O último poema de amor



Eu sou a adaga que transpassa minha mão
eu sou o monstro que não possui coração
aquele início da dor do corte no pulso
eu sou o martírio de todo não justo

***

Você era a luz que quebrou o silêncio da minha escuridão
você era o sim para todo e qualquer não
o redentor dos meus mais vis pecados
a esperança quando todo o resto estava acabado

no fundo da cova , sozinho, me contorço
sinto cada ferroada no meu dorso
mas a agonia pode sempre piorar
quando vejo que ao meu lado não mais está

de todas as lutas que travei desde meu não vangloriado nascimento
de todas as vezes que desejei um beijo da Senhora Morte
cada respiração se torna mais difícil diante de tal discernimento
uma vez que o Anjo me abandou à minha própria sorte

e sorte não existente, visto que ando sobre pregos
visto que minhas lágrimas queimam meu rosto, incerto
eu não pedi muita coisa, mas aos monstros tudo é negado

quem disse que demônios não amam?
se até o Diabo podia sentir
quem sou para contra a ti resistir?

mas resisto, agora, abandonado e esquecido
fui forçado a isso

"imagina que seu sorriso jamais se acabou"

mas sim, foi-se embora, o sorriso que me iluminava
a gargalhada que me animava
o toque que me aquecia
o beijo que me enlouquecia

de nada me vale a vida se não há pelo que viver
portanto, na plenitude de meu deteriorado ser
findo essa existência sem nexo
coloco fim ao sofrimento eterno




A vida é mais que um amor perdido

" De que me vale a eternidade
Se a passarei
Para sempre com saudade?

De que me vale a boca
Se não posso lhe beijar
Nem contigo mais falar

De que me valem as mãos
se não posso lhe tocar
como quer o coração?

E de que me vale a vida
se perdi
pelo que valeria viver "

                    - Harriet A. Croft