#2

O doce amargo que fica da boca
após provar um veneno
o sangue queima dentro da veia
e seu corpo treme ao extremo

o agridoce que é seu beijo
nada de sabor e sim de desejo
destrói a esperança do menino
ela sorri com seu desalento

com uma adaga faz um corte
na epiderme do envoltório sem sorte
dos olhos marejados de dor
caem lágrimas banhadas em fel e amor

rabisca na pele o que pensa crer
mas na verdade mal sabe o que vê
pois os globos oculares estão cansados
da vida manchada por tantos escárnios

duas vezes pensou ter encontrado a luz
mas de nada vale para o ser que agonia produz
duas vezes pensou ter visto a paz
mas de nada serve para o destruidor que nada faz

o seu sorriso é maléfico
não há brilho, não é bonito
o seu toque é frio
e seu andar é solene e esguio

suas unhas cravam a terra vermelha
 da sepultura que ela mesmo cavou
mas não se enterrou

estava morta há dias
mas caminhava entre os vivos
pois havia feito uma promessa
àqueles que pensou serem seus queridos




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