vez em minha cabeça criado
sem música e sem instrumento
eu danço sozinha
a balada da vida, nostalgia

É assim que acaba o mundo*

eu poderia admirar seu sorriso
o dia todo
sem compromisso

e tocar seu peito
beijar seu pescoço
e encostar no seu rosto
o meu

sentir seu cheiro e suas mãos
que dançam em mim
e fazem tremer o coração

me joga na cama
e tira sua roupa
não nega o fogo que lança
e assim me deixa louca

o nosso ritmo é perfeito
nossa música é um gemido
seu prazer, eu leio
e eu termino, com um suspiro



* referência ao poema de T.S. Eliot


Fade Away

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Como um corpo que apodrece ao entrar em contato com a água após algum tempo em baixo da terra Como um ferro que se desfaz ao ser tocado pelo vento após algum tempo em baixo da água
" you were the shadow to my light"
Como uma lágrima que escorre no rosto soturno Como o sangue que sai da mão que soca a parede
" I'm faded"
Todos os meus motivos são errôneos e eu não compreendo como é possível caber tanto desespero em um corpo tão pequeno. Todas as tentativas são falhas, elas já começam caindo. E meu flácido e desvanecido envoltório que pede um descanso eterno que sempre lhe é negado devido ao egoísmo alheio agora jaz nesse objeto feito de madeira, mas que me parece ser feito de prego, uma vez que minha cabeça não repousa nele.
Os outros que são apenas outros me olham, mas não enxergam. E julgam... E dizem coisas, que eu encaro com uma gargalhada, mas que dentro a alma chora e clama, mas não pode ser ouvida, visto que no inferno interior que carrego em meu peito e…

Blut - Parte III

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Você pode ler as partes I e II AQUI e AQUI

***

Alessa trajava sua vestimenta comum: um espartilho preto e roxo que delineava sua já desenhada cintura. Uma calça de couro preta que dava ainda mais forma às suas coxas grossas e quadril levemente largo. Um coturno com três fivelas que se transpassavam entre si. Como sua natureza não lhe permitia sentir frio, ela não colocou nenhum casaco ainda que lá fora o vento cortasse suas bochechas. Em seus olhos negro lápis preto e muito rímel. Na boca carnuda, um batom vermelho. Na cintura um largo cinto onde colocou uma arma de cada lado, mas dentro delas as balas eram hora prata hora fluorescentes. Ela estava séria quando trancou a porta de seu quarto na grande Mansão. Estava com raiva, furiosa, mas iria descontar todo o sentimento nos responsáveis pelo sequestro de Kira.

Ela só precisava descobrir quem eram.

- Onde a senhorita pensa que vai? - perguntou Pio - o até então comandante, rei, imperador ou qualquer outra coisa que queira chamar o den…

Perdido

Cravo minhas unhas nas costas largas
me permito ser preenchida, sem amarras
cada respiração
nova pulsão
um só ritmo
jamais compreendido

suas mãos desfilam pelo meu corpo
e minha língua passa por você todo

meu cabelo se desmancha no seu peito
e seus braços fortes me envolvem
eu me entrego sem receito
e o prazer e a paixão nos envolvem

(...)

um dia termino, quem sabe...

Rape me

O seu silêncio me estupra sua voz não me escuta o seu toque me machuca pois ele não existe e eu sigo na luta
os meus esforços são em vão por quem bate seu coração?
estou jogada no chão sem roupa e sem atenção enquanto você sorri  conseguiu, afinal, meu fim
[...]

Quem sabe um dia eu termino esse

Ao poeta

" Somebody said you've got a new friend"

Como uma estrela cadente você caiu; eu era apenas o céu sem luz aguardando você me iluminar. E durante sua passagem, que foi lenta, eu me preenchi de energia.  Eu tentei me vestir de anjo e tentar lhe tocar, mas quando o fiz você se afastou como se pudesse sentir minha escuridão, meu medo, minha dor.  Eu tentei entrar em  seu mundo, mas fui expulsa como o diabo foi do céu.  Mas não tive ao meu lado demônios.  Estava sozinha; tentando encontrar meus motivos sempre errôneos. Foi então que meu amigo chegou e você, de certa forma, se apaixonou.  Não questionei, segui. Não hesitei, parti. Ao menos, tentei. Mas você era a onda que me puxava da areia simplória e me arrastava e me afogava no seu próprio mar. Assim aprendi a ressuscitar. Como todo ser das trevas eu voltava, na instintiva tentativa de adentrar, no mundo da luz.  No seu mundo, é claro. Mas jamais haveria de conseguir, de fato.
Ao poeta resta palavras, não amor. Ao escritor r…

Heavy

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seus dedos dedilhavam as cordas com maestria mas melhor ainda era o dedilhado que fazia em meu corpo nu à noite
o seu corpo desprovido de roupa, mas cheio de essência se encaixa no meu perfeitamente e sua voz, dotada de eloquência é a música que me embala o sono, mas também me tira o juízo e olhar pra você é apenas o que preciso
nossos cabelos mesclados e bagunçados na cama a respiração entrecortada, o coração bate forte, e a Chama que sai de mim e passa pra ti e então sentimos a Brisa que entra calma pela janela e estremeço, uma vez que estou nua mas envolvida no seu corpo quente, me aqueço como se estivesse em uma Duna
Os registros de nossos momentos serão eternos nem o tempo nem espaço são capazes de apagar esse aconchego e calma serenos e diante do teu sorriso me calo
não há destino, mas sabemos onde vamos estar e longe, distante ou do seu lado a conexão não há de se perder há uma escrita a se fazer e sonhos para viver
de outras vidas que te conheci agradeço sim a Odin por me pre…

Banished

Do submundo eu vim
cheguei ao céus enfim
mas se até do inferno
me baniram
pra onde foge o demônio aflito?

Valhala

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A destreza de suas mãos que marcam meu corpo
Eu me entrego, claro, sem esforço
Seu corpo desenhado e marcado
Não hesito em tocar
E lhe permito entrar
A respiração quase para
O sorriso marca
Suas mãos caminham
E nossos laços não findam
Em Valhala ainda nos encontraremos
e junto dos deuses beberemos
Nossa marca aqui há de ficar
como em nossos corpos
uma vez mesclados
extasiados
E assim me despeço
mas antes lhe peço
não esqueças de mim, guerreiro
a eterna valquíria você cativou
com seu machado certeiro

o coração bate morto
mas Odin há de abençoar
um reencontro na sua mesa
e quem sabe mais uma vez juntos
iremos de ficar


Blut - Parte II

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Você pode ler a parte I AQUI
***
Kira voltava para casa depois de sua aula à noite como de costume. Sozinho. Atravessou um dos becos que dava acesso à rua de sua casa de forma mais rápida, mas ele caminhava lentamente. Àquela hora da noite, naquele lugar era de se esperar que qualquer ser humano são se fosse obrigado a atravessar aquele beco por vezes cenário de crime, andaria bem mais depressa que os passos lentos e vagarosos de Kira.
Mas ele não tinha o que temer.
Isto é.... a única criatura que ele poderia temer era exatamente a que ele desejava encontrar.
Alessa.
Uma vampira sanguinária e cruel, mas que por alguma razão absurdamente desconhecida se afeiçoara por Kira e decidiu não mata-lo, pelo menos, não imediatamente. Quando o relógio no pulso dele marcou meia-noite, Alessa surgiu do breu que escondia o final do beco, sorridente e com a boca levemente vermelha, mas não de batom. Foi em direção a Kira que estava sorrindo também, e de braços abertos para receber sua amante.
Aless…

"The Drug in me is you"

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"you don't want me, no. Like I want you. "
***

Você se lembra de como nos conhecemos? Talvez não. Você conhece muitas pessoas. Todos os dias. E possivelmente naquele dia conheceu outras tantas. Mas eu sei exatamente como aconteceu. Como meus olhos fitaram você. De longe, te vi marcado. À medida que se aproximou de minha pessoa senti meu coração disparar, de leve, a princípio até que quando estava ao meu lado, impondo sua presença forte eu tive medo que pudesse ouvi-lo. Tente sorrir de uma forma não idiota, mas é claro que foi em vão. Por sorte, você pareceu não se importar e com sua gentileza me conduziu.
Mas esse não é um texto sobre começos. E sim finais. O nosso. Que apesar de em nossa magnitude, conexão e plenitude de diálogos, nunca tivemos uma história. Um algo. Jamais haveríamos de ter, afinal. E hoje sigo bem com relação a esse triste, porém, necessário fato. Meu ''coração'' foi curado por você, no início, confesso, mas da mesma forma você o quebr…

Plenitude

Quem diria
Eu mal sabia
que logo eu,
poderia
desejar tanto algo assim

Você sabe o que é
você possui
talvez, também quer

Aquele beijo
aquele abraço
me pegou de jeito
me deu um laço

com teu cheiro
embriagada fiquei
e de novo sua pegada sacana
desejei

(e ainda)

olhar teu sorriso à noite
sob as estrelas
diante da lua amarela
você me deitou no chão
mas  me levou até ela

o resumo da viagem
foi tua presença
e ansiosa estou
para voltar e contigo
novamente
ficar plena e serena

***

que a leveza das cartas
em ti permaneça
e que meu beijo
não esqueça
mas se por acaso
não se lembrar
será um prazer
lhe beijar

***

And if you hold me
I'll be fine
Let's take a glass
of wine
Be drunk of pleasure
let's smile
with no
measure

Rio

Prefiro me afogar na rasura de teu mar, aberto
mas que meu barco não consegue passar
Não remo,
Nado
De braços abertos pra te encontrar
Mas você está mergulhando
nas profundezas do meu rio
Condecorado de Rio de Mágoas
E prefiro ter meu último suspiro
Em baixo do rio
que morre no (seu) mar
Meu mar, esse meu eterno amar

Ligados

e através da janela
já ( vejo ) nela
o reflexo
da flor amarela

aquela flor
que me fez florescer
e crescer
viver

não há grito
há voz e um som
pelo qual vejo o dom

através do vidro
e por ele escuto
vejo
respiro

as forças me encontram
o sorriso surge na boca
durante à noite
perco-me;
sou louca

o violão possui vida
o caderno encontra a linha
Bukowski me possui
e Pessoa é o que o fui

[um dia]

dos Anjos sempre serei
mas por ele me permito ser
o diferente, o melhor
luto contra meu pior

[ tentar ]

{wundebar}

o que sei é o que há
e entendo o que me faz
não sei o que fará
fé que me dará paz

{tenho}

mas não há culpa
cobrança
os laços são maiores
inexplicáveis

só há gratidão
sem explicação

o álcool percorre o sangue
e encontra, talvez,
uma razão

[mas não sei dizer]

o espaço que há entre nós
não é o suficiente
para desfazer nossos nós

que foram moldados há anos
há anos

mas nós nunca ficamos sabendo
nunca tivemos consciência
até agora
é claro

e agora, portanto
há nós de manter
o legado

para sempre

Non Haikai

com o café
te aguardo
mas com amor
te espero no quarto

do vinho suave
bebo
mas com a paixão
voraz
me deleito

you clear my way
and to be yours
i pray
you make me go
on fire
your body mixed
to mined
that's my deepest
desire
listen to the god's
devise
you and I
shall be eternized

22.03.17

in some English Class

Adoçante

ela tem os olhos da cigana oblíqua, citada por Machado,   mas o que ela tem mesmo é um coração fechado.  Os olhos são a porta de sua alma, pena que ela não tem uma,  pois há muito foi levada.  Seus olhos negros escondem muita dor,   mas o que ela quer mesmo é dar e receber amor.

através de seu sorriso ela esconde muita coisa
mas o que poucos sabem é que ela não tem escolha
quem a vê sempre feliz
mal sabe que a felicidade não a quis
mesmo depois de implorar, suplicar
a alegria a deixou, abandonou, deixou-a se matar

mas continuou viva, continuou respirando
pelos outros
continuou amando

se amava a vida ou a sorte de estar ali
não sabemos dizer
nem ela
nem você

ela possuía os olhos de ressaca, citada por Machado,
porém, não entendia como algo podia ter acabado
sem nem mesmo ter começado
o amor que um  dia possuíra
hoje transforma-se em grande ira
mas para si guarda
dentro dela a dor cala

***

a dor cala
na calada dor
há amor
cala o amor
o amor cala
cálice, amor
no cálice h(á)mor
calice, d…